Bloom

9 Welcome to my life


Notas iniciais
Olá amores! Estamos atrasadas, sei. Mas eu estive com problemas na net =(, só pude postar agora enfim, me perdoem amadas. Agradecemos o retorno de vocês, estaremos respondendo aos reviews. Agora a fic está entrando em nova fase, espero que gostem! Gostamos do capítulo e dessa nova fase, leiam, aproveitem e digam o que acharam.;) Boa leitura!

Kent, 1816

A bela manhã ensolarada era testemunha da corrida que a ruiva fazia com sua égua pelos limites da enorme propriedade, a menina ainda usava um simples vestido matutino azul claro. Renesmee percorria livre e sorridente o caminho, sentindo a brisa lhe abraçar e desarrumar sua longa trança — já frouxa — ao mesmo tempo em que o sol beijava com ternura a sua pele quase translúcida. Aquela sensação trazia paz e liberdade para a triste menina.

Quando seus delicados músculos já queimavam devido à longa cavalgada e no horizonte o sol brilhava já alto no céu azul — deduzindo já ser meio da manhã, talvez quase dez horas — Renesmee decidiu regressar a grande casa.

Naquela manhã todos os empregados não comentavam outra coisa senão o regresso do novo Duque às terras de Kent, todos sabiam que provavelmente ele chegaria aquele dia — informação obtida através de uma missiva enviada comunicando o retorno.

Elizabeth havia implorado que Renesmee estivesse apresentável para a chegada do Duque naquela manhã, a governanta morreria só por imaginar a insatisfação de seu senhor com seus serviços prestados.

Com todos esses pensamentos dominando sua mente a ruivinha decidiu que deveria antecipar sua colheita de flores para levar ao túmulo de seus pais, e então, somente depois voltaria para a Casa Black e se assearia adequadamente.

Enquanto Renesmee acelerava suas tarefas rotineiras a criadagem da casa Black estava a todo vapor, em agitação suprema, uma vez que alguns empregados afirmavam que a carruagem do Duque já se aproximava dos limites da propriedade.

— Onde está a menina? Onde ela está? — Elizabeth perguntava desesperada para alguns criados na entrada principal.

— A senhorita Wood pegou a égua nas primeiras horas da manhã e ainda não retornou. — Richard respondeu.

Elizabeth apavorou-se e levou as mãos aos céus.

— Por Deus! Ela precisa estar aqui antes dele. Serei despedida! — ela lamentava exacerbada.

— Acalme-se Lizzi, a senhorita Renesmee nunca foi desobediente, ela retornará na hora certa. — Rosamund tentou acalmá-la.

— Deus te ouça, Rosa! Deus te ouça! — Elizabeth replicou ainda nervosa.

Ela e Rosamund entraram outra vez para terminarem de arrumar a mansão.

Móveis haviam sido lustrados, as cortinas e tapeçarias trocadas, flores e velas repostas, castiçais e pratarias polidos... Faltava apenas Renesmee perfeitamente arrumada para a governanta respirar aliviada por ter realizado seus afazeres com excelência.

~ * ~

A carruagem trepidava sobre a estrada irregular à medida que os cavalos avançavam velozmente, a poeira subia deixando para trás rastros por onde passava.

No interior do confortável veículo as coisas estavam calmas, Jacob ainda pensava em seu futuro incerto — provavelmente recluso ao campo —, em seu falecido pai, na família perdida, na sua vida em Londres — a qual ele ainda não fazia ideia quando retornaria — à medida que adentrava sua enorme propriedade.

De repente a sua atenção foi atraída para o belo campo, onde ele passou a contemplar os vistosos jardins, os pássaros, as frutas em seus pés, as frondosas árvores e... Algo muito mais belo e intenso lhe roubou totalmente a atenção.

Muito ao longe da Casa Black e bem distante de sua visão, Jacob conseguiu perceber uma linda silhueta delicada em um vestido azul, que sobre uma égua mediana corria desenfreadamente em direção a sua casa.

O sorriso do Duque congelou ao ter a corrida da égua branca paralela a sua carruagem.

Os cabelos da jovem sobre a égua era de um ruivo intenso, o sol dourado enfatizava a beleza dos fios acobreados. Mesmo com boa parte dos fios soltos e alvoraçados, Jacob achou a visão linda. O duque estava fascinado com a mais bela imagem que seus olhos já tiveram o prazer de capturar.

Infelizmente os cavalos do Duque ultrapassaram a delicada égua e sua belíssima dona, no entanto Jacob tentou reter ao máximo a imagem em seus olhos, não obtendo muito sucesso ao colocar toda a cabeça para fora da janela. A jovem galopava alucinadamente para mais longe de seus olhos.

O Duque sorriu. Deveria ser uma camponesa moradora de algum casebre do vilarejo ou até mesmo uma nova criada. Ele pensou. Mesmo assim teve que admitir o quanto encantadora era.

Mesmo ao longe ela roubou toda a atenção dele, tornando-se a mais bela imagem, muito mais do que qualquer cenário que ele pudesse contemplar naquele imenso jardim que era o vilarejo de Kent.

A carruagem seguiu viagem pela estrada de chão batido que levava a mansão. O Duque se viu tão distraído com a imagem da jovem ruiva vagando em seus pensamentos que nem se deu conta quando os cavalos pararam a corrida. Sua atenção só foi atraída novamente para realidade quando o seu cocheiro abriu a porta para que descesse. Ele se surpreendeu ao sorrir para a visão que seus olhos capturaram.

Jacob sorriu abertamente ao contemplar a fachada, a escadaria e a entrada para o vestíbulo. Havia sentido falta daquela casa.

Olhou ao redor e viu alguns criados. Reconheceu poucos, no entanto cumprimentou a todos. Os empregados estavam felizes com a chegada de seu senhor, todos receberam o Duque com a devida cerimonia que cabia à situação.

O duque seguiu para o salão principal onde encontrou os criados mais velhos e importantes. Elizabeth — que dissimulava sua aflição pela ausência de Renesmee — apresentava a Jacob os novos criados, enquanto os outros — já conhecidos — apenas o cumprimentavam. Ninguém ousou comentar sobre a recente viuvez do patrão.

Conforme Jacob era reverenciado por seus criados mais fieis, lembrou-se da linda ruiva na estrada, seria difícil esquecer algo tão bonito. Entretanto, tal pensamento o fez lembrar que ali também deveria estar uma menininha ruiva, bem menor e mais discreta que a do campo, mas ainda sim deveria estar ali.

— Onde se encontra a senhoria Wood? — perguntou o Duque muito sério para sua governanta.

O corpo de Elizabeth retesou não só pela voz grave e séria do patrão, mas também pela severidade e superioridade da face de Jacob. Ele nem de longe lembrava o menino magricelo e faceiro que ela um dia ajudou a educar.

— Senhor... — a governanta tentava manter a calma, porém passos apresados e desordenados foram ouvidos do corredor lateral.

Jacob cumprimentava o último criado quando uma jovem chegou à outra ponta da fileira. Ao fitá-la o coração do Duque deu um solavanco, passando a trotar velozmente em seu peito.

Era a jovem do campo, ele constatou alegremente, porém a voz que deixou os lábios da ruiva também respondia uma pergunta anteriormente feita.

— Estou aqui, Vossa Graça. — Renesmee disse docemente, fazendo uma reverência perfeita com o corpo.

Os cabelos acobreados estavam desalinhados e soltos, não havia mais uma trança. Seu rosto estava rubro, principalmente as bochechas, e isso só faziam destacarem-se ainda mais seus olhos azuis claríssimos, além dos seus lábios cheios em formato de coração estar ainda mais vermelhos.

Jacob levou milésimos de segundo para compreender que a bela ruiva que admirava e havia se encantado era a pequena Renesmee — não mais tão pequena assim. Ele piscou atônito e deixou a boca abrir-se levemente pela recente constatação. Foi automático. Uma reação reflexa ao recente choque.

A menina que respirava custosamente pela corrida e pelo nervosismo, não tirava os olhos dos orbes negros do Duque. Ele nunca a havia olhado daquela forma. Renesmee não sabia que brilho era aquele que estavam nos olhos estreitos do Senhor Black, contudo, sua pele já quente, passou a queimar significativamente mais diante daqueles olhos que a esquadrinhavam sem disfarce.

A boca de Renesmee estava entreaberta para ajudar na recuperação do ar, o peito sob a musselina azul subia e descia... Jacob reparava descaradamente o movimento deles.

Renesmee estava ainda mais linda do que um dia já foi. Era a garota mais bela que ele teve o prazer de contemplar... E já era quase uma mulher.

Jacob sacudiu a cabeça por um segundo para afastar os pensamentos controversos que lhe vinham à mente. Colocou-se na frente da ruiva, que envergonhada desceu o olhar, mantendo-se ainda de cabeça erguida. Ela alcançava a base do peitoral do homem, pode ver o quão forte ele respirava agora.

Ao contrario de Renesmee, Jacob sabia por que tinha o peito acelerado e o corpo quente, isso estava estampado em seus olhos maliciosos e desejosos.

— Olá senhorita Renesmee. Como tem passado? — ele perguntou brandamente a obrigando encará-lo.

— Bem, Vossa Graça. E o senhor?

— Igualmente bem, senhorita. — Jacob respondeu e logo lançou um sorriso enigmático para jovem. Isso acelerou ainda mais o coração da menina, toda a sua pele queimava por dentro.

Os traços infantis da ruiva haviam desaparecido, restando apenas a pele alva e rubra, os olhos doces e os lindos lábios. Desejosos lábios, diria Jacob.

~*~

Após todas as devidas apresentações, Jacob optou por descansar da fatigante viagem em seu aposentado até a hora do almoço.

Banhou-se e acomodou-se no antigo quarto que um dia pertenceu a seu pai e a todos os seus antecessores. Como o novo duque, aquele quarto agora lhe cabia por direito, era o maior de todos. Escuro e bastante masculino, cheirava a limpo e ao campo, muito bem arrumado, a mobília era de excelente bom gosto e qualidade.

Uma pesada porta de madeira maciça com dobradiças douradas fazia a ligação com o quarto ao lado, que um dia seria destinado a sua futura duquesa. Isso quando enfim decidisse por se casar novamente, tinha obrigação para com seu título, precisava de um herdeiro varão. Mas ainda era cedo para Jacob pensar em tudo aquilo.

Então, jogou-se na enorme cama de dossel e ferro banhado em prata, era muito macia e confortável. Antes que o Duque caísse na inconsciência ele vislumbrou a pequena mulher de cabelos cor de bronze. A imagem permaneceu em sua mente pelos minutos seguintes. Jacob não conseguia crer que estava com a imagem da pequena Renesmee na cabeça, sua mente e razão não aceitavam aquilo.

Seu corpo por outro lado parecia estar apreciando as nuances, se aquecia com a lembrança dos lábios carnudos se movendo e do colo exposto.

O duque, no entanto, despertou e sentou no meio da cama em um rompante. Ainda estava incrédulo com as imagens desorganizadas e projetadas em sua mente.

— Diabos! Está louco, Jacob? — ele mesmo se repreendeu.

Naquele mesmo instante, batidas na porta puderam ser ouvidas, era o seu valete.

— Senhor?

— Entre!

— A senhorita Winslet me pediu para comunicá-lo que o almoço será servido em alguns minutos. O que digo em resposta?

— Que já irei descer. Ajude-me a me aprontar. — ordenou o homem que descia de sua cama.

Na sala principal de feições todos se mantinham impecáveis e rígidos em suas posições, mas o Duque nem notou, ele apenas procurou com o olhar seu antigo lugar: a ponta direita, bem ao lado da grande cadeira vazia que um dia fora de seu pai. Entretanto teria que se sentar na cabeceira da mesa, agora aquele era o seu lugar.

Era estranho tomar sua nova posição como Duque naquela casa, as lembranças de William ainda eram vívidas demais em sua memória.

Enquanto Jacob era servido percebeu que só havia o seu prato posto na enorme mesa, mas se ele bem lembrava Renesmee morava naquela casa; como hóspede, deveria comer à mesa.

— Onde está à senhoria Wood? — Jacob perguntou sério encarando Elizabeth.

A governanta olhou rapidamente para Rosamund, procurando um apoio e em seguida focou os olhos no duque.

— Renesmee não costuma descer para comer, Senhor.

Jacob não moveu qualquer um de seus músculos, somente uma de suas sobrancelhas grossas se ergueu em um sutil arco e então ele replicou:

— Diga a ela que desça.

— Mas Vossa Graça, a menina... — Elizabeth retrucava com cuidado.

— É uma ordem, Elizabeth. — Jacob a cortou de forma amena — Eu quero a senhorita Renesmee nesta mesa. — o tom de Jacob era tão imponente quanto o do outro duque, porém era ainda mais grave.

— Sim senhor.

~*~

Renesmee em seu quarto — onde se trancou desde a chegada do duque — estava no divã agarrada a linda boneca de porcelana que havia ganhado de Jacob, ela contemplava o sol radiante sobre a relva verde e ao longe a estrada.

Ela refletia sobre o diferente olhar que recebeu do novo duque. Nunca havia percebido um olhar assim, sobretudo de Jacob. Aquele olhar a aqueceu de forma assustadora, ela inclusive sentiu as pernas tremerem.

Renesmee manteve-se assustada com as reações de um simples olhar sem explicação. A ruiva apertou a boneca com mais força contra o peito. Por certo Katherine saberia o que lhe dizer, sua mãe sabia de tudo.

Ela lembrava-se que Kate nunca havia deixado de lhe responder uma pergunta com sabedoria. Mesmo sobre sua paternidade, quando Katherine dizia que era melhor esquecê-lo, Renesmee confiava nela e acreditava em absolutamente tudo que sua mãe lhe dizia.

— Senhorita Renesmee? — Elizabeth bateu suavemente a porta despertando a menina.

— Sim, Lizzi?

— Deve descer para almoçar.

— Não tenho fome por agora. — Renesmee falou, mas era mentira.

Um pouco de fome já havia aparecido, entretanto ela esperaria o horário do almoço passar para que então alguma criada trouxesse a sua refeição em seu quarto, como era costume desde a morte de William.

— É uma ordem do duque. — contestou a governanta.

Renesmee a olhou com olhos arregalados.

— Desculpa, como? — questionou atônita, ela piscava os grandes cílios ao perguntar.

— Ele a quer com ele à mesa, durante o almoço, e disse ser uma ordem. — justificou Elizabeth. — Não há escolhas senhorita, além do mais, precisa mesmo se alimentar. — acrescentou.

Após uns segundos Renesmee suspirou alto e levantou-se, seguindo para o quarto de vestir.

— Necessita de ajuda? Posso pedir a Marina para lhe ajudar. — ofereceu a mais velha.

— Não precisa, senhorita. Eu consigo sozinha, avise ao duque que já desço. — a ruiva respondeu.

Assim Renesmee — um pouco trêmula e muito surpresa — trocou a camisola por um vestido vespertino de cor rosa clara, os cabelos já tinham sido arrumados mais cedo. Logo após a chegada do duque ela banhou-se e Marina — a sua aia, mesmo que a menina quase nunca solicitasse os serviços — ajudou-lhe com o corpete e a prender boa parte dos cabelos longos.

Quando Renesmee chegou para almoçar o duque lhe deu um maneio de cabeça indicando que era para ela se sentasse ao lado dele, no lugar que um dia lhe pertenceu. Jacob havia esperado pacientemente a menina para comer, como faria com toda dama de nobre sociedade.

Renesmee era uma lady afinal.

Durante o almoço ninguém falou absolutamente nada. Jacob, entre uma garfada e outra em sua carne, observou que a garota comia pouco... Bem pouco. Renesmee por sua vez erguia o olhar, temerosa, percebendo que o grande homem a observava avaliativo, e que às vezes comia com rapidez e vontade.

O duque também reparou que era observado. O olhar meigo e sem brilho da menina lhe chamavam a atenção, não só pela cor claríssima como o reflexo do céu na água, mas também por toda a beleza da obra. O rosto de Renesmee era belíssimo, os cachos caídos além dos ombros a deixavam com ar de menina madura, a serenidade era o ponto forte de sua atração.

— Diga-me senhorita, como vão as aulas? Ainda estuda, não é? — Jacob indagou para quebrar o silêncio logo após um gole de vinho.

Ele continuou com a taça de prata à boca, observando por cima da borda como Renesmee mostrava-se graciosamente nervosa por uma simples pergunta.

O Duque prendeu um riso enquanto a menina se preparava para respondê-lo.

— Vão bem, Vossa Graça. Termino no próximo ano às lições. — a menina disse baixo sem erguer o olhar.

— Como vai seu italiano?

— Bem.

Renesmee já havia terminado o francês e inglês — falava fluentemente — e agora aprendia uma nova língua, ela gostava bastante. Mas não comentaria aquilo com Jacob. Com certeza com William, mas o novo Duque? Ele despertava curiosidades como: Porque tinha olhos brilhando e estreitos sobre ela? Por que os punhos sempre fechados? Porque sua voz causava-lhe um leve arrepio sempre que ela a ouvia...

A ruiva pensou até mesmo em como ele deveria estar sofrendo após tantas perdas, mas resolveu guardar seus comentários.

— Ainda pratica piano? — o duque perguntou e Renesmee apenas anuiu.

Jacob manteve-se pensativo sobre aquilo, porém nada mais foi comentado naquela tarde.

Descansando do almoço, o Duque trancou-se no antigo escritório do seu pai, agora seu. Tudo era irrevogavelmente herdado junto com os títulos de nobreza.

Jacob sentou-se na confortável poltrona de couro marrom e desatou a conversar com a lindíssima pintura de seu pai, que ficava pendurada em uma grande parede de destaque.

— Renesmee me dará trabalho, não é mesmo? — perguntou para a imagem. — Não imaginei que se tornaria tão bela, assim tão cedo. Estou inseguro, pai. — ele confessou e olhou fixamente o retardo de William, que parecia olhá-lo reciprocamente. — Eu sei, prometi e vou cumprir. Cuidarei dela, darei o melhor a ela. — Jacob suspirou e serviu-se de mais Brandy.— Preciso mantê-la longe de mal feitores, preciso prepará-la para o mundo... Só que não sei como lidar com ela. Não esperava que já estivesse tão crescida. — ele desabafou e se manteve reflexivo consigo mesmo. — Porém ainda é cedo para casá-la. Não conheço ninguém que esteja à altura, nenhum merecedor dela. O senhor deveria estar aqui, conhece-a melhor que eu.

Jacob permaneceu por horas ali conversando, ponderando e observando o dia passar. Por volta das quatro horas o Duque sentiu a necessidade de cavalgar, ir até o túmulo de seus pais, reconhecer o terreno.

Precisava tomar ar puro ou iria sufocar-se em suas próprias dúvidas e medos. Ele não podia se mostrar inseguro mediante a seus criados e toda sociedade, agora ele era um dos mais importantes Duques da Inglaterra.

~*~

Quando Jacob chegou ao estábulo deparou-se com a bela trança acobreada, um pouco frouxa, mas ainda penteada. Agora a dona das madeixas cor de cobre vestia a roupa de montaria, o que denotava ainda mais suas curvas singelas e crescentes.

Renesmee falava distraída com Joe. O Duque — como homem experiente que era — não deixou passar despercebido o brilho intenso nos olhos verdes do rapaz, ele chegou gaguejar enquanto a ruiva instruía algo sobre a égua branca.

— Qual o nome dela? — Jacob perguntou com um sorriso torto estampando a face máscula.

Ele havia realmente achado o animal lindo, além do fato de querer puxar pela garota. Se bem lembrava, Renesmee não era de muitas palavras e sorrisos, mas ele era bom em arrancar um sorrisinho singelo dela quando mais nova. Ele esperava que isso não houvesse mudado.

Renesmee, por outro lado, estremeceu dos pés a cabeça quando a voz aveludada do homem soou em seus ouvidos. Ela piscou rapidamente, mas virou-se para ele devagar.

— É Estrela, Vossa Graça. Foi presente do Príncipe no meu décimo segundo aniversário. – respondeu brando enquanto acariciava com orgulho a sedosa crina branca do animal.

Só depois de mencionado que Jacob lembrou-se daquele fato.

— Bonito o nome e a égua também, claro. — ele comentou, porém Renesmee com suas bochechas rubras apenas abaixou o olhar.

— Vossa Graça. — Joe cumprimentou o seu senhor com respeito, interrompendo o conversa do patrão. O jovem não tinha feito na maldade, mas sim na euforia de conversar com a menina. — Senhorita, pode deixar comigo, irei escová-la agora. Quer que eu a lave antes? — Joe muito solícito se ofereceu com todos os dentes à amostra.

Jacob girou os calcanhares e virou a cabeça para encarar Joe com um olhar astuto e uma sobrancelha erguida, no entanto o jovem nem percebeu a sagacidade do patrão e continuou atrás da ruiva que levava sua égua para a baia.

— Obrigada Joe, eu a escovei essa manhã, acho que só necessita de uma lavagem.

Jacob tentou desviar a vista enquanto Renesmee falava com o jovem, porém não obteve muito sucesso. Quando a menina se virou outra vez os belos olhos escuros e pretensiosos estavam sobre ela. Renesmee engoliu um bolo salivar para controlar o nervosismo inexplicável que sentia, aos poucos sentiu a face queimar.

— Com licença, Vossa Graça. — disse de forma tímida ao passar pelo imponente Duque.

Quando a menina se encaminhava para a saída do estábulo Jacob foi atrás dela.

— Senhorita Renesmee?

— Sim, Vossa Graça?

— O jantar será as seis, não se atrase. Quero a senhorita à mesa. — Jacob pronunciou e Renesmee não conseguiu fazer outra coisa se não aquiescer, mesmo contra a sua vontade. — E Rapaz. Prepare agora o meu cavalo. — Jacob chamou alto por Joe, seu tom era arrogante, a ordem foi dada de forma petulante.

Joe deixou a égua branca em sua baia e correu para a que guardava o puro sangue inglês negro do Duque. Já a menina saiu do estábulo a passos apressados, ela quase corria. Seu coração trotava furioso em seu peito, suas mãos estavam suadas e pegajosas, seu estômago estava alvoroçado, parecia que aprisionava milhares de borboletas revoltas dentro dele.

~*~

Por incontável tempo Jacob cavalgou por sua bela propriedade, e agora sob o pôr do sol ele chegava ao terreno em que estavam sepultados os seus pais. Surpreendeu-se quando viu ali flores frescas e vibrantes em abundante quantidade, principalmente sobre os túmulos de seu pai e Katherine. Sorriu abertamente por fim.

Só teria uma explicação: Renesmee.

Ele também deixou suas flores, inclusive para Katherine. Não eram tão vistosas, mas eram de coração. Os cumprimentos e saudades também eram vívidos no Duque.

Poucos minutos depois das seis horas o Duque chegou à mansão e subiu apressado para seu aposento, tinha o intuito de assear-se para o jantar. Jacob deixou bem claro para Renesmee que compartilhar refeições era algo habitual e que ele sabia que ela tinha com seu pai. O atual Duque deixou claro que fazia questão de dar continuidade aquela rotina, não só porque era o que William queria, mas porque ele também zelava pela saúde e vida dela.

~*~

Duas semanas desde que Jacob tinha regressado às terras de Kent já haviam se passado, mas não foram suficientes para ele estabelecer um relacionamento estável com a ruiva.

Ele sabia de forma superficial as suas atividades rotineiras. Ela cavalgada, almoçava, se trancava no quarto, saía para o campo, voltava para jantar e se trancava novamente. Naquela tarde Jacob quis algo diferente.

— Gostaria que tocasse para mim mais à tarde. — o Duque informou, ainda à mesa, logo após o almoço.

Renesmee não gostaria de tocar com o duque ouvindo, se sentiria encabulada, porém o tom manso de Jacob não deixava dúvidas que aquilo não era uma sugestão. A menina apenas anuiu.

Alguns minutos depois lá estava ela com seus delicados dedos nas teclas, seus olhos fechados, enquanto Jacob controlava-se imóvel na poltrona à frente.

Renesmee vestia um vestido branco, era um modelo adulto de tarde. Seus cachos alaranjados se destacam sobre o ombro coberto pela musseline clara e descia modelando o volume coberto dos seios em crescimento, chegando à altura da fina e delicada cintura. Os lábios da menina pareciam botões de rosas, ora ou outra ela sorria. Jacob deduziu que ela gostava da melodia.

Já o Duque não conseguia se concentrar na melodia quando o seu corpo traidor queimava e enrijecia só por contemplá-la. Para acabar com seu tormento, ou atrapalhar sua paz — Jacob não sabia decidir — o mordomo anunciou uma visita.

— É o meu administrador. — informou. — Conduza-o para o meu gabinete. Sirva-lhe uma bebida e informe que já vou ao seu encontro. — Jacob instruiu o mordomo.

Renesmee havia parado de tocar enquanto o duque falava com o criado.

— Preciso resolver algumas questões burocráticas por agora. Vá descansar, encontramo-nos no jantar. — Jacob comunicou a menina ruiva.

Renesmee seguiu imediatamente para o seu quarto e colocou sua roupa de montaria. Ela estava louca por colher flores e tomar banho no riacho, todavia, antes de sair, guardou suas pinturas.

Naquela manhã, antes de descer para o almoço, ela desenhara mais uma vez a face máscula e atraente do Duque Black. Ela não sabia explicar, mas aquele olhar lhe dava um estranho e incomum calor por todo seu corpo. Renesmee acreditava que poderia olhá-lo sem cessar por horas, mas como aquilo não era possível, tão pouco normal, a menina desenhava-o.

Certa vez arriscou um corpo meio sem forma, grande e robusto, mas sem detalhes. Ela não saberia nem imaginar o corpo de um homem, jamais tinha visto qualquer um que fosse sem os devidos trajes.

Após proteger seus devaneios em papel dentro de uma gaveta com chave, menina foi até o estábulo buscar Estrela. No entanto, na cabeça dela os desenhos ainda flutuavam.

E se o desenhar com roupas diferentes? Sem a casaca, talvez? Com uma camisa mais fina, tipo a de montaria?

A menina ruborizou-se com esse pensamento e um risinho brotou nos seus lábios.

— Boa tarde, senhorita! — Joe disse com um grande sorriso.

— Olá Joe. — a menina respondeu ainda no meio de um risinho.

Aquilo inflou o peito do rapaz, contudo Renesmee continuava a pensar em seus desenhos, feitos e futuros. Talvez fizesse agora um rosto maior.

— Estrela já está pronta. — Joe comentou enquanto saía para buscar a égua.

— Obrigada. — um sorriso discreto estava na voz da menina.

Joe, como um bobo apaixonado, percebeu o quanto a ruiva estava diferente. Os olhos mais brilhantes, não era muito, mas para quem os contemplavam todos os dias foi fácil notar que naquela tarde Renesmee estava alegre, de bom humor.

Assim que a menina saiu, sem sorrisos, contudo com o rosto iluminado, Joe literalmente saltitou.

— O que foi rapaz? — Richard perguntou ao flagrá-lo tão radiante.

— Eu tenho chances, Richard. Tenho chances!

O mais velho colocou os olhos em branco.

— A quem se refere, a senhorita Wood? — Richard perguntou debochado.

— Sim! Os olhos dela brilhavam ao olhar para mim, ela parecia nervosa com a minha presença. — o tolo menino explicava e Richard apenas maneava a cabeça em negação.

— Cuidado, Joe, cuidado. De repente ela só está feliz. — Richard retrucou cauteloso ajudando Joe a limpar o estábulo.

— Nos últimos dias ela tem estado diferente, sorri quando me vê. Sinto em meu peito que também me corresponde. Ela também gosta de mim. — ditou com orgulho, seu coração transbordava de felicidade.

Richard nada mais falou. Ele acreditava de verdade que o jovem estava equivocado, mas não conseguiria mais mudar os pensamentos ilusórios de Joe. Que ele aprendesse da pior forma: com a dor e a decepção, uma vez que conselhos não eram suficientes para o rapaz apaixonado.

Porém Joe não conseguia pensar em nada além do que seus olhos queriam enxergar e no que iria precisar fazer para conquistar definitivamente o coração solitário da linda garota ruiva.

Uma determinação então dominou o jovem criado, ele já sabia exatamente o que teria que fazer para começar a conquistar a Renesmee.

Foi com toda coragem e esperança que ele deixou o estábulo, ouvindo ao longe os questionamentos de Richard, mas Joe não ligou, tinha coisas mais importantes a fazer naquele momento.

Notas finais
Então?? Gostaram? Eu achei o Jacob muito sexy no capítulo, chegou mandando Hahahahahah Foi só nós duas que sentimos toda essa tensão entre o Duque e a doce ruiva? O que acharam? E o Joe? Será que tem chances? Bem, vamos aguardar os vinte comentários no mínimo e mais recomendações, merecemos, não é? Não deixem de colocarem a estória em seus "favoritos" Então, até o próximo que já está no ponto. Hahahahaha Beijos e abraços, Jenny e Daaay