Blue Butterflies
5 Luca - Parte Final
Notas iniciais
A garota parecia estar furiosa com algo. Seus olhos vermelhos pairaram sobre o ar ao sumir. Luca decidiu se levantar e voltar no seu caminho para o elevador.
Luca parou em frente ao elevador e apertou o botão para abrir. “Será que está funcionando?” Perguntou-se Luca. Ouviu um barulho alto e a porta do elevador abriu. Como imaginava. O elevador muito antigo estava inteiro, funcionava. Entrou no elevador e virou-se. Ao apertar o botão 1 aquela garota apareceu parada em frente a porta do elevador e só desapareceu quando a porta fechou.
Aquela garota trazia lembranças a Luca. Lembrou-se dela e seu jeito estranho. Era ela? Olhou para frente enquanto ouvia o barulho alto do elevador. “Estranho.” Pensou.
Luca olhou pelo reflexo e viu algo. Pelo reflexo havia os pés de uma criança, a barra do vestido tocava o chão. Então aquilo começou a se agachar. Luca desesperado apertava freneticamente o botão para abrir a porta. Não queria ver o rosto assustador dela.
Quando os cabelos alcançaram o chão Luca fechou os olhos. A pior escolha. Seu coração batia rápido demais. Abriu os olhos para dar uma espiada e viu o reflexo novamente. Havia parado. Seus cabelos negros tocavam o chão e estavam espalhados. Luca virou a cabeça lentamente em direção ao chão. Não virou por inteiro, pois não queria que ela o visse ou ele a visse claramente. Havia nada lá, apenas uma mancha preta no chão.
Luca voltou o olhar no reflexo, mas ela já havia sumido. Voltou o olhar para frente e tomou um susto que parecia que ia ter um ataque cardíaco. Ela estava atrás dele. Pela porta dava para ver o reflexo do que havia atrás dele. Ela estava de pé com seus cabelos para frente. Sua mão parecia querer tocar o corpo de Luca. Mas não conseguiria.
Apertou tão rapidamente o botão que a porta se abriu. Correu até uma porta com uma placa “sala de diretoria”. Estava ofegando. Seu coração batia rápido. Virou-se e apontou a lanterna na sala para ver se havia algo lá. Nada.
Seguiu até a mesa antiga do diretor e começou a apalpar a mesa. Procurava pela chave dos fundos. O pior era que teria que passar pelo jardim central até as portas do fundo. Achou a chave que estava enferrujada. Algo atraiu o interesse de Luca. Havia uma carta debaixo das chaves. Era uma carta para ele. Procurou no envelope o nome de quem escreveu, mas não reconheceu o nome. Que coincidência. Ele não se lembra do nome dela.
Não queria saber o que havia lá dentro, mas não havia um papel escrito a mão o que ela sentia. Havia um papel de um caderno rasgado. Estava escrito “Nunca vou te abandonar.” Luca se lembrou.
Quando era pequeno, Daniela era sozinha então ele virou amigo dela. Ela era muito tímida e como ele era quem ela mais gostava, sempre pedia para que ele nunca a abandonasse. Mas dias depois ele foi adotado e abandonou-a nesse orfanato em que ninguém nunca a amou. “Traidor.” “Agora faz sentido...”
Decidiu ir mais rápido para fora daquele lugar. Olhou para a boneca que deixou sentada em cima da mesa. “Ela é igual a essa boneca.” Pensou Luca. Deixou a boneca naquele lugar. Iria abandonar ela novamente; a amava, mas odiaria morrer naquele orfanato.
Abriu a porta e olhou para os lados para ver se ela estava lá. Não estava. Andou calmamente pelo corredor até uma porta de correr. Segurou pelo vão e a abriu. Empurrou-a e entrou pelo pequeno espaço que conseguira abrir, pois a porta estava tão antiga que ficara difícil de abri-la.
Mesmo depois de tempos o jardim estava sem grama alta, assim seria fácil chegar até o outro lado do orfanato. Andou pela grama que tocava em suas canelas. Parou no meio do caminho ao ver uma borboleta azul pousar num galho da arvore. Era uma borboleta bonita e delicada. Era azul claro com duas manchas nas asas de um tom azul mais escuro.
-Uma borboleta?-Olhou para o céu estrelado e lembrou que perto do orfanato nunca teve borboletas azuis. Aproximou-se da borboleta, mas ela voou para o céu. Olhou ela voar delicadamente por entre a escuridão. Voltou sua atenção para o que pretendia fazer, fugir.
Andou por entre os arbustos até chegar à porta. A porta estava cheia de manchas de mão de crianças. “Talvez quando ocorreu o incêndio as crianças estavam aqui no jardim.” Pensou Luca. Segurou a maçaneta com cuidado enquanto pensava sobre a borboleta. Entrou e apontou a lanterna dentro do corredor. O corredor era comprido, deveria andar muito até a porta dos fundos. Seria um perigo voltar.
Calmamente andava pelo corredor. Luca queria ser rápido, mas não conseguiria. Estava cansado demais para correr. Olhava atenciosamente o seu caminho. O formato redondo da luz se direcionava apenas em duas direções; as portas e o corredor. Luca olhava as portas caso precisasse entra em uma delas.
Pensou no que poderia acontecer com ele àquela altura. Estava muito distraído pensando numa forma de não ser pego por ela. “E se a porta não abrir?” Perguntou-se. Morreria? Talvez ficasse preso naquele lugar até morrer e só então alguém achar seu corpo. Lembrou-se do celular que estava no bolso, assim poderia ligar para a polícia ou até um de seus amigos para lhe ajudar, já que seus “pais” estavam ocupados demais com a empresa enorme deles.
Olhou para frente e viu a porta cinza e manchada de preto. Era a porta dos fundos. Teria que dar uma grande volta pelo exterior do orfanato, assim chegaria ao velho portão. Procurou em um dos bolsos um molho de chaves e pegou a chave enferrujada. Colocou dentro da fechadura e a girou. Ao tocar a maçaneta, ouviu um barulho atrás dele e virou para ver o que havia lá.
Ela estava a quatro metros de distancia dele. Olhava-o como se não quisesse que ele fosse embora; não queria que ele a abandonasse.
Não se desesperou. Virou-se para a porta e apertou a maçaneta. Tentava abrir. Girava rapidamente, mas não conseguia abri-la. Ouvia os passos se aproximarem e começou a se desesperar. Girava a maçaneta freneticamente. Fechou os olhos e ouviu os passos se aproximarem respirou e expirou calmamente, abriu os olhos e girou a maçaneta devagar. A porta se abriu e ele saiu daquele lugar. Olhou para o céu estrelado. Estava parado em frente à porta aberta. Esquecera-se dela.
Ela estava atrás dele. Seu celular tocou e logo atendeu.
-Alô?
Um chiado... E uma voz rouca... “Você... não pode... escap—” Um grito chamou a atenção de pássaros que voaram para longe.
A cena: Luca estava deitado no chão, seu rosto deformado demonstrava tristeza. Uma boneca ao seu lado, seus cabelos negros tampava seu rosto. Seu sorriso, malicioso.
Ele jamais iria abandoná-la.
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