Bloom
25 The Duckess
Notas iniciais

As manhãs em Londres eram sempre belas durante a primavera. E a grande maioria da aristocracia inglesa tinha o costume de tomar o desjejum vislumbrando através das grandes vidraças como a estação era favorável para os lindos jardins.
Na casa York não era diferente.
A nova Duquesa York, a jovem Lady Black, desfrutava de uma farta bandeja de café da manhã que seu atencioso esposo havia mandado preparar e levar especialmente para ela. Um único botão de rosa inglesa completava a decoração da suntuosa bandeja de prata. O próprio Duque havia escolhido pessoalmente a flor e mandando o seu jardineiro podar e retirar todos os espinhos para que não ferisse a sua precisa poupée.
Jacob tinha acordado cedo naquela manhã e já havia tomado o seu desjejum habitual. Também tinha lido o jornal informativo e algumas correspondências. A noite na cama de sua Duquesa havia sido intensa, ele queria que a amada esposa pudesse repousar um pouco mais, por isso não a despertou quando acordou cedo naquela manhã.
— Obrigada pela rosa. — a ruiva aspirou o maravilhoso perfume da flor e sorriu encantada com o gesto do marido. — Ela é tão linda e perfumada. Vou pedir a Lizzi para pôr em um vaso e deixar na minha penteadeira.
— Essa rosa não chega à altura da sua beleza e encanto. —Jacob ajoelhou no macio colchão e inclinou-se na direção da esposa para selar os lábios ao dela. — Além de seu perfume ser incomparavelmente melhor.
Renesmee sentiu as bochechas queimarem não só pelo elogio, mas também pelo olhar faminto que o marido lhe lançava. Ela sentia-se despida só com o olhar quente e desejoso do Duque.
—Tem certeza que não quer? — Renesmee pegou um garfo e ofereceu carinhosamente um pedaço de queijo ao esposo. Foi à única coisa que conseguiu pensar após o intenso olhar que recebeu.
—Tenho, ma poupée. Eu realmente já comi e estou satisfeito. — respondeu o homem que voltara a acomodar suas costas nos travesseiros da cama da ruiva.
— O que faremos hoje, Jacob? — Renesmee não desviou atenção de sua bandeja enquanto sondava o nobre.
— Preciso reapresentar-me hoje no parlamento, a minha licença já expirou. Talvez não haja tempo para que consiga retornar para o almoço na mansão, sem dúvidas que tenho muitos assuntos pendentes. Mas Rachel me enviou uma missiva essa manhã, ela deseja que minha caríssima esposa almoce com ela em sua residência. — o Duque informou.
A jovem que levava um pãozinho à boca o parou no meio do caminho e seus olhos duplicaram de tamanho, tornando-se duas enormes esferas azuis celestes. Aquilo era como o céu particular para o Duque.
—A residência da Rachel? Você está referindo-se ao palácio em que a Princesa Rachel vive? — ela titubeou um pouco ao perguntar. O Duque se ajeitou na cama macia e apenas aquiesceu sorrindo. — Mas ela mora no palácio real! — a ruiva comentou sorrindo admirada.
— Está pronta para conhecer o belo parque real? Incontestavelmente é o mais belo de todo Reino Unido. Arrisco em dizer que é o mais bonito de toda Europa. — o Duque sorriu para a esposa mostrando a ela todos os dentes perfeitos e claríssimos.
— Acredito que vou adorar! — ela respondeu já empolgada com a novidade.
— Eu sei que sim, poupée. — sorriu em concordância. — É provável que a Rachel passe à tarde com você, minha querida. Ela mencionou algo sobre a necessidade de algumas compras na missiva. — o nobre avisou, não mais sorrindo. — Pode gastar sem restrições o quanto desejar, mas não preciso ressaltar que não deve se cansar em demasia, certo? Sabes que estas em estado interessante. — levou a grande mão espalmada na discreta protuberância no ventre da esposa.
— Claro, meu amor! — a ruiva lançou um sorriso tranquilizador e afagou com ternura a face máscula do marido. Imediatamente o nobre relaxou a musculatura contraída. — Sentirei a sua falta.
— Pode ter certeza que eu também sentirei muito a sua. Eu te amo, ma poupée. — Jacob falou afetuoso e logo tomou os lábios da jovem Duquesa, beijando-os delicadamente.
O beijo demorou. Foi dado lentamente. Talvez fosse para suprir as longas horas de ausência um do outro.
A jovem Duquesa estava impecavelmente bem vestida quando entrou na carruagem particular que agora o seu esposo designou somente para atendê-la em suas necessidades. O veículo era o mais novo, luxuoso e confortável da frota que pertencia ao Duque.
Embora o caminho percorrido fosse o mesmo do dia anterior, Renesmee não deixou de se encantar com absolutamente nenhum dos detalhes avistados.
Havia crianças correndo uma trás das outras pelas calcadas. Uma disputa amigável de esgrima mais à frente. Renesmee ficou curiosa para saber mais sobre o esporte. Uma dúvida pairava a sua cabeça. Será que o seu esposo também praticava aquele esporte? Ela imaginou que sim. Combinava com a grandiosa e imponente imagem do Duque.
No parque St. James casais muito elegantes passeavam a pé ou em Cabriolé. Elegantes cavaleiros galopavam em seus belíssimos puro sangue. Senhoritas com roupas visivelmente muito sofisticadas, mais até que a de algumas que Renesmee havia visto anteriormente, caminhavam tranquilamente com as suas sombrinhas. Tudo era lindo de se contemplar.
Quando o suntuoso veículo passou pelo corredor de árvores baixas, um enorme portão de grades pretas com o símbolo da realeza inglesa em dourado foi aberto especialmente para a carruagem com o brasão ducal passar.
Havia muitos guardas reais por todas as partes.
De repente um lindíssimo jardim florido, criado melindrosamente para ser admirado, entrou no campo de visão da ruiva. Renesmee ficou tão deslumbrada com tudo que contemplou que não notou que a carruagem enfim havia parado.
— Duquesa de York... Lady Black? — um lacaio real a chamou brandamente, a despertando.
A jovem duquesa quando olhou através da porta aberta, deu um largo sorriso.
Além do imenso palácio levemente avermelhado, havia um pórtico muito admirável. E à sua espera sob ele — quebrando todos os protocolos reais — a sua tão querida cunhada, e agora também amiga.
— Renesmee! — a princesa caminhou majestosamente de encontro a mais nova.
— Alteza! — a duquesa fez uma reverência suave. Mas logo a princesa a induziu a um abraço suave, porém bastante afetuoso.
— Estou tão contente que tenha aceitado o meu convite. Achei que o meu caríssimo irmão não iria permitir. — Rachel lançou um sorriso jocoso.
Renesmee franziu o cenho em confusão. Ela tentava imaginar algum motivo que pudesse levar a uma proibição do marido em relação a aceitação do convite, no entanto logo sorriu ao lembrar-se da gravidez. Jacob estava a cada dia mais super protetor com ela.
Por fim a ruiva apenas sorriu com a conclusão.
— E por favor, me chame apenas de Rachel. — a princesa disse com simpatia. Ela já envolvia os delicados braços da cunhada.
— Mas Alteza, não posso tratá-la de forma tão simplória. Vossa alteza é da monarquia, um dia será a minha... — a ruiva começou-se dizer, apesar de encabulada.
— Sei que temos protocolos a seguir. — Rachel interrompeu a fala da cunhada de forma branda. — E usaremos todos eles perante a sociedade. Mas não precisamos nos tratar com tanta formalidade quando estivermos a sós. — o sorriso que a princesa lançou era reconfortante.
A ruiva apenas anuiu agradecida pelo carinho e consideração.
— Sua casa é realmente linda, Vossa Alteza. Obrigada pelo convite. Sinto-me lisonjeada. — a jovem duquesa comentou após um breve momento de silêncio. Hábitos de anos não eram tão facilmente esquecidos.
— Renesmee, agora você é esposa do meu único irmão, somos da mesma família. Sou gêmea com o Jacob, sou uma Black por nascença. Agora me chame apenas Rachel, por favor. — a princesa a repreendeu suavemente.
Renesmee sentiu as bochechas queimarem, mas o coração estava aquecido de ternura. Era a primeira vez desde a morte da mãe e do antigo Duque que sentia que pertencia a algum lugar novamente. Aquela era a sua família agora!
A ruiva precisou se concentrar muito para não deixar uma lágrima de emoção escorrer pela face. A gravidez a deixava ainda mais sensível.
— Sabe que eu sempre quis que viesse aqui. Essa é somente a ala que me foi destinada desde o meu casamento com o príncipe. É tão grande... Irá adorar. E não precisa de convite, pode vir quando quiser. — Rachel tagarelava enquanto elas caminhavam em direção à entrada que dava acesso ao interior da magnífica construção. — Agora vamos entrando, quero que você conheça toda a minha ala. Quem sabe dê tempo para conhecer todo o palácio. Assim eu já poderei fazer uma apresentação informal da nova Duquesa de York à rainha. — disse Rachel de forma simples. Renesmee arregalou os lindos olhos azuis. — Claro que isso será feito com calma. Mas antes a levarei até as crianças, eles estão loucos querendo lhe ver.
— Também estou com saudades deles. Estão todos bem?
— Melhor é impossível. Eles estão bem arteiros, isso significa saúde em abundância... — Rachel falava sem parar enquanto apresentava para a cunhada toda a ala em que vivia com a família.
Já era de se esperar que a jovem Lady Black se encantasse com cada canto do majestoso palácio. Tudo era luxo e exuberante, não tinha como não se impressionar.
Renesmee pode matar a saudade brincando com cada uma das crianças. Claro que Rachel cuidou para que somente os bebês pequenos fossem ao colo da cunhada. Seu irmão a mataria se algo acontecesse com a ruiva sobre os seus cuidados.
Logo após o almoço, as crianças mais velhas subiram com as suas respectivas amas. Eles teriam algumas lições com os seus tutores e depois recreação na ala infantil do castelo. Já as duas ladies foram passear na companhia de uma ama que empurrava os carrinhos com os gêmeos que se mantinham energicamente acordados.
O Hyde Park era um belo e verdíssimo parque inglês com suntuosas árvores e um grandioso lago. Renesmee pisou encantada naquele lugar ladeada pela princesa. Rachel havia ordenando que a ama dos gêmeos retornasse ao castelo uma vez que os bebês tinham dormindo assim que iniciaram o passeio.
As duas damas conversavam alegremente enquanto passeavam de forma elegante pelo parque. Rachel contava sobre algumas senhoritas e senhoras que encontravam pelo caminho.
Todos que cruzavam com as duas ladies as olhavam admiradas. Era muita sofisticação e elegância.
A princesa estava impecável com um vestido de seda marfim com aplicação de renda francesa branca e chapéu combinando, os cabelos escuros presos em um perfeito e elaborado coque. Já Renesmee usava um belo e delicado vestido vespertino amarelo. Era sofisticado e combinava com o chapéu. Os seus cachos acobreados ao redor do rosto brilhavam com sol e dançavam pela leve brisa morna de primavera.
— Vossa Alteza... Princesa! — uma voz fina, um pouco estridente, surgiu moderadamente próximo as damas.
— Querida, que prazer em vê-la! — Rachel sorrindo virou-se para a dama atrás. Renesmee também virou sorrindo, sendo simpática com a jovem loira. — Achei que ainda estivesse no resguardo, querida.
— De certo modo ainda estou. — Claire Ateara deu um risinho — Lorde Ateara não gosta muito desses meus passeios, mas não aguento mais estar em Londres e não andar pelos jardins, conversar com alguém que não seja da família.
— Deixe-me fazer as devidas apresentações. — Rachel sorriu após constatar que as duas damas aguardavam em silêncio a formal apresentação. — Renesmee, minha querida, essa é Lady Ateara, esposa do lorde Ateara. Creio que já tenha o conhecido, uma vez que ele e meu irmão só se desgrudam em caso estritamente necessário. — a princesa falou com um deboche salpicado em sua voz levando as duas damas a rirem.
— Acredito que seja o mesmo que esteve lá em casa ontem. — a ruiva comentou bastante amistosa.
— Lady Ateara, essa é a Lady Renesmee Black, a nova Duquesa de York.
— Ah sim, já ouvi falar muito a seu respeito! — Claire comentou e logo emendou — Não se preocupe, foram coisas muito positivas e verdadeiras. — a loirinha olhou sorrindo para a princesa ao enfatizar a última palavra. — Quil me explicou alguns fatos sobre o casamento da Duquesa. Podem ter certeza que levarei para o túmulo o que sei. — informou amável.
A verdade era que o futuro Conde havia contado somente o que achou necessário para a esposa saber. Porém a realidade era que Claire pouco sabia das reais circunstâncias que envolvia o secreto casamento da nobre.
— Que bom saber que podemos contar com a sua descrição. — a princesa devolveu igualmente gentil.
Renesmee apenas mantinha-se calada e até um pouco ruborizada com o rumo da conversa.
— Vejam, esse é o nosso tão amado primogênito. — Lady ateara indicou orgulhosa para a Duquesa e a Princesa a ama que se aproximava com o luxuoso carrinho de bebê que carregava seu herdeiro.
— Como é lindo e perfeito. Que bochechinhas gordinhas e rosadas! — Renesmee comentou encantada com o menininho roliço e pequeno, de cabelos negros como os do pai e com os olhos claros como os da mãe.
— Como o seu filho é lindo e saudável. Parabéns, minha querida. — Rachel comentou sorrindo, também encantada com o belo bebezinho.
— Irão ao nosso baile amanhã, certo? — sondou Lady Ateara.
— Claro, querida. — a princesa respondeu segura e sorridente.
— E Lady Black, também comparecerá? — a futura Condessa perguntou a ruiva.
— Sem dúvidas. O meu caro esposo já me confirmou que iremos. — respondeu com seu jeito tímido.
As damas haviam engatado uma conversa animada sobre a temporada londrina quando de repente ouviram passos aproximando-se.
— Vamos ser discretas, Lady Fitzgerald está se aproximando. — Rachel avisou.
Ela referiu-se a uma Marquesa, muito tradicional e bem privilegiada.
— Vossa Alteza! Lady Ateara! -- a Marquesa cumprimentou as Damas que beiravam o lago Serpentine. Ela sorriu para a ruiva mesmo sem conhecê-la, porém mantinha um olhar curioso.
— Deixe-me apresentá-la. — a princesa antecipou-se. — Essa é lady Black, a nova Duquesa de York. — a princesa esclareceu orgulhosa.
Imediatamente a mulher transformou a expressão maravilhada.
— Ouvi dizer que se casaram em sigilo. Foi extrema falta de consideração para com a sociedade. — disse seguramente a mais velha. — Percebo que realmente é tão jovem como comentam por toda Londres. — observou com o olhar analítico a jovem ruiva.
Lady Fitzgerald além de muito tradicional na etiqueta social, também era muito sincera sobre tudo que pensava.
Renesmee a olhou surpresa.
— Foi escolha do casal, uma questão de preservação da imagem de ambos. Além de consideração pela morte do príncipe Henry. — Rachel contornou o breve momento de desconforto sem tocar sobre o fato da pouca idade da esposa do irmão.
— Ah sim, me perdoe. — a Marquesa falou sem ter muita veracidade em suas palavras. — Bem, irão ao recital da condessa de Clyvedon? — a mulher resolveu mudar o assunto.
— Eu não poderei. Haverá um pequeno jantar na casa da minha sogra. — prontamente responde lady Ateara.
— Não poderei comparecer. Tenho um compromisso de âmbito real. — disse altiva a princesa.
— Acredito que também tenha sido convidada, Lady Black. Correto? — a marquesa indagou com um pouco de malícia.
Renesmee com um sorriso congelado não sabia o que responder.
— Com toda certeza. — a princesa tomou a frente da situação. — Mas o Duque provavelmente irá querer descansar, uma vez que chegaram ontem de viagem. Afinal eles precisam se preparar para o grande baile de primavera dos Ateara. — Rachel sorriu para a cunhada e para a futura condessa.
— De fato. — a ruiva concordou com a cunhada. — Mas prometo que falarei com lorde Black. — Renesmee respondeu de forma meiga.
Rachel sabia que a cunhada não teria muita dificuldade em se misturar as grandes damas da sociedade, porém o problema ainda seria a grande inocência da jovem. Renesmee era incapaz de perceber quando se dirigiam a ela com ligeiro deboche ou inveja.
Já a princesa bem mais sagaz e experiente em viver no covil que era a aristocracia londrina percebeu que precisaria moldar a cunhada, lhe dar orientações específicas. Em breve a nova Duquesa saberia exatamente como lidar com as questões da alta sociedade Inglesa.
~*~
A linda tarde de primavera se aproximava do fim. Após voltar de uma agradável tarde de passeio e compras com a cunhada, a bela e jovem Duquesa escolhia um livro para ler na enorme biblioteca de sua luxuosa residência. O cômodo era quase do tamanho de seu quarto. Ela mentalmente comparou e sorriu.
— Sou eu quem estou lhe trazendo tanta felicidade ou posso matar alguém por ousar fazer isso em meu lugar? — a voz máscula e grossa do duque tinha um toque de amor, fazendo a ruiva virar-se ainda mais sorridente.
— Estava pensando em como estou feliz aqui com você. — Jacob a olhou por dois segundos com desconfiança, mas logo abriu o maior sorriso que tinha e enlaçou sua cintura. — Que bom que está feliz, pois essa é minha prioridade de vida. Fazer você a mulher mais feliz e amada do mundo.
— Ah, Jacob! — a ruiva tinha olhos mareados. Jacob afagou a face delicada com ternura e veneração. — Nossa, já ia me esquecendo! Recebemos um convite da Condessa de Clyvedon para um recital hoje à noite em sua prioridade. O que acha, devemos ir?
O Duque fez uma careta, não simpatizava muito com o velho Conde. Além do fato que já conhecia os enfadonhos recitais organizados pela condessa.
— O que está pensando? — a ruiva indagou diante do silêncio do marido.
— Não gostei muito da ideia. Acho que prefiro que o nosso jantar seja servido mais cedo, assim nós poderíamos ir para a cama também mais cedo e então... — o duque não disfarçava a malícia em sua voz. E a Duquesa além da voz podia reconhecer o olhar faminto do marido. — Podemos aproveitar bem melhor à noite em sua cama do que no enfadonho recital do conde Clyvedon. Não concorda, ma poupée?
Jacob quando fez a pergunta já tinha o corpo colado ao de sua amada esposa. Os seus lábios no ouvido dela e as suas mãos acariciando as delicadas costas. A sua voz sedutoramente rouca fez a Duquesa perder totalmente os sentidos antes de perder-se nos beijos do Duque.
Ela apenas teve forças para anuir antes de ser conduzida para o abismo do prazer que era está nos braços do Nobre.
~*~
A lua rechonchuda brilhava de forma rara, majestosa e chamativa. Era de fato uma bela e morna noite de primavera. Os galhos das laranjeiras saiam dos jardins particulares e invadiam as ruas de Mayfair, deixando o bairro ainda mais vistoso e perfumando.
Os ramos das belas árvores formavam bonitas e leves sombras naquela noite. A Duquesa de York permanecia encantada admirando aqueles desenhos sombreados balançando-se como se dançassem um balé da natureza.
Fora o fato do cheiro maravilhosamente agradável estar mais forte devido à temperatura mais elevada. Ele adentrava como um agradável intruso através da janela da carruagem ducal e invadia intensamente as narinas da jovem ruiva. A duquesa inspirou o maravilhoso aroma floral.
No entanto Renesmee, a Duquesa tão encantada com a noite londrina, não demorou muito contemplando a rua lotada de carruagens e cercada por luxuosas mansões. De forma inesperada a mão do Duque adentrou por baixo de seus cachos minuciosamente arrumados na nuca, causando-lhe além da surpresa um convite explícito para um beijo fogoso.
Uma sensação muito conhecida de formigamento e umidade entre as pernas a dominou. Renesmee sentia todo o seu corpo esquentar-se gradativamente.
— Jacob! — murmurou aturdida. — O que é isso, querido? — ela perguntou com a respiração um pouco irregular enquanto o Duque voltava seus cachos para o lugar de forma melindrosa.
— Uma vontade louca de beijar você. — o olhar do duque era quente e faminto. — Eu a deitaria nesse acolchoado e a faria minha de forma lenta caso não estivéssemos a duas carruagens da Casa Ateara. — confessou com voz gutural, puramente luxuriosa.
— Jacob! — ela arfou.
O sorriso que o nobre lhe deu foi dolorosamente sedutor.
— Não pense nisso agora, ma poupée. Em casa eu cumprirei a minha promessa. — foi tudo o que ele disse.
A jovem Duquesa estava atônita, ainda tonta pelas sensações do beijo. Entretanto não demorou muito para a carruagem parar em frente a grande mansão completamente acesa e lindamente ornamentada com bandeiras com a cor e o brasão da família Ateara.
Renesmee desceu impecável da carruagem como uma verdadeira lady que era. Seu sorriso era moderado e gracioso.
Ela estava deslumbrante usando um exuberante vestido de baile todo confeccionado em seda na cor verde esmeralda e graciosos bordados em fios de ouro no decote, mangas e barra. As luvas também em seda natural iam até acima dos cotovelos. O pescoço e orelhas eram adornados com um impressionante conjunto de joias em diamantes e esmeraldas. Na cabeça além do belíssimo penteado com cachos soltos na nuca, uma pequena tiara também em diamantes e esmeraldas enfeitava o topo da cabeça da jovem.
Os lábios carnudos e bem delineados da ruiva estavam levemente vermelhos, não mais pela maquiagem que Elizabeth havia colocado, mas sim pelo beijo quente de seu marido.
—Vamos, ma poupée? — Jacob ofereceu o braço direito a sua amada assim que ela terminou de ajeitar a saia do vestido.
Eles adentraram no salão principal da Casa Ateara de braços entrelaçados.
Tudo era novo para a Duquesa de York, aquele era o seu primeiro grande baile na elegante cidade. Renesmee ainda estava se acostumando com todo o luxo das grades famílias londrinas.
Fascinada ela não pode deixar de admirar a bela mansão e o esmero da decoração.
Cortinas esvoaçantes na cor branca dançavam com a leve brisa morna. Diversos castiçais de prata suportavam velas flamejantes, que iluminavam satisfatoriamente o grandioso salão. Mesas e cadeiras em carvalho foram meticulosamente distribuídas à margem do salão, a maioria já estava sendo ocupada. Ao sul do grandioso salão uma vasta mesa de bebidas foi disposta e ao norte a pequena orquestra que tinha um som muito amplo para seu tamanho. Tudo está belo e impecável.
Assim que Jacob entrou com a sua belíssima Duquesa atada em seu braço direito, olhares vieram aos montes. Todo o salão parava apenas para admira-los e avalia-los. Uns estavam sendo críticos, outros apenas analíticos ou surpresos. Até que finalmente o casal avistou os anfitriões da noite e foram cumprimenta-los.
— Meu caro amigo, Lorde Black! — o tom de Quil nem de longe era formal. Ele inclusive apertou a mão de Jacob, mais forte do que era necessário, apenas para demonstrar a grande satisfação por ter alguém — além de Embry Call — para conversar sobre coisas verdadeiramente interessantes. — Milady! Está ainda mais bela essa noite. — Quil igualmente amistoso fez uma reverência a Duquesa, na qual devolveu com o mesmo gesto.
O tratamento amistoso não foi diferente entre Jacob e Claire.
— Lady Black, querida. — Claire logo lhe deu um breve abraço, mas lembrou-se que estava quebrando uma etiqueta social. — Desculpe, Duquesa. — lady Ateara corrigiu divertidamente.
Apesar de se conhecerem apenas há um dia, entre elas já não havia mais tanta formalidade, a identificação entre ambas foi quase que automática. Porém em público elas deveriam agir de modo formal, conservando a etiqueta social.
Antes da noite do baile houve um encontro informal naquela manhã na casa York. Foi a melhor forma que os lordes acharam para que as suas damas estreitassem amizade, uma vez que eles já eram grandes amigos há anos.
Embora Lorde Call e sua Marquesa também tivessem comparecido a visita informal na casa York, Caroline não deixou de avaliar a pequena mulher de cima a baixo. E mesmo a loira tendo tentado uma aproximação maior, Renesmee sentia a fragilidade do sorriso amigo. Ela havia visto muito daqueles sorrisos durante seu passeio com a princesa e lady Ateara.
Por fim Renesmee começava a distinguir e saber em quem podia confiar. A personalidade reclusa da menina finalmente começava a ajudá-la a se proteger de membros maliciosos daquela sociedade tão luxuriosa e exigente.
Jacob seguiu cumprimentando a todos com total cordialidade e seriedade. Renesmee sempre sorridente e doce o acompanhava de forma impecável.
Muitos membros da aristocracia receberam a nova duquesa incrivelmente bem em seu círculo social, no entanto outros apenas pregaram os olhos na figura bonita e pequena, mas nada disseram. Inveja e cobiça predominava naquele meio ardiloso.
De repente um olhar em especial chamou atenção do imponente Duque. Ali ele tinha total convicção que a sua inocente e doce esposa estaria protegida de toda cobiça e inveja.
— Olhe, poupée, a Rachel já chegou. — Jacob começou conduzir a sua duquesa para mesa em que a irmã encontrava-se sentada.
— Lady Black, que imenso prazer em revê-la. — Rachel cumprimento de modo formal a cunhada.
— O prazer é todo meu, Alteza. — Renesmee inclinou-se em uma delicada e perfeita mesura.
— Deixe-me fazer as honras. — a princesa virou-se para as damas que permaneciam caladas apenas observando. — Essa é a esposa do meu estimado irmão. Lady Renesmee Black, a nova Duquesa de York.
Todas as damas olharam a ruiva com admiração e curiosidade. Muitas puderam constatar a veracidade do boato que percorria toda Londres. O duque de York realmente havia tomando como Duquesa uma dama belíssima e incrivelmente jovem.
Jacob cumprimentou a irmã enquanto Renesmee era apresentada a cada uma das quatro jovens senhoras sentadas à mesa. Todas eram influentes ladies, intimamente relacionadas à corte inglesa. Elas eram esposas dos atuais nobres mais influentes, além de também serem amigas íntimas da princesa.
Rachel agora como futura rainha não comparecia mais a tantos eventos sociais, sua relação agora se limitava apenas a corte. Porém em eventos que tinha grande estima pelos anfitriões ela acabava indo prestigiar com o marido.
— Me deem licença, senhoras. — Jacob fez uma charmosa inclinação de cabeça e tronco para as ladies sentadas à mesa. Renesmee havia se juntado a elas após convite da cunhada. — As deixarei à vontade.
Como a tradição mandava, Jacob deixou a sua senhora junto com outras damas respeitáveis e foi se juntar às rodas exclusivamente masculinas. Lá ele se uniu ao cunhado e alguns amigos próximos. Hora ou outra o Duque observava a mesa em que a esposa permanecia sentada.
— Com licença, preciso iniciar a pista de dança. — Quil disse após observar a hora no relógio de ouro, devolvendo-o ao bolso lateral do traje de gala.
O Baile oficialmente havia começado há mais de uma hora.
Como etiqueta social um casal (marido e mulher) não deveriam dançar juntos, era considerado de mal tom. Porém quando eram os anfitriões tinham a obrigação de dançarem juntos para iniciarem as diversas danças selecionadas para a noite.
Quil foi buscar a sua amada esposa na mesa em que a Princesa permanecia sentada. Claire havia se juntado as importantes ladies.
Uma linda valsa começou a tocar quando os anfitriões chegaram ao centro do salão. De forma encantadora o casal começou a deslizar pela pista ampla.
O duque observou de longe a esposa olhar fascinada para a valsa que dançavam, porém ele lamentou não poder dançar com ela. Com certeza seria um burburinho ainda maior associado ao nome deles caso ele resolvesse por fazer.
Jacob lançou um último olhar de admiração para esposa antes de se afastar para buscar uma bebida. A sua garganta estava seca devido à noite quente que fazia.
— Que prazer em reencontrá-lo, milorde. — uma voz provocante chegou de forma sussurrada ao ouvido do Duque.
Jacob não precisou olhar para trás para saber de quem se tratava. Ele soltou um suspiro pesado.
— Boa noite, lady Gibson. — o nobre cumprimentou de modo formal, afastando-se da dama que insistia em debruçar-se sobre ele.
— Não precisa fugir de mim, Mon amour. — a morena de ardilosos olhos verdes sorriu de forma maliciosa. — Já estivemos muito mais próximos do que isso antes. — tocou discretamente o braço do Duque.
Jacob imediatamente puxou o braço e fitou a mulher de forma severa.
Daphne era jovem e bela quando se tornou viúva. Ela mal havia deixado o corpo do marido esfriar para deitar-se com metade dos cavaleiros de Londres.
— Como milady bem disse, Antes. Não é o caso de Agora. — cortou ríspido, enfatizando as palavras chaves.
Eles permaneciam conversando discretamente em um ponto mais precariamente iluminado do salão.
— Não precisa se fazer de rogado, Jacob. — a dama fechou o leque que tinha em mãos e o colocou no profundo decote do vestido vinho que usava. Jacob olhou o gesto provocativo, mas desviou rapidamente o olhar. Em outros tempos estaria arrastando a bela dama para o escuro jardim. —Sei exatamente do que gosta, Milorde. Passe lá em casa esta noite para relembramos nossas gloriosas noites de luxuria. Já estou com saudades.
— Acredito que já seja do seu conhecimento, uma vez que toda Londres já comenta sobre. — Jacob ignorou os provocantes gestos da mulher a sua frente. Ele somente olhava fixamente para os olhos com folha. — Eu estou recém-casado.
— Isso nunca foi um problema antes. -- sorriso da mulher era perigosamente provocativo, porém mais nada afetava o Duque.
— Acredito, lady Gibson, que tenha um incrível problemas em viver presa no passado. — Jacob desdenhou. — O Antes, é um tempo que ficou no passado. O Agora não inclui nada em que possamos estar juntos.
— Está me dispensando, Jacob? — o sorrio malicioso foi imediatamente substituído por uma expressão raivosa.
—Tenho certeza que já a dispensei muito antes de parti a primeira vez de Londres. — Jacob disse sério. Ele não queria ser interpretado de forma dúbia. — Estou muito bem casado e feliz com a minha esposa. Não quero cometer os mesmos erros do passado, sendo infiel em meu casamento.
— Faça-me rir. — a mulher soltou uma risada de escárnio. — Vai querer me convencer que aquela menininha, que mais parece uma boneca de porcelana, satisfaz seu apetite exigente? Ela com certeza é jovem o suficiente para lhe dar uma longa linhagem de herdeiros, sabemos que precisa manter o título, mas ela não é digna das suas perversões na cama. — Daphne passou a língua pelos lábios. Estava excitada só de lembrar-se dos momentos lascivos que viveu na cama com o duque. — Sabe que podemos retornar o nosso caso. Seremos como sempre discretos e sem exclusividades, será ótimo para nós dois. Sempre foi!
— Não abra a sua boca imunda e leviana para sequer mencionar o nome da minha esposa. — Jacob segurou com força a mão da mulher. Ela havia ousado toca-lo no peitoral. — As minhas expectativas diz respeito somente a mim. Minha esposa está à altura de todas elas, mas mesmo que não estivesse eu não voltaria para os seus lençóis. Passar bem! — o duque deu as costas para a mulher raivosa e a deixou resmungando sozinha.
— Irá se arrepender por isso, Jacob! — Daphne proferiu indignada.
De repente uma ideia perversa lhe veio à mente. A Baronesa sorriu de forma quase que cruel.
~*~
O duque estava irado quando voltou para área melhor iluminada do salão. Ele bufava de raiva. Daphne teve a ousadia de tentar insultar a sua preciosa poupée.
Jacob sabia que não podia ir até a sua Duquesa daquela forma. Renesmee perceberia a alteração e ficaria preocupada.
Ela sabia de alguns dos seus erros do passado. Em uma conversa franca que tiveram logo após o casamento, ele mesmo havia contado e jurado que jamais seria infiel a ela.
A ruiva supria todas as suas necessidade e fantasias, além do fato dele amá-la acima de tudo.
Jacob foi até o terraço e tomou o pouco de ar fresco. Precisava se acalmar para voltar para próximo da esposa.
Quando Jacob voltou para o salão do baile levava consigo um copo de limonada que entregaria à amada. Provavelmente ela estaria com cede. Pensou zeloso.
Porém para a surpresa do Duque, Renesmee não estava mais sentada com Rachel. Ela sorria ao bailar pelo salão sendo conduzida pelo príncipe.
Paul dançava um minueto com a ruiva a pedidos da esposa. Rachel queria que a cunhada mostrasse toda a desenvoltura e graciosidade para os presentes naquele baile.
— Demorou. — Rachel falou assim que o irmão se aproximou. Ela permanecia em pé, à margem da pista de dança.
— Precisei tomar um pouco de ar. — disse sem olhar a gêmea. Ele observava encantado, a esposa dançar graciosa pelo salão. — A noite está muito quente. Sabe que todo esse calor me incomoda. — a voz ainda alterada não passou despercebida pela princesa.
— Esta tudo bem? — Rachel tocou o braço do irmão gêmeo e o fitou fixamente nos olhos.
— Perfeitamente, agora. — Jacob desviou o olhar e depositou o copo de limonada sobre a mesa.
Rachel não iria insistir, depois conversaria melhor com ele.
Por uma fração de segundos, Jacob e Rachel tiveram as suas atenções desviadas por alguns nobres amigos que os envolverem em uma conversa empolgante.
Quando Jacob voltou a olhar para o salão, Renesmee não estava mais nos braços do príncipe. Paul estava próximo à mesa de bebidas conversado com um outro Duque. Eles pareciam concertados no assunto.
O Duque com o olhar buscou rapidamente por todo salão a amada. E quando a encontrou não gostou do que viu.
Renesmee dançava uma valsa com um velho conhecido dele..
Sean era tão ou mais libertino que Jacob. Sua fama não era das melhores, mas todos relevavam sua má reputação devido à família influente a que pertence. Ele era herdeiro de um viscondado muito próspero.
Mesmo incomodado Jacob resistiu à vontade de tirar a sua poupée dos braços daquele que ele julgava um lobo em pele de cordeiro. Seria um escândalo. Era fácil para alguém como o duque identificar um homem semelhante ao que ele um dia foi.
De longe a bela mulher sorria perversamente com a cena que observava. Seu plano estava dando certo.
Daphne era prima distante de Sean. Eles até já haviam ido para cama algumas vezes. Ela sabia que o primo não teria escrúpulos em aceitar arruinar a reputação de uma mulher tão bela como a nova duquesa de York. Ela só precisou ocultar o fato de com quem a jovem dama realmente era casada. Sean não aceitaria a audaciosa proposta se soubesse que a ruiva era casada com o poderoso duque de York e Cambridge.
Jacob por um minuto teve a sua atenção momentaneamente desviada por uma pergunta que lhe dirigiram. Ele teve que se concentrar para responder. Porém quando o duque voltou a olhar de novo na direção sua esposa estava dançando com o velho conhecido, Jacob não os avistou mais. Uma sensação ruim dominou o nobre.
— Com licença. — o duque falou sem realmente se importar em deixar lorde Dawson falando sozinho.
Jacob cortou a passos duro o salão, algo lhe dizia para procurar no jardim da mansão. Era o lugar mais próximo da pista de dança, e também o mais provável para um liberiano como Sean tentar algo. Jacob sabia disso, pois fez o mesmo diversas vezes.
A área era escura e mal iluminada. Muitos casais fugiam para ali na imitação de terem suas breves aventuras.
Jacob flagrou na penumbra do local alguns casais em situações bem comprometedoras. Algumas eram até jovens donzelas, de famílias respeitáveis. Porém a maioria dos casais estava tão consentidos no momento de luxúria que nem se atentaram da presença intrusa do duque.
O nobre já sentia a bile subir e o sangue ferver. Ele mataria o homem que ousasse tocar na sua precisa poupée.
Quando o duque de longe vislumbrou o brilho de uma joia num canto recluso do jardim, sentiu a sua visão tingir-se de vermelho. Jacob sabia muito bem de quem pertencia àquelas joias, ele mesmo tinha escolhido para ela usar aquela noite.
— Tire as suas mãos imundas da minha esposa, seu bastardo, filho... -- Jacob avançou como um rinoceronte debandado para cima do homem que envolvia nos braços o corpo pequeno de sua duquesa. Porém ele parou imediatamente ao vê-la sem cor na face e inconsciente.
— Jacob? — Sean questionou confuso. O homem ficou igualmente pálido quando assimilou o que acontecia.
Quando Daphne lhe fez a tentadora proposta não havia mencionado quem era o marido da lindíssima ruiva. Só havia contado que era um antigo amante que ela queria ter de volta. Ela também afirmou que se ele conseguisse levar a ruiva para cama, o marido da jovem voltaria para os lençóis dela e ele poderia desfrutar mais vezes da própria ruiva e dela em si. Era uma proposta irrecusável, na opinião de Sean.
Porém agora estando bem diante do marido enfurecido da linda ruiva, ele não achou nada bom o plano da prima. Ele rapidamente seria destruído caso tivesse Jacob como inimigo.
— O que você fez com minha esposa? O que fez com ela. — Jacob tirou o corpo mole e inconsciente da ruiva dos braços de Sean.
— Calma, Black. — Sean imediatamente teve uma ideia que poderia ser brilhante e salvá-lo de torna-se inimigo de um homem tão poderoso. Jacob beirava o desespero, Renesmee estava toda mole e frágil em seus braços. — Em primeiro lugar eu não sabia que esta dama era a sua esposa. Nós estávamos dançando uma valsa quando ela começou a sentir-se mal. Decidi trazê-la para pegar um pouco de ar puro, porém ela desfaleceu em meus braços assim que chegamos ao jardim. Trouxe-a mais para as sombras na intenção de não sermos flagrados e mal interpretados. — Sean dizia cada palavra de forma segura, como se aquilo fosse à realidade.
No entanto a verdade era que ele levou a jovem duquesa para ali contra a vontade dela. E mesmo o mal estar da duquesa sendo verdadeiro, Renesmee relutou em se afastar com o desconhecido. Ela ficou tão nervosa com a situação que perdeu a consciência. O calor em demasia, a gravidez ainda recente e a situação estressante foram os ingredientes perfeitos para a crise de nervos e o desmaio.
— Você quer que eu acredite nisso, Patterson? — Jacob brado irado. — Eu vou acabar com você se algo acontecer a minha esposa. — Jacob já sustentava o corpinho frágil e leve de Renesmee nos braços.
Ele não sabia o que fazer. Não poderia entrar com a esposa desacordada no salão. Seria um escândalo, macularia a reputação dela de qualquer forma.
— Jacob, o que está acontecendo? — a voz conhecida pode ser ouvida pelos dois homens. Embry surgiu através da escuridão do jardim.
— Eu não sei o que aconteceu exatamente, mas encontrei Renesmee desmaiada nos braços desse bastardo. — falou com um misto de ódio e desespero com o amigo. — Preciso tirá-la daqui.
— Calma! Você não pode sair assim com ela desacordada nos braços. — o marquês tocou o ombro do amigo na intenção de lhe passar confiança. — Irei buscar um copo com água. Enquanto isso você afrouxa o corpete dela, vai ajudá-la a respirar melhor.
O Duque prontamente concordou com o amigo. Ele estava impossibilitando de raciocinar com clareza naquele momento. Ele só conseguia pensar em Renesmee e no filho que crescia no ventre dela.
— E você venha comigo. — Embry ordenou sério para Sean.
De forma hábil Jacob começou a afrouxar o corpete da esposa assim que se viram a sós. O pequeno seio ficou um pouco a amostra, mas o movimento do tórax mostrava-se mais visível a cada respiração.
Embry e Sean se afastaram em silêncio. De repente o marquês segurou com força o ombro do moreno impedindo-o se seguir em direção ao salão de baile.
— Presta atenção no que vou lhe dizer, não sou de repetir o que falo. — Embry advertiu muito sério. Eles estavam em um canto isolado e discreto. — Não sou idiota a ponto de não saber o que estava acontecendo lá. E se Jacob não estivesse tão desesperado com a esposa desacordada, ele também não teria dúvidas. — Embry começou a dizer. — Quando vi que você quase forçou a duquesa para dançar, já imaginava que as suas intenções não eram das melhores. E a minha surpresa não foi maior quando o vi saindo com ela para o jardim ao mesmo tempo em que Daphne se juntava com a alcoviteira da Caroline e mais três outras fofoqueiras de Londres. Sua prima tinha a intensão de levar aquelas cobras para onde você estaria com lady Black. Daphne sabia que elas espalhariam a fofoca mais rápido que fogo em palha. — o marquês sorriu sem humor. — Acho bom ficar bem longe da duquesa. Você e sua prima não vão querer comprar uma briga com o duque, até porque sabem muito bem que não seria só com ele. Vocês ao tentarem arrumar a reputação da duquesa vão comprar uma briga com um príncipe, um marquês, um conde e um duque, é claro. Um simples visconde e uma baronesa não são páreos para os inimigos que almejam. -- desdenhou o loiro. -- A princípio não vou falar nada para o Black, mas vou ficar de olho em vocês dois. De um jeito na sua prima, pegue aquela meretriz de jeito. Quem sabe ela sonegue. Eu não estou mais disposto e nem Jacob.
Sean ferveu de ódio com as palavras desdenhosas do marquês, mas era sensato em não confronta-lo. Ele ficaria muito longe da linda duquesa, tinha muitas outras mulheres menos perigosas para ter em sua cama.
~*~
Quando Renesmee despertou nos braços fortes, constatou que ainda estava no jardim escuro e desconhecido. Porém quem a sustentava era seu amado e não o estranho nobre com que foi impelida a dançar.
Ela estava fraca e sentia a cabeça latejar, estava enjoada. Seu vestido estava totalmente descomposto. Ela estava confusa e envergonhada por estar naquela situação delicada, porém não sabia dizer com tudo ocorreu. Uma hora valsava pelo grande salão com um nobre, depois uma agonizante tontura e falta de ar e finalmente despertara naquela constrangedora situação.
A jovem e inocente duquesa no fazia ideia da toda trama que fora envolvia. Inveja, cobiça, ganância e complô eram o que ela também teria que aprender superar na nova vida em Londres. Desafios seriam impostos naquela cruel aristocracia, nem tudo seria com um belo jardim florido na primavera. Renesmee teria que amadurecer. Aprender a reconhecer a maldade e malícia que a cercava.
— Ma poupée. — Jacob a envolveu ainda mais protetoramente nos braços. Ele sentia-se minimamente aliviado ao vê-la recobrar a consciência. — Não fique no medo, estou aqui com você. Sempre vou protegê-la. — beijou com ternura, e leve sensação de alívio, os lábios já novamente rosados da esposa.
— Eu te amo. — Renesmee disse com a voz embargada pelas conflituosas emoções entre medo, insegurança e amor. Porém nos braços do Duque ela sentia tudo se esvair.
Ali ela sentia-se segura e protegida.
Fale com o autor