Notas iniciais
Olááá amadas! Como estão? Saudades do nosso Duque? Renesmee também está hahaha Primeiro queremos agradecer as três recomendações lindissimas ♥.♥ que recebemos. wilma mello, Rafaela Cullen Black jakeness e Máh Black, amamos cada palavra. Adoramos as recomendações!!! Capítulo dedicado a vocês! Aos comentarios lindissimos também, obrigada =D Quem não comentou ainda e não recomendou, não percam tempo! Agora sem mais delongas,vamos saber o que está acontecendo em Londres? Boa leitura :)


O dia não estava nada fácil para Renesmee. Após o café da manhã — compartilhado com seu amado Duque — ela saiu a pé mesmo, pois pensava apenas em ir até o cemitério já que havia alguns dias que não ia lá e renovava as flores sobre os jazigos. Por conta disso, também ao menos havia colocado um casaco.

O seu vestido diurno lilás começou a dançar mais forte no vento enquanto ela ainda juntava as flores no campo. O tempo — já fresco — em poucos minutos esfriou e Renesmee sentiu (literalmente) na pele o quanto o tempo mudara.

A chuva se anunciava enquanto a menina ia a passos apressados para casa. Uma vez no abrigo da Casa Black, apesar do frio que sentia, a preocupação do Duque era algo palpável e massageou o coração apaixonado da jovem.

Enquanto relaxava em sua banheira mais tarde, ela sorriu. Não havia nada melhor que as demonstrações de carinho do Duque. Não obstante, alguns minutos depois Jacob a noticiou de algo terrível. Sob muitos aspectos.

Um príncipe tão querido falecera. Jacob deveria partir, então. O príncipe Henry era, sobretudo, um grande amigo para Paul e Rachel. O Duque precisaria estar com a irmã naquele momento.

Novamente Renesmee estaria sozinha. Seu peito parecia que ia se rasgar de angústia apenas pela ideia.

Após passar o máximo de minutos um na companhia do outro, tentando sorver ao máximo de sabor, cheiro e textura um do outro através de beijos avassaladores e abraços, veio o pior momento.

Ver o Duque vestindo sua grossa casaca sob o pórtico da mansão lhe deu uma vontade absurda de chorar, Renesmee sentia as lágrimas se formando e embaçando sua visão.

O grande baú estava sendo colocado na carruagem luxuosa — a mesma que trouxe o nobre no verão —. O frio era vigoroso e uma fina chuva caía. Jacob após colocar seu chapéu fitou a ruiva outra vez.

Ma poupée, voltarei o mais rápido que eu puder para ti. Prometo. Sentirei sua falta. — segredou para ela, mantendo uma distância considerável.

Contudo quando a garota o fitou com seus olhos mareados e cintilantes, ele mandou o decoro para o inferno e a abraçou fortemente.

— Sentirei sua falta, Jacob. — ela murmurou as palavras no casaco dele enquanto uma grossa lágrima formava um círculo mais escuro no tecido preto.

Jacob pegou o rosto da menina entre as mãos e se controlou para não dar lhe mais um beijo intenso como os muitos que trocaram no quarto. Ele apenas deu um beijo demorado em sua testa e colheu a lágrima dela com seus grandes e quentes dedos.

O lacaio que havia finalizado a carruagem — e estava em companhia do valete do nobre — olhou aquilo com curiosidade, porém reconhecia o quanto Renesmee era importante para a família Black e o quanto aquilo seria doloroso para ela. E realmente seria torturante.

Assistir a carruagem de seu amado se distanciar cada vez mais de sua presença, trilhando pelo solo levemente enlameado sob o céu azul escuro de um anoitecer gélido, apunhalou seu coração. A menina deixou por fim que as lágrimas descessem em torrente conforme corria sob a chuva até o portão da mansão. A ruivinha chegou a tempo de contemplar ainda a carruagem de Jacob desaparecer em uma curva cercada pelos arbustos e árvores.

Jacob no interior do veículo sentiu seus olhos arderem por conseguir — em um último momento em que olhara para trás — ver toda a tristeza de sua poupée. Deixá-la assim foi a coisa mais difícil que se lembrava de ter feito.

A carruagem havia sumido de vez, depois de alguns minutos a ruivinha resolveu retornar. Diferente da ida, Renesmee voltou a casa Black a passos lentos, desolada, tristonha e abraçando o próprio corpo. O frio não a incomodava tanto, nem mesmo as gotículas gélidas golpeando sua pele e umedecendo sua capa de lã preta — já havia entrado no luto —.

Renesmee durante o percurso imaginava o quão vazia aquela casa ficaria sem o seu tutor, protetor, amigo e amante. Quão vazia ficaria sua vida. A imagem lhe causava pavor e dor, se pudesse; se tivesse forças, não deixaria Jacob partir. Faria tanta falta.

Elizabeth observou a partida do patrão e a sua despedida com a pupila pela janela do salão principal. A governanta compadeceu-se da menina. Ela sabia o porquê de tanta angústia da menina com a partida do Duque.

A senhorita Winslet, assim como Joe, reparou o quanto Renesmee mudara, mais que os outros criados. No entanto Elizabeth era a única que desconfiava — certamente — do motivo.

Renesmee amava o homem que partia para Londres naquele fatídico dia.

Quando a menina adentrou a casa, passando pelo salão a fim de subir as escadas, Elizabeth colocou um sorriso singelo nos lábios e interceptou Renesmee em sua subida na escadaria principal.

— Senhorita, não fique tão triste, ele voltará. Não a deixará aqui sozinha por muito tempo.

Renesmee, que estava três degraus acima de Elizabeth, se virou para encará-la. Por um segundo a mais nova quis liberar o choro outra vez e dizer a Elizabeth que acreditava fielmente em suas palavras, embora a dor fosse inevitável, invés disso apenas engoliu o choro e literalmente correu até o seu quarto. Elizabeth por sua vez tentava se convencer das próprias palavras, não saberia o que fazer caso Jacob abandonasse a menina — provavelmente iludida, apaixonada e desonrada — ali.

A governanta permaneceu muito preocupada com o estado emocional e saudável da menina, resolveu que não adiantaria forçar uma conversa com ela, ao menos por enquanto, então preparou um lanche e levou para ela, Renesmee subiu molhada e frágil. Todavia Elizabeth encontrou sua porta trancada.

Renesmee não queria ver ninguém, falar com alguém e muito menos um alimento. A única coisa que a nutria no momento era a tristeza, o medo de estar sozinha, sem aquele que despertava sua confiança tão facilmente.

Naquele dia e nos dois seguintes Renesmee não abriu a porta para ninguém, não comeu, desenhou, tocou ou cavalgou. Apenas lamentou, chorou e ponderou — mentalmente — com a sua mãe sobre tudo que estava acontecendo.

Seu corpo tinha mudado um pouco mais naqueles últimos meses. Ela também estava assustada com aquilo. Suas curvas estavam mais notáveis, como os quadris levemente mais arredondados, seus seios, embora à olho não parecessem tão crescidos, ela os sentia mais pesados.

Renesmee representava a miniatura perfeita de uma formosa mulher. Era como uma boneca de porcelana que apesar de atraente preservava sua delicadeza e sutileza. Ela não imaginava, mas havia se tornado uma mulher desejável a qualquer homem que admirasse a beleza feminina.

Naqueles dias de ausência do Duque a ruivinha não tinha ânimo. Ao se deitar podia sentir o cheiro forte e masculino de Jacob entranhado nos lençóis, aquilo a fazia desabar no choro outra vez e em seguida o sono chegava a fazendo finalmente descansar em sonhos felizes com o Duque.

Ao terceiro dia desde a partida de Jacob, era oficialmente o inverno. A chuva era constante assim como a frieza típica da estação, o que não era diferente do olhar da jovem que por muitas vezes se mantinha no divã observando a propriedade que a cercava.

Quando Renesmee finalmente aceitou o desjejum que Elizabeth levara, a governanta sorriu abertamente. Teve a esperança de que a menina interagisse. Mas ela não o fez. Apenas permitiu que Lizzi depositasse a bandeja em sua escrivaninha.

Sua face era de uma expressão impassível, contudo, algumas horas depois — enquanto a menina repousava — a senhorita Winslet retornou ao quarto para recolher a bandeja e ficou satisfeita em perceber que pelo menos se alimentar ela fazia.

Elizabeth assim como os outros empregados se manteve preocupada com a ruiva, ela evitava qualquer contato. Era até pior que antes. Nenhuma palavra mais foi ouvida da menina, nem um sorriso ou sua perfeita habilidade no piano foi apreciado. Renesmee voltou à reclusão.

Por quase uma semana nada além de contemplar a entrada da propriedade através da janela de seu quarto e aceitar as refeições ela fez.

Até o dia em que resolveu aproveitar a trégua dada pela chuva e ver como Estrela estava.

Ela vestiu sua roupa de montaria, fez uma longa trança, colocou sua capa grossa de lã por cima e desceu sem pressa. Quando chegou ao salão principal encontrou uma Elizabeth sorridente. Renesmee passaria direto, porém ouviu a voz estridente da governanta assim que deu um passo em direção ao vestíbulo.

— Chegou uma missiva para a senhorita! — o sorriso não saía da face da mais velha.

Renesmee por sua vez não prestou mais atenção na alegria da senhorita Winslet. Seu coração simplesmente perdeu uma batida.

Ela reconheceu o selo do Ducado da família Black na carta. Aquilo encheu seu peito de ansiedade e esperança. Com certeza eram notícias de Jacob.

~*~

Londres, uma semana atrás.

O céu era um manto negro adornado somente por uma pequena fração da lua. O vento gélido tornava a madrugada ainda mais fria do que de costume. Em poucos dias já seria inverno.

Sobre a rua de pedra da grande Londres a carruagem trepidava conforme os cavalos que a conduzia mantinham a alta velocidade. O nobre ali dentro tinha pressa em chegar. Jacob não havia conseguido pregar os olhos desde que deixou Kent.

Na memória, as últimas imagens de sua poupée chorando e ficando para trás. Uma parte importante do nobre havia ficado no campo, seu coração havia ficado junto com a inocente ruiva.

O Duque desejava voltar, dá meia volta e dali mesmo retornar para Kent, mas infelizmente os motivos de seu retorno eram sérios demais. O príncipe herdeiro havia falecido, sua irmã estava diretamente ligada à tragédia. Sem contar o fato de que ele, como um Duque de sua linhagem, não poderia estar ausente no velório de um príncipe.

Jacob tentava pensar de forma racional, analisando friamente os acontecimentos. Fitando a janela de sua luxuosa carruagem, ele já podia constatar o impacto que o falecimento do príncipe teve sobre Londres. Das maiores mansões da Mayfair aos cortiços mais simples do centro de Londres, todos ostentavam uma bandeira negra em sinal de luto pelo monarca falecido.

Ainda era madrugada, mas logo seria dia, a carruagem do Duque aproximava-se cada vez mais de sua residência Londrina, era uma luxuosíssima casa na Grosvenor Square, em Mayfair. Herança de seu Ducado, uma vez que desde quando a família Black ganhou o título também ganharam a Casa York.

Jacob havia colocado a mansão em que viveu com a falecida esposa à venda e retornado para a casa que sempre pertenceu a todos os seus nobres ancestrais.

O Duque queria descansar antes de ir ao palácio vê a irmã, sobrinhos e cunhado, todavia sua inquietação não o deixava desligar-se das diversas informações conflitantes que eram os seus pensamentos.

A carruagem parou e a porta foi aberta trazendo Jacob à realidade. Ele havia chegado a casa. Nunca seu lar lhe pareceu tão estranho, tudo parecia estar fora do contexto. Algo lhe faltava, era uma parte importante do nobre. A ruiva veio, então, vívida em sua lembrança. Ele suspirou resignado ao descer da carruagem. Havia se acostumado tanto à presença da ruiva que estando ali, a léguas de distância, ansiava loucamente sua presença, não a tirava do pensamento.

O Duque fitou a fachada da propriedade. Ficou satisfeito por constatar o quanto seus empregados eram fiéis e competentes. A residência dos Black em Londres estava muito bem cuidada. Nos mastros, a bandeira da Inglaterra, o brasão da família e uma bandeira negra — simbolizando o luto — estavam a meio mastro. Era procedimento padrão. Seus empregados não protestaram em cumprir os protocolos.

— Boa Noite, Vossa Graça. — a voz solene do mordomo soou aos ouvidos do Duque.

— Boa noite, Sr. Smith. — devolveu ao senhor já de idade. — Prepare-me um chá, preciso descansar um pouco e não estou conseguindo. Aguardarei em meus aposentos. — Jacob ordenava conforme seguia para o interior da casa. — E Sr. Robins, desfaça os meus baús e me acorde às nove e trinta. Irei ao palácio real. — concluiu a ordem ao seu valete.

Imediatamente os empregados partiram para cumpri a ordem imposta. O Duque seguiu para o seu aposento e respirou fundo quando constatou que ali estaria sozinho, sem o cheiro, o toque e carinhos de sua querida poupée. Ele não pretendia ficar por muito tempo em Londres, só esperaria os ânimos se acalmarem e logo inventaria uma desculpa para voltar ao campo. Voltar para os braços e cama de sua menina.

— Vossa Graça, o seu chá. — informou o mordomo, trazendo o Duque de volta de seus pensamentos. Ele havia retirado o pesado casaco e afrouxado o laço do pescoço, abrindo os três primeiros botões do colarinho e dos punhos.

— Obrigada, Sr. Smith. — pegou a xícara da bandeja de prata. — Há algo importante que precise ser notificado?

— Não, Vossa graça. Está tudo na mais absoluta ordem.

— Ótimo. — bebericou um gole da bebida quente. — Está dispensado.

O mordomo não contestou, somente acenou em entendimento e deixou o quarto do patrão. Jacob terminou seu chá e foi deitar-se. Estava exausto físico e mentalmente.

~*~

A carruagem parou diante do suntuoso palácio. Jacob suspirou pesadamente antes de descer de seu veículo. Era hora de tomar o verdadeiro conhecimento de como a tragédia estava afetando a toda família real.

O Duque passou livre pela guarda real, que ostentava um broche simbolizando o luto em sua farda. Sua família era uma das mais prestigiadas de Londres, sempre tiveram acesso livre ao palácio, isso mesmo antes do casamento de sua irmã com um dos príncipes, uma vez que os Black descendiam da família real, isso há muitas gerações. Jacob foi prontamente recebido por um serviçal que o direcionou a um salão de visitas íntimas. O nobre não esperou muito para ser recebido pelo primeiro membro da família Real.

Era o pequeno Elliot, que um dia seria o futuro rei da Inglaterra. O menino possuía duas amas em seu encalço. O pequeno príncipe estava todo trajado de preto, mesmo sendo apenas uma criança de pouco mais de cinco anos.

— Tio Jacob! — correu para o colo de Jacob.

— Não corra, alteza! — brando uma das amas.

Agora Elliot seria criado com os mais rigorosos padrões da realeza. Um dia seria rei e tinha que está a altura de sua posição.

— Deixe-o. — defendeu o Duque. — Em minha presença meu sobrinho não precisa mostrar formalidade. Ele ainda é só uma criança.

— Desculpe-me, Vossa Graça. — a jovem abaixou a cabeça pela repreensão do nobre.

O Duque, por sua vez não direcionou mais o olhar para a criada, sua posição na sociedade exigia altivez perante qualquer pessoa abaixo de seu lugar na pirâmide social.

— Como está o meu garotão? — perguntou a criança em seu colo.

— Estou tão triste, tio Jacob. — Elliot tinha os olhinhos claros mareados. — A mamãe falou que o tio Henry foi morar no mesmo lugar que o vovô. Eu sei que nunca mais vou poder vê o meu titio. — o menino segurou com seus bracinhos a estrutura larga dos ombros de seu tio.

O Duque ficou sem palavras por um segundo. Seu sobrinho era esperto demais, já havia entendido o conceito da morte, por mais que não soubesse exatamente o seu significado. Antes que Jacob conseguisse articular uma sábia palavra para a criança, uma figura trajando totalmente negro entrou no salão informal.

— Meu irmão! — Rachel tinha expressão enfraquecida. Os olhos estavam vermelhos. — Que bom que chegou. Estava com saudades. — abraçou o irmão gêmeo de forma apertada. Jacob ainda mantinha em um dos seus braços o menininho.

— Como você está? — Jacob transbordava preocupação nas palavras. Sua irmã estava muito abatida, além de todo o susto e dor precisava sustentar uma enorme barriga. Talvez a maior de todas as cinco gestações.

— Levem o príncipe para ala infantil. — Rachel ordenou às criadas que imediatamente foram na direção da criança no colo do Duque.

— Eu quero ficar com o meu tio Jacob! — ditou o menino já um tanto imponente para pouca idade. Elliot já tinha postura de um nobre.

— O tio jura que já irá brincar com você e seus irmãos. Mas agora eu preciso conversar com a sua mamãe. — prometeu Jacob ao sobrinho. Elliot olhou no fundo dos olhos do tio, vendo a veracidade no olhar firme dele. Para somente então permitir seguir junto com as amas.

— Tudo está complicado demais, Jacob. — Rachel confidenciou ao ficar a sós com o irmão na sala. Ela já o direcionava para sentarem-se em um amplo sofá de veludo azul. — Toda a família está arrasada. A rainha não sai do quarto nem para vê os netos. Você sabe como ela é uma avó dedicada. — suspirou triste. — O rei alterna momentos de isolamento com suas obrigações reais diárias. O meu marido tenta ajudar o pai o máximo que pode, mas ele também vive o luto. Ele e Henry sempre foram muito amigos. Paul sempre admirou a postura que o irmão mantinha perante a corte. Henry era muito querido por todos. Porém agora, Paul virou o centro das atenções. Ele era um príncipe sem perspectiva de sucessão ao trono, entretanto agora se tornou o futuro rei da Inglaterra. Isso tem gerado uma carga muito grande para ele. Sem contar o fato que o Rei ordenou que Elliot já fosse preparado para assumir o trono. Um dia ele sucederá o pai. — a princesa desabafava em um só fôlego. — Tudo mudou da noite para o dia. Eu já carrego o peso de uma futura rainha. — Rachel deixou uma lágrima cair. A carga emocional era demais para seu ânimo de grávida.

— E a princesa viúva? Não tem chances de ela estar carregando um herdeiro? — o irmão tentou amenizar.

— Não existe essa possibilidade. Ela não carrega nenhum herdeiro no ventre. — Rachel disse segura do que falava. — Todos no palácio sabiam que o casal não estava dividindo o mesmo quarto essa semana por que a princesa estava no período das regras.

Rachel abaixou o olhar e acariciou a enorme barriga. Ela sempre se sentia orgulhosa da fertilidade com a qual foi agraciada. Em sete anos de casada já estava indo para a quinta gravidez. Era quase uma por ano.

— Você não pode ter essas emoções fortes. Olhe para o seu estado. — Jacob apontou para a barriga da irmã. — Você nunca esteve tão grande antes. Isso não deve fazer bem nem para você e nem para o bebê. — disse preocupado.

— Estou me sentindo bem, apesar de cansada. O médico real disse que o bebê deve chegar um pouco depois das festividades de fim de ano. Provavelmente na primeira semana do ano novo.

— Então você deveria ficar de repouso. — insistiu o Duque.

— Você é exagerado que nem o meu marido. Nem mesmo com todos os problemas Paul deixa de se preocupar comigo. Ele já mandou trazer a parteira para o palácio, além de ter aumentado o número de criadas na minha ala particular. Estou cercada de aias! — revirou os olhos de forma nada cortês.

— Ele está certo. — Jacob concordou com a postura do cunhado. — Toda gravidez é difícil para mulher. Sempre há riscos. — endossou.

O Duque ainda não havia se superado o trauma sobre todas as gravidezes mal sucedidas e o parto trágico de sua falecida Duquesa. A perda de Leah havia criado um trauma secreto em Jacob. Agora ele sempre temeria qualquer gestação que presenciasse.

— Isso é exagero! Já tive quatro crianças e cada vez torna-se mais fácil. O corpo da mulher se acostuma. — banalizou a princesa agitando uma das mãos no ar.

Jacob balançou a cabeça em discordância, mas não mais a contestou. Eles ficaram em silêncio por alguns breves segundos.

— Quando começará o velório do Príncipe? Alias como foi que tudo ocorreu? Ele era tão jovem e saudável. — quis saber Jacob.

A missiva tinha sido breve. Informava só o falecimento e a solicitação de sua presença em Londres.

— Não sabemos ao certo. Tivemos um jantar e Henry parecia bem. No final da noite ele se recolheu para sua ala e na manhã seguinte não acordou. O médico disse que foi mal súbito do coração. — explicou com pesar. Rachel tinha lágrimas ao falar. — Amanhã já irá começar o velório. Seguirá todo o protocolo real. — confirmou a informação já esperada pelo Duque.

Duraria uma semana toda a cerimônia de velório. Jacob abraçou a irmã. Ela parecia bastante fragilizada, apesar de tentar manter a postura firme. Rachel chorou — tudo o que havia prendido — no ombro do irmão gêmeo. O Duque ficou muito preocupado com a saúde da irmã e do bebê que ela carregava no ventre. Nem ele e nem a família real tinham condições de uma nova tragédia. Jacob sabia que precisava estar presente apoiando a irmã, o cunhado, os sobrinhos e até os reis. Sua presença era imprescindível.

Ele permaneceu por duas semanas inteiras apoiando toda a família real. Todos estavam devastados pela tragédia que se abateu sobre a realeza inglesa.

Rachel na primeira semana após o falecimento de seu cunhado acabou tendo dores fortes pelo corpo e na barriga, aumentando a preocupação de todos.

Jacob em todo tempo que permaneceu dando assistência à família real só teve condições de mandar duas missivas para sua poupée. Nela ele sempre contava toda a dificuldade que encontrava; as preocupações que tinha e o estado de Rachel.

O nobre também mantinha uma comunicação direta com Elizabeth, que sempre passava todo parecer sobre Renesmee. O Duque estava muito preocupado com sua pupila também. A governanta sempre informava nas missivas o isolamento que a menina mantinha, a visível tristeza e a falta de apetite. Renesmee estava bem mais abatida, segundo os relatos da senhorita Winslet o que só colaborava para a ansiedade de Jacob em sair da cidade e retornar ao campo.

O natal já se aproximava. Duas semanas desde a morte do príncipe havia se passado, apesar do luto na cidade, o clima natalino suavizava toda a tristeza pela morte do monarca. Jacob conferia em seu gabinete algumas documentações, ele partiria aquela tarde para Kent.

Estava feliz. Seu coração já começava a se encher de alegria só de saber que em breve estaria ao lado de sua poupée, entregaria o presente tão simbólico que havia mandado fazer para ela e contemplaria sua reação para depois cobri-la com seu carinho, demonstrando toda a saudade.

Rachel — já melhor de suas dores — sabia da partida do irmão e estava feliz em saber que a pequena ruiva não passaria o natal sozinha. Por outro lado ela não desconfiava do envolvimento do irmão com a menina. Mesmo vivendo o luto, Rachel não deixou de providenciar presentes para Renesmee. Como ela estava no final da gestação, o médico não permitiu a longa viagem para o campo.

A princesa teria que passar a data no triste palácio. Aquele ano não teria o tradicional baile, semente uma farta ceia para a família.

Sem demora Jacob aprontou-se e já com todas as malas na carruagem partiu para o palácio real, iria se despedir e pegar os presentes que Rachel havia encomendado para Renesmee e solicitado que ele mesmo os entregasse em mãos.

~*~

Kent

Ainda não nevava naquela tarde, mas era essa a sensação térmica. Renesmee caminhando com Estrela ao seu lado retornava a casa Black sem pressa. Apesar do frio congelante — mesmo com suas luvas e casaco de lã —, Renesmee conseguia sentir a friagem em seu rosto. Por isso não se aventurava a cavalgar no lombo de sua égua, estava frio demais, ela não desejaria ficar doente.

A neve, no entanto, não ia demorar a aparecer, afinal, sempre nevava no Natal. O que a fazia deduzir que nevaria no máximo aquela noite.

Em dois dias seria Natal. Ela deveria se animar. Jacob disse que voltaria para o natal, mas ela não conseguia acreditar. Desde a última missiva do nobre ela não parava de chorar. Estava difícil superar a ausência do Duque, além disso, nutria uma preocupação para com a princesa. Será que já tinha tido o seu bebê? Ela refletia sobre isso na volta de seu passeio costumeiro.

Seu dia se resumia à cama e ficar no jardim admirando o carvalho no campo e como o dia escurecia rápido, porém às vezes não refletia sozinha, saía com estrela apenas para uma curta caminhada.

Não foi diferente na véspera do Natal.

Elizabeth comandava os criados que arrumavam os adornos natalinos — o Duque talvez viesse, afinal! —, o pinheiro estava pronto e os enfeites de lareira também, assim como a ceia estava quase pronta e a lenha renovada. Dentro de casa estava até aconchegante; a agitação ajudava também.

Já lá fora, no jardim, o cenário melancólico era o mesmo dos dias anteriores. A ruiva ainda pensava enquanto a fina neve cobria seu casaco, ela fitava o orvalho salpicado de branco e não mais tão saudável por causa do frio violento.

— Me preocupo com a menina Renesmee. — Marina falou a Rosamund, parando um instante na janela de um salão onde ajudava outras criadas a trocarem as tapeçarias, ela podia observar à senhorita Wood com ampla visão.

Rosamund terminou sua tarefa de arrumar o mogno de canto e se juntou a ama de Renesmee.

— Eu também. Não gosto de vê-la assim. — lamentou a mais velha.

A governanta que estava perto das duas as encarou e suspirou. Percebia o quão pálida e triste a menina estava lá fora.

— Estou aflita com a senhorita. Não me escuta quando mando sair da friagem. Nem sei se está realmente bem. — Elizabeth desabafou.

— Não anda comendo. Recolho a bandeja do café da manhã quase intacta há quase uma semana. — confessou Marina.

Elizabeth suspirou preocupada.

— Quase não almoça também. Sua melhor refeição são os biscoitos de manteiga à tarde com chá. Nem come mais os sanduíches que tanto gostava. — lamentou a aia.

— Não sabe quando o Duque volta? Ela estava até mais corada com ele aqui. — Rosamund indagou com um anseio nos olhos, zelava pela menina.

Elizabeth se sentiu um pouco desconfortável. De soslaio percebeu a menina ir vagarosamente em direção ao estábulo.

— Espero que venha logo, talvez assim ela melhore. E vamos voltar ao trabalho. — findou a conversa por fim, fazendo as outras duas retornarem a suas tarefas.

Renesmee por sua vez não se sentia bem aquela manhã, finalmente nevava — como previu — Mas seu estado não melhorou. Sentia-se fraca, desanimada. Recusava-se a ficar na cama, mas era a opção mais atraente. Decidiu apenas pegar Estrela e conversar debaixo do carvalho que tanto olhou.

Jacob ficava muito ali quando não estavam juntos, imaginou que seria um lugar apropriado para pensar além de perto da mansão, não se sentia disposta a ir para muito longe.

— Olá, senhorita Wood! — Joe falou sorridente, seu peito chegava a estar desenfreado pela emoção de vê-la enfim depois de dias.

— Olá. Vim buscar Estrela. — Renesmee limitou-se a dizer. Não só por sua reclusão, mas por aquela ser uma das exigências de Jacob ao partir.

Nada de ficar de conversa com OS criados, principalmente aquele insolente da cocheira. Ela se lembrou das palavras do Duque.

Joe guardou seu sorriso ao reparar que a menina ao menos sorria, buscou a égua e a entregou em mãos.

— Pretende cavalgar, Senhorita? Não é recomendável, pode ficar de cama pela friagem. — advertiu cautelosamente o jovem empregado.

Renesmee sacudiu a cabeça em negativa. Ela sabia que deveria se cuidar. Prometeu a Jacob. Outra de suas exigências durante sua ausência.

Joe com sua testa franzida imaginou há quantos dias Renesmee não comia ou dormia; sob seus olhos havia uma leve coloração roxa, seu olhar estava sem brilho e um pouco caído. Embora formosa, Joe teve a impressão de que ela estivesse mais magra, seus ombros pareceram se encolher.

— Obrigada. — Renesmee se limitou a dizer antes de sair do estábulo segurando as rédeas da égua.

O jovem soltou um muxoxo chateado e tinha um olhar aflito.

— Também estou preocupado com ela rapaz. — disse a voz madura de Robert atrás dele.

— Não gosto de vê-la assim. Estava tão alegre.

— Pois é. Quem entende a mente feminina. — comentou o mais velho logo voltando a seus afazeres.

À noite Renesmee não saiu do quarto. Ao menos se arrumou e tudo o que temia aconteceu.

Jacob não retornou.

Aquele foi o dia mais triste desde que ele partira. Nunca havia passado um natal literalmente solitário.

Elizabeth veio lhe chamar, e Marina, até Oliver. Mas Renesmee se recusava a abrir a porta. Fome sentiu, mas não tinha vontade de descer e cear. Abraçada a boneca que ganhou do Duque certa vez, ela adormeceu e a manhã de natal foi igualmente fria, não pela neve ou inverno rigoroso, mas sim por seu coração magoado, choroso.

A ruiva não sabia o que fazer para melhorar, nem comer ela conseguia mais. Próximo ao almoço sentiu-se fraca demais para manter sua reclusão e permitiu a entrada de Elizabeth com o almoço.

Ela degustava lentamente o assado, a governanta entrou outra vez em seu quarto.

— Senhorita! Olhe o que chegou! — Elizabeth muito animada e contente entrou em seu campo de visão com um embrulho cor de rosa.

Era uma caixa mediana. Renesmee que terminava de comer limpou os lábios com o guardanapo e foi pegar a caixa das mãos da governanta.

— Irei deixá-la só. — avisou Elizabeth recolhendo a bandeja. Imaginava que a menina queria apreciar sozinha o seu presente.

Ela estava certa. Após desfazer o laço cor de rosa e abrir a caixa Renesmee encontrou uma carta. Uma folha dobrada, bem diferente das outras missivas. Ao contemplar o papel caro, com o brasão da família Black e a caligrafia que mais conhecia, seu coração trotou.

Olá, ma poupée.

Espero que receba isso antes do Natal, se não, feliz Natal minha querida!

Eu sei que havia prometido estar contigo, mas houve complicações.

Eu estava pronto para partir, havia ido apenas ao palácio me despedir de Rachel, no entanto ela começou a passar mal, ma poupée.

Fiquei apavorado. Ela estava ali na minha frente, gritando e se curvando de dor. Não demoraram, a parteira e as criadas, pois já estavam atentas há dias no palácio. Paul largou uma reunião com alguns condes e veio se juntar a mim. Eram muitos gritos, Rachel nunca havia feito isso. Eu mesmo assisti aos outros partos dela, foram tranquilos. Tive medo, ma poupée, muito medo. Minha falecida esposa teve um parto igual! Ah poupée, eu quase chorei durante os gritos de minha irmã no andar de cima. O príncipe não parava de andar, parecia que iria furar o chão. Entendi sua dor. Por fim noiteceu e nada. Entramos pela madrugada! Senti muita aflição, imaginei que Rachel teria o mesmo fim que Leah.

Mais um dia se findava e Rachel ainda gemendo e gritando de dor, criadas subindo e descendo, sujas de sangue. Como eu temi o fim daquela jornada, e finalmente um choro veio. Achei que teria um infarto. Ninguém desceu! Nenhuma criada. Paul subiu a metade das escadas e então desceu uma criada nos avisando que havia nascido um menino! Eu e Paul não comemoramos, estávamos preocupados com Rachel. "A princesa está bem". Após a criada dizer isso houve mais gritos. Apavoramo-nos. Havia mais um bebê, ma poupée. Assim como nossa mãe, Rachel teve gêmeos.

Achei que desmaiaria, era difícil sobreviver ao parto de gêmeos!

Mais horas se passaram. E contrariando todo o meu medo, graças ao bom Deus, Rachel sobreviveu, porém ainda está se recuperando. Henry e Victoria passam bem, é um lindo casal de gêmeos! Estou na minha residência, vim apenas para lhe escrever essa carta. Vou aguardar minha irmã se estabilizar, ainda está muito frágil e me preocupo com ela. Ainda tenho medo. Perdoe-me, querida. Sinto muito sua falta, estou louco para vê-la e compartilhar meus dias e noites com você. Penso em ti todos os dias, ma poupée. Faz-me muita falta; pequena. Volto antes que a neve se vá.

Todo seu, Jacob.

Renesmee chorava copiosamente sentindo a fragrância da celulose da folha e dedilhando a escrita firme e masculina de seu amado Duque. Ao olhar para a caixa, uma pequena nota.

Comprei-lhe essa joia. Encomendei há uma semana ao joelheiro. Queria algo que te representasse na minha vida. É delicada e grandiosa, brilhosa e valiosa, além da cor me lembrar de seus olhos à noite enquanto a amo com muito ardor.

Feliz natal, Ma poupée.

A peça que Renesmee desembrulhou de um pequeno cashmere rosa claro era um coração esculpido de um ofuscante diamante azul, fixado em ouro branco assim como a fina corrente em conjunto. Um sorriso brotou nos lábios da ruiva com a pedra preciosa na mão, brilhava mais em sua alva palma. Não era contentamento ou emoção pelo valor da peça, mas sim pelo valor emocional que acabara de atribuir a ela. Jacob a encomendou especialmente pensando nela, confessou assim o quanto ela levava brilho e grandeza a vida dele.

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Londres, algumas semanas depois.

Enquanto muitos londrinos comemoravam ainda a chegada do novo ano, grande parte da nobreza e toda a família real enchia a Capela real em uma cerimônia pela morte do jovem Príncipe.

Há um mês Henry havia partido. Sua esposa ainda lamentava sua morte, assim como em seus parentes ainda se podia ver resquícios de sua partida tão precoce.

Era a primeira vez que a princesa Rachel aparecia em público desde que deu luz aos gêmeos. Ela era braçada pelo marido e ladeada pelo atencioso irmão.

Ao fim da cerimônia religiosa Jacob que saía com certa presa, uma vez que estava programada sua viagem de volta para Kent àquela tarde. Já havia se despedidos de todos os mais próximos. Finalmente era hora de ir para casa.

Era um domingo gelado, a neve deixara de cair, mas ainda cobria cada rua, viela ou telhado da Inglaterra.

— BLACK! — Jacob ouviu a voz de seu amigo Marquês meio esbaforida lhe chamar, ainda atrás da multidão que saía do templo religioso.

Quando Jacob virou os calcanhares Embry já estava em suas costas.

— Preciso de você, Jacob. — falou baixo, mas não menos desesperado.

— Pode falar.

— Não posso dizer aqui no meio da Marlborough. Podemos ir a sua casa?

— É tão sério assim? — Jacob cruzou os braços e estreitou os olhos sondando o loiro.

— Cavalheiros! Vejo os... — Quil saudava alegremente os amigos com um de seus braços enredado na cintura larga de sua esposa.

Mas o marquês o interrompeu:

— Ateara, também preciso lhe falar.

O moreno arregalou os olhos.

— O que há? — sua voz estava carregada de interesse.

Embry olhou ansioso para Claire, esposa de Quil.

— Lady Ateara. — Jacob fez uma reverência à miúda mulher de cachos dourados que apesar do tamanho carregava uma grande barriga de uma gestação avançada.

— Vossa graça. — ela devolveu o cumprimento.

— Milady. — Embry imitou o Duque.

Quil percebeu nos olhares pretensiosos do amigo que nada poderia ser dito na companhia de sua esposa.

— Para onde vão? — Quil perguntou com a face seria, sabia que era sério.

— Vou te esperar na Casa York, na Mayfair. — falou Embry já puxando o Duque pela casaca para pegarem a carruagem.

Jacob, entretanto firmou o pé e se despediu:

— Com licença.

— Algum problema, querido? — Claire indagou suavemente ao marido.

Quil negou com a cabeça, mas sabia que os amigos tramavam algo.

— Deixarei você em casa e vou à Casa York, precisamos resolver algo. — ele informou a esposa e partiu com ela.

Logo que Embry e Jacob entraram na carruagem do Duque, ela partiu apressada. Embry tinha pressa em sanar seus problemas e Jacob estava louco para voltar aos braços de sua ruiva.

Notas finais
O que acharam??? O que virá a seguir? Alguém tem palpite?? Bem, já sabem com menos de 25 comentários não tem post, o proximo está pronto então bora comentar e recomendar para ele sair rapidinho ;) xoxo Jenny e Daaay