Notas iniciais
Olá amadas, mil perdões por nossa demora! Acontece que estávamos atoladas de trabalho! Fim de ano chegando a vida passa a ser ainda mais corrida! Nos desculpem mesmo!! Agradecemos aos muitos comentários. Lindos e em breve responderemos a todos. Recebemos também lindas recomendações, amamos!!! Obrigada! Vamos dedicar o capitulo a Layla Noblat e Larah Magalhães! Pelas lindas palavras ao recomendarem! =D Estamos muito felizes com o retorno de vocês! E agora sem mais delongas, vamos ver a princesa Rachel colocando ordem na Casa Black hahaha. Boa leitura! ;)

No silêncio absoluto — e um pouco perturbador — do amplo salão os dois nobres estavam sentados, um de frente para o outro, nas confortáveis poltronas de couro. As posturas relaxadas não refletiam o estado de humor dos cavalheiros, cada um fazia uma nova análise do último acontecimento.

Embry evitava olhar de todas as formas possíveis o futuro rei da Inglaterra. Já Paul analisava cada respiração que o marquês soltava. Muito se tinha a especular, porém nada poderia ser confirmado. Havia somente especulações sobre o que ocorreu e o que realmente acontecia no interior dos muros de pedra da mansão em Kent.

— Vamos beber uma dose de conhaque? Acho que o momento é bem propício. Não acha meu caro Marquês? — convidou o príncipe.

Paul estava atento a tudo ao seu redor, seu lado mais observador estava extremamente em alerta.

— Claro, Vossa Alteza Real. — o Marquês prontamente aceitou o convite, que mais soou como uma intimação que qualquer outra coisa.

O tom usado pelo membro da realeza deixava bem claro — apesar de muito educado — que havia uma ordem implícita.

Bastou Paul levantar apenas um dedo para que imediatamente o seu valete — que aguardava em silêncio no canto, ao lado da porta do amplo salão, a qualquer momento para ser solicitado — entendeu o comando.

Com habilidade e destreza impecável o homem pegou uma garrafa de cristal com conhaque e serviu dois cálices, entregando em uma bandeja de prata a bebida para os dois nobres.

Embry não ousaria em negar um convite tão direto do príncipe, no entanto se resguardou em silêncio. A primeira palavra com certeza não partiria dele; isso ele afirmou a si mesmo. Qualquer coisa que pudesse vir a dizer poderia comprometer o amigo Duque. Não cabia ao marquês contar tal segredo.

Porém o príncipe não disse absolutamente uma única palavra. Paul parecia distraído ao contemplar o paladar marcante da saborosa bebida e a coloração tão concentrada. O príncipe apenas inalou profundamente o aroma da bebida e sorriu antes de virar mais um gole através dos lábios.

Embry sabia que estava sendo estudado em cada gesto, mas seguiu calado. Aparentemente também apreciava o sabor do ótimo conhaque, porém sempre que lhe era possível fitava o príncipe de esguelha.

Quando o Marquês achou que enfim seria confrontado pelo futuro Rei, a presença marcante da bela dama adentrava imponente pelo salão.

Rachel apesar de caminhar em uma postura muito ereta, sua cabeça estava baixa. Ela olhava para as próprias mãos e divagava consigo mesma. A princesa ainda pensava em cada acontecimento da noite, diante do ocorrido com Renesmee, Rachel começou a rever os acontecimentos daquele dia, se atentando para os detalhes.

Ela estava confusa e queria muito entender o que realmente estava acontecendo.

— Aparentemente, está tudo bem com a senhorita Wood. — adiantou-se em contar a princesa. Ela deu um longo suspiro. — Jacob está muito preocupado, se nega a sair do lado dela. Ele e Elizabeth não me deixaram ficar para ajudar nos cuidados com a senhorita Renesmee. Disseram que eles cuidarão de tudo. — ela suspirou e se sentou no sofá — Interessante vê como Jacob está tratando tão bem a pupila do papai. Nunca achei que ele teria tanto jeito para cuidar de uma moça tão jovem. — Rachel lançou um olhar profundo para o marido. Ambos imediatamente fitaram intensamente o marquês.

Embry sentiu-se totalmente desconfortável com o assunto abordado pela princesa. Ele sabia que ela queria chegar a algum ponto crucial. Para disfarçar o bolo salivar que engolia em seco, o marquês levou a taça do conhaque aos lábios e sorveu uma boa porção da bebida.

— Ah! Que distração a minha. — Rachel balançou a cabeça de um lado para outro e levou a mão na testa de forma quase teatral. — Com todo esse contratempo, não tive o prazer de conversar melhor com o marquês. — ela sorriu enigmática para Embry. — Com vai a sua saúde, Lorde Call?

— Estou ótimo, Vossa Alteza. Graças a Deus! — Embry respondeu prontamente, apesar de ter estranhado o questionamento sobre sua saúde.

— Perdoe-me pela terrível indiscrição — a princesa lhe lançou um sorriso amável, mas no nobre causou um frio na espinha. Embry conhecia Rachel o suficiente para saber que ela nunca mantinha uma conversa sem um objetivo final. Ela queria extrair algo específico dele. — Mas notei que durante o jantar o caro lorde tossia repetidas vezes. Fiquei preocupada com o seu bem estar. — o sorriso do Rachel se ampliou.

Embry arregalou os olhos azuis e ficou levemente corado. Imediatamente desceu o olhar e tragou mais um gole do conhaque.

O príncipe permanecia no mais absoluto silêncio. Ele somente observava cada gesto e atitude do nobre loiro.

— Foi apenas um leve resfriado que peguei na outra semana. — Embry contou de forma breve. Ele não fitava os dois membros da realeza que o encarava. — Mas já estou quase reestabelecido por completo. Só algumas tosses eventualmente. Garganta seca! — ergueu o cálice e bebeu novamente. Ele tentava dissimular o nervosismo com o questionamento.

— Imagino que Caroline tenha ficado extremamente preocupada em deixá-lo viajar por essas estradas tão frias. — lançou um olhar perspicaz. — Ela é uma esposa sempre tão zelosa. — ironizou. Rachel odiava Caroline. — Entretanto o que está me preocupando é o fato do meu amado irmão solicitar a sua presença em Kent. Ele está com problemas sérios na propriedade? Paul pode ajudá-lo. — sugeriu sagaz.

— Meu caro cunhado sempre poderá contar comigo. Somos uma só família. — limitou-se em dizer o príncipe. Ele deixaria a esposa conduzir aquele jogo de gato e rato.

— Está tudo ótimo em Kent. — Embry se adiantou em tranquiliza-los. — Kent sempre foi uma propriedade muito próspera.

— Então seria outro — enfatizou a palavra — motivo que os trouxeram a Kent? — Rachel tinha uma das sobrancelhas arqueada de forma arrogante.

— Eeer... Não! Estou acompanhando o Duque nessa viagem, pois vim finalizar a venda de algumas terras que tinha comprado há algum tempo em Kent. — Embry gaguejou no início, mas conseguiu inventar uma boa desculpa a tempo. —Talvez aproveitemos para caçar.

— Que bom saber! — Rachel ajeitou a postura, ficando ainda mais ereta ao lado do marido. — Lembro-me sempre que papai dizia que onde tinha o meu irmão, lorde Call e lorde Ateara, com certeza havia fumaça e um enorme incêndio. — lembrou com um leve risinho. — Fico me perguntado; que incêndio está acontece agora em Kent? — a princesa levou o dedo indicador até a ponta do queixo, o olhar estava fixo no Marquês. Então mais uma vez lançou aquele sorriso que dava medo no nobre.

Foi inevitável a tosse nervosa que Embry deixou escapar. Ele já começava a ficar vermelho.

— Querido, ajude ao lorde Call! — Rachel pediu aparentemente preocupada, porém tudo não passava de uma encenação. O príncipe sabia.

Paul levantou calmante do sofá e foi até as costas do Marquês e deu algumas leves tapinhas. Ele lançou um sorriso sarcástico para o nobre.

Embry soube ali que eles não iriam descansar até descobrir tudo o que estava acontecendo bem debaixo do teto da grande mansão de campo do Duque.

— O que está havendo aqui? — Jacob perguntou assim que entrou no amplo salão, se deparando com o amigo Marquês vermelho e o príncipe dando tapinhas nas costas dele.

— Ah, aí está você! — Rachel disse irônica, uma sobrancelha estava erguida em um arco. — Chegou bem na hora de ajudar o Marquês a responder minha complexa pergunta.

— Que seria? — Jacob olhou intensamente para Embry. Esse mostrou um sorriso encabulado.

— Estava contando para o nosso estimado Marquês que papai sempre dizia que quando juntava você, ele e lorde Ateara, podia-se ter certeza que havia muita fumaça e um grandioso incêndio!

— Papai dizia isso? Eu não sabia. Porém Ateara não está aqui. — Jacob esclareceu fingindo o desentendimento que não tinha.

— Mas que cabeça a minha! Ando tão esquecida. — balançou a cabeça de forma negativa. Rachel repreendeu-se. — O bebê de Lorde e Lady Ateara nasceu pouco antes de deixarmos Londres. É um belo varão.

— Ateara deve está radiante com o herdeiro! — Embry, já recomposto da crise de tosse nervosa, comentou casualmente.

— É o que toda Londres está dizendo. — Rachel buscou a mão do marido, segurando-a com carinho. — Mas voltando ao assunto, não precisa que lorde Ateara esteja presente para haver fogo. Vocês dois juntos já causam um grande estrago! — afirmou. — Então me pergunto: onde é o incêndio, Jacob?

O Duque fechou os olhos e respirou fundo. Sabia que a irmã gêmea era perspicaz demais para deixar passar qualquer mínimo detalhe despercebido. E quando isso raramente acontecia, sempre tinha Paul para observar por ela.

Jacob estava em um beco sem saída. Rachel já sabia que algo acontecia, porém provavelmente não tinha noção do que seria e nem sua proporção.

— Rachel, sem esse seu astuto joguinho de perguntas e respostas. — o duque cortou a irmã indo direto ao ponto. Só ele era capaz de falar tão diretamente com a futura rainha. Nem Paul ousava testar o gênio da esposa. — Conheço-lhe desde sempre. Sei que quer chegar a algum lugar. Seja direta, não precisa me submeter aos seus jogos.

— Que assim seja, meu caro Duque Black! — Rachel guardou o belo sorriso de aparência meiga. Na mesma hora ela ficou muito séria. — O que está acontecendo com Renesmee?

Jacob já temia internamente pelo questionamento que a irmã faria, mesmo assim manteve a sua expressão impassível.

— Acho que já está na hora de me recolher. Com licença. — Embry levantou no momento em que viu a chance de escapar do confronto entre os irmãos.

— Pode sentar aí, lorde Call! — a ordem estava explícita nas palavras da princesa. — Estou esperando, lorde Black!

— Ela é frágil. Não tem se alimentado direito e devido aos giros da dança, ela desmaiou. — disse o duque de forma bem evasiva. — Ela está de repouso. Elizabeth está cuidando dela agora. Tudo ficará bem. Acredito que amanhã ela já esteja à mesa para o almoço.

— Isso tudo eu já sei, Jacob. Acho que preciso reformular a pergunta, pois não obtive a resposta que buscava. — Rachel cruzou a perna e juntou as duas mãos sobre o joelho, alisando desnecessariamente a saia do lindo vestido. — O que está acontecendo entre você e a senhorita Wood? Por que ficou mais claro que água que vocês estão íntimos... E não como tutor e pupila!

Embry não esperou a crise de tosse entregar algo, ele já tinha o cálice sendo virado rapidamente por garganta abaixo.

Jacob se empertigou na poltrona. Ele tentava disfarçar o desconforto pelo confronto, então decidiu declarar:

— Eu decidi que o melhor para mim e para a senhorita Wood, será casarmos...

— O QUÊ? — Rachel e Paul disseram juntos, interrompendo a fala do Duque.

— Posso concluir? — Jacob perguntou sarcástico.

— Não um absurdo como este! — cortou a princesa.

— Por que seria um absurdo? — indagou com arrogância. — Eu sou considerado o melhor partido de Londres desde que me tornei viúvo. Preciso casar-me novamente e gerar herdeiros. Renesmee é bastante jovem, terá uma longa idade fértil. É linda e muito bem educada, totalmente aceitável para assumir a posição de uma duquesa. Nosso pai não poderia desejar um partido melhor para a sua pupila. Estarei cumprindo o maior desejo dele de vê Renesmee bem casada com um importante nobre. Todos ganharão com essa união. — Jacob disso apontado a sua lógica. Ele tentava disfarçar o sentimento, não queria se entregar tão fácil.

— Ainda assim é um absurdo! — Rachel disse histérica. Sua voz suave havia elevado alguns tons a mais. — Você não é apropriado para Renesmee. Já está velho para ela!

— Rachel! — Paul repreendeu a esposa de forma sutil, porém firme.

— Não mais que Paul era para você! — retrucou ofendido o duque. — A sua diferença de idade em relação ao príncipe é de dez anos. A minha para a de Renesmee são de treze. Apenas três anos a mais. — apontou a irrelevância do argumento da irmã. — Como se não fosse comum o fato de Lordes muito mais velhos se casarem com jovens na flor da primavera!

— Ele tem razão, minha querida! — Paul levou uma mão aos ombros da esposa, olhando intensamente para ela. — Jacob é o melhor partido que qualquer dama poderia desejar para esposo. Não há tanta diferença de idade, na verdade é até insignificante. Todos estarão lucrando com essa união. O desejo do meu finado sogro será realizado. Renesmee estará encaminhada na vida, será uma duquesa. — elucidou.

— Realmente, essa é a melhor opção. — opinou sem ser convidado o Marquês.

Rachel olhou com espanto para os três nobres em sua presença, ela estava visivelmente contrariada.

— Será possível que eu sou a única que reconhece isso como um disparate?

— Rachel, isso é bastante possível e lógico, até mesmo Vossa Alteza percebeu o quanto isso dará certo, aceite a situação. Você mesmo insistiu em saber. — o Duque reforçou.

A princesa após um minuto repassando os argumentos dos nobres suspirou vencida e respondeu:

— Tudo bem, mas agora faremos da minha forma. Levarei Renesmee comigo para Londres, iremos apresentá-la para a sociedade como a pupila de papai que agora está sobre a minha responsabilidade. Vamos mencionar seu cortejo a ela. Ano que vem, quando ela fizer dezesseis anos, você anuncia o noivado. Aí vocês se casam seis meses depois. Ela já vai ter quase dezessete. — disse eloquente. Jacob balançava a cabeça freneticamente de forma negativa. — Mas se nesse meio tempo ela se apaixonar por algum jovem de posição prestigiada, deixaremos que ela faça a própria escolha.

— NÃO! — cortou o duque já enciumado. Renesmee era dele. Além do fato que eles não tinham mais todo esse tempo, logo a barriga dela cresceria e não seria mais possível ocultá-la. — Me casarei com a senhorita Wood em no máximo um mês, não tenho todo esse tempo. Já estou velho, como você acabou de ressaltar. — ditou com escárnio.

— Deixa de ser absurdo! — retrucou a princesa. — Não seria de bom tom você se casar com menos de um ano que se tornou viúvo. Ainda está de luto. Além do fato de Renesmee ainda ser jovem demais para o matrimônio, o ideal é esperar que ela tivesse pelo menos dezesseis.

— Essa regra não se aplica aos lordes, somente as ladies. — Embry intrometeu-se novamente.

— Verdade, querida. O marquês tem razão. — Paul reforçou o coro. — Mas acho que o ideal será esperar Renesmee ter uma temporada na sociedade. Enquanto isso ela pode morar conosco no palácio. Ser vista pela sociedade.

— Não! Já está decidido. Me casarei com a senhorita Wood em um mês no máximo, iremos esperar somente o tempo de correr com os proclames. Estou até cogitando solicitar uma licença especial para casarmos antes. — objetou o duque.

— Concordo com o caro amigo Duque. — Embry ergueu-se e foi pegar mais conhaque, servindo aos nobres. Rachel degustava de um licor de pêssego. — As temporadas na sociedade servem para as jovens serem vistas e escolhidas por um bom cavalheiro. Senhorita Wood já tem um excelente partido, é só oferecermos uma festa para oficializar a união. — o marquês tentava ir ao resgate do amigo, dando sempre uma opinião favorável.

— Absurdo! Não há motivo para ter pressa. — Rachel começou a falar, mas parou subitamente. Imagens lhe invadiram a mente como enxurrada. A enorme mudança física e de comportamento de Renesmee, o tratamento íntimo que o próprio irmão expôs ao chamá-la de sua bonequinha em francês, a forma que a menina o chamou tão intimamente pelo nome de batismo. Nem ela como irmã tinha esse costume. Rachel, portanto foi ficando pálida, sua taça foi ao chão, se espatifando em milhares de cacos. — Eu acho que vou desmaiar! — suas pernas já perdiam forças, levando-a de encontro ao chão.

— Rachel! — chamou com desespero o príncipe. Paul que fazia as mesmas conjecturas que a esposa, viu sua mente se nublar quando olhou Rachel sem cor na face, os lábios estavam brancos. — Fale comigo, meu amor! — pediu com desespero.

Jacob e Embry tinham levantado em um rompante de suas poltronas. Eles transbordavam preocupação.

Antes que algum criado pudesse ser chamado, Rachel já abria os olhos. Havia sido somente uma síncope.

— Por que o motivo da pressa, Jacob? — ela sussurrou, contudo no silêncio absoluto do salão, todos ouviram muito bem.

— Quero me casar logo. Preciso gerar herdeiros, garantir a minha linhagem. — confessou o duque um tanto incomodado. Desconfiava que a irmã já tivesse descoberto o seu segredo.

— Por que você quer se casar tão depressa? — repetiu pausadamente a pergunta. — Diga! — gritou de forma nada refinada para uma princesa.

— Já falei, Rachel! — replicou o duque.

— Você precisa gerar herdeiros ou você gerou um herdeiro? — acusou a dama com os olhos em fenda cravados no irmão.

— Como? — perguntou sobressaltado o príncipe. Embry virou a bebida de uma única vez, seus olhos estavam arregalados. — Você engravidou a senhorita Wood?

— Não! Só quero casar logo. — mentiu descaradamente.

Rachel sabia quando Jacob mentia. Ele desviava o olhar para algo irrelevante. Era o que agora ele fazia: Olhava a bebida dentro do cálice.

— Papai deveria tê-lo transformado em um eunuco! — vociferou a princesa. — Meu Deus! Você desonerou a pupila do papai. E nem venha com a história que ela fez joguinhos de sedução com você, Renesmee é só um menina, ou pelo menos era. — acusou sem piedade o irmão.

— Eu a amo! — o Duque confessou em alto e bom tom. — Eu descobri o amor ao lado dela. Vou me casar com ela, vou transformá-la em minha duquesa. Tudo isso porque amo Renesmee como jamais amei uma mulher.

Rachel, Paul e até Embry arregalaram os olhos com a confissão do Duque. Todos estavam sem palavras.

A princesa o fitava nos olhos, ela via a sinceridade nos olhos do irmão. Ela o conhecida bem demais. Rachel viu que não foi um ato libertino, Jacob não seduziu a jovem por leviandade, mas porque encontrou o amor.

— Você a ama? — perguntou incrédulo o príncipe.

— Eu a amo como jamais imaginei ser capaz de amar uma mulher. — confessou olhando diretamente nos olhos do cunhado e da irmã. — Eu não queria que tivesse acontecido, não queria descobrir o amor com a pupila do meu pai que hoje está sobre a minha responsabilidade. Ela era só uma criança há pouco tempo, por outro lado não pude evitar. Quando percebi já estava amando. Renesmee e o meu filho, que ela carrega no ventre, passaram a ser prioridade na minha vida. Eu os amo demais, farei tudo por eles. — o duque deixou o corpo desabar sobre a confortável poltrona. Apoiou os cotovelos nos joelhos e enterrou a cabeça entre as grandes mãos. — Eu estou apavorado com tudo isso. Tenho medo de perdê-la. Eu não vou conseguir passar por tudo de novo, não com a mulher que amo. — confessou.

— Jacob! — Rachel tinha os olhos mareados quando tocou ternamente os cabelos negros do irmão. — Não vai acontecer de novo, você não merece. É um homem bom, merece ser feliz.

Rachel abraçou o irmão para confortá-lo por incontáveis minutos. Paul e Embry se mantinham em silêncio. Jacob confiava muito neles para se abrir perante eles.

— Como Renesmee está agindo sobre tudo isso? — a princesa questionou após o longo silêncio. — Ela me parece tão imatura para estar grávida. Ela tem conhecimento de como tudo será?

— Não! Ela está feliz porque terá um bebê, mas não tem noção da profundidade que tudo isso envolve. Irei esclarecer tudo aos poucos. — explicou Jacob.

— Jacob, ela precisa de uma conversa na visão feminina. — ditou categórica. — Serei eu a ter essa conversa com ela. — determinou Rachel que soltou o irmão do abraço e ergueu o corpo da poltrona.

— Rachel, aonde você vai? — Paul antecipou-se. Conhecia a esposa bem demais para saber que ela era impulsiva, às vezes.

— Deixe-a descansar. Amanhã vocês conversam. — sugeriu o duque já com preocupação. — Elizabeth está cuidando dela.

— Elizabeth sabe? — perguntou alarmada a princesa. — Quem mais sabe, além de Elizabeth?

— Ninguém. — esclareceu o duque. — Somente nós e a senhorita Winslet.

— Ótimo. Fica mais fácil de manter a situação em sigilo. Elizabeth sempre foi discreta e de inteira confiança para o papai. — ressaltou a lady.

— Ela ama demais a Renesmee. Tem ela como uma filha. Ela guardará qualquer segredo. — tranquilizou Jacob.

— Éeer... Eeee... Jacob? — Rachel gaguejava ao tentar pronunciar a pergunta. Ela já tinha as bochechas rubras pela vergonha. — Eeeer... Quando tudo aconteceu? Quer dizer, você tem certeza que Renesmee está carregando um filho no ventre ou acha que ela pode está carregando? — na mente da mulher só vinha a conversar que teve com a menina ruiva no dia anterior.

Renesmee disse que não sangrava. Seria por causa da gestação ou ela mentia? Esse era o questionamento interno da princesa.

— Ela já está carregando meu filho no ventre. — afirmou com segurança.

— Então ela já está com pelo menos três meses? Você retornou a Kent tem uma semana e ficou ausente por quase três. Não teria como você já ter certeza. — concluiu o raciocínio de forma alarmada. — Meu Deus! Temos que agir logo antes que a barriga desponte ou antes que seja notório para qualquer dama.

— Ainda está bem pequena. — segredou Jacob. — Mas já dá pra sentir ao toque. A própria Renesmee não tinha notado a diferença. Não será tão fácil para qualquer uma dama perceber.

— Como você sabe? Nós damas temos olhos apurados para isso! Logo será notório, um escândalo. — replicou sobressaltada a princesa.

— Como você pode ter tanta certeza que logo a barriga dela se tornará visível?

— Será que é porque eu já passei por isso cinco vezes? — respondeu sarcástica. As sobrancelhas estavam arqueadas de forma arrogante. — Praticamente toda dama sabe reconhecer uma grávida. Logo isso estará visível em Renesmee. O casamento tem que ocorrer logo, precisamos pensar em um plano. Algo infalível, que justifique o ato. Caso contrário, todos saberão que Renesmee casou já de barriga. Ela ainda é jovem, casou-se às pressas e teve um bebê menos de nove meses depois. Será um escândalo, ela será evitada pelas famílias mais conservadoras. — Rachel proferia inquieta, o tom de suas palavras e sua face refletiam claramente sua preocupação.

— Fique calma, querida. — Paul abraçou a esposa. Ela tremia pelo nervosismo. — Se tem alguém nesse mundo que é capaz de tramar um plano infalível, esse alguém é você. — beijou os fios negros e sedosos. — Vamos descansar por hoje, amanhã com a mente mais tranquila tenho certeza que pensará em algo.

— Acho que já tivemos muitas emoções por hoje. — completou o marquês, já se levantando da poltrona.

— Tem razão. — concordou o duque. — Estou exausto, mas ainda preciso vê como está a minha Pou... Renesmee. — Jacob se deteve antes de pronunciar mais uma vez o apelido íntimo de sua amada.

— Vou me retirar para os meus aposentos, amanhã será um longo dia. — Rachel também se ergueu com o marido da poltrona. — Tenho um incêndio para apagar amanhã! — contorceu a face em uma careta nada aceitável para uma lady. — Agora só me resta saber qual é o incêndio do caro marquês! Sei que também há um em sua vida, e desconfio que aconteça aqui em Kent também! — sorriu sugestiva para Embry.

O nobre arregalou os olhos. Ele sabia que nada ficava oculto para a princesa. Quando ela estava determinada a descobrir algo, ela simplesmente descobria.

Embry tentou relaxar. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria que contar sobre a sua vida dupla. Só assim poderia contar com a ajuda dela para conseguir comprar o título para o filho bastardo.

Talvez a implicância que a princesa tinha com a sua Marquesa fosse ajudá-lo a conseguir o que tanto queria. Transformar a família bastarda em nobres aceitáveis. Embry sorriu com isso.

~*~

O sol acabava de nascer no céu cinzento, ele ainda brilhava timidamente. A manhã não estava tão fria, era última semana do inverno.

Lentamente o gelo e a neve — trazidos pelo rigoroso inverno — sucumbiam ao brando calor. A vida e o verde, novamente, voltavam a aparecer nos belos jardins de Kent.

Era começo da manhã, muitos ainda dormiam nos luxuosos quartos do interior da Casa Black. Entretanto a princesa Rachel tinha a cabeça borbulhando de ideias, não havia nem conseguido dormir direito.

— Pode apertar mais, Annie! — instruiu a princesa a aia que apertava seu corpete. — Preciso voltar a caber em meus vestidos. Os gêmeos me deixaram rechonchuda.

— Que nada, Milady! Estás ainda mais bela que antes. — bajulou a jovem criada.

— Você é sempre tão gentil. — Rachel sorriu amável. Através do enorme espelho do quarto de vestir, Annie viu o sorriso oferecido pela princesa. — Mas coloque mais força nesses braços e aperte bem o meu corpete!

Annie imediatamente fez o que lhe foi mandado. De forma firme e vigorosa ela apertava as amarras da roupa íntima da nobre.

Rachel prendia a respiração a cada firme puxada. Ela sempre recuperava a forma física rapidamente depois de cada parto, mas dessa vez ainda faltava um pouco para voltar a caber dentro dos próprios vestidos de forma confortável.

— Obrigada, Annie! — agradeceu após a aia fechar o último botão da musselina de cor rosé e entregar o par de luvas rendadas. — Está dispensada.

— Disponha, milady! — Annie em silêncio fez uma reverência à princesa e deixou o cômodo.

Rachel olhou-se no espelho e ficou satisfeita com o próprio reflexo, sentia-se bela. Ela sempre soube que era bonita e muito admirada, teve muitos galanteios antes de fisgar o príncipe.

— Vamos, Rachel, coragem! — disse para o próprio reflexo. Estava buscando coragem para conversar com Renesmee. — Não precisa temer. Não é como se ela fosse uma jovem completamente inocente. — suspirou profundamente antes de fitar uma última vez o espelho e deixar o quarto de vestir.

Em silêncio Rachel caminhou pelo longo corredor até chegar à ala onde ficavam os aposentos da menina.

— Bem conveniente! — reclamou contrariada ao ficar diante da porta do quarto da ruiva. Ele ficava apenas quatro portas à frente dos aposentados do próprio Duque.

Rachel tocou a madeira maciça com determinação, ficando satisfeita com o barulho causado. Em um segundo a porta foi aberta.

— Vossa Alteza! — cumprimentou com uma reverência a governanta. — Em que posso ajudar? Está necessitando de algo? — perguntou com preocupação Elizabeth.

— Renesmee ainda dorme?

— Não, Vossa alteza. A senhorita Wood já acordou há algumas horas, mas permanece deitada. — Elizabeth limitou-se em dizer.

Não contaria que Renesmee havia acordado muito enjoada aquela manhã, que tinha colocado para fora até o que não tinha no estômago. Ela ainda não sabia se a princesa já tinha conhecimento da secreta gravidez.

— Ótimo! Preciso conversar com ela. — Rachel não precisava de um convite, ela saiu entrando no amplo aposento, deixando Elizabeth parada do lado de fora. — Bom dia, minha querida! — disse alegremente para a menina pálida deitada na cama. — Como está se sentindo esta manhã? — compadeceu pela situação da ruiva. Em três das suas cinco gestações, Rachel teve muitos enjoos.

— Melhor, Alteza! — Renesmee respondeu com a voz fraca. — Logo descerei para o desjejum à mesa. — esforçou-se pra mostrar um bem estar que não tinha, sentou- se lentamente.

— Nada disso, senhorita. Ficará na cama deitada de repouso, hoje trarei o seu desjejum no quarto. — Elizabeth interveio. — São ordens do Duque. — olhou firme para a menina.

Renesmee apenas anuiu. Jacob estava muito cuidadoso com ela. Tinha a proibido de levantar até mesmo da cama.

— Meu irmão já esteve aqui? — questionou com interesse.

— Sim, alteza! Veio verificar se a senhorita Wood estava melhor do mal estar de ontem à noite. — respondeu prontamente a governanta.

— Claro! — ponderou com lógica.

Um pequeno silêncio seguiu por um curto tempo. Ninguém pronunciava absolutamente nada.

— Com licença. — Elizabeth quebrou o silêncio. Ela fez uma reverência na direção das duas damas. — Irei deixá-las a só por um momento. Vou providenciar uma bandeja com o desjejum da senhorita Wood. — explicou-se.

— Fique, Elizabeth. — ordenou em tom suave, a princesa. — Precisarei da sua ajuda para o assunto que irei conversar com Renesmee.

— Claro, alteza. Se assim deseja. — concordou prontamente a senhorita Winslet.

Rachel então se sentou na poltrona que estava posicionada ao lado da cama. Ela não sabia, mas foi ali que a governanta havia passado a noite inteira zelando pelo sono da menina.

Elizabeth tinha aconselhado o próprio duque de não dormir ali. Poderia ser flagrado por algum criado, isso comprometeria a teórica honra da ruiva.

A governanta teve que jurar diante do duque, que cuidaria a noite toda de Renesmee.

Elizabeth estava postada de pé ao lado da cadeira que a princesa havia sentado.

— Sente-se, Senhorita Winslet. — sugeriu Rachel. Renesmee só observando tudo calada. Estava com a sensação de que algo iria acontecer. — Acredito que a conversa será longa.

Sem protestar a governanta pegou a cadeira da escrivaninha e colocou ao lado da poltrona que Rachel ocupava

— Renesmee. — Rachel coçou discretamente a garganta. — Precisamos conversar sobre as mudanças que estão acontecendo com você.

Renesmee e Elizabeth arregalaram os olhos.

— Não precisa se incomodar, Milady. — antecipou-se em dizer a ruiva. — Creio que eu já saiba o que necessito.

— Engano seu, meu anjo. — Rachel replicou firme, mas ainda mantinha o olhar terno e até mesmo maternal para a menina. — Você ainda não sabe absolutamente nada do que te espera para o futuro. — suspirou. — Jamais irei culpá-la pelo o que aconteceu. Você é a inocente dessa história. Jacob foi o errado, agiu de forma impulsiva e deu no que deu.

Elizabeth ficou pálida com as palavras da princesa. Ela agora tinha certeza que Rachel já sabia da gravidez.

— Eu estou bem. — garantiu a ruiva. Ela ainda não tinha entendido sobre o que Rachel falava.

Apesar da evolução contínua, Renesmee ainda preservava certa inocência em alguns aspectos.

— Você ficará realmente bem. Faremos todo o possível para que nada saia do controle. — afirmou a lady. — Porém você precisa saber o que lhe aguarda de verdade.

Rachel não mencionaria sobre o assunto do casamento ainda. Jacob havia pedido para manter o assunto resguardado. Ele queria fazer um pedido oficial para a jovem primeiro. Renesmee olhou a princesa, um pouco hesitante, ela ainda não fazia ideia de que em breve estaria casada com o duque.

— Por que você mentiu quando disse que ainda não havia sangrado? — a princesa questionou de forma direta e emendou — Seu corpo já é de uma mulher. — seu olhar foi diretamente para os seios pequenos, porém cheios que marcavam a camisola de algodão. — E ele mudará a cada dia. Sua barriga ficará mais saliente, logo não dará mais para esconder. Tem noção que se o duque demorasse, talvez mais um mês, para retornar você estaria arruinada? — olhou complacente para menina.

Renesmee já tinha o rosto em tom de carmim e os olhos mareados pela leve repreensão.

— Não estou lhe repreendendo, Renesmee. O erro já foi feito. No entanto se você tivesse permitido ser orientada por mim, por Elizabeth ou até mesmo a sua aia, talvez isso não estivesse acontecendo. — Rachel falou e limpou a lágrima que descia pelo rosto de porcelana de Renesmee. — Ter um bebê é ótimo, a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma mulher. É uma dádiva concedida somente a nós, porém precisamos cumprir algumas etapas antes. Casar é uma delas. Você carrega um filho que não tem pai diante da sociedade. — o tom da princesa era maternal, mas com um toque de lamentação.

— Meu bebê tem pai sim! — replicou a ruiva magoada.

Rachel e Elizabeth sorriram com pena da inocência da menina. Rachel amaldiçoou internamente o irmão. Teria sido melhor se tivessem o transformado em eunuco.

— Sim, o seu bebê tem um pai. Mas você não tem marido. Isso é errado. É justamente isso que aprendemos a evitar logo que começamos a nos tornar adulta. — a princesa elucidou serenamente — Porém não podemos mais concertar isso. — afagou a mão de Renesmee que estava cruzada sobre as pernas estendidas.

Renesmee fitou as suas mãos sob as de Rachel, imaginando a situação caso realmente tivesse dado a brecha para que lhe instruíssem. Ela pensou por quase um minuto, mas não achou nenhuma forma cabível de rejeitar o Duque que tanto amava.

Enfim a ruiva começava a entender o ponto alto da conversa, que era a magnitude da gravidez.

Logo a princesa lhe roubou a atenção outra vez.

— Eu perdi a minha mãe quando tinha quase onze anos de idade. Foi difícil, ela sempre dizia que estaria comigo em todos os momentos importantes da minha vida, mas infelizmente Deus não quis assim. — Rachel fechou os olhos, puxou lentamente o ar para os pulmões e depois soltou lentamente. Era difícil falar sobre a falta que a figura materna fez em sua vida. — Porém o mundo continuava, ele nunca para. Eu não parei de precisar de uma figura feminina para me guiar, mas eu sabia que não seria a minha mãe. — engoliu o bolo amargo. O choro ameaçava a querer desabar. — Mas quando eu passei pela transição da fase pueril para adulta, quase na sua idade, tive o apoio de muitas senhoras importantes. Elizabeth foi uma. — estendeu a mão para a governanta que prontamente pegou e deu um leve aperto. Elizabeth sorriu ternamente para a princesa. — Katherine foi outra grande dama que teve importante presença em minha transição.

Renesmee já deixava as lágrimas escorrerem pela face de porcelana. Falar sobre Katherine mexia em uma ferida jamais cicatrizada.

— Eu queria a minha mãe agora comigo. — sussurrou em meio ao choro contido.

— Eu sei, querida, eu sei. Eu também quis muito a minha mãe comigo, mas infelizmente isso nunca foi possível. — confessou na intenção de confortar a menina. — Ninguém está aqui para ocupar o lugar que por direito é da sua mãe, mas na falta dela você precisa de alguém para lhe ajudar nessa fase da vida, nesse momento de mudanças. Você já é uma mulher, já carrega um bebê no ventre, no entanto você ainda é uma menina em muitos aspectos. Precisa ser orientada, precisa ser guiada. Eu e Elizabeth estamos aqui para lhe ajudar, lhe esclarecer tudo que será necessário para caminhar nessa sua nova fase da vida.

Renesmee percebeu o peito acelerar, ela não queria ninguém para assumir as funções de Katherine. Ela pirraçava mentalmente! Queria ponderar aqueles assuntos com sua mãe.

— Mas... — Renesmee tentou protestar, porém a princesa não permitiu.

— Agora não se trata de querer, você vai escutar tudo o que temos para lhe explicar! — Rachel adotou uma postura mais firme, sabia como a ruiva era esquiva para certos assuntos. — Jacob já está ciente, ele me pediu que a ajudasse.

A ruiva após o primeiro segundo de surpresa suspirou.

— Tudo bem! — concordou por fim após o nome do Duque ser mencionado.

Rachel e Elizabeth começaram uma longa e esclarecedora conversa com a jovem. Apontaram pontos importantes sobre as mudanças corporais, a gravidez, o parto, amamentação... O papel de uma mulher casada, os seus deveres e obrigações.

Em um determinado momento Rachel solicitou que Elizabeth fosse buscar um conjunto de chá para elas. A conversa que teria com Renesmee não seria conveniente ser falada perante a governanta, afinal, ela ainda não se casara permanecia uma senhorita apesar da idade avançada.

Assim que a governanta saiu a mais velha começou a explicar algumas artes femininas de sedução. Não era nada demais, porém foi o mesmo que a própria Katherine havia feito com a princesa na véspera do casamento dela. Ela sentiu-se na obrigação de passar aquele aprendizado.

Renesmee absorvia tudo com o devido interesse, mesmo mostrando-se tímida para fazê-las. Porém a ruiva não teve coragem de confessar que nunca tivera as suas regras. Agora ela sabia como era e sabia o que exatamente esperar quando acontecesse.

De tudo que conversaram, o que mais deixou a futura duquesa apavorada foi o momento do parto. Contudo Rachel garantiu que daria tudo certo e que todo o sofrimento seria gratificante quando ela segurasse o bebê nos braços.

Quando Elizabeth voltou para o cômodo, as duas damas sorriam ao falar sobre bebês e seus cuidados.

Rachel sorriu ao admirar a postura impecável que Renesmee tinha ao tomar chá. Ela seria uma ótima mãe e esposa, seria uma excelente duquesa. A princesa concluiu satisfeita com a escolha do irmão.

Havia sido um choque. Seria um reboliço na aristocracia, todavia ninguém seria louco o suficiente para excluir Jacob e a esposa do convívio social.

— Já sei! — a princesa disse em voz alta após sorver um gole de chá. Renesmee e Elizabeth a olharam com curiosidade. — Foi só uma ideia, nada demais. — desconversou para as duas que a olhavam intensamente.

Rachel seguiu tomando o chá calmante e conversando, entretanto a verdade era que ela estava eufórica para contar ao irmão sobre a ideia que acabara de ter. Agora ela estava confiante que tudo daria certo.

Annie — a aia que cuidava das necessidades da princesa em Kent — foi até o quarto de Renesmee avisar que o desjejum seria servido no salão das refeições em dez minutos.

A princesa já se despedia da ruiva quando se lembrou de algo importante e vital para que seu plano desse certo.

— Renesmee, eu preciso que se dispa e deixe-me ver o tamanho de sua barriga. Jacob falou que vocês não fazem ideia do tempo da gravidez. — solicitou um pouco acanhada.

Renesmee arregalou os olhos azuis, ela estava com vergonha e medo.

— Querida, precisamos ter uma estimativa de quanto tempo temos para arrumar tudo. — disse amável a governanta. Ela sabia da intenção do duque em casar.

Mesmo muito envergonhada Renesmee tirou a camisola e ficou nua na frente das duas mulheres. Não era a primeira vez que outra pessoa, além de Jacob, a via sem roupas. Muitas vezes teve Marina ou até a própria Elizabeth para auxiliá-la no banho ou na troca de roupa.

Rachel e Elizabeth observaram o delicado corpo de mulher. Seios pequenos, redondos e firmes. Mamilo pequeno e bico ainda inexistente. Cintura ainda fina, mas já pouco marcada. Pernas esguias, porém bem delineadas. E a prova de sua gravidez, o baixo abdômen levemente rígido e saliente.

— Ainda está muito pequeno. Ela está de pouco tempo. — comentou Elizabeth com a princesa. — Provavelmente ela colocará pouca barriga. Isso é bom. — concluiu.

— Sim, é verdade. Porém Jacob se ausentou de Kent por quase três meses. — ponderou eloquente. — O bebê deve ter sido feito pouco antes de ele partir. Vamos considerar que ainda temos seis meses para o parto.

Aquele fato agradou a princesa, mas também a preocupou. E se realmente o bebê viesse antes do tempo, qual desculpa dariam?

Rachel conclui que o plano deveria sofrer alterações. Ela precisaria pensar em uma forma de contornar a falta de tempo que tinham até o nascimento.

— Pode se vestir, meu anjo. — falou a princesa. — Agora descanse. Elizabeth terá o seu desjejum. Vejo que já está melhor, a cor voltou para sua face. — beijou o topo dos cabelos acobreados.

Rachel deixou o aposento da futura cunhada prometendo voltar mais tarde para verificar como ela estava.

~*~

Quando Rachel entrou no salão principal das refeições, os três nobres já a aguardavam sentados à mesa. Com o caminhar elegante e a postura impecável, ela dirigiu-se para o lugar vago em frente ao marido.

Ninguém a questionou, todos tinham conhecimento que a princesa havia passado boa parte da manhã conversando com a futura duquesa.

A primeira refeição do dia seguiu em silêncio, somente algumas palavras eram trocadas educadamente.

— Precisamos conversar. — informou a dama assim que terminou de comer. — Poderia ser em seu gabinete ou na biblioteca? — ela olhava diretamente nos olhos do irmão.

Rachel media cada palavra falada, a sala estava cheia de criados servindo os nobres.

— Claro. — Jacob levantou-se devagar da cadeira. Todos já tinham terminado a refeição. — Se for do seu agrado, nós poderemos conversar agora. Vamos ao meu gabinete.

— Venha, querido. — chamou pelo marido. — Também precisamos de você.

Paul imediatamente levantou-se e foi até a esposa, oferecendo-lhe o braço.

— Vou solicitar uma carruagem e volto mais tarde. Tenho alguns assuntos para resolver. — Embry limpou os lábios com o guardanapo de linho, depositando sobre o prato em seguida e depois ergueu o corpo da cadeira.

— O senhor também, Marquês! — intimou a princesa. — Você também terá grande importância nessa conversa.

— Claro, Vossa Alteza! — Embry não teve como declinar ao convite, ou melhor a intimação implícita.

Ele estava louco para correr para os braços da amada e do filho, porém eles teriam que esperar um pouco. Ele havia sido convocado pela princesa!

Todos os nobres já estavam acomodados confortavelmente nas poltronas do luxuoso gabinete. Rachel ficou admirando a pintura imponente do pai presa a parede enquanto os homens se serviam de um licor.

— Precisamos traçar um plano minucioso para a união do Duque com a senhorita Wood. A data do casório, por mais rápido que possa ocorrer, ainda será uma curta margem de tempo para a data estimada do parto. — Rachel apontou a importância do fato. — Apesar dos sinais da gravidez não serem visíveis, a data do nascimento será uma sentença do fato.

— Eu irei solicitar uma licença especial. — confessou. — Talvez Paul possa me ajudar com esse pedido. — sugeriu Jacob.

— Ainda assim, não será o suficiente para ocultar o nascimento precoce. Todos notarão a data do casório e o nascimento do bebê, não vai bater com o espaço de tempo. — ponderou Rachel. — Renesmee será julgada pelas costas, as ladies a excluirão. Por mais que jamais alguém ouse excluí-los diretamente do meio social.

— Rachel tem razão, caro cunhado. — o príncipe se pronunciou pela primeira vez desde que entrou no gabinete. — Com certeza o seu casamento será muito falado em toda Inglaterra. Sua vida será alvo de fofocas por um bom tempo. Todos fariam uma provável conta que não baterá.

— Além do fato de que devemos considerar que não sabemos exatamente há quanto tempo Renesmee está grávida. O bebê também pode vir realmente um pouco antes. — a princesa disse eloquente.

— Meu Deus! O que farei então? — Jacob passou com desespero as mãos com força nos cabelos negros. — Não posso manchar a reputação da minha duquesa. Todos a julgarão!

— Calma, Black! — Embry depositou a mão no ombro do amigo em sinal de conforto. — Estamos todos aqui para pensar na melhor solução possível para os atuais fatos.

— Na verdade, eu já pensei em um plano poderoso. — Rachel tinha um sorriso malicioso nos lábios bem delineados. — Porém precisará da comoção de todos nós. Cada um terá um papel vital na execução do plano, principalmente o meu caro esposo. — encarou o Paul intensamente.

O príncipe sorriu enviesado. Ele amava a esposa, a forma sempre astuta como Rachel lidava com as mais diversas situações. Ela seria uma boa rainha. Um bom rei precisava ter uma boa rainha ao seu lado.

— Pode contar comigo para qualquer intervenção. — prontamente concordou o futuro rei. — Estarei dando o meu apoio a tudo que me solicitar.

— Obrigada! — Rachel pegou a mão do esposo e beijou ternamente como forma de gratidão. Ele era maravilhoso como marido, pai e amigo.

— Mas qual será o plano? — perguntou com curiosidade latente o marquês. — Contribuirei com o que for necessário independente do que seja.

— Conte-nos, estimada irmã! — incentivou confiante o duque.

— A ideia é bem inusitada, porém eficaz. — olhou para cada um dos nobres presentes na sala. Todos prestavam atenção no que falava. — O plano é o seguinte...

Rachel começou a narrar entusiasmada a ousada ideia que tivera. Jacob e os demais ficaram muitas vezes assustados durante a explicação do plano, porém ele realmente seria eficaz, se todos fizessem suas partes.

Sendo assim todos se esforçariam para manter a imagem imaculada da futura duquesa de York!

~*~

Jacob permaneceu sozinho no próprio escritório após todos deixarem o cômodo. Ele estava confiante e bem mais relaxado com relação ao futuro social da futura esposa. Renesmee seria aceita por todas as ladies de Londres. Ninguém ousaria em confrontá-la ou excluí-la.

O duque agradeceu a própria irmã pela brilhante ideia. Ele jamais pensaria em algo tão seguro e engenhoso. Rachel salvou a reputação de Renesmee!

Jacob sorriu pelo alivio que sentiu, era como se toneladas fossem retiradas de seus ombros. O medo ainda estava presente, era muito marcante, porém agora a confiança também estava presente e renovada.

O nobre ergueu-se da cadeira de couro, determinado. Naquela confusão toda, havia se esquecido do mais importante. Sorriu com a pequena falha.

Imediatamente deixou o gabinete, ele iria ver a sua doce poupée.

— Bom dia, Ma poupée! — disse selando os lábios aos da menina assim que Elizabeth os deixou a sós. — Sente-se melhor? — o tom era de zelo e preocupação.

O duque havia solicitado um momento breve de privacidade. Por mais que não fosse prudente, a governanta concedeu. Ela ficaria no corredor. Nenhum criado iria saber que o duque estava sozinho com a menina no quarto dela.

— Bom dia! — cumprimentou alegre a menina. Ela descansou a cabeça no peito do amado. Ele havia sentado na ponta da cama. — Já estou bem. Não sinto mais nada. — tranquilizou a ruiva. — Já posso até descer para fazer a próxima refeição à mesa.

— Tem certeza? — Jacob puxou Renesmee para poder olhá-la nos olhos. — Se não estiver bem pode almoçar aqui mesmo.

— Eu estou bem! — afirmou segura.

O sorriso meigo tranquilizou o homem.

— Ótimo! — Jacob afagou as bochechas mais coradas da jovem. — Assim poderemos partir hoje mesmo.

— Partir? — perguntou alarmada a garota. — Quando? Quem? Para onde?

— Primeiro, acho que preciso fazer isso direito. — Jacob levantou da cama e pegou a ruiva no colo, colocando-a de pé.

Ele a conduziu até estarem bem próximo da janela, onde as cortinas estavam abertas, sendo possível — além da luz clara do sol — contemplar a bela paisagem de todo campo frontal da Casa Black.

O Duque sorriu, colocou a mão no bolso e retirou a joia que um dia foi de sua mãe. Estava guardada nos cofres de Kent.

— Você me daria à honra de aceitar ser a minha esposa? Prometo te fazer feliz até que Deus nos separe. — o duque havia se ajoelhado aos pés da ruiva e segurado em sua mão.

Renesmee já chorava torrencialmente. O coração batia desenfreado, as mãos tremiam e suavam. Ela agora sabia exatamente o que aquilo significava. Rachel e Elizabeth foram bem esclarecedoras.

— SIM! — a ruiva abaixou o suficiente apenas para abraçar o amado. Eles se beijaram apaixonadamente, então.

Uma emoção sem precedentes dominou o casal. Eles agora estariam começando a mais importante etapa de suas vidas. Era o começo de suas felicidades, e de forma plena!

Notas finais
Aaaaah que Duque lindo!! Eu também quero me casar com ele! Renesmee está em fase de amadurecimento e descobertas, ainda. Apesar da maternidade ela desconhece muitas coisas, é bem inocente sobre alguns assuntos, mas Rachel e Elizabeth estão aí para ajuda-la! O que acharam? Gostaram? Querem mais? Tentaremos postar sem atrasos dessa vez rsrs Mas só se houver comentários, vocês sabem ;) Beijooos Jenny e Daaay