Bloom
13 She isn't a girl, not yet a woman
Notas iniciais

Capítulo 12
Kent, 1816
Os raios dourados do sol vespertino adentravam as cristalinas vidraças do cômodo, nele o Duque refletia sobre a recém-chegada da irmã com o seu cunhado e na implicância de sua estadia na casa para com os planos que tinha feito de invadir o quarto da ruiva que tanto atormentava cada pensamento seu.
Jacob não sabia o que fazer, estava em dúvida se deveria manter o seu plano inicial. Agora seria mais arriscado, com a irmã e o cunhado alojados na mansão, mas seu desejo nublava o lado racional de seus pensamentos.
Por fim, sem chegar a nenhuma conclusão, ele decidiu refletir com calma mais tarde. Agora iria resolver algumas pequenas pendências administrativas.
A pena deslizava elegantemente pela folha timbrada com o brasão da família. O Duque escrevia algumas orientações e ordens para seu administrador e para as governantas de suas outras propriedades quando o som oco de batidas na madeira maciça da porta lhe chamou a atenção.
— Pode entrar. — avisou o Duque ainda de cabeça baixa escrevendo.
— Vossa graça, a Princesa solicita sua atenção. Posso mandá-la entrar? — o mordomo perguntou formalmente.
— É claro! — disse a Oliver. — Não sei por que Rachel insiste nessa formalidade entre a gente. — murmurou sozinho após a saída do mordomo.
Em apenas meio minuto sua irmã já entrava em seu gabinete sorridente. A Princesa tinha se asseado e trocado de roupa, vestia um lindo vestido amarelo claro com delicada renda que ressaltava seu lindo tom de pele.
— Está tudo do seu agrado, minha irmã? Se precisar de qualquer coisa só solicitar a Senhorita Winslet. — falou educadamente.
— Está tudo no meu absoluto agrado. Elizabeth sabe de tudo que gosto. — sorriu ao falar, já se sentado na cadeira em frente à mesa do irmão. — Atrapalho? Posso esperar se estiver ocupado.
— Não, pode falar, sou todo ouvido! — Jacob cruzou as mãos sobre a mesa, o olhar que lançou para irmã era de divertimento.
— Sabe que sou eu que cuido pessoalmente da troca das vestes da Renesmee a cada estação, mas devido à gravidez Paul não me permitiu fazer viagens longas. Agora que não estou mais enjoando, vim a Kent cuidar desse assunto. Além, é claro, de vir lhe visitar. — Rachel lançou um olhar terno para o irmão gêmeo. — Todavia — vendo como Renesmee cresceu e suas formas já prontas para um corpo de mulher adulta — acho que está na hora de trocarmos os modelos pueris para modelos já adultos. Com isso necessito reformular todo o guarda-roupa dela. Gostaria de sua autorização para os gastos necessários, uma vez que você agora é o tutor dela, mas estou disposta a arcar com todas as despesas caso não estiver de acordo. — a Princesa falou tudo em um único fôlego, emendando o discurso após vê a fisionomia de seu irmão mudar de calma para irritada.
— Não me importo com os gastos, compre tudo que ela necessitar e que for de seu agrado. Dinheiro não é problema. — disse com certa magoa pela irmã cogitar que ele não queira gastar com sua pupila. Sua irritabilidade era devido a troca dos modelos infantis. — Mas Renesmee ainda é uma menina. Nada de decotes, cintura marcada e todas essas coisas de mulher adulta! — passou a mão nervosamente pelo rosto.
— Jacob, eu não entendo essa relutância pelo inevitável crescimento da Renesmee! Ela já é uma mocinha, está na hora da transição.
— Você não entende! — elevou o tom da voz ao falar.
— Se você não me explicar, não vou entender mesmo. — fitou o Duque nos olhos. — O que se passa que não sei?
Jacob havia se levantado e começou a andar de um lado para o outro do escritório.
— Está me deixando tonta, Jacob! — repreendeu Rachel. — Fala-me logo!
— Eu prometi ao nosso pai que jamais desampararia a pequena e que cuidaria para que ela se casasse — um dia — com um homem de respeito, que não permitiria que o triste destino de Katherine se repetisse com Renesmee. Ela foi enganada por um homem que jurou falso amor e a abandonou grávida. — Jacob suspirou pesadamente, voltando a se sentar de frente para irmã que lhe escutava com total atenção. — Renesmee é absurdamente linda, com certeza será o diamante de sua temporada, mas não está na hora. Ela só tem quatorze anos, porém já tem chamado atenção indevida para si, mesmo vestindo-se como uma menina. — olhou sugestivo para irmã, que arregalou os olhos na mesma hora que o entendimento lhe ocorreu. — Um cavalariço abusado veio me pedir para cortejá-la. — disse com raiva, sua respiração já estava mais pesada. — Você tem noção que eu sou capaz de matá-lo caso ele desonre a senhorita Wood? Ou qualquer outro. Fiz uma promessa ao nosso pai e vou cumprir. Renesmee só vai a Londres para iniciar sua temporada depois dos dezessete anos, idade essa que eu julgo uma boa para o matrimônio. Antes disso, não! E enquanto estiver no campo vai se vestir como uma menina. Não quero problemas! — encerrou o discurso de forma taxativa, não deixando brechas para contestação da irmã.
Rachel, mediante a tudo que o irmão lhe contou, não mais contestou. Ela iria vê com a modista uma forma de equilibrar a vestimenta. Não iria vestir Renesmee totalmente como criança, tão pouco como adulta. Iria adaptar o melhor dos dois mundos em cada novo vestido. Assim já se dava por satisfeita.
A Princesa ficou mais algum tempo conversando com o irmão antes de sair do escritório para se aprontar para o jantar. Ela pediu mais algumas explicações a Jacob, que prontamente contou tudo na sua versão da história.
~*~
O jantar na Casa Black normalmente era silencioso e pacato, contudo naquela noite a voz jovial de Rachel enchia a sala de refeições.
— Elliot é assim por que Paul o mima demais, todos sabem disso. Não podemos diferencia-lo só por que ele é o primogênito. — a princesa articulava absoluta na mesa de jantar. — Ellen, Edgar e Eloise estão tentando fazer o mesmo, mas não deixarei. Já disse para o Paul que precisamos ser duros com eles. Sabe que és um ótimo pai, querido. Não me entenda mal, todos sabem disso, mas não concordam que precisamos de pulso firme na educação das crianças?— ela perguntou para ninguém em particular. Embora todos prestassem atenção, ninguém respondeu, porém quando o príncipe abriu a boca para falar ela prosseguiu:
— Mas aqui estou falando outra vez das crianças. — repreendeu-se e suspirou, virando-se para a ruiva a seu lado. — Saberás como é isso quando tiver os seus próprios filhos, Renesmee. — a princesa sorriu amável para menina. — Voltando ao assunto principal, acho que amanhã na parte da manhã a costureira, senhora Bert, estará disponível. — após um gole do suco emendou. — Mesmo que não esteja ela não negará um pedido meu. — finalizou com um jeito sagaz.
— Querida, não é normal vê-la abusar de sua posição.
— Sei disso, querido. Mas não tenho muito tempo com a Renesmee, preciso aproveitar esse fim de semana para adiantar muitas coisas. — replicou Rachel.
Jacob engoliu com pressa e força o seu gole de vinho.
— Então ficará o fim de semana? — sua voz era ligeiramente enérgica.
— Sim, claro! Gostaria de ficar mais, no entanto a nossa Rainha não aguentará os netos por mais tempo que isso. Por mais que cada uma das crianças tenha a sua própria ama, a Rainha faz questão de participar ativamente da criação dos netos. — explicou e deixou um risinho esclarecer a situação, seus filhos eram bastante agitados e a mãe de seu marido não era mais tão nova.
— Ah claro, eu também gostaria que ficasse mais. — O Duque comentou com um singelo sorriso, por mais que naquele momento específico ele desejasse a irmã bem longe de Kent.
— Então, Renesmee não se atrase. Amanhã, às nove horas, nós vamos à cidade. — Rachel pronunciou.
A ruiva respirou fundo e assentiu. Sentia-se estranha, não ficava a vontade naquela situação, não estava preparada para vestidos, danças e bailes. Adorava a tranquilidade e simplicidade do campo, aquela era toda a sua vida. Entretanto era Rachel, a princesa, a dona da casa em que vivia. Além do mais, a companhia de Rachel era sempre agradável, havia o carinho que sentia por ela e sabia que era correspondido. Ela não a desobedeceria.
— O que faremos amanhã? — Paul perguntou para o cunhado, sua voz era tão alegre como a de sua esposa.
Após alguns segundos de silêncio Jacob ergueu apenas o olhar e três pares de olhos — de colorações diferentes, mas com expectativas similares — o encaravam.
— O que foi?
— As mulheres vão às compras, pensei em uma luta de esgrima. O que acha? — Paul indagou — Há muito tempo não pratico e creio que você também. — acrescentou.
Jacob tomou mais um gole de seu vinho e encostou-se ao espaldar da cadeira. Não estava a fim de esgrima, nem de ficar na companhia do cunhado. Seu corpo estava tenso para relaxar dentro de algum outro, todavia, aquilo não seria viável por alguns dias. Talvez fosse melhor assim, deduziu e respirou fundo.
— Ok, está bom para mim. — respondeu sem qualquer empolgação para a atividade, mas disfarçou bem a emoção.
~*~
À noite, sim, estava serena. Jacob após terminar sua leitura, sem atenção, pois só pensava na ruiva do quarto próximo ao seu, vestiu seu robe e pegou a vela que o ajudava a ler, saindo determinado de seu quarto.
Estava próximo ao quarto de Renesmee quando um clarão saiu dele. O coração de Jacob deu um pulo, sua respiração acelerou e logo pela porta da menina saiu Rachel enrolada em um xale grosso e segurando um castiçal. Seu rosto era iluminado pela luz amarelada e bruxuleante da vela, assim como Jacob.
— O que faz aqui, meu irmão? — a princesa sondou.
Jacob deu um sorris nervoso esforçando-se para disfarçar a emoção.
— Estava indo ao meu quarto, fui ao terraço. E você, o que estava fazendo?
— Queria falar umas coisinhas com a Renesmee. — disse um pouco desanimada.
— A essa hora? Não poderia esperar até amanhã? — Jacob retrucou abismado com a ansiedade de sua irmã.
— Não! São assuntos femininos, que eu gostaria de tratar com urgência. — Rachel respondeu empinando o nariz.
Na verdade sua mente estava curiosa. Renesmee já havia tido a menarca? Ela tem interesse em alguém? Nessa idade começa o despertar, Rachel sabia bem disso. Sua mente fervilhava, porém não sabia como abordar o assunto, Renesmee era sempre muito fechada com todos. No entanto sua curiosidade teria que esperar porque encontrou a menina debaixo dos cobertores, aparentemente bastante concentrada em seu sono. O rosto parecia bem sereno, mas a verdade era que a menina ouviu o bater na porta e decidiu fingir que estava dormindo, uma vez que desconfiava da conversa e do assunto. Por outro lado, ela não conseguia dormir nem antes e nem depois da curta visita da princesa, pois ainda estava com as imagens da tarde — em que o Duque a tocou e pediu para deixar a porta do quarto aberta — na cabeça. Ela imaginou muitas coisas desde então e até pensou ser ele quando Rachel bateu à porta.
Sendo assim a princesa nem desconfiou da farsa e então assegurou ao Duque:
— Ela está dormindo em sono profundo. Parece até um anjo. — sua voz era extremamente carinhosa, assim como o seu sorriso terno. — Ela é tão linda, já reparou? Ela sempre foi bela, porém ela está mais bonita a cada dia. — comentou sonhadora e começou a prosseguir para a ala que levava ao seu aposento na mansão.
O Duque ergueu um pouco as sobrancelhas e engoliu um bolo salivar, indo acompanhar sua irmã.
É claro que ele havia percebido, mas jamais admitiria.
— Entendo e concordo. No entanto, para mim, ela continua a mesma de sempre. Linda, mas ainda uma menina. Tão frágil! — ele refletiu nas próprias palavras. No fundo era verdade, ele enxergava Renesmee como uma boneca frágil de porcelana, mas ainda assim muito sedutora.
Jacob sacudiu sutilmente a cabeça, obrigando-se a usar um pedaço de sua mente — aquela que via a razão — e continuou a conversa com a gêmea.
— Acho um absurdo essa sua ideia de querer transformá-la logo em uma dama para se casar. Não irei permitir isso, por agora. Ela é só uma criança, não está pronta para essa etapa. — disfarçou o incomodo ciúme ao imaginar a sua menina nos braços de outro.
— Como sabe? — já no corredor de seu quarto, Rachel virou-se para ele. — Ela já está crescendo... Já tem idade. De qualquer forma não irei casá-la amanhã, mas não quero que ela veja tudo com espanto quando chegar a hora. Quero que se acostume aos poucos com a transição de menina para mulher. Portanto usar roupas mais sofisticadas e adultas, além de frequentar bailes mais populosos, será um bom começo. — Rachel professava seus pensamentos continuando a caminhar. — Já pensou em fazer um baile aqui? Para os nobres da região. — sugeriu quase saltitante.
Jacob a encarou com uma careta desgostosa.
— Renesmee não tem prática em danças, Rachel. Com certeza não irá gostar de um baile por agora. — argumentou rabugento.
Aquilo clareou a mente de Rachel que no mesmo instante — frente à porta do seu quarto — deu um pulinho e se não estivesse com as mãos ocupadas bateria palmas. O seu sorriso foi tão grande que a pouca luz pôde iluminar todos os seus dentes igualmente brancos como os do seu irmão.
O Duque por outro lado arregalou os olhos e ficou com medo — com toda razão — do que viria a seguir.
— Renesmee precisa de aulas de dança! — falou animada e ainda sorridente.
O homem estranhou ainda mais, enrugando a testa, completamente avesso à ideia.
— Como isso, minha irmã? Ela já possui aulas de dança. Que ideia é essa agora?
— Escute-me, quero ensinar a dançar como se faz nos bailes. Não é tão difícil e nem demorado. Amanhã, depois das compras, ensinaremos a ela. — respondeu.
Aquilo foi como uma pedra caindo sobre Jacob.
— Como assim, nós? — Jacob estremeceu e perguntou com a voz aguda.
— Exatamente o que ouviu! Eu, Paul, você e ela, faremos um quarteto. Nós três poderemos ensiná-la a valsar. O próximo baile será em breve, não podemos perder tempo com aulas teóricas e pequenas de dança. Você sabe muito bem que aulas de dança são completamente irrelevantes, aprendemos a dançar com parceiros ótimos e experientes. No meu caso tive você e o papai, porém a menina tem a nós três.
Por um momento o homem lembrou-se de quando William se revezava entre fazer o papel do homem e da mulher para ensinar aos dois filhos a verdadeira valsa. Porém Rachel atrapalhou — outra vez — as suas divagações.
— Bem, mas isso será amanhã. Agora vou dormir. — falou antes de um bocejo discreto. — Faço o mesmo, meu irmão. Amo demais você. — disse antes de um abraço e entrou em seus aposentos.
Jacob voltou para sua ala, parou diante da porta do quarto de Renesmee e suspirou. Já era tarde, como Rachel dissera, ela estava em sono profundo. Além do mais seria muito arriscada a invasão. Rachel poderia se levantar e voltar ao quarto da menina novamente, eles poderiam fazer muito barulho... Por fim Jacob chacoalhou a cabeça e decidiu retornar para o seu quarto. No entanto o Duque não conseguiu dormir tranquilamente, não antes de visualizar a ruiva ali nua, disponível para ele, obrigando-se a ter que se aliviar com as próprias mãos, praguejando que por mais uma noite não a teve.
Pela manhã, enquanto seu valente o ajudava a se vestir, ele ponderou se aquilo não seria melhor. Mesmo seu corpo e membro reclamando, ele refletiu. Ela é só uma menina, sua mente gritava a todo o momento, mas seu corpo parecia ignorar aquele alerta.
O café da manhã foi somente ele e Paul, Rachel já havia levado Renesmee nas primeiras horas da manhã. A própria princesa quis arrumar a menina para saírem.
~*~
O sol raiava e tornava o céu fulguroso em um lindo coral que ofuscava as árvores, mas não suas sombras. Lindos desenhos que Renesmee apreciava do seu quarto.
Não se preocupou em ver o relógio, mas imaginou — erroneamente — ser a primeira a acordar na casa. Porém a princesa no minuto seguinte bateu a sua porta, aprontando-a com primor e descendo para tomarem o desjejum. Finalmente partiram bem cedo como o planejado.
No coração da cidade, a poucos metros do vilarejo, Rachel explicava a Renesmee quando deveria usar o veludo ou a renda.
— Nem veludo e nem cor escura para o verão, entendeu?
Renesmee mexia sem atenção em um arranjo de cabeça sobre um balcão.
— Senhorita Renesmee! — Rachel disse mais alto, ainda dentro do permitindo, apenas para chamar atenção da menina.
— Perdão Alteza, me distraí. — murmurou e um bocejo lhe escapou dos lábios.
— Criança. — Rachel se compadeceu, a levando para sentarem em banquetas acolchoadas do ateliê. — Sente-se aqui. Parece-me cansada. Realizou atividades domésticas ontem? — sondou horrorizada.
A menina estranhou a pergunta, franzindo a testa e negando com a cabeça.
— Ontem dormia tão bem. Não entendo por que parece ter passado a noite em claro. — Rachel ponderava, levantou e virou-se de costas para a menina enquanto refletia.
Renesmee tinha olhos levemente fundos e caídos, sua feição demonstrava cansaço.
De fato ela não dormiu, ficou boa parte da noite esperando o Duque para saber o que ele faria. A espera foi apreensiva, temerosa... Mas igualmente ansiosa. Renesmee respirou fundo com a lembrança da noite que passou em claro.
— Perdoe-me, alteza. — agora suas bochechas estavam rubras de vergonha.
Rachel sorriu e voltou a se sentar ao lado dela.
— Prometo que essa é a última loja. Após o almoço descanse, pois antes da noite irá dançar.
Renesmee arregalou os olhos.
— Aulas de dança são as terças, Vossa Alteza.
Rachel deu um risinho.
— Você terá instruções mais específicas, eu irei te ajudar. Precisa estar pronta para seu primeiro baile na corte.
Renesmee teve vontade de gritar. Não queria ir para a corte, não queria nem sequer ir a Londres e se misturar com a aristocracia, muito menos meter-se entre os maiores nobres da Inglaterra. O campo era seu lar, era tudo que sempre conheceu, era ali que sua mãe queria que ficasse.
— Irá gostar, Renesmee. Eu garanto! Não faça essa cara. — Renesmee sorriu um pouco. — É divertido. Conhecerá outras moças, rapazes aptos para o cargo.
Renesmee arregalou os olhos azuis e disse com a voz em uma oitava mais alta:
— Cargo?
Outra risada veio de Rachel.
— Para marido, querida. Não agora, mas quanto mais cedo se preparar será melhor. Aos dezessete fiquei noiva, imagina se a tia Margareth não tivesse me preparado no meu primeiro ano em Londres. — elucidou a Princesa. Renesmee ficou em silêncio a observando entregar inúmeros tecidos à costureira conforme terminava seu argumento. — Eu não teria conquistado um príncipe, não é mesmo? Nós também vamos levar esses três modelos de vestidos já prontos. Ficaram lindos e você adorou. — informou emendando o assunto sem muita importância.
Renesmee assentiu, mas ficou refletindo sobre o que a Princesa havia comentado anteriormente.
Não era bem assim... Rachel era linda e educada, Paul se apaixonou somente por olhá-la. Rachel poderia ser até uma plebeia sem francês que ele a cortejaria. Mas Renesmee pareceu assimilar a ilustração, após um suspiro aquiesceu e a seguiu para fora da loja.
Se realmente quisesse se casar teria que se empenhar para ser uma das melhores ou a melhor moça da temporada, no entanto, ela não queria sequer sair dali. Não se imaginava casada, com uma família, residindo em Londres e tomando chá com grandes ladies.
Nunca se imaginou com um homem. Até algumas semanas atrás.
Seu corpo estremeceu com o pensamento. Jacob novamente veio em sua mente. Suas mãos, lábios, calor, a aspereza de sua língua, a delicadeza incitante de seus dedos, sua voz aveludada, seus olhos enigmáticos...
— Renesmee!
A voz de Rachel a despertou e ela reparou na carruagem real parada e aberta à sua disposição.
— Como anda distraída! — Rachel a repreendeu levemente, já estavam entrando na carruagem. — Quer me dizer o que perturba a sua cabecinha?
— Nada, Alteza.
— Está com o olhar distante, brilhante, mas distante. Algo me diz que pensa em coisas alegres. — Rachel comentou astuta, mas só ganhou um sorriso tímido da menina.
Pelo resto do caminho não houve mais uma palavra da ruivinha.
~*~
Jacob não conseguiu se concentrar durante o jogo de cartas nem na esgrima. Para onde Rachel havia levado a sua pupila? Ele se perguntava o tempo todo.
Até que quando foi anunciado o almoço, ele e Paul se dirigiram a sala de refeições, encontrando as duas já sentadas à mesa.
À tarde, após o almoço, Renesmee relaxou na biblioteca enquanto Rachel — sua mais nova e peculiar preceptora temporária — retirou-se para o seu aposento com objetivo de descansar e dormir juntamente a seu marido. Seria apenas um cochilo da tarde, mas igualmente revigorante para os dois nobres.
Jacob, ignorando seu demônio interior — que o mandava procurar a menina Renesmee — andava pela propriedade sem atenção. Há essa hora as nuvens brancas adornavam o céu azul claríssimo, o verão estava em seu pico. Era difícil um clima tão quente, certamente choveria.
Da grande janela da biblioteca aberta pelas cortinas pesadas de um veludo azul Royal, ainda era protegido pela vidraça límpida, Renesmee pode ver o homem trafegando pelo vasto terreno da propriedade Black. Seu coração saltou, era uma bela visão; aquele homem robusto e enorme sendo sombreado pelos raios de sol.
Por pura casualidade Jacob virou-se para a casa e vislumbrou a ruiva na janela. Renesmee sobressaltou-se e com a respiração acelerada voltou a se sentar na poltrona enquanto o Duque jogava fora a razão e rumava a passos firmes e apressados para o interior da casa e em seguida rumava-se para biblioteca.
Ruídos de passos chamaram sua atenção e ele relutou em abrir a porta, para seu desânimo altamente visível Rachel apareceu no corredor.
— Não vai descansar essa tarde, Jacob?
— Você que deveria estar descansando irmã. Está gravida! — elucidou o Duque contrariado.
— Sei, mas tenho muitas coisas a fazer. Não consigo dormir pensando nas coisas.
— Compreendo. — Jacob se colocou na frente da porta da biblioteca com as mãos no bolso, um rosto falsamente tranquilo. Suas pernas iam para trás e para frente, seus pés batendo de forma ritmada no chão.
— Falando nisso, preciso conversar mais uma vez com você antes de começar a fazer minhas coisas. Tem um minuto ou pretendia ler? — a voz terna de Rachel chegou ao irmão. Ele se controlou para não blasfemar em sua frente.
Ele só queria estar com a doce ruiva. Ele só precisava dela. Nada mais. Sua paz e tranquilidade estariam alcançadas de forma sublime. Contudo, Jacob puxou o ar com força, o soltou lentamente e sorriu.
— Claro, minha querida irmã. Vamos ao meu gabinete.
— Diga, Rachel. — Jacob disse ao sentar-se em sua cadeira atrás da mesa em seu gabinete, logo após Rachel sentar-se na cadeira da frente.
— Pensei em elaborar um jantar formal. — Rachel falou e deu uma pausa para ver se o irmão se manifestava, mas ele parecia estar com o pensamento longe.
De fato Jacob tinha as mãos cruzadas sob o queixo e o olhar no rosto da irmã. Ele a ouvia, mas demorava a absorver. Rachel por sua vez continuou:
— Hoje à noite. Para Renesmee se acostumar e...
— Um jantar formal hoje à noite? — ele acordou de repente — Por quê?
— Renesmee precisa aprender esse tipo de coisa na prática, além de valsar. — sua irmã respondeu calmamente.
Jacob relaxou na cadeira e adotou uma careta contrariada, deixou o cotovelo na mesa e os dedos massageando uma das têmporas. Estava sendo um dia difícil, afinal.
— Rachel, precisamos ir devagar com ela. — argumentou impassível.
— E estou sendo, mas não tenho todo o templo do mundo para lidar com ela, infelizmente. Não a obrigarei ir a Londres comigo. Respeito o amor dela por esse campo, por outro lado tenho quatro filhos pequenos há minha espera. — apontou taxativa. — Infelizmente meu tempo com ela é limitado, preciso aproveitar cada segundo.
— Entendo.
Jacob não mudou a expressão, porém nada mais disse.
— Então, teremos um jantar essa noite?
Rachel tinha olhos ansiosos e um sorriso cativante. Jacob suspirou.
— Está bem Rachel, faça-o como quiser.
— Ah! Amo você, meu querido irmão. — ela se animou e foi até ele abraçá-lo.
Assim que ficou sozinho em seu escritório o Duque levantou-se e se serviu de uma dose de bebida, logo se virando para o retrato de seu falecido pai.
— Não me disse que seria tão difícil. Muito menos eu lembro-me de Rachel ser tão obstinada e persuasiva. — virou o copo à boca. — Como lido com ela também? Está me enlouquecendo, pai.
~*~
Naquele sábado, a noite possuía uma brisa fria que levava os galhos das árvores da propriedade Black a dançarem ritmicamente. Renesmee se concentrava no mover das folhas que ela contemplava pela penumbra da lua enquanto Marina lhe dava os retoques finais como algo que tornava seus cabelos mais brilhosos e seus lábios minimamente mais corados.
— Está linda, senhorita! — a criada disse satisfeita com seu trabalho.
Renesmee deu um singelo sorriso e agradeceu. Ela se inspecionou; o vestido era de seda com bordados nos seios e renda francesa nas barras, seu corpete nunca esteve tão justo, no entanto nunca se notou tão bonita no espelho. O branco puríssimo destacava-se, parecia que brilhava. Ela então sorriu, sentiu-se linda, sapatos azuis claro com um mínimo salto, luvas de seda pura e um perfume floral mais forte.
— Está magnífica! — disse Rachel encantada quando a menina despontou na sala de jantar.
Estava tímida e encabulada, contudo, caminhou com elegância até a princesa e seu marido.
— Está encantadora, Renesmee. — o Príncipe a elogiou e fez questão de puxar a cadeira para ela se sentar ao lado de sua esposa.
A própria Renesmee sentia as bochechas esquentaram. Aquilo tudo lhe era estranho — nada insuportável—, no entanto ela preferia o espírito livre que era ao final de tudo.
A extensa mesa possuía castiçais de ouro a qual levavam velas que iluminavam graciosamente o grandioso cômodo, pois somavam aos candelabros dos aparadores e as arandelas. Além da grande iluminação, havia uma grande toalha bordada manualmente sobre a mesa, flores campestres dispostas igualmente às velas, e toda a prataria arrumada com excelência.
O jantar estava pronto para ser servido.
— E onde está Jacob? — Rachel perguntou.
— Ainda não apareceu no salão. Eu acredito que esteja se apontando, não deve demorar. — Paul respondeu a esposa.
No segundo patamar da mansão, Jacob — em seu quarto — fitou-se no grande espelho redondo, não reparando na roupa que seu valete arrumava, mas sim em seus próprios olhos.
Ele conversava internamente consigo mesmo ao sair dos seus aposentos.
Não será tão difícil. Não será tão difícil. Ele repetia para si mesmo a todo instante.
— Juro que matarei a Rachel por me fazer passar por isso. — Ele resmungou sozinho descendo as escadas. — Por que é tão enérgica, meu Deus? Olha que estou fazendo. Isso ainda vai me matar.
Jacob terminou o caminho sem vontade. Não era como se não quisesse estar com Renesmee, mas ainda não confiava em si mesmo. A ruivinha mexia demais com sua mente e corpo.
Quando o Duque adentrou ao salão de refeições não enxergou nada além da menina sentada à direita de Rachel. A qual logo levantou-se.
— Vossa graça. — Ela murmurou e voltou a se sentar.
Jacob parecia que havia perdido a fala. Estava paralisado olhando-a. Os cabelos reluziam sob a luz das velas, o rosto como ele nunca viu; bochechas levemente rosas de Rouge, assim como os lábios levemente corados, o sorriso singelo e o olhar brilhando. O Duque sentiu a respiração e o coração acelerar. Renesmee parecia um anjo.
O novo vestido deixava a clavícula à amostra, a pele lisa e corada como um delicado pêssego. A boca do homem abriu-se ligeiramente diante da beleza mais evidenciada da garota que contemplava.
— Não vai sentar Jacob? — Rachel rompeu o contato visual entre o irmão e a ruiva.
Renesmee se prendeu no ônix do Duque desde o comprimento, ele a fitava de uma nova forma dessa vez. Parecia fascinado, ela conhecia aquele olhar. Já tinha visto o antigo Duque fitar assim a sua mãe, William nunca disfarçou seus sentimentos.
Por que Jacob a fitava daquela forma? Ela não saberia responder, mas entendeu que — assim como todos e até ela mesma — a arrumação da noite havia agradado ao Duque.
Depois da interrupção da Princesa, Renesmee abaixou os olhos para o prato a sua frente e sorriu discretamente. Gostava de agradar o novo Duque.
— Vou sim, claro. — Jacob respondeu adotando rapidamente uma máscara serena.
Ele se sentou em frente a menina. Jacob pigarreou e sorrindo, arriscando-se a dizer:
— Está linda, senhorita Wood.
Dessa vez a cor do rosto da ruiva não era devido a maquiagem, ela corou pela sinceridade do nobre. Mas na verdade Jacob queria dizer que ela estava maravilhosa, muito mais sedutora. Os cachos minuciosamente feitos estavam ao redor do rosto e caídos sobre os ombros, o resto de seus longos cabelos lisos e acobreados estavam pesos em um coque atrás da cabeça.
Gostava dela com os cabelos presos também, podia ver mais de seus ombros e sua nuca.
Durante o jantar Renesmee comeu como a perfeita dama que aprendeu a ser. A luva em suas mãos, por mais incrível que fosse, ajudava ainda mais em sua sensualidade. Jacob observava cada movimento de seus delicados dedos que sob a seda, pareciam mais longos.
Então após a sobremesa era a prova de fogo.
Todos se dirigiram ao salão informal onde a iluminação era igualmente trêmula e acessa, no entanto, as luzes das chamas enfatizavam a ruiva e o vestido branco que tanto enlouquecia Jacob.
Ele seguia atrás dela, observava o modelo mais adulto — justo ao corpo —, a nuca estava exposta, o fazendo querer sentir a pele naquela região sensível. Quando ele a virou de frente para instrui-la na dança ficou perto demais de seu colo, o vestido lhe cobria e moldava os seios, que não eram mais tão pequenos como um dia foram e mesmo ainda não sendo grandes caberiam na mão do duque, exatamente como ele imaginava enquanto a fitava fingindo prestar atenção no que Rachel dizia do outro extremo do salão.
Após o comando da Princesa Elizabeth começou a tocar o piano — à governanta tinha sido solicitada para tocar o instrumento — e ocorreu o cumprimento que a ruiva conhecia.
Logo Jacob ofereceu a mão para ela. A menina tocou com cautela, ela está trêmula, e apesar das luvas de ambos o calor ultrapassou de um para o outro, assim como a mão do duque que delicadamente repousou na cintura dela aqueceu violentamente aquela região.
Renesmee teve alusão àquelas sensações recém-conhecidas, no entanto eles ainda se mantinham em uma distância considerável respeitosa, ele não podia beija-la.
— Me acompanhe, siga os meus passos sem olhar para baixo. — Jacob instruiu com a voz calma, como se suas palmas não queimassem de vontade de tocá-la diretamente na pele.
Após levá-la para ambos os lados por três vezes, a menina conseguiu acompanhar.
— Assim? — ela perguntou insegura, rindo nervosa por dançar com ele. Dança que moças só podiam compartilhar com homens depois dos quinze!
— Isso. Mantenha os olhos nos meus. — demandou suavemente fitando-a intensamente.
Renesmee não evitou piscar com a ordem. Ela já estava presa no ônix há tempos. Jacob respirava pesado, o olhar deslumbrado e curioso da menina o comovia.
— Assim? — Ela indagou outra vez.
— Está perfeita. — ele sussurrou de volta e se aproximou um milímetro, não estavam sozinhos, mas o momento os envolvia e ele ansiava por ela. Por cada pedaço dela, queria se colar a ela, dançar o mais próximo possível, beijá-la e marcá-la como sua.
Renesmee se sentiu nervosa naquela posição. Jacob a fitava com o olhar predador, um olhar que ela não sabia descrever, mas que lhe aquecia por inteiro e a fazia oscilar, desejar que ele a tocasse, como já havia feito.
— Renesmee... — Jacob praticamente gemeu em um fio de voz, sentia o perfume de flores que ela trazia. Ele estava se embriagando.
— Pise com leveza, Renesmee! — Rachel alertou de repente roubando a atenção do casal que dançava.
Jacob fechou o rosto para ela.
— Gire-a, Jacob, gire-a! — a Princesa prosseguiu não reparando a expressão sofrida do gêmeo.
Jacob segurou mais forte nas mãos dela e parou a dança, deslindo a mão da cintura até retirá-la por completo.
— Dê um giro suave, senhorita. — falou o Duque.
Renesmee graciosamente, porém com cautela, girou.
— Agora tente mais rápido.
Ela o fez e sorriu, parecia tonta.
— Está bem? — a voz do Duque era doce, Renesmee parecia flutuar ao ouvi-la. Ela assentiu e ele a pediu para repetir o giro. — Agora faremos enquanto dançamos. Consegue?
O Duque sorriu para ela. O sorriso dele era tão atraente e jovial que Renesmee gastou alguns segundos admirando-o.
— Continuem! — Rachel gritou quebrando a sintonia entre eles novamente.
Sendo assim, voltaram a valsar e fizeram um giro, depois continuaram o movimento.
— Muito bem, pequena. — ele sussurrou apenas para ela, lhe dando um sorriso afetuoso.
Renesmee estremeceu. Embora confusa, ela amava quando ele a tratava com informalidade.
— Renesmee, está ótima. — Rachel falou sem deixar de valsar suavemente com seu marido.
Jacob subiu um pouco a mão pelas costas de Renesmee, que notou o arrepio que correu seu corpo e fechou os olhos, se forçando a acompanhar a dança e não pensar em como sua pele queimava aonde o Duque tinha a mão.
— Quero-a. — ele sussurrou para ela com certo ímpeto.
A respiração de Renesmee acelerou-se e abrindo os olhos ela se perdeu nos passos.
— Por que pararam? Estavam indo tão bem. — Rachel comentou parando sua dança, pondo as mãos na cintura. — Continuem! — demandou.
Jacob quis amordaçar sua irmã. Seriamente.
— Acho que por hoje chega. — ele disse dissimulando seu estado de tensão.
— Mas...
— Chega, Rachel. — Jacob falou demonstrando cansaço — Renesmee está cansada, eu também. Você mais do que ninguém precisa descansar e Paul também. — completou.
—Verdade, querida. Isso não é bom em seu estado. — o Príncipe endossou.
— É só uma gravidez, não uma doença. — Rachel falou impaciente fazendo um floreio com a mão. — Não estou cansada. Você está Renesmee? — ela perguntou, mas a menina mantinha o olhar fixo na chama de uma vela do outro lado do salão.
Jacob havia se separado e parado a dança, contudo, não desgrudaram as mãos e a voz dele ainda ecoava vívida em sua mente. Quero-a... Quero-a... Quero-a... O que ele quis dizer? Era a pergunta que martelava sua mente no momento.
— Desculpe-me, alteza. — a menina disse voltando-se para ela.
Rachel suspirou e anuiu.
— Está mesmo cansada, querida. Vá descansar, não tem problema. — a Princesa disse com um leve sorriso compreensivo nos lábios. — Pedirei a Marina que suba logo para te ajudar com a roupa. Vá indo, sim? — acrescentou.
Jacob então soltou-a abruptamente e deu passagem para ela seguir pela escada principal.
A menina foi sozinha até seu quarto. Sua pele ainda queimava pelo calor do homem que a tocara e em sua mente só vinha as imagens dos olhos e lábios do Duque tão próximo a ela.
Renesmee desejou que ele a beijasse. Queria que ele a tocasse. Queria-o. Ela então suspirou e deitou-se na cama. Talvez ele também quisesse o mesmo.
~*~
A neblina da madrugada de domingo descia gradativamente sobre a mansão Black no pacato vilarejo. Conforme o nevoeiro se dissipava a claridade do sol nascente golpeava as janelas.
No quarto de Renesmee — como ela havia esquecido-se de fechar as cortinas na noite anterior — o clarão logo a despertou. Eram as primeiras horas da manhã, ainda estava frio, todavia a menina não aguentou de ansiedade.
Asseou-se e vestiu um modelo matutino — um dos seus favoritos — rosa claro, soltinho e com babados nas mangas. O corpete ela não conseguiu apertar tanto, assim como os cabelos que não pôde prender como na noite anterior, então ela prendeu apenas parte deles.
Quando chegou ao corredor que dava acesso a sala de jantar avistou a grande estrutura do Duque Black. A menina controlou a respiração, inalou fortemente o ar e sorriu para Vossa Graça.
— Bom dia, pequena. — o Duque a cumprimentou de forma suave.
Renesmee estremeceu violentamente e gaguejou:
— Bom... bom.. bom.. — a respiração já se acelerava.
Jacob estava perto demais.
— Continua maravilhosa. — disse ele com voz aveludada.
Um sorriso maroto brotou em sua boca, o olhar cobiçoso... Renesmee piscava direto pelo nervosismo, mais um pouco e ele a beijaria. No entanto, ele virou-se e caminhou até a sala de refeições sendo seguido pela ruiva.
— Rosa, quero mais ovos. Pode providenciar isso? — O duque disse sereno puxando uma cadeira para Renesmee se sentar.
A criada assentiu e imediatamente foi atender ao patrão.
Assim que ficaram sozinhos Jacob abaixou-se e apoiou suas palmas nas coxas da menina fitando-a de baixo. Estava em um angulo vulnerável, rendido a ela, porém não se importou, apertou as mãos sobre o fino tecido sentindo a delicada pele. Ele realmente estava vulnerável a ela.
— Está me enlouquecendo, Renesmee. Estou perdendo a razão por você. —ele sussurrou.
Renesmee arregalou seus olhos.
Jacob logo se ergueu a fim de beijá-la rapidamente, mas ouviu passos no corredor e apenas se colocou de pé.
— Bom dia, meus amores! — Rachel cantarolou — Bom dia, meu irmão. — falou indo dar a ele um breve abraço. — Bom dia, querida. — deu um beijo no topo da cabeça de Renesmee antes de sentar-se ao seu lado.
— Bom dia, vossa alteza. — a ruiva respondeu baixo.
Após o café Rachel arrastou novamente a menina para o ateliê no centro da cidade com o intuito de buscar mais algumas peças e acessórios. Ao voltarem para o almoço Rachel tinha as bochechas vermelhas e a respiração acelerada.
Assim que chegou a Princesa sentou-se no sofá da sala informal um pouco esbaforida, Renesmee sentou-se ao seu lado e após tocar o sino pediu a Elizabeth que mandasse preparar uma limonada para refrescar a Princesa. Rachel estava cansada e visivelmente fraca.
— Meu amor, está bem? — Paul perguntou preocupado com sua esposa. Ele acabara de adentrar a sala quando uma criada depositou a bebida na mesinha central.
— Ela sente-se cansada. — informou a ruiva.
Jacob veio logo atrás do cunhado. Ele e Paul jogavam xadrez a pouco em seu escritório.
— Minha irmã. Está bem?
— Sim, só preciso ficar um pouco sentada e tomar uma limonada que logo estarei revigorada. — informou sorrindo.
— Querida, acho melhor voltarmos. Em Londres anda menos, você tem menos afazeres, as criadas podem fazer por você. — o Príncipe sugeriu delicado e preocupado.
— Paul está certo Rachel, precisa de repouso e aqui você fica muito agitada querendo aproveitar o tempo. — Jacob começou, mas Rachel o interrompeu.
— Mas eu preciso...
— Querida, voltaremos em breve, são só alguns meses. Renesmee pode passar umas semanas conosco... — Paul contestou.
Renesmee estremeceu diante a ideia, mas disfarçou bem. Olhou para Jacob de soslaio.
— Rachel, vá. — reforçou Jacob. — Será melhor. Daremos um jeito de cuidar de Renesmee. Posso providenciar algumas coisas, e a senhora Ledger é ótima preceptora, conversarei com ela sobre isso.
Rachel não achava ninguém qualificada para preparar a menina, ela tinha a ideia fixa que seria a melhor instrutora para a ruiva. Era quase um sentimento de adoção!
Jacob vendo a relutância estampada no rosto da irmã acrescentou:
— Vá em paz. Prometo que lhe informo os pormenores.
Muito contrariada a Princesa aceitou os conselhos e após um descanso — na companhia de todos — se preparou para partir pouco após o almoço.
Os gêmeos despediram-se brevemente. Enquanto isso, Renesmee com saudades de Estrela não hesitou em visitá-la, e após a partida da princesa se colocou a cavalgar.
Quando voltou o sol estava se pondo. Correu para não se atrasar para jantar. Durante a refeição, cercados pelas criadas da cozinha, Jacob e Renesmee não trocaram uma palavra. Por outro lado os olhares eram constantes e gritantes, apenas para eles. Ninguém reparou a reciprocidade de anseios que havia entre os olhares deles.
— Vou me recolher, Vossa graça. Com licença. — a ruiva declarou ao levantar-se.
Jacob teve vontade de ir atrás dela, mas não seria prudente e nem sensato. Logo também se recolheu, leu alguns capítulos de um livro em seus aposentos e quando o fechou verificou o relógio sobre a lareira do quarto. Marcava 01:00 da madrugada.
A tentação de finalmente invadir o quarto da ruiva lhe tomou a mente e seu corpo estremeceu. No entanto, decidido não ceder a seus desejos insanos. Acabou apagando todas as velas e deitou-se.
Após muito tentar dormir Jacob concluiu que não conseguiria pegar no sono. O Duque levantou em um rompante e entrou firmemente no quarto da menina sem bater. Ela parecia o esperar em frente à porta — com a camisola de algodão aberta dando a acesso ao seio esquerdo parcialmente exposto—.
— Como me deixa louco, pequena. — disse já a alcançando e a abraçando. Eu te quero! Te quero tanto, minha doce menina. — Seus lábios capturaram com violência os lábios rosados, suas mãos facilmente adentraram a camisola da menina que não reclamou, ao contrário, o correspondeu e segurou-se nele.
Desesperado por mais dela, tirou a própria camisa de linho que vestia e a arrastou até a penteadeira. Por impulso, Renesmee entrelaçou as pernas em sua cintura. O Duque por sua vez aproveitou para roçar seu membro no corpo miúdo e quente. Seu membro estava inchado e ereto, ele gemia alto com o contato, louco para retirá-lo da calça e completar sua missão ali, mas algo o impedia fielmente.
— Maldição!
Jacob acordou suado, excitado e clamando por Renesmee de corpo e alma.
— Que loucura, meu Deus, que loucura! — grunhiu passando as mãos violentamente pelo rosto e cabelos.
Ele levantou, buscou o robe azul escuro e foi até o quarto da ruiva a passos lentos e leves. Antes de tentar abrir ele estreitou os olhos e ponderou com ele mesmo:
— Se essa maldita porta não estiver aberta eu vou enlouquecer, eu juro que arrombarei isso. — respirou fundo e soltou o ar com violência. — Eu preciso dela. — concluiu e prontamente partiu para mais uma tentativa.
Um clique na porta foi ouvido e coração do Duque acelerou como nunca!
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