Notas iniciais
Olááá amores! Saudades? Primeiramente eu quero pedir desculpas pela demora, mas há uma explicação muio boa! A Jenny se mudou! Ela agora está morando no Canadá! ;) Então devido ao tempo em que ela tava organizando a mudança e tal, eu também atolada de trabalho demoramos a finalizar o capítulo. E devido a isso também será mais custoso o capítulo sair rápido :/ Por que a Jenny ainda está se adaptando a nova vida ♥ Mas continuaremos aqui, meninas!!! Não se preocupem, pelo menos por enquanto vai demorar um pouquinho, mas postaremos! Queremos agradecer o carinho de vocês, os comentário e as recomendações! Bom falando sobre o capitulo, está uma delicia! Leiam com calma e apreciem sem moderação! Nos vemos lá em baixo.

A manhã que acabava de se iniciar para a jovem Lady mostrava-se cinzenta, a garoa caía intermitente do lado de fora das paredes de proteção da grande mansão.

A semana seguia chuvosa, transformando assim o cenário tipicamente ensolarado da primavera londrina.

Renesmee olhava através da vidraça da janela de seu aposento a água banhar o jardim. Seus pensamentos estavam voltados para nada específico além da chuva que irrigava as plantas, árvores e flores do belo jardim. De repente uma corrente mais fria de ar fez com que a jovem ruiva ajustasse melhor o grosso roupão de veludo azul ao corpo.

A ruiva desviou o olhar da grande vidraça e virando-se focou a jovem senhora que acabava de retornar aos seus aposentos.

Nos braços a aia trazia vários vestidos cuidadosamente escolhidos para poderem ser usados em uma manhã chuvosa como aquela.

— Espero que algum desses vestidos ainda me sirva. — Renesmee sorriu ao falar com a criada pessoal. — Alguns desses, eu nem cheguei a usar. — lamentou.

Os dois vestidos que previamente Emma tinha escolhido com tanto esmero para a patroa grávida usar no dia chuvoso não haviam nem chegado a fechar nas costas da duquesa mais cedo.

A jovem já tinha se levantado, feito a sua higiene matinal, se banhado... Mas na hora que foi se vestir, acabou sendo surpreendida por seus vestidos de cores mais sóbrias — que eram mais indicados para o tempo chuvoso —, não estavam mais cabendo em seu corpo.

— Sua barriga cresceu de forma surpreendente nessas duas últimas semanas, Milady. Acredito que será cada vez mais difícil disfarçar o seu ventre, mesmo com os vestidos de cintura alta. — Emma comentou sorrindo, já espalhando os vestidos sobre a enorme cama e pegando a peça que mais gostava para experimentar em Renesmee. — Significa que seu bebê cresce forte e saudável. Acho que será muito propício a sua visita hoje na modista.

— Verdade. — Renesmee desamarrou o laço do roupão e deixou que ele caísse pesadamente no chão. — Será que logo começarei a sentir o meu bebê mexer dentro de mim? Doutor Carlson acredita que muito em breve, sim! — era como se um raio de sol iluminasse a expressão da ruiva. Ela tocou o ventre com uma palpável adoração.

— Tenho certeza que sim. — concordou a aia que trabalhava determinada a fechar os botões do vestido que acabava de por na patroa. — É uma sensação maravilhosa poder sentir o bebê mexendo dentro da gente. Meus filhos mexeram bastante enquanto estiveram seguros em meu ventre. — Emma finalizou com tristeza ao falar de seus filhos tão prematuramente mortos pela escarlatina.

— Eu sinto muito, Emma. — após alguns segundos de absoluto silêncio, Renesmee falou. Em seguida a jovem surpreendeu a criada, pegando em suas mãos de forma carinhosa e reconfortante. — Sei como dói perder quem amamos para a implacável morte.

Renesmee realmente entendia a dor da criada. Ela mais do que ninguém sabia o que era se sentir só, carregando a dor pela perda de quem tanto amava.

Ambas sentiram os olhos marejarem, mas nenhuma das duas deixou derramar uma única lágrima.

— Precisamos terminar de arrumá-la, Milady. — Emma sorriu ao quebrar o silêncio que mais uma vez predominou no ambiente. Renesmee era um doce bálsamo em sua vida marcada por dor e sofrimento. A jovem duquesa abrandava o seu maltratado coração com tanto carinho que lhe dava. — Vossa graça pediu que lhe avisasse para passar em seu gabinete antes de deixar a mansão para encontrar-se com Vossa Alteza. — completou Emma

Renesmee iria almoçar com a princesa, depois ambas iriam a modista encomendar novos vestidos para a temporada de verão que logo se iniciaria.

Por fim, depois de muita dificuldade e cuidado, um vestido de cetim azul turquesa com bordados floral no decote e mangas foi o que melhor vestiu Renesmee. Era notório que estava justo e na medida do aceitável, mas muito em breve nem ele serviria mais.

Quando Renesmee deixou o seu aposento estava impecavelmente penteada e vestida, a altura da duquesa que era.

O eficiente mordomo estava a sua espera no andar principal da mansão. Ele a conduziu até o gabinete do duque, que havia deixado a ordem para ser comunicado assim que a esposa tivesse deixado os aposentos.

— Bom dia, Minha querida. — Jacob se pôs de pé assim que a esposa entrou em seu gabinete privado.

Ele caminhou até ela, que estava parada timidamente na entrada do luxuoso cômodo. Renesmee ficou acanhada assim que percebeu que o marido não se encontrava sozinho no ambiente.

— Como está se sentindo essa manhã? — perguntou atencioso logo após tocar rapidamente os lábios no topo dos cabelos acobreados.

— Estamos bem. — Renesmee sorriu. Ela olhava diretamente nos olhos do amando. Jacob não deixou de notar que ela incluiu o filho dele na resposta. Isso encheu o seu coração de prazer. — E você, amado esposo?

— Melhor agora. — Jacob levou a mão enluvada da esposa aos lábios e beijou com devoção.

Um leve coçar de garganta despertou o casal que sempre prendia suas atenções um no outro.

— Milady está belíssima. A cada dia que passa consegue me surpreender com mais beleza e graciosidade. — Embry, que já se encontrava de pé desde que a duquesa havia entrado na sala, caminhou até o casal e retirou a mão delicada que o amigo segurava com determinação e levou brevemente aos lábios. De forma instantânea o Duque mostrou a sua irritação com o gesto. — Não precisa se sentir ameaçado, Black! Ainda não roubarei a sua duquesa para mim. — brincou o marquês com o irritadiço amigo. Renesmee corou violentamente, as bochechas queimavam.

— Só não te desafio para um duelo porque sei que não terá chance contra mim. — Jacob retribuiu com ironia a provocação.

— Que prazer em vê-lo, Milorde. — Renesmee fez uma mesura impecável. — Não sabia que já havia retornado a Londres. — a duquesa sentou graciosamente em uma poltrona que o marido a conduziu.

Embry não conseguiu controlar o sorriso que iluminou o seu rosto, o casal de nobres também percebeu a instantânea mudança na expressão do Marquês. O sorriso maroto foi substituído por um semblante orgulhoso, e algo que Jacob identificou como carinho e amor.

— Como Milady já sabe sobre minha delicada situação familiar, precisei me retirar com urgência. O pai de minha Olivia mandou me chamar, ela tinha entrado em trabalho de parto. Graças a Deus consegui chegar a tempo. — explicou o Marquês. — Depois de exaustivas horas, a minha valente Olivia trouxe nossa menininha ao mundo. Norah é linda e saudável, apesar de pequenina. Fiquei o máximo que pude ao lado deles, mas meus deveres em Londres me chamaram.

— Parabéns pela filha, Milorde. Que a sua menininha tenha muita saúde e vida plena. — saudou a duquesa.

— Acredito que para sua sorte ela seja a sua cara. — Jacob ironizou ao lembrar que o amigo tinha tendência a fazer filhos bastardos incontestavelmente a sua copia física. — Estou brincando, caro amigo. Parabéns pela menina. Saúde e vida longa a pequena Norah. — foi a vez de o duque felicitar o amigo.

Jacob propôs um brinde à pequena Norah. Renesmee bebeu apenas um pouco do licor de damasco que o marido tinha posto no cálice e oferecido a ela.

Após uma breve conversa onde o marquês contou com orgulhoso as façanhas dos filhos bastardos, e até mesmo do filho legítimo, Renesmee anunciou a sua retirada. Ela não poderia se atrasar para o almoço com a cunhada no palácio real.

— Querida, está chovendo. Não seria mais apropriado remarcar o encontro com a Rachel? Não quero que se arrisque em andar de carruagem sem mim com essa chuva. As ruas ficam perigosas com esse tempo instável. — Jacob demostrou toda a sua preocupação com a amada.

— Jacob, está apenas garoando. — Renesmee sorriu com o excesso de zelo do marido. — São poucos metros da nossa residência até o palácio. Além do fato que já reservamos horário na modista. Ela fechou o ateliê apenas para nos atender. — explicou à ruiva. —E minhas roupas já não estão me servindo. Daqui a pouco não terei o que vestir. — disse mais baixo, agora apenas para o duque ouvir.

Jacob olhou atentamente para sua duquesa e constatou que apesar de linda, o vestido já se mostrava justo e revelador. O decote estava no limite do decoro e o ventre gravídico não era mais ocultado pela veste. Ela realmente precisava de um guarda roupa novo. Ele queria que ela usasse um vestido para cada ocasião, queria adorná-la de luxo.

— Está certa. — concordou relutante o nobre. — Mas iriei pessoalmente conduzir-lhe a carruagem e darei especificações ao cocheiro em como deverá conduzir sua carruagem com esse tempo. — Jacob ditou sem dar oportunidade para a esposa contestar sua ordem. Ele não abriria mão da segurança dela. — Com licença, Call. Retorno em alguns minutos. Mandarei Smith atender alguma necessidade, caso tenha. Fique a vontade. — Jacob finalizou, já oferecendo o braço para conduzir a sua duquesa até a porta, e depois à carruagem dela que já estava pronta a sua espera.

Já na carruagem Renesmee esperou até Jacob passar todas as orientações ao cocheiro.

— Acredito que passará o dia fora. Peço que não se exalte ou se exauste. — o duque selou com carinho os lábios ao da amada esposa. — Irei buscá-la mais tarde. Mande avisar-me no parlamento, estarei por lá na parte da tarde.

— Como o meu amando esposo preferir.

Jacob permaneceu parado olhando a carruagem se afastar lentamente.

~*~

Enquanto muitas das ladies da mais alta sociedade londrina seriam capazes de matar para poder frequentar a corte real, Renesmee simplesmente pertencia a ela. Seu casamento com Jacob proporcionou essa inclusão sem um minucioso e seleto convite, porém mesmo que não viesse a se torna a duquesa de York ainda sim o convite sempre existiu, por parte da princesa. Renesmee já era bem vista há muito por Rachel.

— Minha querida, já soube que absolutamente toda Londres já sabe de sua gravidez. Arrisco em dizer que todo Reino Unido já sabe. Fizeram um ótimo trabalho em espalhar a notícia. Cheguei até ler o fato em algumas manchetes de fofoca. Posso detestar a insuportável da Caroline, mas tenho que admitir, ela sabe espalhar uma fofoca como ninguém. — Rachel comentou após bebericar seu chá. Elas tomavam um pouco da bebia após um almoço harmonioso. — Mas me conta como foi que você fez para que essa barriga saltasse nesses últimos dias. Agora a gravidez é incontestável!

— Eu não sei o que aconteceu. Parece que o bebê não quer mais se esconder. Dr. Carlson e Emma também acreditam que logo poderei sentir o bebê mexendo aqui dentro. — Renesmee contou animada repousando uma mão espalmada no pequeno volume abdominal.

— Tenho Certeza que em alguns dias irá sentir. — a princesa afirmou de forma categórica. — Você é pequena e o seu ventre já cresceu a ponto do bebê já poder ser sentido. Acredite em mim, tenho experiência em gravidez e bebês. — sorriu atrás da xícara.

As duas nobres damas continuaram conversando durante o chá. Renesmee tornava-se muito mais receptiva e empolgada quando o assunto da conversa era a gravidez. Ela se sentia à vontade em perguntar sobre suas dúvidas e receios para a cunhada. Rachel já tinha engravidado cinco vezes afinal, isso lhe dava um ótimo crédito quanto ao assunto.

Assim que terminaram o chá, as ladies seguiram para a carruagem real que já estava pronta para elas saírem. Durante todo percurso as cunhadas não pararam de conversar. Rachel ficou extasiada em perceber o quanto a menina ruiva — agora duquesa de York — estava nitidamente feliz ao lado do seu irmão.

— Chegamos! — Rachel disse animada ao sentir a carruagem parar e ao olhar pela janela constatar que haviam chegado ao ateliê da famosa e requisitada modista francesa.

Elas desceram da carruagem com ajuda do criado. Elas estavam usando suas grossas capas que as protegiam da fina garoa que insistia em cair, sobre as cabeças um grosso capuz ocultava suas identidades.

Assim que entraram no refinado ateliê e revelaram suas identidades, madame Madeleine veio recepcioná-las com total pompa. A modista havia desmarcado todos os outros horários do dia apenas para atender a princesa e a duquesa de York.

Mes Chers... Que prazer em recebê-las aqui. — a francesa reverenciou com uma mesura um pouco exagerada, mas era uma característica dela ser assim.

— Precisamos dos mais belos vestidos. — Rachel disse já andando para olhar os tecidos expostos. — Quero um belo vestido deste aqui. — segurava uma seda azul anil.

— Ficará belíssimo em Vossa Alteza. Irá realçar ainda mais o seu belo tom de pele. — respondeu a francesa em um sotaque carregado.

— Venha, Renesmee. — a princesa segurou a cunhada pelas mãos e a conduziu para a bancada onde estava escolhendo os diversos tecidos. — Precisará de um enxoval novo. Muitos vestidos.

— Gostei desse! — Renesmee segurou um tafetá de seda verde esmeralda.

— Excelente escolha, Vossa Graça. — elogiou a modista. — Acredito que as manchetes não estejam mentindo ou exagerando dessa vez! — o olhar estava diretamente voltado para o ventre sobressalente da jovem duquesa.

— Em absoluto! — Rachel se antecipou em responder. — O herdeiro, ou herdeira, da Casa York já está a caminho. — disse com total orgulho. — Por isso temos urgência. Lady Black irá precisar de muitos vestidos novos. Na verdade, o enxoval completo. Claro que com a sua exclusividade e competência em produzir os mais belos vestidos de todo o Reino Unido, iremos solicitar muitos mais depois. Entenda que minha cunhada irá necessitar de muitos vestidos ao longo dos meses.

— Claro, Mon Cher. — os lábios da modista ostentavam um genuíno sorriso. — Me orgulho de ter sido escolhida para vesti-las mais uma vez.

As três mulheres olhavam toda a loja a procura de fitas, rendas, sedas... Tudo de mais belo para poder ser usado na confecção dos exclusivos vestidos das nobres.

— Esse! — Madeleine trazia um rolo de tecido de uma sala privada nos fundos do ateliê. — Esse tecido chegou tem uma semana na loja e ainda não tinha colocado ele em exposição. Estava guardado... — deixou morrer a frase ao tocar a extensão do tecido nobre. — Sinta como é macio ao toque.

— Ele é lindo. — Renesmee ficou fascinada com a seda. — Tão macio!

— Pronto. Será seu! — Rachel disse taxativa. — Você ficará linda com ele. — aproximou o tecido do colo e pescoço da cunhada.

A seda em um tom de Carmesim criava um contraste magnífico com a pele branca e pálida de Renesmee. Os cabelos ruivos flamejavam ainda mais em contraste com o tecido vermelho.

— Mas terá que ser um vestido de baile. — afirmou à francesa. — Nada menos que isso!

— Consegue aprontar o mais belo vestido de baile que toda Londres já viu em uma semana? — a princesa tinha as sobrancelhas arqueadas em uma arrogância típica da realeza. Era um desafio jogado a modista, que amava ser desafiada.

— Claro, Alteza! — respondeu com orgulho. — A Duquesa de York terá o mais belo vestido que alguém já pôde usar!

— Então já temos o seu vestido para o Baile Clearwater! — Rachel disse segura. Renesmee só tinha olhos para o tecido Carmesim. Ela pensou em como Jacob ficaria satisfeito de vê-la tão bem vestida. — Será uma pena eu não estar presente na ocasião.

— Não? — era a primeira vez que a ruiva desviava a atenção da seda. — Achei que iria ao Baile dos Clearwater.

— Não, querida. Estarei me retirando com toda a família para o palácio de verão. As crianças já estão agitadas e a Rainha não anda se sentindo bem nesses dias abafados e quentes. Por isso estamos correndo com os preparativos. Como você acha que convenci meu super protetor irmão a deixar você sair hoje com essa chuva? — Rachel sorriu travessa para a cunhada.

~*~

A imagem refletida no enorme espelho de moldura dourada era exuberante. A jovem sorria amplamente para o que via ali. Nunca antes Renesmee havia se sentido tão bela e graciosa. Pela primeira vez sentia-se uma duquesa de verdade.

Madame Madeleine havia feito um excelente trabalho. Ela tinha prometido o vestido mais belo que todo o Reino Unido já havia visto. E ela conseguiu até mais!

Ela foi capaz de fazer Renesmee conseguir se enxergar pela primeira vez como mulher.

Por mais que ainda fosse muito jovem, já estava casada e esperando seu primeiro filho, não era mais vista como uma menina pela sociedade. E agora Renesmee também sabia e sentia isso.

— Pronto. Está lindíssima, milady!— Emma disse com bastante orgulho na voz após terminar de arrumar a patroa. — Todos no baile irão parar para admirar a exuberante beleza da Duquesa de York!

— Eu me sinto tão bonita essa noite, porém é um exagero dizer que o baile irá parar por minha causa.

— Olhe bem, Vossa Graça. — sinalizou para a imagem refletida. — Não há em Londres uma senhora de beleza mais reluzente que a vossa!

Renesmee mais uma vez analisou a imagem refletida. Nela ressaltava-se o esplêndido vestido carmesim de corte perfeito, impecavelmente ajustado ao seu corpo. O colo e os ombros estavam nus, revelando um lindo decote ombro a ombro. O corpete cinturado estava conferindo uma modelagem marcante, mas ainda sim confortável para o seu estado. A saia descia ampla e com pequenos drapeados. Delicados bordados em dourado emolduravam o decote e a bainha do vestido. Luvas, também em seda carmesim, subiam até os cotovelos. Os lindos cabelos ruivos estavam parcialmente presos em um elaborado coque, o restante dos fios que estavam soltos foram arrumados em perfeitos cachos que desciam pelos ombros e chegavam até a cintura. No rosto um leve toque de pó e ruge, os lábios estavam naturalmente rosados.

Estonteante! Era como ela se sentia.

— Será que Jacob vai gostar? — foi tudo o que Renesmee conseguiu dizer. Sua voz estava empolgada com a ideia do marido aprovar sua escolha para noite.

— Ainda está na dúvida? Vossa Graça sentirá ainda mais orgulho por ter escolhido uma esposa tão bela. — elogiou a aia antes de acrescentar — Só um minuto, Milady, que vou pegar a sua capa.

Apesar de já estarem quase no verão, os dias chuvosos trouxeram consigo uma temperatura mais baixa.

— Pronto. Já podemos descer. — disse Emma assim que terminou de ajeitar a capa.

Renesmee se viu pela última vez na imagem refletida. Estava se sentindo confiante!

Quando Jacob avistou sua esposa entrando graciosamente no salão em que estava a sua espera, sentiu o ar lhe faltar. Se já não tivesse terminado com a sua bebida teria se engasgado com ela. Parecia um adolescente imaturo, eufórico com seu primeiro casinho amoroso. Renesmee tinha esse poder sobre ele.

— Está maravilhosa. — adiantou-se em buscar a mão enluvada da esposa e beijar com paixão e devoção, porém os olhos também salpicavam uma chama de pura luxúria. Renesmee parecia um anjo caído vestida com aquela cor, parecia uma combinação perfeita com o pecado mais devasso.

A pele branca e cremosa gritava em contraste com o vívido vermelho.

— Quando voltarmos farei questão de despi-la. — Jacob disse fitando diretamente nos olhos da esposa.

Renesmee ao mesmo tempo em que sentiu as bochechas queimarem também sentiu o corpo esquentar e o baixo ventre contrair e umedecer.

— Jacob! — repreendeu brandamente a duquesa. — Os criados. — praticamente sussurrou.

Jacob deixou escapar uma leve gargalhada.

Poupée está tão distraída que não notou que há muito estamos a sós no salão. — o olhar malicioso que o Duque lançou incendiou o corpo da esposa.

— Temos que ir, Jacob! Não podemos nos atra... — Renesmee não conseguiu terminar de falar.

Jacob capturou os tentadores lábios com sofreguidão.

Ele estava faminto por ela. Ele sempre estaria! Constatou assim que findou o beijo e percebeu que ainda queria muito mais dela. Pena que não era hora e nem lugar.

— Vamos agora ou desistirei de ir. Pois a minha verdadeira vontade agora é levá-la direto para nossos aposentos e fazer diversas coisas perversas com você. — Jacob ditou ainda com a respiração pesada e a voz levemente mais rouca. — Mas antes acho melhor fazer um mimo a minha linda Duquesa.

Do bolso interno do casaco preto ele tirou um estojo de veludo azul Royal.

Diante dos olhos azuis de Renesmee, Jacob expôs a exuberante peça.

Ela tragou o ar com força, ele parecia lhe faltar. Nunca tinha visto algo tão valioso próximo de seus olhos.

— Jacob! — a voz da ruiva era um fio. — Como sabia que iria combinar? — os olhos dela brilhavam enquanto ela admirava a peça ainda na caixinha.

— Eu sempre saberei tudo a respeito da mulher que amo. — respondeu e selou os lábios carinhosamente aos da amada.

Renesmee obedeceu ao pedido do marido de retirar a capa de veludo e Jacob contornou o corpo miúdo da esposa, puxou os cabelos acobreados para o lado e depositou um beijo demorado na nuca alva para depois colocar a joia sobre o colo exposto de sua Duquesa.

O colar todo de rubi e diamantes era uma peça exclusiva. Jacob encomendou assim que a aia de Renesmee confessou-lhe a cor do vestido que ela usaria naquela noite.

Os rubis haviam recebido uma lapidação intricada, que adicionado com inúmeros diamantes menores, conferiam um designe diferenciado em forma de delicadas flores.

Um par de brincos e uma pulseira de modelos idênticos ao colar completavam o caríssimo conjunto.

Jacob voltou a ficar de frente para a ruiva e a fitou com olhar de contemplação.

— Essa joia é somente sua, não será atrelada ao título. Um dia poderá dar a uma filha nossa. Ela representa o nosso amor que sempre floresce cada dia mais. Escolhi rubis não só por ser a cor que iria combinar com seu vestido hoje, mas também porque representa o fogo da paixão que sinto por você. Eu te amo com paixão e ardor! — declarou o nobre e logo puxou Renesmee para um beijo intenso e demorado.

~*~

Era de conhecimento da grande sociedade londrina que a família Clearwater oferecia apenas um grande evento por temporada, mas eles compensavam com produção grandiosa e impecável.

Renesmee contemplou com os olhos fascinados a magnífica fachada da chamativa mansão assim que desceu da carruagem com ajuda do marido.

Toda a frente da Casa Clearwater estava enfeitada com inúmeras velas, os parapeitos das janelas e varadas foram adornados com bandeiras com a cor e brasão da família ancestral.

Inúmeros lacaios auxiliavam na chegada das nobres famílias.

Não diferente do exterior da mansão, pelo contrário, ainda mais belo e luxuoso, o gigantesco salão estava banhado pela luz dourada e bruxuleante das velas nos muitos castiçais além da luz cintilando no alto dos luxuosos lustres de cristal.

O salão era espelhado em uma parede o que multiplicava a iluminação e dava a ilusão que ele era o dobro de tamanho e que Londres inteira tinha comparecido ao grandioso baile.

Claro que Londres inteira poderia ter feito isso. O baile estava cheio, mulheres em sedas e cetins de todos os tons imagináveis fofocando em pequenos grupos, homens em vestimentas formais comentando sobre política e o parlamento.

Todavia o salão inteiro foi ficando gradativamente em silêncio e todos direcionaram os seus atentos e analíticos olhares ao casal que acabava de entrar no salão.

Renesmee sentiu o estômago revirar e minimamente sua mãos começaram a tremer de leve. Jacob absorveu a insegurança da esposa e ofereceu um leve aperto na intenção de lhe passar conforto e segurança.

— Estão todos nos olhando. — disfarçadamente a ruiva murmurou para o marido.

— Estão todos contemplando a estonteante beleza da Duquesa de York! És a mais bela de todo Reino Unido. — Jacob afirmou categórico.

O olhar que o nobre dirigiu a esposa passava amor e confiança.

— É uma honra te receber ilustríssimo Duque de York e a sua nova esposa em nosso baile. — ditou Harry com a voz de barítono.

O conde pegou as mãos enluvada da jovem duquesa e depositou um singelo e breve beijo no dorso da mão delicada. — Posso constatar como os boatos sobre sua beleza não fazem justiça à realidade. — gracejou o nobre — Se tornou uma lindíssima jovem, Lady Renesmee. Mas não poderia esperar algo diferente, visto que desde quando era uma garotinha já era linda.

Imediatamente as palavras do Conde penetrou a mente de Jacob. Como ele e sua irmã poderiam esquecer completamente que Harry conhecia toda a verdadeira história de Renesmee. Que ele visitou a propriedade de Kent por diversas vezes com seu pai. Harry e William sempre foram amigos muito próximos.

— Sejam muito bem vindos ao baile. — disse uma voz feminina e madura.

Jacob não teve tempo de pensar sobre o que fazer com a recente descoberta, pois Lady Clearwater já o fitava com intensidade.

Intensidade essa direcionada de forma ainda mais forte para Renesmee.

— Fico feliz pelo novo casório, Vossa Graça. — ela voltou o olhar para o Duque, dessa vez era apenas afetuoso — Desejo que vocês sejam muito felizes e que dessa união gere muitos frutos. Tenho certeza que a minha amável Leah, agora em seu descanso eterno no paraíso do criador, está feliz por você, meu querido Duque. — a voz da condessa soou triste, mas sincera nas felicitações.

Ela era uma nobre amável e generosa, gostava muito do ex-genro.

Em relação à Renesmee Sue ainda não tinha uma opinião formada, apenas os boatos que escutou ao chegar a Londres. Realmente a substituta de sua filha era incrivelmente linda e jovem, e não passava despercebido também a silhueta levemente alterada, mesmo que o caimento do vestido amenizasse a alteração física, a gravidez avançada era nítida.

Por outro lado Sue era sensível o suficiente para perceber o quanto doce Renesmee era apenas por contemplar seu rosto angelical.

A Condessa então saudou a jovem Duquesa com toda a cortesia e simpatia que ela merecia.

Jacob ainda com Renesmee enlaçada em seu braço e acompanhado dos ex-sogros foi cumprimentar o ex-cunhado e sua esposa.

Sam — que era herdeiro ao título do pai — era casado há alguns anos com Emily. Juntos o casal já tinham dois filhos pequenos.

— Não vejo Seth. — comentou Jacob para o Conde.

— Seth está comprometido, na verdade — Harry chegou mais perto do Duque — Hoje ele irá oficializar o noivado. Será uma surpresa para a jovem. — segredou.

— Lá estão eles. — Sue apontou para o filho que começava uma dança com a noiva entre alguns outros casais.

O Duque e a Duquesa de York deram uma volta no salão e acabaram por saudar alguns conhecidos, o que levou o tempo necessário para o casal chegar até Seth e sua noiva.

Jacob não falou nada, porém manteve-se sério. Não tinha aprovado totalmente a escolha do ex-cunhado.

Não por beleza ou simpatia. A jovem Audrey era miúda e graciosa, seus cabelos louro morango eram raros e muito bonitos.

Jacob até brincou dizendo que não imaginava que Seth conseguiria alguém tão bela.

Mas a gravidade do fato a qual ele observou foi que a família da futura esposa de Seth estava em decadência e repleta de dívidas. Era uma linhagem com nome muito manchado ao longo dos anos perante a nobreza. Provavelmente Seth teria que ajudar a família de Audrey quando se casassem.

Logo depois Jacob conduziu sua Duquesa para um grupo de Ladies. Claire fazia parte do seleto grupo.

Renesmee sempre se sentia acolhida na companhia de Claire.

— Deixarei a minha bela Duquesa na adorável companhia de Miladies! — Jacob gracejou.

Algumas damas sorriram admirando a notória paixão, já outras tentaram — muito mal — disfarçar a inveja da ruiva por ela ter fisgado o melhor partido da cidade.

— Pode ficar despreocupado, Vossa Graça, cuidaremos muito bem de sua joia reluzente. — Caroline ostentava seu falso sorriso para o duque, havia também um deboche salpicado em suas palavras.

— Tenho a mais absoluta certeza, Lady Call. — Jacob devolveu a réplica em um tom jocoso.

— Querida, estarei no salão de jogos com os cavaleiros. Tenho alguns assuntos políticos a tratar. Porém se necessitar de algo, não hesite em mandar me chamar. — o nobre puxou a mão enluvada da esposa e depositou um carinhoso beijou uma última vez antes de deixar o salão.

Jacob na verdade iria procurar Harry, uma vez que o mais velho disse que tinham algo a tratar.

O Duque já imaginava o assunto.

~*~

O cômodo de luxo estava iluminado com chamas douradas das diversas velas distribuídas nos candelabros de prata. A lareira acesa completava a iluminação e conferia conforto ao ambiente sóbrio.

— Aceita uma bebida? — o Conde não esperou uma resposta e completou os dois copos de cristal com uma dose de puro uísque escocês. — Toma, pegue. — Harry estendeu o copo e ofereceu a bebida ao antigo genro.

Jacob que estava sentado em uma confortável poltrona em frente à mesa de mogno sorveu um generoso gole da bebida. O líquido desceu queimando a garganta seca.

— Jacob, sabe que o estimo como um filho. Certo? Não precisamos de toda essa cerimônia. — Harry lançou um olhar astuto. — Acredito que já saiba o motivo dessa nossa conversa em privado.

— O que você sabe exatamente? — Jacob questionou com cautela, porém sem rodeios.

— Depende. — mais uma vez o Conde usou da ambiguidade. — Você se refere a toda história que escutei sobre o seu casamento ou sobre toda a verdade que sei sobre os fatos que enfeitam a história?

— Acho que gostaria de ouvir sobre tudo. Esse assunto envolve diretamente a reputação do meu casamento e da minha esposa.

— Bem... — Harry se recostou no espaldar alto de sua cadeira de couro, tomou um pouco de sua bebida e ficou alguns segundos observando Jacob em silêncio. — Você não imagina a minha surpresa ao descobrir sobre o seu casamento. Não ao fato de você se casar relativamente rápido, é um homem jovem, com um título a preservar. — Harry fez um floreiro com as mãos demonstrando que estava de acordo com a decisão do casamento de Jacob, mas logo acertou a postura e emendou — Contudo o fato de quem se tratava a sua noiva me deixou muito surpreso. Conheço Renesmee desde que era uma garotinha que andava agarrada nas saias de Katherine. William era louco por ela. Era a menina dos seus olhos. Eu sempre soube da origem da Renesmee, William sempre me confidenciou tudo a respeito. Sempre fomos amigos, desde a época de Ethon. Compartilhamos histórias e segredos... No entanto isso não vem ao caso agora. Porém já vivi o bastante para conseguir enxergar além das fachadas sociais. — mais uma vez o nobre provou um pouco do líquido no copo em suas mãos. — Não estou aqui para lhe dar sermão, criticar ou ameaçá-lo. Estou aqui para entender a história e não acabar prejudicando vocês ao dizer algo oposto ao que inventou. Agora vendo o quanto Renesmee se tornou linda e delicada, entendo porque ela lhe conquistou. É notório o seu amor por ela, coisa que nunca vi com minha filha. — Harry se antecipou em continuar ao vê Jacob ameaçar interrompê-lo. — Sei o quanto era dedicado e caridoso com Leah, sei que gostava dela. O mais importante é saber que ela se sentia amada por você. Você foi um bom esposo para ela. — o conde desviou um minuto para olhar a pintura da família que tinha em seu escritório. Todos os três filhos ainda eram pequeno. Harry segurou o bolo que sentiu na garganta ao falar da filha prematuramente falecida. — Porém não escolhemos quem verdadeiramente amar. Só estou surpreso em vê como o destino pode ser ardiloso. Quem diria que a menininha que conhecemos desde sempre se tornaria o seu amor? Mas ela não vem de uma família nobre, nem o seu suposto pai era amigo de William. Disso eu sei muito bem.

— Precisava torná-la aceitável na sociedade. Não poderia simplesmente dizer que ela era a pupila do meu pai sem antes apontar a sua origem. — Jacob disse em defesa e o Conde anuiu compreensivo — Ninguém iria aceitá-la se soubesse que ela é a filha bastarda de uma criada, que era amante do falecido Duque de York. A sociedade só aceita o que não os confronta. Diversos nobres têm filhos bastardos que escondem do mundo, Renesmee é o tapa na cara da sociedade. Não a aceitariam! Não há crime em inventar um pai fictício para Renesmee, uma vez que jamais conhecemos seu verdadeiro progenitor. — Jacob finalizou calmo antes de se levantar e se servir de mais uma dose da bebida.

Harry ficou alguns minutos em silêncio, mas por fim mostrou-se condescendente.

O conde não seria relapso ao deixar passar despercebido a história que Jacob contou a sociedade.

O tempo de casamento com o tempo de gestação lhe era suspeito, mas ele não forçaria o Duque a confessar.

Renesmee era jovem e eles poderiam assumir compromisso sem precisar casar tão rápido. Conhecendo bem a fama libertina de Jacob, ele logo deduziu que o casamento repentino se deu pela gravidez da jovem. Mas era apenas uma suposição, Harry não iria impor a verdade a Jacob. Deixaria que o Duque falasse somente o que se sentia a vontade em confessar.

Jacob por sua vez se sentiu na obrigação de confidenciar alguns detalhes que inventou com a irmã sobre as circunstâncias do casamento, porém não diria que realmente a pressa se deu ao fato de ter desvirtuado e engravidado Renesmee antes de realmente serem marido e mulher!

— Pode ficar tranquilo, o que me confidenciou levarei para o túmulo. Lady Sue nunca soube sobre Katherine e nem sua filha, apesar de saber que William tinha uma pupila. Ela sabe somente a história que foi espalhada e confirmarei a mesma coisa se for questionando. — Harry explicou-se. — Parabéns pelo casório e pelo herdeiro que está a caminho. Sabe que lhe desejo sempre o melhor. — apertou com firmeza a mão do Duque.

— Obrigado. — Jacob disse verdadeiramente agradecido.

Algum tempo depois assim que Jacob tinha voltado do escritório com o antigo sogro foi procurar a esposa no lotado salão.

Não a encontrando, o Duque procurou Lady Ateara que lhe informou que já fazia bastante tempo que ela tinha saído para ir ao toalete e ainda não havia retornado.

Jacob preocupou-se e informou a Quil e a Harry o que estava acontecendo.

Sem querer alarmar os convidados, Jacob junto aos dois foi em busca da duquesa pelos inóspitos corredores da mansão.

Encontraram um Embry muito estranho no corredor do primeiro andar.

— O que houve Call? — Jacob perguntou sem dar muito atenção ao amigo.

— Eu fui lá fora e na hora de retornar quis evitar a multidão e entrei por aqui, porém achei ter ouvido... — o Marquês foi interrompido por uma terrível gritaria.

O coração de Jacob disparou dolorosamente, ele ficou com a vista embaçada e dolorida.

Era a voz de Renesmee.

Mas tudo levou um segundo para acontecer.

Harry abriu a porta de uma sala para visitas íntimas apenas a tempo de Jacob ver o grande vestido vermelho ir ao chão quando sua Duquesa foi brutalmente empurrada por um homem cruel.

Tudo o que Jacob conseguiu fazer foi socar o agressor de sua poupeé até vê-lo ensanguentado e nocauteado no chão.

Ali estava uma tragédia declarada.

Notas finais
genteee o que houve com Renesmee? o/ Alguma ideia? Comentem!! Recomendem! Fortes emoções para o próximo capítulo. Até =) xoxo Jenny e Day