Notas iniciais
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Estava em outro lugar. Não era mais a recepção. Estava em uma sala de artes. Os quadros espalhados pela sala cheios de desenhos de animais mortos. As tintas estavam espalhadas pelo chão.

Tentou se lembrar do que ocorrera com ele. Lembrou-se dos olhos enfurecidos da pessoa. Lembrou-se do que saiu de sua boca. “Ela estava muito sozinha...” Lembrou-se do rosto deformado da pessoa.

Andou mais a frente. Só podia enxergar o que a lanterna iluminava. “Eu escolhi o pior momento para vir aqui.” Pensou Luca. Estava de noite. O momento do dia em que o medo é mais fácil de ter.

Olhou para os lados e viu alguns instrumentos queimados e quebrados. Do lado de um dos instrumentos havia um quadro. Um quadro muito antigo.

Era o desenho do quarto onde ela e Luca dormiam. Luca aproximou-se do quadro e percebeu algo estranho. Havia uma mancha no rosto de uma das crianças que aparecia no quadro. Olhou bem e percebeu que era ele. Quem pintou aquele quadro foi ela.

Achou estranho, mas ignorou aquilo. “Talvez ela tenha manchado sem querer.” Pensou.

Luca direcionou-se a porta e girou a maçaneta. Com cuidado a porta rangia, se empurrasse mais forte a porta poderia quebrar.

Olhou dos dois lados do corredor. A direita havia nada além de portas e uma escada, a esquerda havia um corredor comprido e apenas uma porta. Uma porta com um buraco no meio. Não era um buraco redondo e perfeito como se tivesse feito propositadamente. Era um buraco feito por algo grande e forte. Quem ousasse tocar nas lascas da madeira iria ganhar arranhões profundos nas mãos.

Luca não queria entrar lá. Pensou em ir até a sala da diretoria e pegar alguma chave reserva da porta dos fundos. “Talvez a chave vá estar inteira para que eu possa sair.”

A sala da diretoria era no primeiro andar, no mesmo andar onde aquela pessoa estava. Luca pensou que o pior já passara então decidiu descer as escadas no fundo do corredor.

Andou em direção as escadas. Apontando a lanterna na direção de onde queira ir. Mesmo com uma expressão séria, Luca estava com medo. Dava para saber isso só de ouvir os batimentos de seu coração.

Pisou no primeiro degrau e sentiu percorrer algo em seu corpo. Olhou para frente e percebeu que não daria para descer em mais um degrau, pois a escada estava bloqueada. Parte da escada para o andar de cima caiu na hora do incêndio. “Como subi por ali?” Pensou Luca assustado.

Um barulho fez com que Luca “despertasse”. Estava vindo atrás dele. Luca virou-se e olhou para aquela porta com um buraco. Olhou profundamente, mas não conseguia enxergar algo mais. Mesmo com a luz da lanterna apontando para o buraco não dava para ver algo.

Luca, por curiosidade, decidiu chegar mais perto da porta. Seus pés não tremiam. Luca quando está curioso ou atraído por algo, deixa de ter medo. Deixou de ter medo do que poderia estar lá dentro.

Andou lentamente até que chegou perto da porta. O buraco, que de longe parecia pequeno, era grande. Luca se agachou e olhou pelo buraco. Seu coração estava batendo rapidamente, mas seu rosto estava sério. Olhou profundamente pelo buraco.

Pelo buraco ele podia ver o que era lá dentro. Posicionou a lanterna do lado do seu rosto. Era um quarto. Luca virou a cabeça para o lado para ver o número do quarto. 255. Era o quarto em que Luca dormia. Junto com ela.