Notas iniciais
Boa leitura!

"Se dois pontos estão destinados a se tocar, o universo sempre vai encontrar uma maneira de fazer essa conexão — mesmo quando toda a esperança parece estar perdido. Certos laços não pode ser quebrados. Eles definem quem somos — e que podemos nos tornar. Através do espaço, ao longo do tempo, entre os caminhos que não podemos prever — a natureza sempre encontra uma maneira. "

From Touch — via waakeme-up | Tumblr

☀

Se nesse momento me perguntassem que super poder eu gostaria de ter, a resposta seria simples e breve : Eu gostaria de ler mentes.

Assim poderia encarar cada olhar curioso sobre mim e saber exatamente o que estavam pensando enquanto me olhavam.
— Tem certeza que não quer que eu entre com você? — A voz preocupada de minha mãe soou me arrancando instantaneamente do meu subconsciente e eu pisquei controlando o turbilhão de coisas que rodeavam meus pensamentos naquele momento — tudo bem, vou entrar com você!
Ela desligou o carro e fez menção em sair dele.
— Não mãe! — Empurrei a porta a fechando novamente. Minha mãe se apoiou na janela. — estou bem! — Sorri. Ao menos eu esperava ser convincente.
—Tem certeza? — Não, eu não tinha, mas sabia que não queria minha mãe me levando até minha sala no primeiro dia após as férias de verão em minha nova escola.
Assenti e assisti enquanto ela parecia ainda ponderar a ideia.
— Preciso entrar, se não vou me atrasar! — Não pude evitar quando ela saiu do carro e me apertou em um abraço. -mãe, é apenas o primeiro dia de aula em uma nova escola, não é como se não fosse voltar para casa no fim do dia!
Eu ouvi minha mãe fungar?
— Mãe? — Céus, ela estava chorando — mãe, por favor!
Ela me soltou e pedi mentalmente aos céus que sua maquiagem perfeita não tivesse borrado em minha camisa branca.
— Boa sorte querida, me ligue se precisar de algo! — Assenti dando um beijo de despedida em sua bochecha úmida.
— Tchau mãe! — Acenei para ela e vi a Land Rover grafite de minha mãe dobrar a esquina e sumir de meu campo de visão.
Então era isso, eu estava sozinha agora. Primeiro dia de aula, em uma nova escola. Isso soava tão mais simples quando se tinha cinco anos e dez minutos depois de entrar na escola você já tinha amigos inseparáveis.
Encarei meu all star perfeitamente branco e meu estomago se revirou. Senti saudades de casa, das minhas amigas que sempre estavam no portão pontualmente as sete e meia quando eu chagava na escola. Saudades de Shawn, do sorriso dele ao me ver e dos lábios macios dele nos meus em um beijo de bom dia. Bem, tudo isso agora se resumiam a lembranças, agora eu era Camila Cabello, a novata, sem amigos.
Caminhei seguindo o fluxo de alunos que entravam pelos portões principais da escola. Os olhares permaneciam em mim, o que me incomodava já que odiava ter atenção em mim. O movimento era constante, apesar de ser sete e quinze da manhã, ninguém parecia exatamente preocupado com o fato de que faltavam apenas quinze minutos para o inicio das aulas pois estavam todos muito ocupados em matar as saudades e contar como haviam sido as ferias de verão para os amigos.
—Gottalet it happen, solet it happen... — Cantarolei junto com Hayley que cantava Last Hope em alto e bom som em meus fones de ouvido, pois essa era minha única alternativa, deixar acontecer.
Cruzei a porta dupla de madeira da entrada do prédio principal da escola, o barulho era uma mistura, risadas, conversas, gritaria, todos pareciam ter decidido falar de uma única vez, fazendo assim que tudo virasse um grande burburinho de vozes onde nada exatamente podia ser compreendido com clareza a não ser que você estivesse envolvido em alguma das conversas.
Suspirei tentando conter a pilha de nervos que eu me encontrava naquele momento.
Caminhei por entre a multidão de alunos seguindo o pequeno mapa improvisado que alguém da secretaria havia feito amigavelmente e entregue a minha mãe na esperança de me ajudar nesse momento.
O som alto do sinal soou fazendo com que todos aqueles espalhados pelas dependências da escola tomassem apressadamente um único rumo. Foi preciso muita força de vontade da minha parte para conseguir me esgueirar por entre todos que se esbarravam até conseguir chegar ao meu destino inicial.
Prendi nervosamente meu lábio inferior por entre meus dentes quando finalmente achei a secretaria. Ajeitei minha mochila em meu ombro enquanto encarava a parede de vidro que dividia o corredor e o interior da sala.
Conseguia ver dali o extenso balcão, onde uma mulher aparentando seus quarenta e poucos anos apoiava seus cotovelos na superfície de madeira enquanto encarava por cima dos óculos uma figura feminina.
Cabelos longos e negros iam até a cintura da figura de costas para a parede de vidro. Meus olhos seguiram horrorizados para a quantidade exagerada de tatuagens que cobriam-lhe os dois braços expostos através de uma camiseta branca o que destacava ainda mais a tinta preta dos desenhos. A garota parecia brigar com a senhora que balançava a cabeça negativamente para tudo o que era dito.
Decidi entrar de uma vez no local e foi nesse exato momento que a garota tatuada se virou para sair.
Sabe aquele momento em que você encara algo e sua mente diz que deve parar mas seus olhos ignoram a mensagem e continuam a admirar? Foi exatamente assim que me senti no momento em que os olhos demasiadamente azuis da garota encontraram os meus. Ao mesmo tempo em que eu entrava pela porta giratória da secretaria ela usava a mesma para sair. Meus olhos foram ao piercing metálico preso em seu lábio e depois voltou aos seus olhos. A porta pareceu demorar mais que o necessário para dar a volta.
— Posso ajuda-la? — Minha mente voltou rapidamente ao seu estado de sanidade após o estranho episodio que acabara de acontecer. Encarei a senhora atrás do balcão que mantinha um sorriso simples nos lábios pintados de vermelho. Me senti estranhamente tonta. Minha mão foi até minha testa tentando acalmar a confusão em minha mente. O que acabara de acontecer?!
—Eu... hã... Eu sou Camila... Camila Cabello, fui transferida de Miami! — Disse a senhora que me aguardava terminar de falar assentiu.
— Oh sim, estava a sua espera senhorita Cabello! — Sorrio novamente pegando uma pasta azul, o que me remeteu a lembrar da garota tatuada. Eu nunca havia visto olhos naquela intensidade de azul, os brilho que continha neles era único. — senhorita?
Quando encarei a mulher cujo o nome Lucie estava estampado em seu crachá logo abaixo de sua foto, ela estava parada perto da porta. Franzi meu cenho confusa. O que há com você Camila?!
— Pode me acompanhar? — Apontou com a pasta para a porta. Assenti a seguindo pra fora da secretaria. Os corredores agora estavam mais vazio apenas alguns alunos passavam por eles, provavelmente atrasados.
Após caminhar em silêncio ao lado de Lucie ouvindo apenas o som de seus saltos contra o piso chegamos aos armários. Esperei até que ela encontrasse o que queria .
— Bom... certo, certo, número 118, esse é seu amigo até o fim senhorita Cabello!
— Camila... — Ela arqueou uma das suas sobrancelhas pintadas — me chame apenas de Camila!
Completei e ela assentiu.
— Okey Camila, essa é a combinação de seu cadeado, e aqui... — puxou uma folha da pasta que mantinha nas mãos — este são seus horários! — Me entregou uma pequena palheta com uma sequência de números e a folha de horários.
Apenas balancei a cabeça positivamente, certo, tinha meus horários e um armário, não tão ruim para um primeiro dia não é?!
Ouvi atentamente Lucie falar sobre algumas regras da escola, atrasos, bebidas, drogas, relações extremamente afetivas nos corredores e outras coisas que não eram toleradas.
— Aqui, sala vinte e oito, sua primeira aula, literatura, seu professor é o senhor Sherman! — Olhe através da pequena janela da porta e meu coração acelerou ao ver a sala lotada. Lucie abriu a porta após alguns toques e de repente minhas bochechas pareciam pegar fogo quando todos nos olharam.
A senhora, explicou ao professor, um homem de cabelos levemente grisalhos e um óculos fino apoiado na ponta do nariz, ele sorrio e cordialmente apertou minha mão. Assim que ele me deu espaço para adentrar a sala precisei respirar fundo para conseguir dar o primeiro passo. Meus pés pareciam pesar toneladas quando os levantei.
A porta foi fechada em seguida. Meu olhar rapidamente examinou os rostos a minha frente e prenderam-se a figura sentada na última fileira de cadeiras no fundo da sala. A garota ria com as outras ignorando o que estava acontecendo. Gostaria que todos estivessem agindo como ela naquele momento.
Depois de encara-la por tempo de mais a outra garota de cabelos loiros presos no topo da cabeça com um nó cutucou a morena tatuada a fazendo me olhar.
A garota das tatuagens me olhou descansando a ponta do lápis em seus lábios livrando-se do sorriso que antes estavam ali assumindo uma expressão quase grosseira.
— Okey, finjam ser educados e dêem boas vindas nossa nova aluna, ela se chama Camila e foi transferida do Miami! — O professor disse usando um tom brincalhão.
— As pessoas do Miami não são meio que... bronzeadas?! — Uma voz feminina disse me levando a encarar novamente o fundo da sala, e dessa vez vi a garota magra sentada do lado oposto da loira. Ela tinha um sorriso debochado nos lábios, como se sua piada tivesse sido inédita.
— Preferia que tivesse se mantido calada senhorita Jenner! — O professor disse arrancando um "uh" coletivo do demais da sala. — pode se acomodar onde achar melhor Camila, vou providenciar um exemplar pra você do livro que estamos analisando — Senhor Sherman disse pra mim — mas agora, preciso de alguém que possa ajudar Camila a se situar um pouco e deixa-la acompanhar a leitura! — Disse virando-se para a turma. Uma mão se levantou e encarei o garoto de cabelos levemente crescidos. — obrigada Harry!
Caminhei até o garoto sentando-me na cadeira ao lado da dele. Coloquei minha mochila no chão tirando de lá apenas eu caderno e canetas.
— Sou Harry Styles! — O rapaz ao meu lado sorrio gentilmente e só então percebi a cor profunda do verde de seus olhos esmeralda.
—Sou Camila! — Disse no mesmo tom e ele maneou a cabeça fazendo seus cachos balançarem.
—Eu sei, o professor disse, acho que agora todos da sala sabem! Então, se não queria ser conhecida, seu plano falhou! — Disse divertidamente e senti o peso no meu peito se esvair um pouco.
A leitura que estava sendo feita era do livro O morro dos ventos uivantes . Por sorte, eu já havia lido no mínimo umas quinze vezes o que me deixou um pouco melhor durante a aula.
Harry, o garoto dos cachos, me contou algumas coisas sobre a aula e o que já havia sido dito até o momento de minha chegada.
As duas aulas de literatura foram menos pavorosas do que eu pensei. A terceira aula, biologia, foi boa, levando em conta que eu era péssima na matéria. Harry me convidou para passar o intervalo com ele e sua turma e eu claro, não tinha lá milhares de opções para recusar a oferta.
— Preferimos comer no jardim, tipo, ao ar livre e tal... — Ele explica enquanto caminhamos para fora do prédio e vamos até a área coberta de grama na frente da escola. Paramos a alguns metros de um grupo formado por três garotas e um garoto que estão sentados na grama. — bem vamos lá, aquela, é Allyson Brooke — ele aponta para a menor vestida com um uniforme de líder de torcida — ela é do tipo religiosa-virgem-liberal! — Diz e acompanho ele em uma risada.
— Religiosa-virgem-liberal?! — Repito e ele controla o riso.
— Os pais dela são religiosos roxos e tentam fazer com que Ally siga o caminho da luz já que o pai dela é pastor! — Meus olhos se arregalam um pouco chocados com as informações -mas, lá dentro ela quer liberar ligo, sabe como é, os hormônios falam mais alto na nossa idade, e Ally, não é lá a santa que os pais querem, mas se esforça pra isso! — rimos mais uma vez- ao lado dela esta a Dinah, é a nossa artista, segundo o que ela diz um dia vai ganhar um Oscar e nos levar a premiação como seus empregados!
—Uau! — Falo realmente impressionada — ela deve ser boa então!
— Sim ela é, vai ter a chance de vê-la atuando já que faz parte do grupo de teatro da escola! — assinto e ele continua — a morena ali, é Normani Kordei a CDF! Ela é um gênio não há nada que Mani não saiba, incluindo as fofocas mas quentes! — Fala a última parte um pouco mais baixo como se para ninguém mais ouvir.
Concordo positivamente analisando cada uma e meu olhar para no garoto rindo junto delas.
— E ele quem é? — Aponto para o rapaz de topete e óculos escuros que tem um cigarro aceso entre os dedos.
— Ah, aquele gato maravilhoso ali é Louis Tomlinson, meu namorado! — Harry diz parecendo muito orgulhoso de suas palavras e um sorriso tímido surge em seus lábios fazendo pequenos furinhos surgirem de cada lado.
— Oh! — É tudo o que consigo dizer quando voltamos a caminhar em direção a eles.
Examinei Harry por alguns instantes enquanto nos aproximávamos do grupo. O garoto era tímido porém sabia interagir muito bem, e parecia meio fechado a seu pequeno grupo de amigos. Exatamente como eu costumava ser com meus amigos.
— Haz! — O garoto de óculos sorrio ao ver o namorado. Harry parou para cumprimentar os quatro ali sentados e me senti um pouco invasiva, o que me levou a ficar de pé a uma distancia razoável deles.
— Camila, vai ficar aí de pé? — O de cabelos cacheados disse já sentado entre as pernas do menor.
— Faltamos uma única aula e você arruma uma nova amiga? — A garota negra disse me encarando através de seus óculos de gatinho.
—Permitam-me apresentar Camilla Cabello, a transferida! — Harry disse em um tom cômico e os cinco começaram a bater palmas como se ele tivesse acabado de apresentar alguém famoso. Meus lábios se permitiram curvar-se em um breve sorriso e me aproximei me sentando ao lado deles.
—Nossa garota você é linda! — Dinah disse me olhando e tocou eu rosto com a ponta dos dedos. —olhem essa pele!
Com um sorriso fraco nos lábios encarei o chão e a grama crescida verde.
—Porque exatamente me deixaram três aulas? — Harry disse.
—Desculpe anjo, mas eu estava no ensaio das cheers! — A tal Ally falou fazendo bico.
—Eu estava na biblioteca, havia esquecido de devolver um livro e quando entrei lá... bem você sabe é difícil largar tudo pra aula de biologia! — Normani disse soltando um suspiro.
— Eu estava de ressaca e dormindo! — O namorado de Harry diz agora revelando os olhos magnificamente azuis.
Estava começando a pensar que essa cor estava me perseguindo hoje.
— Então Camila, porque foi transferida? — Ao ouvir meu nome ser pronunciado fui arrancada de meus pensamentos e pisquei algumas vezes tentando voltar a realidade
— Minha mãe, precisamos nos mudar por causa do trabalho dela! — Resumi a história.
— Com o que exatamente ela trabalha? — Encarei Normani que tinha um sorriso fofo.
— Ela é bióloga! — Respondi breve.
— Louis quer ser biólogo! — Harry estalou.
—E de onde vocês se mudaram? — Agora Ally a líder de torcida/Religiosa-virgem-liberal disse. Eu tive que segurar um sorriso quando a encarei e lembrei da explicação sobre ela que Harry havia dado.
— Uh, bem, nos nos mudamos provisoriamente durante as férias para o Havaí, porem morávamos nos Miami, e do Havaí viemos para Los Angeles! — Falando em alto e bom som foi estranho porque senti mais falta de casa e de todos. E quando olhei para aquele grupo de amigos senti falta dos meus.
— Uau, quantas mudanças! — Louis disse simplesmente.
— Mani! — A voz vinda de fora do grupo chamou a atenção de todos ali. Olhando na mesma direção que os outros, meus olhos avançaram novamente até a garota tatuada acenando em nossa direção. Ela estava sozinha agora e um cigarro estava aceso entre seus dedos.
Normani prontamente se levantou ajeitando o vestido e caminhou em direção a quem lhe chamara.
—Quem é ela? — Minha boca pronunciou as palavras antes que conseguisse pensar. Foi estranho e percebi isso depois que os olhares do grupo estavam sobre mim.
— Aquela é Lauren Jauregui, o tipo de pessoa na qual pessoas normais como nós não gostaremos de nos relacionar! — Ally disse e meus olhos foram até a garota. As tatuagens estavam mais visíveis agora por causa da luz do sol contra sua pele clara deixando os riscos pretos em destaque.
— Porque? — Minha boca pronunciou as palavras e me amaldiçoei mentalmente por isso. Desde quando eu era do tipo que falava coisas sem pensar?!
— Porque ela é do tipo que todos acham legal mas na verdade tudo o que ela quer é chamar atenção! — Ally revira os olhos enquanto os meus vão até a garota tatuada que agora tem um nome, sobrenome e tem as duas amigas abraçadas em seu pescoço.
— Espero que não esteja falando mal da Lauren de novo Allyson! — Só então percebo que Normani voltou ao seu lugar na roda.
— Lauren é melhor amiga da Normani! — Dinah murmura pra mim com certeza notando a confusão que deveria estar estampada no meu rosto.
Harry e Louis apenas riem da situação.
— Lauren avisou que as Jenner vão dar uma festa! — Normani disse comendo algo de um pacote em suas mãos.
—Kendall havia me dito, mas achei irrelevante, porém preciso beber! — Louis diz recolocando os olhos e começa a brincar com os cachos de Harry.
— Nós vamos, claro! — Dinah diz por fim.
Observo enquanto uma pequena discussão sobre eles iriam ou não a festa se forma, foi engraçado em alguns momentos inclusive quando Harry comentou que da última vez Allyson havia experimentado tequila a primeira vez, o que resultou em uma garota bêbada dançando em cima de uma mesa.
Nas duas últimas aulas de química todos foram para o laboratório. Ao entrarmos na sala, alguns alunos já estavam lá acomodados nas bancadas, me senti presa em meio a duvida entre sentar ou não perto deles, até que Normani me arrastou para junto e sentamos todos em uma mesma bancada.
Quem olhasse para nossa professora de química a confundiria sem nenhum problema com uma aluna. A mulher loira com o cabelo preso em um coque no topo da cabeça tinha uma feição angelical que denunciava sua pouca idade. Se não fossem as roupas formais ela poderia fingir ser uma adolescente.
— Bem vindos de volta, espero que tenham usado as férias para limpar a mente pois esse ano não será fácil, vocês terão muitos trabalhos pela frente! — caminhou até a frente de sua mesa e apoiou-se na superfície. — as regras são as mesmas de sempre, sabem que não tolero atrasos, odeio ser atrapalhada e nã... — antes que ela terminasse sua fala, a porta da sala foi aberta e Lauren Jauregui apareceu ofegante na porta e logo atrás suas amigas.
—Desculpe professora! — A voz da garota tatuada soou muito diferente do que eu imaginava. Mais doce do que parecia, Lauren parecia grosseira demais para ter aquela voz.
—Senhoritas Jauregui, Delavigne e Jenner, permitam-me saber onde estavam! — A professora disse cruzando os braços.
— Acho que a senhora não vai querer saber! — A loira amiga de Lauren disse comicamente arrancando risadas de alguns.
A professora revirou os olhos quase da mesma forma que eu.
— É o primeiro dia de aula, então darei um desconto, mas espero que não se repita! — Disse a mais velha e duas das três garotas assentiram.
A aula não foi mais que o esperado. Por ser o primeiro dia de aula, a professora Smith, preferiu detalhar o cronograma do que aconteceria no decorrer do ano.
Depois de passar em meu armário, eu, Harry, Louis, Normani e Dinah fomos até a saída onde encontramos com Ally.
—Vamos ao Starbucks? — a sugestão de Ally pareceu ser bem aceita por todos.
Então viraram-se pra mim.
—Vamos Camila? — Harry diz.
—Bem eu... — Olho para o pequeno relógio em meu pulso. — é que eu preciso ir pegar minha irmã na escola, mas ainda tenho algum tempo, acho que tudo bem!
Normani e Louis são os únicos que tem habilitação e um carro então nos dividimos Harry e Ally foram no carro com Louis, enquanto eu e Dinah nos acomodamos no pequeno mas confortável fusca conversível de Normani.
O caminho foi cheio de perguntas. Era claro que viriam, o que eu esperava, entrar num grupo de amigos que estudavam juntos desde o sétimo ano e não querer que eles fizessem perguntas?
A verdade é que sim. Eu me sentiria mais confortável assim, nunca gostei muito de falar sobre mim já que eu sempre preferi observar o mundo ao meu redor.
Chegamos ao local cerca de cinco minutos depois dos outros já que Normani precisou parar para abastecer.
Entramos no Starbucks e os três já haviam escolhido uma mesa que até onde entendi era 'a mesa de sempre' deles.
Depois de uma breve conversa sobre a demora fomos fazer nossos pedidos. Enquanto aguardávamos me permiti olhar ao redor e ver alguns rostos 'conhecidos' da escola.
—Vai a festa com a gente não é? — Normani disse aleatoriamente e todos me olharam, e eu quase engasguei com meu frapuccino moca pela pergunta inesperada.
—Bem eu... não sei! — Eu realmente não sabia já que não estava esperando ser convidada a ir para uma festa no primeiro dia de aula. Mas também não esperava estar em um grupinho.
— Mas é claro que ela vai! — Harry fala como se aquela resposta colocasse um ponto final no assunto.
— Amanhã tem aula, essas festas não deviam acontecer no final de semana? — Digo e me sinto meio envergonhada quando eles compartilham uma risada.
— Se tem uma coisa que deve aprender agora Camz, é que não há dia para festejar! — Dinah disse calmamente.
Assinto para o que foi dito e enquanto falamos sobre a hipótese de eu ir ou não a festa olhei brevemente o relógio no pulso de Normani sentada minha frente e em um pulo desajeitado me pondo de pé e encarei meu próprio relógio.
—Caramba, eu esqueci da minha irmã! — Me abaixei pegando minha mochila.
— Minha nossa, esquecemos disso! — Normani deu um tapa na própria testa.
Sofia era o tipo que odiava atrasos, e eu odiava me atrasar por isso sempre nos demos bem, mas hoje especialmente eu havia a esquecido e ela deveria estar uma fera. Pedi mentalmente aos céus que ela não houvesse ligado para mamãe, porque aí sim, teríamos um grande problema.
—Preciso ir! — Apressadamente joguei minha mochila no ombro e digitei uma mensagem para Sofia.
— Hey Camila, Louis pode te levar de carro! — Harry disse e Louis prontamente concordou. Analisei a hipótese alguns instantes, porém eu não tinha exatamente muita escolha já que haviam alguns quarteirões entre mim e Sofia.
— Tudo bem! — Louis levantou-se dando um beijo rápido de despedida em Harry e saímos do estabelecimento as pressas, dando apenas tempo de ouvir Normani gritar:
—Ligue assim que estiver tudo bem! — Não soube exatamente com quem ela havia falado, mas minha mente decidiu que era irrelevante pensar nisso naquele momento.
Mandei mais algumas mensagens para Sofia esperando uma resposta que não veio, então disquei a primeira vez para seu numero que deu caixa postal. Meu coração começou a acelerar. Se algo tivesse acontecido por conta do meu atraso, nunca iria me perdoar.
— Obrigada mesmo Louis! — Agradeci enquanto o carro dele parava em frente a escola que eu havia informado a ele, e por sorte ele conhecia uma atalho já que sua irmã do meio também estudava lá.
—Não precisa agradecer! — Ele sorri de lado enquanto eu descia do carro e fui em direção a entrada da instituição.
Ao chegar na entrada vazia por estar tarde para os alunos da manha estarem lá e muito cedo para os da tarde.
— Com licença, sabe informar se há mais algum aluno ainda aí? — Falei tentando olhar o interior do local por cima do ombro do homem de meia idade parado a minha frente
—A última aluna saiu acompanhada a mais ou menos trinta minutos, não há mais alunos da manhã por aqui! — Meu estomago se revira enquanto agradeço ao homem e tento mais uma vez ligar para Sofia.
Encarei Louis parado a centímetros de seu carro.
— Posso pedir só mais um favor? — Sabia que estava sendo abusada demais em pedir ainda mais dele, porem Louis era minha ultima esperança antes de ligar para a minha mãe e passar todo o meu desespero pra ela.
Enquanto Louis dirigia rumo a minha casa digitei varias outras mensagens e tentei ligar para ela novamente. A cada vez que eu ligava e Sofia não atendia e a ligação caia na caixa postal meu desespero se multiplicava.
Assim que ele parou o carro disparei para fora do carro e Louis me acompanhou. Abri a porta e a sala estava vazia.
—Me dê um minuto, pode ficar a vontade! — Esperei que ele entrasse fechando a porta atrás dele e joguei minha mochila no sofá correndo escada a cima em direção aos quartos. As batidas aceleradas do meu coração em desespero foi a zero quando Sofia saiu sorrindo de seu quarto junto com uma garota. O sorriso de Sofi sumiu quando ela percebeu minha presença e minha expressão de desespero se dissipando aos poucos.
— Ai meu Deus Sofia, me desculpa mesmo, acabei me atrasando! — A garota de apenas quinze anos era do tipo adolescente que adiava o mundo ao seu redor por isso se trancava no seu. Quando a apertei em um abraço ela bufou não retribuindo o gesto como o esperado.
— Você demorou, a mãe da Fizzy me ofereceu uma carona até aqui e como não foi me buscar subjuguei que não estava em casa então convidei ela pra ficar comigo até você chegar! — Explicou apontando a garota parada atrás de si pelo pouco espaço do corredor.
— Muito obrigada Fizzy agradeça a sua mãe por mim, é um prazer conhece-la, sou Camila!
— Ela é a sua irmã certinha e controladora? — Fizzy disse e franzi o velho com suas palavras ditas tão calmamente e encarei Sofi que explodiu em uma gargalhada.
— Acho que vou ligar para mamãe e pedir pra ele vim me buscar agora! — Fizzy diz e Sofia assente.
—Posso preparar um lanche pra nós enquanto isso!
Assim que a ideia é aceita por ambas seguimos de volta para a sala. Enquanto descia as escadas vi Louis parado perto a porta olhando alguns porta retratos na mesinha de canto.
—Esta tudo bem Louis! — Digo e ele se vira arregalando os olhos em seguida.
—Felicité? — Inclinou levemente a cabeça para o lado
—Louis, o que faz aqui? — Gire meus calcanhares para encarar a garota.
— Eu vim ajudar Camila a procurar a irmã dela! — Disse ainda em tom de duvida.
— Eu vim esperar a irmã da Sofi com ela! — Por que de repente algo na garota ali parada me lembrou tanto Louis?!
— Espera... Ele é o seu irmão? — Sofia disse e finalmente algo fez sentido naquela situação.
Fizzy assente ainda parecendo tentar arrumar a situação em sua mente
—Bem, parece que não vai mais precisar chamar a sua mãe afinal! — Sofi diz dando de ombros e Fizzy concorda.
— Mas ainda vou fazer nosso lanche! — Digo e enquanto Fizzy sorri simpaticamente, Sofi revira os olhos e vamos para a cozinha.
Fizzy mostra-se uma garota muito ativa, enquanto conversamos ela deixa um pouco da timidez inicial e começa a soltar-se mais. Durante o lanche Sofi conta como foi seu primeiro dia e como ela e Fizzy acabaram se esbarrando e dessa forma descobriram que partilhavam da mesma leitura do livro Um Dia, então não se desgrudaram desde então.
Louis e Fizzy como veteranos nas escolas onde estudamos, começam a falar sobre coisas que aconteçam no decorrer do ano e eu aproveito para fazer anotações mentais para não deixar nada acontecer sem que eu esteja preparada.
Ao acabar o lanche arrumo as coisas nos seus lugares com ajuda de Louis, Sofia e Fizzy.
—Você vai hoje a noite não é? — Louis diz do lado de fora da porta e por cima de seu ombro consigo ver Sofia falar com Fizzy que esta sentada em seu lugar no banco do carona dentro do carro de Louis.
— Eu não sei na verdade! — Respondo sinceramente e ele revira os olhos.
— Camila você é novata, não devia estar tipo louca pra ir a uma festa de veteranos?
—Não sou muito de festas, sou mais de casa e livros Louis! — Ele balança a cabeça e seu celular toca.
—Hey Mani! — Fala levando o aparelho ao ouvido. — acabei de falar isso pra ela, mas parece que temos uma nerd legitima aqui Normani! — Rio ao ouvir as palavras direcionadas a mim. — okey, espera...
Peguei o aparelho que Louis estendeu em minha direção.
— Alô?
—Camila Cabello, garota te achei no Facebook, aceite meu convite e vamos acertar tudo para nos encontrar hoje a noite!
— Mas...
—Sem mais Camila, você precisa ir com a gente, vai ser legal e você pode conhecer muita gente!
Passei cerca de três minutos ponderando a ideia de ir ou não a festa enquanto Normani falava milhares de motivos pelos quais eu deveria ir.
— Certo Normani, eu vou! Assim que desligar aceito seu convite e decidimos tudo!
— É assim que se fala garota!
— Agora me deixe devolver o telefone do Louis que bancou meu empregado a tarde toda!
— Tudo bem, vou ficar online agora, beijos!
— Beijos! — Devolvi o celular de Louis. — Muito, muito obrigada por tudo Louis, você foi um anjo hoje, teria levado o triplo do tempo fazendo tudo o que fizemos sozinha!
— Não precisa agradecer, faz parte da nossa turma agora, a turma mais legal da St. Maarten Upper High School! — Colocou seus óculos escuros e levantou a gola da jaqueta que usava e eu ri.
— Acho que até mais tarde então Louis, obrigada de novo! — Ele assentiu e vi quando Sofia voltava caminhando para a entrada e esperei Louis se afastar e entrar no carro para acenar a ultima vez e fechar a porta.

Após passar mais de meia hora com Normani no facebook tentando convencer-me que deveria ir a festa e o assunto estava encerrado ela avisou que passaria as oito para me buscar.
Eu não havia aceitado muito bem toda a situação, na minha cabeça esses tipos de festas juvenis a quais todos de minha idade normalmente frequentavam não oferecia nada de muito bom, como por exemplo ficar em casa fazendo meu relatório para a aula de literatura. Porém, não me recordava da última vez que havia me permitido sair com amigos para uma festa. Normalmente, eu e meu grupo de amigas sempre preferíamos um cinema ou ficar em casa fazendo uma festa do pijama.
Abri meu armário examinando minhas roupas. Olhei algumas peças. Então após decidir usar nada mais que uma de minhas calças jeans clara de cintura alta que tinha algumas fendas, um top cropped branco e uma botinha de cano médio. Nada muito simples nem muito exagerado.
Ouvi o barulho da porta no andar de baixo bater. Minha mãe havia chegado, eu nem se quer havia pensando em avisa-la sobre a festa e então agora a ideia me pegou completamente desprevenida.
Minha mãe sempre confiou em mim e nunca a dei motivos para o contrario, porém a senhora Cabello dava muita importância aos estudos e isso poderia complicar o fato de hoje ser segunda feira e eu estar querendo ir a uma festa.
Desci as escadas encontrando minha mãe e Sofia na cozinha.
— Boa noite mãe! — Me sentei no banco do balcão ao lado de Sofi.
— Boa noite Karla, como foi hoje? Quer dizer, como foi o primeiro dia das duas? — Eu e Sofia contamos a ela como havia sido tudo e omitimos apenas a parte de eu ter esquecido de Sofi, já que tudo havia acabado bem eu não gostaria de ver minha mãe surtando pelo ocorrido fazendo com que a probabilidade de me deixar sair ser bem menor.
Minha mãe havia encomendado o jantar que chegou pontualmente as seis e meia da noite. A macarronada estava ótima e minha mãe aproveitou para nos contar como era o novo local de trabalho e que gostaria de nos levar para visitar
—Hum, mãe, lembra das garotas que mencionei ter conhecido hoje? — Falei enquanto colocava os pratos na maquina de lavar louça e minha mãe retirava a mesa.
—Sim, fico feliz por ter se enturmado tão rápido, fiquei com medo que se trancasse no seu mundinho! — Deu um pequeno sorrio e pôs uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha.
—Bem, elas me convidaram pra uma festa, não é nada demais, é uma festa na casa de uma garota da escola, se não me deixar ir tudo bem eu entendo por causa da hora e...
— Você pode ir! — Respondeu e eu parei de falar e franzi meu cenho
— P-Posso?
— Filha, você tem dezesseis anos, é muito bem educada e comportada, tem uma ótima cabeça e é muito responsável, porque eu não deixaria você ir?
— Não sei, só pensei que... Acho que tem razão! — Sorri de volta para ela. — então preciso ir me arrumar, Normani vira me buscar as oito!
Dei mais um beijo de despedida em sua bochecha e fui para meu quarto.

Exatamente as sete e cinquenta daquela noite eu estava dando o ultimo retoque no me cabelo enquanto aguardava Normani. Meu notebook estava ligado em cima da escrivaninha com a janela da minha conversa com ela aberta.
Os passos no corredor puderam ser ouvidos e fiz uma contagem mental até minha porta abrir.
— Karla, sua amiga chegou! — Minha mãe sorrio e assenti pegando minha bolsa e beijei sua testa antes de sair do quarto em direção as escadas que me levariam a sala.
Normani estava parada olhando a tela do celular.
—Camila! — Ela disse depois de me olhar dos pés a cabeça — uau, você está arrasando!
—Me arrumei demais? — Olhei para meu corpo.
— Não, não você está maravilhosa! — Ela bateu palminhas e me abraçou. — adeus senhora Cabello, adorei conhece-la!
—Eu digo o mesmo... Normani não é? — a garota ao meu lado assente — tenham juízo e lembrem que terão aula amanhã cedo!
Eu e Normani assentimos e acenamos para minha mãe enquanto saiamos porta a fora em direção a um carro preto que na verdade deveria ser o fusca conversível de Normani mas não era.
—Esse carro é do Harry, os pais dele concordaram em devolve-lo essa noite! — Ela explicou quando a olhei confusa.
Logo, o garoto de cabelos cacheados colocou a cabeça para o lado de fora da janela e sorrio em nossa direção.
— Hey Camz, está linda! — Sorri de lado meio sem graça e murmurei um 'obrigada' quase inaudível.
Ao ouvir Harry me chamar de 'Camz' tão casualmente meu coração deu um pequeno aperto e lembrei imediatamente de Shawn que costumava me chamar assim. Por leve impulso, olhei meu celular. Nenhuma ligação, mensagem ou email. De ninguém, até agora.
—Camila?! — Balancei minha cabeça tentando arrumar meus pensamentos e encarei Normani parada ao lado do carro. — vamos?
Assenti e sentei ao lado de Normani no banco de trás, só então tive a visão de Louis no banco ao lado de Harry.
— Hey! — Ele sorrio se virando para encarar a mim e a garota. — minha nossa, se eu fosse hétero eu estaria caidinho por vocês agora!
— Amor! — Senti meu rosto corar quando Harry rio repreendendo o namorado.
Uma música tocava baixo no interior do carro enquanto Harry dirigia. Perguntei sobre Ally e Dinah e fui informada que, Ally não iria a festa dessa vez pois seus pais pediram pra que ela fosse a um culto junto com eles, enquanto Dinah teria de 'fugir' de sua mãe que estava pegando no seu pé por causa de uma nota baixa passada.
Harry chegou a uma rua pouco iluminada porém na medida para que as mansões do lugar pudessem ser admiradas.
Ao diminuir a velocidade do carro parando atrás de alguns carros já estacionados ao longo do meio fio.
O carro começou a refletir em vibrações da música alta que vinha de um dos casarões onde música alta podia ser ouvida de onde estávamos.
— Bem, vamos lá! — Louis saiu do carro, sendo seguido por Harry.
Normani e eu saímos em seguida. Harry trancou o carro e atravessamos a rua seguindo o lado onde haviam as casas. Andamos cerca de cinco minutos seguindo uma cerca viva que nos levou a grandes portões de ferro.
Através dele podíamos ver a extensão do jardim até a entrada da casa. Algumas pessoas já estavam espalhadas pelas dependências externas do lugar.
—Vou ligar pra Luaren! — Normani informou puxado o celular e o levou ao ouvido segundos depois.
Aproveitei para mandar uma mensagem para a minha mãe e avisar que havíamos chegado bem ao local da festa.
— Ela está vindo! — Normani disse e em poucos minutos minha visão foi preenchida pela garota tatuada que vinha em nossa direção.
Meus olhos prenderam-se ao seu corpo em movimento. A forma largada que ela jogava as pernas para frente dando longo passos. O short jeans rasgado curto deixava parte de suas coxas completamente exposta. Porem a pele extremamente branca estava coberta por uma meia calça preta com desenhos de algo parecido com flores. O crooped dela revelava parte da pele acima do umbigo de fora. Os cabelos negros soltos com ondas nas pontas sustentavam a toca preta com listras. O mesmo coturno que havia usado na escola finalizada seu look total punk.
— Achei que nem vinha mais! — Ela disse abrindo o fecho do portão e abraçando Normani.
— Ah você sabe que não recuso bebida e música de graça!
—Hey Harry! — Fez um sinal com a cabeça o cumprimentando. — Eaí Louis! — Repetiu o gesto simples e entramos pelo portão. Na parte de dentro da cerca viva pude ver os homens de preto espalhados por ali. Ela se pôs a minha esquerda entre mim e Normani colocando o braço nos ombros da morena.
Louis e Harry estavam do meu lado direito enquanto caminhavam os pelo jardim gigante em direção a porta de entrada da casa.
Tudo o que eu sempre imaginei que existia nesses tipos de festa foi confirmado assim que entramos no primeiro cômodo da casa.
Musica alta. Muita gente andando de um lado pra outro. Copos vermelhos nas mãos. Correria e gritaria.
— Bem vinda a uma party hause das Jenner! — Harry disse perto do meu ouvido para que eu o escutasse através da música alta . Sorri pra ele voltando a olhar ao redor.
—Dinah chegou! — Louis disse e nos viramos dando de cara com a morena entrando.
Dinah nos cumprimentou e assim que Lauren nos deixou atravessamos a sala de estar chegando a uma grande porta de correr que estava aberta e só então chegamos a área externa onde havia uma piscina gigante. A maioria das pessoas estavam concentradas ali. Dentro da piscina. Sentadas pelas bordas. Acomodadas pela grama, cadeiras e quiosques espalhados pela área
— O pai dela é presidente? — Me limitei a perguntar a Dinah ao meu lado.
Dinah rio de lado e se inclinou em minha direção para responder
— Eles são empresários, o pai delas é tipo dono de empresas da família, e a mãe é do ramo da moda! Mas não se impressione tanto, elas gostam de mostrar mas do que realmente tem!
Assenti ao que a garota dissera e olhei ao redor tentando assimilar o que havia sido dito desde o começo.
As Jenner.
Fora o que havia sido repetido algumas vezes. Jenner. Foi o mesmo nome que o professor de literatura havia dito a garota morena sentada ao lado da garota tatuada...
Porem, foi mencionado no plural, então ela tinha uma irmã? A loira não seria pois na aula de química, a professora mencionou três sobrenomes, cada um a uma das garotas então quem era a outra?!
— Camila? Você ouviu? — Harry estalava os dedos a minha frente quando finalmente foquei no mundo fora de minha mente.- nossa, você perde fácil a atenção do mundo fora da sua cabeça não?!
Culpe a minha deficit de atenção. Foi o que pensei.
—Desculpe... — Disse enquanto olhava ao redor e não vi Louis, Dinah ou Normani. -onde estão Normani, Dinah e o Louis?
Falei e Harry rio
—Era isso que eu estava dizendo Camz, você bebe alguma coisa com álcool? — Franzi o cenho. — bebidas Camila, que tipo de bebida alcoólica você bebe?
— Uh, eu não quero beber obrigada, quer dizer, será que consegue um refrigerante por aí?
—Vai ser meio difícil, mas acho que não impossível, vem comigo! — O garoto pegou minha mão e me guiou pelo meio das pessoas até a cozinha que era maior que meu quarto.
Um balcão repleto de copos vermelhos cheios até a boca de bebida foi a primeira coisa que consegui ver ao entrar. Um barril de alguma coisa estava em cima do outro balcão. Paramos em frente a algumas caixas de isopor e Harry foi abrindo-as uma de cada vez até retirar uma lata vermelha de coca cola de lá.
— Parece que teve sorte dessa vez! — Ele sorrio me entregando a latinha. Passamos perto de um dos barris e ele me entregou um copo limpo.
— Obrigada! — Agradeci enquanto voltávamos pelo meio das pessoas até a parte externa. Encontramos com as garotas e Louis do outro lado da piscina sentadas em um dos quiosques com outras pessoas.
Nos juntamos a eles.
— Camila, esses são, Zayn, Naill e Liam, estudam na St. Maarten também, mas são de outra turma! — Normani disse e os rapazes sorriram ao me cumprimentar.

Risadas e a música ao redor preenchiam minha mente.
Depois de algumas latinhas de coca, aceitei bebericar um pouco da bebida alheia.
Louis bebia apenas cerveja, Normani e Dinah bebiam algum tipo de bebida de morango, e Harry tinha algo com vodca e refrigerante, que no fim o álcool era tudo o que era sentido.
Eu, tinha total controle se mim e ciência de meus limites, porém, não me deixei levar nem perto disso. Eu estava sóbria porém cheia demais de bebida.
— Preciso muito ir ao banheiro! — Murmurei para Harry que estava sentado ao meu lado.
— Hum, certo, deixa eu lembrar... Subindo as escadas última porta do corredor! — Ele disse e eu tentei me concentrar em suas palavras banhadas pelo cheiro forte da sua bebida. Assenti repassando as informações em minha cabeça e me levantei.
Caminhei sem muita dificuldade por meio das pessoas que já estava divididas em: muito bêbadas para qualquer coisa, as que estavam dançando sem se importar o quão ridículos estavam, e os que praticamente estavam transando de roupa.
Ignorei todos e achei as escadas que Harry havia se referido, subi os degraus tentando não atrapalhar os casais nela e chegando ao topo, um corredor grande se estendia a frente.
Pelo menos aquela parte da casa parecia vazia, apesar de ainda poder ouvir e sentir o estrondo da música no andar de baixo.
Ultima porta no fim do corredor.
Obrigada por não dizer de que lado Harry.
Minha bexiga não aguentaria o ato de descer e subir as escadas e meu celular ficou com Dinah já que me minha calça era apertada demais para ficar com sentada com ele no bolso.
Fui até o final do corredor e de lá decidi tentar a porta da direita. Abri a mesma e a cena me paralisou.
—Não grite comigo Lauren você está na minha casa não se esqueça! — Uma garota baixa, com cabelos curtos de pontas pintadas de azul gesticulava em direção a tatuada.
— Foda-se essa porra toda, eu não ligo Kylie, vou embora! — E foi nessa hora que os olhos verdes da garota tatuada chegaram aos meus.
Abri a boca a espera de que algo fosse dito, porém nada saia.
— E-Eu estava procurando o banheiro, me desculpem!
— Então sai! — A garota de cabelos curtos disse gesticulando para que eu me retirasse.
Por mais idiota que pareça tudo o que consegui fazer foi assentir e fechar a porta. Corri para a outra porta pedindo para que fosse a certa e sem bater entrei na mesma fechando a porta atrás de mim. Fechei os olhos soltando o ar pela boca e consegui ouvir quando alguém bateu outra das portas com força.
Ao abrir novamente meus olhos a luz chocou meus olhos juntamente com o branco forte das paredes do banheiro. Pisquei algumas vezes tentando acostumar minhas retinas a cor em excesso.
Depois de fazer o que realmente havia ido ali fazer, enquanto lavava minhas mãos, encarei meu reflexo no espelho e comecei a me amaldiçoar mentalmente por ter agido como uma idiota e ainda ter ficado para assistir Lauren e quem quer que fosse aquela discutindo. Uma pessoa normal teria fechado a porta e saído antes de ser notada. Então decidi mentalmente que me desculparia assim que tivesse chance.
Olhei o corredor vazio antes de sair e voltei pelo mesmo local onde havia passado minutos antes. Cheguei novamente ao quiosque onde todos estavam.
— Camz, pedi essa batida sem álcool pra você! — Harry disse me entregando o copo cor de rosa com um canudinho dobrável e agradeci. Bebi um pouco e gostei do sabor. Me sentei entre Normani e Louis e assim que me acomodei me permiti dar uma olhada ao redor. Meu corpo se arrepiou quando meus olhos encontraram outros que estavam fixos em mim.
A garota tatuada estava sentada em cima da mesa de um quiosque exatamente em frente ao que eu estava. A expressão brava em seus olhos fez meu estomago revirar. Tentei ser o mais discreta possível e ver ser alguém mais notara aquela situação, mas todos pareciam entretidos demais para isso. Achei que pudesse ser coisa da minha cabeça me obrigando a ver coisas demais onde não tinha. Foi aí que cometi mais um erro aquela noite. Encarei novamente o quiosque a frente. Os olhos dela ainda estavam em minha direção, só que antes de raciocinar o que estava acontecendo ali, ela se movimentou, achei ter visto os lábios dela se curvarem e algo como um sorriso surgir, e foi exatamente aí que Lauren Jauregui levantou sua mão e me mostrou o dedo do meio.

Notas finais
Hum, olá? Espero que alguém apareça hahahaha enfim, o que acharam do capitulo? Tamanho ok para leitura? É minha primeira experiência com essa plataforma, então qualquer coisa me avisem, desculpem qualquer erros, pois, tento revisar sempre antes de postar, mas, pode acontecer de algo passar batido. Bem, se você chegou aqui, espero que continue comigo até o fim. Até o próximo capitulo 2bjs:**