Notas iniciais
Olá Amadas leitoras... Bem, acho que a maioria está louca para ler esse capítulo! Então, não iremos enrolar muito aqui nas notas! Capítulo revelador e até um pouco agoniante... Esse capítulo é um presente de natal para todas as nossas amadas leitoras. Obrigada por estarem aqui conosco. Obrigada por todo carinho com Bloom... Agora ficaríamos muito felizes se nos presentear com muuuuitos comentários e algumas Recomendações. : ) Nos vemos lá embaixo!!!



Bloom 30

O extenso corredor estava deserto, as vozes há muito haviam sumido, o silêncio predominava agradável entre as escassas luzes das velas nos candelabros sobre os aparadores de carvalho ao longo do vestíbulo. Nas paredes belas pinturas e obras de arte adornavam toda a sua extensão.


Os sons dos passos delicados eram abafados pela grossa tapeçaria que se estendia por todo vestíbulo, a jovem seguia distraída observando fascinada cada mínimo detalhe que seus olhos maravilhados contemplavam.


Depois de três copos de limonada Renesmee se viu necessitada em utilizar o toalete, porém os que ficavam mais próximos ao salão já estavam sendo usados e tinham filas de espera. Em seu atual estado era difícil segurar por muito tempo a necessidade fisiológica, por isso um lacaio — percebendo o estado delicado da jovem Lady — explicou-lhe como chegar em um toalete que ficava ainda no andar inferior, porém mais afastado do salão. Com certeza este estaria disponível.


Agora Renesmee voltava do toalete e parou em uma bifurcação, estava confusa em que direção tomar. Ela ao ficar observando minuciosamente todos os mínimos detalhes da bela decoração da mansão acabou se perdendo pelos diversos corredores que a levariam de volta ao salão do baile.


Quando refez o trajeto mentalmente e ficou segura em que direção seguir, voltou a caminhar prestando atenção novamente nas paredes adornadas com belas pinturas. Ela sempre havia sido apreciadora da arte. Sorriu nostálgica ao se lembrar de seus próprios desenhos. Ultimamente andava tão atarefada em traquejos sociais que restava-lhe pouco tempo para se dedicar a arte da pintura, mas sorriu feliz ao lembrar que Jacob havia prometido fazer uma galeria com suas pinturas nas propriedades.

De repente a jovem duquesa chocou-se com uma massa sólida que quase a levou ao chão. Se não fosse por mãos firmes e hábeis segurar seus dois braços tão rapidamente, agora ela estaria — constrangedoramente — estirada sobre o tapete. Seria vergonhosa tal situação.


— Desculpe-me. — pediu acanhada pela distração. Ela manteve a cabeça baixa, fitando a grande sombra do homem contrastada com a sua pequena sombra.

— Não há do que se desculpar, Milady! — uma voz máscula soou melodiosa aos seus ouvidos, a fazendo levantar o olhar até ele. — O que uma bela jovem lady faz aqui sozin... — a voz parou repentinamente. Dois olhos azuis claríssimos alcançaram os de Renesmee.

Se antes os olhos cristalinos a fitavam com malícia e cobiça, agora eles a olhavam com desprezo e uma frieza impetuosa.

A jovem lady sentiu medo. O gelo no olhar do nobre homem fez com que um arrepio frio passasse por toda extensão de sua coluna. O olhar direcionado a ela parecia de alguém sem alma... Sem emoção... Sem vida!


Medo!

— Desculpa, Milorde. Apenas estou tentado retomar ao salão do baile. — apressou-se em tentar se explicar e soltar do aperto em seus braços, mas as mãos grandes só fincaram com mais força em seus finos braços. — Milorde, por favor, solte-me. Está me machucando. — suplicou sussurrando, por fim arregalando mais os olhos azuis cristalinos.

As duas pedras de gelo que eram os olhos do lindo nobre a assustou.

Renesmee sentiu o estômago revirar e a cabeça rodar, mas se esforçou em não cair e nem colocar o bolo alimentar preso em sua garganta para fora, sentia o próprio corpo esfriar e tremer.

Subitamente a ruiva sentiu o corpo ser arrastado do lugar. Quando conseguiu raciocinar que deveria gritar por ajuda o misterioso nobre já havia fechado a porta de uma das salas onde a impôs entrar; ele ainda segurava com mãos de aço os seus delicados braços.

— Quem é você? Diga! — gritou a voz ríspida, bem diferente daquela melodiosa que havia lhe abordado minutos a trás.

Renesmee não conseguiu falar, sua voz tinha sumido, seus lábios apenas tremiam lentamente. O nome de Jacob estava preso em sua garganta, mas nem isso conseguia gritar.

— Quantos anos tem? Qual é o nome da sua matriarca? Responda, sua insolente! — o nobre gritou e sacudiu forte a ruiva pelos braços.

— Kaaa.. Katherine. — gaguejou confusa com a pergunta inusitada, murmurou na verdade.

Renesmee sentiu a garganta apertar, o estômago novamente revirar, os olhos arderem... Mas ela se concentrou para manter a compostura. Estava assustada com tudo aquilo.

O nobre a fitou novamente nos olhos. Agora o olhar dele era furioso e iluminado por um único castiçal sobre a lareira.

— Katherine Wood. — as palavras saíram como se fossem um palavrão dos lábios dele.

Renesmee sentiu a respiração dificultosa. Se antes ela estava com medo, agora estava apavorada diante do brilho colérico nos orbes do nobre.

— Quantos anos tem? — grunhiu o homem, apertando ainda mais suas mãos nos braços da jovem. Renesmee já sentia dor, marcas vermelhas estavam estampadas na pele de seus braços alvos.

— Quinze. — respondeu chorosa.

— Aquela meretriz! — rugiu o nobre — Aquela prostituta barata! Onde está essa vadia? Eu vou matá-la! — o homem sacudia a ruiva e gritava irado. — Olha só o que ela fez com você! Te transformou em uma meretriz igual a ela. Ela quer acabar comigo, mas não permitirei. Antes eu acabo com vocês duas! — ditou enfurecido.

— Não estou entendo, Milorde. Me solta, está me machucado. Por favor! — suplicava sentindo a quentura de duas lágrimas silenciosas descerem pela face.

O homem alto e esguio a soltou abruptamente, mas não se afastou. Ele a fitava com olhos ameaçadores, parecia uma besta selvagem prestes a dar o bote final.

— A puta da Katherine vai me pagar caro por ter me desobedecido ao trazer você ao mundo. Eu mandei ela arrancar você quando ainda era possível... Mas a prostitua fugiu na calada da noite. Eu procurei por ela em todos os buracos onde uma vagabunda imunda como ela poderia ter se enfiado... — o nobre foi inesperadamente surpreendido com uma tapa da ruiva, imediatamente sentiu a face arder.

Renesmee na mesma hora se surpreendeu com a própria atitude, jamais em toda vida tinha erguido a mão para algo ou alguém. Ela levou as mãos à própria boca para esconder o horror pelo que tinha acabado de fazer.

Estava surpresa demais com a própria atitude inédita. No entendo, ao escutar um desconhecido — que a estava machucando — falar de forma tão pejorativa de sua amada mãe, o reflexo foi incontrolável. A própria mão ganhou vida e vontade própria, voando diretamente para a bela face do nobre. Agora sua mão ardia e latejava.

Por alguns segundos ambos ficaram se olhando perplexos e sem reação, ambos surpresos com o ocorrido. Foi a primeira vez que a ruiva olhou além dos olhos azuis gélidos.

O homem quem acabara de atacá-la e ofender a sua preciosa mãe, parecia ser ainda jovem demais para ser considerado um senhor. Tinha pele extremamente branca, olhos de desenho delicado e azuis tão claros como o oceano, cabelos lisos extremamente ruivos, assim como os dela. Aquilo a fez estreitar os olhos e abrir levemente a boca enquanto refletia. Ele poderia ser estonteante a primeira vista, mas ela sabia exatamente o quanto cruel ele era. Toda aquela beleza era fria, assim como era descrito a do anjo caído.

Renesmee reparou em quanto a simetria da face lhe era muito familiar. Ela tentava puxar pela lembrança de quem poderia se tratar, mas tinha certeza que jamais havia visto esse nobre... Mesmo assim era como se o tivesse visto muitas vezes antes.

— Ah, sua vadiazinha! Eu juro que vou acabar com você, e com a puta da sua mãe, por ter me confrontado. — Renesmee não teve mais tempo em tentar puxar pela memória de onde conhecia aquele nobre, ele avançou sobre ela e desferiu uma bofetada que a fez cambalear.

Um gosto ferroso invadiu sua boca. Ela estava terrivelmente apavorada.

Sem saída Renesmee tentou correr em direção à porta, mas sentiu um puxão tão forte nos fios dos cabelos que estavam soltos que gritou de dor.

Gritos apavorados, cada vez mais altos, eram emitidos pela indefesa duquesa.

O nobre ruivo lhe alcançou novamente os ombros e voltou a sacudi-la com toda força que possuía. A visão da lady já estava desfoca, ela saiba que iria sucumbir a qualquer momento.

Renesmee só conseguia pensar na vida do filho em seu ventre — que agora corria perigo — e em Jacob. Onde ele estaria, ela precisava desesperadamente dele agora.

— Me diz agora onde está a vadia da Katherine!— exigiu aos berros.

Renesmee começou a ficar tonta e vê tudo rodar, ela já estava sem forças para continuar lutando. Ela estava sucumbindo!

— O que está acontecendo aqui? — a voz de barítono soou incrédula ao interromper a covarde agressão. — Lorde Cullen! — Harry disse logo ao reconhecer o homem.

Ele estava horrorizado com a cena que flagrou ao abrir tempestivamente a porta.

Edward Cullen prontamente empurrou para longe a jovem que sustentava em suas garras firmes e cruéis. Totalmente sem forças e já tonta Renesmee foi ao chão, porém antes caiu sobre uma mesinha lateral, derrubando consigo alguns papéis e pequenos objetos que estavam ali.

Jacob que estava logo atrás de Harry — mas ainda se encontrava fora do cômodo — viu apenas um reflexo do tecido vermelho ir ao chão, mas ele já sabia exatamente de quem se tratava a vítima do cruel homem. O sangue nobre ferveu, entrou em ebulição. O duque estava tão nocivo quanto a fúria de um vulcão que acabava de despertar depois de um longo período adormecido.

Nem Harry e nem Embry conseguiram conter a fúria do Duque.
Jacob atravessou a porta como um urso feroz e voou para cima de Edward.

Apenas um soco de Jacob foi capaz de lançar o ruivo no chão. Embry tentou conter o amigo, mas era impossível, ele parecia ter adquirido a força de mais de dez homens.

O Duque não estava satisfeito, seu sangue ainda borbulhava. Canalizando todo o seu ódio, socou mais uma vez o ruivo, vendo o nariz do homem sangrar com ímpeto da força. Jacob estava a ponto de cometer uma loucura ali mesmo.

— Jacob! Lady Renemee precisa de você. — foram as palavras do visconde Quil Ateara que trouxeram o duque a razão.

Renesmee estava mole nos braços de Harry, eles ainda estavam no chão.

— Poupéeeee! — Jacob esqueceu qualquer ódio e correu para tomar a esposa indefesa em seus braços protetores, era onde ele sabia que ela estaria segura de tudo.

Um gosto amargo lhe subiu a boca, o medo dominou não só o duque, mas todos os outros que estavam no cômodo — exceto o ruivo tonto e ensanguentado.

Será que Renesmee e o bebê estavam bem? Foi o que todos internamente se questionaram de imediato.

— Poupée... tente olhar para mim. — pediu em desespero ao notar que a jovem esposa estava atordoada e com a visão nitidamente desfocada. — Fale comigo, minha querida. Está me ouvido? — Jacob perguntou preocupado, uma ruga proeminente estava vincada entre as duas sobrancelha negras.

— Jacob! — Renesmee chamou com apenas um sussurro fraco, após conseguir com muito custo se concentrar na voz que chamava-a. Ela conhecia aquela voz. Era Jacob vindo lhe salvar de seu algoz.

— Sou eu, minha Poupée. — respondeu minimamente aliviado ao notar que a amada recuperava lentamente a consciência. — Diga-me se dói em algum lugar.

— Eu não sei... — respondeu aturdida, ainda não tinha noção do próprio corpo. — Eu acho que somente os braços e a cabeça que doem. — gemeu pondo a mão na cabeça.

A visão de Jacob novamente foi tingida de vermelho ao vizualizar como os braços de sua pequena e delicada duquesa estavam vermelhos e inchados, uma coloração arroxeada já surgiam ao redor das nítidas marcar de dedos que o ruivo deixou.

Enquanto isso Edward se rastejou e conseguiu se sentar em uma poltrona, do bolso da casaca retirou um lenço e levou ao nariz na intenção de conter o sangue que não parava de escorrer. Ele ficou observando a cena dos quatro nobres ao redor da ruiva. Ele sorriu descrente. Somente quando Jacob o fitou com fúria novamente foi que ele finalmente reconheceu o grande homem que provavelmente o bateria outra vez.

— Duque Black! — o nobre falou tentando disfarçar seu receio, os Black nunca foram amigos de sua família. O falecido duque William Black o infernizava quando vivo e agora o Duque atual estava visivelmente determinado a matá-lo. — Tinha ouvido boatos que havia se casado com uma linda e jovem lady Escocesa, mas pelo visto não conseguiu se manter longe da vida libertina. Eu lhe entendo perfeitamente. — sorriu malicioso. — Porém acho melhor se manter longe dessa meretriz e de sua mãe, elas são prostituas ardilosas, vão acabar lhe aprontando uma supresa bem desagradável a qualquer hora. — soou com a voz debochada, na falha tentativa de soar amigável. Ele jurava que a ruiva fosse apenas mais uma meretriz.


Imperdoável erro.

— Eu vou matá-lo! — Jacob gritou com fúria e tentou deixar a indefesa esposa sentada no grande sofá, na intenção de avançar novamente para cima do nobre ruivo, mas o movimento de tirar Renesmee do chão e de colocá-la sentada arrancou-lhe um gemido. — Poupée, o que houve? — o gemido sôfrego da duquesa foi como um balde de gelo para ele. Logo Edward não era mais o foco de sua atenção.

— Jacob. — Renesmee estava pálida e olhou com desespero para o marido, sua fisionomia transparecia dor e medo. Ela em um ato de reflexo apertou o braço dele.

O duque não precisou de uma única palavra da esposa para saber o que estava acontecendo. Um déjà vu de emoções lhe dominou, porém agora era pior a dor.

— Ateara, traga o Dr. Carlson imediatamente até aqui. Ele está no baile, no salão de jogos desde a última vez que o vi. — Jacob ditou com a voz embargada.

Quil não questionou o amigo, saiu a passos apressados em busca do médico, que também era muito amigo dos Clearwater.

— Jacob, vamos levá-la lá para cima. É mais confortável e propício para uma consulta. — Harry ditou firme. Ele tinha acionado a campainha para chamar um criado ao cômodo.

— Claro. — concordou aturdido. Jacob não viu em que momento o mordomo entrou na sala, mas ele já aguardava com um candelabro na mão para guiá-los ao andar superior pela escadaria de acesso dos criados.

Renesmee só chorava e gemia baixinho vez ou outra.Ela estava assustada, mesmo nos braços do marido.

— Lorde Call, acompanhe Vossa graça. Ele irá precisar. — Harry sugeriu a Embry ao perceber que Jacob parecia desnorteado com os recentes ocorridos. — Logo subirei. Vou esperar o retorno do visconde com o médico, eles com
certeza virão até aqui.

Jacob pegou Renesmee com todo melindre possível no colo e a envolveu de forma protetora. Se dependesse da segurança de seus braços nunca nada aconteceria a ela. Mas infelizmente não era o que acontecia agora, ela estava sofrendo e ele só podia segurá-la nos braços.

Jacob estava pronto para sair da sala quando seu olhar novamente se cruzou uma última vez com o sorriso jocoso dos lábios inchados do nobre ruivo.

— Você não perde por esperar. Hoje você assinou a sua sentença de morte. Vou caçá-lo até nos mais remotos cantos do mundo e acabarei com você e com toda sua medíocre existência. Não sobrará nada seu para contar história, lhe asseguro que não descansarei até que você esteja acabado. Se acredita em Deus, comece a rezar desde agora para que a minha duquesa e o nosso filho estejam bem, porque senão será olho por olho e dente por dente. — a voz do duque soou baixa e assassina.

Jacob saiu apressado da sala após comunicar a sentença ao Barão.

Edward Cullen, que mantinha um sorriso de escárnio nos lábios ao vê o duque com a jovem nos braços, ficou pálido e trêmulo ao assimilar as palavras do nobre.

Harry suspirou e disse para o barão aturdido:

— De todos os erros que você já comentou na vida, e olha que foram muitos, sem dúvida que esse foi o seu maior. Nada poderá livrá-lo da fúria do Duque de York, e até mesmo da família Real. Você mexeu com a lady errada dessa vez, você mexeu com a preciosa esposa do poderoso Duque Black. Ela está grávida do herdeiro dele. Torça para que ela não perca a criança. Ele será o seu neto ou neta, além de tudo, você querendo ou não! — o Conde finalizou com ódio.

Edward arregalou os olhos com o que acabara de ser revelado.

— Ah, você pensa que eu não sei? Eu sempre soube. William descobriu tudo que você fez a Katherine, ele a tomou como querida. Renesmee cresceu como a pupila do falecido Duque. Ele foi para ela tudo que era a sua responsabilidade e obrigação como pai. — o conde parou bem diante do barão ainda sentado. — Se for pelo meu desejo o meu filho não se casa com a sua filha, mas não vou impor isso ao Seth, ele gosta da Audrey. Porém saiba que irei fazer o possível para que a minha família não se associe a sua. E eu acho melhor nem tentar abrir a boca para denegrir a imagem da nova duquesa de York ou será inevitável a associação entre vocês. Ela é a sua cara, a cópia fiel. Irônico o destino, não? Esse fato até poderá passar despercebido em nossa sociedade ao levar em consideração que ela é escocesa — frisou a falsa origem da duquesa —, mas aqui em Londres você é o único com os mesmo traços físicos que os ela. Se der com as língua nos dentes para falar qualquer coisa, todos saberão que tem uma filha bastarda. E você sabe que no final sempre vence o mais poderoso, e afirmo que não será você.

Edward tinha a boca levemente aberta com todas as revelações que Harry tinha feito. Ele estava chocado em como a vida deu voltas e deixou ele em apuros. Como um simples caso com uma criada foi levá-lo àquela situação.

— E antes que me esqueça, tenha respeito ao falar de Katherine. Ela foi uma mulher irrepreensível e uma mãe extraordinária, os Black tem um carinho enorme pela memória dela. — Harry advertiu. — Não sou seu amigo, mas vou te dar um conselho: pegue a sua família e se retire para a sua propriedade no campo. Desapareça da vista do Duque. — o poderoso conde ditou por fim antes deixar a sala, Quil acabara de regressar com o médico e os dois acompanharam o Conde deixando o ruivo sozinho.

— Eu não acredito! — Edward murmurou incrédulo.

Ele estava em choque com as informações. Uma de suas antigas amantes havia fugido levando uma pendência com ela. Ele teve uma filha bastarda que agora era uma duquesa.

Sua antiga amante havia parado nos braços de um dos nobres mais poderoso da Europa, que caiu nas graças dela. William Black havia ficado com sua antiga amante e tornando a sua bastarda em pupila. E pelo que ele entendeu, Katherine estava morta.

Ele lembrou da Loira quando ela era jovem, inocente e linda. Ele pensou em como foi difícil seduzi-la e levá-la para cara. Em como ele tirou sua virgindade e como ela era uma tola apaixonada. Como erros do passado poderiam voltar para assombrá-lo hoje.

Ele deveria tê-la obrigado a fazer o aborto, deveria estar presente no momento do ato, deveria ter se certificado que tinha sido feito. Ele deveria ter insistido na busca e deveria ter acabado com ela enquanto ainda estava grávida e sem recursos.

Tantos erros passados que vinham agora lhe assombrar, mas Edward sabia que não poderia cometer os mesmos erros novamente. Antes que o duque acabasse com ele, precisaria encontrar uma forma de por fim à existência de sua bastarda.

~*~

Jacob seguiu o mordomo pela escadaria estreita e mal iluminada, nos braços dele Renesmee permanecia em silêncio, o choro havia cessado.

Ela tentava refletir sobre os últimos ocorridos, mas se negava a pensar nas consequências dele. Nunca tinha sentido tanto medo, chegou a acreditar que o lorde a mataria ali mesmo, ceifando junto a vida do seu bebê.

— Por aqui, Vossa Graça. — o mordomo indicou uma porta e a abriu, dando visão do luxuoso quarto. — Pode acomodar a Duquesa. Mandarei imediatamente uma criada para vir auxiliá-la no que for preciso. Gostaria que mandasse buscar a criada pessoal da Duquesa na Casa York? — o senhor era rápido e competente.

— Claro. — Embry respondeu pelo amigo. Jacob parecia fora de si para pensar em detalhes aparentemente sem importância, por hora. — Mande buscá-la imediatamente e peça para trazer uma valise com o necessário.

— Perfeitamente, Milorde. — o criado assentiu solene antes de se retirar.

O duque acomodou a esposa sobre a cama com muita delicadeza no gesto. Ele estava desesperado, todavia tentava se mostrar calmo para ela. Jacob queria chorar de desespero, raiva, agonia... Gritar de frustração, porém mantinha a expressão facial, fechada, séria e calma perante ela.

— Sente-se confortável, Poupée. — ajeitou algumas almofadas para acomodar melhor a duquesa. — Precisa de algo?

— Não! — respondeu com um sussurro. Renesmee tinha medo de abrir a boca e cair no choro.

— Oh, minha querida! — agora que Jacob tinha reparado em um filete de sangue seco no canto dos lábios da esposa, a face dela estava levemente arroxeada. Ele mataria o Cullen.

— Toma, Black. — o marquês estendeu seu próprio lenço, já umedecido com água morna que encontrou em um jarro de prata que estava próximo a lareira. — Vou deixá-los à vontade, mas estarei aqui ao lado na sala de convívio caso precisem de algo. — Embry se pronunciou assim que viu uma criada entrar apressada nos aposentos.

Provavelmente iria ajudar a despir a duquesa do e deixá-la só com a combinação de baixo.

Renesmee tinha acabado de se ajeitar novamente na cama — a criada tinha trago consigo uma camisola branca simples e a vestiu com ela —, quando Quil, Harry e Dr. Carlson entraram no aposento da mansão dos Clearwater. O semblante do médico era sério e indecifrável.

— Vossa Graça, agora pode nos deixar a sós para que eu possa examinar a Duquesa. — ditou o médico.

— Nem mesmo o Rei é capaz de me tira daqui! Eu não sairei do lado da minha esposa por nada nesse mundo. — o duque respondeu firme, não deixando brechas para contestação. Harry até tentou persuadi-lo, mas foi em vão.

— Então permaneça ao lado dela na cama enquanto a examino.

Com ajuda da criada o médico começou a examinar a duquesa, e lamentou ao certificar- se que ela tinha um pequeno sangramento. Após mais alguns minutos examinando a jovem, Dr. Carlson constatou que o bebê ainda permanecia vivo no ventre da ruiva, mas não era garantia que ela não fosse perdê-lo. A situação era incrivelmente delicada.

— Meu bebê? — Renesmee perguntou chorosa assim que percebeu as rugas proeminentes e preocupantes no rosto concentrado e sério do médico.

— Milady, acalme-se, não poderá sofrer mais fortes emoções. O seu bebê está onde é preciso que esteja, porém precisará ficar de repouso absoluto. Toda essa situação é de estremo melindre. Irei vir visitá-la todos os dias, manhã e noite, mas independente da hora que seja mande me chamar se alguma coisa mudar em seu estado. — informou calmamente o médico na intenção de tranquilizar o casal. — Vossa Graça, poderia me acompanhar até a porta? — Carlson perguntou sério, ele precisava conversar em participar com o Duque. Jacob precisava saber da real situação da jovem esposa.

— Claro, Dr. Carlson. — prontamente concordou o nobre. — Querida, descanse um pouco. Logo estarei de volta para ficar ao seu lado. Assim que estiver mais descansada voltaremos para Casa York. — Jacob beijou com ternura os cabelos ruivos da amada.

Renesmee concordou e não precisou fazer nenhum esforço para fechar os olhos e dormir um pouco. Estava exausta física e emocionalmente, seu corpo dolorido exigia por descanso.

Estava mais calma agora, após saber que seu bebê ainda estava seguro em seu ventre. Ela não pensaria mais em nada do que aconteceu, por hora.

No momento sua única preocupação era o filho que carregava no ventre. Ela precisava estar bem para ele ficar bem. Faria tudo o que fosse preciso para não comprometer ainda mais sua delicada situação. Como Elizabeth pedia quando era menor; seja boazinha e obediente, para o seu próprio bem.

Foi com lembranças da vida simples que tinha em Kent que a jovem Duquesa caiu no sono reconfortante.

~*~

— Qual é a real situação da minha esposa? — Jacob foi direto ao questionamento assim que se viu fora do quarto. Eles tinham acabado de chegar na sala de reunião informal do Conde que ficava ao lado do quarto . — Não me omita nada!

— Não gostaria que conversássemos em particular? — o médico perguntou ao fitar brevemente a sala e reparar nos três nobres atentos a tudo.

— Não há mais nada para ficar no privado. Eles presenciaram tudo. Apenas fale! — pediu o duque, já mentalmente exausto.

— Vossa Graça. Toda essa situação é incrivelmente delicada. Acho que subestimei a força da duquesa. Mesmo ela sendo aparentemente frágil e jovem demais, ela está se mostrando fisicamente forte em carregar o seu filho. Eu não tinha esperanças que ela fosse conseguir segurar a criança, pois ela já mostrava sinais de um princípio de aborto, mas o sangramento parou. No entanto, não posso garantir que ainda não possa ocorrer a perda da criança. — Dr. Carlson parou uns segundos para esperar para que o duque assimilasse o que ele falava. — Lady Black deverá permanecer em repouso absoluto, até segunda ordem minha. Deverá levantar da cama somente quando for imprescindível. Por enquanto não recomendo que ela seja removida para Casa York, nem sofra grandes emoções. O seu quadro é delicado demais, vamos esperar ao menos alguns dias para esperar se mais nenhum sangramento acontecerá novamente.

— Ela corre algum risco de vida? A vida do meu filho é importante, mas a prioridade aqui sempre será pela minha esposa. — revelou com a voz embargada. Jacob parecia viver novamente os mesmo dramas do passado. Porém preferia extinguir o nome da sua família a ter que perder Renesmee.

— Vossa Graça, não é uma questão de escolha. Sua lady é bastante saudável para carregar uma criança. E a criança também tem se mostrado bem forte. O problema foi as interferências externas. Lady Black foi exposta a uma situação de grande estresse. Nunca estresse excessivo combina com gravidez. O ideal será ela se recolher um pouco da vida social. Deixe-a ter uma gravidez tranquila, longe da sociedade. Depois ela poderá retornar sem grandes implicâncias. Ninguém irá questionar os motivos, visto que já é de conhecimento de todos que a Duquesa já carrega um herdeiro.

— Perfeitamente. — assentiu o duque. Os demais nobres ali presente somente escutavam tudo em silêncio. — Farei até o impossível para assegurar que minha duquesa tenha uma gravidez tranquila. — o tom saiu como promessa. Jacob sempre cumpria as suas promessas.

— Mande me chamar a qualquer minha alteração.

— Acho melhor voltarmos aos poucos para o baile ou levantaremos suspeitas. Não há porque gerarmos fofocas e especulações por agora. — disse o Marquês após refletir. — Estamos ausentes por um bom tempo do baile. Olhos mais atentos vão começar a fazer especulações.

— Essa situação deverá ficar em segredo, nem preciso lembrar. — Jacob ditou sério.

— Claro, Vossa Graça. Essa situação é segredo médico. Não conferi nem mesmo a minha senhora. — o médico adiantou-se em responder.

— Nem precisa da nossa resposta. — Quil disse , seu olhar era de tédio. — Acho mais prudente voltarmos aos poucos e não todos de uma vez. Se alguém questionar sobre o duque e a duquesa, diremos que já foram. Que a duquesa sentia-se cansada. Ninguém questionará.

— Perfeito. — concordou Embry. — Vá você primeiro, Ateara. E Dr. Carlson também. Muitos devem ter visto saírem juntos, nada mais prudente.

Quil e o médico deixaram a sala privada e voltaram para o grande baile que acontecia no andar inferior da mansão do Conde.

— Black, acho melhor você avisar a princesa. Ela não irá perdoá-lo se não for comunicada sobre o ocorrido. Não é algo que possa passar despercebido. Além disso, a princesa poderá pensar em uma retirada social mais prudente. Ela pensará em algo realmente bom para ausência da Duquesa na sociedade sem levantar grandes mexericos e especulações. — Embry expôs a ideia que acabara de ter. Com certeza Rachel pensaria em uma grande saída.

— Não sei se será prudente incomodar a minha irmã na estadia dela mo campo. Ela foi de férias com a família. Sabe como a família Real preza por suas férias no campo. Posso pensar em algo para justificar a retirada da Duquesa sem levantar muitos borburinhos. — Jacob respondeu incerto.

— Concordo com o Marquês. — foi a primeira vez que Harry de pronunciou desde que a conversa começou. — A princesa tem a delicadeza feminina para lidar com os devidos traquejos sociais.

— Sim. Talvez seja melhor mesmo. — Jacob refletiu, ainda não tinha certeza sobre o que fazer, mas seria uma ideia a ser trabalhada. — Acho prudente retornar agora, Call. Lady Caroline deve estar lhe caçando por todo baile. — o duque elucidou para um fato.

Embry retorceu a face em desgosto, mas seguiu o conselho do amigo. Contudo antes se pôs a disposição para o que o Duque viesse a precisar.

— Sei que necessita retornar ao seu baile, é o anfitrião, mas antes gostaria de trocar meia dúzia de palavras com milorde. — adiantou-se o duque para o Conde Cleawater, assim que eles ficaram sozinhos — Primeiro, gostaria de solicitar a minha permanecia e a da duquesa na Casa Clearwater até que Dr.Carlson libere a remoção dela.

— Não precisa nem pedir. — adiantou-se Harry. — É um convite meu e da minha família, a permanência nesta residência até quando necessitar. Sinta-se em sua própria casa e disponha dos criados da forma que precisar.

— Obrigado, pelo estadia. Assim que for liberado estarei levando a duquesa para casa. — agradeceu o duque. — Agora gostaria de perguntar algo que está me perturbando e tenho certeza que o senhor tem as repostas. — falou sentando-se em uma poltrona lentamente, atento ao Conde.

— Ajudarei no que puder. — prontificou-se Harry. Ele já tinha uma mínima ideia do que se tratava o assunto.

— Agora analisando todo o ocorrido cheguei a algumas conclusões. — Jacob inspirou profundamente. — Quero saber o que o Barão Cullen tem contra a minha esposa. O que ela fez a ele para atacá-la de forma tão cruel? Tenho certeza absoluta que ele nunca esteve antes com ela.

— Acho que já sabe a resposta. — Harry respondeu calmamente.

— Quero apenas a confirmação — murmurou jacob. — Você e meu pai sempre foram amigos e confidentes. Sei exatamente como isso funciona. Você tem a resposta que quero. Na verdade, apenas a confirmação. — Jacob tinha a voz controlada, mas era mortal.

— Ele é o pai dela. Acho que está na cara, não? Ela é a cópia dele. Ela tem a beleza inebriante dele. Claro que para nós que conhecemos a verdade dos fatos, fica óbvio. Edward sempre teve essa beleza arrebatadora para as mulheres. Mesmo com os anos ele ainda chama a atenção das mulheres. Katherine quando jovem caiu na armadilha e nos encantos dele. Ela fugiu da Casa Cullen quando foi ameaçada por ele. Edward queria que ela abortasse a criança. Katherine não pensou duas vezes em fugir para longe carregando o bastardo do barão no ventre. Acho que o resto da história você já sabe. William descobriu tudo depois de investigar muito e pressionar Katherine antes dela falecer. Ele me contou tudo assim que soube. William fez a vida do Cullen um inferno. Boa parte da degradação do nome da família dele foi graças aos incentivos de William.

Jacob apertou as mãos nos punhos, seu rosto ficou levemente rubro, ele controlava a raiva pelo barão.

— E agora eu vou acabar com ele. Vou terminar o que meu pai começou! — ditou. Não era apenas uma vaga ameaça do duque. Ele estava determinado. — Acho melhor Seth sair dessa ou casar o mais rápido possível com a noiva, pois eu vou acabar com o nome da família Cullen. Se ele realmente quiser se casar com a filha legítima de Edward, faça logo antes que o nome da família esteja tão sujo que ela não servirá nem para amante. Se Seth realmente a ama, melhor afastá-la o mais rápido possível da família. Edward Cullen mexeu com a lady errada dessa vez, e eu não pouparei ninguém para conseguir mr vingar.

— Jacob, vingança não leva a nada... — Harry tentou contornar a situação, entretanto o duque estava inflexível.

— O Cullen desgraçou a vida da mulher que o meu pai amou. Ameaçou e acusou Katherine, que era uma mulher tão doce quanto minha Renesmee. Ele impôs que matasse a pessoa que tornou-se o amor da minha vida. E ficou bem claro para mim, que ele seria capaz de matá-la essa noite se não chegássemos a tempo. Você sabe que ele iria matá-la. — Jacob no final já falava alto e descontrolado. — Ele vai pagar por tudo que fez a Katherine e a Renesmee. Ou eu não me chamo Jacob William Black III, Duque de York e Cambridge!

Não havia mais o que Harry contestar, ele sabia que tudo era verdade. Era muito provável que Edward fosse capaz de dar cabo da vida da própria filha bastarda, de eliminar a pendência do passado. Renesmee era a ameaça viva da sua falsa integridade diante da alta sociedade.

Harry não iria mais se meter ou impedir o duque. A única coisa que lhe restava era pressionar o filho caçula a abandonar a mulher que amava ou casar-se o mais rápido possível com ela e tirá-la de perto do convívio da família prestes a desmoronar.

Porque com certeza o nome da família Cullen iria para lama o mais breve que Jacob conseguiasse.

Notas finais
Olá Ladies ( e Lordes. ! Não sabemos se tem cavaleiros aqui. Rsrsrs) Estão todos respirando? Alguém aqui dívida da capacidade do Duque em acabar com seu mais novo inimigo? E tadinha da Renesmee... é muito sofrida sua vida familiar... sorte que hoje é plenamente amada por Certo Duque! Alguém arrisca em chutar o que vem por aí? Só podemos garantir que virá muitas emoções pela frente. Preparem os corações! Bem... provavelmente esse será o último capítulo do ano! Mas faremos o possível para não demorar nas postagens! Fic já passou da metade, se encaminhando para os capítulos "finais"! Vamos comentar bastante recomendar também... quem sabe supreendemos com um capítulo antes do ano novo! Feliz Natal é Feliz Ano Novo! XoXo Jenny & Daaay!