Notas iniciais
olááá amadas!!! Curiosas para saberem o que o nosso Duque decidiu ? Primeiro queremos agradecer aos lindos comentários e dizer que sentimos falta de uma recomendação, hein! ( imaginem carinha chorando) O capítulo está cheio de emoções, porém está gostoso de ler. Apreciem... Sem mais enrolações; Boa leitura ;)

Capítulo 18

A madrugada transcorria bastante fria e aparentemente tranquila, o silêncio na casa Black era quase torturante.

O Duque — em seu completo desespero — chegou tão rápido em seu aposento que só se deu conta do ato quando parou bem diante da pesada porta de madeira maciça.

De forma hábil e silenciosa Jacob destrancou a porta e entrou em seu quarto passando a chave na fechadura em seguida. Recostou-se na rígida madeira e por ali permaneceu escorado por longos minutos.

Com os olhos assustados e músculos tencionados, ele era incapaz de conseguir dar mais um único passo adiante. Suas pernas estavam trêmulas e a sua mente, ao contrário da gélida noite serena, trabalhava a mil.

Como aquilo poderia estar acontecendo? Como?

Era somente o que — ainda em choque — o nobre conseguia se questionar.

Com desespero, ele buscava uma única resposta coerente.

Lembrava-se das inúmeras vezes — Sempre. Ele ponderou. — em que liberou toda a essência do seu prazer dentro da garota confusa no outro quarto. Todavia, só o fez por que tinha a plena certeza que o incidente que acontecia, jamais poderia ter acontecido.

O nobre reuniu todas as suas forças e começou a caminhar sem rumo pelo amplo cômodo, parando bem diante do divã negro que tinha ali. Deixou o peso de seu corpo desabar na macia superfície, onde permaneceu sentado com os cotovelos apoiados nos joelhos e sua cabeça enterrada entre as mãos trêmulas devido ao nervosismo. Seus logos dedos estavam maltratando seus cabelos — já bagunçados —.

— Jacob, o que foi que você fez? — ele se recriminava. — Ela ainda não é uma mulher por completo. Isso não pode está acontecendo. Não tem como! Seu corpo não se desenvolveu completamente. Ela não sangra, ainda não pode conceber um filho. — o nobre buscava alguma razão ao divagar. — Meu Deus! O que foi que eu fiz? — mais uma vez torturou os cabelos negros, chegando a arrancar alguns fios devido à força que empregava ao fazer o brusco movimento. — Isso não pode está acontecendo!

O Duque ergueu o corpo de forma súbita e voltou a caminhar desnorteado por todo enorme cômodo. Ele tentava buscar uma única lógica, uma única explicação para o que acontecia.

— Ou será que ela sangrou e não quis me contar? — parou de forma abrupta. — Não é impossível! Renesmee não teria como esconder isso de mim. Nós dormimos todas as noites juntos. Ela nunca se negava a mim, fazíamos amor várias vezes por noite. — balançou negativamente a cabeça, como se o gesto fosse capaz de afastar os conflitantes pensamentos. — Ela não tem malícia para me enganar. A minha poupée é muito inocente, ela iria se apavorar com um constante sangramento e correria para contar o fato a mim. Sou o único em quem ela confia. — afirmou. Ele sabia que a ruiva se negava a conversar sobre assuntos íntimos com qualquer outra pessoa. Nem mesmo sua própria aia ou Elizabeth. — Não tem como. — voltou a caminhar desesperado pelo quarto.

Por mais que a sua cabeça trabalhasse para lembrar cada mínimo detalhe, revivendo tudo o que fez com sua inocente pupila, o Duque não conseguia chegar a uma simples conclusão. Sempre tinha liberado sua essência dentro dela sim, mas Renesmee ainda não sangrava. Não era fértil ainda.

Tudo parecia um mistério... Um milagre. Ou seria um castigo?

Jacob parou novamente de andar, passando as mãos com fúria do rosto até chegar aos desgrenhados cabelos.

— Não! Um filho é sempre uma dádiva. Uma graça concedida por Deus. — afastou os pensamentos pessimistas, removendo qualquer ideia que aquele filho que crescia no ventre de sua pupila fosse um castigo. — Será que eu me equivoquei? Será que minha mente me pregou uma peça? — o nobre se questionou ainda mais confuso. — Impossível, meu Deus. É impossível! — mais uma vez sacudiu freneticamente a cabeça. — Eu já vi todas essas mesmas mudanças por diversas vezes. A cada gravidez de Leah... Cada singela mudança. A falta de apetite matinal, os enjoos, os seios mais volumosos, os mamilos com a coloração mais vívida, o baixo ventre rijo e saliente... — enumerou cada mudança que em poucos minutos constatou que havia ocorrido com sua poupée. — Por mais que a barriga dela seja mínima, provavelmente nem a sua aia já tenha notado, eu conheço cada pedaço de seu corpo. Se existe alguém que não tem dúvidas que Renesmee esteja grávida, esse alguém sou eu! — fechou os olhos com força, assim como as mãos junto ao corpo. Os nós dos dedos já estavam ficando sem cor, tamanho a força que empregava no punho serrado.

De repente o Duque sentiu as suas pernas falharem, o sangue gelar em suas veias e o coração perder o compasso de uma batida. Imediatamente, medo e desespero o dominaram. Ele teve que se apoiar em uma pequena mesa lateral, caso contrário, iria desabar no chão.

Um incômodo bolo se formou em sua garganta, e quando o Duque foi engolir sentiu todo o gosto amargo descer queimando. Os olhos já bem sobressaltados ardiam de forma insuportável, uma unidade ali se instalou. O orgulho fez o nobre conter as lágrimas que teimavam em querer descer.

— Não, eu não posso perder a minha poupée. — a voz rouca era apenas um sussurro. — Eu não posso perdê-la!

Jacob tentava conter a emoção que dilacerava seu peito. A respiração controlada era uma tentativa de conter o choro que tão urgente queria descer. Ele sequer conseguia assimilar uma remota possibilidade de perder sua doce pupila.

Ela não! O Duque pensou com desespero.

Ele viu a sua falecida Duquesa sofrer a cada gestação interrompida dramaticamente, toda a dor física e emocional. Havia perdido a esposa e a filha no parto, ele quase perdeu a irmã devido a um parto duplo e agora Renesmee estava grávida também.

Ela era tão pequena, tão frágil e delicada. Leah também era, mas ainda assim era mais velha e mais desenvolvida fisicamente.

O ar frio pareceu desaparecer de todo o enorme aposento em poucos instantes, uma sensação claustrofóbica se abateu sobre o Duque, que em resposta correu para porta de saída, destrancando a porta e abandonando quase que correndo o próprio quarto.

~*~

Próximo a grande lareira, a confortável poltrona de couro marrom estava posicionada, era ali que o nobre descansava. Em uma mão ele segurava um fino livro de filosofia e na outra uma xícara de chá que era saboreada lentamente.

A postura estava bem relaxada, um tornozelo repousava sobre o outro joelho, a leitura em nada lhe prendia a atenção. Não era o seu assunto favorito, mas era suficiente para lhe dar sono.

O calor reconfortante que emanava do fogo da lareira, combinado a leitura e o chá de camomila estava surtindo o efeito esperado, Embry já começava a sentir as pálpebras pesarem.

Há poucos minutos ele tinha dispensado o valete, logo depois do discreto homem ajudá-lo a trocar as roupas e lhe trazer a bebida quente.

Lamentava ainda ser de madrugada, preferia ter ido direto ver o filho e a amada, mas aquela foi à escolha mais sensata. Noah ficaria ansioso com a sua chegada, e mais eufórico ainda com o carrinho de madeira que ele havia mandado um carpinteiro confeccionar especialmente para os dois filhos.

Bernard quando ganhou o presente do pai brincou um pouco com o carrinho, mas logo perdeu o interesse. Aquele era somente mais um dos muitos brinquedos que tinha, porém Noah com certeza iria amar. Ele sempre se mostrava feliz e grato por tudo que o pai lhe dava. Era essa a educação que Olivia fazia questão de passar para o pequeno menino.

Embry sorriu ao se lembrar da secreta simplória família que tinha construído no campo, aquilo era tudo que seu coração necessitava para ser feliz.

Não que ele não amasse o filho legítimo, pois ele amava e muito. O pequeno menino era o seu herdeiro ao título, mas Bernard recebia a educação diretamente de Caroline. A criança já carregava as características arrogantes da mãe.

Depois de suas reflexões, veio o sono pesado, porém esse não durou mais que poucos minutos, pois um alto barulho de porta batendo com força trouxe Embry de volta.

— A que devo a honra da visita de Vossa Graça nessa hora tão inoportuna? — Embry disse sarcástico assim que viu o Duque entrar apressado em seu aposento.

O Marquês passou a mão de leve no próprio rosto a fim de espantar o sono, pegou a xícara de chá — ainda quente —, sorveu um pouco da bebida enquanto observava o amigo.

— O que foi, Black? Parece que viu um fantasma. Você está pálido. — o constatou e calmamente levou a xícara de chá aos lábios outra vez, não desviando o olhar da face sem cor o amigo.

— Não me pergunte como aconteceu, pois eu juro que não sei explicar, mas eu não quero perdê-la. — o Duque andava de forma aflita de um lado para o outro em frente à lareira. Ele falava tudo de forma incoerente. — Não posso perdê-la. Não posso. Simplesmente não posso! — as mãos deslizavam firmes pelo cabelo.

Embry permanecia sentado de forma displicente, não esboçou um único sinal de que iria mudar de postura. Deduziu que o Duque àquela altura da noite já estava embriagado o suficiente para ter perdido a razão e estava tendo alucinações.

— Black, acho que já bebeu demais. — fechou o livro e o repousou tranquilamente na mesinha lateral. — O melhor a fazer é dormir. — sugeriu de forma calma.

— Você não esta entendendo, Call. — Jacob parou e fitou o amigo. Seus olhos transbordavam desespero. — Sou eu agora que preciso de sua ajuda.

Embry nada disse, apenas fez um floreio com a mão sugerindo que o Duque prosseguisse o que falava. Ele não compreendia o porquê do desespero do amigo.

Enquanto o Marquês esperava o Duque começar a falar, já que Jacob somente passava as mãos nos cabelos com força e respirava fundo, ele pegou o bule e colocou mais chá na xícara.

— Juro que não sei como aconteceu. Eu juro. — Jacob puxou o ar para os pulmões com força, tomando a devida coragem para fazer a confissão. — Eu também vou ser pai. — a voz não era alta, mas foi o suficiente para o nobre escutar.

— O QUÊ? — Embry gritou pela surpresa. — Inferno! — proferiu quando sentiu o líquido quente cair em sem colo.

Na hora da revelação do Duque, a surpresa foi tão grande que Embry deixou a xícara de chá cair de sua mão, derramando todo o conteúdo quente em sua perna.

— Grite mais alto, Call. — repreendeu sem humor o Duque. — Quem sabe assim acorde algum criado e lhe espalhe a notícia.

— Você me faz essa revelação, eu queimo as minhas pernas e você quer que eu fale sussurrando? — disse mal humorado. — Aguarde-me que vou trocar o pijama. — Embry balançava o tecido da calça para ficar distante do corpo.

O Marquês foi até o armário, pegou um novo pijama e foi se trocar atrás do biombo.

Jacob desabou já sem forças na outra poltrona que tinha próximo à lareira, ele estava agoniado. E em nada Embry estava lhe ajudando.

— Jacob, que história é essa que você vai ser pai? Agora entendo porque não queria sair de Kent. Arrumou logo uma criada fogosa. — sorriu sugestivamente sentando-se na poltrona em que esteve anteriormente.

— Não fale asneira, Call. — cortou de forma rude. — Se o meu problema fosse uma criada seria algo muito mais simples de resolver. Não que a situação não fosse igualmente preocupante, mas pode ter certeza que meu caso é bem pior.

— Que ironia, não? Estamos na mesma situação. — Embry sorriu enviesado para o Duque. — Agora comece a explicar do começo para que eu possa compreender e te ajudar.

— Ah! Você pode ter certeza que minha situação é bem mais complicada que a sua. — Jacob recostou sobe o respaldar da poltrona e fechou brevemente os olhos. Embry ficou em silêncio esperando o momento que ele se sentisse pronto para começa a falar. — Eu ainda não sei como foi acontecer, juro que ainda tento buscar uma resposta coerente.

— Ah, não sabe como aconteceu? Quer que eu te explique como se faz um filho. — disse com humor ácido.

— Você não entende! — brado o Duque, já muito irritado. Embry nunca deixava de ser sarcástico.

— Então me explique. — replicou o amigo.

— Deixa para lá. Isso não tem mais importância. — encerrou o assunto, mudando o foco da conversa. — O que importa é que eu vou ser pai e estou morrendo de medo de que tudo de errado de novo. Não vou suportar perdê-la.

— Você tem certeza que esse filho é seu? — o Marquês perguntou com cautela. — Faz quase três meses que se ausentou de Kent.

— Mais é claro que tenho. — proferiu com raiva o questionamento de Embry. — Esse filho é meu! — disse categórico.

— Sim, claro. Desculpe-me. — pediu sincero. — Mas quem é a mulher que carrega o seu filho? É filha de algum comerciante aqui de suas terras? — Embry tinha malícia ao falar.

Jacob ignorou o tom ambíguo do Marquês.

— Não. — limitou-se em responder.

— Então quem é? — Embry perguntou impaciente.

— É Renesmee, a pupila do meu pai.

Embry piscou algumas vezes atônito, sua boca havia se aberto de leve sem nem ao mesmo ele se dar conta.

— Você está brincando, certo? — a pergunta foi automática, sem nem ao menos o Marquês pensar. Ele sabia que Jacob jamais brincaria com um fato como aquele.

— Você acha que eu estou brincando com uma coisa dessas? Acha que eu faria uma piada de mau gosto com isso?

— Que Diabos, Black! — Embry ergueu-se da poltrona e socou o encosto acolchoado. — Seu pai deve está se revirando no túmulo. Aquela garotinha sempre foi a menina dos olhos do Duque. Ele fazia tudo por ela. William a confiou a você e olha o que você faz! Engravida-a. — repreendeu com severidade.

— Você acha que eu não sei? Você acha que eu não tenho conhecimento ou que esqueci as promessas que fiz ao meu pai? — Jacob também se levantou e partiu para cima do amigo, peitando-o. — Eu não queria que acontecesse, eu lutei com a minha própria razão... Mas quando percebi já era tarde. Ela cresceu e se tornou a jovem mais linda que já vi na vida. Ela é encantadora em todos os sentidos. — Jacob inspirou fundo e voltou a se sentar. Apoiando o cotovelo nos joelhos e enterrando a cabeça nas mãos. — Eu estou morrendo de medo de perdê-la. Eu jamais vou poder viver comigo mesmo se ela não resistir ao parto. E você pode ter certeza que não será por culpa. — ele não levantou a cabeça, não olhou para o amigo. — Eu descobri hoje que a amo. Que não posso viver em um mundo que ela não exista. — murmurou.

— Jacob. — Embry segurou no ombro do amigo, estava ainda mais chocado com aquela confissão.

— Deixe-me falar. — pediu em tom baixo. Precisava desabafar o recente sentimento que havia descoberto. Não que ele já não estivesse desconfiado, mas agora era a mais pura certeza gritando em sua mente. — Eu nunca amei Leah, mas sempre tive um carinho especial por ela. Poderia levar uma vida relativamente feliz ao lado dela. Porém com Renesmee é diferente. Ela desperta tudo em mim, desde o meu melhor ao o meu pior lado. Sinto-me possessivo por ela. Sou capaz de morrer ou de matar por aquela garota. Descobrir que ela espera um filho meu despertou não medo, mas sim pavor. Eu não posso perdê-la, não aceito perdê-la. Eu preferiria ser infértil a ter que fazê-la passar por uma gravidez. Preferia que a minha linhagem se extinguisse em mim a ter que submetê-la a isso. Ela não está pronta, eu não estou pronto. — uma lágrima solitária escorreu por um olho de Jacob. Ele não havia conseguido contê-la, disfarçadamente a limpou com um de seus dedos.

Embry fingiu não vê, aquilo afetava o orgulho de um homem.

— Jacob, o que aconteceu com a Leah foi uma fatalidade. — Embry confortou o Duque. — Quantas damas nós ouvimos falar que não tiveram problemas no parto. A princesa mesmo já teve seis filhos, todos bem.

— Rachel quase morreu nesse ultimo parto. — contestou tristemente e desanimado.

— Não exagere. — replicou suavemente o Marquês. — Foi um parto difícil por se tratar de gêmeos, mas ela não corria risco de vida.

— Renesmee é frágil como uma boneca de porcelana. — declarou. — Tenho medo que seja muito cedo, que seu corpo não aguente o parto.

— Vai ficar tudo bem. — Embry tentou passar confiança.

O Duque apenas balançou a cabeça. Ele queria estar confiante tanto quanto o amigo tentava lhe passar.

— Eu amo aquela garota. Não posso aceitar viver em um mundo sem ela. — repetiu a declaração explícita. Era difícil para um homem confessar os seus sentimentos, entretanto estava com o seu amigo e confidente.

Embry ficou calado e pensativo.

— Jacob, que providências você pretende tomar? — indagou o Marquês após alguns minutos de silêncio.

— Como assim? — Pela primeira vez na vida o Duque estava sentindo-se perdido, sem saber o que fazer.

A confusão estava explicita em sua face.

— Jacob, vocês não são casados. Você esteve ausente por quase três meses... Na melhor das hipóteses, a gestação já tem três meses. Logo não será mais possível manter segredo. Tem que pensar rápido. — elucidou o Marquês.

Jacob pulou da poltrona, assustando Embry.

— Meu Deus! — puxou os cabelos, arrancando mais alguns fios com o ato. — Eu não tinha pensado nisso! — os olhos agora estavam arregalados.

— Então tem que pensar rápido, ou será um escândalo.

Jacob começou a andar desnorteado pelo quarto que abrigava o Marquês. Não havia parado para pensar que a gestação logo seria visível, portanto todos ali saberiam que Renesmee teria um bebê, em breve.

Aquilo também era preocupante.

— Black, você vai se casar com ela? — perguntou cautelosamente.

Imediatamente o Duque estancou no mesmo lugar. Ele sentiu o ar falta e a cabeça rodar.

— Não sei se posso. — a voz era quase inaudível, porém Embry ouviu muito bem.

— Como não sabe se pode? Ela carrega um filho seu no ventre, você é viúvo e ela será aceitável como esposa, uma vez que foi pupila de seu pai. — Embry apontou os pontos positivos. — Será um escândalo. Ela não vem de uma família nobre, você está viúvo há pouco tempo e ela é muito jovem. Certo? — Apontou os pontos negativos também. Embry não lembrava a idade da menina, mas sabia que era bem nova, já que até pouco tempo ela era só uma criança. — Será difícil, mas você é um Duque. Pode comprar toda a sociedade!

— Eu sei. No entanto, eles irão julgá-la. Vão desfazer-se dela quando eu não estiver por perto para protegê-la. Conhece aquela gente. Não quero que ela sofra.

— Acho que ela sofrerá muito mais preconceitos se ficar em Kent. Ela será intitulada como sua amante e seu filho com um bastardo. — sobrepôs Embry.
— Eu não permitirei que meu filho seja visto como um bastardo. Ele é fruto de um amor. Nem admitirei que a minha poupée seja menosprezada. — disse com dureza e arrogância, na sua melhor postura como Duque.

— Sei que é horrível o que vou falar, mas eu rezo todos os dias para que Deus leve Caroline. — revelou um tanto quanto envergonhado. — Olivia jamais teria chances na aristocracia. O nome da minha família seria arruinado para sempre. Nem todo dinheiro e influência a tornariam aceitável. Ela sempre foi camponesa, não tem uma instrução. — confessou com pesar. — Ser posta como amante de um Marquês é muito mais do que ela sonhou. Ela tem conforto, não lhe falta nada. Até contratei uma professora para ensiná-la a ler e a escrever. Ela tem vergonha de não conhecer o alfabeto. — cada palavra dita cortava o coração de Embry, embora houvesse carinho salpicado em suas palavras ao contar de sua amada. — Sei que jamais poderia me casar com ela. Olivia também sabe disso. Por outro lado eu poderia ser livre para não precisar escondê-la, poderia ser livre para ficar mais tempo com minha família... Tire a minha infeliz vida como exemplo e faça diferente, amigo!

— Obrigada, Call! —o Duque abraçou o amigo. — Obrigada por me fazer enxergar por outra perspectiva. — agradeceu sinceramente. Embry tornou a sua decisão bem mais fácil.

Jacob já havia pensado em se casar com Renesmee no futuro, contudo imaginou que teria tempo para preparar a sociedade para aceitar a sua escolha. Porém, agora com a gravidez sendo uma realidade, teve que antecipar os planos. Usaria de todo o seu poder e influência para calar a sociedade.

— Eu amo demais aquela menina para permitir que sejamos infelizes. Será um escândalo, mas eu sou um Duque e todos terão que se calar diante de mim. — deliberou e emendou antes de seguir para a porta — Você tem razão.

— Black, aonde você vai? — questionou o Marquês ao vê Jacob caminhar com pressa em direção à saída do seu quarto.

— Vou para os braços de minha poupée. — sorriu ao falar. — Acho que a deixei um pouco confusa. — imediatamente o sorriso se contorceu em uma careta. — Esteja pronto para o dejejum às dez. Quero que conheça a minha futura Duquesa. Não preciso lembrar que tudo é um segredo, certo? — disse já fechando a porta e não esperando a resposta do Marquês.

Já sozinho no quarto, o Marquês sustentava um sorriso enviesado nos lábios.

— O Black está tão ferrado quanto a mim. Está totalmente a mercê de uma mulher. Pelo menos ele tem a sorte de ter uma segunda chance da vida. — comentou e deitou-se na enorme cama. — Senhor, que eu receba a mesma graça que o meu amigo... — começou a sua diária oração.

~*~

Quando Jacob deixou o quarto de Renesmee sem olhar para trás, a menina sentiu pela primeira vez na vida uma dor diferente, todavia era igualmente excruciante. Ela desconhecia aquele sentimento, mas nem por isso deixou de sentir o coração doer de forma pungente.

O choro foi inevitável, e veio violento, levando a menina à exaustão tão rapidamente. Em poucos minutos Renesmee caía em um sono profundo e sem sonhos.

Ela não teve tempo para assimilar o fato ou as palavras que o Duque dissera, e mesmo assim ficou feliz momentaneamente por saber que tinha um bebê que seria dela. Tudo ainda era bastante abstrato na cabeça da menina, já que conservava parcialmente a inocência de uma criança.

Poucas horas havia se passado até Renesmee começar a abrir lentamente os olhos, sentindo a visão ainda falha e a cabeça fisgando levemente. Sentia-se fraca, mesmo assim tentou levantar-se. Contudo as suas forças eram mínimas e ela logo chiou, voltando a se deitar. Todo o seu quarto parecia está rodando.

— Shiiii... Não levante. — a voz rouca chegou terna em seus ouvidos, trazendo imediatamente um calor reconfortante em seu coração. — Fique deitada, ainda é madrugada. — Jacob acariciava com delicadeza os sedosos fios cor de bronze intenso.

O Duque havia entrado no quarto da menina e a encontrou dormindo tão serenamente que preferiu ficar observando-a por horas a ter que acordá-la. Sua Poupée parecia um anjo quando acordada, mas quando dormia era a própria definição de um anjo.

— Jacob! — ela abraçou com força o tronco do nobre, queria poder nunca mais soltá-lo. Tinha medo que se o soltasse ele pudesse outra vez deixá-la. — Desculpa se te desagradei. Prometo que nunca mais farei nada para lhe desagradar novamente.

— Ei! — segurou entre as suas duas mãos enormes o delicado rosto angelical da menina. — Você jamais fez algo que me desagradasse. Você só me traz felicidade.

— Você ficou triste comigo. — não era uma pergunta, Renesmee fazia uma afirmação.

— Não fiquei triste ou decepcionado, fiquei apenas surpreso. Muito surpreso, para ser sincero. — confessou olhando a imensidão dos cristalinos olhos azuis de sua amada.

— Você ficou assim por causa do bebê? — indagou com expectativa.

— Sim. — ele jamais mentiria para ela. — Realente eu fui totalmente pego de surpresa, mas isso não significa que tenha ficado triste ou decepcionado. Eu só precisava pensar e assimilar a novidade. — Jacob em nenhum momento desviou dos olhos curiosos de sua poupée. Ele queria que ela visse toda a sua sinceridade ao falar.

— Eu adoro bebês. Fiquei tão feliz que agora eu vou ter um só meu. — Renesmee tinha os olhos brilhantes, eles irradiavam toda a sua felicidade.

Ela ainda tinha uma visão muito infantil sobre ter um filho, era como se fosse ganhar uma boneca com vida de verdade.

Jacob viu toda a inocência que transpassou no olhar da ruiva, ela não tinha a mínima noção de tudo o que aquela gravidez implicava. Ele se sentiu culpado por acabar com o último resíduo de inocência daquela menina.

Em breve Renesmee seria uma mulher casada, mãe de uma criança... Naquele momento Jacob teve a certeza que teria que cuidar de tudo até Renesmee ter maturidade suficiente para assumir as suas responsabilidades como mãe de família.

Apesar de tudo ele não se arrependia de nada que fizera até deixar a ruiva atingir o seu coração. Amar Renesmee era a melhor coisa em sua vida, era o seu paraíso particular na terra.

Jacob refletiu sobre tudo aquilo em questão de segundos. Ele ainda mantinha o rosto dela entre suas palmas e fitava o lago cristalino que era seus olhos azuis, sempre tão encantadores e fascinantes para ele.

— Menina, você tem a mínima noção do que fez com a minha vida? Você virou o meu mundo de cabeça para baixo! — ele a fitava intensamente. Suas palavras saíram firmes, o que fizera o sorriso da ruiva vacilar. Ela achou que estava sendo repreendida, porém o largo sorriso que o Duque lhe lançou acalentou o seu coração. — Mas foi somente quando vi o meu mundo de cabeça para baixo que pude constatar que esse é o meu lado certo. Eu te amo. — selou com amor e devoção os lábios rosados da menina.

O coração da garota trotava como um cavalo selvagem correndo livre por um vasto campo. O alvoroçar no estômago estava mais forte do que nunca, pareciam borboletas aprisionadas em um pote. A sensação era única, indescritível e regozijante. Renesmee jamais provou sensação igual.

— Você me ama? — perguntou a encantada Renesmee após findarem o beijo. Seus olhos resplandeciam alegria.

— Eu te amo mais do que tudo nessa vida. — confirmou o nobre Duque. — Você passou a ser a minha razão de viver. Eu sempre vou cuidar de você. — Jacob deu um beijo terno no topo dos cabelos de sua poupée. Selando ali mais uma vez a sua própria promessa.

— Eu também te amo tanto, que chega a doer quando estou longe de você. — acabou de constatar por si só o sentimento que há muito sentia pelo Duque, mas que ainda não sabia classificar. Renesmee chegou à conclusão que o que sentia era igual ao descrito nos poucos livros de romance que a sua preceptora trazia para ela ler. — Eu te amo! — sorriu após confessar mais uma vez.

Jacob sentiu toda emoção da menina quando ela falou as simples palavras. Ele já sabia do sentimento dela por ele, mas ouvir da própria boca dela era imensuravelmente melhor.

Nada mais precisou ser dito, somente o que ambos sentiam era suficiente para abrandar o coração deles.

— Eu preciso de você. — Jacob sussurrou no ouvido dela, beijando de forma carinhosa toda a sensível região.

— Eu sou sua. — ronronou como uma gata manhosa, erguendo os braços e se oferecendo ao nobre.

Jacob aceitou a oferta de bom grado, retirando a pesada camisola de inverno da menina. Ele a deitou e a posicionou de lado, se postando por trás dela. Agora ele não iria mais se permitir ficar por cima, por mais que sempre tomasse todo o cuidado de não por o próprio peso sobre ela. Afinal, agora, no delicado ventre da garota ruiva crescia o seu filho.

Naquela reveladora madrugada o Duque amou a sua poupée com tanto melindre e devoção que quando Renesmee chegou ao seu ápice chorou devido a toda emoção do momento.

~*~

Era mais uma manhã fria de inverno, porém lá fora o fraco sol já aparecia para começar a desgelar os galhos congelados pela neve. Em breve a primavera chegaria.

Renesmee, que acabara de se arrumar — como sempre, sozinha — fitava-se através do grande espelho oval de moldura dourada. Ela escolhera um dos seus melhores vestidos de inverno para usar aquela manhã. Era uma linda musselina com mangas compridas de veludo na cor azul Royal, o decote era bem discreto e uma fita de ceda branca marcava a cintura logo abaixo dos seios.

Jacob havia lhe orientado para tomar cuidado com a escolha da roupa, ninguém poderia notar as mudanças em seu corpo. A gravidez teria que ser mantida no mais absoluto segredo. Ele tinha ficado satisfeito em saber que a menina não permitia nem mesmo que sua aia lhe ajudasse no banho ou nas trocas de roupa, o que era uma garantia que ninguém além dele tinha visto o corpo de Renesmee despido.

O Duque também avisou sobre a visita do Marquês, e comunicou que ele era o único que tinha conhecimento do segredo deles, mas que ele manteria segredo sobre o fato. Jacob solicitou a sua presença à mesa durante o desjejum daquela manhã.

Renesmee tinha medo de não conseguir comer, afinal, toda manhã se sentia estranha.

Suspirou satisfeita com o seu reflexo no espelho, sentia-se bonita para o Duque. Jacob iria gostar de vê-la.

Metade dos seus cabelos ruivos estava preso no topo da cabeça com uma fita de seda branca, a outra metade estava solta e chegava até abaixo da cintura. A pele branca que nem porcelana gritava em contraste com o vestido azul, mas em contrapartida seus olhos resplandeciam em um azul supremo. A orelha e o pescoço estavam adornados com a delicada joia que havia ganhado de natal do Duque. Era a primeira vez que usava.

Suas curvas eram totalmente ocultadas pelo vestido solto logo abaixo dos seios, seu ventre gravídico estava protegido de olhos especuladores.

A jovem deixou o quarto e seguiu em direção ao salão que sempre era servido o desjejum. Já era exatamente dez horas da manhã, com certeza o Duque já estava à mesa.

— Bom dia, Milordes. — cumprimentou a menina assim que entrou no salão.

Jacob imediatamente ergueu a cabeça e contemplou a mais bela das visões. Seu coração pulsava em um compasso acelerado.

— Bom dia, senhorita Wood. — tentou conter o sorriso tão involuntário. Precisava manter o decoro perante os criados. — É um prazer revê-la.

Embry — que até o momento antes da menina entrar orientava o criado em como seu chá deveria ser servido — ergueu a visão para notar a jovem que acabara de entrar no salão. Foi involuntário a sua reação. A boca do Marquês havia formado um perfeito ”O” pela surpresa.

Renesmee havia se tornado realmente a jovem mais linda que ele já tinha visto na vida. Ela chegava a ser até mais bonita que Claire — considerada o diamante da temporada — ou até mesmo que a sua própria Olivia. E por mais que não houvesse se sentido atraído pela jovem, ele sabia admirar e admitir sua beleza extraordinária. Agora compreendia perfeitamente o porquê de ela ter arrebatado o coração impenetrável do Duque. A Ruiva emanava beleza exterior e interior, com o puro olhar.

— Agora me faz todo o sentido. — murmurou para ele mesmo ainda olhando extasiado Renesmee, porém o Duque ouviu e se remexeu incomodado. — Bom dia, senhorita Wood. — também a cumprimentou educadamente. — Ainda estou surpreso em como cresceu e se tornou uma linda jovem. — elogiou sincero.

Renesmee sorriu encabulada e Jacob pigarreou incomodado com o elogio do Marquês a sua poupée. Embry apenas sorriu em divertimento com o explícito — para ele — ciúme do amigo.

O desjejum transcorreu tranquilo, mesmo Renesmee limitando-se a tomar somente um pouco de leite quente com chá e dois biscoitos pequenos.

O Duque observava cada movimento que a menina fazia, ele zelava por ela. Ficou preocupado com tão pouca comida que ela ingeria, ainda mais porque ficou claro, para ele, que ela estava se esforçando para comer.

Embry também observava a jovem ruiva discretamente, notando cada gesto que ela fazia. De alguma forma seu rosto lhe parecia familiar, mas ele não conseguia se lembrar de onde conhecia aqueles traços tão belos e harmônicos.

— Mandou me chamar, Vossa Graça? — Elizabeth esperou o fim do café da manhã para aparecer no salão. Não queria interrompê-lo.

— Sim, senhorita Winslet. — o Duque limpou calmamente a boca no guardanapo de linho. — Quero que prepare tudo para o aniversário da senhorita Wood em três dias. Quero tudo formal e refinado.

— Sim, senhor. — respondeu prontamente a governanta. — Darei o melhor de mim na organização do jantar. Necessita que chame a modista?

— Não será necessário. A princesa lhe mandou vestidos novos de presente. — adiantou-se o Duque. Não poderia permitir que uma costureira tirasse as medidas de Renesmee.

— Claro, Vossa Graça. — concordou a criada. Rachel sempre presenteava a menina com os mais belos vestidos. — Mais alguma especificação, Vossa Graça?

— Sim. — Jacob olhou intensamente para a governanta que lhe viu quando ainda era só um rapazote. — Arrume todas as coisas da senhorita Wood. Partiremos no dia seguinte ao aniversário da senhorita.

— Senhor, para onde levará a menina? — perguntou surpresa demais com a novidade.

— Está contestando as minhas ordens, Senhorita Winslet? — disse arrogante o Duque.

— Não, Vossa Graça. — adiantou-se de falar. — Mas... — Elizabeth deixou as palavras morrerem com o olhar severo que o Duque lhe lançou. — Cuidarei pessoalmente da arrumação dos baús da senhorita Wood. Estará tudo pronto para o dia da partida.

— Perfeito!

Jacob deixou a salão junto a Embry. Ele não poderia deixar um criado, por mais que fosse Elizabeth, lhe contestar perante os demais. Ele era um Duque, e jamais deveria ser questionado até mesmo por outro nobre. Acima dele só a realeza e Deus!

Renesmee não esboçou nenhuma reação apesar da surpresa. Depois conversaria com Jacob para entender os seus planos para o futuro.

~*~

O Duque degustava de um Brandy enquanto analisava uma pilha de papéis sobre sua espaçosa mesa de mogno. O seu administrador de Kent havia deixado todos os rendimentos e prestações de contas sobre as suas terras ali.

Kent apesar de ser uma das menores propriedades da família, sendo somente um condado, rendia-lhe muito bem. Era uma terra fértil e lucrativa.

A família Black já nascera afortunada por descender direto da realeza inglesa, adquirindo assim os mais importantes títulos concedidos. Porém, todos os ascendentes de Jacob fizeram a fortuna prosperar muito além do que os rendimentos das finanças atreladas a cada título.

Hoje Jacob ostentava uma respeitável fortuna própria. Além, é claro, de toda a rentabilidade de suas diversas terras; ducais, marquesas e condais.

Independente de quantos filhos um dia ele pudesse vir a ter, todos ficariam muito bem amparados. Não seria só o seu herdeiro ao título que seria o afortunado.

Atualmente Jacob era o único herdeiro de toda a fortuna da família Black, uma vez que era o único filho homem de William. Ele herdou absolutamente tudo.

Rachel teve o seu dote — que foi uma verdadeira fortuna – o qual o príncipe fez questão de não tocar e deixar guardado em um banco para Rachel usar quando e como quisesse. Ela jamais teve necessidade de tocar em seu dote. Era uma princesa e vivia adornada no mais absoluto luxo da realeza.

— Ainda tem tanta coisa para verificar! — resmungou impaciente. Ele queria mesmo era vê a sua poupée, no entanto precisava por suas atividades em dia.

Jacob tinha emprestado uma carruagem par Embry seguir até as terras de sua amante. Ele não aguentava mais esperar para vê a família.

O Marquês havia partido logo após a primeira refeição, porém prometeu retornar para o jantar de aniversário de Renesmee.

Renesmee! Suspirou o Duque ao lembrar-se da ruiva.

Em breve ela seria a sua Duquesa e lhe daria um filho. Ele não ligava se seria menino ou menina, desde que viesse com saúde e sem comprometer a saúde da mãe.

Jacob sabia que teria que usar de toda a sua influência e arrogância para calar as línguas mais afiadas da sociedade, porém ele não ligava mais. Renesmee agora era a sua única prioridade. Ele não permitiria que a sua reputação fosse arruinada.

— Pai! — fitou o retrato de William preso na parede. Ele havia se desligado por um momento do que fazia. — Me perdoa por ter ido além com ela. Por ter tirado a sua honra, por tê-la engravidado... Mas eu descobri que amo demais a nossa menina. Fala para a Kate que eu vou cuidar dela, que a tornarei a minha Duquesa. E que acima de tudo, eu a amo demasiadamente. — disse tudo olhando intensamente a pintura do falecido Duque. Jacob tinha a sensação de que William sempre lhe observava com aqueles olhos vívidos. — No final tudo dará certo. Eu descobri o amor, Renesmee também. Ela agora se casará com um nobre, como você quis a vida toda. Obrigada por prepará-la pra mim, por torná-la aceitável. Você sempre foi o melhor pai que um filho poderia querer. Espero ser um pai tão bom quanto você foi. Sinto muito a sua falta. Gostaria que estivesse vendo... — Jacob não concluiu sua fala, alguém batia à porta.

— Entre! — ordenou assim que Elizabeth abriu a porta e pôs a cabeça através da mínima abertura.

— Vossa graça, eu gostaria de conversar por um momento. — a governanta disse em tom baixo, ela reunia coragem para abordar o assunto.

— Entre e feche a porta. — Jacob esperou que Elizabeth fizesse o que foi ordenado. — Sente-se, Senhorita Elizabeth. Algum problema? — indagou logo após ela sentar na cadeira de frente para a mesa dele.

— Não me entenda mal, Vossa Graça. Não estou aqui para afrontá-lo ou contestar as suas ordens, mas eu gostaria de saber para onde levará a menina Renesmee. — disse em um único fôlego. — Eu já trabalho para a família Black há anos. Meus pais serviram ao seu avô e também ao seu pai. Eu estive presente no parto da Duquesa, ajudei a criar o milorde e a princesa. — Elizabeth emendou com um longo discurso explicativo. — Vi a pequena Renesmee chegar nos braços de Katherine quando não tinha nem um mês de vida. Prometi a Kate que cuidaria de sua menina...

— Elizabeth. — o Duque chamou, interrompendo o discurso da governanta. — Também fiz promessas ao meu pai, que com certeza também fez promessas a Katherine em relação ao bem da senhorita Wood. Hoje Renesmee é minha responsabilidade, estou cuidando do seu futuro. — cada palavra saía segura dos lábios do nobre. — Se era só isso, está dispensada. — Jacob abaixou o olhar e voltou a conferir os papéis sobre a mesa.

Elizabeth levantou-se e começou a caminhar em direção à saída do gabinete, entretanto uma força maior que ela a impediu de deixar o cômodo.

— Não! — proferiu firme voltando a encarar o patrão.

— O que disse? — Jacob ergueu a cabeça lentamente, uma das sobrancelhas estava arqueada. Era sua postura mais altiva.

— Não posso deixar que leve a menina Renesmee. Não posso deixa que suma com ela. — a voz da governanta estava trêmula ao falar. Era a primeira vez na vida que confortava seu senhor. — Eu amo aquela menina como se fosse a filha que jamais tive. Eu a vi crescer por esses corredores. Não posso permitir que suma com ela. — Elizabeth prendia o choro.

Estava com medo de Jacob abandonar Renesmee e sumir com ela de Kent. Era tudo que ela presumia diante da notícia da viagem. Era terrível, mas a ideia de que o Duque quisesse se livrar da jovem se alojou em sua mente naqueles dias.

— Pelo que me tomas, Senhorita Winslet? — Jacob levantou subitamente o corpo, batendo com força a mão na mesa. Eleizabeth se encolheu de medo. Ele estava irado, dava para ver em seus olhos. — Que homem sem palavras julgas que eu sou? Fiz uma promessa ao meu pai e vou cumpri-la. Isso não lhe dá o direito de ponderar as minhas decisões.

— Eu temo pelo destino da minha menina. – a governanta respirou fundo buscando coragem. — Eu sei o que acontece todas as noites no quarto de Renesmee. Eu os vi juntos, estavam dormindo nus. — disse horrorizada em um único fôlego.

— O que disse? — o Duque tinha a face pálida.

— Sabe exatamente sobre o que falo, Vossa graça. Toda noite se deita com a Senhorita Renesmee. — acusou a governanta. — Ela é só uma menina inocente e apaixonada, não quero que ela saía de coração partido.

— Como você sabe? — o Duque perguntou em um sussurro, ele não tinha mais como negar. Elizabeth realmente sabia de seu envolvimento com a garota ruiva. — Quem mais sabe? — agora precisava descobrir o tamanho do dano.

— Somente eu. — afirmou olhando nos olhos de Jacob. — Tinha acordado cedo e fui levar chá para Renesmee. Ela tem o mesmo hábito que eu; Gosta de tomar chá antes de fazer o desjejum. — explicou-se. — A porta não estava trancada. Quando entrei me deparei com vocês dormindo juntos na mesma cama. Estavam sem roupas! — os olhos da mulher estavam sobressaltados. — Eu deixei o quarto em silêncio e ordenei as outras criadas que eu passaria a cuidar pessoalmente das necessidades da senhorita Wood. Não queria arriscar alguma outra criada presenciar a cena que vi, com certeza não teria descrição e acabaria com a reputação da jovem Renesmee.

Jacob ficou em silêncio absorvendo todas as recentes informações descobertas. Lentamente voltou a sentar em sua cadeira.

Será que Elizabeth os protegeu de um escândalo? Ele se questionou.

— Eu vou protegê-la. Não deixarei que ninguém faça mal a ela. — afirmou Jacob.

— Então por que quer levá-la embora de Kent? Aqui eu posso cuidar dela, posso protegê-la. O que está acontecendo? — Elizabeth caminhou até a ponta da mesa do nobre e debruçou minimamente sobre ela.

Jacob a fitou com a intensidade de quem avalia a alma de uma pessoa. Viu nos olhos da governanta carinho e devoção, além do fato de que Elizabeth guardou o seu envolvimento com a ruiva durante todo esse tempo. Seu segredo estaria protegido com ela.

— Vou me casar com a Renesmee.

— O que? — Elizabeth assustou-se com a notícia. — Ela é muito nova. Fará apenas quinze anos. Espere ela completar dezessete. Ela não está pronta para assumir o posto de uma esposa, muito menos de Duquesa. — ressaltou alguns importantes fatos de forma taxativa.

— Você não entende! — replicou o Duque, passando as mãos nervosas do rosto até os cabelos. — Preciso correr contra o tempo. — inspirou profundamente, preparando-se para contar. — Renesmee está grávida. Ela carrega um filho meu.

Elizabeth sentiu o sangue fugir do rosto, as pernas falharem e a boca abrir-se em choque. Ela precisou se sentar novamente.

Ambos ficaram em silêncio por alguns minutos, cada um tentando assimilar os recentes fatos.

A governanta estava aturdida com a notícia.

O silêncio entre eles foi quebrado não por palavras, mas pelo som maciço da madeira sendo batida.

— Desculpe interromper, Vossa Graça. — Oliver pediu cauteloso. Sabia que aquele ato, de interromper o patrão, era somente em caso de urgência. — Um mensageiro real acabou de chegar à propriedade. Ele comunicou que a carruagem real já se aproxima de Kent. O príncipe com a família chega a no máximo meia hora. — informou o mordomo e observou ligeiramente o cômodo.

Ele fazia ideia que tinha interrompido uma reunião. Elizabeth estava pasma, Jacob não parecia inclinado a lhe dar ordens, ao contrário tinha a face tensa, então Oliver – sabiamente – saiu e voltou a fechar a porta.

O Duque só conseguiu pensar em uma coisa. Renesmee grávida e Rachel em Kent.

— Que Deus me ajude! — Jacob ergueu as mãos ao céu e suplicou.

Notas finais
Amadas!!! O que acharam ? Eu amei a declaração do Duque. E Renesmee está amadurecendo, precoce, mas naquela época era comum as meninas se desenvolverem cedo. Não se espantem. E quem ai está curiosa com a chegada da princesa? hahaha Algo me diz que uma confusão virá. É a Rachel, né? hahahahaha Esperamos muitos comentários e recomendações também. Ponham Bloom nos seus favoritos! No mínimo 25 comentários, meninas. Vocês são muitas ! O próximo já está a caminho... Quanto mais comentários mais rápido chegará o próximo capítulo ;) XoXo Jenny e Daaay