Bloom
28 Secrets Revealed
Notas iniciais

Capítulo 28
O alvorecer daquele dia levava uma brisa perfumada pelas flores que desabrochavam naquela bela primavera londrina. O sol brilhava no céu azul e sem nuvens. A temperatura apesar de agradável naquela manhã prometia um dia quente na grande Londres. Diversos casais aproveitavam a linda manhã para desfrutarem de um agradável passeio pelo belo e tradicional Hyde Park.
Em meio a tantos outros casais, mas chamando a atenção por onde passava, um específico casal de nobres seguia tranquilamente o passeio pelo lindo jardim florido. A paixão e encantamento entre este casal tornava o cenário ainda mais adorável.
Jacob ao acordar pela manhã e constatar o lindo dia que prometia fazer na cidade, decidiu então por dedicar boa parte de sua atarefada manhã à esposa.
Talvez esse ato tão peculiar estivesse chamando atenção de muitos outros nobres que cruzavam o caminho do casal de duques. Afinal, Jacob jamais havia levado uma dama — respeitável ou não — para qualquer passeio que fosse. Nem mesmo a sua falecida primeira duquesa. No entanto agora o nobre lorde demonstrava o notório orgulho que sentia ao ter a lindíssima ruiva atada em seu braço direito.
Renesmee seguia sorrindo e conversando com o esposo. Ela parecia ter sido contagiada pela beleza daquela manhã. Sentia-se alegre e incomumente falante.
A ruiva estava ainda mais linda trajando um luxuoso e impecável vestido de cintura alta na cor azul celeste — que combinava perfeitamente com seus olhos, exatamente da mesma cor — com bordados em renda e pérolas em miniaturas. Usava também um par de luvas branquíssimas em seda e um elegante e caro chapéu que cobria e protegia a sua pele tão branca como leite.
— Poupée, está cansada? Quer voltar para mansão? — o atencioso nobre perguntou. Uma pitada de preocupação e zelo estampava o olhar atento.
Eles já haviam percorrido uma boa distância a pé pelo parque. Tinham deixado a luxuosa carruagem aberta alguns metros atrás. Queriam desfrutar melhor do tempo agradável.
— Estou ótima! Sinto-me imensamente satisfeita com o nosso passeio nesta manhã. Não poderia estar me sentindo melhor. — Renesmee sorriu para tranquilizá-lo. — Estou tão feliz de estarmos passeando aqui no parque. O dia está tão belo. Isso faz com que abrande um pouco a saudade que sinto dos dias em Kent. Lá é sempre tão lindo na primavera.
— Poupée, eu prometo que assim que a temporada em Londres tiver se encerrado e as minhas obrigações na cidade também terminarem, nós poderemos passar algum tempo em Kent. Também quero levá-la para passar um período no Castelo de York, em Yorkshire. Você ainda não conheceu essa minha propriedade, nós não tivemos tempo para visitá-la. São terras lindíssimas, as maiores e mais prósperas que possuo. E também a que carrega o meu mais importante título. Preciso apresentá-la como a minha nova e bela duquesa. Você precisa tomar o seu lugar de direito. — Jacob levou a delicada mão enluvada da esposa aos lábios e lá depositou um demorado beijo. Os olhos negros fixaram-se de forma penetrante nos azuis.
Renesmee começou a sentir o corpo esquentar na mesma proporção em que os olhos do duque demonstraram queimar intensamente de desejo. Mesmo fazendo o uso das luvas, a jovem duquesa podia jurar que era capaz de sentir todo o calor dos lábios do marido atravessar o tecido. Um arrepio passou por toda a sua coluna e se concentrou bem em seu centro, provocando ali uma fisgada mais forte e já bastante conhecida. Os pêlos claros de todo o seu corpo se eriçaram em resposta ao contato discreto, mas significativamente íntimo entre o casal.
Uma enxurrada de lembranças indecorosas sobre a noite anterior começaram a invadir cada pensamento da jovem lady. Instantaneamente as bochechas se aqueceram e ruborizaram-se.
Um beijo no dorso de uma mão enluvada podia ser visto como um tipo de carícia bastante comum para casais trocarem como afeto em público. Para qualquer um que passasse diante do casal e notasse essa discreta troca de afeto entre os nobres cônjuges não seria capaz de ter noção da verdadeira torrente abrasadora em que ambos estavam.
Renesmee tinha toda a face já enrubescida e um calor distinto — mas já tão bem conhecido — se apossava de todo o seu corpo. A respiração já mostrava sinais de alteração e os lábios estavam secos. Discretamente a lady mordeu a boca rosada para umedecê-la com a ponta da língua. Isso foi como um oásis para o febril duque!
— Acho que agora já podemos voltar à mansão, Poupée. — após lançar um olhar intenso. Jacob soltou a mão da esposa apenas para dizer a breve frase, mas tão significativa.
Bastou o duque erguer apenas um único dedo, de forma incrivelmente discreta, para ser o suficiente para que o seu cocheiro começasse a mover a carruagem na intenção de alcançar onde o casal havia parado.
Foi o próprio duque quem ajudou a bela esposa grávida a entrar na carruagem aberta. Após esperar pacientemente ela se acomodar no confortável assento de couro — ricamente acolchoado —, Jacob subiu logo atrás. Sentados lado a lado eles seguiram todo o caminho até a mansão apreciando a bela vista das movimentadas ruas. A manhã agradável havia se tornado em uma daquelas memoráveis lembranças de um lindo dia de primavera.
Jacob estava mais que decidido em seguir para sua propriedade e retornar para os seus aposentos com a esposa. Lá eles poderiam desfrutar de uma manhã apimentada sobre o leito. A intimidade do passeio despertou no duque uma necessidade quase selvagem de tê-la em seus braços de forma tão íntima e sublime.
Por mais que fosse considerado um ato escandaloso, casais voltarem para os aposentos ainda sobre a luz do dia, seus criados eram absolutamente fiéis e discretos em relação à rotina dos patrões. Nenhum deles comentaria nada em alguma roda de fofocas com criados de outras casas da Mayfair.
A carruagem adentrou a florida alameda que levava a entrada principal da Casa York. Porém antes mesmo do nobre cruzar o pórtico de entrada da luxuosa mansão com a esposa atada em seu braço o seu imponente mordomo entrou em seu caminho.
— Vossa Graça. — Smith fez uma respeitosa reverência. — Acabaram de chegar. — o intransponível mordomo estendeu a bandeja de prata com algumas missivas.
Jacob tinha deixado avisado que assim que as cartas de suas propriedades chegassem era para ele ser imediatamente comunicado.
— Claro, Smith. — Jacob olhou para as cartas na pequena bandeja e depois para a esposa. Um duelo cruel brotou bem no íntimo do lorde. Dever ou prazer era uma escolha muito difícil naquele momento.
— Querido, estarei em minha sala privada. — Renesmee não esperou o marido fazer a dolorosa escolha. Ela tomou a própria iniciativa. Já estava se adaptando aos protocolos sociais. — Com licença, milorde. — fez uma graciosa reverência ao marido antes de sair.
Jacob deixou um discreto suspiro sair. Infelizmente ele teria que esperar para tocar o corpo quente de sua amada, agora era hora de cumprir com o dever e a responsabilidade.
— Vamos ao meu gabinete, Smith. — ordenou ao criando, já se encaminhado para o escritório.
Assim que se viu instalado confortavelmente em sua cadeira, Jacob começou a abrir cada selo de cada carta. O mordomo servia um licor para o patrão enquanto ele lia cada missiva atentamente.
Desde que o desagradável episódio em que Renesmee foi confrontada pela criada com quem já tinha dormido antes, Jacob decidira que jamais iria expor a esposa novamente a tal situação de desconforto em sua própria casa. Com isso ele fez o incrível esforço de lembrar-se de cada criada com quem já tinha dormido em todas as propriedades que possuía.
Agora o duque lia cada carta que informava que a sua ordem já havia sido acatada. As criadas que ele tinha pedido para serem dispensadas já não trabalhavam mais nas propriedades da família. Porém Jacob também solicitou que excelentes cartas de recomendações fossem entregues junto com o pagamento final e uma bonificação. Ele sabia que logo todas estariam bem empregadas em casas de outros nobres das redondezas.
O duque estava satisfeito em saber que agora poderia levar sua linda esposa em cada uma das suas propriedades sem expô-la a situações desagradáveis com ex-amantes. Ele era precavido e não queria em hipótese alguma Renesmee sofrendo por antigos casos sem importância. O nobre sabia que não poderia apagar o passado de devassidão e libertinagem, mas tinha certeza absoluta que não queria voltar para aquela vida vazia de sexo superficial.
— Smith, se desfaça dessas cartas. Você sabe o que fazer. — devolveu a bandeja com todas as missivas.
— Perfeitamente, Vossa Graça. — o mordomo pegou a bandeja. — Milorde, o chefe dos cavalariços solicitou a vossa presença no estábulo. Informou-me que se trata de um assunto urgente.
— Claro. — Jacob franziu o cenho, mas logo a compreensão lhe abateu. Imediatamente tomou o último gole de seu licor e se pôs de pé para deixar o gabinete.
Antes de deixar totalmente o cômodo, Jacob viu o seu fiel mordomo começar a queimar a cartas no baixo fogo da lareira que tinha em seu gabinete.
~*~
Assim que o duque chegou ao estábulo todos os seus empregados pararam os seus afazeres e o cumprimentaram com todo o respeito que a sua posição exigia.
— Vossa Graça. — o chefe dos cavalariços se direcionou para o patrão e fez uma mesura desajeitada.
— Informaram-me que necessita falar comigo com urgência. Algum problema, Christian?
— Milorde, hoje ainda antes que o sol nascesse um criado de Kent chegou trazendo uma égua que Vossa Graça havia solicitado. Não fui eu quem a recebeu, mas eu mesmo tinha preparado uma baia para ela. Porém quando me comunicaram de sua chegada fui pessoalmente examiná-la e...
— Pelo amor aos céus! Não me diga que a égua está doente ou que lhe aconteceu algo? Ela pertence a minha esposa. A Duquesa tem verdadeira adoração pelo animal. — Jacob interrompeu a fala do cavalariço. Estava nervoso com a possibilidade de algo ter acontecido com a égua branca.
— Calma, Vossa Graça. A égua não está doente. Pelo contrário, está em perfeitas condições. — o criado deu um leve sorriso com seus dentes maltratados. — Mas não posso dizer que não tenha nada de diferente.
— Sem floreios para falar-me o que há de errado, Christian! — o duque repreendeu ao criado, que era mais velho que ele próprio.
— Perdoe-me, Milorde. — desculpou-se o chefe do estábulo. —Tenho bastante experiência para afirmar que a égua encontra-se prenha e...
— O QUÊ? — Jacob mais uma vez interrompeu o cavalariço, porém agora a sua voz tinha se elevado várias oitavas. Os outros criados do estábulo já não mais prestavam atenção em suas atividades, mas sim no diálogo do nobre com o chefe do estábulo. — Isso é impossível, Christian! Não temos mais nenhum cavalo na propriedade de Kent. Somente éguas. Há tempos mandei levar todos os garanhões que tínhamos lá para Bistrol. Isso é impossível. — Jacob negava veemente com a cabeça.
— Vossa Graça, eu insisto em afirmar que a égua está prenha. Não sei informar como os criados de Kent não perceberam, pois já são visíveis as alterações físicas do animal. — disse com segurança o experiente criado.
— Leve-me para vê-la imediatamente. — exigiu Jacob. — Como explicarei isso a minha esposa? — o duque falava mais para si mesmo que para o criado. — Estrela não é de pastar sozinha pelo campo. Ela recebe os melhores cuidados em Kent. Esse incidente não pode ter ocorrido! Ela não pode ter cruzado com um mestiço qualquer do vilarejo! — esbravejou o nobre enquanto seguia o criado através das diversas baias. Ali era o lado onde os melhores cavalos ficavam. Inclusive os seus preferidos, como Trovão, ficavam ali. Instantaneamente Jacob parou em frente à baia do garanhão Inglês de puro sangue. Uma luz se acendeu e clareou os seus devaneios. — Eu não acredito que você fez isso! — acusou diretamente ao cavalo negro, que mantinha o longo e musculoso pescoço para fora da porteira da baia. O animal relinchou em resposta.
— Milorde? — Christian chamou inseguro pelo patrão. Jacob parecia que iria explodir a qualquer momento de tão vermelho que estava sua face. Era raiva. — O que está acontecendo? — questionou.
— Trovão! Isso é o que foi. — Jacob olhou bem dentro dos olhos negros do cavalo. Trovão parecia sustentar o olhar do dono. — O único cavalo que esteve em Kent por um tempo foi o Trovão.
— Ah, então com certeza foi ele. — sorriu o cavalariço, parecendo satisfeito por solucionar o mistério. — Trovão vem de uma longa linhagem de garanhões. Não perdoaria nenhuma égua que esteja no cio. Ele até uma vez fugiu da baia para se acasalar com uma jovem égua que tinha entrado no cio pela primeira vez. — contou com orgulho o criado.
Jacob pensou em continuar repreendendo seu adorado cavalo negro, mas Trovão era orgulhoso demais para abaixar a cabeça. Talvez por isso que era o seu cavalo preferido. Por mais que fosse difícil de admitir — mesmo pra si próprio — Jacob teve a ideia, no mínimo irônica, ao pensar que o cavalo era a cópia do dono.
Ele havia engravidado Renesmee na calada da noite, na mansão de Kent. E Trovão engravidou Estrela na tranquilidade do estábulo durante a noite, provavelmente. Que irônica parecia a vida naquele instante.
Após Jacob verificar que a linda égua branca realmente já mostrava indícios que estava prenha, ele ainda estava pensando se iria ou não castrar seu audacioso cavalo.
Como agora iria dá a notícia a Renesmee? Era para ser uma surpresa a vinda da égua para Londres... Mas parece que agora a surpresa será em dose dupla!
~*~
Jacob puxou o ar com força para os pulmões assim que se viu bem diante da porta maciça da sala particular da esposa. Ele deu apenas um único toque firme antes de entrar, sem ao menos esperar por uma reposta.
Por um instante o duque se perdeu na linda imagem da esposa pintando uma tela de forma tão concentrada. Ela estava belíssima naquele ângulo. A luz dourada do sol entrava através das enormes vidraças das janelas. Os cabelos acobreados pareciam mais vibrantes e brilhosos, principalmente pelo contraste com a pele tão alva. Ela era a perfeita imagem de um anjo selvagem.
— Jacob! — Renesmee disse de forma alegre assim que constatou que era o marido quem estava olhando-a. Ela estava tão concentrada em acabar o desenho que nem escutou ele entrar, mas sentiu que estava sendo observada. — Demorou a retornar, meu amor. Era algum problema sério? — indagou atenciosa e preocupada.
— Não necessariamente. Apenas um pequeno incômodo e contratempo. — Jacob optou por não contar para a amada a novidade com sua égua de estimação. Iria sondá-la primeiro. — Mas me mostre o que está pintando. — seguiu em direção à tela que a duquesa pintava. — Nossa, está perfeito! — o duque se surpreendeu ao vê o desenho de um casal passeando ao redor de um lago.
Era incontestável que se tratava da réplica de seu passeio de mais cedo com Renesmee. O cenário, a paisagem, o casal de braços dados... Tudo dava indícios que se tratava deles.
— Queria retratar em uma tela o passeio que tivemos essa manhã. Ainda não terminei... Faltam muitos detalhes ainda. — Renesmee disse acanhada para o marido, que observava atentamente cada traço na tela.
— Poupée... Você tem um talento fenomenal para a pintura e para a música. — o duque abraçou e beijou seus lábios com a veneração de sempre. — Quero montar uma galeria com os seus quadros. Eles merecem ser emoldurados e expostos em um lugar de destaque. Depois escolheremos um lugar na propriedade para usarmos.
— Não precisa, Jacob. — a face alva estava em vermelho. Os olhos pinicavam de emoção. — Fico feliz só em saber que gosta dos meus quadros. Amo muito pintar e tocar, principalmente para você.
— Faço questão de ter uma galeria com seus melhores quadros. Podemos fazer em cada propriedade uma galeria com seus quadros. Tenho certeza que guarda um baú cheio de pinturas esplêndidas!
— Parece que me conhece bem demais. — Renesmee sorriu fascinada pela atenta percepção do marido. — Vamos tomar chá juntos enquanto conversamos— Acabaram de trazer o jogo de chá.
— Claro. Tudo para ficar máximo de tempo ao lado da minha amada Poupée. — Jacob nunca cansava de abraçar e beijar a esposa.
Durante o chá o casal conversava sobre trivialidades do dia a dia e também escolhiam os eventos sociais os quais compareceriam juntos. Renesmee acabou por pedir ajuda ao marido para escolher em quais convites para chás deveria comparecer e qual convite deveria declinar. Jacob conhecia todas as famílias mais importantes, saberia ajudá-la na escolha.
— Com certeza esse é um convite bem interessante. — Jacob soltou uma gargalhada ao vê o papel caro e as breves palavras do convite. O Duque se recompôs rapidamente. Precisava responder ao questionamento mudo da esposa. — Esse — ergueu o convite e sacudiu no ar — se trata de um raro convite para um chá, na próxima tarde de quinta feira. Ninguém mais ninguém menos que a condessa viúva de Ateara. Ela é a avó do Lorde Quil. Eu particularmente gosto bastante dela, mas muitos a consideram uma senhora inconveniente. Por já ter uma idade bastante avançada, ela acha que pode falar tudo o que pensar. E ela realmente fala! — o duque mais uma vez gargalhou com lembranças da velha lady.
— Então devo declinar ao convite? — Renesmee perguntou em dúvida ao marido.
— Não, pelo contrário, deve aceitar o convite. — afirmou seguro o nobre. — Apenas sente-se bem distante dela. Muitas vezes ela usa a bengala como uma forma dolorosa de punir quem a incomoda. — mais uma vez a gargalhada deixou os lábios carnudos do duque. Renesmee tinha os olhos azuis sobressaltados pela revelação. — Fique tranquila, Poupée. Lady Mary Ateara me adora, sei que gostará de você também. É raro ela oferecer algum chá em sua residência, por isso deve comparecer. Ela foi uma Condessa muito importante e respeitável, sua aceitação ainda tem importância nas rodas sociais. Ela adora lady Claire, porém tem enorme implicância com Lady Lillian, mãe do Quil. É divertido de ver esse triângulo de farpas. — Jacob riu mais uma vez.
— Se você acha que é tão importante eu comparecer, devo então preparar um belo vestido para a ocasião. — a jovem duquesa também sorriu, por fim.
— Preciso apenas que saiba que a Condessa viúva é muito perceptiva. Apenas seja você mesmo que ela ira adorá-la. Você é encantadora para todos, principalmente para mim. — Jacob selou os lábios com ternura aos da esposa.
Renesmee parecia nervosa com as revelações sobre o próximo evento que compareceria, era somente para ladies.
A jovem duquesa relaxou nos braços fortes e acolhedores do marido. Toda a preocupação se esvaiu à medida que o beijo se tornava mais intenso. Aos poucos o casal relaxava sobre o confortável sofá, permanecendo logo deitados sobre o acolchoado. As carícias ganhavam formas mais íntimas e intensas. A entrega naquele momento era desejada e inevitável.
~*~
Fazia uma linda e fresca tarde quando a luxuosa carruagem parou em frente à suntuosa mansão. Renesmee teve apenas alguns segundos para respirar fundo antes que a porta fosse aberta e a mão estendida do criado ficasse visível para ajudá-la a descer do veículo.
A bela ruiva estava impecável da cabeça aos pés. Com ajuda da sua querida aia tinha ficado irrepreensível em sua aparência, porém já se encontrava dez minutos atrasada para o chá na residência da Condessa viúva.
O atraso não foi nem tão grande por causa de sua detalhada produção, foi mais porque o cocheiro insistia em andar em uma velocidade extremamente lenta. Tudo ordens do cuidadoso duque. Ele não permitia que o cocheiro responsável pela carruagem da duquesa corresse o mínimo que fosse, exceto se alguma emergência extrema acontecesse.
Chegar na hora, em um chá da tarde, não era o que o duque considerava emergência extrema!
A Duquesa tocou apenas uma vez a aldrava e logo a porta foi aberta por um senhor que estava vestido de forma impecável, era o mordomo. Ele prontamente recebeu o convite e cartão de identificação que a jovem lhe estendeu.
Assim que o solene criado tomou consciência de quem se tratava à tão jovem dama, ele fez uma impecável mesura em respeito à elevada posição social da lady. Com certeza ela era a convidada de maior posição social que compareceria ao evento daquela tarde.
Renesmee seguia o caminho que o criado indicava. Seus passos delicados e elegantes não denunciavam o seu verdadeiro estado de espírito. Ela estava nervosa por causa do chá. Estaria sozinha ali. Rachel havia avisado que não poderia comparecer, tinha compromisso real com o esposo.
A única pessoa que ela sabia que estaria presente, e que conhecia, era lady Claire. Usou esse fato como apoio para tirar forças para sobreviver ao evento social.
Assim que Renesmee entrou no elegante salão reparou que vários pares de olhos se voltaram para ela. Todas estavam avaliando a dama que acabara de chegar. Algumas ali já sabiam de quem se tratava a jovem ruiva que acabara de entrar no salão, outras apenas especulava sobre quem era.
— Boa tarde, Milady. — falou uma senhora de vestido negro muito elegante e cabelos brancos bem amarrados em um coque elaborado. — Devo deduzir pelo que já escutei falar, que se trata da muito jovem, bela e nova Lady Black, duquesa de York. — findou a mais velha, que estava sentada em um canapé estrategicamente posicionado para enxergar todo o salão.
— Está correta, Milady. -- Renesmee fez uma leve e elegante mesura. — Acredito pelo que meu esposo me disse que se trate da Lady Mary Ateara, Condessa viúva de Moonshire.—- imediatamente a ruiva refreou qualquer outra palavra, se arrependendo de imediato por dizer a poucas palavras que acabara de falar. Poderia ser interpretado como uma afronta a Condessa viúva. Mas ela estava tão nervosa que apenas seguiu o padrão da conversa sem ao menos pensar antes.
Duas dezenas de pares de olhos alternavam os olhares atentamente entre a mais nova e a mais velha do salão. Um silêncio perturbador se instaurou por alguns longos segundos. Renesmee tentava controlar sua inquietação interna, não queria demostrar fraqueza e nervosismo perante as demais ladies. Ela era uma duquesa e teria que mostrar o poder e peso de seu título.
De repente um som oco ecoou pelo ambiente e em seguida uma gargalhada pode ser ouvida.
Foi somente nesse momento que a jovem duquesa se atentou na bengala encrustada — na ponta — com pedras preciosas na mão direita da idosa. Era a famosa bengala que Jacob havia mencionado.
— Vejo que o meu querido Duque de York não escolheu uma mocinha enfadonha para se casar dessa vez. — a senhora continuava a sorrir. — Apesar de que eu gostava bastante da falecida primeira Lady Black. Ela parecia tranquila, mas tinha uma língua bastante afiada quando queria. Não é Lady Call? — apontou a ponta da bengala para a lady sentada em um dos sofás próximos ao canapé que estava sentada. Ela sabia das farpas trocadas algumas vezes entre as duas ladies.
Assim como boa parte das damas ali presentes, a viúva Lady Ateara não simpatizava muito com a jovem Marquesa. Seu convite só foi feito devido à adoração que sentia pelo Marquês. Embry, assim como Jacob, era o amigo de seu amado neto Quil. Ela adorava aqueles três rapazes, que conhecia desde que nasceram.
— Lady Leah Black era uma dama muito refinada. Essa é a única lembrança que tenho dela. — disse com a voz suave. — Além do fato de ter morrido ao tentar dá um herdeiro ao duque. — Caroline não deixou de destilar o seu veneno. Ela nunca foi amiga de Leah. — Ai! — murmurou após ser atingida no joelho pela bengala da Condessa Viúva.
— Desculpa, Querida. — Lady Mary Ateara sorriu de forma inocente demais para os seus mais de setenta anos. — As minhas mãos já estão tão trêmulas pela idade que às vezes sofrem com pequenos espasmos incontroláveis. Mas sente-se aqui, Lady Black. Guardei esse lugar especialmente para você. — apontou com a bengala para um lugar vago em um sofá bem próximo onde estava sentada.
Para alívio de Renesmee ela notou que se tratava de um lugar ao lado de Claire.
— Obrigada, Lady Mary Ateara. — Renesmee agradeceu ao sentar-se no lugar reservado a ela. Sua postura era ereta e impecável.
— Por nada. — sorriu à idosa. — Mas pode me chamar somente de Lady Mary, se preferir.
Na mesma hora que as palavras foram ditas pela senhora algumas faces se fecharam em desagrado. Claro que todas disfarçadas pelas xicaras de chás que foram levadas aos lábios. A condessa viúva só permitia ser chamada pelo primeiro nome somente quem ela gostava. Naquela sala poucas tinham autorização para chamá-la assim.
Sua nora, lady Lillian Ateara, mãe de Quil, jamais foi uma das quais obteve essa autorização. Ao contrário de Claire, que sempre tratou a condessa viúva pelo primeiro. Claro que com total autorização da mais velha.
Após ter passado o impacto da chegada da duquesa no ambiente e curiosas perguntas ou questionamento a serem feitos, uma conversa amena e de assuntos gerais foi abordada. Vez ou outra o triângulo de farpas eram trocados entre Claire e Lillian ou entre Mary e Lillian. Sendo que sempre que Claire era atacada pela sogra a avó do marido a defendia.
Renesmee foi apresentada a cada uma das ladies ali presentes. Algumas ela já conhecia de outros eventos sociais que foi com o marido, mas a grande maioria ela desconhecia. Até porque muitas se tratavam de ladies mais velhas, que já não frequentavam todos os bailes da temporada social de Londres.
— Ouvi dizer que a família Clearwater irá retornar a Londres na próxima semana. — comentou sem maldade uma baronesa. — Eles ficaram um bom tempo recluso na propriedade de campo da família desde a morte da filha. — imediatamente a lady se calou. O olhar que a condessa viúva lançou foi o suficiente para refrear a amiga de longa data.
Renesmee, que bebia uma xícara de chá com leite, notou todas as atenções se voltarem para si. Ela por um momento não entendeu o porquê de ter se tornado o centro das atenções novamente.
O sobrenome de solteiro de Leah era desconhecido para ela.
— Foi uma dor muito grande para eles perder a única filha mulher que tinham durante o trabalho de parto. Eles tinham grandes expectativas sobre essa última gestação. — Lillian começou a falar de forma educada. — Eles sempre adoraram Lorde Black. Imagino eu vão ficar felizes em saber que o Duque já refez a vida e se casou novamente. — finalizou a mãe de Quil.
Foi somente nesse momento que o entendimento passou pela nova duquesa. Renesmee ligou agora o sobrenome à pessoa.
— Eu também gostava muito de Lady Leah. Ela sempre foi muito gentil comigo. Tratava-me muito bem, apesar de ser muito jovem quando nos conhecemos. Sinto muito por todas as suas perdas, apesar de que só fui compreendê-las agora mais velha. — Renesmee se viu impelida em dizer algo. Parecia que todos esperavam por isso.
Era estranho para ela falar sobre Leah. Nunca teve outro sentimento além de carinho pela falecida esposa do seu atual marido. Antes era apenas uma criança em meio a tanta dor que o casal compartilhava.
Leah jamais a viu como uma ameaça. E Renesmee também jamais imaginou que um dia pudesse está casada com Jacob. Por mais que sempre tenha sentido algo distinto por ele, não sabia na época do que se tratava tal sentimento.
— No entanto parece que o nobre Duque de York superou bem rápido a perda. O que, três meses antes de lhe desposar? — Caroline mais uma vez lançou suas palavras maldosas.
— Não sei exatamente quanto tempo exatamente se passou. Fiquei muitos anos sem ver lorde e lady Black. Eles não frequentavam mais Kent desde o acidente que levou Tio William... Digo, Duque William Black. — corrigiu-se imediatamente. — Quando soube do falecimento da Duquesa foi pelos criados da mansão. Não sei quanto tempo levou desde a morte da lady Leah até a reclusão de Jacob na propriedade de Kent. — Renesmee retrucou a fala maldosa da marquesa com educação, porém seu controle era grande. Ela não era muito de falar, não gostava, mas quando fazia era sempre breve e direta.
— É claro que lorde Black se apaixonou assim que viu a belíssima jovem que se tornou. Todos nós percebemos o quanto estão apaixonados um pelo outro. — a Condessa viúva começou a falar. — Conheço aquele rapaz desde as fraldas. Ele se viu encantado por você e a desposou logo. Simples assim. És muito jovem e bela, mas já estava entrando em idade casadoura. Provavelmente seria uma responsabilidade do Duque arruma-lhe um pretendente, já que foi a pupila do falecido Duque William Black. Ele uniu o útil ao agradável e fez um excelente casamento. — a senhora sorriu de forma enigmática. — Vejo inclusive que esse casamento já rendeu frutos. Quando pensavam em anunciar a gravidez na sociedade?
Um silêncio absoluto se fez presente. Apenas uma dama começou a tossir, pois tinha acabado de se engasgar com o chá que tomava.
— Vamos mocinha, não fique acanhada. Conte-nos essa maravilhosa surpresa. — insistiu a viúva.
— Como a senhora soube? — Renesmee perguntou em um sussurro. Ela não sabia exatamente o que a senhora sabia ou deduzia.
Ela não poderia saber de tudo... Era impossível ela saber de toda a verdade sobre o seu casamento e a gravidez.
— Ela sempre sabe. — Claire quem respondeu, mesmo ainda estando surpresa com a revelação. Quil ainda não havia contado nada a ela. — Foi assim comigo também. Ela só de me olhar soube que eu estava grávida, antes mesmo do médico confirmar a gestação. — esclareceu a jovem mãe.
— É fácil de notar para uma pessoa mais velha como eu. Já vi muitas jovens engravidarem. Há mudanças no corpo e no semblante da mulher que parecem gritar aos meus olhos. Só de vê-la entrar na sala hoje eu já sabia. Você está com um brilho maternal no olhar. Seus seios estão inchados, seu ventre já marca de leve sobre o seu vestido. Isso porque não a conheci antes, porém já noto todas essas diferenças. Sem contar que de forma inconsciente você levou algumas vezes a mão ao ventre. Gesto natural que toda grávida faz. — a idosa lady explicou-se para a pergunta silenciosa que se formou no belo rosto da ruiva.
— Sim, eu estou esperando um bebê. — Renesmee confirmou a verdade com a face já bastante corada. Ela deu graças a Deus da velha Condessa não tê-la conhecido antes, senão saberia que a gravidez era de mais tempo que ela alegava. — Soubemos assim que chegamos a Londres. Já na viagem de volta comecei a sentir-me mal, mas o Duque guardou a desconfiança para ele. Quando chegamos a Londres ele mandou chamar um médico para atestar.
— Mas vocês já chegaram há quase um mês na cidade. Por que não disseram antes? — questionou uma outra condessa. — Tal notícia era para ser uma comemoração para o Duque. Ele precisa de herdeiros imediatamente.
— Meu esposo achou melhor esperarmos a gravidez avançar mais. Estamos casados de pouco tempo. Jacob já teve muitas perdas... — a ruiva limitou-se a responder. Esperava que tal resposta, já pensada, fosse suficiente para satisfazer a curiosidade das mulheres ali presentes.
— Claro, compreendemos. — Caroline se adiantou. — Depois de perder tantos filhos com a primeira esposa, é de se esperar que o Duque tema que o mesmo aconteça com você. É tão jovem e pequena, parece incapaz de levar uma gestação até o final. — crueldade transbordava em cada palavra dita pela marquesa.
— Meu bebê cresce seguro em meu ventre. Ele está muito bem aqui dentro. — Renesmee levou a mão na barriga. Ela estava com tanta raiva que tinha vontade de pegar a bengala das mãos de Mary Ateara e tacar na cabeça da marquesa.
— Mais é claro que o seu filho está ótimo em seu ventre. Você irradia saúde e vida. — a condessa viúva saiu em defesa da jovem duquesa. — Não liga para o que Lady Call diz. Talvez seja a sua incapacidade de gerar mais herdeiros que a torne invejosa e amarga. Ou seriam verdade os boatos de que o seu casamento é apenas de fachada? — Mary sabia ser bem mais cruel que qualquer um quando queria. E todos tinham que respeitar os seus cabelos brancos e posição social.
Caroline engoliu com ódio as palavras ditas pela idosa lady. Não poderia rebater, ou senão sua posição social — já delicada — poderia decair bem mais. Ela sorriu e fingiu que não entendeu a provocação. A xícara de chá servia como camuflagem para seu olhar mordaz.
O chá continuou seguindo normalmente. Todos comentavam sobre a novidade do casal de duques. Agora era fato; A gravidez de Renesmee se tornaria pública. Com certeza aquelas ladies espalhariam a notícia mais rápido que o jornal de fofocas sociais da cidade.
Quando o mordomo anunciou que a carruagem da Duquesa já se encontrava a sua espera, restavam poucas ladies no salão da mansão da condessa viúva.
Renesmee respirou aliviada ao imaginar que logo estaria segura das fofocas e maldades das damas da sociedade. Porém a grande surpresa foi mesmo quando a jovem constatou que não se tratava de sua carruagem à espera e sim a do seu marido.
Jacob saiu do interior do veículo assim que viu a esposa deixar a porta dupla da casa da avó do amigo. Ele estava ansioso e preocupado com a esposa, queria saber como ela estava.
— Que surpresa em vê-lo aqui. — Renesmee comentou assim que chegou próximo ao marido.
— Vim resgatá-la, Milady. — brigou ao tomar a mão enluvada da esposa e levar aos lábios, beijando com amor e devoção de sempre. — Estás lidíssima, minha lady. Me daria a honra de conduzi-la até em casa?
— Claro, Milorde. — a ruiva segurou na mão que estava ali para ajudá-la a subir na carruagem. — Será um enorme prazer. — sorriu divertida com a brincadeira com o marido.
— Como foi o chá? — Jacob perguntou assim que se viram acomodados no interior da carruagem. O veículo começou a andar.
— Foi exatamente do jeito que me disse que seria: Algumas víboras maldosas, outras ladies gentis demais ao tentar amenizar o veneno das outras. E o mais fidedigno na descrição foi de Lady Mary Ateara. Ela é incrivelmente perceptiva. Bastou ver-me entrando no salão para saber que eu já estava carregando um filho no ventre, segundo ela mesma disse.
— Maldição! Esqueci completamente desse dom que ela diz ter. — Jacob balançou negativamente a cabeça. — É assim com toda jovem que ela vê. Ela acertou em todas as vezes de Rachel, as da Leah, Claire, Caroline... Ela sempre acerta. Eu deveria ter me lembrado deste fato. Quem estava no Chá? — o duque perguntou.
Renesmee citou cada uma das nobres damas presente.
— Bem, agora é fato: a sua gravidez se tornará pública em toda Londres em no máximo três dias. Isso se levar tanto tempo assim.
— Está chateado? — questionou a ruiva após vê o marido ficar em silêncio e aparentemente distante.
— Em absoluto que não. Era só uma questão de tempo. Só adiantamos o trabalho que Rachel teria em espalhar a notícia da sua gravidez por toda nobreza.
— Então porque parece preocupado?
— Hoje chegou essa carta endereçada a mim. — Jacob retirou uma carta do bolso interno da casaca. — É dos pais da minha falecida esposa. Nela eles comunicam-me que estão voltando para Londres na próxima semana.
— Então é verdade! — Renesmee murmurou mais para si mesmo, mas o duque pode ouvir muito bem. — Hoje mesmo uma lady comentou sobre essa notícia durante o chá. Eu não sabia o que pensar ou como agir... Fora todo o veneno que Lady Call destilou sobre o fato.
Renesmee começou a narrar o ocorrido em detalhes ao marido.
— Eles não estão chateados por eu ter refeito minha vida de forma tão rápida, Poupée. Acredito que eles pensem que estou desesperado em gerar um herdeiro. A notícia de sua gravidez só irá reforçar isso. — explicou o duque. — Porém, ao que parece, eles demostraram estarem felizes com o meu casamento. Nossas famílias são muito amigas há anos. Acho que eles sabem que foi uma fatalidade Leah partir tão cedo, mas que infelizmente é muito comum acontecer. — Jacob não se permitiu pensar sobre o que acabara de falar. Tal assunto lhe trazia dor imensurável. Não pela esposa perdida, mas por Renesmee também poder ter esse fim. Ele não queria nem imaginar perdê-la no parto. Era uma ideia inconcebível. — Eles me informaram na carta que o motivo real da volta a Londres é por que Seth, o filho mais novo deles. Ele irá oficializar um compromisso com uma nobre lady. Eles estão vindo à cidade somente para oferecer um baile para oficializar noivado.
— Então é uma notícia boa, não? — questionou a ruiva nos braços do marido. — Você conhece essa dama? — estava insegura com o que poderia ouvir. E se tivesse sido uma das moças com quem Jacob se enrabichou quando mais novo...
— Não conheço tal lady. Mas sei que a sua família não está em uma boa situação financeira. Seth deve está muito apaixonado para se casar com uma moça cuja família está à beira da ruina. Os Clearwater possuem muito dinheiro, e mesmo Seth não sendo herdeiro do título ele tem uma fortuna considerável. Maior até mesmo que de muitos nobres que conheço.
— Mas não maior que a sua, não é? — Renesmee olhou sorrindo nos olhos do marido ao perguntar. Nada daquilo tinha importância para ela, mas parecia motivo de orgulho para Jacob.
— Não mesmo! — sorriu com notório orgulho estampado no rosto. — Minha fortuna é bem grande. Somado tudo que tenho me equiparo à fortuna da família real.
Renesmee ficou chocada com a revelação. Nunca tinha conversado com Jacob sobre tal assunto, mas ele sempre lhe assegurava que tinha fortuna suficiente para ter quantos filhos ela quisesse. Que todos eles ficariam muito bem na vida, mesmo não herdado o título. Esse só o primogênito homem herdaria.
Não importava o quão rico Jacob pudesse ser... Ela o amaria até se fosse um pobre camponês, sem um xelim no bolso. Jacob a tornava completa como jamais um dia foi. Ele a trouxe à vida. Ao lado dele os dias cinzentos e tristes ganharam cores e contornos alegrias.
~*~
Quando a carruagem parou e Jacob ajudou a esposa a descer, um momento de confusão estampou os olhos da bela jovem duquesa. Ela nunca tinha estado especificamente naquela parte da propriedade.
— Jacob, o que está acontecendo? — questionou Renesmee ainda confusa.
— Quero lhe mostrar algo. Tenho certeza que irá ficar muito feliz. — o duque puxou a mão da esposa e começou a conduzi-la para o interior do estábulo de sua propriedade na cidade.
Renesmee em momento algum duvidou que iria gostar de ver o que quer que fosso que o marido iria mostrar-lhe naquele lugar. Ela simplesmente amava cavalos. Um aperto de saudade incomodou seu peito.
Estrela! Sua linda égua branca.
Por onde eles passavam os criados cumprimentavam o casal com total respeito a sua posição.
— Feche os olhos. — Jacob ordenou a Renesmee, que prontamente obedeceu. — Agora já pode abrir! — o nobre avisou assim que posicionou a esposa no lugar correto.
— Oh, Meu Deus! — Renesmee correu para abraçar o pescoço esguio da égua branca. A crina do animal estava toda trançada, o que conferia um visual ainda mais belo. — Minha Estrela! Você a trouxe ela para mim! — a ruiva deixou lágrimas escorrem pelos olhos. A emoção a dominava. Por muitos anos a égua foi a única amizade e companhia que a garota teve. Ela amava verdadeiramente a égua de olhar dócil.
Jacob ficou feliz em vê como a esposa estava radiante com a simples surpresa. Porém o desespero também o dominou. Como Renesmee reagiria a notícia da gravidez da égua? Ela poderia ficar assustada. Parto de equinos poderia ser ainda mais complicado do que podia se esperar. Trovão era de um porte incomparavelmente maior que a delicada égua.
— Ela está tão linda! — quando Renesmee enfim soltou o pescoço do animal, ficou comtemplando o quanto bem cuidada ela parecia está.
— O chefe do estábulo aqui de Londres é um dos melhores que tenho. Ele é muito experiente. Parece encantador de cavalos. — Explicou com orgulho o duque. — Tenho muitos cavalos premiados em minha coleção.
— Estrela está linda. — Renesmee beijou a ponta do focinho do animal. — Ela está até mais robusta. Engordou e ganhou peso! — por fim disse alegre após circular e avaliar a égua.
— Poupée... Preciso contar algo a você sobre Estrela. — Jacob tomou coragem após vê que a esposa já tinha notado a diferença na égua, por mais que não tenha compreendido. — Estrela está prenha. Em breve ela dará a luz a um potrinho. Acreditamos que no máximo ao final do verão. — revelou de forma direta. Não adiantaria ficar dando voltas para contar a verdade.
Renesmee piscou os enormes cílios algumas vezes. Os olhos azuis pareciam mais claros que nunca. Era como um belo céu em uma tarde de verão.
— Mas... Como? Não temos nenhum cavalo na propriedade. Estrela jamais saiu sozinha da propriedade de Kent. — a pregunta saiu automática. A jovem parecia estar em choque.
— Só há uma explicação plausível para essa situação. Trovão! Ele era o único cavalo que permaneceu em Kent por algum tempo. — elucidou. — Ele vem de uma linhagem de reprodutores. Tem sangue puro inglês e é um garanhão. Tenho vários filhotes dele. Estrela não manchará sua linhagem. Pelo contrário, o potro será belíssimo. A mistura das cores dará um filhote intrigante. Ambos são puro sangue, mas ela branca e ele negro. Sairá um belo potrinho. — Jacob disparou em explicar.
Renesmee nada disse. Apenas voltou-se para a égua — que permanecia receptiva ao toque da dona — e começou a alisar a barriga já protuberante da fêmea. O carinho e a troca permaneceram por vários minutos. Nenhum barulho ou palavra quebrava o encanto do momento.
— Acho que também passaremos por essa experiência juntas. — Renesmee por fim disse para a égua branca. Estrela permanecia tranquila e calma ao toque. — Nós teremos nossos bebês quase juntas. Eles crescerão juntos. — deitou a cabeça sobre a barriga protuberante do animal.
Jacob enfim conseguiu expulsar todo o ar dos pulmões. Ele apenas se deu conta que prendia o ar quando sentiu que precisava soltá-lo.
— Poderemos ficar com o bebê da Estrela, certo? Pode ser para nosso bebê, não pode?
— Claro que ficaremos com o filhote. — afirmou o duque.
Estrela relinchou.
Era a primeira vez que a égua parecia manifestar alguma reação. Obvio que ela não compreendia o que estava acontecendo, mas parecia sentir.
Renesmee apesar do choque de vê sua amada égua prenha, estava feliz. Até nesse momento sua fiel companheira compartilharia da mesma experiência que ela.
Em breve ambas desfrutariam da maternidade.
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