Bloom
36 The beauty of the life
Notas iniciais

A grande carruagem levantava poeira pela estrada à medida que os cavalos ganhavam força e se distanciavam da majestosa propriedade. Era começo de mais uma apreciável tarde no campo.
Apesar de ainda ser verão, o clima estava ameno naquele dia. Uma brisa fresca soprava perfumada refrescando todo o ambiente. O sol brilhava incandescente no céu mesmo estando tímido.
Era uma tarde agradável para se fazer um longa viagem de carruagem. Foi por isso que parte da família Ateara decidiu por partir naquele dia. Com sorte, chegariam no final da noite em Londres.
Já havia se passado uma semana desde que o Duque e a Duquesa de York tinham oferecido o grande baile para fechar a temporada de campo. Tudo tinha sido um sucesso.
Agora a propriedade já não estava mais cheia e agitada, o que foi um verdadeiro alívio para o Duque. Jacob não via a hora dos seus convidados partirem, deixando o clima bucólico do campo dominar novamente. Assim ele ficaria mais tranquilo com relação a amada esposa grávida.
Com a partida da última carruagem de convidados, restava apenas seus dois amigos, convidados por ele próprio. Até sua irmã e cunhado haviam partido com as crianças. A rainha exigia a presença dos netos no castelo de verão.
A família real partiu dois dias após o baile, mas Rachel prometeu voltar em aproximadamente um mês. Tempo que os irmãos Black acreditavam que estaria próximo a chegada do bebê da Duquesa.
— Sentirei falta da família Ateara, principalmente da Condessa viúva. — O Duque comentou após a carruagem da família sumir de vista pela estrada da propriedade. — Lady Mary é sempre tão divertida. — sorriu brejeiro para o amigo.
Quil apenas olhou o Duque de soslaio e balançou a cabeça de um lado para o outro. Sua avó sempre tinha uma língua afiada, o que na maioria das vezes deixava a todos em uma situação delicada. Porém todos sempre riam ou relevavam devido a idade já avançada da senhora, ou por sua alta posição na sociedade.
— Também aprecio muito Lady Mary. — emendou o marquês. Embry ostentava um sorriso enviesado.
— Nem imagino o porque! — Quil revirou os olhos em um ato nada educado.
Os dois outros nobres sorriram.
Por fim os três lordes voltaram a entrar na mansão, as suas respectivas damas haviam entrado pouco antes.
Como combinando, Quil e Embry ficariam na propriedade do amigo Duque por uma temporada sem data para o fim. A única surpresa foi que a Marquesa optou por permanecer no campo à voltar para Londres. O que surpreendeu a todos, principalmente Embry.
Os casais se recolheram para seus aposentos — com excessão de Caroline e Embry, que não dividiam o mesmo quarto — para tirar uma cesta. Eles tinham almoçado juntos antes da partida da família Ateara.
— Estás cada dia mais bela. — Jacob suspirou quando entrou nos aposentos da amada para tirar um cochilo junto dela. — Está tudo bem? — perguntou olhando nos olhos cristalinos da Duquesa, mas as mãos grandes repousadas no ventre redondinho.
— Estamos ótimos. — Renesmee sorriu para o amado.
— Então vamos deitar um pouco. — puxou delicadamente a gestate para a enorme cama, ajudando ela a deitar-se. — Deixe-me mimar minha esposa e filho.
Jacob deitou por trás da amada, colando seu corpo no dela. Ele não parava de alisar o ventre redondo e bastante proeminente. O bebê mexia hora ou outra.
O casal logo pegou no sono abraçados.
~*~
Já era meio da tarde quando as Ladies se reuniram no salão privado da Duquesa. Elas tomariam chá e passariam um tempo juntas, essa era a mais nova rotina das nobres damas.
— Como anda os preparativos para o enxoval do bebê? — Lady Claire perguntou amável após bebericar a sua xícara de chá com leite morno.
— Já está tudo bem adiantado. — Renesmee devolveu o sorriso à viscondessa. — Boa parte do enxoval já foi entregue. Apenas alguns pequenos detalhes chegarão em aproximadamente duas semanas.
— Estou torcendo para vir o tão aguardado herdeiro varão do Duque. — comentou Caroline, com um sorriso, não muito sincero. — Entenda, Lady Black, essa é a nossa maior função como Ladies; Dar um filho varão a nossos maridos. Veja bem, lady Claire e eu já cumprimos com os nossos deveres. Seria lastimável a linhagem do Duque ser extinta porque você não foi capaz de lhe dar um filho varão. — a marquesa repousou a xícara sobre a mesinha e alinhou a postura. — Mas vemos que ainda é bastante jovem. Se conseguir passar pelo parto e ter uma criança saudável, poderá ficar tentando até conseguir dar um filho homem ao Duque.
— O Duque já me disse que não importa-se caso tenhamos uma menina. — Renesmee tinha a voz embargada, mas tentava se mostrar inabalável perante o assunto tão delicado. — Nosso bebê já é muito amado, isso é tudo que importa. — alisou o ventre redondinho sobre a linda musselina rosa.
— Ah, querida lady Black, vejo que ainda é tão jovem e inexperiente! — Caroline deixou um suspiro escapar, mostrando o seu falso pesar. — Você realmente acredita que um dos Duques mais poderosos do Reino Unido não liga para a continuação de sua linhagem? Assim como é o seu dever trazer ao mundo o futuro Duque de York, também é dever do atual Duque produzir um herdeiro. Mas não fique assim! — olhou fingindo compaixão. — Eu tenho certeza que se você conseguir ser forte o suficiente para sobreviver ao parto e trazer uma criança saudável ao mundo, em algum momento trará o herdeiro.
— Nem todos os nobres exigem um filho varão de suas esposas. Somente os que se casam com esse objetivo. — Claire tentou sair em defesa da amiga, mas era quase tão jovem quanto a Duquesa. Não tinha malícia para lidar com uma mulher ardilosa como a marquesa.
— Ah, queridas, vocês realmente acreditam nisso? — agora Caroline lançava um sorriso maldoso para as Ladies. — Agora também só falta vocês acreditarem que os seus nobres esposos não procuram saciar os desejos da carne com outras mulheres. Ou vocês acham que eles irão por suas linhagens em risco para saciar o desejo, quando tem várias mulheres dispostas a isso.
— Você está sendo maldosa e indelicada! — Lady Claire esqueceu todo o seu refinamento ao contradizer com raiva a outra lady.
— É mesmo? — Caroline lançou um sorriso maldoso. — E onde vocês acreditam estar os nossos digníssimos esposos agora? Toda Inglaterra sabe da fama de libertino que eles sempre tiveram. Faz parte do que é ser um Lorde.
— Se milady não consegue manter o interesse de vosso marido, não julgue que todos os casamentos são iguais. — Renesmee ergueu da poltrona o frágil corpo, já pesado pela barriga, e alinhou a postura. Ela estava furiosa. Não conseguiu controlar as palavras que saltaram de sua língua. — Com licença.
Por um segundo o sorriso jocoso da Marquesa vacilou, pois ela foi surpreendida pelas palavras ríspidas, da sempre amável duquesa. Mas Caroline se recompôs rápido demais para a lady perceber que tinha conseguido abalá-la.
Renesmee deixou a sala sem olhar para trás. Estava furiosa consigo mesma por ter perdido o controle, por ser fraca... Ela não poderia ter perdido a compostura, principalmente por ser a anfitriã. Ela não deveria ter usado o conhecimento de que o Marquês e Marquesa não compartilhavam o mesmo quarto para atingi-la.
A raiva deu lugar as lágrimas. Renesmee caminhava de cabeça baixa pelos corredores já tão conhecidos. Não queria ver ninguém e não queria que ninguém a visse, por isso optou em ir para seu antigo quarto.
Já no antigo quarto cor de rosa, fechou a porta e passou vários minutos lá, sozinha, chorando pelo medo e pela insegurança que sentia. Precisava dar um herdeiro varão a Jacob, por mais que ele dissesse que não ligava. Era a sua obrigação. Fora o fato de que cada vez mais o Duque parecia não querer tocá-la.
Ele dizia ser porque a barriga já estava muito grande, que não fazia bem ao bebê e a ela, pois sempre quando terminavam o ato ela ficava muito cansada e ofegante. Mas a realidade é que ela tinha medo que ele já tivesse perdido o interesse.
A verdade é que a jovem Duquesa grávida estava apavorada com todas a incertezas que sentia. Além do fato de que tinha medo de não sobreviver ao parto. Não queria morrer e deixar Jacob sozinho outra vez ou partir sem poder segurar o próprio bebê.
Renesmee desejava poder ter o conforto do colo e a sabedoria da mãe, mas sabia ser impossível. Porém o que ela não sabia é que Katherine era tão inexperiente quanto ela quando esteve grávida.
Muitos minutos se passaram e ela sabia que precisava se acalmar e se recompor. Provavelmente já teriam dado a falta dela. Deveriam estar procurando por ela.
Renesmee respirou fundo diante do espelho. Não estava tão apresentável como deveria, mas aquilo teria que ser suficiente. Não havia mais uma bacia com água fresca para lavar o rosto ali, o lencinho que passou teria que bastar.
Sorriu mais calma quando seu doce bebê mexeu um pouco mais forte que o de costume.
— É, bebê, por enquanto somos só eu e você. Espero que em breve você esteja em meu colo. — alisou o ventre antes de deixar para trás o antigo quarto e os atuais medos.
~*~
O salão estava todo iluminado pelos diversos castiçais espalhados pelo ambiente. A melhor prataria da casa tinha sido colocada na mesa, assim como a porcelana e as taças de cristais. Lindos arranjos floridos foram distribuídos pelo ambiente para deixar a decoração mais agradável e requintada.
A seleção do jantar foi escolhida de forma minuciosa, com o intuito de agradar ao paladar dos nobres recém chegados.
Todos estavam vestidos de forma impecável. Homens em trajes completos de festa, já as mulheres com seus belos vestidos e adornadas com suas lindas joias.
— Estava tão ansiosa para retornar. — comentou a princesa após terminar a sobremesa. — Mas a rainha queria passar os últimos dias de verão com os netos. Agora que o outono acabou de entrar ela retornou a Londres e viemos direto para Kent para aguardar o nascimento do meu sobrinho, ou sobrinha. — sorriu alegre para cunhada.
Mais de um mês havia se passado desde que a princesa com a família havia partido, e agora retornavam para aguardar o tão esperado bebê dar o ar da graça ao nascer.
Renesmee apesar de não estar com uma barriga tão grande comparado a outras gestantes no final da gravidez, ainda sim era uma barriga enorme para o seu biotipo.
Jacob a cada dia que passava ficava mais nervoso e apavorado com a proximidade do parto. A qualquer chute mais forte do bebê ou um suspiro mais alto que a esposa deixava escapar, ele mandava chamar o médico do vilarejo. Doutor Carlson só chegaria dali há uma semana.
Muitas vezes ele exagerava na superproteção com a esposa grávida, mas Renesmee tinha desistido de tentar impedi-lo. Sabia que o Duque ficava mais tranquilo quando a protegia. Era nítido o ânimo alterado do Lorde.
A jovem Duquesa tentava se mostrar sempre calma perante o marido, mas a verdade era que em seu íntimo estava apavorada com a proximidade do parto.
Renesmee tentava não lembrar das palavras da Marquesa, mas Caroline tinha um prazer sádico de sempre abordar o assunto quando estavam a sós.
— Trouxe alguns mimos para o bebê. — Rachel comentou entre as Ladies. Elas tomavam chá e comiam alguns bombons finos, logo após o jantar. — Não resisti em encomendar algumas peças. — sorriu para a cunhada.
Renesmee também sorriu enquanto afagava a enorme barriga.
— Acredito que o bebê não irá demorar em chegar. — ressaltou agora a Lady Ateara. — Lady Black contou que o bebê anda muito agitado. Comigo também foi assim perto do parto de Phillip.
— Acredito não ser uma regra. — ponderou amável a princesa. — Em alguns dos meus partos os bebês realmente ficaram muito agitados próximo ao parto, mas em outros eles pareciam em absoluto silêncio. Nem um único chute para me dar um sinal. — sorriu com a lembrança.
— Mediante a experience que Vossa Alteza tem, acredito que seja mais confiável seu perecer. — falou Caroline com uma pitada de maliciosa.
— Realmente fui agraciada com um ventre fértil. — Rachel rebateu. O seu olhar estava em fenda pela audácia da Marquesa. — Muitas mulheres gostariam de ter a minha sorte, mas se contentam em ter tido um único varão. — alfinetou.
— Com certeza, Alteza. — Caroline ousou em responder. — Mas ainda sim, ter um filho varão é melhor que morrer tentado ou ter só meninas.
A discussão permaneceu acalorada entre as damas. A troca de farpas era constante, mas bem disfarçadas em falsas cortesias.
Já o ambiente masculino era infinitamente mais amigável e prazeroso. Os nobres bebiam suas bebidas e jogavam cartas, hora ou outra contavam alguma história cômica de seus passados.
Na verdade, Quil e Embry tentavam manter o amigo Duque o mais entretido possível já que Jacob parecia que iria pirar a cada dia que se passava. Todos compreendiam exatamente o porque do Duque está tão nervoso. Ele não tinha tido experiências agradáveis com partos, mas agora seria o primeiro com a mulher que amava. Ele estava apavorado.
— Jacob, trago notícias de Londres. — o príncipe chamou pelo cunhado após finalizarem mais uma rodada. Embry estava embaralhando as cartas para iniciarem uma nova partida. — Mas não sei como você irá receber essa notícia.
— Apenas fale. — Jacob olhou para cunhado enquanto virava seu copo com uísque. — Logo saberemos qual será a minha reação. — sorriu enviesado.
Poucos podiam se dirigir de forma tão direta ao príncipe, Jacob era um deles. Em partes pelo título que possuía, mas o que contava mesmo era a amizade e parentesco que compartilhavam.
— Seth Clearwater casou-se, tem aproximadamente quinze dias, com a filha única do Barão Cullen. — Paul disse de uma única vez.
Todos os três nobres agora observavam a reação do Duque.
Jacob virou o que restava de sua bebida e bateu com o copo vazio na mesa.
— O Conde foi avisado. — ditou ríspido. — Não pouparei em nada o Barão por causa que a filha se casou com um membro de uma família tão estimada por mim. Espero apenas que Lorde Clearwater tenha orientado bem o filho, pois quando a minha vingança for concluída irá respigar em todos os lados.
— Na verdade, acredito que Lorde Seth Clearwater foi muito bem orientado pelo pai, pois o que circula por toda Londres é que após o casamento grandioso, os noivos ficarão viajando em lua de mel por toda a Europa, sem data para regressar. — informou o príncipe. — O criado pessoal do conde procurou o meu valet e pediu para fazer chegar em suas mãos isso. — Paul buscou no bolso interno da casaca uma carta selada com o brasão da família Clearwater.
Jacob reconheceu de imediato o selo, mas optou por ler depois o conteúdo da carta, guardando-a no bolso interno da própria casaca.
Para dissipar o clima que tinha dominado o ambiente os nobres voltaram a beber e a jogar.
Vários minutos haviam se passado quando o mordomo entrou pela porta e interrompe os nobres em sua diversão.
— Vossa Graça, desculpe pela interrupção. — Oliver se curvou em uma respeitosa reverência — Mas o chefe da cavalaria pediu para avisar que era urgente. A égua que pertence à Vossa Duquesa entrou em trabalho de parto. O potrinho já irá nascer. — sussurrou próximo ao ouvido do Duque.
Jacob ergueu-se de forma ágil devido a notícia. Já estava aguardado há dias pela notícia.
— Com licença, preciso resolver um assunto. — O Duque pediu aos amigos e cunhado.
— Está tudo bem, Black? — questionou preocupado o Visconde Ateara.
— A égua que pertence a minha esposa está dando a luz. Quero acompanhar a chegada do filhote para dar a notícia á Duquesa. Ela estima demais o animal. — esclareceu o Duque.
— Estrela? — quiz saber o príncipe.
— Sim. Trovão cruzou com ela. — Jacob revirou os olhos pela gargalhada dos amigos.
Todos sabiam das consciências entre o nobre e seu garanhão de estimação.
Jacob deixou o salão de jogos acompanhado dos amigos e cunhado. Todos decidiram acompanhar o nascimento no estábulo.
~*~
Algumas horas da noite já haviam se passado e Renesmee estranhou o fato do marido — e dos outros nobres — não se juntarem a elas no salão, como de costume.
O cansaço já estava nítido e ela ponderava seriamente em se retirar para os aposentos. Mas de repente todos entraram juntos no salão.
— Demorou, querido. — sussurrou próximo ao ouvido do marido, assim que ele aproximou-se para beijar lhe a face.
— Peço desculpas pela demora. — o Duque comunicou em voz alta, não só para a esposa, mas também para as demais damas. — Mas o foi por uma boa causa. — agora ele dirigiu o olhar somente para Duquesa. Ele sorriu. — Estava até agora no estábulo acompanhado o nascimento do nosso mais novo puro sangue.
Renesmee pareceu não entender de imediato, mas o sorriso do marido fez um lampejo passar pela cabeça dela.
— Estrela teve o bebê? — Renesmee elevou a voz devido a euforia que a dominou.
— Sim. Ela está ótima. O filhote nasceu saudável e forte. — confirmou o Duque.
— Quero vê-la! — a lady, com dificuldade pela barriga já enorme, se ergueu sozinha da poltrona.
— Amanhã, Poupée. Hoje já está tarde e Estrela passou por um longo estresse. Vamos deixá-la descansar com o filhote. Amanhã, assim que acordar te levo no estábulo.
— Por favor, Jacob. — o casal parecia ter esquecido da plateia e se tratavam de forma íntima.
O Duque passou uma mão pelo cabelo de forma nervosa. Não queria ceder, mas era impossível dizer não a amada quando ela olhava com os olhos em súplica para ele.
Por fim Jacob concordou em levá-la rápido ao estábulo. Os demais nobres optaram por retirarem-se para os seus aposentos.
Renesmee ficou fascinada quando viu o potro da égua de estimação.
O cavalinho era todo negro com as patinhas, calda e crina toda branquinha. Era realmente lindo o filhote.
Estrela estava muito agitada e arisca, mas quando escutou a voz da dona se acalmou e permitiu a Renesmee se aproximar. Trovão relinchava insatisfeito na baia ao lado.
Por segurança Jacob não deixou que a esposa entrasse dentro da baia. Ele apenas permitiu que ela olhasse através da porteira.
No estábulo apenas Richard permanecia cuidando do animal, os demais criados só chegariam pela manhã para trabalhar. Afinal, como chefe dos cavalariços ele morava em uma casinha encima do estábulo.
Apesar de Renesmee querer ficar mais tempo, ela acabou não contrariando o esposo. Já havia conseguido muito em ir até ali aquela hora da noite.
Ela foi embora com a promessa que voltaria na manhã seguinte para ver melhor o estado da égua e do filhote.
— Temos que dar um nome ao filhote. — Jacob comentou enquanto caminhava de volta a propriedade, de braços dado a Duquesa. — Já tem alguma ideia?
— Na verdade, sim! Eu tinha pensado em algo relacionado ao nome dos pais. Já que ambos são nomes que estão associado ao céu, pensei se fosse fêmea seria Lua e macho Relâmpago. — sorriu para o marido.
— Então temos um Relâmpago agora no estábulo. Irei mandar treiná-lo desde pequeno para ficar dócil. Será um presente para o nosso bebê.
Jacob abraçou e beijou os lábios da esposa com ternura. Tinham acabado de chegar na entrada dos fundos da mansão.
Eles se retiraram direto para os aposentos. E após receberem os cuidados dos criados pessoais, dormiram abraçados à noite toda. Renesmee pegou no sono com o marido afagando seu ventre redondo.
~*~
Os dias iam se passavam e a cada momento a ansiedade em todos aumentava. Uma agradável rotina tinha sido estabelecida, onde de dia os nobres curtiam atividades no campo ou visitas ao vilarejo e as noites eram regadas de luxuosos jantares.
As crianças eram as que mais curtiam a estadia no campo, já que na maioria das vezes eles brincavam livres na natureza. Apenas a supervisão de uma ama ou até mesmo dos pais bastava. Não haviam regras de postura ou conduta impostas.
O único que parecia não relaxar nunca era o Duque de York. A cada dia que se passava, a ansiedade e medo dominavam mais o nobre. Jacob estava uma pilha de nervos, era quase palpável a sua tensão.
Após muita insistência, e até mesmo uma quase exigência dos demais nobres, Jacob cedeu a imposição de saírem para caçar. O intuito da expedição de caça era tentar fazer com que o futuro pai relaxasse um pouco, pois estava quase impossível para todos conviver com o humor alterado do Duque de York. Ele parecia que iria surtar a qualquer momento.
— Eu não sei aonde estava com a cabeça quando concordei com esse disparate! — Jacob resmungou mal humorado para ninguém específico.
— Black, para de resmungar! Está pior que um velho ranzinza. — Quil revirou os olhos. — Voltaremos hoje à noite. E ainda assim estaremos nos limites do Condado.
O Duque resmungou algo desconexo, provavelmente uma palavra de baixo calão, mas todos pareceram ignorar.
— Black, uma boa caçada sempre deixa um homem mais relaxado. — Embry sorriu brejeiro. — Só conheço uma outra coisa que relaxa mais que caçar! — arqueou as sobrancelhas e sustentava o sorriso enviesado.
Todos riram, menos o Duque! Há mais de duas semanas que ele se negava a fazer amor com a esposa grávida. Renesmee parecia mais frágil a cada dia.
— Acho melhor desistir. — Jacob ameaçou descer do cavalo que tinha acabado de montar. Trovão também parecia descontente em ter que se afastar da égua e do seu filhote. — Isso não foi uma boa ideia. — concluiu irritado.
— Jacob, toda a expedição já foi montada. Já estamos aqui, prestes a sair. — Paul tocou no ombro do cunhado. — Nada vai acontecer nesse curto período de tempo que estaremos fora. Mas ainda assim, o seu chefe do estábulo sabe a direção que tomaremos e o plano de caça. Qualquer coisa podemos voltar de imediato. Porém você precisa — o príncipe frisou a palavra — desse tempo para você. Você anda muito nervoso, e está passando esse nervosismo para Lady Renesmee. Ela precisa de você calmo para ajuda-la a passar pelo parto, quando chegar a hora.
Jacob ponderou as palavras do cunhado. O príncipe tinha razão. Ele andava muito inquieto e não escondia isso de ninguém. Renesmee parecia assustada a cada crise de superproteção da parte dele.
Caçar era um de seus esportes favoritos. Iria lhe fazer bem. Sem contar que tinha mobilizado uma verdadeira caravana de caça. Eram cavalos, cachorros, criados... uma enorme estrutura.
O dia ainda não tinha amanhecido. Deixar a cama com sua linda Duquesa dormindo foi difícil, mas agora que já estava ali não iria desistir. De qualquer forma sua doce Poupée estava sendo vigiada pela fiel aia, que se prontificou de zelar pelo sono da patroa na ausência do Duque.
— Vamos! — foi tudo que Jacob disse antes de esporar a barriga musculosa do puro sangue negro.
O cavalo obedeceu de imediato o comando do dono e já saiu em pleno galope.
Os demais nobres, e todos os envolvidos na caravana, fizeram o mesmo. Seria uma dia favorável para a caçar, já que era alta temporada.
~*~
Sobre a enorme e confortável cama de luxo repousava o corpo delicado da jovem grávida. Diversos travesseiros foram colocados propositalmente ao redor da gestante para oferecer mais conforto a ela. Porém a enorme barriga já não colaborava para uma noite de sono tranquila, não havia uma posição confortável.
A Duquesa de York mais uma vez remexeu o corpo sobre o leito a procura de uma posição favorável, mas nada parecia estar bom o suficiente.
— Milady gostaria de mais um travesseiro? — a voz gentil da criada chegou aos ouvidos da jovem.
— Já é dia Emma? — Renesmee percorreu os olhos pelo quarto à procura de algo que entregasse que horas eram, mas as cortinas fechadas não ajudaram na conclusão. — Cadê o Duque?
— Ainda é cedo, Milady. São oito horas. Descanse mais um pouco. — informou a aia, já ajeitando algumas almofadas nas costas da lady. — Vossa Graça saiu antes do sol nascer para caçar. Foram todos os Lordes, até mesmo o Príncipe.
— Sim. Acabei de lembrar que Jacob informou-me que iria caçar. — Renesmee sorriu para aia. — Acho que gostaria do meu desjejum. Não consigo voltar a dormir. Está cada dia mais difícil com essa barriga. — alisou o ventre redondo e bastante proeminente.
— Claro, Milady.
Como Emma estava proibida pelo Duque de deixar a gestante sozinha, ela apenas tocou a sineta. A criadagem já estava ciente que era para levar imediatamente a refeição matinal da Duquesa assim que a sino fosse tocado.
Não demorou muito para Elizabeth entrar carregando uma enorme bandeja de prata com o desjejum da jovem lady. Atrás da governante vinham algumas criadas com baldes de água quente para preparar o banho da Duquesa.
Renesmee comeu um pouco do que lhe foi preparado. Não estava com fome naquela manhã, mas sabia que ninguém deixaria ela sair da cama sem antes comer algo, então solicitou pela refeição matinal.
— Coma mais um pouco, Milady. — Emma tentou persuadir a patroa. — Precisa se alimentar bem para o bebê nascer forte e saudável.
— Eu sei, mas não me sinto faminta está manhã. — a ruiva sorriu. — Prometo comer mais um pouco após terminar a higiene matinal.
Emma ponderou por um minuto e sorriu ao aceitar a barganha da jovem grávida. Então a aia ajudou a gestante a se levantar da cama.
Renesmee de imediato foi usar o reservado para aliviar a bexiga cheia. Era outra mudança que vinha com o ventre já bem crescido.
Já na casa de banho, como de costume, Emma ajudou a Duquesa a se despir. Renesmee permanecia nua, parada à espera da criada para entrar na banheira. A aia tinha ido colocar a camisola que havia acabado de retirar sobre a poltrona próxima a banheira. Quando Emma se virou para ajudar a lady a entrar na banheira, um barulho de água derramando chamou atenção das duas.
Renesmee sentiu as bochechas queimarem ao sentir o líquido quente descer pelas pernas nuas. Emma parecia em choque, isso a deixou mais constrangida.
— Me desculpa. — pediu de imediato terrivelmente corada e quente de vergonha — Euuu... éeer... Eu não sabia que queria usar o urinol novamente! Eu não senti... — Renesmee estava com o rosto tão vermelho quanto os cabelos flamejantes.
Foi só quando a jovem lady tentou se curvar para esconder o constrangimento que Emma despertou do choque.
— Milady, não é o que está pensando. — Emma correu para segurar os braços pálidos. — Olhe para mim. — pediu. — A sua bolsa estourou. Chegou a hora do seu bebê vir ao mundo!
— Não! — os olhos azuis triplicaram de tamanho. De imediato um medo dominou a grávida. Os olhos pinicaram e ela não conseguiu prender as lágrimas. — Eu não...
Emma foi surpreendia pelos braços finos da patroa abraçando-a! A jovem tremia e chorava. Ela parecia apavorada.
De repente os medos e receios que haviam se acumulado ao decorrer da gestação a goleparam com furor naquela hora. Ela apertava firme a aia, com medo, deixando as lagrimas descerem e molharem os braços de Emma.
— Milady, por favor, fique calma. — Emma limpou as lágrimas do lindo rosto. — Vamos fazer isso juntas. Tudo bem? — olhou novamente nos olhos cristalinos. A jovem apenas concordou com a cabeça. — Está sentido alguma dor?
Renesmee respirou fundo antes de responder.
— Não. Apenas uma pressão, mas não chega a ser dor. Só um leve desconforto.
— Tudo bem. Ótimo assim. Temos muito tempo ainda. — a aia tentou acalmá-la. — Agora preciso que me ajude. Vamos sair daqui e vestir a camisola no quarto. Quando estiver na cama chamo outros criados para ajudar. — Emma tentava ser racional e tranquila para não agravar as emoções de sua lady.
Não poderia deixar Renesmee sozinha por um segundo, mas precisava da ajuda de mais criadas. Não tinha hora pior para o bebê decidir vir ao mundo. O Duque nem em casa estava!
— Não! — a ruiva ditou entre um soluço, devido ao choro contido. — Preciso de um banho.
— Mas milady... — Emma foi interrompida.
— Por favor! — suplicou a gestante. — Por favor.
Emma sem ter opção ajudou a patroa a entrar na banheira. De forma ágil já começou a lavar o corpo da grávida. Parecia que a água morna estava acalmando o emocional da grávida.
A aia foi rápida no processo, ignorando os cabelos ruivos, que dessa vez foram negligenciados. Não era hora para um banho completo, apenas um lavar rápido para satisfazer a Duquesa.
Em poucos minutos Emma terminou o processo de lavar, secar e vestir a patroa. Os longos cabelos ruivos foram trançados para evitar que atrapalhasse durante as horas de parto.
— Aí! — Renesmee deu um grito poucos segundos antes de Emma acomodá-la na cama.
Era a primeira contração.
Como era tudo diferente e novo, o grito foi a reação que a gestante teve de imediato. Ela nunca tinha sentido ao menos uma cólica para ajudá-la a entender o que esperar para o parto.
— Vai passar. — Emma massageou a lombar da grávida. Ela tinha se curvado em frente à cama. — Vai passar.
— É assim que vai ser? — a Duquesa perguntou muito assustada, assim que a dor cessou.
A criada se negou em dizer que aquela era apenas a primeira contração. Que logo viriam outras, cada vez mais fortes e próximas umas das outras.
Renesmee foi acomodada na cama.
Emma ajeitou os travesseiros ao redor da grávida e correu para tocar a sineta novamente.
Todo esse processo de assear a Duquesa deve ter durado uns vinte minutos, desde que a bolsa já tinha se rompido. Ela sabia o que tinha que correr.
~*~
Quando a sineta começou a tocar na área da criadagem de forma insistente os criados estranharam. Não era comum a Duquesa ou a sua aia tocarem o sino sem parar.
Os criados que estavam no salão de refeições e na cozinha se entreolharam. Elizabeth, que conversava sobre o cardápio da semana com Rosamund, soube de imediato que algo fora do normal acontecia no quarto da Duquesa.
Sem esperar ser questionada, a governanta começou a correr pelo labirinto de corredores dos empregados que levaria ao aposento dos senhores da casa.
— O que se passa? — Elizabeth perguntou, ainda esbaforida pela corrida, assim que entrou no quarto da Duquesa.
De imediato capturou a imagem da aia segurando a mão frágil da jovem lady, que parecia muito assustada.
— Chegou a hora! — respondeu a aia.
Elizabeth piscou os olhos e abriu a boca uma vez antes de recuperar a compostura.
— Tem certeza? — parecia uma pergunta tola, mas foi o que Elizabeth conseguiu elaborar naquele momento de surpresa.
— Absoluta. — Emma ditou segura. — A bolsa já estourou e Milady já teve até a primeira contração.
Renesmee permanecia calada. Não tinha tido outra contração ainda, mas a pressão que sentia no baixo ventre estava aumentado. Não chegava a ser dor, mas era bem desconfortável.
— Tudo bem. — Elizabeth concordou, já traçando planos do que precisava fazer. — Irie avisar a criadagem, logo alguém trará toalhas limpas, bacias e água quente. Mandarei uma criada até o estábulo, o Duque precisa ser comunicado imediatamente. Também mandarei avisar a princesa.
— Jacob! — disse assustada a jovem.
Era a primeira vez que o Duque se afastava da propriedade. E foi justamente hoje que o bebê decidiu nascer.
— Calma, milady. Logo ele estará aqui. — Emma tentou tranquilizá-la.
— Com certeza. — concordou Elizabeth. Alguém tinha que ir buscar o Duque, até porque o médico da família também tinha saído para caçar com os nobres. — Você tem experiência com partos, Emma? — sondou a governanta.
— Sim. Eu já auxiliei uma parteira e já fiz alguns partos também, no vilarejo que morava.
— Ótimo! — Elizabeth balançou a cabeça positivamente e girou nos calcanhares. Precisava agir urgente!
— Lizzie, fique, por favor. — A gestante estava tão insegura. Queria estar cercada das pessoas que conhecia e confiava.
— Prometo que voltarei o mais rápido possível!
Elizabeth não esperou ser abordada novamente, deixou o quarto da Duquesa quase que correndo.
~*~
O silêncio da cocheira foi quebrado apenas por um grito feminino. Os poucos criados que não tinham acompanho a caravana de caça correram para a entrada do estábulo para saber o que estava acontecendo.
— Joe! — a jovem criada gritava. — Senhor Richard!
— O que foi Lilly? — Joe e Richard perguntaram ao mesmo tempo para jovem esbaforida, mas foi o mais jovem dos homens que abraçou a garota.
— O que foi querida? — questionou novamente o jovem cavalariço.
Todos os criados cercaram o casal, curiosos para saber o que acontecia.
— Elizabeth mandou ir buscar o Duque. O bebê da Duquesa está chegando.
De imediato Joe enrijeceu todo o corpo, mas tentou disfarçar o choque para a esposa.
— Pelos Céus! — Richard ofegou. — Selem Tritão agora mesmo. — gritou o chefe da cavalaria para nenhum criado específico. O cavalo que ele tinha mandado selar era um dos mais velozes, porém extremamente arredio. — Preciso chegar mais rápido possível na região em que o Duque está.
— Deixa que eu vou. — Joe se livrou do braços da esposa. O coração do cavalariço trotava desenfreado. Não confiava em ninguém para realizar aquele tarefa. Sua platônica amada precisava de sua ajuda. — Sou mais leve, conseguirei chegar mais rápido.
— Mas é perigoso, Joe. Eles estão caçando! — contestou a esposa do jovem. Ela era a única ali que não sabia da paixão do marido pela patroa.
— Terei cuidado. Agora é a vida da Duquesa e do bebê que dependem disso. O Médico está com eles.
Sem mais discussões Joey montou no cavalo que trouxeram. De imediato o animal protestou, mas logo aceitou correr desenfreado pelo pasto. Joey atiçava cada vez mais o puro sangue para que o animal desse tudo si.
O cavalariço seguia determinado o caminho que Richard indicou. Ele teria que ser cauteloso e seguir à risca toda orientação que o mais velho tinha passado, sua própria vida também dependia disso. Um erro na execução e ele poderia levar um tiro acidental proveniente da caçada.
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