Bloom
24 Welcome to London
Notas iniciais

Bristol
Como mandava a tradição todos os criados estavam impecavelmente uniformizados em uma fila de apresentação para quando os senhores da casa chegassem.
A carruagem parou e um lacaio abriu para que os senhores desembarcassem. Renesmee logo contemplou a construção de pedra. Era maior que a mansão de Kent — quase um castelo —. Eram quatro andares bastante extensos e pela quantidade de criados em fileira, a ruiva deduziu que realmente a casa seria gigantesca por dentro.
Jacob por sua vez logo apresentou a nova esposa a todos os criados. Agora eles teriam que servir e obedecê-la, devotando toda a lealdade que lhes era cobrado como empregados da família Black.
Renesmee se preocupou ao máximo em guardar o nome de cada empregado. Ela concluiu que ali todos eram muito mais formais e sérios que em Kent, porém os tratou com seu jeito amável e gentil.
Naquela mesma noite em que o duque chegou a Bristol um jantar formal foi oferecido para alguns nobres da região que optaram em não passar a temporada em Londres.
Tanto nos elegantes salões da mansão quanto na ala inferior onde os criados permaneciam, nenhum outro assunto era mais falado do que a extraordinária beleza, compostura e refinamento impecável da nova Lady Black.
Quase todos os criados estavam encantados com ela, mesmo que alguns poucos ainda relutassem em ter uma opinião concluída. O jeito da duquesa —tranquilo e amável — de direcionar até mesmo uma ordem era o que mais chamava atenção dos serviçais.
Já a classe nobre não era tão benevolente, sempre esperando por um deslize para ter o que comentar. Porém Renesmee estava imaculável em absolutamente tudo, não deixava margens para nenhuma fofoca. Afinal ela havia sido moldada para aquele momento desde muito pequena, a sua preceptora tinha sido a mesma quem moldou e instruiu a princesa.
A nova lady Black era extremante polida, tinha um jeito único que acabava hipnotizando a todos. Poucos reconheciam essa característica: a amabilidade. Geralmente nobres poderosos não possuíam tal qualidade.
Toda a história inventada sobre o casamento foi repetida durante a refeição aos convidados. Tudo foi tão bem arquitetado que até Jacob, Renesmee e Embry se deixaram acreditar que tudo aquilo era a verdade.
Jacob havia decidido oferecer o jantar na intenção de preparar Renesmee para o que em breve viria com a chegada deles a Londres. A temporada havia acabado de começar, os mais importantes nobres estariam lotando Londres.
O jantar estava sendo um sucesso, o duque estava satisfeito com a correta postura da esposa em conduzir tudo. Era oficialmente o primeiro evento formal que ela participava.
Por fim todos no salão acabaram se rendendo aos encantos da nova Duquesa. E tirando o fato de sua notória extrema juventude, nada mais poderia ser falado sobre ela.
Dois dias rapidamente se passaram e logo a carruagem luxuosa partia de Bristol. Renesmee tinha se apaixonada pela bela e enorme propriedade. Jacob a prometeu que eles retornariam para uma estadia mais longa assim que fosse possível.
Agora a próxima parada seria somente em Londres, onde o casal provavelmente teria a estadia mais longa. Jacob teria que se reapresentar na câmara dos lordes no máximo na próxima semana, sua licença havia espirado. Ele tinha suas obrigações para com o título e seu afastamento desde a morte de Leah já tinha sido demasiadamente longo.
~*~
Londres
Uma bela e típica manhã de primavera acabava de se iniciar, mas para todos os criados da Casa York o dia havia começado antes mesmo que o sol nascesse. Eles percorriam todas as alas da mansão conferindo meticulosamente cada cômodo e arrumando os últimos detalhes.
Há quase três dias uma missiva havia chegado para o mordomo informando que o duque estava retornando, ele viria passar toda a temporada em Londres. Por outro lado o fato que mais surpreendeu e atiçou a curiosidade de todos os criados foi que o nobre não chegaria sozinho, ele trazia a nova duquesa consigo.
Nenhuma informação era concreta para os empregados, eles só sabiam o que ouviram falar através das fofocas que percorriam toda a Mayfair.
— Leve essas flores para o salão formal de chá. — orientou a governanta para uma das arrumadeiras responsáveis pelo andar inferior da mansão. — Vamos, sumam todas! Temos muitos afazeres para concluir antes dos senhores da casa chegarem. — a senhora dispersou o burburinho de arrumadeiras que fofocavam no salão de refeição dos criados.
— Está tudo no mais absoluto controle, senhora Gandy? — perguntou o solene mordomo.
— Em absoluto, senhor Smith. — tranquilizou a conservadora governanta. — A que horas o duque deve chegar?
— Na parte da manhã. — replicou com toda formalidade que possuía. — Confira com a senhora Fells se está tudo como planejado para o desjejum. Na carta não informava se seria feito aqui, mas temos que estar com tudo preparado caso o duque decida que sim. Sabemos como Vossa graça é imprevisível.
— Estava indo agora mesmo falar com ela. Com licença. — a governanta rumou para a cozinha, iria falar com a responsável pelo preparo de todas as refeições da mansão.
Tanto a chefe de cozinha, como o mordomo e a governanta trabalhavam na Casa York antes mesmo do atual duque nascer. Eles haviam sido contratados por William quando o mesmo assumiu o título herdado do pai.
Todos os três tinham uma lealdade cega com o atual duque o qual viram nascer.
Smith inspecionava pessoalmente o uniforme e a aparência de cada lacaio e criada da mansão. Ele era extremamente rigoroso em todos os aspectos, tudo tinha que estar sempre impecável.
O mordomo tirou o relógio do bolso e conferiu a hora. As luxuosas carruagens chegariam a qualquer momento entrando pelos portões da casa ancestral do Duque em Londres.
Sob o pórtico da entrada a fila de criados — organizada de forma minuciosa— aguardava a chegada dos seus senhores.
~* ~
Um pouco mais a diante da Casa York, mas ainda no mesmo bairro luxuoso havia uma mansão bastante chamativa. A mão grande e enluvada ainda segurava a aldrava de bronze quando a porta foi aberta antes mesmo do anúncio ser dado.
A figura impassível do senhor já de idade foi quem surgiu para recepcionar o recém-chegado. O mordomo tinha avistado a majestosa carruagem ducal percorrer o caminho florido que dava acesso à entrada principal da mansão e depois deixar o nobre com o seu criado pessoal no pátio.
— Milorde, não aguardávamos por seu retorno. — o homem pegou o chapéu e a casaca que o patrão entregava. — Não recebemos nenhuma missiva avisando sobre o vosso regresso. Peço perdão por não ter uma recepção mais apropriada para vossa chegada. — justificou com pesar o mordomo. Ele era tradicionalista e formal com todos os protocolos sociais.
— Não há necessidade de tamanha formalidade, James. — replicou o marquês. — Meu regresso não foi realmente planejado. Só necessito de um bom banho e um desjejum satisfatório. — mencionou para o senhor enquanto caminhava pelo vestíbulo. — Avise ao Preston que estou subindo e o aguardo em meus aposentos. Acredito que ele já tenha entrado na casa. — Embry referiu-se ao próprio valete que havia chegado de viagem com ele e descarregava seu baú pela entrada dos fundos destinado aos criados. — Claro, milorde. Como Vossa Graça desejar. — disse solene o senhor.
Embry e seguiu em direção à escadaria que dava acesso ao segundo patamar de sua mansão, porém antes mesmo de colocar o primeiro pé no degrau foi interceptado. A figura feminina parou bem no meio da escadaria, impedindo assim que ele começasse a subir os degraus.
— Veja só quem está de volta ao lar! — a voz fria e desdenhosa chegou aos ouvidos do marquês como pontadas dolorosas. Embry inspirou profundamente o ar na intenção de se acalmar e então ergueu os olhos cansados devido à viagem em direção à dona da voz estridente. — O meu caríssimo esposo. Como é bom revê-lo. — Caroline mantinha um sorriso forçado, que em nada se assemelhava a uma recepção amistosa.
— Olá, Caroline. — Embry fez um gesto contido de cabeça para cumprimentar a esposa que o encarava altiva. — Como está Bernard? — ignorou a provocação da mulher ao perguntar diretamente pelo filho. O marquês amava muito o filho apesar do menininho já ter a personalidade bem semelhante à mãe.
— Ele está muito bem. Ainda dorme no quarto, aos cuidados de sua ama. — respondeu prontamente. Caroline poderia viver em um péssimo casamento, mas sabia reconhecer que Embry era um ótimo pai. Sempre carinhoso e atencioso com o herdeiro. — Ele sentiu sua falta, Milorde. Todos os dias de sua ausência ele me perguntava quando voltaria. Mas eu não sabia responder, visto que até o motivo de sua viagem era uma segredo para mim que sou a sua esposa. — o sorriso ganhou um ar ressentido. — Você pode imaginar qual foi a minha surpresa quando fui convidada para um chá da tarde com respeitáveis ladies e fui inteirada de que o Duque de York, seu caro amigo, casou-se e eu não sabia de absolutamente nada? Pode ter certeza que não foi nada agradável receber a notícia através da Sua alteza, a princesa. — a ironia dominava a voz da loira ao falar sobre a monarca com quem não simpatiza, mas que era obrigada a aceitar.
— Com certeza a minha cara esposa não ficou nada satisfeita. — Embry devolveu a provocação com o mesmo tom de sarcasmo. — Sei que sente um prazer mordaz em ser uma das primeiras ladies a ter acesso as grandes fofocas do círculo social que pertencemos. Imagino ter sido quase humilhante em sua visão limitada.
— Sem dúvidas. — concordou sustentando um sorriu falso nos finos lábios rosados. — Porém todo esse segredo me fez questionar por que existe tanto mistério sobre esse casamento? Um duque não deveria manter essa informação sobre sigilo. Tal fato me levou a refletir sobre o que exatamente o duque e meu caro marido escondem? Pois ao que parece, lorde Black precisou de sua ajuda para algo. Não foi por isso que justificou a sua viagem? — olhou de forma inquisidora para Embry.
— A minha viagem se deu ao fato de que o duque solicitou o meu auxílio para umas questões sobre as suas terras. — o loiro se empertigou. — Infelizmente para a sua decepção, Lady Call, nem todos são hipócritas ou dissimulados como milady. Lorde Black não tem motivos para ocultar absolutamente nada. Veja a posição em que ele ocupa na sociedade. O que ele faz ou fala é visto como sagrado e incontestável. — Embry mantinha um sorriso enviesado ao observar a fisionomia da esposa mudar para algo bem menos prepotente. Ela sabia que Jacob era o nobre mais influente em todo o Reino Unido. — O motivo da omissão dele sobre a informação do recente casamento chama-se respeito aos nossos soberanos. O casório de lorde Black ocorreu um dia antes de o príncipe falecer. Aprenda com o belo exemplo de compostura e respeito, quem sabe assim você passe a ser uma pessoa mais agradável de conviver. Talvez os convites que chegue para os eventos sociais passem a ser por prazer de sua companhia e não pela posição que você ocupa como a minha Marquesa. — dizia seguramente o marquês, deixando as ultimas palavras saírem de forma pausada.
Caroline ameaçou dizer algo, mas fechou a boca sem saber o que replicar. As palavras do marido desarmaram qualquer tentativa dela sair por cima naquela discussão. Ela sabia que era tolerada no círculo social em que vivia somente por ser casada com Embry e não porque era uma figura bem querida.
— E pare de tentar querer controlar os meus passos. —Embry continuou — As suas obrigações como esposa são bem limitadas, uma vez que não exijo os meus direitos de marido no leito. Já tivemos um herdeiro, não precisamos nos infligir tamanha tortura.
— Isso é o que me conforta. — Caroline ditou com sarcasmo, dando a última palavra na discussão.
Por mais que estivesse sem palavras para tudo o que teve que ouvir, não iria dar o braço a torcer e sair por baixo. Embry tinha que ser afetado de alguma forma, nada melhor que em seu ego masculino. O marquês havia sido um amante habilidoso nos primeiros meses de casados, mas o coração de Caroline sempre esteve fechado para sentimentos. Para ela as únicas coisas que importavam eram a posição social, as joias e todo o luxo em que vivia.
A loira deu um passo para o lado dando passagem para o esposo. O Marquês sem dizer mais uma única palavra começou a subir os degraus. Embry sentia-se afetado, por mais que não amasse a esposa. Era a sua masculinidade que era ferida. Aquela não era a vida que um dia desejara. Naquele momento ele sentiu uma enorme saudade de sua doce Olivia, sempre apaixonada e carinhosa.
~*~
Renesmee contemplava tudo com o deslumbre exposto no olhar. Ela fitava a bela e florida Londres através da janela da carruagem luxuosa que levava a ela e a seu atencioso marido.
A carruagem circulava a St James Park. Jacob havia pedido por uma rota mais longa e vagarosa, pois sabia que sua esposa adoraria ter uma bela vista durante a viagem. E ele estava certo. A ruiva deixava alguns cachos desprendidos do chapéu dançarem no vento enquanto ela sentia o fraco sol da manhã Londrina que acalentava os nobres que passeavam admirando a vista do parque.
Renesmee havia congelado um sorriso na face desde quando chegaram a Westminster, onde ela foi atraída pela grandiosa torre e uma ponte que estava sobre o Rio Tâmisa. Então logo contemplou um belo palácio extenso o qual Jacob lhe informou ser a Casa do Parlamento, sua arquitetura era arrebatadora, luxuosa e imponente. Agora a Duquesa se maravilhava com o lago St. James. Era maravilhoso ver aquelas belas árvores com as folhagens volumosas, dispostas de forma arredondada, decoradas com suas flores de diversas cores, cercando as águas calmas do parque e como se não fosse suficiente essa vista inusitada para a nova Duquesa de York, ela podia ver os dois belos palácios reais. Ela embeveceu-se! Nunca esteve tão deslumbrada com algo em sua vida.
Jacob observava a mesma cidade, pela mesma janela, mas não se sentia nem um pouco atraído, fazia tempo que a grande cidade havia deixado de ser um êxtase para os seus olhos. Já a mulher ao seu lado ele não cansava de contemplar a cada minuto, ou de acariciar suas mãos enluvadas ou sorver o aroma de seus cabelos. Aos seus olhos Renesmee ficava ainda mais linda quando expressava sua felicidade.
— Está gostando do que vê, poupée? — ele indagou.
Renesmee sem virar-se para ele respondeu:
— Sim, é lindo! Vamos a todos esses lugares depois? — inquiriu ansiosa.
— Claro que sim, amor. Olhe! A princesa Rachel mora ali. —informou atencioso apontando-lhe o lindo e extenso palácio ao norte que limitava o tão apaixonante parque.
— Eu não vejo a hora de podermos visitá-la! — a ruiva falou empolgada, finalmente olhando o seu marido que não perdeu a oportunidade de lhe roubar um beijo.
— Não se preocupe poupée, veremos Rachel em breve. — Jacob a assegurou.
Renesmee voltou a admirar a cidade através da janela, contudo na curva seguinte aconchegou-se nos braços do marido sentindo as pálpebras pesarem. Eles já estavam há algumas horas em um ritmo calmo da viagem.
— Falta muito para chegarmos? — a voz da ruiva soou baixo.
— Não, minha querida. Só mais alguns minutos.
Tão cedo, a carruagem parou e Renesmee sentiu um solavanco no peito, finalmente conheceria a Casa York e por fim exerceria — oficialmente — suas obrigações de Duquesa. Extremamente grande e suntuosa era a mansão que chama bastante atenção naquela rua, tendo em vista que somente os mais ricos residiam na Grosvenor Square. Os olhos da duquesa se abriram mais um pouco pelo ligeiro nervosismo, era algo bobo, mas a ruiva ouvira ao longo dos anos tantas coisas sobre Londres, sobre a sociedade..., lá no fundo ela ainda tinha medo de decepcionar a Jacob, muitas emoções a tomaram, sobretudo por conta da gravidez. No entanto Jacob lhe deu um sorriso encorajador.
— Chegamos, poupée. Não tema, querida! Não se preocupe com nada. — Jacob disse carinhoso antes de dar lhe um beijo casto nos lábios.
Em frente à casa todos os olhares se mantinham curiosos quando as majestosas carruagens pararam, mas eles ocultaram com um olhar indiferente ao que realmente acontecia.
Os primeiros a desembarcar foram os ocupantes da carruagem menor, que estava logo atrás. Primeiro desceu o já conhecido valete do duque e depois uma senhora um pouco rechonchuda, que os empregados deduziram ser a aia da nova duquesa.
Após um sutil gesto de mão feito através da janela, um lacaio desceu a escadinha do veículo maior e abriu a porta, posicionando a mão estendida para ajudar quem fosse descer.
A primeira contemplação que os empregados tiveram foi a do próprio duque descendo todo imponente, dispensando a ajuda oferecida pelo lacaio.
Ignorando totalmente o protocolo, Jacob ofereceu a própria mão para ajudar a esposa a descer. Esse simples gesto já chamou atenção de praticamente todos os criados. Ele nunca tinha feito tal gesto com a falecida duquesa.
Quando uma pequena mão enluvada ficou exposta a vista de todos, nenhum criado mais conseguia disfarçar o interesse em conhecer a duquesa.
Renesmee prontamente aceitou a mão grande que o marido ofereceu e desceu com cuidado da carruagem. A estrada que os levavam até Londres estava um pouco esburacada devido às recentes chuvas, e o sacolejar do veículo causou-lhe um terrível enjoo.
— Sente-se melhor, ma poupée? — Jacob perguntou no ouvido dela.
— Um pouco. — Renesmee sorriu graciosamente na tentativa de tranquiliza-lo.
Jacob a encarou nos olhos por alguns segundos, mas não disse mais nada. Sabia que todos os olhares dos criados estavam caídos sobre eles.
— Tudo bem. Depois conversamos. — o nobre falou rapidamente e beijou demoradamente a pequena mão enluvada. — Agora vamos que os criados estão esperando.
Renesmee estava perfeita em um lindo vestido de viagem na cor rosa glacê. Sobre a cabeça um charmoso chapéu mediano que protegia o rosto de porcelana da exposição ao sol, os cabelos cor de fogo estavam presos em um elaborado coque.
O fato que ocorreu de imediato era inevitável. A maioria dos criados logo comparou a nova duquesa com a falecida. A diferença era gritante em absolutamente tudo, a começar pela beleza inebriante da atual. Talvez o tipo físico pequeno e delicado fosse o que mais se assemelhasse, mas ainda assim era diferente.
A aparência de muito jovem também não passou despercebido na rápida análise dos serviçais.
Jacob, de forma grandiosa, primeiro apresentou a sua nova duquesa ao mordomo e a governanta, depois cada criado da fila.
Renesmee manteve a mesma preocupação de antes, de memorizar o máximo de rostos e nomes possíveis. Ela sempre sorria e fazia alguma observação gentil à cada criado apresentado a ela.
Foi quase unânime a satisfação dos empregados com a nova duquesa. Ela tinha o poder de encantar a todos somente com sua presença e sorriso. A classe mais deslumbrada com a nova duquesa era a dos lacaios —obviamente —, todos os homens eram jovens. Senhor Smith e Senhora Gandy também aprovaram a escolha da nova duquesa.
— Seja bem vindo, Vossa Graça. Milady. — saudou solene Smith, o mordomo. — Espero que tenha feito uma excelente viagem. As suas correspondências estão em seu gabinete, milorde. Alguns convites também chegaram essa semana. Acredito que vosso retorno já fosse do conhecimento da sociedade.
— Foi graças à princesa. — justificou Jacob. Ele sorriu ao pensar em com a velocidade das informações da irmã se espalhavam tão rápido. — Mande servir o desjejum. Subirei agora com a duquesa. Eu mesmo vou mostrá-la os seus aposentos e nos assearmos para a refeição. Descemos em meia hora. — ordenou formalmente e muito sério, logo se virou para a esposa que estava com o braço entrelaçado ao seu. — Tudo bem assim, meu amor?
— Sim, milorde. — Renesmee manteve o decoro perante os criados.
Rapidamente a fila se dispersou e todos seguiram para o inteiro da bela mansão. Cada um tinha um importante papel a desempenhar, a harmonia do funcionamento da casa dependia da execução impecável de cada um.
Renesmee ficou deslumbrada desde o primeiro momento. O salão principal era grandioso, adornado em dourado e damasco. A ruiva sorriu sentindo-se totalmente satisfeita com a visão de sua nova residência. Móveis e tapeçaria eram de primeira qualidade, os castiçais de ouro brilhavam, toda a casa tinha um suave e agradável cheiro de lavanda. Por fim a jovem duquesa notou uma enorme pintura se via sobre a lareira.
— Foi presente do Duque de Hastings, ele era muito amigo do meu pai. — Jacob explicou sorrindo. — Meu pai não quis tirar depois da morte dela e eu não vejo razão para fazê-lo. — completou.
Na foto estava toda a família: A falecida lady Black, o pai de Jacob e por fim ele e sua irmã na idade dos quatro anos.
— É uma linda pintura, perfeita. Posso ver a emoção os olhos de cada um. — Renesmee comentou com o marido.
Jacob também admirou o quadro por uns segundos e depois a conduziu para o segundo patamar rapidamente. Foram para a ala da Duquesa.
Renesmee mostrou-se embevecida pela beleza de seu aposento. Enorme, extremante luxuoso e elegante. A mobília era toda francesa no modelo do século XVII. A cama era a maior que ela já tinha visto, devia de ter uns três metros. Toda a decoração e papel de parede eram de um delicado floral e na cor favorita da mãe de Jacob; lavanda. Tudo era muito suave e feminino. Segundo seu marido, ela seria a segunda duquesa de York a usá-lo após a reforma.
William tinha mandado reformá-lo especialmente para Sarah. Porém Jacob também se antecipou em dizer que ela poderia mudar ou até mesmo reformar o que fosse de seu gosto. Agora aquela casa era dela e estava tudo sobre o seu comando.
Renesmee garantiu que estava muito satisfeita com tudo e que não queria mudar absolutamente nada.
Jacob também mostrou o enorme quarto de vestir e a salão de
banho privado dela. Os dois cômodos eram interligados ao aposento da duquesa.
Ele também mostrou a porta de ligação com os aposentos dele. Tudo era decorado de forma masculina e elegante com as cores do brasão de York (azul royal, branco e dourado).
Por mais que o quarto do duque fosse ainda mais esplêndido que o a duquesa— predominava muito mais o dourado —, Jacob informou que eles dormiriam juntos na cama dela todas as noites e que a porta de ligação jamais seria fechada.
— Poupée, vá se trocar para descermos para o desjejum. Depois lhe apresento toda a casa. — Jacob disse após trocar um beijo apaixonado com ela.
— Claro. — concordou. — A Lizzy já está me esperando em meu quarto de vestir. Ela informou que meus baús já chegaram de Kent.
— Rachel também mandou providenciar um novo enxoval completo. Ela achou que seria necessário, visto que agora terá que se vestir de acordo com o seu título. — ditou com cautela. — Depois ela irá lhe levar a modista dela para mandar fazer mais alguns novos vestidos, logo irá precisar. — Jacob tocou delicadamente o abdômen da esposa. Ela sorriu.
Durante o desjejum Jacob observou, preocupado, a esposa comer quase nada do enorme banquete preparado. Ele sabia que ela ainda estava enjoada pela viagem. Apesar de o fato preocupá-lo em demasia, também viria a convir. Eles tinham que dá continuidade à segunda parte do plano ardiloso de Rachel.
— Smith. — o duque chamou pelo mordomo que estava parado em uma postura impecável. — Preciso que envie essas missivas para as residências de Lorde Ateara e Call. — Jacob tirou do bolso da casaca os dois envelopes lacrados com a cera azul e seu brasão.
— Sim, Vossa Graça. — o senhor alto pegou a correspondência das mãos do patrão. — Algo mais, milorde?
— Sim! — o duque olhou brevemente para a esposa. Ela bebericava uma xícara de chá com leite. — Mande chamar o médico da família. Quero que examine a duquesa. — antecipou-se em dizer ao vê o semblante sempre impassível do mordomo se alterar para nítida preocupação.
— Jacob! — Renesmee intercedeu em tom brando. — Não há necessidade, milorde.
— Algo em que posso ajudar, meu senhor? — Smith prontamente indagou.
O mordomo fitou por um breve momento a duquesa com preocupação. Ele e os dois lacaios que serviam o desjejum notaram a nítida falta de apetite da Lady. Ela não tinha comido absolutamente nada.
— A princípio não. Mas saberemos melhor depois que o Dr. Carlson a examiná-la.
— Sim, milorde. — Smith fez uma reverência impecável e deixou a passos elegantes a sala informal de refeições.
Em menos de duas horas o renomado médico das famílias aristocratas mais influentes de Londres tinha chegado a casa York. Ele estava trancado nos aposentos da jovem duquesa examinando-a na presença da aia da lady.
Jacob bebia um brandy enquanto lia algumas de suas correspondências. Ele estava em seu gabinete e tinha deixado ordem expressa para o médico ser conduzido até ele assim que terminasse de consultar a esposa.
— Entre. — respondeu a quem batia à porta.
— Vossa graça. — Smith entrou no gabinete. — O doutro Carlson já terminou de consultar a duquesa. Posso mandá-lo entrar?
— Claro! — Jacob se empertigou na cadeira. Ele estava ansioso.
O mordomo fez apenas um aceno de cabeça e deixou o escritório.
— Bom dia, Vossa Graça. — saudou o conhecido médico de olhar sábio e tranquilo. — Fico feliz com o seu retorno à Londres. Infelizmente o nosso último encontro se deu em circunstâncias trágicas. Mas muito me agrada vê que milorde já se refez da perda e que até mesmo já possui uma linda e jovem esposa. A propósito, parabéns pelo casório. Os meus mais sinceros votos de felicidade. — o senhor branco, de olhos claros e cabelos grisalhos se acomodou na cadeira que o duque indicava com a mão.
Doutor Carlson era o médico da família Black em Londres desde que Jacob era apenas um molecote de calças curtas. Ele sempre cuidou de todos da família. Foi ele quem estava presente no fatídico parto de Leah.
— Obrigado. — agradeceu aos votos claramente sinceros do médico. — Bebe algo? Um licor, eu sugiro. — ofereceu o duque após um breve momento de reflexão.
Jacob esperou o mordomo servir o licor e o dispensou em seguida. Ele e o médico conversaram sobre algumas banalidades. O duque também questionou sobre como andava a família do médico.
— A minha caçula irá ter sua primeira temporada esse ano. Ela já está com dezessete e está ansiosa para frequentar os bailes. —confidenciou orgulhoso sobre a filha mais nova. Era a única mulher depois de três filhos homens.
— Provavelmente darei um grande baile nessa temporada. O doutor e a família já estão convidados. Quando acertar a data, eu enviarei lhe o convite formal.
— Obrigada, milorde.
— Mas agora confesso que estou um pouco preocupado em saber o que a minha adorada esposa tem. — confidenciou um pouco ansioso o nobre. — Estávamos viajando em lua de mel, mas optei em adiantar meu retorno em duas semanas ao constatar que algo não andava bem com ela. Porém a minha doce Renesmee sempre tenta amenizar o que realmente sente para não me preocupar.
— Entendo. — o médico consertou a postura, adotando uma posição completamente ereta. — Posso lhe garantir que a sua duquesa está bem. — Carlson escolhia as melhores palavras para da o diagnóstico. — Após conversar com Lady Black e a sua aia, fiz um exame físico para confirmar as minhas suspeitas.
— E o que a minha esposa tem? — perguntou o nobre preocupado. Em partes, tudo fazia parte da encenação.
— A duquesa é extremamente jovem, porém saudável. E mesmo com o relato da aia sobre as regras sempre inconstantes da duquesa, não me resta dúvidas após exame físico em afirmar que um herdeiro está a caminho.
— Como? — Jacob piscou aturdido.
Mesmo ele tendo total conhecimento sobre o fato, ouvir do médico a confirmação fez as coisas ganharem aspecto bem mais realista.
— Sua esposa está grávida. — foi mais objetivo ao falar. — Mas ela é bastante saudável. Em seu relato informou que não sente nenhum desconforto ou mal estar, nada de sangramentos. — adiantou em tranquilizar o duque. Era nítido o seu desespero.
— Tão rápido? Só temos um pouco mais de três meses de casados. Eu estava me certificando em ser cuidadoso para não engravidá-la. Gostaria de esperá-la amadurecer mais.
— Lorde Black, nenhuma gravidez é igual à outra. A sua esposa é saudável, e mesmo tão jovem não apresenta problemas, a princípio.
— Ela já sabe? Você contou? Como ela reagiu? — Jacob disparou em perguntar.
— Ela de inicio me pareceu muito surpresa, digo que até um pouco temerosa, mas logo depois sua alegria transparecia no olhar. — comentou o médico.
— Preciso conversar com ela. — Jacob se ergueu da cadeira, mas logo retornou a sentar. — Mas tenho algumas perguntas a fazer. — ele ficou sério novamente. Agora viria realmente a parte em que ele não encenaria.
— Existe algum cuidado específico ou restrição? Digo, como relação à intimidade também.
O senhor de cabelos grisalhos sorriu. Ele sabia bem demais como era o duque que conhecia desde que era um menino. Com uma esposa incrivelmente linda e jovem, ele estranharia se o nobre não fizesse aquela pergunta.
— Tudo perfeitamente normal, porém nada de excessos. Isso em todos os aspectos. Compreendeu-me? — questionou após a resposta evasiva.
— Perfeitamente. — anuiu o nobre. — Nada de excesso de nenhuma natureza.
— Exatamente. — sorriu ao concordar. — Mande me chamar, não importa a hora ou o dia, caso algo de diferente aconteça ou até um mínimo sangramento. Fique tranquilo, Milorde, sua atual duquesa não é e nem será como a falecida. — o médico disse por fim.
Jacob acertou os honorários com o médico e o dispensou. Agora seria uma questão de dias para toda Londres saber que um herdeiro da família já estava a caminho.
O duque prontamente subiu apressado para o quarto da esposa assim que se viu só no escritório.
— Poupée! — chamou empolgado quando entrou no aposento da duquesa.
— Aqui. — ela acenou da cama. Estava deitada desde a hora que o médico foi examiná-la.
— Você foi brilhante. — o homem selou entusiasmado os seus lábios com os rosados da esposa. — Dr. Carlson realmente acreditou na sua aparente surpresa com a gravidez. E o fato de você e Elizabeth relatarem que as suas regras nunca foram regulares, que em muitos meses elas falhavam, o fez concluir pelo exame físico que você está com no máximo dois meses. Acho que ele se surpreenderá quando você entrar em trabalho de parto antes do esperado. — Jacob acariciou a barriga quase imperceptível, mas já bem rígida. — Agora é esperar que você se comporte direitinho, bebê. — depositou um beijo demorado sobre o ventre coberto.
— Você gostaria que fosse o quê? Menina ou menino? — a duquesa perguntou acariciando os cabelos negros que repousavam sobre o seu abdômen. — Eu gostaria de poder lhe dar logo o seu herdeiro varão. Sei que precisa assegurar os títulos da sua família. Mas sabe de uma coisa? Eu quero ter muitos bebês. E que todos sejam iguaizinhos a você. — concluiu sorridente.
— Eu só desejo que nosso filho venha com saúde e que não lhe faça sofrer muito no parto. — Jacob tinha o semblante carregado em uma espécie de dor. — E para a minha sanidade, nada de muitos bebês. Eu não sei quantas gestações e partos eu consigo sobreviver.
— Eu não quero que nosso filho cresça sozinho. — a ruiva declarou firme. — É muito solitário passar a infância sem um irmão. Eu gostaria de ter tido um irmão. Acho que tudo teria sido mais fácil. — segredou ao marido. Renesmee tinha um olhar distante. Ela se lembrava da infância reclusa e solitária.
Jacob ficou em silêncio. Ele imediatamente lembrou-se da tarde em que Katherine se esvaiu em sangue bem diante da sala de refeições em Kent. Foi naquele fatídico dia que ela havia perdido o que seria seu meio irmão. Talvez tudo pudesse ter sido diferente para todos se aquele bebê vingasse. Renesmee não teria sido
sozinha. Será que ela sabia desse fato? Ele pensou. Provavelmente não. Na época ela era apenas uma criança de colo.
A imagem de Renesmee ainda criança invadiu as poucas lembranças que o duque tinha dela. Era a menininha mais linda e encantadora que tinha conhecido.
— Espero que nosso bebê se pareça com você. Pois até hoje não conheci uma criança mais linda que você. — ele sorriu e beijou com ternura os lábios da ruiva que o fitava emocionada.
~*~
Já era meio da tarde quando Jacob terminava de tomar chá com a esposa no salão destinado para uso dela.
Era um belíssimo e amplo salão azul claro com móveis e tapeçaria da moda. Era requintado e confortável. Um belo piano foi colocado a pedido do duque em uma área de destaque. Ali ela poderia receber visitas e oferecer chás.
O casal conversava sobre os convites que havia chegado para bailes, saraus e outros eventos da temporada. Eles discutiam em quais deveriam comparecer e quais recusar.
De repente a batida na porta despertou o casal e eles viram o mordomo entrar apenas um passo da porta.
— Desculpe interrompê-los, mas os lordes Ateara e Call acabaram de chegar. Informaram-me que vossa graça os espera. — justificou Smith o motivo da interrupção.
— Claro. Os conduza para o meu gabinete. Já vou ao encontro deles.
— Como desejar, milorde. — o mordomo fez uma mesura antes de sair.
— Ele é sério! — Renesmee disse sorrindo assim que o mordomo fechou a porta e o marido soltou os seus lábios que tinha capturado.
— Ele é como todos os mordomos. Porém é de confiança e muito fiel. Logo se acostumará com os criados da mansão. — Jacob se pôs de pé e ajeitou a casaca. — Vamos um instante comigo ao meu escritório, quero apresentá-la ao meu outro amigo. Ele é tão de confiança como o Marquês Call. Irá gostar dele.
— Não estou arrumada de forma apropriada. — Renesmee tinha os olhos arregalados.
Ela usava uma simples musselina vespertina marfim com uma fita bordô amarrada logo abaixo dos seios. Os cabelos estavam parcialmente soltos em um penteado jovial.
— Você está linda e perfeita como sempre. — o duque selou de forma breve os lábios ao dela. — Vamos, será rápido. Depois você poderá retornar para tocar um pouco o seu piano como havia planejado.
Não tendo mais como recusar o pedido do esposo Renesmee seguiu de braços dados com ele até o seu gabinete particular.
— Percebo que já estão bem à vontade. — Jacob zombou assim que entrou no escritório e viu Embry servindo-se em sua bandeja de bebidas.
— Não sabia que havia tanta cerimônia entre a gente. — o marquês rebateu igualmente irônico.
Quil tinha um copo de conhaque em mãos, estava sentado de forma descontraída no sofá. Estava pronto para falar besteira quando se atentou que o duque tinha uma linda ruiva agarrada em seus braços. Imediatamente empertigou-se e guardou as palavras de baixo calão que estava prestes a soltar.
— Lady Black! — Embry saudou alegremente ao notar a presença da dama na sala. — Que prazer para os meus olhos poder contemplar a sua beleza inebriante esta tarde. — flertou em tom divertido.
Renesmee sentiu imediatamente as bochechas corarem pelo inesperado elogio explícito.
— Menos, Call! — Jacob falou entre os dentes. O ciúme era instintivo.
— Era disso que eu estava falando. — o marquês disse direcionado para o nobre sentado no sofá. Ele apontava para o casal e sorria enviesado.
Quil e Jacob não precisavam de explicações para entender o
que Embry insinuava. Porém Renesmee sorriu mesmo sem entender a piada.
— Boa tarde, Lorde Call. — a duquesa fez uma elegante reverência para o loiro.
— Gostaria de apresentar a minha esposa ao caro amigo. — Jacob retomou o controle da situação quando viu que tanto Renesmee quanto Quil aguardavam a apresentação formal. — Lady Black, esse é o Lorde Ateara.
— Encantado, milady. — Quil gentilmente segurou a mão enluvada da duquesa e a beijou muito brevemente. — Vejo que os comentários do lorde Call não fizeram jus a sua real beleza. Parabéns, meu caro amigo, pelo casório e pela linda esposa. — estendeu a mão para apertar a do duque.
Renesmee corou mais uma vez pelo elogio de outro homem. Tudo era absolutamente novo para ela, principalmente elogios — mesmo respeitosos. — vindo do sexo masculino.
— Realmente sou um homem de sorte por ter essa bela mulher como minha duquesa. — o duque respondeu orgulhoso o elogiou.
Jacob pegou a mão da esposa e levou aos lábios. Mesmo de luva Renesmee sentiu o calor emanar dos lábios quentes para a sua pele. Jacob tinha um olhar faminto ao encará-la tão profundamente.
Renesmee pressionou os lábios para reprimir o gemido que estava prestes a escapar por sua boca. O centro de suas pernas fisgou de forma aguda. As bochechas novamente estavam vermelhas, mas agora não era somente devido à timidez.
Quil e Embry trocaram olhares significativos ao observar a cena. Era quase palpável a sintonia do casal.
Quando Renesmee se recompôs da investida do marido, ela deixou o gabinete logo em seguia. Sabia que Jacob queria conversar a sós com os amigos. Os três nobres passaram horas conversando. Cada um contado e detalhando as recentes novidades que os cercavam.
Embry confidenciou tudo sobre a sua família bastarda. Quil não ficou tão surpreso quanto Jacob imaginou que ele ficaria. Quil contou sobre as maravilhas de ser pai. Ele ainda irradiava felicidade pelo nascimento do primogênito.
Já Jacob teve que contar toda a história do começo de seu envolvimento com a pupila do pai até o casamento secreto. Quil tinha conhecimento parcial sobre o assunto, o príncipe tinha contado o necessário. Entretanto agora ele ouvia na íntegra o que realmente acontecera.
O futuro conde deu sua palavra, assim como o marquês, que levaria o segredo para o túmulo e que ajudaria em tudo que fosse preciso para tornar a história mais real.
— Então esse não será mais o problema. — Quil interviu. Do bolso ele tirou um elegante envelope e entregou para o duque. — Quando soube que você estava chegando, pedi a Claire para providenciar o seu convite. Em dois dias estarei oferendo um baile em minha residência. Toda a nata da aristocracia está confirmada. É o baile de primavera dos Ateara. Será a oportunidade perfeita para você fazer a primeira aparição com a sua nova duquesa.
— Perfeito! — Embry ditou eufórico. — A bruxa falou hoje cedo comigo sobre o baile. Encheu a minha paciência e só se calou quando permiti que comprasse novos vestidos e desse uma joia nova a ela. Mulher interesseira. — murmurou queixoso.
— Pois pode confirmar com Lady Ateara a minha presença juntamente a duquesa de York. Oficialmente será a nossa primeira aparição na sociedade. Finalmente! — decretou por fim de forma bastante empolgada.
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