"Nada te ferra mais que seus próprios pensamentos."

J.Cole viassweet—dispositionn| Tumblr

Acordar pela manhã com certeza fora um real sacrifício pra mim. Minha mãe teve que me chamar devesas vezes para que eu finalmente marchasse até o banheiro e recorresse a água gelada para despertar.

— Vamos Karla! — Tomei mais um pouco do suco em meu copo e peguei minha mochila indo para o carro onde Sofia já nos aguardava sentada — ler-se jogada — no banco de trás com seus fones de ouvido.

Sentei no banco do passageiro ao lado de minha mãe que estava como motorista.

Respirei fundo, afundando-me em meu assento, meus olhos mal conseguiam manter-se abertos. Eu definitivamente não fui feita para festas noturnas quando no outro dia teria um dia de aula e acordar as seis da manhã tendo ido dormir as quatro.

Enquanto minha mãe dirigia rumo a escola de Sofi, que seria deixada primeiro pois sua escola era antes, me permiti fechar os olhos.

Na escuridão da minha mente, uma única memória me invadiu: A garota tatuada mostrando o dedo do meio sem nenhum pudor pra mim.

Assim quando você acaba de ter um pesadelo mais que inesperado impulsionei meu corpo para frente abrindo os olhos repentinamente.

— Oh meu Deus Karla, o que aconteceu? — Minha mãe alternou o olhar da rua e em mim.

Pisquei algumas vezes tentando recobrar minha atenção ao mundo exterior.

— Eu disse que ela é maluca! — Só após ouvir Sofi falar foi que percebi que o carro já estava parado no meio fio em frente aos portões de entrada da escola dela.

— E eu já falei para não dizer essas coisas sobre a sua irmã, Sofia Cabello! -Minha mãe repreendeu a mais nova e ela revirou os olhos.

Sofia beijou a testa de nossa mãe e ajeitou a mochila no ombro virando-se para entrar na escola.

— Boa dia pra você também! — Gritei por último e Sofi apenas fez um aceno com a mão sem se virar e eu ri.

Logo, minha mãe estava em direção a minha escola. Suspirei arrumando me cabelo e pensei em como seria o dia de hoje, já que o primeiro dia havia me surpreendido. Eu deveria procurar os outros dizer bom dia e me sentar próxima a eles? Pensei se Harry e sua turma iriam me chamar de novo para ficar com eles, se iriamos ficar na grama no intervalo juntos. Porque não é porque foram gentis me chamado para uma festa que eu já era considerada "da turma" — apesar de que eu gostaria -, não gostaria de soar invasiva, então, decidi que só falaria com eles caso os mesmos fizessem isso.

— Karla está me ouvindo? — Voltei ao mundo quando ouvi a voz de minha mãe e a olhei.

— Desculpe, eu não ouvi! — Balancei minha cabeça tentando organizar meus pensamentos.

— O que houve com você? Eu avisei a vocês que teriam aula hoje pela manhã e que... — Parei de ouvi-la nesse momento focando-se apenas na primeira pergunta que ela havia feito, então, minha mente me puxou de volta para meus pensamentos.

"Bem mãe, eu conheci uma garota bem estranha que grosseiramente me mostrou o dedo do meio e essa cena se repete na minha cabeça toda vez que fecho os olhos." Foi a resposta que minha mente formulou enquanto a voz de minha mãe parecia cada vez mais distante. Eu sei que poderia contar a minha mãe o que de fato aconteceu, porém uma parte de mim dizia que aquilo era irrelevante, que não havia precisava ser compartilhado, e que eu podia guardar aquilo comigo.

— Karla? — Olhei para a minha mãe de novo.

— Mãe, não tem nada haver com a festa ok? Eu só estou com muita coisa na cabeça! Tá tudo bem! — Disse rapidamente e ela suspirou.

— Tudo bem, se você diz eu acredito! Bem, tenha uma boa aula! — Olhei percebendo que o caro havia parado e em frente a minha escola — hoje é meu dia de pegar a Sofia, então vejo você mais tarde! — Selei a bochecha dela e sai do carro.

Diferente do dia anterior, me senti mais calma em relação as pessoas ao meu redor. Entrei no prédio atravessando a multidão de alunos espelhados pelos corredores e cheguei ao meu armário.

Abrir a porta e olhar sem nenhum interesse para meu lado, percebi que a garota com os cabelos azulados que estava na festa com Lauren estava de costas para mim, de frente para outra garota loira. Estavam paradas a cerca de três armários do meu. Instintivamente prendi a respiração — quase como se tal ato fosse me fazer ficar invisível — e encarei qualquer coisa dentro do meu armário. Eu não entendi exatamente porque, mas gostaria apenas de não ser vista por elas naquele momento.

— Estou com tanta raiva Hails, como ela pôde falar comigo daquela forma? — Ela só podia estar falando de uma pessoa, Lauren, então olhei para as duas garotas, e nesse momento, a loira que estava encostada no armário a frente da garota morena — de frente pra mim — que estava de costas pra mim me encarou, e então olhei rapidamente de volta para meu armário. Droga, droga, droga!

O armário próximo a mim foi fechado com certa força, com minha visão periférica percebi que as duas se movimentaram, passando tão próximas a mim, que meu corpo inteiro arrepiou.

— Parabéns Camila! — Murmurei para mim mesma, e fechei a porta do armário. — Jesus Harry! — Coloquei minha mão em meu peito sentindo meus batimentos acelerados. Harry estava parado no armário ao lado do meu e só percebi quando fechei minha porta.

Harry riu.

—Desculpe Camz, não quis te assustar! — Falou entre seu sorriso com covinhas.

— Tudo, só por favor, não faça isso de novo! — Ele assentiu.

— Okey, anotado! — Fez um sinal de check com o dedo no ar — suas aulas de agora mocinha?

Abri minha agenda vendo meu horário.

— Artes!

— Que sorte em, segundo dia de aula e já vai conhecer a senhorita Mcloren! — Com o tom usado pelo garoto de cabelos cacheados, a professora não devia ser uma das melhores.

— Você vai estar lá? — Sim, eu poderia soar desesperada pela pergunta, mas a verdade é que Harry havia sido ótimo comigo em todos os momentos do dia anterior, então, mesmo que não fosse ficar coma turma toda, pelo menos ter Harry ao meu lado me faria menos deslocada.

— Mas é claro, Dinah e Mani também! — Ele sorriu passando o braço pelo meu ombro me abraçando de lado.

Ao entrarmos no auditório vi apenas as luzes do palco acesas. Alguns alunas — os quis julguei serem a turma de teatro — estavam em cima do palco conversando entre si. O local não era extremamente grande, porém o suficiente para ter cerca de cinquenta fileiras de poltronas divididas por um lance de escadas centrais por onde eu e Harry estávamos entrando. Apenas duas fileiras do lado esquerdo da plateia estava sendo ocupado pelos alunos da aula. Dinah acenou assim que nos acomodamos em uma fileira vazia.

— Mani está chegando! — Harry disse depois de olhar seu celular e guarda-lo novamente.

Normani não demorou mais que cinco minutos para chegar se acomodando ao nosso lado, assim com Dinah e os outros alunos que estavam no palco.

— Oh, minha nossa, vejo rostos novos por aqui e isso é ótimo, a equipe de teatro precisará de novos talentos! — A mulher de meia idade de estatura média que tinha um óculos de grau apoiado na ponta de seu nariz, falou sobre como eram suas aulas, e que apesar parecer ingenua não costumava pegar leve com ninguém, — nesse momento Harry murmurou um "traduzindo, ela fode com você de todo jeito" para mim — e que as notas altas só seriam obtidas se realmente fosse merecido, e pra isso, precisaríamos nos esforçar. Deixou claro que oitenta por cento de suas aulas aconteceriam no auditório, pois assim "nos conectaríamos melhor com o nosso eu interior, deixando com que tudo fluísse com naturalidade" então, Harry virou para mim e murmurou um "maluca" que quase me fez rir alto demais.

As terceira aula séria de biologia, o que me desanimou um pouco.

Eu, Harry e Normani entramos na sala nos acomodando em uma das bancadas no fim da sala, ao lado das grandes janelas.

Louis chegou cinco minutos depois, com seus inseparáveis óculos de sol que foram tirados revelando os olhos extremamente cansados dele.

Ele deu um beijo rápido no namorado de cabelos cacheados antes de sentar-se entre eu e ele. Louis murmurou um bom dia pra mim e o respondi no mesmo.

— Lou, trouxe o que eu pedi? — Harry disse, e no mesmo instante vi Louis mexer no bolso de sua skinny preta e retirar de lá um embrulho pequeno que revelou depois uma cartela de comprimidos, que foram passadas a Harry.

Só então, me permiti prestar atenção em meus colegas, e percebi a feição cansada de cada um. Olheiras acinzentadas logo abaixo de seus olhos que denunciava o pouco tempo dormido, expressões cansadas e com certeza, acompanhados por uma dor de cabeça.

— Camila, você tem água por acaso? — Assenti pegando a garrafa de minha mochila e a entregando para Louis, que tomou um comprido, depois a passou para Harry que fez o mesmo, e depois passaram a cartela para Normani que tomou na sua própria garrafa.

O professor entrou na sala calmamente enquanto os alunos terminavam de entrar e preencher os balcões.

— Bom dia a todos! — O professor sorrio brevemente e virou-se para sua lousa onde começou a escrever algumas coisas. Peguei meu caderno assim como todos começaram a fazer.

Encarei o quadro e nele estava escrito em letras grandes "Seminário" e logo abaixo tinham, assuntos e ao lado datas. — como leram, vamos realizar nosso primeiro seminário! — A sala deu um muxoxo quase em uníssono e o professor rio largamente cruzando seus braços na altura do peito e encostou-se na frente de sua mesa — certo, isso vai valer, vinte por cento da nota final, então quero que se empenhem nisso okey? Os trabalhos serão em grupos de cinco pessoas apenas. Agora...

A porta foi escancarada e meu corpo imediatamente se tencionou. Senti meu coração parar naquele momento.

— Senhorita Jauregui, que honra tê-la de volta as minhas aulas! — o homem mais velho disse usando um tom cômico e toda sala direcionou os olhares a Lauren — estamos falando sobre nosso primeiro seminário, então quero que por gentileza... — ele olhou para a turma varrendo a sala com o olhar e apontou para nossa bancada — sentar-se junto com a senhorita Kordei e seu grupo?

Os olhos de Lauren chegaram aos meus. É possível você sentir-se tonta apenas em encarar alguém nos olhos?! Teria de ser, pois foi assim que me senti quando olhei Lauren Jauregui caminhar por entre as bancadas até chegar a nossa.

Levei meus olhos até minhas mãos juntas em cima do balcão a minha frente. A mochila de Lauren foi jogada de qualquer jeito no chão, e a garota sentou entre eu e Normani.

Um cheiro forte emanou dela adentrou minhas narinas me deixando um pouco mais desnorteada. A garota ao meu lado cheirava a algo como menta e... cigarro?!

— Será sorteado a cada grupo um desses temas, onde farão uma pesquisa completa e darão a aula aqui para a classe! Vou fazer...

— Algum de vocês nerds tem um analgésico? — A garota tatuada ao meu lado levou os dedos até as têmporas massageando o local, deixando suas unhas pintadas de preto que agora estavam descascando amostra.

— Se eu não estivesse tão fodido de dor de cabeça agora, eu talvez me sentisse ofendido com o seu rotulo Jauregui! — Louis murmurou puxando a mesma cartela passada antes de seu bolso. Meu corpo se arrepiou quando senti Louis passar a cartela para Lauren pelas minhas costas, e a aproximação inesperada fez com que meus pelos se arrepiassem.

Meus olhos encararam as mãos claras de Lauren iluminadas pela luz do sol que atravessava a janela ao nosso lado retirarem o comprimida da cartela e irem até a garrafa de Normani a abrindo. Me recusei a encarar o rosto da garota, agora que minha mente repassava o gesto grosseiro que ela havia feito horas atrás.

Imersa aos meus pensamentos e tentando domar a lembrança inútil em minha cabeça — que agora misturava-se a cena da garota de cabelos azuis batendo a porta do armário — parei de escutar o que o professor Gates falava sobre o seminário. Porém, algo me arrancou de meus devaneios. O único som que comecei a captar repentinamente foi de algo metálico (?) chocando-se conta algo mais. Repetidamente o som chegava aos meus ouvidos e seguindo o barulho, meus olhos pararam nos lábios extremamente rosados de Lauren. Apenas uma bolinha passava de um lado a outro entre eles. Aquilo era um piercing?!

— Minha nossa, porque você fica me encarando desse jeito? — Pisquei algumas vezes voltando a realidade ao meu redor. Meus olhos foram até os de Lauren, que diferente do dia anterior pareciam ter aderido a um tom esverdeado, bem longe do tom esmeralda de Harry, porém, um verde calmo e suave. — isso é estranho sabia?

Então percebi que era a garota tatuada agora dirigindo suas palavras diretamente a mim. Abri a boca para tentar responder algo sensato por ter sido flagrada encarando-a.

— Senhorita Cabello? — Me assustei ao ver que parte da sala me encarava, assim como o professor Gates parado em frente ao nosso balcão segurando alguns papeis dobrados em suas mãos e direcionando-os a mim — pode por favor escolher um deles?

Quase que em piloto automático minha mão foi até um dos papeis o pegando. Todos ainda aguardavam que fosse aberto, por isso me apressei em fazer, sentia meu rosto inteiro queimar, e provavelmente estava vermelha.

— V-Virús! — Li a pequena palavra impressa e o professor foi até o quadro escrevendo "Normani Kordei" ao lado do tema.

— É um bom tema! — Foi o que Lauren disse dando de ombros.

— Você e Louis são tipo o rei a rainha nessa matéria, devo admitir que odeio dizer isso em voz alta, mas enfim, é com vocês! — Normani disse fechando seu caderno, e como se programado, o sinal para o fim da aula soou. Todos começamos a recolher nossas coisas.

Lauren pegou sua mochila intacta no chão e jogou-a qualquer jeito nas costas indo em direção a saída.

Então, por algum motivo, joguei as coisas da minha mochila e apressei meus passos indo atrás dela. Algo em minha mente dizia que eu talvez devesse fazer aquele pedido de desculpas que havia formulado para Lauren pelo incidente — constrangedor — da noite anterior.
O amontado de alunos apressados a sair pela única porta estreita da sala, fez com que mesmo inconscientemente todos formassem uma fila para sair, e eu, acabei atrás da garota tatuada.

Lauren me olhou antes de chegar perto dela, e por algum estranho motivo, palavras voaram sem controle da minha boca.

— E-Eu sou Camila! — Lauren virou-se pra mim como se me examinasse milimetricamente, depois, apenas franziu o cenho antes de responder grosseiramente.

— Eu não me importo, Miami! — E sair da sala me deixando para trás com o pensamento de que essa garota deveria aprender boas maneiras.

No intervalo, fomos para o mesmo lugar do dia anterior. E estávamos ha alguns minutos conversando jogados na grama.

— Show da Sleeze Sister hoje no Mistic. — Dinah disse encarando seu celular.

— Deveríamos ir? — Harry arqueou uma sobrancelha.

— Bem, se estiverem dentro eu até concordo. — Louis disse deitado com a cabeça no colo de Harry.

— Vocês são sempre assim? — Murmurei para Harry sentado ao meu lado.

— Assim?

— Tem coisas pra fazer todos os dias a noite? — Completei o raciocínio e o garoto rio de lado.

— Nem sempre, as vezes temos lição de casa pra fazer sabe... — ri junto com ele — mas é só o segundo dia de aula, temos que aproveitar enquanto não estamos atolados em provas, seminários e essas coisas que nos deixam loucos durante todo ano!

Assenti. — Essa é a hora que vai me explicar o que Sleeze Sister e Mistic?

— Sleeze Sister é a banda da Lauren, e Mistic, é um pub onde ela trabalha, a dona se chama Scarlett e as vezes tem shows acústicos lá, de bandas novas e tal, e a Scar deixa que toquem de vez em quando, mas o lugar normalmente lota quando é a banda da Lauren que toca! — Meu corpo estremeceu ao ouvir o nome da garota. Eu havia esquecido os últimos fatos ocorridos durante os minutos que estávamos no intervalo, mas agora, depois que Harry falou eu tinha certeza que não pararia de pensar novamente.

— E você vai com a gente! — Normani sorrio largamente pra mim.

— Oh, eu.. — O que eu diria a minha mãe? Sair dois dias seguidos na mesma semana tendo aula no dia seguinte?!

— Vai ser legal, eu juro! Até a Ally vai dessa vez! — Encarei Allyson sentada ao lado de Dinah e ela sorrio concordando.

— Eu posso tentar falar com a minha mãe... — todos vibraram ao meu redor então apressei em completar — mas não é certeza!

Porque as chances de ela dizer sim duas vezes seguidas eram minimas.

— Camila, precisamos do seu número, eu pra te mandar mensagens sobre hoje a noite, e depois te colocar no nosso grupo! — Assenti e Normani me deu seu celular para que eu guardasse meu número.

O sinal para o fim do intervalo soou assim que deram exatas meia hora. Todos bufaram revirando os olhos.

Pela primeira vez estava na mesma aula que Ally. Geografia. Na verdade, estávamos eu, ela e Dinah. Harry, tinha o mesmo horário que eu, porém, ele avisou que mataria essa aula para ficar com Louis, fiquei um pouco desapontada com a noticia, porém, agradeci aos céus não estar sozinha, o que séria pior, pois Lauren e suas duas amigas (?) adentraram a sala e sentaram-se ao fundo.

Percebi, então, que Lauren era o tipo que eu costumava detestar em todas as minhas antigas escolas. O tipo que não ligava para exatamente nada. Achava que tudo era apenas diversão e não sabia a hora de parar. Boca suja e bagunceira. "Aquela é Lauren Jauregui, o tipo de pessoa na qual pessoas normais como nós não gostaremos de nos relacionar! " Fora o que Ally havia dito, e agora fazia todo sentido em minha cabeça.

Minha mente se preencheu com o tom branco de meu teto que eu encarava desde que havia chegado da escola e me jogado em minha cama. Suspirei puxando o máximo de ar que consegui e prendi minha respiração. Pensei em Shawn. Porque ele não havia me ligado, ou pelo menos mandado uma mensagem?! Olhei meu celular novamente por alguns instantes. Eu deveria ligar? Ou talvez mandar apenas uma mensagem? E se ele estivesse no treino?

Eu sempre me sentiria insegura quando fosse referente a ele. Shawn era o tipo de garoto bonito, popular, capitão do time da escola, todas as garotas estavam sempre aos seus pés esperando por uma chance, e quando ele me convidou para sair a primeira vez, não entendi o que ele havia visto em mim. E até hoje, não entendo. Pensei que talvez, ele quisesse apenas brincar comigo como sempre ouvi dizer que Shawn fazia com outras garotas, mas, depois de um mês, ele me pediu em namoro.

Mesmo estando com ele a um ano, eu sempre me perguntava "porque eu" e quis sempre agrada-lo pois soube que tive sorte de um cara como ele me escolher entre todas as opções da escola.

Desbloqueei a tela e decidi mandar apenas uma mensagem, assim, não o atrapalharia caso estivesse ocupado com um treino.

【13:25】: Saudades.

— Karla, chegamos! — Minha mãe gritou do andar de baixo, mesmo eu já tendo previsto pois dava para ouvir a porta bater no andar de baixo.

Desci as escadas chegando a cozinha e minha mãe desembrulhava algumas coisas junto com Sofi.

— Como foi a escola? — Ela perguntou guardando tudo no armário.

— Normal, quer dizer, menos pela parte da aula de biologia! — Dei de ombros e minha mãe rio.

Sim, era irônico o fato de que minha mãe era bióloga e eu ser péssima na matéria. Sempre precisei de muita vontade para poder chegar na minha nota máxima, que se resumia sempre a um 8,0.

— Almoçou? — Assenti. Minha mãe havia deixado tudo pronto para quando eu chegasse.

— Bem, uh, mãe, eu queria pedir uma coisa... — Me apoiei no balcão.

— Tudo bem, você pode ir! — Pisquei algumas vezes sem entender.

— Como? — Foi tudo o que consegui dizer.

— Sua amiga Normani me ligou, e falou que tinham um seminário de biologia, e que começaria ele, e me pediu permissão para que fosse a casa dela fazer! Só não entendi o porque de ela precisar me pedir isso, é obvio que eu te permitiria ir a casa dela fazer um trabalho para a escola!

Meu cérebro demorou um pouco para organizar tudo o que havia sido dito e só então entendi.

— Uh, bem, é porque eu falei a ela que talvez não pudesse pois era a noite e como a senhora ainda não conhecia ela muito bem...

— Mas está tudo certo, você pode ir sim! Mas sabe as regras não é? Até as dez em casa. — Concordei me virando e voltei ao meu quarto. Meu celular deu sinal de que havia uma notificação de mensagem no whatsapp.

Um número desconhecido apareceu e abri a janela vendo o nome de Normani ao lado. Salvei o número antes de responder.

【Mani】Hey garota, falei com sua mãe!

|Normani, posso saber como conseguiu o número da minha mãe?

【Mani】Agradeça ao Louis, ele pediu para a irmã dele, pedir a sua irmã!

| Ok... e que história de seminário é essa? Achei que iriamos ao pub!

【Mani】Mas iremos! :D Só que, como você falou sobre convencer sua mãe, achei que era por ela não gostar que você saia a noite

【Mani】então inventei a história, dai, quando estiver lá, você liga pra ela e diz que terminamos mais cedo e que todos nós vamos a um pub e que você gostaria e ir!

【Mani】:D

| OMG! Você não pode existir! Como pensou em tudo isso?

【Mani】Meu cérebro é superdesenvolvido!

| Acho que vou acreditar! '-'

【Mani】Vou pedir para o motorista dos meus pais irem te pegar as seis tudo bem?

【Mani】Podemos nos arrumar na minha casa!

| Tudo bem eu acho!

【Mani】 :D até lá!

Me levantei prendendo meu cabelo em um coque e fui até meu armário. O que eu deveria usar? Quer dizer, eu nunca havia ido ao pub, muito menos quando haveria um show — o único show que eu havia ido na vida era um do Paramore que minha mãe havia me dado de presente de quinze anos -. Peguei algumas peças pensando em algumas combinações e comecei a experimenta-las. Escolhi uma calça jeans, um top crooped e meu all star preto, levaria uma jaqueta de couro na bolsa.
As cinco horas comecei a me arrumar e só então pensei que Normani falou sobre o motorista de seus pais. Isso significava que ela era rica como as Jenner? Um pouco mais talvez? Isso me fez pensar, será que todos eles eram?
Depois de pronta, parei em frente ao espelho atrás da minha porta e simplesmente soltei meus cabelos. Os fios desenrolaram e ficaram nos meu ombro, os joguei para trás vendo as pontas levemente cacheadas. Respirei fundo dando os últimos ajustes e olhei meu celular. 18:00 em ponto.
Minha mãe bateu na porta colocando apenas parte da cabeça avisando que o carro que Normani havia mandado já estava me esperando. Peguei minha mochila que tinha apenas minha jaqueta, minha agenda e minha necessaire e desci as escadas. Minha mãe deu algumas poucas recomendações e me despedi saindo de casa. Mandei uma mensagem a Normani avisando que já estava a caminho.
A casa dos Kordei não era tão grande quanto a das Jenner, mas, ainda sim era grande.
Normani e eu conversamos um pouco e ela me contou que o pai dela era advogado e a mãe era dona e chef de um restaurante bem frequentado.
As sete horas Normani terminou de se arrumar e Dinah chegou jogando-se na cama.
— Harry e Louis estão indo pegar a Ally e vão conseguir uma mesa pra nós! — Dinah disse mostrando a mensagem que recebeu de Louis.
— De que horas começa o show? — Perguntei enquanto desbloqueava meu celular pensando em ligar para minha mãe.
— Bem, as oito, mas vamos chegar um pouco antes pra beber alguma coisa! — Normani disse olhando-se em seu espelho.
— Vou ligar pra minha mãe então! — As duas garotas concordaram e eu fui até perto da janela de duas portas que tava para um pequeno terraço no quarto de Normani.
Como sempre, minha mãe não demorou a atender. Comecei falando sobre o suposto trabalho, dizendo que havíamos adiantado grande parte mas que faltava muito, então, fui direto ao assunto.
— Sabe mãe, agora que terminamos, estão pensando em ir a um pub chamado Mistic que fica aqui perto e tem shows acústicos, eu gostaria de ir com eles, Normani disse que seu motorista pode me deixar em casa, e não vai terminar tão tarde!
— Você disse pub? Camila, nesses lugares não vendem bebidas alcoólicas?
— Sim, mas apenas para de maiores, vamos apenas curtir o show mãe, prometo estar em casa as dez e meia!
Mordi o meu lábio inferior enquanto ouvi minha mãe suspirar.
— Tudo bem, mas dez e meia, nem um minuto a mais! E me ligue assim que acabar!
— Tudo bem, obrigada mãe!

— Certo, tome cuido, te amo!
— Eu também te amo!
Depois que voltei para o quarto informando que estava tudo certo para irmos, Normani achou melhor que o motorista fosse nos levar, já que ela pretendia beber, então deixei minha mochila no carro tirando de lá apenas minha jaqueta.
O Mistic era feito todo em madeira e muito espaçoso. O lugar tinha dois andares. No térreo, algumas mesas espalhadas e algumas mais elaboradas com bancos acolchoados. Um balcão se estendia por toda a parede esquerda e prateleiras repletas de bebidas de todos os tipo. Seguindo o balcão, no fim, um portal onde devia haver uma porta dupla dava para um espaço que levava a um palco médio de madeira. Um bar menor estava na parede contraria do palco. Algumas outras mesas espalhadas. Entramos no local que já estava muito movimentado e cheio, encontramos Louis, Ally e Harry em uma mesa com bancos acolchoados. Depois de nos cumprimentarem e tomarmos nossos lugares notei um clima tenso na mesa entre Harry e Louis.
— Ainda bem que chegaram, estava quase surtando com o clima entre esses dois! — Ally murmurou para nós e olhei para Louis que bebia uma cerveja e depois para Harry que parecia bravo.
Harry suspirou propositalmente alto quando um dos rapazes que haviam me apresentado na festa — Zayn era o nome dele se não me engano — apareceu e acenou para Louis.
— Vejo vocês já, já! — Levantou-se sem nem ao menos encarar Harry e saiu deixando o namorado visivelmente irritado.
Nos rearrumamos na mesa. Me arrastei um pouco para mais perto de Harry que ficou a minha direita, Normani ficou a minha esquerda, ao seu lado Dinah e ao lado de Harry, Ally.
Normani murmurou para mim dizendo que me explicaria depois, mas que tinhamos que distrair Harry se não ele ficaria emburrado a noite toda.
Começamos a conversar sobre coisas aleatórias enquanto o lugar ao nosso redor ficava cada vez mais cheio. Perguntei mais sobre a banda de Lauren e explicaram que era composta por Lauren e mais três meninas. Cara Delavigne, a loira de olhos azuis que andava com ela, Kendall Jenner, a morena que fez a piada sem graça na aula de literatura e uma garota chamada Lucy Vives, uma amiga de Lauren que estudava na antiga escola dela. A banda tinha músicas originais porém na maioria das vezes faziam alguns covers e sempre lotavam a casa.
Ouvimos o som agudo do microfone e todos se dirigiram até onde havia o palco. Com sorte, apesar da grande quantidade de pessoas ali, conseguimos ficar na segunda fila, onde tinhamos total visão do palco.
A luz ambiente foi diminuida e todos vibraram.
As luzes do palco estavam completamente apagadas, porém, por estar muito próxima, consegui notar sem problemas a movimentação enquanto as garotas tomavam seus lugares. A loira na bateria. A morena da piada em pé perto de um teclado. Outra garota morena porém um pouco menor com o baixo. O suporte para microfone foi posto no centro, e o som de baquetas se chocando soou como uma contagem. Três. Dois. Um.
E a guitarra soou e todos as redor gritaram se espremendo ainda mais um contra os outros quando Lauren Jauregui apareceu indo até o suporte com um.microfone e começar a cantar.
— I see you driving down town with the girl I lovea and I'm like...
Todos gritaram em uníssono.
— FUCK YOU!
Lauren continuou.
— I guess the change in my pocket, easn't enough, I'm like...
E todos novamente empolgados reponderam.
— AH FUCK!
Todos ao meu redor pulavam e contavam muito empolgados juntos com Lauren. A garota estava com uma camiseta preta cumprida com uma caveira branca estampada no centro, uma leggie também preta e um par de all star meio cano mais surrados que os meus. Os cabelos negros dela estavam presos em um coque no topo de sua cabeça. A guitarra vermelha de Lauren parecia cantar junto com ela enquanto seus dedos dançavam pelas cordas.
— Tudo bem, mais uma vez, geral junto, vamo lá... I see you driving down town with the girl I love and I like... — Lauren pegou seu microfone vindo mais a frente e o estendendo em direção ao publico que gritou novamente:
— FUCK YOU! — Completando a música.
Lauren correu de volta ao seu lugar para cantar sua última parte.

— I guess the change in my pocket, easn't enough, I'm like... — Colocou a mão perto da orelha como se não estivesse ouvindo e todos muito mais animados gritaram a última vez.

— FUCK YOU, FUUCK YOU!
O que seguiu foi uma chuva de palmas e Lauren curvou-se um pouco agradecendo.
— Nós somos a Sleeze Sister, e esperamos que estejam curtindo o show! — Todos vibraram e eu olhei para Harry que murmurou um "elas são demais não é?" pra mim e tudo o que eu fiz foi concordar.
Normani agora estava ao meu lado assim como Dinah, ela sorrio pra mim e voltamos a olhar para o palco.
Mais uma vez as baquetas fizeram a contagem e todos começaram a dança e pular.
— Can't stay at home, can't stay at school, old folks say, ya poor little fool... — A voz de Lauren rouca enquanto cantava parecia penetrar minha pele. Era como se o tom dela controlasse tudo, fazendo com que os corpos se mexessem ao seu controle. Eu me sentia assim, meu corpo pulava e dançava assim como todos faziam, e no momento em que fechei meus olhos era como se existisse apenas eu e voz de Lauren preenchendo tudo.

— ... hello, world, I'm your wild girl, I'm your ch ch ch ch ch cherry bomb! Cherry bomb! Cherry bomb! — Lauren cantou dando o último acorde da música.
As quatro garotas beberam um pouco de água enquanto as pessoas se saciavam com suas bebidas. Harry havia me trazido uma água e se ofereceu para dividir uma cerveja comigo. Concordei e ele me passou o copo. Beberiquei um pouco apenas tentando espantar um pouco do calor que estava sentindo. Tirei minha jaqueta a amarrando na cintura e fiz um coque frouxo em meu cabelo. Só então percebi qur Louis havia chegado e agora ele e Harry conversavam.
— Prontos pra mais uma? — Jauregui gritou e recebeu uma multidão pedindo por mais. — então vamos nessa!
Assim que a guitarra acompanhada da bateria soou todos voltaram a pular e eu imediatamente reconheci a introdução.
— Ai meu Deus, é Paramore, elas estão tocando Paramore! — Gritei para Normani ao meu lado que dançava loucamente como se não houvesse amanhã. — ... If I could look past the present and get there, well, baby, it's worth a shot...
Levantei minhas mãos cantando junto com a banda e nesse momento. Apenas nesse momento Lauren Jauregui pareceu me notar e seus olhos prenderam-se aos meus enquanto ela cantava.
— And if you try to find me now, I'm in all the echoes that have faded out, so I'm moving on, 'cause I just want to feel for once that I belong and that's what's going on, that's what's going on...
Eu comecei a pular no ritmo da mùsica sentindo meu coração bater completamente acelerado dentro do peito. Só que naquele momento eu não me importava.
Apos Lauren cantar o refrão, a tal Lucy cantou a segunda parte e as duas dividiram a repetição do refrão, e na terceira estrofe, foi entregue novamente a Lauren.
Os olhos dela chegaram novamente aos meus e eu senti novamente aquela estranha sensação de tontura.
— All that's in betweena brand new life and I is time, but time has not been kind, it's not been kind to me, it's winding backwards, time has not been kind it's crawling by so slowly... — Enquanto Lauren cantava foi como se algo novo houvesse surgido. Algo completamente inesperado, meu coração pareceu acelerar novamente e dessa vez não era pela música. Era a cerveja, só podia ser a cerveja.
A música foi finalizada e eu me sentia completamente gasta. Harry me deu o ultimo gole de sua cerveja e enquanto a outra música começava, eu, Normani e Alli decidimos ir ao banheiro.
— Caramba, elas estão maravilhosas hoje! — Mani disse enquanto ia ao box.
— São melhores do que você disse! — Falei enquanto constatava meu estado no espelho. Estava completamente suada. Meus cabelos agarrados a minha testa e eu sentia um calor insuportável emanar de mim.
Fomos até o bar e compramos apenas refrigerantes na esperança de conseguir dicipar parte do calor. Ficamos ali.conversando por um tempo recuperando o fôlego.
— Acho que é a última música, vamos! — Normani me puxou pelo punho me arrastando de volta ao nosso lugar. Ao chegarmos lá vi Harry e Louis se beijando em canto.
— Parece que já se acertaram!- Falei apontando discretamente para os dois e Normani sorrio dando de ombros.
— Bem, a próxima música, na verdade, a última da noite — Lauren disse e todos fizeram um 'ah' e ela sorrio antes de continuar — a próxima música é de uma das minhas bandas favoritas e se chama Make Me Wanna Die!
Todos gritaram aplaudindo histericamente. Lauren começou uma melodia forte com sua guitarra junto com a bateria e todos começaram com gritos e assovios altos.
— Take me, I'm alive, never was a girl with a wicked mind but everything looks better, when the sun goes down...
A garota tatuada precisou forçar um pouco a voz para que o timbre saísse perfeito junto com as notas e tudo foi suavisado um pouco antes do refrão. Lauren mantinha seus olhos fechados até os abrir e seus olhos chegarem.aos meus mais uma vez aquela noite.
— Then your eyes, your eyes, I can see in your eyes, your eyes... You make me wanna die...

Ficamos cerca de quinze minutos sentados na mesa bebendo e conversando. Olhei para o meu celular e marcavam 21: 50.
— Eu acho que tenho que ir, falei a minha mãe que chegaria as dez e meia! — Todos concordaram que também estava na hora de ir, pagamos a conta e fomos para a frente do pub esperar o motorista de Normani onde haviam algumas pessoas bebendo e conversando do lado de fora.
Me afastei um pouco por causa do barulho e disquei o número da minha mãe para avisar que estava tudo bem e que já estávamos esperando o motorista de Normani. Meus olhos passearam pelas pessoas espalhadas por ali enquanto ouvia o toque de chamada, então em um canto mais afastado vi algo que me deixou completamente chocada.
Era Lauren Jauregui, e ela estava beijando uma garota.

Notas finais
Hello! Mano, eu demorei muito pra atualizar não é? Me desculpem, sério mesmo, não era a intenção! Então, o que acharam desse capitulo? Me digam pleaseeee!! As músicas cantadas pela banda da Lauren são: ✗ Fuck You na versão do Sleep With Sirens ✗ Cherry Bomb das The Runaways ✗ Scape Route do Paramore ✗ Make Me Wanna Die do The Pretty Reckless Instagram: @write.mandy | Twitter: @bestsecretlarry | SocialSpirit: MandyBlue
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.