Notas iniciais
Olááá amadas! Desculpem a demora! Eu e a Jenny não estávamos tendo tempo de arrumar o capítulo, semana passada foi difícil até para respirar! Hahahha Vamos dedicar esse capítulo a OnePotterhead e a LaryFluffy que nos deixaram recondações lindíssimas. Pra vocês esse capítulo, meninas!!! Agradecemos aos comentários =) Vamos saber como está a família real em Kent? Boa leitura ;)

A estrada estava toda coberta pela neve fofa, as árvores — que cercavam o caminho — estavam enfeitadas com uma fina camada de gelo, pareciam formar lindos cristais. O cenário era o mais belo de se vê.

A manhã estava próxima ao fim, mas o frio ainda se mantinha vigoroso naquela hora do dia. O sol mínimo não era o suficiente para penetrar a densa floresta.

As quatro carruagens reais seguiam em uma fila ordenada, marcando a neve fofa conforme elas se aproximavam da Casa Black. Cada carruagem era ladeada por guardas montados a cavalo, que protegiam a família real em sua viagem ao campo que prosseguia em uma velocidade segura através da inóspita estrada.

Depois de muito insistir, usando todo o seu poder de persuasão sobre o marido, a princesa havia conseguido convencer o príncipe de levar toda a família para uma temporada de férias em Kent.

O aniversário de Renesmee já se aproximava e Rachel queria fazer uma surpresa à menina. Além do fato que em no máximo uma semana todo o cenário branco começaria a ganhar as mais belas cores da primavera.

— Querida, acho que não foi uma boa ideia virmos com todas as crianças para Kent. — Paul disse após aninhar a filha gêmea de apenas dois meses nos braços. Ela dormia em um sono profundo, tinha acabado de mamar no seio da mãe há poucos minutos. — Poderíamos ter deixado às crianças aos cuidados das amas, sobre a supervisão de minha mãe. Ela iria adorar, sem contar que a tarefa iria distraí-la. — ressaltou. —Talvez devêssemos ter trago somente Elliot e Ellen, que são os mais velhos. A viagem é muito sacrificante para os menores. — referia-se aos gêmeos nascidos há dois meses e aos dois filhos menores, de um pouco mais de um e dois anos de idade.

— Que nada, meu amor. — Rachel ergueu o rosto, que observava o outro filho gêmeo mamando com força em seu seio, para fitar sorridente o marido. Ele se derretia com o sorrido dela. A princesa sempre amamentava os filhos, por mais que sempre tenha tido uma ama de leite para ajudá-la na árdua função de amamentar os filhos. — As crianças amam o campo. Elas precisavam sair do ambiente de luto do palácio. Elas precisam de vida! Os gêmeos precisam respirar o ar puro. Não seria justo com os pequenos só trazermos os mais velhos. — ponderou eloquente.

— Mas a viagem está sendo muito sacrificante. — replicou o príncipe preocupado com o bem estar da esposa e dos seus filhos. — Levamos um dia e meio de viagem, quando geralmente gasta-se metade de um dia. Tivemos que parar por diversas vezes devido às crianças, passamos a noite em hospedagens, que por mais que seja de muito boa qualidade, não estava à altura de abrigar a família real. Sem contar que olha o frio que está fazendo. — Paul enumerou todos os motivos de sua preocupação, ressaltando o clima pesado do fim do inverno.

— Bobagem, meu amor. As crianças estão muito bem agasalhadas, não passam frio. Eles estão adorando a aventura. Elliot falou que é a viagem encantada para a terra mágica. — a princesa sorriu ao falar. Mais uma vez ela usara de sua imbatível arma para dissolver toda a preocupação do esposo. — Estão eufóricos para rever o Jacob, eles amam o tio. Sem contar que adoram a Renesmee, vão querer brincar com ela no campo. — Rachel tocou com a ponta do dedo enluvado a bochecha gordinha do filho que ainda mamava com vigor em seu seio. O pequeno Henry era o único que tinha puxado os traços de sua família. — Não poderíamos deixar de vir prestigiar o aniversário de quinze anos da Renesmee. Tenho planos promissores para ela. Dessa vez o Jacob não vai me impedir. — falou com determinação. — Já estamos chegando! — mudou subitamente de assunto assim que olhou através da janela da esplendida carruagem e constatou que muito ao longe já começava a avistar o início das terras do irmão Duque.

O príncipe nada mais disse, apenas sorriu. Rachel era a única pessoa no mundo que tinha a incrível capacidade de persuadi-lo sempre.

Paul era um homem sério, observador e calado, muito perspicaz e inteligente. Ele sempre mantinha a postura imponente e até arrogante perante aos demais, mas a esposa e os filhos eram os únicos que lhe tiravam facilmente o sorriso.

O resto da viagem seguiu em silêncio, agora faltavam poucos metros.

~*~

As criadas corriam pelos imensos corredores e subiam na mesma velocidade à escadaria de acesso ao segundo pavimento da mansão Black, tudo passou de calmo para total agitação em poucos minutos. Os aposentos precisariam está impecavelmente prontos para a chegada da família real.

Elizabeth não teve tempo de se recompor do choque em saber que Renesmee estava grávida do Duque, ela precisava exercer toda a sua habilidade como governanta. Tinha que delegar a função que cada um dos criados deveria cumprir para que tudo estivesse pronto para quando a princesa chegasse com a família.

Jacob também não ficou parado se lamentando, ele subiu correndo para avisar a Renesmee da chegada de Rachel em poucos minutos. Ele precisava passar as últimas instruções de como sua poupée deveria se comportar diante do príncipe e da princesa. Nem Paul nem Rachel poderiam sequer desconfiar do segredo deles.

Não que o Duque fosse inocente ao ponto de acreditar que fosse possível esconder a gravidez de Renesmee por muito tempo, mas Rachel e Paul poderiam descobrir somente depois deles já terem casado. Seria muito mais fácil de suportar suas crises.

— Vamos, Ma poupée? — Jacob estendeu uma das mãos para a ruiva, que se mantinha com os olhos sobressaltados pela notícia da ilustre visita. — Não tenha medo, tudo dará certo. Rachel só não pode inventar de te levar em uma modista ou notar a intimidade entre nós. — Jacob tentou passar uma segurança para a menina que nem ele acreditava ter perante aquela situação.

— Sim. — Renesmee sorriu e ficou na ponta dos pés, selando rapidamente os lábios ao do amado. — Vamos descer juntos? Preciso primeiro arrumar os meus cabelos. — avisou após findar o beijo e passar as mãos pelos longos fios ruivos.

Após o desjejum Renesmee tinha voltado para o seu aposento e ido deitar um pouco. Estava sentindo-se enjoada e um pouco tonta, mas isso ela não contaria para o Duque. Renesmee não queria preocupá-lo, sabia que logo iria passar. Aquilo agora lhe acontecia com certa frequência.

— Não, Ma poupée. — esclareceu, acariciando carinhosamente a face angelical da menina. — Descerei na frente. Assim que estiver pronta você desce. — agora foi Jacob que capturava com fervor os lábios da amada, trocando com ela um beijo apaixonado. — Estás linda! — disse antes de tocar uma última vez o rosto de Renesmee, deixando o quarto da pupila logo em seguida.

A Jovem ruiva suspirou apaixonada com a declaração do amado, mas logo seguiu para a penteadeira, precisava escovar e arrumar os cabelos. Ela estava nervosa com a chegada da princesa, mas ansiosa para revê as crianças e conhecer o novo casal de gêmeos que nascera.

Quando Renesmee desceu a larga escadaria principal da mansão não avistou ninguém no saguão, todos já deveriam estar formando a fila de funcionários no pátio externo da casa.

E lá estava o Duque em sua postura grandioso, à frente da fila, como o senhor da casa.

Ela se postou também à frente da fila, porém um pouco atrás do Duque e na frente de Elizabeth. Aquele era o lugar destinado a ela como pupila.

Jacob imediatamente sentiu a presença da menina em suas costas, mas não olhou para trás. Não poderia mostrar sua vulnerabilidade perante todos os criados.

— Meu Deus! — Jacob murmurou muito baixo quando viu a comitiva real parando na frente da escadaria do pátio principal da sua propriedade.

O mensageiro não havia exagerado quando informara que toda a família real, com exceção do rei e da rainha, estava a caminho. O Duque descartou qualquer dúvida que pudesse ter com relação em quem estava vindo lhe visitar quando ele avistou as quatro carruagens parando.

A primeira porta a se abrir foi a da carruagem que estava por último na fila. Por ela desceu o Valete do príncipe, já descarregando algumas bagagens. Alguns criados também ajudavam a descarregar o veículo destinado as bagagens da família. Depois foi a vez das outras duas da frente, onde desciam duas amas e as quatro crianças maiores. E por último, a que estava na frente da comitiva, era a do herdeiro ao trono da Inglaterra.

Paul foi o primeiro a descer, em seus braços trazia um embrulho rosa bem protegido. Com a ajuda de um cavaleiro Rachel desceu logo atrás. Ela também trazia um embrulho nos braços, só que esse era da cor azul.

— Que verdadeira surpresa! — saudou o Duque.

— Fico imensamente feliz em lhe vê e saber que realmente consegui surpreendê-lo, meu irmão. — Rachel sorriu afavelmente. — A viagem foi longa e um pouco cansativa, mas não poderia deixar de vir. Onde está a nossa debutante? — Rachel procurava com o olhar por Renesmee perto da fila de criados. Enquanto isso Jacob cumprimentava o cunhado e brincava com os sobrinhos. — Olha a senhorita aí! — sorriu quando viu a ruiva no topo da escadaria.

— Estão transferindo o palácio real para Kent? — o Duque brincou baixinho com o cunhado, não podia nem sonhar de Rachel escutar.

Os criados não paravam de descarregar as carruagens, eram muitos baús.

— Coisas da minha princesa. — Paul sorriu ao olhar as dezenas de bagagens e para a esposa que alegremente já subia os degraus.

— Meu Deus! — Rachel parou em frente à Renesmee, observando-a melhor e mais de perto.

Estava chocada com as mudanças físicas da menina, que agora estava mais para uma jovem mulher.

— Como você cresceu e mudou. Está mais linda do que nunca. Papai ficaria muito orgulhoso se pudesse lhe ver assim tão crescida. — a princesa tinha os olhos marejados. — Olhe meu amor, venha vê como Renesmee cresceu! — gritou para o esposo.

— Nossa! Como está linda. — elogiou sincero o príncipe. — Com certeza, é a segunda dama mais linda de toda a Inglaterra. A primeira é Rachel, em minha opinião. — ditou orgulhoso.

Rachel sorriu pelo elogio apaixonado do marido, todavia não conseguia desviar a sua atenção para outro lugar que não fosse Renesmee. Ela havia mudado absurdamente. Cresceu, botou corpo de mulher, suavizou os traços infantis, mas sem deixar de perder o ar angelical. Ela seria o diamante da temporada quando estreasse nos bailes londrinos.

Todas as mudanças eram muito significativas, contudo a princesa conseguia captar algo muito além do físico. Renesmee notoriamente amadureceu no comportamento. Ela permanecia impenetrável, mas ainda sim havia um brilho diferente que Rachel não sabia identificar.

— Rachel, vamos entrar. — sugeriu o Duque segurando as duas sobrinhas no colo. Agarrado em suas pernas estavam os outros dois sobrinhos. — Está frio aqui fora. Não fará bem para as crianças. — Jacob estava preocupado não só com os sobrinhos como com sua poupée. Os lábios dela estavam arroxeados.

— Oh, claro! — concordou desviando a atenção da ruiva e avistando a governanta. — Bom dia, Elizabeth. — sorriu amável para empregada que ajudou a criá-la. — Irei precisar que disponha de duas ou três criadas que gostem de crianças. Só trouxe duas amas na viagem, vou precisar de mais ajuda para cuidar dos meus preciosos. Além de Annie, que sempre fica como minha aia quando estou em Kent.

— Claro, Vossa alteza. — Elizabeth fez uma reverência à princesa. — Annie está a sua disposição como aia. Irei selecionar com esmero as melhores criadas para cuidar de seus preciosos. — disse amável.

— Obrigada, Lizzi. — Rachel agradeceu a governanta. — Vamos entrar? Temos muito que conversarmos.

Rachel e Paul foram saudados pela fila de criados que estava no pátio a espera deles. Jacob seguiu junto com os sobrinhos empoleirados em seu colo. Renesmee fez menção de pegar a pequena Eloise — de pouco mais de um ano — no colo, mas recebeu um olhar repreendedor do Duque. Jacob não queria que ela pegasse peso de jeito nenhum.

Renesmee não teve tempo de questionar a Jacob o porquê não poderia pegar uma pequena criança no colo, precisou guardar o questionamento para depois, apenas manteve-se em silêncio enquanto Rachel subia com ela até o patamar dos hóspedes onde um grande aposento sempre era preparado para o casal real.

A princesa tagarelava sobre como Renesmee estava linda e o sucesso que faria entre as damas da alta sociedade. As criadas que Rachel havia solicitado a Elizabeth já havia prontamente conduzido as crianças para a ala infantil de forma bastante ágil. Após Annie — a aia preferida de Rachel — chegar até ela — na frente do quarto destinado ao príncipe e a princesa —, Renesmee finalmente estava livre de toda a pressão inocente que a princesa exercia sobre ela, lhe moldando para ser introduzida na exigente sociedade londrina e principalmente na incontestável corte inglesa.

Jacob por sua vez deu atenção ao cunhado por alguns minutos, até que ele também decidiu recolher-se para se assear e descansar antes do almoço, afinal a viagem cansou a todos.

Aproveitando a reclusão temporária da família real, Jacob arriscou-se bastante e adentrou o quarto de Renesmee através do antigo quarto de Katherine.

Ma Poupée? — Ele chamou pela pupila com voz mansa, porém perto demais, assustando-a.

— Jacob! Que susto. — Renesmee bradou levando a mão ao peito. A ruiva mudava sua roupa para algo mais apropriado para a tarde que esquentava.

Ela se encontrava ainda em seus trajes de baixo.

— Perdoa-me, ma poupée. Não tive a intenção. Estás bem? — disse o Duque se aproximando até poder repousar as mãos em sua cintura.

— Sim. Apenas estou me trocando para o almoço.

— Deixe-me ajudá-la. — se ofereceu o nobre.

Logo ele terminou de arrumar o corpete da menina, nada apertado, claro. E então falou enquanto a ruiva se adornava com uma linda musselina cor de pêssego com mangas fofas:

Poupée, não se esqueça de que não pode mais apertar o corpete, isso machuca o bebê. — Renesmee apenas anuiu. — Alias não utilize nada que aperte sua barriga ou os seus seios. E não pode pegar peso, Amor. Isso é irrestritamente proibido. — advertiu serenamente.

O rosto de Renesmee esmoreceu.

— Nem a pequena Victoria? Ela é tão pequena e frágil... – ponderou a ruiva.

— Nem mesmo ela, meu amor. — respondeu o nobre — Por favor, Renesmee, não me desobedeça. — aconselhou ternamente. — Não podemos arriscar. Gravidez é coisa séria, poupée. — demarcou, embora carinhoso, ele foi firme com as palavras e abraçou a menina em seguida.

Renesmee ainda estava um pouco confusa com tudo o que estava acontecendo. Não imaginou que a gravidez fosse algo tão difícil de levar. Até o momento ela sentia-se tão bem, até mesmo com os enjoos e mal-estar, ela estava sentindo-se bem.

Jacob, por sua vez, tinha muito medo, pavor de uma gravidez! Ainda mais da mulher que amava, pior ainda, ela sendo tão frágil como era.

Gestações em sua maioria eram complicadas e Jacob temia a todas, presenciou o pior dos casos. Sentia-se destruído só por pensar que algo pudesse acontecer a sua poupée ou a seu bebê.

— Amor, lembre-se de não falar nada com ninguém sobre isso e nem deixar que alguém a troque. A sua barriguinha está notável sem os tecidos do vestido. — ele reforçou os avisos anteriores.

Renesmee anuiu. Jacob a soltou e a fitou, mergulhando naquele lago cristalino nos olhos dela.

— Sei que está confusa, mas aos poucos vou lhe mostrar tudo o que deve saber. Pedirei a Elizabeth que...

— Elizabeth? — a menina sobressaltou-se.

—Ela sabe de nós, poupée. — ele contou e a ruiva arregalou os olhos claros. — Ela descobriu sozinha. — esclareceu — Mas a senhorita Winslet também a ama, não contará nada a ninguém. Ela poderá te ajudar a entender melhor a gravidez. —argumentou ele acariciando as bochechas rubras e termas da menina.

Renesmee mantinha sua opinião exposta no rosto. O Duque então suspirou.

— Eu prometo que lhe ajudarei o máximo que eu puder. — disse inclinando- se para ela e lhe beijou o topo da cabeça em seguida. — Eu te amo. — sussurrou antes de selar seus lábios ao dela. — Preciso ir para assear-me para o almoço. — Jacob falou ao afastar-se.

— Está bem, eu já vou descer.

O Duque deixou sua pupila e amada no quarto terminando de se aprontar. Assim que fechou a porta do quarto da ruiva — com toda a cautela – após olhar para os dois lados do corredor, ele deu um passo à frente, porém Elizabeth fez uma curva no patamar aparecendo em seu campo de visão.

A governanta ainda não tinha digerido a história da gravidez, o casamento, então, era algo remoto. Contudo ao ver o patrão imaginou que ele saía do quarto da filha de Katherine e isso trouxe tudo à tona em sua cabeça. Ela achava que Renesmee fosse somente um caso para o grande nobre, mas devido às novidades recém-descobertas, ela percebeu que poderia estar enganada. Ela estava na dúvida até onde aquilo era bom e até onde podia ser ruim.

— A menina... — Elizabeth começou a indagar cautelosamente, mas parou quando o Duque fez menção de falar.

— Ela está bem, está se aprontando para o almoço. — informou o nobre bastante sério. — A propósito, como anda a refeição desta tarde? Digna de nossas altezas?

— Sim, Vossa graça. — respondeu a governanta cordialmente, mas a sua preocupação com Renesmee era algo palpável.

— Não se preocupe com a senhorita Wood, eu mesmo lhe direi caso algo esteja fora do normal. Por esses dias, se dedique inteiramente a perfeita estadia da família real na Casa Black. — demandou o nobre muito sério e ao final apenas deu um breve sinal para a governanta seguir seu caminho.

~*~

Enfim o aguardado dia havia chegado. Há quinze anos uma bela menininha ruiva vinha ao mundo pelos sacrifícios de uma mãe, que infelizmente o cruel destino não havia permitido que contemplasse aquela data. Renesmee hoje era uma belíssima debutante.

Com esmero toda casa foi preparada e decorada para a ocasião, era uma exigência do nobre proprietário.

A comemoração decorreria por todo aquele dia. Primeiro teria um almoço formal, à tarde chá completo com as crianças e à noite um jantar de gala.

— Este cordeiro está divino. Mande os meus parabéns à cozinheira, senhorita Winslet. — Rachel elogiou, maravilhada com a refeição que terminara — Permita-me dizer que desconfio ser melhor que o do palácio. Não concorda, querido? — indagou ao príncipe.

Paul após sorver um pouco do vinho concordou com um aceno de cabeça.

— Espetacular! Gostaria que ela também cozinhasse para nós. — o príncipe comentou tirando um sorriso de Elizabeth, que estava perto da mesa. Ela, com certeza, contaria isso à cozinheira. — Obrigada pela refeição, Jacob. ­— em seguida o monarca agradeceu.

— É a senhorita Elizabeth que cuida de todas essas coisas. — o Duque respondeu simpático.

— Sim! Ela deveria cuidar para nós no palácio, também. — comentou Rachel.

— Alteza, primeiro quer levar minha cozinheira, agora minha governanta! Estou ficando assustado. — gracejou o Duque.

— Fique calmo, querido irmão, vou me contentar em levar somente a doce Renesmee para brilhar em Londres. — a princesa replicou animada e sorridente.

Embry — que havia sido intimado a comparecer na festividade pelo Duque — deu um ataque de tosse, porém bebeu um pouco de água e assegurou a todos que estava bem.

— Não irá levá-la. — Jacob retrucou, então, de forma cadenciada e segura.

Rachel o fitou, contrariada, e logo observou a menina comer tão silenciosa e minimamente, parecendo estar alheia a conversa.

— Não gosta de cordeiro, Renesmee? — a princesa perguntou despertando a atenção da mais nova.

— Sim, gosto muito. Mas hoje não estou com muita fome. — justificou e sentiu-se aliviada, pois a princesa pareceu aceitar a resposta.

Por outro lado, a verdade era que o molho estava deixando-a um tanto enjoada, mas nada alarmante, porém não a deixava se concentrar muito no paladar — o qual adorava—.

— É sempre bom comer bastante carne, vai te deixar cada vez mais com a aparência saudável. — sorriu afável para a aniversariante. — Falando nisso, está de parabéns, querida. Você chegou esplendida aos quinze anos. Até Paul reconheceu. Não foi, querido?

— Sim. A Senhorita Wood, belíssima. Será um diamante entre as mais belas de toda temporada londrina, não acha Jacob?

— Sim. Ela está muito bonita. — o nobre limitou-se a dizer.

Não gostava nada do rumo da conversa. Outra vez se encaminhavam para o tópico “Renesmee em Londres para um casamento”.

— Acredito que essa temporada será ótima para Renesmee se acostumar com os ares além de Kent. — Rachel recomeçou enquanto aguardavam a sobremesa.

— Renesmee não irá debutar em Londres nem esse ano, nem no próximo. — assinalou o Duque ligeiramente arrogante.

— Por quê? — Rachel indagou esmorecida, ignorando o ar chateado de seu irmão.

— Não quero que saia do campo, ainda. Não está na hora!

— Pois ela precisa sair o quanto antes daqui, isso é um campo! — contestou a princesa de forma impaciente. — O que Renesmee terá como opção aqui para marido? Baronetes, Barões ou Viscondes velhos e bigodudos, todos de pança larga e saliente? Por Deus, Jacob! Sabemos que o único nobre respeitável daqui é você, meu irmão. E vossa graça, com certeza, não está no catálogo para matrimônio da Senhorita Wood. — Rachel argumentou eloquente e tomou um pouco de sua bebida enquanto Embry tossia — mais uma vez pelo susto — e Renesmee — alarmada — arregalava os olhos para Jacob.

Por sua vez o Duque se mantinha impassível aguardando o fim do discurso da irmã, ela fazia menção de continuar.

— Em Londres haverá grandes Marqueses, Condes, Nobres respeitáveis e de grande fortuna... A maioria deles, ainda em plena juventude. Renesmee merece o melhor. A corte precisa vê-la como a grande dama que é. — finalizou o discurso com um amplo sorriso, estava convencida que tinha usado os seus melhores argumentos para convencer o irmão.

Jacob sentiu todos os olhares sobre ele, inclusive o doce e terno de sua poupée. Ele ignorou a sensação de soco no estômago que as palavras da irmã lhe causaram; “Renesmee merece o melhor”.

De fato ela precisava ser respeitada na corte. Todo aquele castelo estava prestes a desmoronar, caso ele não se cassasse com ela antes da barriga despontar. Por fim, ele apenas respirou fundo e pegou sua taça de cristal.

— Não vejo motivo para tanta pressa, Rachel. — o Duque falou calmamente após bebericar o seu vinho. — Renesmee ainda é bem jovem e adora o campo. Ela está completando hoje quinze anos e ama viver em Kent. Por que antecipar tudo?

— Isso é verdade, Alteza, não anseio sair daqui. — Renesmee se pronunciou muito tímida, mas a veracidade das palavras estava em seus olhos, além de sua expressão comovente.

Rachel liberou um riso ruidoso e ligeiramente jocoso, porém o sorriso que conservava nos lábios era puramente carinhoso para com a menina ruiva que a encarava.

— Não conhece Londres, os bailes, o palácio... Toda a agitação da alta sociedade é deslumbrante. O campo é ótimo, admito, mas nada como ostentar sua alta posição na sociedade. E você, senhorita, é muito nobre. — declarou com firmeza a princesa — É pupila do Duque de York e Cambridge! Nem a filha do Conde de Sussex recebeu tão boa educação.

— Rachel! — ralhou o marido moderadamente.

— Desculpe-me, Lorde Call. Não me entenda mal. Caroline é uma lady exemplar, mas vejo em Renesmee uma dama sem igual. — se redimiu com sinceridade.

O Marquês, no entanto dispensou a situação com um sorriso e aceno de cabeça. Mesmo que amasse a esposa e que a ofensa lhe doesse — o que não aconteceu —, Rachel era futura rainha! Poderia criticar a quem quisesse.

— O que quero dizer é que Renesmee merece ser uma Lady! Merece circular entre as mais importantes pessoas e frequentar a corte. Como vocês não conseguem vê o rosto de princesa que ela tem? — Rachel prosseguiu tentando demostrar a lógica que tanto lhe parecia gritante aos olhos.

— Não temos mais em Londres príncipes em idade matrimonial. Você se casou com o último, minha irmã. — descontraiu Jacob.

Todos gargalharam com a brincadeira do Duque, até a princesa sorriu.

— Jacob, perdoe a sua irmã. Rachel ainda está sensível pelo parto, está ainda mais falante. — o príncipe Paul falou baixo para o cunhado do seu lado oposto da mesa.

Jacob apenas sorriu e bebeu mais um pouco do seu vinho. Rachel sempre tentava persuadir a todos, ele estava acostumado com isso desde criança. Rachel era muito obstinada.

— Será que só eu sou sensata aqui? — ela sondou se sentindo derrotada.

— Querida, Jacob é quem precisa decidir, ele é o tutor. Além do mais, a Senhorita Wood precisa querer nos acompanhar. Temos bastante tempo ainda. — Paul a contestou com cuidado, não queria magoá-la.

Rachel sondou a ruiva com o olhar, Renesmee não parecia está animada para partir. Os olhos da princesa, portanto, já não eram mais tão vivazes como no início da conversa. Ela suspirou desanimada.

—Eu sei.

— Renesmee não irá a Londres até que eu decida que seja o momento certo. — o Duque reforçou taxativo, não deixando brecha para mais ninguém se pronunciar contra sua decisão.

~*~

O sol no seu momento mais alto estava fraco, derretendo a neve das janelas e dos jardins lentamente. Renesmee repousava em seu quarto. Ela estava deitada lendo um romance escocês. Quando ouviu as batidas em sua porta, suspirou, fechou o livro e permitiu que entrassem.

— Atrapalho, meu anjo? — a voz maternal da princesa invadiu o quarto.

Atrás dela, vieram três criadas trazendo uma pilha alta de caixas e embrulhos. Renesmee levantou-se e reverenciou a princesa.

— Oh, não precisa se levantar! Sente-se, querida, vim apenas presenteá-la. — Rachel anunciou e também se sentou na cama da menina.

Renesmee sorriu e, em seguida, as criadas depositaram todos os embrulhos ao redor da pequena mulher. Rachel, ao seu lado, pegou o primeiro embrulho.

— Não precisava se incomodar, Alteza. — disse acanhada a ruiva. — Já me presenteou com belos trajes no Natal. O Duque me entregou tudo assim que chegou a Kent. Espero que tenha recebido a minha carta em agradecimento.

— Dispensadas. — a princesa liberou as criadas e logo desembrulhou o que tinha em mãos. — Recebi sim a sua carta. Fiquei feliz em saber que tudo lhe serviu e que gostou. Você merece muito mais! — respondeu assim que se viu a só com a jovem.

—Vossa Alteza, é lindo! — Renesmee falou encantada com a peça que ganhara.

Era uma musselina branca com bordados franceses, muito parecidos com modelos que Rachel usava.

— Ficará lindo em você. Encomendei com a minha modista. Olhe os sapatos em conjunto!—comentou a princesa, depois tirou da caixa uma linda sapatilha branca de bordados dourados.

— Muito obrigada, Alteza! — Renesmee sorriu largamente, adorando seus presentes.

— Há mais aqui! — a mais velha disse animada desembrulhando outras coisas e fascinando a ruiva.

Eram peças sofisticadas, de tecidos finos, modelos adultos. Havia chapéus, luvas, meias de seda e sapatos incluídos, tudo combinando.

— Não pude escolher adequadamente o seu presente no natal, estava proibida de sair do quarto ou me exaltar. Você já sabe de tudo o que aconteceu. O que Jacob trouxe como presente de Natal foram apenas algumas peças que pedi para que minha aia encomendasse no ateliê em meu nome. Não pude escolher pessoalmente como gosto. — a princesa suspirou se desculpando. — Entretanto, agora, já pode experimentar, estou ansiosa para ver como tudo ficará lindo em você. — ela bateu palmas, empolgada com a atividade iminente.

Já Renesmee sentiu um pânico a dominar, as palavras de Jacob vieram à tona.

— Gostaria de não ter que experimentar agora. Perdoe-me, Alteza. — Renesmee declarou ligeiramente nervosa e levantou-se indo até a janela.

Aquilo chamou a atenção da princesa.

— Está tudo bem, querida?

— Sim! Só prefiro que veja algum dos vestidos no jantar. — Renesmee respondeu com um mínimo sorriso. — Perdoe-me. Eu adorei todos, de verdade.

— Mas... — Rachel olhou os muitos presentes na cama.

— Eu amei cada presente, princesa, mas não quero experimentá-los agora. — respondeu a jovem. Ela torcia as mãos enquanto falava e mordia os lábios.

— Tem vergonha de mim? — Rachel questionou com um sorriso complacente.

— Um pouco. — a ruiva admitiu e abaixou o rosto enrubescido. Além de tudo, aquilo também era verdade.

A princesa anuiu compreensiva.

— Bom, já que é assim... — Rachel analisava minuciosamente a jovem a sua frente à medida que pensava — Posso saber com qual pretende ir no jantar? — perguntou amistosa.

Renesmee a olhou e percebeu seu olhar avaliativo, mas ignorou e respondeu:

— O azul claro. — referia-se a um vestido de noite de veludo, destacaria seus olhos. Jacob sempre falava que azul lhe caia muito bem.

— Ótima escolha. Use os sapatos brancos. — Rachel sugeriu e Renesmee concordou. — Venha querida. Sente-se aqui. — Rachel indicou o divã para que se sentassem. — Como tem passado Renesmee?

A menina estranhou um pouco a pergunta, franziu levemente a testa, todavia não tardou a responder.

— Bem, Alteza.

— Tem lidado bem com as mudanças recentes? Lembro-me de ficar apavorada quando reparei que — Rachel chegou mais perto da menina para sussurrar — meus seios cresciam. — Renesmee sentiu a face queimar. — Elizabeth explicou tudo o que eu deveria saber; inclusive a senhorita Katherine. Sua mãe ajudou-me a entender melhor muitas dúvidas que tinha. Minha tia Maristela falou-me sobre casamento, claro, mas Katherine amenizou o meu pavor assim que eu... — Rachel parou de falar e refletiu um pouco.

Fitou os olhos azuis curiosos, ansiosos e ligeiramente assustados. A princesa respirou profundamente.

— Renesmee, já ouviu falar sobre as regras? — indagou cautelosa. A ruiva oscilou levemente e mordeu os lábios. Aquele não era um dos assuntos que só deveria tratar com Jacob? Questionou-se mentalmente. — Elizabeth não lhe disse nada sobre isso? — Rachel continuou diante o silêncio da menina — Quando eu tinha mais ou menos a sua idade, ela alertou-me sobre os sangramentos. — a princesa sussurrou outra vez — naquele lugar proibido, lá embaixo. É normal quando nos tornamos mulheres e quando não estamos grávidas. Na verdade, é isso que indica que deixamos de ser criança e já somos adultas, prontas para casar e ter filhos. — Renesmee tragou a saliva a seco e percebeu o peito acelerar, era um assunto perigoso. Porém a princesa não percebeu suas reações. — A senhorita Winslet foi bem amável e cuidadosa, explicou-me tudo corretamente, não creio que nunca a tenha alertado sobre isso. Inclusive disse que quando acontecesse a mim, que eu contasse imediatamente a ela. — ela então sorriu — Mas corri e acabei contando para a sua mãe, acredita? — ela soltou um riso. — Tinha a imagem de Katherine sempre tão maternal, sabe? — comentou a princesa.

Renesmee abaixou o olhar e passou a mexer nas pregas do seu vestido.

— Oh, desculpe-me! O que quero dizer, é que eu quero saber se você já teve o seu primeiro sangramento? Já passou por isso? — a princípio a princesa se enrolou na pergunta, mas terminou calmamente.

A menina então balançou a cabeça dizendo que não.

Rachel sorriu compreensiva. Talvez aquela não fosse à hora, ela não se sentia tão preparada assim para falar sobre aquilo com a ruiva. Quem sabe dali a alguns dias, depois que passasse o aniversário da garota, ela voltasse a tocar outra vez no assunto.

— Bem, acho que vou pedir a Elizabeth para mandar servir o nosso lanche da tarde. — a princesa disse se levantando. — Será servido na ala infantil, tudo bem para você? Não abro mão de tomar o chá da tarde com as crianças. — anunciou e emendou. — Digo, nós tomamos o chá e as crianças leite. — sorriu.

Rachel tinha ficado um pouco desconsertada com a conversa. Toda dama nobre era criada para ter o mais rigoroso pudor ao falar, todo assunto íntimo era quase proibido.

Renesmee deu um ruidoso riso.

— Está muito alegre. Bonita e saudável, Renesmee! — Rachel observou realmente admirando a ruiva. — Vamos, as crianças vão gostar de estar com você. —acrescentou.

Renesmee ainda sorridente assentiu.

E assim, à medida que o sol era encoberto por leves nuvens que nublavam à tarde, as crianças se aglomeravam para o lanche na sala de refeições da ala infantil da mansão.

Logo que Renesmee chegou foi golpeada pelos abraços carinhosos de Ellen e Elliot. Os pequenos Edgar e Eloise também pediam pela atenção da ruiva, apenas os bebês não se manifestavam.

A pequena Victoria foi logo entregue nos braços da mãe para ser alimentada. Já o guloso Henry mamava com força o seio da ama de leite. A princesa sozinha não conseguia dá conta da fome dos gêmeos, sem contar o fato de que os menores — Edgar e Eloise — ainda mamavam.

Por fim, a pequena Eloise pirraçou até conseguir sentar-se no colo da ruiva. Renesmee com receio, por causa da conversa com o Duque, dissimulou o seu pavor e orou mentalmente para que nada acontecesse ao seu bebê por aqueles minutos que teve a pequena menina de um ano e meio em suas pernas.

— Alteza, Henry já adormeceu. Quer que eu termine de amamentar a pequena Victoria? — a ama perguntou para Rachel, pois estava acostumada em servir a princesa e as crianças.

— Não há necessidade, ela já está sonolenta, logo dormirá — a mãe falou fitando os olhinhos claros da filha já pesarem, a pequena Victoria começava a cochilar.

Como parte do decoro, as duas mulheres cobriam os seios com o pano branquíssimo enquanto amamentavam.

— Meus irmãozinhos comem muito. Toda hora eles choram querendo mamar. — comentou um pouco rabugenta a mais velha da princesa. A pequena menina estava sentada ao lado de Renesmee e se inclinava para ela.

A ruiva riu do comentário inocente.

— São bebezinhos pequenos, acredito ser normal. Lembro-me da senhorita, quando pequenina, comendo muito também. — respondeu Renesmee sorrindo ternamente para Ellen.

— Todos os bebês comem demais. — intrometeu-se Rachel chamando a atenção da ruiva. — E engana-se se acha que passa rapidamente. Elliot mamou em meus seios até os três anos. Disputava com Ellen, que era bebê na época. Edgar me parece estar seguindo o mesmo caminho, já está com dois e meio, mas antes de dormir e quando acorda quer mamar. É fome que não tem fim... E logo eles estão com sono e você precisa niná-los... — a princesa suspirou. — É gostoso de fazer, mas é desgastante. — completou sorrindo cansada.

— Gosta de ser mãe, alteza? — a voz doce de Renesmee perguntou espontaneamente.

Além de Rachel, a ruiva também se surpreendeu com a pergunta, havia sido tão natural. Rachel após a surpresa — não era do feitio de Renesmee perguntar algo, raramente respondia diretamente o que lhe perguntava —, ela respondeu, então:

—Amo ser mãe. Com certeza essa é a melhor coisa que já fiz na vida. Gostaria de ter mais uns dois filhos, mas Paul ficou traumatizado no parto dos gêmeos. Acho que vamos parar neles mesmo, a não ser que venha uma surpresa. — Rachel confessou sorrindo. Renesmee sentiu o peito inflar, seu coração desenfreou. —Mas requer muita dedicação, amor, paciência... — explicou por fim.

A ruiva tinha um brilho encantado no olhar, contudo sua face mostrava uma ligeira hesitação. Renesmee começou a se questionar se estava preparada para todos os deveres que observava Rachel cumprir a tantos anos.

— Não se preocupe, querida, será uma ótima mãe quando chegar a hora. Sempre a vejo tão carinhosa e cuidadosa com os meus filhos. Será uma excelente mãe. —declarou a princesa.

Aquilo tranquilizou Renesmee, que controlou sua vontade de manifestar sua alegria.

A tarde não poderia ter passado mais tranquila e agradável, Renesmee estava feliz por está cercada com crianças.

~*~

Já era noite e o frio vigoroso dominava todo o campo, mas o calor do ambiente aquecia os ocupantes do amplo salão. Tudo estava decorado de forma sofisticada e luxuosa. Diversas flores cultivadas na estufa da propriedade adornavam os numerosos vasos de cristais espalhados por todos os lados. O cheiro era maravilhoso. Todos os castiçais foram acesos e os criados — naquela noite — trajavam os uniformes de festa.

Era a noite da festa do aniversário da pupila do Duque que ali morava. Era o jantar em comemoração aos quinze anos de Renesmee. Tudo tinha que esta deslumbrante aos olhos da debutante. Era a ordem expressa do atual Duque.

Risadas podiam ser ouvidas, elas vinham do grande salão de jantar. Todos que estavam à mesa vestiam-se de forma impecável. A aniversariante estava belíssima em toda a sua magnitude.

Renesmee usava os trajes de sua escolha, porém o cabelo e maquiagem havia sido sugestão de Rachel, era bem simples e elegante. Sua boca estava em um tom mais vermelha que o natural e seus cabelos estavam presos, mas cachos caíam ao redor de seu rosto e nuca. A cor bronze e viva de seus fios — incrivelmente —brilhava mais naquela noite.

Embry, Jacob e Paul compartilhavam histórias divertidas da adolescência que passaram confinados no colégio Eton só para nobres rapazes. Rachel apenas achava graça, assim como Renesmee.

A mais nova se limitava a sorrir timidamente.

Todos tinham degustado de um maravilhoso banquete de jantar e agora saboreavam como sobremesa um delicioso bolo confeitado. Renesmee já havia apagado as velas e feito o seu mais secreto pedido. Que fosse para sempre feliz ao lado do seu Duque amado.

As crianças não participavam do evento exclusivo para adultos, àquela hora elas já dormiam aos cuidados e supervisão das amas.

— Tive uma ideia! Vamos todos para o salão pêssego. — Rachel deu um salto da poltrona.

Todos concordaram em se dirigirem para o grande salão em anexo ao salão de refeições principal da mansão. Eles já haviam terminado de comer seus bolos e estavam satisfeitos.

Aquele salão era usado para festas, ele também havia sido minuciosamente decorado.

— E qual seria a sua ideia, Querida? — Paul indagou assim que chegou ao salão (junto com todos) observando a esposa caminhar até o piano.

— Toca para nós? Quero ajudar Renesmee à valsa. — falou ela empolgada e emendou — Eu dançarei com Jacob e Renesmee pode dançar com o Marquês? — Rachel olhou do irmão para Embry.

Ela como princesa e uma mulher casada, não poderia dançar com o Marquês em uma festa íntima, no entanto o Duque precisava concordar com a dança de Embry e Renesmee.

— Rachel, eu não sei se é uma boa ideia... — Jacob começou a contestar, tomando cuidado para disfarçar seu desconforto, tanto com a exposição de Renesmee, como em vê-la dançando com outro homem.

— Será rápido, Black. — tentou amenizar Embry.

— Não vejo necessidade. Renesmee não entrará no mercado matrimonial. — elucidou o amigo ligeiramente rabugento.

— Jacob! — Rachel horrorizou-se. — Quero que Renesmee vá a Londres ainda esse ano, para poder prepará-la, para que no próximo ela seja considerada a diamante da temporada! — a irmã do nobre declarou firme e empinou o nariz para ele.

Faltou pouco para o Duque soltar fogo pelas narinas, estava visivelmente irritado com o assunto.

Timidamente Renesmee — até o momento, sentada no sofá — se ergueu e decidiu interrompê-lo com sua voz terna e calma.

— Vossa graça, é só uma dança. Tenho certeza que a princesa esperará seu consentimento para que eu vá para Londres. — ela dizia com um singelo sorriso o fitando nos olhos, embora eles estivessem em uma distância considerável naquele salão.

Jacob respirou fundo e, derrotado, assentiu a dança.

Logo o príncipe começou a tocar no piano uma linda valsa. Rachel embalava-se animadamente com seu irmão e instruía a dança da ruiva com o Marquês simultaneamente.

—Vê? Renesmee é uma ótima dançarina. Isso é muito importante em um baile, atrai bons partidos. — comentava a princesa.

Embry conduzia a jovem com todo o cuidado, evitando o máximo de contato e aproximação, sobretudo movimentos bruscos. A todo tempo fitava o amigo, que por sua vez não tirava os olhos da ruiva que se embalava perfeitamente.

— Agora os giros. — Rachel demandou em bom tom e automaticamente seu irmão a girou com excelente habilidade.

— Irei girá-la lentamente, está bem, Senhorita? — perguntou o Marquês sorrindo. Era difícil não observar e se encantar com a beleza estonteante da ruiva.

Renesmee estava gostando de dançar e aquiesceu, logo repetindo os movimentos de Rachel. Por umas cinco vezes o ritual se repetiu, no entanto ela percebeu o chão oscilar de repente.

— Ai! — ela murmurou e apenas o Marquês ouviu.

— Senhorita? — o loiro começou a apavorar-se e segurou com mais força a jovem em seus braços.

—Ai. — Renesmee gemeu outra vez.

Ela sentiu as pernas fraquejarem.

— Senhorita! — Embry bradou alarmando a todos, pois a menina deitava a cabeça em seu peito ao mesmo tempo em que amolecia em seus braços.

— Renesmee! — Paul, Rachel e Jacob gritaram ao mesmo tempo e correram até a menina desfalecida nos braços do Marquês.

Poupée! — Jacob gritou desesperado, tirando-a dos braços do amigo. —O que fez, Call? — explodiu.

— Nada, Black! Ela caiu de repente.

— Coloque-a no sofá. — instruiu a princesa, visivelmente preocupada. — Querido, me dê o seu lenço e uma taça com água.

Imediatamente Paul retirou o lenço do bolso e pegou a taça na mesa lateral, entregando para a esposa. Rachel molhou o pano e entregou para o irmão, que parecia muito nervoso.

— Tome, Jacob. Passe esse pano molhado na testa dela.

Prontamente ele obedeceu, mas as mãos estavam trêmulas. Jacob estava a ponto de chorar em desespero.

— Call, você a rodou rápido demais. Você sabe que ela não pode. — acusou o Duque ao amigo. Ele havia sentado no sofá, porém mantinha a ruiva em seu colo.

— Jacob, é melhor chamar um médico. — sugeriu o príncipe, preocupada com a menina desacordada.

— NÃO! — ditou firme, ignorando os olhares surpresos da irmã e do cunhado. ­— Poupée, acorde. Vamos! Abra seus olhos para mim. — suplicou com o pano frio na testa dela. A ruiva começava a recuperar a cor dos lábios, antes pálidos. — Renesmee, acorde!

— Jacob. — Renesmee chamou fracamente. A visão ainda estava turva e as vozes para ela pareciam muito ao longe.

— Isso, Ma poupée. — Jacob incentivou eufórico. — Olhe para mim! — pediu mais uma vez.

Lentamente as pálpebras oscilantes da ruiva se firmaram e sua visão ganhou foco e ela pode vislumbrar a face preocupada do amado.

— Graças a Deus! — Jacob beijou, em alívio, o topo dos cabelos ruivos.

— O que aconteceu? — a garota perguntou com a voz fraca. Ela não estava entendendo nada o que ocorria.

— Você desmaiou! — Rachel adiantou-se em responder. Ela tinha a face séria ao falar, os olhos estavam semicerrados olhando para o irmão com a menina no colo. — Está melhor, meu anjo?

— Sim. Estou bem. — disse tentando reerguer o corpo, no entanto Jacob a segurava com desespero nos braços. Ele temia soltá-la.

— Chamem Elizabeth. Vou levar Renesmee para o aposento dela. — Jacob não esperou uma resposta, ele simplesmente ergueu a garota em seu colo e deixou o salão sem olhar para trás.

Embry olhou do Duque — com a ruiva nos braços— para o casal real. Eles haviam trocado um olhar significativo, a expressão deles se mantinha muito séria. Ali o Marquês soube que o amigo estava perdido. Naquela noite a casa Black viria abaixo!

Notas finais
E aííí? Quem está roendo as unhas para saber como Rachel e Paul irão reagir a essa BOMBA! Vossa Graça está com um probleminha, né? Ou seria um PROBLEMÃO? Rsrsrs Nós estamos ansiosas. Aguardamos os comentários de vocês. Postaremos com 25 comentários e/ou uma recomendação. Então? Ansiosas para o próximo. Beijos e abraços, Jenny e Daaay