Blooming Flowers
3 Frésia Branca
Notas iniciais
Frésia Branca
(Essência da amizade, algo imaculado, atemporal)
Mudar-se com Deku não poderia ser tão ruim quanto imaginava, mas ainda assim o deixava com uma sensação chata de arrepios na nuca e bochechas. Bakugou só não entendia o porquê de Deku parecer tão empolgado com isso, se o cheiro saltitante e feliz que se desprendeu dele fosse indicação o suficiente.
Conhecendo eles como se conheciam, Deku não iria ceder com sua ideia, e quanto mais Bakugou recusasse, mais ele insistiria. Então ele optou por aceitar logo do que ter uma dor de cabeça.
E outra, Deku tinha razão. Ele não queria piorar suas fraturas ainda se curando se esforçando excessivamente, se o nerd estava disposto a dividir o fardo em sua recuperação, ele não iria insistir por mais que odiasse depender dos outros ou ser o peso de alguém. Até porque, Deku era a pessoa mais próxima que ele tinha, ele era um íntimo, sabia que o nerd realmente estava preocupado com sua recuperação e só queria ajudar. Se fosse qualquer outra pessoa no mundo, ele recusaria.
Deku o tirou do buraco. Deku salvou Katsumi. Deku garantiu sua segurança. Ele tinha que pagar essa dívida com Deku para não ficar devendo nada ao nerd – e também em parte, demonstrar sua gratidão.
Mais do que tudo, Katsumi precisava dele, inteiro e recuperado, receber algum auxílio poderia ser benéfico para ele. Tudo o que ele menos queria era estressar seu menino depois de toda essa situação. Porém, no momento em que ele estivesse cem por cento de volta à ativa, ele iria embora na primeira oportunidade. Ele iria trabalhar em sua recuperação por seu menino.
Depois de Deku deixar suas coisas todas no quarto e sair, Bakugou imaginou como organizá-las, foi quando Katsumi se agarrou a sua perna como uma tábua de salvação.
— O que houve? — perguntou, mas ele escondeu o rosto na sua calça inflando as bochechas. — Escute, é aqui onde moraremos por enquanto, então não faça birras, não estamos voltando tão cedo para nosso apartamento.
— Foi por minha causa…
Então Katsuki notou que Katsumi estava chorando. Mesmo em sua situação debilitada, ele agachou até a altura de seu filho com alguns chiados de dor e imediatamente Katsumi afundou em seu peitoral tornando o choro evidente.
— Ei, babe, não diga uma coisa dessas. Nada disso é culpa sua.
— S-se Doddy não tivesse vindo para a escola… se não tivesse vindo para mim, então, então…! — Ele se engasgou com os soluços.
Bakugou esfregou sua mão para cima e para baixo nas costas dele esperando ele se acalmar.
— Katsumi, não foi culpa sua que aqueles meninos idiotas estavam te importunando. Não foi sua culpa que um vilão desocupado resolveu fazer um show naquele distrito, como também não foi culpa sua que estou do jeito que estou.
— M-mas…!
— Estou feliz que você esteja bem e sem nenhum machucado. Isso é tudo.
Encerrado a conversa, Katsumi deixou seu pai passar o polegar por suas bochechas vermelhas e gordinhas limpando as últimas lágrimas antes de segurar seu rosto.
— Meu menino valente — disse com um sorriso orgulhoso.
Katsumi caiu de volta contra seu peito num último abraço.
— Que tal você explorar o apartamento e arranjar esconderijos para brincarmos depois? Peça para Deku ajudá-lo caso precise.
Como um passe de mágica, Katsumi saiu saltitando do quarto indo importunar Deku, Katsuki sorriu para seu feito proposital. Na verdade, ele precisava de um pouco de espaço para pensar, desfazer as malas e esconder aquela caixa em algum lugar.
Katsuki foi para a caixa mediana que ele trouxe que se encontrava todos seus materiais de aninhamento, por motivos bem óbvios e pessoais ele não queria que Deku o pegasse ou deixasse marcado seu aroma nela, foi mais para uma garantia que ele a trouxe, Bakugou pensou que isso o ajudaria eles a se estabelecerem no novo local. Olhando para os lados ele pensou onde escondê-la. Pensou em colocá-la em cima do guarda-roupa escondida atrás de outras coisas, mas ele ficaria desconfortável com o cheiro da poeira que se acumularia e ficaria muito suspeito colocar um lençol em cima. Havia muitos compartimentos no guarda-roupa, então resolveu deixá-la no fundo de uma das portas com vários cobertores para cobri-la.
Antes a caixa ficava embaixo da sua cama, mas ele não queria que Deku soubesse da existência dela por estar num lugar tão óbvio, então ele escolheu ser cauteloso dessa vez, e sendo Bakugou bobo nem nada, a caixa ainda tinha um lacre.
Com a maior preocupação retirada, ele escutou de relance as vozes de Katsumi e Deku – na verdade a voz de Deku porque Katsumi ainda estava tímido e soltava "hms" em resposta – e usou esse tempo para desempacotar tudo e transferir seus pertences e de Katsumi para o pequeno guarda-roupa. Obviamente esse era um quarto reserva que Deku usava como depósito de tralhas, mas ao que tudo indicava era que ele estava convicto de que Bakugou aceitaria sua proposta de jeito ou de outro e isolou o cômodo. Isso lhe daria calafrios se ele pensasse demais.
Já era hora do almoço quando Bakugou julgou tudo dentro de seu gosto. Ele encontrou Katsumi dormindo no sofá em meio a um cobertor com almofadas ao redor servindo como um ninho, a televisão ligada em um canal infantil enquanto Deku preparava o almoço em suas roupas casuais.
— Você não tem que patrulhar?
Os ombros de Deku se encolheram e a frigideira saltou do fogão com um baque antes dele se virar com o rosto em branco.
— Kacchan! Você me assustou!
— Não me diga — zombou pegando a caneca que estava mais próxima contendo café pela metade, tinha o cheiro de Deku nela e sem se importar tomou um gole se apossando da caneca lançando um olhar desafiador a Deku que observava tudo, e rendido, ele desviou o olhar cedendo a posse. Katsuki sorriu com a vitória.
— Desculpe, estou acostumado com o silêncio, e você sabe, Kouta é barulhento quanto está. — Katsuki zumbiu em resposta. — Na verdade eu pedi esse fim de semana de folga para ajudá-lo com a mudança e conversar com você sobre qualquer coisa que precisasse.
— Discutir os termos?
— Quase. Não tenho restrições, Kacchan. Você pode fazer tudo aqui, sinta-se como uma segunda casa.
— Qual é, Deku. Não seja idiota. Acha que não conheço seus péssimos hábitos? A casa é sua e precisamos de regras de convivência antes que eu quebre sua cara.
Izuku riu abafado a continuar preparando o almoço. Bom, se a caneca indicava alguma coisa, Deku preferiu não comentar.
— Tudo bem, mas eu…
Parou no meio da sentença com uma chave no trinco e a porta sendo aberta revelando Kouta em seu uniforme escolar, ele murmurou algo como "oh, está aberta" e entrou tirando os sapatos e atravessou a sala já deixando a bolsa de lado quando seus olhos colaram no intruso no apartamento.
— Não brinca! — praguejou o menino.
— Olá, Kouta. Como foi a…
— Você disse que estávamos com visita, mas não disse que era o Dynamight!
Bakugou sorriu de canto se virando para o garoto.
— Um fanzinho?
Por um momento Kouta tremeu no mesmo lugar em êxtase com os olhos grandes e brilhosos e os lábios contorcidos, as narinas estavam expandidas em reconhecimento de sua presença e inalando não tão discretamente seu aroma – Bakugou deixava passar por ser ainda uma criança, elas tendiam a ficar alheias em relação a farejar o ambiente ou pessoas sem se dar conta que era um ato um tanto invasivo quando feito abertamente.
— Kouta, que tal começar dizendo um "oi"? — instruiu Izuku com um pouco de riso.
Ele não se mexeu. Claro, Bakugou não era conhecido por dar muita atenção aos seus fãs e todos conheciam seu temperamento instável.
— Eu não mordo, garoto.
Foi confirmação suficiente para ele disparar para frente parando a alguns passos adiante de Bakugou enquanto balançava seus braços entusiasmado.
— Como é ser o único ômega estando entre os dez melhores?
— Kouta, eu não acho que seja uma pergunta…
Katsuki o calou levantando a mão.
— Fodidamente incrível.
Kouta fez um perfeito "o" com a boca diante do linguajar e Izuku bufou resignado. Porém, antes que pudesse repreender Kacchan por dizer tais palavras de baixo calão para seu menino, ele continuou:
— Eu sou o único no ranking porque todo o resto são uns idiotas. Leis, regras, toda essa burocracia criada por estúpidos e velhos: por alfas. Alfas que querem limitar os ômegas de seu potencial. Gênero mais frágil? Meu rabo.
— Kacchan, seja leviano!
Katsuki lançou um olhar divertido para Deku que retribuiu com um olhar sujo.
— Está bem, seu puritano. Ouça garoto, têm ômegas que acreditam nessa bobagem que eles falam, e eu quero provar que não se deve dar ouvidos a esses idiotas. Eu estou aqui, não estou? Ômegas são tão capazes quanto qualquer um.
— Você é incrível, Dynamight-san — disse Kouta com uma admiração séria.
Em troca, Bakugou afagou os cabelos dele no lugar de uma resposta e apesar de ter se encolhido, o garoto relaxou e sorriu.
— Apenas "Bakugou" está bom. E se você vir algum protótipo desses alfas conservadores, trate de chutar o saco deles.
— Kacchan!
— Tá, chute a canela.
— Pode deixar!
Satisfeito com a resposta, Kouta se apressou a ir para o quarto trocar de roupa, deixando ambos os adultos sozinhos novamente.
— Perdão por ele — iniciou Midoriya. — Ele está entrando na puberdade e está ficando curioso com certas coisas. Também está ansioso com o subgênero dele e fica fazendo essas perguntas e pesquisas.
— Onde será que eu já vi isso? — falou sarcástico arqueando uma sobrancelha cínica para Midoriya que não pegou a indireta de imediato.
Quando a provocação atingiu seu entendimento, Izuku ficou emburrado com a acusação e resolveu mudar de assunto.
— Sabe, eu gostaria que você não incitasse Kouta a praticar atos insolentes. Você, eu até entendo, mas ele é uma criança…
— Vamos fingir que o incidente do repórter de um ano e meio atrás nunca aconteceu então? — provocou dando os ombros e tomando mais um gole do café frio.
— Oh, não, por favor não me lembre disso. Kouta de jeito nenhum pode saber.
— Não. Foi fodidamente o melhor soco de direita que o box já viu. Nunca vou esquecer isso.
— Eu agredi um civil!
— O idiota estava sendo uma pedra no sapato, teve o que mereceu.
— Você acha que eu fico contente ao lembrar da papelada e o sermão que recebi da minha gerente de relações públicas com o problemão que fiz ela lidar?
— E você se arrepende de ter socado o babaca por insultar nacionalmente a Cara de Bolacha pelo seu gênero?
Houve silêncio com Midoriya desviando o olhar para baixo, e então:
— Não.
— Assunto encerrado.
O caso de quase dois anos atrás foi o tópico mais comentado da época, em que Uravity estava subindo sua classificação no ranking de heróis incrivelmente rápido devido ao maior empenho dela. E sendo uma ômega que estava alcançando o top 20, claro que ela foi alvo de ataques dos conservadores e opositores aos ômegas sendo heróis.
O ápice foi o dia em que eles tiveram que parar um ataque terrorista a um influenciador enquanto ele fazia um passeio pelo shopping. Foi um verdadeiro caos, Uravity estava de patrulha pela área e foi a primeira a reagir ao ataque quando os outros heróis foram chamados. Inclusive Bakugou chegou lá antes de Deku, que chegou por último. Uraraka conseguiu tocar na bomba e a mandar para os ares antes que explodisse enquanto os outros heróis imobilizaram os vilões. Realmente tinha sido muito arriscado, mas graças a ela tudo acabou bem.
Foi quando os repórteres chegaram para entrevistar a heroína principal e aquele enviado do diabo enfiou um microfone no rosto dela e começou a cuspir merda. Com certeza o cara estava ligado com a milícia e sendo pago para fazer tais perguntas.
"Quais as dificuldades que você sofre sendo uma heroína ômega?"
"No que seu gênero atrapalha ao realizar seu trabalho?"
"Foi muito arriscado o que você fez, não deveria ter deixado para um alfa desativar a bomba?"
"Você dormiu com algum superior para conseguir subir tão rápido no ranking?"
Bakugou viu Ochako perder a expressão com tudo derramado sobre ela, deixando-a sem reação total. O sangue dele ferveu ao ponto de criar algumas explosões na mão porque ele se sentiu ser assediado também com aquelas perguntas sem-noção, porém antes que ele fizesse algum movimento para chutar o homem para longe, Deku surpreendeu não só ele como a todos ao fazer o primeiro movimento de socar o homem que caiu metros adiante. Houve um estalo de quebra de ossos, provavelmente o nariz ou a mandíbula, o repórter caiu como bosta no chão já desmaiado e sangrando.
Foi lindo para dizer o mínimo.
Deku precisou ser segurado por outros dois heróis para não acabar com o que havia começado, todo alfa, rosnando e mostrando as presas com as pupilas verticais.
— E da próxima vez que alguém usar o gênero para desmerecer o trabalho de qualquer herói que for, irá responder contra um processo de discriminação!
A mídia explodiu depois disso e o rosto de Deku estava em todos os telejornais e revistas possíveis, era a notícia do momento pois não se falava em outra coisa. Até o movimento dos direitos ômegas ganhou força após o pronunciamento do herói №1, Símbolo Da Paz e alfa.
Por sorte, a repercussão durou pelo menos uma semana e meia graças ao encobrimento da agência para não gerar alvoroço maior.
— Bem? Não vamos discutir os termos de convivência?
Midoriya umedeceu os lábios para falar, contudo foi interrompido vendo Kouta aparecer no corredor.
— Mais tarde, sim? — sugeriu com um sorriso comedor de merda.
Bakugou acenou tomando o resto do café na caneca.
— Bakugou-san — chamou Kouta tendo as mãos atrás das costas e uma expressão nervosa.
— Hm?
Ele estendeu um par de tênis de uma linha de heróis que tinha as cores de seu uniforme e uma caneta permanente. Ao fundo Deku começou a rir, Bakugou lançou um olhar duro para ele. Ele tinha agora uma dupla de fanboys morando sob o mesmo teto. Apesar dos resmungos, ele assinou e os olhos do garoto brilharam satisfeitos.
Olhando para o relógio no canto da parede, Bakugou levantou-se e foi para a sala acordar Katsumi antes que dormisse demais. Quando ele trouxe o menino meio acordado meio dormindo para os braços, descobriu que ambos os pares de olhos o encaravam. Surpresa estampada em Kouta e talvez… apreciação no de Deku? De qualquer forma, era uma cara irritante.
— Você tem um filho… — admirou-se Kouta piscando os olhos.
Katsuki ofereceu um sorriso de lado a ele.
— Quando ele estiver devidamente acordado, posso apresentá-los melhor.
O almoço foi num silêncio pouco incômodo. Katsumi ainda estava com os olhos fechados enquanto Bakugou o alimentava, a cena em si era fofa e rendeu alguns risos. Crianças geralmente causavam esse efeito no ambiente, principalmente em alfas moles como Deku, deixando-o mais bobões ainda. Bakugou pôde adivinhar só pelo sorriso que Deku estampava enquanto lavava a louça distraído e ele secava.
Katsumi decidiu voltar à sua soneca no sofá com Kouta pairando sobre ele, mais admirando a criança do que vigiando seu sono.
— Não seja um idiota teimoso da próxima vez — resmungou Bakugou.
Izuku alheio ergueu um olhar relaxado junto a um "hm?".
— Não vamos discutir para lavar a maldita louça. Se precisamos de regras, aqui vai a primeira: aquele que cozinhar, somente seca a prataria.
— Por mim tudo bem, Kacchan.
Por que ele tinha a impressão de que Deku falaria "sim" a absolutamente tudo o que ele dissesse?
— Vou cozinhar todas as vezes e você lava a montanha de louça que eu fizer.
— Uhum.
— E se encontrar suas roupas jogadas no meio do caminho, jogo no lixo.
— Hm…
— Posso roubar suas cuecas para meu ninho?
— Claro… espere, o quê?!
Aquilo foi o suficiente para Izuku ficar todo desconcertado de rosto rosa, a boca abrindo e fechando para estabelecer uma expressão confusa e embaraçada. Tudo isso enquanto Bakugou mantinha-se brando.
Então Bakugou explodiu em risadas acertando a cabeça de Midoriya com a palma aberta.
— Foi uma piada. Preste atenção quando eu estiver falando com você.
Um choro repentino assustou os dois. Bakugou virou em direção ao som com os dentes desnudados, um rosnado irracional saindo do fundo da garganta e as pupilas em duas fendas com seus instintos acionados em resposta ao choro de sua cria. Reflexivamente Kouta se afastou com os olhos arregalados e trocando olhares para todos assustado. Katsumi tinha os punhos cobrindo os olhos buscando se tornar menor. Ao não identificar nenhum perigo, Katsuki relaxou um pouco.
Os feromônios calmantes de Deku informaram de que não havia perigo algum, Bakugou desfez a pose. Jogando o pano no ombro, ele foi socorrer Katsumi o trazendo para o colo. Katsumi diminuiu o choro ao sentir o aperto familiar e escondeu o rosto na clavícula de Bakugou, a mão grande afagou seus cabelos mandando ondas em seu cheiro de "calma, calma, calma".
— Desculpa… — a voz de Kouta era apenas um fio acima de um sussurro.
— Kouta, o que aconteceu? — Quem perguntou foi Deku vindo da cozinha.
— Ele acordou, olhou para mim e… começou a chorar.
— Ele não está acostumado com outras crianças, ainda por cima mais velhas — respondeu Bakugou.
— Desculpe, eu não sabia.
— Tudo bem — disse ele afastando Katsumi de seu peito para encará-lo. Ele piscou aqueles olhinhos âmbar vermelhos e chorosos com dúvida e mágoa. — Não fique com medo. Ele é um novo amiguinho. Vai tratar você bem.
Katsumi jogou os olhos em Kouta que se apressou em dizer:
— Oi! Eu sou Kouta Izumi e desculpe por ter te assustado.
Com o silêncio em troca, Bakugou quem esclareceu:
— Ele é menino do Deku (*).
Katsumi tentou se esconder no pescoço do pai, mas Bakugou não deixou.
— Modos — resmungou ele.
— Bakugou… Katsumi — apresentou-se finalmente.
— Oh! Nossos kanjis são parecidos!
Katsumi tombou a cabeça para o lado não entendendo, ele deu um olhar para o pai buscando respostas.
— Como seu nome é escrito. Quando você aprender os alfabetos, irá entender.
Momentaneamente envolvido por conhecer outra "criança" – Kouta estava entrando na adolescência e prestes a apresentar seu segundo gênero –, Katsumi se distraiu o suficiente na conversa empolgada com Kouta que não deu por falta quando Katsuki o colocou no sofá e saiu de mansinho para ao lado de Deku.
— Tímido? — perguntou Deku baixinho sem desviar os olhos dos meninos.
— Recluso.
Após uma pausa, os feromônios orgulhosos de Katsuki emanaram dele observando Katsumi balançar a cabeça positivamente para qualquer coisa que Kouta dizia com os olhos admirados.
— Ele não se dá bem com outras crianças.
Izuku quase perdeu a declaração do quão baixa e lenta que soou.
— Kacchan? — Preocupação manchou seu rosto quando Bakugou encarou-o.
Katsuki fez muxoxo virando o rosto quase se arrependendo de ter deixado escapar, mas como Deku não disse nada, voltou a encará-lo com seriedade. Ele parecia genuinamente duvidoso e preocupado.
— Algumas crianças são idiotas, realmente.
— Deve ser difícil ser um ômega não reivindicado com filho.
Se era isso que Deku supôs com seu pronunciamento, ele não o corrigiu preferindo ficar quieto.
✿
Como Deku tinha dito, Katsumi simpatizou muito rápido com Kouta e foi até bom eles estarem interagindo tão fervorosamente. As crianças daquela década ainda sustentavam o interesse sobre heróis – ainda mais com ambos responsáveis sendo heróis no Top 10 – e ambos tinham muito em comum, Kouta foi surpreendentemente paciente com uma criança de quatro anos e fazia tempo que Bakugou não via Katsumi empolgado para interagir com alguém. Foi uma imagem boa de se ver que deixou seus instintos de pai todos borbulhando.
Em certo momento, ele teve que erguer as panelas quando as crianças passaram correndo para não bater ou esbarrar com o perigo de destruir o jantar, Bakugou apenas bufou colocando as panelas em segurança sobre a mesa. As risadas e vozes alegres infantis encheram o apartamento enquanto ambos estavam num pega-pega amigável, Katsumi lutava para acompanhar o ritmo energético de Kouta, este às vezes esperava ou diminuía a velocidade só para deixar Katsumi pegá-lo e a corrida começar de novo, ele havia tropeçado e caído um par de vezes, mas nada de grave e voltava a correr. Apesar de Bakugou detestar bagunça ou gritaria, o ambiente não era mais do que confortável e familiar. Por alguma razão, isso deixava a parte ômega dele toda feliz e radiante, Deku também não parecia se importar, olhando com diversão as crianças brincarem. Isso até Bakugou chamá-los para jantar.
As crianças agora estavam no chão da sala brincando com os diversos brinquedos de Katsumi, portanto distraídos enquanto os adultos estavam na cozinha discutindo os termos de convivência em tom baixo.
— Ai…! — praguejou Deku baixinho com a mão sobre a boca quando Bakugou lhe acertou o joelho por debaixo da mesa quando o olhar sobre as crianças demorou um pouco demais.
— Eles estão bem. Preste atenção aqui, caramba.
— Desculpa — pediu abafado.
— Eu disse que absolutamente sem barulhos depois das oito da noite, então não faça estardalhaço ou eu quebro você. — Havia uma promessa por detrás daqueles olhos abrasivos. — Eu deixo a comida pronta só para você não fazer barulho com as panelas, nem invente de fazer alguma louça.
— Entendido. — Acenou. — Acho que tudo bem em você lavar as roupas aos sábados? Não é uma tarefa que exija muito.
Bakugou acenou positivamente.
— Nem fodendo que vou lavar suas cuecas.
— De novo você mencionando minhas cuecas? O que você tem contra elas? — praguejou com uma careta. — Tudo bem, posso limpar a casa nos dias de folga.
— Certo. — Com um aceno. — As compras ficam com você, também.
— O que você gosta de comer? Eu compro.
Foi então que Katsuki abriu um sorriso.
— É melhor anotar, Katsumi e eu somos exigentes.
Isso cutucou a parte alfa em Deku com a pontada de desafio proposital que o fez ficar todo alto. Bakugou quase riu com os feromônios de desafio aceito e imponência tão característicos dos alfas, era hilário provocá-los.
— Eu dou conta. — E disse com toda convicção, fazendo Bakugou soltar um bufo risonho.
Até que ele poderia ser um pouco mimado e usufruir das armas que tinha.
De resto, tudo ocorreu normal. Ainda havia um fim de semana inteiro para eles se adaptarem totalmente com toda a mudança, foi bom Deku ter decidido tirar folga, e mesmo que não admitisse, Bakugou estava grato para com essa consideração, facilitou bem mais discutir os termos de convivência. Deku parecia contente também se o cheiro cheio de feromônios satisfeitos indicasse algo, Bakugou não entendia o porquê de tanta animação em ajudar a tratar de suas fraturas.
— Doddy! Doddy! Faz aquilo que eu gosto! — pediu Katsumi eufórico chacoalhando as mãos em punhos.
Em troca, Bakugou suspirou com um sorrisinho. Era verdade que Katsumi ficou super animado em se exibir um pouco para Kouta, por isso não negou e acenou positivo se deixando ser puxado pela calça por seu filho para o meio da sala. Ambos Deku e Kouta olharam entre si curiosos com o que viria a seguir.
Bakugou se agachou num joelho cautelosamente para não provocar sua fraturas ainda se curando, Katsumi ficou em sua frente e fez a pose de um ninja, então Bakugou fez uma explosão com o punho fechado o suficiente para fazer muita fumaça e quando a fumaça dissipou, Katsumi não estava à vista.
— Minha nossa! — disse Midoriya com uma surpresa exagerada.
— Para onde ele foi? — Kouta olhava para todos os lados.
— Bu! — Katsumi ressurgiu no braço do sofá, esgueirando sorrateiramente para assustar a ambos. — Viram? Sou um ninja.
Gargalhadas incessantes emitiram de Midoriya que não conteve a graça da cena toda, Katsumi era simplesmente impagável.
— Me ensine a fazer isso! — pediu Kouta com convicção, mediando olhares entre Katsumi e seu pai.
Porém, Bakugou apenas balançou a cabeça já de pé. No momento ele não estava em condições de ensinar tais truques.
A esse ponto, Midoriya já tinha diminuído a risada, ainda segurando a barriga e limpando as lágrimas.
— Você… — recuperou fôlego. — Foi você que ensinou isso a ele?
— Nah, — negou Bakugou com um dar de ombros — ele me viu fazendo na televisão.
Era uma réplica muito simplória de seus ataques surpresas ou furtivos, geralmente ele criava uma cortina de fumaça para fazer uma evasiva e os reféns ou heróis machucados darem tempo de fugir. Katsumi apenas associou seus movimentos com os de algum desenho de ninjas e tudo mais, era como ligar um mais um na cabeça infantil.
— Você deixa ele assistir aos resgates? — perguntou Deku um tanto preocupado. Tudo bem que ele fazia o mesmo nessa idade, assistindo ao vídeo de resgate do All Might, afinal heróis eram inspiração ainda mais se eram seus pais. Mas a maioria das notícias eram pesadas para crianças.
— Não deixo, ele muda de canal quando não estou olhando.
E novas risadas explodiram na sala. Isso era tão Bakugou.
— Pare de rir, nerd — repreendeu ele sem mordida real, apenas um pouco de aborrecimento.
— Filho de peixe, peixinho é, Kacchan!
Bakugou apenas rolou os olhos e soltou um muxoxo em resposta.
— É um menino realmente esperto — elogiou Deku apertando uma bochecha gordinha a qual Katsumi riu orgulhoso.
Isso era bom, Bakugou meditou. Seu menino tinha se estabilizado muito rápido, ao contrário do que ele achou que levaria ainda um bom tempo, Katsumi geralmente ficava tímido em torno de outras pessoas, ter Kouta aqui realmente foi uma mão na roda e Katsumi estava mais empolgado do que nunca. Pela primeira vez, Bakugou poderia soltar as amarras por um pouco sem temer, isso até lhe deu um tempo para relaxar enquanto as crianças interagiam entre si, o que não acontecia em um bom tempo.
Deku estava a seu lado e provavelmente notou quando ele relaxou afundando no sofá, se permitindo até fechar os olhos, porque o maldito ao seu lado soltou um risinho a qual Bakugou preferiu ignorar. Não deve ter sido difícil para Deku adivinhar o que se passava em sua cabeça. Afinal, não era que ele estava certo? Aquela aura nervosa irritante quando ele fez o convite o deixou meio na defensiva, mas no final acabou tudo como ele tinha previsto.
Até que não poderia ser tão ruim, ele meditou.
✿
Deku não estava brincando quando disse que ele só voltava para casa para dormir. Nos últimos dias, Bakugou observou sua rotina.
Às 7h05min ele ouvia as portas abrirem e fecharem e o barulho da água caindo do chuveiro. Às 7h15min Deku surgia dos corredores vestindo roupas civis que trocaria mais tarde na agência. Nenhuma surpresa ao ver Bakugou acordado, afinal era mais fácil Deku apontar o que não sabia sobre Katsuki. Ele até comentou que não era necessário Katsuki estar acordando tão cedo agora que estava afastado do trabalho, Katsuki apenas rebateu que não queria quebrar a rotina.
Deku o cumprimentava com um "bom dia" sempre alegre a qual Bakugou devolvia com um acenar de cabeça ou um grunhido. Enquanto Bakugou terminava sua refeição, Deku preparava seu café da manhã para si: ovos, pães, suco natural e um peixe rapidamente grelhado. Eles ainda compartilhavam conversas entre mastigadas, Deku sempre parecia radiante e buscava sempre preencher o espaço vazio do silêncio com uma conversa acalorada. Era como nos tempos de escola.
Às 7h30min em ponto, ele se despedia dele para o dia. Deku não tinha um horário definido para voltar, nos poucos dias que estava lá ele chegou em diferentes horários. Ele tinha uma noção já que se encontravam às vezes no dia a dia e quando Bakugou via as notícias, mas agora era nítido para ele a rotina do cara.
Nada mal para o herói número um, Bakugou pensou.
O resto dos dias eles passaram razoavelmente bem. Bakugou gostava de treinar e correr logo após acordar, mas como isso era impossível no momento, ele se limitou apenas com os alongamentos e exercícios da fisioterapia simples como recomendado pelos médicos. Ele gostava de cozinhar, só não tinha tempo, então resolveu usar a cozinha de Deku um pouco para se ocupar com algo. E Deku não reclamou quando se tinha o café da manhã pronto assim que ele se levantava.
Katsumi saltitou de felicidade com os bolos e outras guloseimas prontas para serem devoradas ao acordar de manhã. Alguns sempre sobravam e estes ficavam para quando Deku chegasse, e ele sempre ficava besta pra isso. O cheiro que ele exalava quando comia o que Bakugou preparou, uma felicidade e satisfação, era simplesmente deleitoso – mas não que Bakugou fizesse de propósito.
Seus dias se tornaram isso. Uma vida doméstica com um companheiro de quarto, porque de jeito nenhum Deku era sua babá. A única vantagem que Katsuki, alguém terrivelmente agitado de pavio curto, poderia tirar da situação toda, era poder passar mais tempo com seu menino. E tempo era o que ele menos tinha antes.
A televisão tinha um canal que reprisava todos os acontecimentos das últimas semanas e foi através disso que Bakugou viu o acidente que o deixou com fraturas com mais clareza de outros ângulos.
Infelizmente um celular gravou quando Deku o achou no meio dos escombros e era essa a imagem transmitida.
Deku estava à procura por sinais de sobreviventes quando parou e empinou o nariz a farejar o ar girando a cabeça em direção ao cheiro capturado. Bakugou gemeu com constrangimento ao lembrar da quantidade de auto-lubrificação que escorreu dele, sendo o que foi possível atrair Deku. Então ele removeu um bloco de concreto do tamanho de um carro como se não fosse nada, nesse momento a câmera ampliou para Deku cavando o buraco, ele parou por alguns segundos e depois emergiu com Bakugou encolhido em volta de Katsumi que não ficou visível. Bakugou era nada mais do que um corpo flácido cheio de poeira enrolado em Katsumi, por sorte a câmera não conseguiu visualizar a criança escondida, apenas Deku o puxando para seu aperto. Ele se odiou do quão vulnerável e grato parecia no abraço de Deku.
Essa cena não era mais do que vergonhosa. Bakugou sentiu uma enorme vontade de desligar a televisão, mas não tinha forças. Sua sorte era que seu quadro não permitiu que a imprensa caísse sobre ele com entrevistas.
Reflexivamente ele olhou para Katsumi atualmente dormindo com a cabeça apoiada em sua coxa, livrando Bakugou de que ele visse tal cena deplorável. Foi quando seu celular tocou que ele viu a oportunidade de mudar de canal.
— E aí, Bakugou! — soou a voz de Kirishima do outro lado da linha quando Katsuki atendeu à chamada.
— O quê, cabelo de merda?
— Como você tá, mano? Não te vi na agência hoje.
— É claro que não. Eu estou de folga.
Era quarta-feira, dia em que os horários deles batiam o suficiente para trabalharem juntos na mesma agência por algumas horas.
Kirishima soltou um som de compreensão, no fundo era possível ouvir barulhos da rua, muito provavelmente ele deveria estar voltando para casa, ou…
— Raro você tirar folga no meio da semana. Estou indo para aí então, estou levando pizza.
— Ei, idiota. Eu não…
— Não precisa dizer nada! Chego em quinze minutos.
A ligação se encerrou antes que Katsuki pudesse dizer mais algo e bufou segurando a ponte do nariz com o polegar e o indicador.
— Kacchan? — disse Deku depois de passar pela porta e a fechar com o pé graças às mãos ocupadas com seu equipamento.
— Ei — cumprimentou —, teremos pizza hoje à noite.
— Ah, você está comprando?
O sorriso Cheshire de Bakugou fez a alegria no rosto de Izuku cair lentamente.
— Não, ela está chegando através de um idiota. Mas não agora porque o idiota em questão está indo na direção errada.
Deku até tentou perguntar, porém resolveu esperar pelo desfecho.
— Você passou o dia bem?
— Hmm — confirmou checando o celular. — A televisão é uma alienação do caralho. Se você não tivesse plataforma de streaming, eu morreria de tédio.
Deku riu.
— E o que você assistiu?
— Alguns filmes.
— Você passou o dia assistindo filmes?
Em vez de uma resposta, Bakugou acenou. Midoriya soltou um som indignado.
— Isso realmente foi muito.
— Mofar no sofá é minha única opção.
Um baixo "desculpe" foi dito, mas Bakugou preferiu não comentar. Deku deixou o equipamento de seu traje de herói dentro de uma cesta para ser lavado depois.
— Eu vou para o banho.
Dez minutos depois que Deku saiu, o celular de Katsuki tocou. Ele nem se deu ao trabalho de dizer nada ao atender porque Kirishima começou com:
— Ei, eu estou na frente de seu apartamento. Venha me atender.
— Eu não estou em casa, bestalhão.
— O quê? Por que não me disse?
— Pra ver você sofrer. Você não me deixou falar.
Kirishima gemeu desgostoso.
— Onde você está?
— No Deku.
Houve silêncio na linha por poucos momentos.
— O quê?! — explodiu o alfa no telefone. — Não vejo o cara há semanas, como você conseguiu pegá-lo para ir até aí?
Bakugou afastou o celular da orelha revirando os olhos.
— Chegue aqui primeiro.
— Mas!
— Kiri! — rosnou ele cortando o falso ruivo. — Trate de trazer mais pizza e aí eu conto!
Parecia um bom acordo desde que Kirishima não protestou mais e desligou em seguida.
Embaixo de si ele escutou um resmungo de Katsumi se remexendo em seu colo.
— Ei, babe. Acordei você? — perguntou acariciando os cabelos loirinhos.
Katsumi se inclinou para o toque bufando feliz.
— Doddy está cheirando a bravo.
— Perdão, babe. Kirishima é um idiota.
— Tio Eiji está vindo? — Seus olhinhos abriram com interesse e seu cheiro ficou saltitante.
Bakugou acenou trazendo o menino para deitar contra seu peito.
— Kirishima? — disse Deku surgindo do corredor secando os cabelos com uma toalha. Ele ainda tinha a péssima sensibilidade para moda, usando uma camiseta verde musgo escrito "camiseta" e um par de shorts cinzas. — Isso é bom. Faz tempo que não vejo ele fora da televisão. Como ele está?
— Continua o mesmo idiota.
Não foi até depois de mais alguns minutos que Kirishima surgiu na porta certa chorando:
— Manooos!
Ele agarrou Midoriya na primeira oportunidade fazendo malabarismo com as caixas de pizzas empilhadas na outra mão para abraçá-lo.
— Bom te ver também, Kirishima — consolou feliz dando tapinhas nas costas dele.
Kirishima se afastou para dar uma boa olhada nele antes de voltar a abraçá-lo.
— Pelo amor de Deus! Vão arrumar um quarto!
— Baku-Brooooo!
— Oh, porra…!
Katsuki cometeu o erro de desviar a atenção de Kirishima para ele, porque ele entregou as caixas de pizza para Deku e veio quente para o golpear com um abraço esmagador.
— Ei, imbecil! Espera! — Bakugou tentou inutilmente erguer a mão para pará-lo recuando no sofá.
Sua tentativa foi falha, Kirishima caiu em cima dele afundando ambos no sofá. Ele tomou cuidado para não esmagar Katsumi entre eles e agarrou Katsuki como chiclete. Bakugou soltou um suspiro sôfrego desencadeando um ataque de tosses com suas costelas sendo esmagadas.
— Bakugou?
Kirishima teve a decência de parecer preocupado e se desvencilhar em seguida observando Katsuki tossir e respirar sôfrego tentando empurrá-lo.
— Kirishima! Ele está lesionado!
Com a menção de Deku, o ruivo se afastou de Bakugou como se repentinamente queimasse. O cheiro anteriormente feliz adornou um teor terrivelmente culpado.
Felizmente Bakugou se recuperou dando uma longa inspirada segurando as costelas.
— Era sobre isso que eu queria falar.
✿
— Oh. Eu… eu não sabia.
Ambos caíram contra o encosto da cadeira suspirando alto.
— Por que você não me disse antes? Tipo, quando recebeu alta?
Bakugou apenas deu os ombros a ele.
— Você não vê televisão?
— Na verdade, na última semana estive tão ocupado que nem lembrei. Eles me chamaram para ajudar na reconstrução desse prédio. Eu não fazia ideia que você foi uma das vítimas.
— Sério? Isso foi um baita desencontro — comentou Deku com metade da pizza na boca.
— Sim, aquele prédio estava sem licenciamento e já havia riscos de queda pelas paredes mal estruturadas. Meu dom é muito versátil e prestável para esse tipo de coisa, como segurar as paredes por longo tempo e com isso eles pediram minha ajuda na reconstrução — explicou numa meia mordida.
— Ah, eu vi no noticiário. Mas foi incrível mesmo assim!
Kirishima deu aquele sorriso de tubarão megawatt tão característico e segurou um bíceps.
— Super viril!
— Você é duro na queda, hein — brincou Katsuki com um sorriso de lado trazendo outro pedaço de pizza no prato.
— Diz o cara cujo prédio caiu em cima e saiu inteiro. — Ele deu um leve empurrão de ombros já que Katsuki estava perto. — Mas e aí? Há quanto tempo vocês estão juntos?
O pedaço mal engolido de Deku voltou na garganta engasgando-o, obrigando ele a tossir vergonhosamente, Bakugou deu um olhar solene a ele antes de se voltar para Kirishima questionador.
— Oh. Eu quis dizer a estadia.
— Bem — responderam unanimemente fazendo ambos trocarem olhares estranhos.
Kirishima coçou o pescoço sentindo-se um pouco confuso, involuntariamente ajudando seus poros a espalhar mais do seu aroma de cravo, açafrão e gengibre no ar.
— Isso foi um tanto monótono. Vocês estão bem mesmo?
— Eu só estou aqui há poucos dias. Não brigamos, se é o que você está perguntando.
— Sério que você não tem nenhuma opinião até agora? — lamentou Deku enviando ondas decepcionadas no seu perfume.
— Ei, não venha com isso.
— Doddy gosta daqui.
Todas as cabeças viraram para a criatura ao lado de Bakugou, piscando seus olhinhos âmbar como se não tivesse acabado de dizer algo crucial.
— Doddy está… bem.
As defesas de Bakugou e toda sua chance de permanecer indiferente caiu por Terra com o suspiro profundo da alma que saiu dele. A cabeça de Katsumi voltou para seu pai e ele perguntou com um traço de incerteza e tristeza manchando sua expressão:
— Não está?
— Sim, babe. Estou. — Com um sorriso pequeno. Katsuki afagou os cabelos do menino com ternura.
Imediatamente os feromônios felizes de matilha protegida se emitiram no ar. Bakugou levantou o olhar para Deku e Kirishima com sorrisos bobos e poses relaxadas. Eles teriam que se acostumar com ele sendo um bom pai e parar logo de fazer essa cara de perdedores.
Katsuki rolou os olhos com um bufo que fez eles voltarem à realidade. Deku piscou os olhos repetidas vezes e Kirishima balançou a cabeça, ambos trocaram um olhar um para o outro com dúvida estampada, mas antes que a tensão permanecesse, Katsuki disse para Deku:
— Contente?
— Muito, Kacchan. — E sorriu.
Antes de mais nada, Katsumi agarrou sua manga atraindo a atenção de volta para ele.
— Eu já terminei. Doddy, posso ir?
— Pode. — Com um aceno.
— Oh, tão educado! — admirou-se Kirishima com uma mão na boca cobrindo o pequeno grito de fofura.
— Essa é a frase mais longa que eu já ouvi ele dizer — comentou Deku com graça. Katsuki ia rebater quando foi impedido por Katsumi puxando a manga da camisa de Kirishima:
— Tio Eiji, eu quero te mostrar uma coisa.
— Claro, pequeno. O que quiser!
Kirishima segurou a mãozinha dele permitindo Katsumi levá-lo até a sala, ele ficou ansioso para mostrar seu novo dom para mais alguém.
Os dois adultos ficaram sozinhos então.
— O quê? — retorquiu Katsuki recebendo um olhar do alfa.
— É tão ruim assim estar comigo? — disse ele com um sorriso meio amargo não proposital.
Silêncio.
— Poxa, Kacchan. Não pensei que fosse uma ideia ruim, eu só queria ajudar com sua reabilitação…
— Deku, caramba, não é assim. — Katsuki cortou o murmúrio antes que se tornasse algo maior. Ele bufou se recostando na cadeira, levou um momento, mas Katsuki respondeu coçando o pescoço. — Essas merdas levam tempo. — Nem que sim, nem que não. Ele não queria revelar ainda suas intenções a ele, era pessoal.
Ainda meio ressentido, Deku assentiu.
— Se precisar de alguma coisa, qualquer que seja, por favor me fale. Quero fazer isso funcionar para nós dois.
Uma risada abafada saiu de Katsuki que não fez esforço para a esconder.
— Você parece um adulto falando assim.
— E não sou?
— Deku, você chora quando vê bebês, pelo amor de Deus!
— Bebês são fofos!
Bem, eles tinham um ponto em comum, tirando o fato de Katsuki somente achar seu filho fofo.
Tão rápido quanto, o sorriso em seu rosto deslizou quando a áurea do momento se partiu.
Deku também notou a mudança e tentou falar algo a ele, sendo impedido por Katsumi também:
— Doddy, venha mostrar suas explosões!
— É, queremos ver se é igual às que você faz — reforçou Kirishima mostrando a mão e rosto endurecidos.
— Por favor, não queimem meu sofá — pediu Deku.
Mesmo quando Katsuki se foi, ele podia sentir o olhar de Deku o seguindo nas costas.
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