Bloom
18 A Piece of Me.
Notas iniciais

Capítulo 17
As botas chocavam-se furiosamente contra o assoalho de madeira conforme o nobre andava desnorteado pelo cômodo. O silêncio era perturbador, assim como a fisionomia transtornada do homem.
Jacob, impaciente e sentado em sua poltrona, observava o Marquês andar de um lado para o outro em seu gabinete. O Duque não precisava ser um gênio para deduzir que o amigo estava com grandes problemas.
Embry sempre foi um homem despreocupado e divertido, um tanto quanto libertino, mas também sempre foi muito responsável com suas obrigações como um Marquês.
— Call, sente-se. Você já está me deixando tonto. — Jacob repreendeu o amigo. — Tome. — ofereceu um cálice com conhaque. — Ao menos beba para se acalmar.
— Você não entende! — Embry virou em um único gole todo o conhaque. Já se encaminhando para badeja onde o Duque guardava suas bebidas e servindo-se de mais uma generosa dose.
Entre eles não havia regras sociais, eles se tratavam sem formalidades. Jacob estava intrigado com o aparente desespero do Marquês, ele o fitava com olhos curiosos e especulativos.
— Eu realmente tenho motivos para estar nesse desespero. — respondeu Embry
— O que você aprontou, Call?
— Vamos esperar o Ateara chegar. — o Marquês falou de costas para Jacob. Ele fitava através da janela do escritório do Duque o belíssimo jardim da mansão. — Vou precisar da ajuda dos dois ou estarei arruinado. — se virou e olhou de soslaio para o amigo sentado de forma confortável.
Jacob conhecia Embry bem demais para saber que deveria ser algo muito sério mesmo. O Marquês era um homem que resolvia os seus problemas sozinho, não tinha o costume de usar da influência dos amigos para se beneficiar.
O Duque massageou as têmporas na intenção de aliviar a pressão que sentia na cabeça. Ele estava com a viagem a Kent marcada para aquela tarde, mas algo em seu íntimo lhe dizia que teria que adiá-la. Afinal, algo muito sério acontecia com seu amigo de longa data, jamais o abandonaria em um momento difícil.
— Embry, eu tenho uma viagem marcada, hoje à tarde partirei para Kent...
— O que você irá fazer em Kent? — o Marquês irrompeu, cortando a fala do amigo. Sua face transbordava desespero.
— Resolver problemas na propriedade. Algo que prometi ao meu pai. — disse de forma evasiva. Bebericando seu conhaque e desviando o olhar do amigo. — O quão sério é o seu problema?
— Sério o suficiente para fazê-lo adiar a sua viagem ao campo. — Embry parecia lamentar por atrapalhar os planos do Duque.
— No que você se meteu, Call? — Jacob ergueu rápido o corpo da poltrona.
Embry ponderou se começaria a falar ou não, mas naquele mesmo minuto a porta foi aberta. Era Quil.
Como sua presença já era aguardada, não houve um anúncio prévio do mordomo. Embry e Quil, além da princesa e do príncipe, eram os únicos que tinham acesso livre na casa do Duque.
— Desculpem-me pela demora. — pediu o nobre que acabara de chegar já se encaminhando para a bandeja de bebidas, logo se servindo de um cálice de conhaque. — Claire anda muito cansada agora no final da gestação. Não gosto de deixá-la sozinha. — justificou-se. O primeiro filho do casal estava para nascer a qualquer momento. — Agora nos diga qual asneira você aprontou Call! — acrescentou e olhou de forma sarcástica para o amigo Marquês.
Os olhos claros de Embry cintilavam em desespero. Ele tinha um problema sério nas mãos, algo que poderia arruinar com a reputação impecável de sua família.
— Não sei por onde começar. — confessou olhando na direção de onde os amigos o encaravam.
— Sentando-se e contando onde tudo começou. — sugeriu Jacob apontando para o sofá em frete onde estava sentado. — Não aguento mais vê você andando que nem uma barata tonta. Está me deixando com dor de cabeça. Sem contar que algo me diz que a história será longa.
Embry nada disse, somente acenou com a cabeça e foi se encaminhar para sentar. Porém não antes de se servir de mais uma dose de conhaque. A bebida estava o acalmando.
— Eu vou ser pai. — confessou aflito.
— Pelo amor de Deus, Embry! — Jacob ergueu-se da poltrona em um rompante e passou a caminhar. — Um filho é uma dádiva. Você deveria de estar feliz. E eu pensando em adiar a minha viagem julgando que você estava com sérios problemas. — bradou o Duque enfurecido com a perda de tempo. Ele já poderia está na estrada indo para Kent.
Quil nada disse, só ficou analisando a expressão derrotada do Marquês.
— Calma Jacob. Eu acho que o nosso amigo não contou tudo. — pediu Quil usando todo seu tom irônico. — Embry, até onde me lembro, o seu casamento não é nada convencional. Você sempre nos disse que quase nunca procura Caroline. Que o seu casamento é por conveniência. Então como assim você vai ser pai? — disse serenamente.
— Esse é o problema. — Embry virou o resto do conhaque de uma única vez. — Eu vou ser pai, mas a Caroline não será a mãe do meu filho.
Quil e Jacob ficaram pálidos e paralisados, assim como o próprio Marquês.
— Explique-se! — ordenou Jacob já voltando a se sentar na poltrona.
— Tudo bem. — concordou Embry enchendo novamente a sua taça. Aproveitou para servir os amigos. Ambos os nobres tinham os cálices vazios. — Vocês se lembram da minha despedida de solteiro?
— Qual delas? Tiveram muitas, Call! — divertiu-se Quil ao falar.
— O assunto é sério, Ateara! — repreendeu o Marquês. — A que viajamos somente nós três para caçar.
— Ah sim, claro! — lembrou-se Jacob. — Fomos para as minhas terras em Kent. Meu pai ainda era vivo e estava passando uma temporada no campo para cuidar de sua pupila. Ele até nos acompanhou em um dos dias de caçada. — as lembranças vieram vívidas na cabeça do Duque. Inclusive Renesmee ainda pequena. Uma linda bonequinha. Seu coração apertou pela saudade.
— Verdade. Lembro que o Duque nos acompanhou. Éramos bem mais jovens, só Jacob era casado naquela época. — Quil suspirou com as lembranças e comentou: — Black, por onde anda a pupila de seu pai? Lembro que você nos contou que assumiria a responsabilidade de terminar a criação dela.
— Ela vive em Kent. — o Duque remexeu-se inquieto no assento, mas em nenhum momento encarou os amigos. Tinha medo de se entregar com o olhar. — Deixe o Call terminar o relato, o homem parece que está prestes a encarar a forca.
— Quase isso! — admitiu Embry. — Mas voltando ao assunto; Foi exatamente nessa época que tudo mudou. — olhou nos olhos de cada um dos amigos. Eles tinham ansiedade estampada no olhar. — Vocês lembram que fomos naquela taverna em uma das noites?
— Sim! Também lembro que você sumiu e apareceu muito mais tarde. — relembrou Quil.
— Naquela noite eu vi a jovem mais bela e encantadora de toda a Inglaterra. Ela era linda, doce e meiga. Fiquei louco só com seu olhar. — confidenciou o Marquês.
— Pelo amor de Deus, Call! Do que você está falando? — questionou Quil. — Vá direto ao ponto.
— Eu conheci a mulher da minha vida, porém na época não soube reconhecer esse fato. — Embry admitiu derrotado. — Eu voltei escondido à Kent por mais alguma vezes até conquistá-la. Eu a seduzi e a desonrei. E mesmo assim ela me aceitou da forma que eu era. Ela me ama. — disse orgulhoso. — Eu estava recém-casado com Caroline e achei que seria fácil manter a minha doce Olivia como amante, mas o tempo passou e o meu sentimento por ela só cresceu. Nessa época já odiava ter concordado com a minha família em um casamento arranjado. Caroline é uma chata, mas é de linhagem nobre. Daria-me um herdeiro à altura do meu título. Assim foi até Caroline engravidar. Dei graças a Deus quando veio um varão. — o nobre bufou — Não teria mais obrigação de procurá-la como mulher. Até por que era somente minha Olivia que vinha em minha mente quando estava com a Marquesa.
— Como você nos escondeu isso por tanto tempo? — Jacob estava realmente surpreso. Assim com Quil.
— Não foi fácil. — confessou. — No entanto todos estavam tão envolvidos em seus próprios problemas que foi fácil justificar minhas constantes viagens.
— Um bastardo é sempre um grande problema. Uma mancha irrevogável no nome de uma família, mas eu tenho certeza que você saberá escondê-lo. — Quil elucidou.
— Aí que está o problema. — admitiu o Marquês.
— Tem mais? — perguntou Jacob assustado com tantas novidades.
— Falei que estava encrencado. — sorriu amargo. — O pai da minha Olivia está possesso. Ele está ameaçando vir a Londres e fazer um escândalo. Ele não está aceitando essa gravidez.
— Quantos anos ela tem? — quis saber Quil.
— Agora ela está com dezenove. Mas quando eu a conheci ela só tinha dezesseis.
Jacob ficou calado somente ouvindo. De certa forma, tudo aquilo lhe parecia familiar em alguns aspectos.
— Ela vem de família com recursos? — Quil mais uma vez questionou.
— Não. Ela vem de uma família muito humilde de camponeses.
— Então compre um belo pedaço de terra, alguns animais e lhes dê uma generosa quantia em dinheiro. O pai dela não será louco em comprar uma briga com um Marquês. — sugeriu o futuro conde.
— Eu já fiz isso da primeira vez. Mas agora ele não está aceitando muito bem.
— Como assim? Na primeira vez? — Jacob abriu a boca depois de minutos só ouvido. O tom era nitidamente mais alto que o usual.
Quil tinha igualmente os olhos arregalados.
— Já tenho um lindo garotinho com a minha doce Olivia. Noah é lindo e muito esperto, é a minha cara. Ele tem a mesma idade de Bernard. — referia-se ao filho legítimo.
— Eu não acredito, Call! Você tem sorte do pai de sua amante não ter te matado antes. — vociferou Jacob. — Você engravidou pela segunda vez a jovem. É isso?
Embry somente balançou a cabeça em concordância.
— Você só arrumou problemas! O que fará agora? Não pode deixar que isso vire um escândalo. Isso vai acabar com a reputação da sua família. São dois filhos bastardos! Dois! — Jacob completou bastante alarmado com a situação de seu amigo.
— Eu sei disso. — Embry disse com pesar. — Contudo, o pior mesmo é que a Caroline descobriu sobre a existência da minha Olivia. Ela ainda não tem certeza e nem sabe que tenho filhos, mas se aquela bruxa descobrir vai querer acabar com os meus filhos e com a minha amada Olivia. Sabem que Caroline vem de uma família bastante influente na corte. Ela é ambiciosa e preza seu título de Marquesa mais que a própria vida. — torceu a cara ao falar da egocêntrica esposa.
— Você se meteu em uma casa de marimbondos. — concluiu Quil. — Mas como Caroline descobriu sobre a sua amante?
— É complicado! — esquivou-se o Marquês da resposta.
— Fale logo, Homem! Ou não podermos ajudá-lo. — ordenou Quil.
— Tinha sido uma semana difícil. — Embry começou a relatar. — Tivemos algumas importantes votações na câmara dos lordes, com isso não pude viajar para vê a minha Olivia e meu filho. Em uma noite acabei chegado em casa um pouco alterado pelo álcool, havia passado a noite jogando cartas na casa do Visconde de Albany. Já era madrugada quando voltei para casa. Por incrível que possa parecer, Caroline estava acordada e tomava algo na cozinha. — ele soltou um riso descrente — Eu nem sabia que ela conhecia o caminho da cozinha. — ressaltou irônico. — Ela parecia fragilizada, estava calma e solicita... Então quando dei por mim já estávamos no quarto dela... Eee... Eu a chamei pelo nome de Olivia no auge do prazer. Juro que vi o inferno nos olhos verdes daquela mulher. — contou assustado. — Caroline me escorraçou dos aposentos dela a base de gritos. Ela estava uma fera.
— Que inferno, Call! — bradou Quil.
O Duque somente balançou a cabeça negativamente e levantou.
— Aonde você vai? Não irá me ajudar? — perguntou com desespero o Marquês.
— Primeiramente, vou pegar uma bebida mais forte, porque conhaque não será suficiente. — o sarcasmo destilou na fala do Duque. Jacob caminhou até a bandeja e pegou a garrafa de cristal com um puro uísque escocês. Ele serviu três copos e entregou aos amigos. — Espera! — estancou o Duque no meio do seu gabinete. — A propriedade que você comprou em minhas terras e me fez visitar foi a que deu para a sua amante? Então aquele menininho era seu filho? — Jacob lembrou-se do menino loirinho correndo em sua direção e de um senhor vindo logo atrás para alcançá-lo. Embry apenas concordou. Orgulho transpassava o seu olhar. — Como não associei as coisas? Agora pensado melhor, a criança é a sua cópia, Call. Agora entendo porque o camponês ficou furioso quando mencionei o seu nome.
— O pai da minha Olivia está um pouco chateado comigo. — tentou amenizar o Marquês.
— Ele está possesso! Arrisco em dizer que ele provavelmente deseja a tua morte. — debochou Jacob.
— Acho melhor prepararmos nossos trajes para o velório do amigo. — Quil disse fazendo a piada. — Porque se o pai da sua amante não lhe matar, Caroline com certeza vai. — gargalhou por fim.
Quil quando ficava nervoso tinha a incrível capacidade de fazer piadas irônicas. Era algo natural e incontrolável.
Jacob levantou da poltrona que havia acabado de sentar, caminhou até sua mesa de carvalho e sentou-se na cadeira. Lá pegou o tinteiro, papel e caneta, começando a escrever uma breve missiva. Não contaria para sua poupée que não iria mais para Kent, até por que ela não sabia de sua ida. Ele queria fazer uma surpresa. Porém havia avisado de sua chegada à governanta.
— O que está fazendo, Black? — Embry perguntou com notório interesse. Ele imaginava já ser algum plano do Duque para salvá-lo de seu problema eminente.
— Estou escrevendo uma missiva para minha governanta em Kent. Preciso comunicar que estou cancelando a minha viagem. — disse Jacob distraído com a escrita.
Quil e Embry estanharam Jacob dando satisfações a seus empregados, não era uma característica do Duque. No entanto, imaginaram que era por algum problema que ele teria que resolver e estava comunicando que precisaria adiar a resolução do mesmo.
Na verdade, Jacob estava comunicado o adiamento de sua ida a Kent e solicitando mais informações sobre Renesmee para a governanta. Ele estava muito preocupado com a sua poupée, mas era inevitável o adiamento de sua ida para o campo.
Jacob suspirou profundamente ao terminar a missiva. Lacrando-a e selando com seu brasão de Duque.
— Vamos. — chamou pelos amigos assim que se pôs de pé. — Temos muitas coisas para resolver. Mas primeiro preciso entregar essa carta ao meu Valete e pedi-lo para que despache o mais rápido possível para Kent.
— Você já tem um plano? — quis saber o Marquês. Ele estava esperançoso.
— Primeiro nós vamos comprar, por bem ou por mal, o silêncio da família da sua amante. — Jacob disse imponente, na postura mais digna para o poderoso Duque que era. — Depois vem a parte mais difícil.
— Qual seria? — Quil questionou curioso.
— Convencer a Caroline que você não tem uma amante. Que não passou de um simples nome, de uma meretriz qualquer que você chamou na cama.
Embry balançou a cabeça confiante. Conhecia o poder de persuasão do amigo Duque. Jacob poderia convencer até um padre a confessar um crime, se assim desejasse.
— Essa eu quero vê! — divertiu-se Quil.
~*~
O ápice do frio havia chegado a Londres. As ruas estavam cobertas pela grossa camada branca de neve, o vento gélido cortava a face de quem se aventurava em andar pelas ruas quase desertas da grande cidade.
O elegante bar da cidade abrigava somente os nobres dispostos a beber e aplacar o frio vigoroso. A lareira ligada dava todo um charme ao local exclusivo da elite masculina.
Em uma mesa ao canto, três nobres bebiam um conhaque de alta qualidade. Eles mantinham o tom de voz baixo ao conversarem.
— Eu não sei mais o que fazer. — Embry confessou derrotado. — Não quero ameaçar o pai da mulher que amo, mas ele não está me deixando outra escolha. Ontem ficou rondando a minha propriedade. Sorte que fui eu quem o viu. Já pensou se ele encontra com a Caroline? Seria um desastre.
— Já disse para deixar de ser sovina e entregar uma boa quantidade em dinheiro, além de mais alguns hectares de terra. Ele ficará grato pela generosidade. — Quil explicou a ideia, banalizando o fato.
— Você não entende, Ateara! — contradisse o Marquês já se alterando. — Ele não aceitará um suborno. Olivia é a única filha dele, é a caçula da família. Ela é a menina dos olhos do velho. Se eu tentar suborna-lo é capaz de começar a gritar que nem louco o meu segredo para toda Londres.
— Se fosse a minha filha eu já teria lhe matado! — disse calmamente o Duque após bebericar seu conhaque.
— Não está ajudando, Black. — bufou o nobre.
— Só estou sendo sincero com o amigo. — Jacob sustentava um sorriso sarcástico.
— Se fosse a minha filha eu também lhe matava, Call. Não sobraria nem um corpo para contar a história. — Quil tinha um olhar sombrio ao falar. Ele era apaixonado pela esposa, imaginar uma miniatura de sua amada nos braços de um nobre sem escrúpulos despertava um lado negro no futuro conde.
— Eu a amo! — ditou sincero. — Eu amo a Olivia mais que tudo nessa vida.
— Isso não muda nada. — replicou o Duque. — Ela nunca sairá da condição de uma amante. Todos os filhos que tiver com ela serão bastardos, serão desprezados pela sociedade. Eles nunca poderão sair do campo.
Embry abaixou a cabeça e não contradisse o amigo. Ele sabia que no fundo era a mais cruel realidade. Isso lhe doía à alma.
— Não adianta discutirmos um assunto que não tem solução. — Quil cortou o assunto delicado. — O importante agora é descobrirmos como calar o pai da sua amante. Com certeza ele está tramando algo. Senão, não teria deixado o campo e vindo até Londres, não faria isso a troco de nada.
— E temos que resolver isso logo. — completou Jacob. — Eu preciso estar em Kent antes do fim do inverno. Só temos duas semanas.
— Está com problemas em Kent? — indagou Quil com curiosidade. Percebia a impaciência do amigo Duque em voltar ao campo.
— Nada de grave. No entanto, requer a minha presença o quanto antes. — Jacob desviou o olhar para o cálice.
Ele não confessaria aos seus amigos que estava preocupado com sua poupée. Que Elizabeth sempre lhe informava através das missivas que Renesmee estava a cada dia mais reclusa em seu próprio quarto, que andava se alimentando pouco e estava bastante abatida. Jacob tinha que voltar urgentemente para Kent. Em breve seria aniversário de sua pupila e ele não se perdoaria de perder a ocasião. Ela faria quinze anos, era uma idade marcante para toda jovem.
— Ainda tem o problema com Caroline. — lembrou Embry, torcendo os lábios de forma nada cortês.
— Para esse problema eu já pensei em uma simples solução. — informou Jacob com um sorriso jocoso nos lábios.
— Então nos conte o plano. — incentivou o Marquês. — Por que eu juro que sou capaz de matar aquela víbora se ela tentar fazer algum mal contra a minha doce Olivia. — Embry falou cada palavra com tanta raiva que surpreendeu os amigos.
Por fim Jacob concordou, logo começando a contar seu plano aos amigos. Embry e Quil ficaram satisfeitos e confiantes com o plano simples e provavelmente eficaz.
~*~
A noite estava congelante. O chão estava escorregadio, desafiando a gravidade de quem se arriscava em caminhar sobre a fina camada de gelo.
Quando a carruagem parou em frente à mansão, o Duque primeiro fincou os pés no chão — testando sua segurança antes de descer completamente do veículo —.
Jacob trajava um grosso casaco negro por cima do elegante traje de gala que vestia. Na cabeça usava uma cartola. O evento era formal, não podia esperar menos da anfitriã.
Antes que pudesse alcançar a escada principal da bela Casa, a porta se abria para recepcioná-lo. O mordomo já o aguardava na entrada e o conduziu pelo vestíbulo.
Muito solícito, o criado ajudou o Duque a retirar o casaco e guardá-lo junto com sua cartola.
— Boa noite, Milorde. — disse solene o mordomo. — Os meus senhores já aguardam por Vossa Graça. Acompanhe-me, por favor.
O Duque já conhecia o caminho, mas seguiu o protocolo de formalidade imposto.
— Duque de York e Cambridge, que honra em recebê-lo em nossa propriedade. Já estávamos sentindo sua falta em Londres. Os bailes não são os mesmos sem a Vossa presença. — disse a bela loira adornada de joias caríssimas e trajando um vestindo de gala verde de veludo. Ela era uma beleza estonteante, mas ao mesmo tempo fria. Em nada atraía ao Duque.
Jacob imediatamente se lembrou de sua poupée, sempre linda e delicada. Impossível não se recordar de como Renesmee era elegante e bela, porém singela, sem excessos. Era o tipo de beleza que encantava o nobre em todos os aspectos.
— Milady. — Jacob segurou a mão enluvada e a beijou muito brevemente. — Infelizmente tenho que confessar que a minha reclusão no campo estava muito mais atrativa a mim. Pretendo retornar assim que possível.
— Uma pena. Não é querido? — chamou pelo marido. — Sua ausência é sentida por todos.
— Claro, minha querida. — concordou o marido da elegante mulher. Atando o seu braço ao dela. — A corte nunca será a mesma sem a presença do Duque. Nós nos sentimos lisonjeados por aceitar o convite para jantar essa noite em nossa residência. — disse Embry.
Ele e a esposa faziam um casal perfeito diante de toda a sociedade. Se Jacob não soubesse dos mais íntimos e sórdidos problemas do amigo, jamais diria que o casamento era somente uma fachada social.
— Jamais poderia recusar o convite do meu estimado amigo. — disse Jacob com certa formalidade. Tudo fazia parte do plano.
— Acompanhe-nos, Vossa Graça. — Caroline novamente atraiu atenção para si. Ela gostava de ser o centro da atenção nos eventos. — Lorde Ateara e sua adorável esposa também acabaram de chegar.
Com a chegada de Claire e Quil — os quais também foram recepcionados com total formalidade —, todos se encaminharam para a luxuosíssima sala de jantar, onde tudo estava decorado em prata e cristal.
Jacob observou tudo pensando em como seu amigo estava infeliz, apesar de tanta riqueza ostentada. Lady Claire pensou o mesmo. Quil havia explicado — sem entrar em detalhes mais profundos sobre o problema do amigo Marquês — o que ocorria à esposa. Eles iriam precisar também da ajuda de Claire na execução do plano.
A noite transcorria na mais perfeita calma. Tudo estava saindo — até aquele momento — como o planejado.
Os assuntos eram diversificados, mas Jacob sempre evitava falar sobre sua estadia no campo, não queira demonstrar sua felicidade na reclusão. Aquilo com certeza causaria estranheza nos demais.
A anfitriã da noite mandou servir o magnifico jantar pontualmente às oito horas da noite. Todos degustavam cada sequência servida pelos criados. Tudo estava perfeito. Quando a sobremesa foi servida, Jacob sorriu. Era hora de por o plano em prática.
— Está tudo impecavelmente perfeito, Lady Caroline. — elogiou o Duque. Como mandava a tradição aquele era o momento novamente permitido para se conversar. — Esse Crème Brûlée está magnífico.
— Verdade, Lorde Black. — concordou Claire. — Há muito não comia um Crème Brûlée tão bem preparado. Na verdade, não havia comido um desde que vim para Inglaterra. Até ameniza a minha saudade da França. — sorriu a amável loira.
Jacob compreendeu o porquê de o amigo ser tão apaixonado pela esposa. Claire tinha uma áurea bondosa e generosa, sempre era educada e carinhosa em cada gesto. Tão diferente da esposa do amigo Marquês, que transbordava arrogância e falsidade no olhar e o sorriso era sempre forçado e frio.
— Por falar em França, porém mudando completamente de assunto; Belos amigos eu tenho. — Jacob sorriu aparentemente descontente para os dois amigos. Era hora de pôr o plano em jogo.
— A que se refere Black? — indagou Embry já entrando no jogo.
— Por que nenhum dos dois contou-me que senhorita Olivia estava em Londres?
Imediatamente Caroline desviou o olhar do doce que degustava e se atentou a conversa, até o momento, enfadonha a ela. O nome que vinha perturbando seu sono havia acabado de ser mencionado à mesa.
— Estive atarefado demais para lembrar-me de tal assunto. — Quil respondeu como foi previamente combinado.
— Perdoe-me, meu amigo. — foi a vez de Embry falar o combinado. — Esqueci-me completamente. Também, só esbarrei com ela uma única vez. — desviou o olhar para a sobremesa. Caroline dirigia um olhar mortal ao Marquês, ele podia sentir sua ira conduzida a ele.
— Desculpe a intromissão no assunto de Vossa Graça. — Caroline não segurou a curiosidade. Jacob sabia que isso aconteceria. Ele conhecia muito bem o tipo de mulher que a Marquesa era. — Mas por que não conheço essa senhorita? — completou disfarçando o sarcasmo. — Deduzo eu, costumo estar sempre presente nos eventos que acontecem por toda Londres, conheço praticamente todas as senhoritas, no entanto não me recordo dessa. — havia um salpicado de arrogância em seu esclarecimento.
— Ela é uma velha conhecida nossa. — limitou-se em dizer o Duque. — É uma senhorita um tanto quanto inconveniente e muito espaçosa. Não era a companhia que eu esperava encontrar na cidade por esse período. Ela é uma cantora muito famosa na França. Nós a conhecemos desde a época que nós éramos solteiros. — sorriu sugestivo, deixando a entender que não passava de uma mulher de vida fácil, talvez uma meretriz. Assim Caroline deduziu.
— Já ouvi falar sobre ela na corte francesa. Não tem uma reputação muito positiva. — Claire torceu os lábios ao falar. Tudo havia sido instrução do esposo. Ela não fazia ideia de quem era a senhorita mencionada.
— Lady Claire a conhece? — questionou a Marquesa com notória curiosidade e surpresa.
Embry fingia desconforto com o assunto.
— Não pessoalmente. — Claire limpou elegantemente os lábios após terminar a sobremesa. — Só ouvi falar sobre a cantora Olivia. Ela não é companhia ideal para uma Lady, se é que me entende. — sugeriu irônica.
— Acho que já compreendi o que está sugerindo, Milady. — Caroline deu o seu melhor e típico sorriso forçado e então olhou o Marquês com repulsa.
Ela sabia que o marido mantinha caso com várias meretrizes, mas nenhuma mulher especial. Nenhuma que pudesse por seu casamento em risco perante a sociedade. A ideia de que o Marquês possuía uma amante fixa a aterrorizava, pois se virasse um escândalo em Londres ou até mesmo uma pequena fofoca, a bela imagem de seu casamento perante a sociedade — a qual ela tanto prezava — poderia ir por água abaixo.
— Admiro que meu marido tenha conhecimento sobre essa senhorita. Ele me falou brevemente sobre ela, mas não me atentei no momento, estava um pouco nervosa com alguns problemas. — A Marquesa comentou.
— A senhorita Olivia não é ninguém importante para se tornar uma conversa interessante à mesa. — adiantou-se em falar o Duque. Já percebendo que o plano tinha dado certo. — Apenas lamentei o meu encontro, uma vez que tive quer passar toda uma tarde em sua companhia. Não tive opção de declinar ao convite, mas soube pela própria que havia encontrado brevemente com os meus amigos. Vocês poderiam ter me alertado. Teria evitado certos lugares. — findou o assunto bebericando uma taça de água.
O Duque sorriu internamente, satisfeito. Sabia que Caroline tinha caído no plano. Agora era rezar para que nunca mais o Marquês cometesse o mesmo erro.
O fim da noite foi glorioso para os planos do Duque. Por fim, ele acabou até convencendo Caroline a empurrar o próprio marido para acompanhá-lo na viagem que faria a Kent.
Jacob tinha mencionado que viajaria mais cedo para o campo na intenção de resolver alguns problemas em algumas propriedades e solicitou a ajuda de um dos amigos. Como Quil não poderia deixar a cidade devido ao fim da gestação de sua esposa, a Marquesa prontamente sugeriu que Embry acompanhasse o Duque em sua viagem de negócio.
Ela não desconfiava que Embry fosse vê a família bastarda que tinha construído nas terras do Duque. Caroline nem ao menos sonhava com a existência de tal família.
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~*~
O Duque tamborilava os dedos impacientemente no acento acolchoado, sentia-se ansioso para enfim chegar a sua propriedade no campo. O coração chocava forte contra o peito, mas a máscara de tranquilidade ornamentava a face do Duque. Estava louco para ter sua poupée em seus braços, mas precisava controlar as próprias emoções, não estava sozinho naquela viagem.
— Me parece impaciente. — ponderou o nobre a sua frente.
— Não gosto de viajar nessa velocidade. — Jacob disfarçou dando uma justificativa qualquer. — Parece que os cavalos estão se arrastando. Isso me deixa impaciente, não gosto de perder horas dentro de uma carruagem.
— Tem muita neve na estrada, não tem como os cavalos correrem mais. — elucidou Embry. — Não seria seguro. Contente-se caso cheguemos ainda essa noite.
— Na velocidade que estamos, teremos sorte se chegarmos de madrugada. — Jacob retrucou rabugento por fim cruzando os braços.
— Não poderei ir vê a minha Olivia caso chegarmos de madrugada. — disse o Marquês com pesar. — Noah sempre fica muito agitado quando chego. Ele não conseguirá mais voltar a dormir. Isso não fará bem no estado da minha Olivia, ela precisa descansar. — Embry deixou toda a sua inquietação transparecer em cada palavra.
Aquilo surpreendeu o Duque em muitos aspectos. Não era comum vê o Marquês tão ansioso e cuidadoso. Embry mostrava ser outro homem quando se referia à família bastarda que havia construído. Ele mostrava-se sempre muito preocupado e aparentemente carinhoso.
— Surpreendo-me em vê-lo tão atento para com a sua outra família. Nunca lhe vi agir assim com Caroline. — comentou Jacob escolhendo com cuidado as palavras ao citar a família bastarda do amigo.
— No dia em que você amar uma mulher de forma verdadeira e plena irá entender-me, meu caro amigo. — Embry sorriu enigmático ao falar.
— Pode ser. — Jacob não mais falou nada, apenas se calou e fitou pela janela da carruagem a longa estrada branquinha.
Tudo estava coberto de neve. Aquele inverno havia sido muito rigoroso.
— Preocupo-me também com o Senhor Robert. — comentou o Marquês após alguns minutos.
— Nós já não resolvemos esse assunto? O pai de sua amante ficou satisfeito com o arranje que fizemos. — o Duque voltou a olhar o amigo, ficou confuso com a declaração do Marquês.
Ambos, juntamente a Quil, chamaram o pai de Olívia em uma conversa bastante séria em uma rua mais calma de Londres. Uma proposta irrecusável foi feita e aceita. Não teria o porquê o nobre se preocupar.
— Ele me odeia, Black. — desabafou — Mesmo que eu tenha gasto uma pequena fortuna para comprar uma grande e valiosa propriedade com o intuito de silencia-lo, tenho medo do que pode acontecer da próxima vez.
O Duque arregalou os olhos.
— Próxima vez?
— Preciso fazer mais alguma coisa... — o Marquês franziu o cenho ao pensar.
— Quase foi à falência adquirindo as terras para o homem! — comentou Jacob, assustado.
— Não! As terras foram todas registradas no nome de Noah. Exigência do senhor Robert. — replicou. — Acho que ele seria capaz de me matar se tentasse compra-lo tão diretamente outra vez.
— Fique calmo, Call. Ele não é louco de armar um escândalo. Ele já percebeu que você não se importa em dar tudo de si para o bem de Olívia e de seus filhos. Ele é pai, só quer vê o bem da filha e netos. — o Duque falou — Eles já estão bem financeiramente. Caso adquira mais alguns hectares de terra, terão quase a renda de um barão! — Completou divertido.
Embry estalou os dedos de forma frenética enquanto sorria satisfeito.
— O que há, Call? — Jacob perguntou desconfiado.
— Farei de Noah um barão! — declarou contente.
— QUÊ?
— Será perfeito! Olívia, sua família, nossa família, todos terão recursos abundantes. — Embry relatava com ar sonhador, deixando o amigo ainda mais alarmado. — Ensinarei a Noah tudo sobre bons negócios, farei de tudo para transformá-lo em um grande barão. Quem sabe, coloca-lo na corte! E aqui no campo, em nossa vasta propriedade, teremos uma mansão! Será grande o suficiente para abrigar a minha doce Olívia e nossos filhos. Poderei passar uma temporada inteira com minha amada família. — o nobre suspirou imaginando sua felicidade.
Jacob nada disse. Apesar de assustado com as ideias audaciosas e alegres do Marquês, ele também pode visualizar tudo aquilo. Não era diferente do que vivia com sua poupée. Suspirou ao pensar nela outra vez.
Embry queria tudo àquilo que ele já possuía. Uma casa, um campo, tempo livre para sua amada... O Duque percebeu a sorte que tinha por poder usufruir de momentos com sua ruivinha sem grandes preocupações, enquanto o Marquês planejava tudo aquilo para um futuro incerto.
— Ouviu-me, Black?
— Como?
O Marquês percebeu o quanto Jacob estava distraído, mas ignorou o fato e tornou a repetir:
— Pode me ajudar a introduzir Noah na corte quando ele tiver idade?
— Sim, claro! — o Duque não hesitou. — Não se preocupe; eu te ajudarei com isso. Falarei com Rachel, Paul não irá opor ao consentimento do título a Noah. Rachel com certeza o apoiará. Sabe que ela e Caroline se detestam. — assegurou
— Obrigada, Jacob! Não sei como faria sem sua ajuda. Eu amo muito a minha Olivia. Se pudesse; se tivesse uma mínima chance, eu me casava com ela e iriamos juntos para longe dessa sociedade hipócrita. Criaríamos todos os nossos filhos longe de tudo isso, em um lar maravilhoso. — confessou o Marquês.
— Você pretende mesmo ter mais filhos com a pobre moça? — Jacob indagou sorrindo, ele não acreditava no quanto o seu amigo se tornara sonhador e corajoso, tudo devido ao grande e avassalador sentimento que tinha pela jovem camponesa.
As horas passaram. O sacolejo constante do veículo muitas vezes embalou um breve cochilo dos dois nobres que viajavam no conforto do interior da carruagem. Jacob muitas vezes sonhou com o sorriso de sua linda poupée. Queria tê-la em seus braços o mais rápido possível, a saudade e preocupação esmagavam seu peito.
Quando enfim a carruagem parou diante da suntuosa mansão ainda era madrugada. A noite estava bastante gélida. O vento frio embalava uma dança harmônica dos galhos brancos e sem folhas. O Duque sentiu a baixa temperatura assim que a porta foi aberta. Institivamente Jacob se encolheu dentro do próprio casaco grosso.
— Seja muito bem vindo, de volta, Vossa Graça. — saudou Elizabeth. Ela e apenas alguns criados aguardavam a chegada do Duque naquela madrugada. A governanta havia sido previamente comunicada. — Já sentíamos a sua falta.
Elizabeth não viu necessidade em exigir que todos os empregados da propriedade fizessem a comum fila para recepcionar o Duque na madrugada gelada. Faria a cerimonia de saudação pela manhã, antes do dejejum.
— Obrigada, senhorita Winslet. — devolveu educado. — Os aposentos do Marquês já foram previamente aprontados? — quis saber o Duque.
— Sim, Vossa Graça. Cuidei pessoalmente da arrumação dos aposentos do Marquês. — informou a governanta. — Espero que esteja conforme o vosso agrado, Milorde. — dirigiu-se a Embry.
— Obrigada, Senhorita Winslet. — agradeceu formalmente o Marquês.
Os criados descarregavam a carruagem à medida que os dois nobres entravam na mansão. Elizabeth dava ordens precisas aos empregados e até mesmo aos valetes dos dois nobres. Tudo precisava estar impecável para a estadia deles no campo.
— Irei me retirar para os meus aposentos agora. Necessito descansar. — disse Jacob ao amigo assim que ficou diante a escadaria que dava acesso ao segundo patamar. — Após o dejejum, que pontualmente será servido às dez horas, solicitarei que preparem uma carruagem para que siga para seu destino. Imagino que o amigo esteja ansioso para visitar a sua propriedade em Kent. — Jacob sorriu sugestivo para o Marquês. Havia muitos criados ao redor para ele falar tão abertamente sobre o delicado assunto.
— Ainda bem que Vossa graça é um amigo atento às necessidades de seus convidados. — Embry devolveu o sorriso sarcástico o acompanhando na subida. — Realmente estou muito ansioso em conferir as minhas terras. Gosto de cuidar pessoalmente do que é meu. — finalizou o Marquês, parando assim que terminou de subir as escadas. Ele iria dirigir-se para ala destinada aos hospedes. — Se precisar de algo, sabe onde me encontrar. — Embry tinha um quarto que sempre lhe era destinado naquela mansão. Seu valete ia à frente.
— Tenha um bom descanso, Call. — Jacob desejou já se encaminhando para sua ala. Tinha pressa em chegar. Ninguém desconfiava do motivo, talvez Elizabeth, que descia as escadas naquele momento junto com os outros criados. — Nos vemos às dez horas à mesa do salão principal.
— Estarei lá. — respondeu Embry também caminhando rumo aos aposentos que o alojaria.
~*~
Jacob assim que se viu no interior de seu quarto sentiu o coração trotar com vigor contra o peito. Ele estava a poucos metros de sua querida poupée.
Rapidamente dispensou o seu valete, dando ordens expressas para não ser acordado naquela manhã.
O Duque seguiu até o salão de banho, onde uma banheira cheia com água quente e sabão o esperava. Elizabeth era uma excelente governanta, conhecia todos os gostos do patrão.
Já devidamente asseado e vestido com um pijama negro, Jacob fitou a cama preparada para o seu repouso. Um sorriso surgiu em sua face. Ele não tinha a mínima intenção de dormir ali, na enorme e solitária cama.
O nobre pegou o pequeno castiçal na mesa de cabeceira e seguiu rumo à saída do seu aposento. Tomou todo o cuidado de sempre, verificando se havia algum criado pelos corredores. Trancou a porta de seu quarto ao sair, logo entrando no aposento que um dia pertenceu a amante do próprio pai.
As mãos suarentas tremiam, o coração pulsava furiosamente no peito e o sorriso estampado na face do nobre não conseguia ser contido. Um frenesi dominou o Duque assim que a porta destravou e ele se viu dentro dos aposentos de sua pupila.
Ao longe ele já podia ver o pequeno amontoado de cobertas no centro da cama. Como se possível, o sorriso do Duque se ampliou ainda mais e suas palmas e pés formigaram. De forma lenta e silenciosa ele caminhou até a cama de dossel, parando para vislumbrar a face angelical que dormia ali.
O sorriso o Duque brevemente vacilou ao constatar a fisionomia bastante abatida de sua poupée. O rosto estava vermelho e inchado, provavelmente ela havia chorado até adormecer pela exaustão.
Com ternura e incrível devoção, Jacob começou a afagar as bochechas macias de sua menina. Ela era o anjo na sua vida.
Como uma força a puxando do mundo dos sonhos, onde o Duque a segurava em seus fortes braços, Renesmee abriu os olhos e sentiu o coração perder o compasso de uma batida com a imagem que estava bem diante de seus olhos.
— Jacob... — sussurrou com a voz rouca devido ao sono e choro. O sorriso amplo do Duque e a mão acariciando a sua face confirmaram que não se tratava de mais um sonho. — Jacob! — Renesmee pulou de forma súbita no colo do nobre, que a recebeu sem pestanejar.
— Que saudade eu estava de você, Ma poupée! — Jacob abraçava forte a menina em seus braços, cheirando e beijando os sedosos cabelos ruivos.
— Jacob! — a ruiva só sabia chorar e repetir o nome do Duque.
Eles ficaram incontáveis minutos somente abraçados, sentindo o calor um do outro, sorvendo do perfume um do outro. Jacob ansiava fervorosamente por aquele aroma doce e delicado que o fazia esquecer-se de absolutamente tudo a sua volta. Renesmee — durante o abraço — deixava suas pequenas mãos tatearem a grande estrutura das costas do nobre, ela sentia falta daquela proteção a envolvendo.
—Ai! — a menina segurou nos braços fortes do Duque, ela havia sentido a visão e o corpo lhe falhar.
— Renesmee! — Jacob chamou pela ruiva com desespero. Ela havia perdido toda a cor da face. Estava muito pálida, nem os lábios tinham mais coloração. — O que aconteceu? Está tão fraca. — constatou agoniado.
— Eu estou bem. — justificou-se acanhada. — Foi só a emoção de lhe ver. — começou a beijar a bochecha do nobre.
Jacob delicadamente pegou o rosto da ruiva entre suas palmas e a analisou.
— Olha como está fraca. Não pode ficar sem comer. — repreendeu nervoso e viu o medo ligeiramente passar pelo rosto da menina. — Nem adianta mentir para mim. Eu já sei de tudo. Não estava comendo direito no período de minha ausência. — disse e a pôs deitada novamente na grande cama.
— Eu tenho comido sim! — ela retrucou.
— Me informaram ao contrário.
— Parei de comer somente pela manhã, pois eu me sentia mal. — confessou.
— Mal como? — o Duque franziu a testa, interessado, não queria imaginar Renesmee doente.
— Um desconforto estranho na barriga. Não me dava vontade de comer, não conseguia comer. — explicou a menina.
Jacob ficou aflito. Aquilo não era normal.
— Não pode passar tanto tempo sem comer, Renesmee. Pode ficar doente!
— Sinto-me bem, Jacob. Estou apenas feliz em lhe ver. — a ruiva continuou com seus beijos pela face bem barbeada do Duque.
— Ma poupée! — o tom era nitidamente um aviso. Jacob já começava a se esquecer da preocupação eminente com a saúde da jovem e começava a sentir a excitação dominar cada célula de seu corpo. Seu membro já latejava dentro da calça do pijama.
Renesmee não ligou para repreensão, apenas continuou a distribuir os beijos pela face e pescoço do Duque. O cheiro almiscarado inebriava os seus sentidos.
Sem mais conseguir refrear os próprios instintos, Jacob tirou o próprio robe e o jogou no chão, subindo na cama e montado encima de sua pupila, tomando o devido cuidado para não deixar seu peso cair sobre ela.
As mãos ávidas do homem subiam pelas coxas esguias enquanto um beijo impetuoso era trocado entre o casal. Jacob e Renesmee queriam e precisavam de mais sabor um do outro. Já fazia quase três meses que estavam longe.
Se não estivesse tão ocupado em tocar todas as partes de sua poupée de uma só vez, Jacob pararia para se surpreender de como Renesmee correspondia a seus beijos ardentes. A ruiva mantinha igualmente uma saudade e um desejo guardado. Embora sentisse falta do Duque de muitos jeitos, inclusive de ter apenas sua companhia em um mesmo cômodo, o contato físico e os beijos profundos pareciam ser a melhor opção para aplacar aquela chama acessa que queimava — antes dolorosamente — em seu peito.
Os carinhos que trocavam era a melhor forma de aplacar a paixão guardada por todo aquele tempo.
Jacob interrompeu o beijo somente para retirar o pesado tecido da camisola que cobria o delicado corpo de sua poupée.
De imediato a primeira coisa que a sua visão alcançou foi os seios alvos. Eles haviam crescido, estava mais redondos e cheios. A boca do Duque salivou, mas imediatamente ele refreou o desejo de abocanhá-los.
Algo estava errado.
Jacob sentiu o coração perder uma batida, para logo depois chocar com tanta força no peito que chegava a doer. O Duque tinha os olhos arregalados e a face sem cor. Desceu a visão para o restante do corpo nu disposto a sua contemplação.
A mão trêmula do Duque espalmou a barriga feminina, sentindo ali toda a rigidez característica.
Jacob pulou para fora da cama com olhos arregalados, assustando assim a menina, que somente contemplava cada toque especulativo do nobre.
— Jacob? — ela chamou temerosa. O Duque parecia está horrorizado ao fitá-la. — Jacob. O que está acontecendo? — as lágrimas já desciam pelo os olhos cristalinos. Jacob não parecia feliz.
— Você não come... Sente-se mal ao comer. — Jacob sussurrou refletindo. — Teve tontura...
O Duque começou a passar as mãos nos cabelos com tanto vigor que parecia que estava prestes a arrancar todos os cabelos negros da cabeça.
— Já vi isso acontecer... — ele quase choramingava conforme andava de um lado a outro do quarto refletindo.
Renesmee olhava todas as reações do Duque com assombro, as lágrimas não paravam de cair, no entanto resolveu esperar Jacob lhe dirigir a palavra.
— Não! — sussurrou ao contemplar a menina nua, erguida sobre os joelhos na cama. Por reflexo Renesmee tentou se cobrir com as mãos. — Não pode ser. Não tem como isso acontecer. Não existe essa possibilidade. — o Duque repetia sem coerência ao olhar a jovem.
— O que foi Jacob? Está me assustando. — por fim Renesmee puxou o lençol para se cobrir.
Porém o Duque não permitiu. Caminhou até a menina e puxou o tecido das mãos hesitantes da garota, tocando e contemplando mais uma vez o corpo desnudo da ruiva.
— Você não pode estar grávida. — murmurou como para si mesmo, mas a menina ouviu.
— Grávida? — os olhas da menina saltaram da orbita. — Um bebê! Eu tenho um bebê nosso aqui dentro? — sobrepôs à mão onde o Duque tocava.
— Não é possível! — Jacob balançava freneticamente a cabeça de forma negativa. Ele estava em choque.
— Eu vou ter um bebê seu? — Renesmee ainda estava confusa, mas um sorriso terno surgiu em seus lábios. Ela não compreendia o peso de tudo que lhe ocorria, somente se fascinava com a ideia de ter um bebê.
— NÃO! — Jacob retirou a mão de forma súbita do ventre enrijecido e minimamente estufado da menina. — Não! — ele repetiu, dando passos para trás sem deixar de fitar o delicado corpo.
Observando daquele ângulo — com Renesmee sentada — ele podia ver melhor.
O abdômen que já fora liso, começava a formar um desenho não característico de uma jovem adulta e sim de uma grávida. Viu aquilo acontecer diversas vezes a sua falecida esposa.
— Jacob! — Renesmee chamou ao ver o nobre se afastar cada vez mais dela.
— NÃO! — o Duque deu as costas para a menina e não olhou para trás ao deixar o quarto.
O homem estava apavorado! Não conseguia imaginar como aquilo era possível. Renesmee não era uma mulher completa quando a seduziu. Ou era? Será que seus olhos o enganaram há segundos? Eram perguntas torturantes que o rondavam enquanto ele cambaleava até seu quarto e puxava os próprios cabelos; estava desesperado.
Estava transtornado com aquela bomba nas mãos. Ele não esperava por aquilo, em hipótese alguma. Renesmee ainda não sangrava, ela não poderia carregar um filho.
— JACOB! — a menina gritou ao vê o nobre deixar o seu quarto de forma tão errante.
Uma dor latente enredou o coração da ruiva. O Duque parecia louco, e o pior; ela parecia a causadora. Aquilo dilacerava seu coração.
Renesmee olhou outra vez para o ventre o qual ela nunca estranhou a nova forma singela.
Então aquilo era uma gravidez? Perguntou sem ter resposta. Se fosse mesmo, porque Jacob estava tão zangado?
Aquelas questões deixaram-na ainda mais tonta e triste, ela voltou a deitar-se e caiu no choro novamente.
Ela se sentiu pela primeira vez na vida realmente abandonada.
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