Blue Butterflies
4 Luca - Parte 4
Notas iniciais
O quarto era pequeno. Havia um beliche queimado. Do lado do beliche havia uma escrivaninha embutida num armário. “Que nostálgico.” Pensou Luca. Luca olhou para o canto do quarto e algo lhe chamou a atenção. Era uma boneca. Luca não se lembra de uma boneca em seu quarto, pois ela odiava bonecas. Dizia que dentro de bonecas havia almas aprisionadas. O estranho era que a boneca estava intacta.
“Vou tentar pegá-la” Pensou Luca segurando a maçaneta com a mão esquerda. Girou-a sem medo de algo lhe acontecer. A porta não abria. Por quê? Luca tentou empurrar a porta de madeira com força. Pensou que não teria problema de quebrar a porta, pois já faz muito tempo que aquele orfanato fechou. Usou tanta força que a maçaneta quebrou e acabou abrindo.
Entrou em seu quarto. Sentiu uma sensação estranha correr em seu corpo. Sentiu-se estranho, como alguém em um lugar que não pertence. Andou até a boneca. A iluminou com a lanterna e percebeu os detalhes que ela tinha. “Se parece com ela...” Pensou Luca. Seus cabelos eram compridos e pretos, seus olhos azuis olhavam diretamente nos olhos da boneca. “É apenas uma boneca de porcelana.” Pensou. Colocou a lanterna debaixo do braço e segurou a boneca.
Abraçou a boneca firmemente para que não caísse. Pegou a lanterna e virou-se para sair daquele quarto. Parou. Seus olhos fitavam algo.
Um vulto. Uma criança correndo no corredor. Uma criança rindo e alegremente parando. Virando-se e olhando no fundo dos olhos de Luca. Seus olhos eram vermelhos e brilhavam a luz da lanterna. Parecia escorrer sangue pelos seus olhos. Sua boca se abriu e sumiu deixando algo. “Traidor.”
Luca paralisou. Seu corpo estava imóvel. Foi rápido, mesmo que em palavras demore. Decidiu ignorar tudo o que acontecesse naquele orfanato. Até que ele saia.
Andou a frente e se perguntou por que ele seria um traidor. Decidiu subir as escadas, pois assim teria acesso a um elevador antigo poderia ir para o primeiro andar e dirigir-se até a sala da diretoria do orfanato.
Subiu as escadas calmamente. Ainda não entendia o porquê do traidor. Olhou para a boneca e decidiu pega-la como recordação. Olhou-a e se assustou. Achou ter visto-a sem feição facial. “É apenas impressão minha...” Pensou. Continuou a subir as escadas sem olhar para trás, pois sabia que algo poderia ocorrer.
Ergueu a cabeça para olhar o corredor. O corredor era como o debaixo. Vazio e cheio de portas. No fim do corredor havia um elevador antigo. Lembrara dos tempos em que ia para o elevador e ouvia ranger seus mecanismos.
Andou calmamente até o elevador. Parou no meio do caminho ao ouvir uma porta se abrir. Olhou em direção a porta e viu na fresta a mesma garota do corredor. Aproximou-se da porta sem medo e agachou-se para ver melhor.
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