Blue Butterflies
2 Luca - Parte 2
Notas iniciais
Luca entrou no orfanato sem medo. Finalmente não tinha medo da solidão.
Em sua mão direita segurava uma lanterna, pois no incêndio as lâmpadas explodiram. Em seu bolso estava seu celular caso precisasse ligar para alguém para ajudá-lo.
Entrou calmamente na sala de recepção. As cadeiras estavam enfileiradas do mesmo modo que Luca imaginava. A planta do vaso estava seca por causa da desidratação.
“Como eu imaginava...” Pensou Luca. Mas ele não percebeu algo de diferente. Aquela pessoa de cabeça baixa sentada em uma das cadeiras de plástico.
Andou mais a frente e estava no corredor cheio de portas. No fim do corredor havia uma escada, mas Luca não queria subir as escadas agora. Queria entrar em pelo menos dois quartos de cada andar, pois imaginava que conseguiria encontrar algo dele ou dela.
Olhou para a porta da cozinha. Lembrou-se do gosto da comida da irmã Lúcia. Lúcia era como uma mãe para ele.
Decidiu entrar na cozinha. Talvez fosse encontrar algo da irmã Lúcia. Um pertence que iria servir de lembrança além de suas cartas.
Abriu a porta de madeira. Rangia como sempre. Mirou a lanterna em direção da cozinha. Sentiu um frio na espinha. Por quê?
A cozinha rústica de sempre estava bagunçada. Os utensílios de cozinha derreteram com o forte calor do incêndio. A cozinha estava destruída. “Poderia ser um dos pontos que causaram o incêndio...” Pensou Luca.
Luca sentiu seu celular tocar. Era o toque para mensagens recebidas. Recebeu uma mensagem. De quem?
Pegou o celular e tremeu um pouco. Estava com medo de algo. Do que seria?
“É apenas a irmã Lúcia...” Como? “Irmã Lúcia!?”
Seu corpo todo tremeu, seu batimento estava acelerado demais. Com os olhos arregalados apertou a tecla para ler a mensagem.
Mesmo com medo ele leu aquela mensagem.
Não havia letras havia uma foto. Luca se lembrara daquele dia. Era uma foto em que ele estava abraçando ela e Lúcia sorria ao seu lado. Foi o ultimo dia dele no orfanato. Era a foto que a irmã Lúcia se esqueceu de entregar em uma das cartas. Mas Luca lembrou-se que era esquisito ele receber essa foto nesse dia. Pois já se passara dez anos.
Saiu lentamente da cozinha e nem pensou em entrar em outra sala, pois queria sair de lá mais rápido possível.
Andou em direção a porta da entrada. Segurou a maçaneta e a girou, mas estava trancada. Estava preso no orfanato.
Virou-se em direção da sala de recepção e só então percebeu aquela pessoa sentada na cadeira. Aproximou-se do corpo imóvel. Suas mãos tremiam e suava frio.
-Quem é você?-Perguntou Luca tremendo.
Nenhum som saiu da figura imóvel. Luca decidiu aproximar-se mais para tocar o ombro da pessoa. Quando inutilmente tocou seu ombro. Sentiu algo passar pela cabeça. Era aquela sensação estranha de vermos nossa vida em um segundo. Então abriu os olhos.
Fale com o autor