Notas iniciais
Olááá Queridas! Mais uma vez nos perdoem! Mas final de ano é sempre corrido, essas semanas foram uma loucura rsrs Bem, apesar de tudo nos esforçamos para fazer um capítulo bem legal! Apreciem e leiam calmamente, está grandinho =D Esperamos que gostem, agradecemos também aos lindos comentários! Boa leitura ;)

O sol ainda nascia, as ruas do verde e belo vilarejo de Kent estavam calmas e silenciosas, porém na Casa Black a situação era bem diferente. O barulho de passos apressados e de baús sendo colocados em carruagens preenchia todo o primeiro patamar da mansão. No segundo piso, criadas batiam cabeças, afinal eram muitas bagagens para se preparar em tão pouco tempo.

Havia um grupo ajudando Annie a arrumar as coisas da princesa, outras criadas arrumavam as crianças, outras ajudavam Marina com os baús de Renesmee; o valete de Jacob terminava o baú do patrão para depois o descer. Apenas o príncipe já tinha todos os seus pertences na carruagem real, ele e sua esposa tinham pressa em voltar.

Contudo a princesa estava no quarto da senhorita Wood dando instruções sobre o que deveriam colocar para Renesmee levar em sua súbita viagem. Então ela girou os calcanhares e observou a futura cunhada sendo arrumada.

— Não, Lucy, nada de cachos. Renesmee irá se casar, precisa chegar à Escócia com uma imagem mais madura. Amarre esses cachos ao coque. Vamos, depressa! — Rachel demandou para a criada que arrumava Renesmee para a viagem.

A ruiva vestia um lindo vestido de viagem na cor rosa claro, mas o que lhe chamava mais atenção não eram todos os adornos e nem o belo penteado, mas sim o lindo anel no seu anelar direito. Ela sempre ficava sorridente ao olhar a peça e se lembrar do pedido de seu amado.

Já no andar de baixo, Elizabeth também estava atarefada. Ela havia sido convidada a viajar em companhia da senhorita Wood. Além de ser inapropriado — aos olhos dos habitantes de Kent — para a menina viajar sozinha com o Duque, também seria bom Renesmee ter uma companhia feminina antes de se casar. Então a governanta passava pela centésima vez as instruções aos outros criados.

— Vou repetir mais uma vez: Nada de comentários sobre o casamento de Lorde Black com a Senhorita Wood. Foi uma decisão entre o Duque e o Príncipe real para o melhor futuro da Senhorita Wood. Ninguém deve especular sobre isso ou deixar que essa informação saia da Casa Black, vocês entenderam? — A governanta estava bem séria enquanto discursava a uma dezena de criados.

— Pode deixar, senhorita, nada sairá do controle. Prometo cuidar de tudo, será como se a senhorita nunca tivesse partido. — garantiu Rosamund. Ela havia sido incumbida de tomar o lugar de governanta até Elizabeth voltar da viagem.

Jacob além de ordenar que Elizabeth os acompanhasse — pelo bom senso — como companhia à Renesmee, sobretudo pelo fato de que ele iria se casar, alguém precisava testemunhar o evento e assinar o documento. Sendo assim ele a instruiu a contar apenas o essencial aos outros criados e passar ordem para que nada ficasse fora do normal em seu período de ausência. Enquanto Elizabeth acertava os últimos detalhes, a correria de criados e criadas para colocar todas as bagagens nas carruagens continuava.

Renesmee — já pronta e sem um monte de criados a sua volta — teve um estalo em sua mente. Imediatamente deixou seu aposento e caminhou apressada pelo longo corredor, logo descendo a escadaria principal com a mesma pressa e procurando pelo futuro marido. Ela interceptou o Duque no corredor que o levaria ao escritório. Jacob estava indo acertar os últimos detalhes do plano com o príncipe.

— Renesmee, não corra! — o Duque ralhou com a ruiva assim que notou suas passadas apressadas até ele. Seus olhos transbordavam preocupação e zelo.

— Desculpe-me — a menina murmurou. — Alteza — ela curvou-se em uma perfeita reverência a Paul em seguida.

O príncipe Paul apenas sorriu e dispensou a formalidade, logo se virando para Jacob e falando:

— Cunhado, ela não estava correndo. Não é pra tanto. — seu tom era suave e amistoso. No fundo ele gostava das preocupações que Jacob tinha com a menina.

No entanto o Duque fitou — de maneira ligeiramente ameaçadora — o príncipe. Todo cuidado lhe parecia pouco no que se referia a sua Poupée. Paul apenas sorriu e seguiu calmamente pelo longínquo corredor até entrar no escritório do cunhado.

— Diga minha querida. — Jacob falou carinhoso para menina que o encarava com curiosidade e ansiedade.

— Estava pensando se ficaremos fora por muito tempo... E se Estrela irá conosco? — perguntou ela.

Jacob primeiramente fez uma cara de espanto, depois sorriu indulgente.

— Não, é claro que não, ma poupée. — respondeu tranquilamente. Diante da surpresa e uma tristeza aparente de Renesmee, ele sorriu, tocou com suas mãos o rosto da menina, acariciou a pele delicada da bochecha dela com o seu polegar. — Para onde nós vamos não podemos levá-la. —acrescentou. — Também não vamos ficar lá para sempre, ainda voltaremos e você poderá cavalgar com Estrela quando quiser. — a garota apenas elevou a comissuras de seus lábios — De qualquer forma isso só acontecerá daqui alguns meses. — ele advertiu. — Lembre-se do que eu falei sobre os cuidados que terá que ter agora?

A menina anuiu.

— Lembro-me sim. —replicou a ruiva de forma serena. — A princesa também conversou comigo sobre isso. Eu não me esqueci, mas gosto da companhia da Estrela, mesmo que seja apenas para conversar. — explicou-se.

O nobre sorriu novamente e deixou um beijo casto nos lábios de sua noiva.

— Eu entendo, mas não podemos levá-la. Você compreende? — a menina aquiesceu mais uma vez e o nobre suspirou fitando o corredor. — Preciso acertar mais alguns detalhes com o príncipe, será rápido. Encontre-me na carruagem em poucos minutos, está bem? — o Duque disse carinhoso. A menina confirmou com um balançar de cabeça e logo viu o nobre apressadamente ir em direção ao gabinete.

Jacob tinha pressa em estar novamente com sua noiva. Ele ansiava por tocá-la e beijá-la a todo instante, ou — o que era mais provável — estar ao seu lado lhe dando carícias e atenção durante a longa viagem.

No entanto outro estalo veio na cabeça da ruivinha, que não teve tempo de compartilhar a nova ideia com o noivo. Renesmee hesitou por um minuto, caminhou lentamente até o salão principal, observou a agitação dos empregados e até mesmo da própria Elizabeth. A ruiva não viu, mas alguns criados a fitaram por um período maior de tempo. A garota não tinha noção do peso que a notícia sobre o seu casamento tinha sobre os empregados.

Nem todos possuíam a compreensão dos sentimentos dela e do Duque como Elizabeth. Por outro lado, tais especulações sobre a verdade por trás do matrimônio provavelmente nunca chegariam aos ouvidos de Renesmee.

Renesmee, achando estar passando despercebida, foi calmamente em direção ao estábulo.

— Senhorita Wood! — foi um brado de surpresa não só de Joe por vê-la, mas também de todos os outros criados que trabalhavam na cocheira.

— Olá, Joe. Vim falar com Estrela, quero me despedir. — a ruiva informou já se aproximando da baia onde estava a égua branca.

— É claro. Soube que está de partida, juntamente com o Duque... — comentou o jovem atrás da menina — Estrela tem sentido sua falta. — acrescentou, mas Renesmee não se virou para ele.

A ruiva conversava baixo com sua amiga Estrela. O animal parecia entender, dava pequenos pulos e relinchava baixo, às vezes. Por fim Joe resolveu pigarrear, desde a noite anterior pensamentos lhe rondavam a mente. Ele precisava expor todos os seus pensamentos e sentimentos. Aquela era a hora. Não teria outra oportunidade de falar. Imaginava que, se Renesmee estava ali, ele não deveria guardar nada daquilo em que pensou durante toda a madrugada.

— Senhorita? — ele chamou baixo.

— Sim? — a ruiva respondeu, mas ainda sem o fitar.

— É verdade que se casará com Lorde Black? O Duque? – Joe deixou um salpicado de sua ansiedade na pergunta.

Renesmee titubeou ainda de costas para o jovem da cocheira. Por fim, ela suspirou e o olhou enquanto ele continuava.

— Estão dizendo isso desde ontem à noite. A senhora Lestrade ouviu um rumor dentro da mansão ontem e contou para alguns criados. E hoje Elizabeth anunciou a todos juntamente a notícia de sua viagem com o Lorde. É verdade Senhorita? — ele esclareceu.

Renesmee compreendeu melhor o que lhe foi questionado, no entanto não estava tão segura se poderia falar sobre aquele assunto.

— Sim, é verdade, Joe. — respondeu a jovem com a voz bem baixa. — Vou viajar com Lorde Black e vamos nos casar. — a ruiva sorriu ao final.

Aquilo era algo muito bom de contar, pois ela estava imensamente feliz. Poder compartilhar a notícia era ainda mais empolgante.

Por outro lado o seu jovem amigo não disfarçou o incomodo que brotou em seu peito. Os lábios grandes do rapaz se franziram à medida que seus olhos escureceram pela tristeza que sentiu.

— Você está bem, Joe?— Renesmee indagou preocupada, observando a mudança nas feições do rapaz.

— Sim... Estou. — afirmou vacilante o cavalariço.

Joe passou as mãos no cabelo e desviou o olhar da garota a sua frente. Seus olhos acabaram focando a delicada mão alva que ainda repousava termalmente sobre a crina da égua branca. Ele pode contemplar a bela e cara joia que ornamentava o dedo anelar da ruiva.

Somente aquele anel deveria custar muito mais do que ele um dia poderia sonhar em ganhar durante toda uma vida de trabalho árduo. Jamais teria condições de comprar um anel de noivado parecido com aquele que ela usava com visível orgulho. O rapaz pensou amargurado. Isso fez seu peito bater mais forte e dolorosamente.

O cavalariço fechou as mãos em punho, apertou as pálpebras com força e se obrigou a respirar fundo.

Aquela era a garota que amava. A que um dia — embora fosse, muito provavelmente, distante — ele desejava levar ao altar e casar-se com ela.

Joe há algum tempo começou a pensar em usar as suas economias para entrar em um negócio com seu cunhado, aumentando assim a renda. Iria trabalhar duro para conseguir uma casa pequena, porém confortável. Tornando-se um homem autônomo, com uma renda aceitável. Sabia que iria demorar, mas quem poderia imaginar que tão cedo Renesmee sairia da Casa Black? De Kent!

O rapaz quis chorar naquele momento em que viu todo o seu plano de uma vida ir por água abaixo.

— Joe, você não parece bem. O que há?— a voz da ruiva só o machucava mais.

— Quer saber? Eu realmente não estou bem. — ele disse alto, voltando a fitá-la, mas com magoa. — Eu gostaria que você me dissesse que toda essa história louca de casamento com Lorde Black era mentira, invenção da criadagem.

— Mas não é. — Renesmee o cortou suavemente, ainda surpresa pelo tom levemente áspero do rapaz.

— Exatamente! — ele esbravejou. — Desejaria muito que tudo isso fosse uma grande e cruel mentira. — Joe puxou o ar com força para os pulmões. — Eu não estou bem! Eu me sinto horrível. Um homem reduzido a nada, Senhorita Wood! Esperei tanto tempo, fiz tantos planos, pedi tanto a Deus para poder ser alguém digno na vida e poder casar com a senhorita. Mas então, de repente, a garota que eu amo vai se casar com outro homem! — ele choramingou.

Renesmee viu toda a dor do rapaz nos olhos claros tão sombrios e arregalados.

— Mas... — a voz da ruiva quase não saiu, era apenas um fraco sussurro. Ela não conseguia ligar os pontos da conversa.

— Eu te amo, senhorita. Amo-a muito e há muito tempo. Eu sempre esperei pelo dia em que enfim nos casaríamos. Eu a faria feliz... Com certeza a faria feliz! — ele declarou não tão voraz, mas tinha firmeza em suas palavras.

Renesmee levou as mãos à boca, guardando um grito de surpresa. Seus olhos marearam por pena do rapaz sofrido a sua frente.

— Joe, eu sinto muito. — desculpou-se acanhada. — Eu realmente no sabia. Eu jamais cheguei a imaginar... Nunca me disse isso...

O rapaz lhe mostrou um sorriso amargo.

— Sabe? A minha melhor hora do dia era quando a senhorita vinha até aqui e trocávamos algumas poucas palavras. Eu esperava impaciente o dia todo por isso. Eram as melhores palavras que eu poderia ouvir em todo o meu dia. Eu ansiava a cada minuto pela hora de vê-la passar por aquela entrada, vir até mim e assim eu poder contemplá-la de perto... Como fica mais bela a cada dia... — Joe contava e logo se deixou sentar sobre uma pilha de feno no canto do estábulo. Ele mantinha uma boa distância da garota, mas ela ainda via o sofrimento no olhar perdido dele. — Como em todo esse tempo nunca percebeu que eu a olhava com grande amor e admiração? — ele a sondou.

— N-nã-não sei. — Renesmee gaguejou. Ela se fazia a mesma pergunta.

Desconfiava que fosse pelo fato de que nunca reparou de verdade em Joe — ou em qualquer outro homem que não o Duque — como fazia agora.

Ela reparava na tristeza nos olhos e no rosto dele. Joe deveria de amá-la muito. Imediatamente pensou em Jacob. E se caso o visse, agora, casando-se com outra? Renesmee percebeu que resfolegou. Seria dilacerante o sentimento, sem dúvida.

— Lamento, Joe. — Renesmee elevou a comissura dos lábios na tentativa de esboçar um sorriso complacente. — Eu realmente jamais percebi. Mas por que eu, afinal? — questionou ainda surpresa com as recentes revelações do cavalariço.

— A senhorita é a jovem mais doce e linda que já vi na vida. Desde menina sempre lhe achei tão adorável e bonita, agora que cresceu se tornou a mais bela dama que já contemplei. Não foi difícil de eu me apaixonar, é sempre tão amável, Renesmee. — o homem suspirou. — Sinto tanto por não compartilhar o mesmo sentimento por mim. Não irei insistir no que é uma loucura, talvez se eu tivesse arriscado antes... Mas antes de tudo eu queria ser digno de alguém como você. — ele declarava debilmente, queria estar sozinho para lamentar aquele destino inevitável. —Sinto muito não poder ficar feliz por você, senhorita.

Renesmee mantinha os olhos arregalados. Os hormônios da gravidez a fez querer chorar também, todavia ela se controlou. Estava pronta para dar um abraço de conforto no amigo quando passos firmes foram ouvidos e em um segundo o Duque entrou no campo de visão de ambos.

— Algum problema aqui? — a voz rude, acompanhada de uma carranca séria do nobre, chegou aos dois mais jovens.

— Não... — Renesmee murmurou e abaixou a cabeça.

Jacob deu uma breve olhada no criado que levantou da palha e automaticamente adotou sua postura de subordinado. O nobre puxou o ar com violência antes de expor as palavras seguintes:

— Rapaz! — Joe o encarou, por fim — Vá tirar uns dias de folga. Leve uma semana na casa de sua família e depois retorne ao trabalho. Está dispensado por enquanto. —Joe abriu a boca de espanto, a indagação era nítida em sua face. — Não será necessário aqui pelos próximos dias. Vá antes que eu desconsidere a minha generosa oferta.

Em nenhum momento Jacob alterou sua expressão altiva e imponente. Joe logo saiu — ainda atordoado —, porém não contestaria o nobre.

— Está zangado? — Renesmee perguntou temerosa. Sabia que Jacob poderia punir o pobre rapaz caso tivesse suspeitado de algo que ele havia lhe confidenciado ainda há pouco.

— Não, ma poupée! — beijou com ternura o topo do perfumado cabelo cobre. —Vamos, já está na hora de irmos. Vim apenas lhe chamar para partirmos. — ele curvou os lábios de forma afetuosa e ofereceu um braço para Renesmee.

O casal saiu do estábulo com os braços entrelaçados sob o fraco sol — que iluminava todo o céu azul —, seguiram em direção as carruagens, sendo observados pelos criados.

A verdade que Jacob não contou nem mesmo a Renesmee era que tinha escutado a última parte do discurso de Joe. E por mais ciumento e arrogante que fosse ele era homem e ser humano acima de tudo. Ele amava. Amava a mesma mulher que o pobre rapaz.

Jacob conhecia a amarga sensação de imaginar perder a mulher amada. Inúmeras vezes fantasiou Renesmee se casando com outro nobre. Isso o deixava a beira da loucura, o fazia querer matar o individuo em questão.

Vendo pelo lado do rapaz da cocheira, Jacob compreendeu sua dor e resolveu ao menos uma vez ser um pouco benevolente com ele.

O casal parou de caminhar somente quando ficaram bem diante da esplendorosa carruagem, só faltavam eles para embarcar. Após um lacaio abrir a porta da carruagem o duque ajudou a noiva a subir no veículo e entrou logo atrás.

Em uma fila ordenada as luxuosas carruagens começaram a se mover, iniciando assim a longa viagem.

Renesmee permaneceu observando através da janela, em nenhum momento conseguiu desviar o olhar do único lugar que conhecia como lar. A mansão Black ficava cada vez mais distante, seu coração trotava em seu peito, uma angústia brotava em seu íntimo.

Como se adivinhasse o estado emocional da amada, Jacob segurou a mão frágil e delicada, levando-a aos lábios e dando um beijo terno em conforto. Naquele momento a ruiva sentiu todos os medos e receios se dissiparem.

A fileira de carruagens que deixava as terras de Kent era longa. Somente a família real possuía quatro delas. Já o Duque, Renesmee, o Marquês e Elizabeth estavam em uma única carruagem espaçosa e luxuosa, porém atrás outra — um pouco menor, mas ainda sim luxuosa — seguia com os baús.

Alguns minutos depois de iniciarem a viagem, já no final da extensa estrada principal que levava a Casa Black, a comitiva real tomou o caminho à esquerda em uma bifurcação, eles seguiriam viagem direta para Londres. Já as duas outras carruagens seguiram o caminho à direita.

Um pouco mais à frente a carruagem do Duque parou bem diante do bonito campo, onde jazia o falecido Duque William Black e as suas amadas. Ali ficava o cemitério particular que William havia mandado construir um pouco antes de sua esposa falecer. Somente o duque e seus dois amores em vida repousavam eternamente ali.

Jacob foi o primeiro a descer da carruagem, logo ajudando a noiva e a governanta a descerem também. O Marquês foi o único que permaneceu no veículo. Ele sabia que era um momento íntimo e delicado para quer ser partilhado.

Elizabeth sustentava nas mãos uma enorme cesta com flores que a ruiva havia colhido pela manhã bem cedo. Era tudo para enfeitar as lápides.

Renesmee renovou todas as flores dos vasos e permaneceu por alguns minutos se despedindo e contando resumidamente os últimos acontecimentos para os pais.

Ela tinha relutado em partir e deixar o jazigo da mãe e do antigo Duque abandonados, porém Jacob garantiu que encarregaria um criado somente para cuidar do cemitério. O Duque ordenou pessoalmente que o melhor dos jardineiros da propriedade ficasse responsável por aparar a grama e trocar as flores dos vasos pelo menos três vezes por semana.

Já com todos de volta ao interior da carruagem, depois de uma emocionante despedia, as carruagens voltaram a seguir viagem. A neve era só um resquício agora, a primavera se fazia ostensiva enquanto o sol a pino deixava seus raios passarem por entre as folhas e galhos das árvores que cercavam a estrada.

Certo momento depois de já terem retornado ao longo trajeto pela estrada de terra batida, as carruagens desviaram um pouco do caminho original e novamente voltaram a parar. Aquela parada também havia sido previamente combinada.

De uma das carruagens desceu um nobre afoito. Devido ao caminhar rápido, as botas pesadas marcavam o resquício de neve na grama. Ele andava apressado, porém atento a tudo ao seu redor. Podia ouvir ao longe o som dos animais e também podia sentir o cheiro de café fresco e maçã.

O nobre tirou seu chapéu e sorriu enquanto dava a volta na casa simples, iria entrar pela porta dos fundos. Era certo que a portinha de madeira sem verniz estaria aberta, provavelmente o leite e ovos já deveriam de estar lá dentro da casa.

Quando o homem entrou foi invadido não só pelo delicioso aroma de torta, café e casa limpa, mas também pela visão da bela jovem arrumando a mesa para o desjejum.

A delicada camponesa apenas despertou sua atenção da tarefa que realizava quando sentiu fortes mãos em sua cintura — já larga pela gravidez — e grossos lábios mornos na pele de seu fino pescoço.

— Embry! — ela amoleceu nos braços do nobre que a enredava, apenas um segundo depois de o susto passar.

Olivia logo se virou e o abraçou com desespero, no entanto o homem segurou em sua nuca e capturou seus lábios com voracidade. A saudade de ambos era latente e palpável.

Do lado de fora da mediana casa — porém bem cuidada —, as duas carruagens de luxo encontravam-se paradas um pouco adiante da cerca branca que delimitava o quintal da propriedade. Da carruagem maior o casal desceu, deixando o conforto do assento acolchoado e permaneceram sob o mormaço.

— Jacob?— Renesmee chamou com a testa franzida. O Duque lhe deu um olhar de incentivo a continuar. — Por que paramos aqui? De quem é essa casa? — ela indagou fitando o campo no qual viu o Marquês trilhar até rodear a casa.

Jacob sorriu complacente pela menina. Ela ainda era tão inocente...

— O Marquês veio ver uma pessoa na qual ele estima muito, porém você não pode comentar sobre isso com ninguém, principalmente quando estivermos em Londres. Isso é um segredo de Lorde Call. Você compreende? — Jacob a explicou calmamente, porém de forma superficial. Em outro momento contaria melhor os detalhes.

Renesmee olhava atenta para o nobre, contudo resolveu não contestar, apenas aquiesceu.

Já lá dentro da casa da camponesa Embry terminava a pequena xícara de café sentado ao lado de sua amada e amante, bem em frente à mesa de madeira muito bem forrada com uma toalha simples.

— Então o Duque se casará? — perguntou Olivia o fitando apaixonada.

— Exato! — concordou levando à xícara aos lábios e sorvendo mais um pouco do café fresco e quente. — E depois do casamento eu terei que voltar a Londres. Não terei outra escolha, já me ausentei demais. Sinto muito, querida. — ele lamentou.

— Tem mesmo que ir? — os olhos verdes transpareciam angústia.

— Serei a testemunha... Não tenho outra opção, até porque devo muito ao Black. Além do mais, ele é o meu melhor amigo. — o marquês justificou sem muita animação. Ficar longe da sua amada custava-lhe muito.

— Compreendo, querido. — Olivia segurou levemente nas mãos do Marquês e lhe deu um sorriso encorajador e ainda assim singelo.

Embry adorava o jeito simples e verdadeiro de sua jovem Olivia. Ela era transparente em todos os seus sentimentos e emoções.

— Retornarei assim que possível, mas eu prometo estar presente para o nascimento do nosso filho. — levou a mão até o ventre já bem redondo e o acariciou. — Porém não hesite em mandar me chamarem em Londres caso algo aconteça. Você sabe como tudo deve ser feito. — Olivia apenas anuiu. Eles tinham um esquema de emergência caso fosse preciso chamá-lo na cidade sem levantar suspeitas. — Se cuide e não abuse no trabalho, deixe para os criados as tarefas mais difíceis.

Assim que a nova gravidez da amante avançou e a barriga já se fazia visível, o marquês havia mandado contratar um casal de empregados para ajudar nos servidos da casa e da terra.

— Prometo me cuidar. — Olivia lançou um sorriso meigo e selou os lábios ao do amado.

Um bom tempo havia se passado quando Renesmee quis retorna à carruagem, Jacob prontamente a acompanhou. O Duque observou impaciente o relógio de bolso, porém quando olhou através da janela viu o amigo sair da casa de campo de Olivia.

— Ah, ele já está vindo. — comentou Jacob. Seguidamente as duas damas também fitaram na direção que o nobre olhava.

Enquanto Embry caminhava tranquilamente, dirigindo-se para a saída do terreno, o pequeno menino saiu de dentro de casa e seguiu em disparada até o nobre.

— Papaaaai! — o menininho loirinho gritava enquanto a delicada Olivia tentava correr atrás dele.

Embry virou-se imediatamente pegando Noah nos braços e o girando no ar.

— Querida, não corra! Já o peguei. — o marquês repreendeu de forma branda a grávida. Embry logo abraçou e beijou o filho.

— Quem são, Jacob? — Renesmee perguntou encantada com a cena.

O Duque que já tinha a face contrariada, pois previa perguntas inconvenientes das mulheres de dentro do veículo, respirou fundo e praguejou o amigo marquês mentalmente.

— Agora não é relevante, ma poupée, depois conversaremos. Mas como eu disse, é um segredo. — Jacob respondeu calmo.

Renesmee permaneceu confusa com a resposta evasiva e nada esclarecedora do noivo. Já Elizabeth engoliu uma exclamação sarcástica, ela entendeu muito bem o que acontecia.

Ainda no campo Embry aproximou-se de Olivia, a abraçou — ainda com Noah nos braços — e beijou sua testa.

— Cuide-se. Te amo! — murmurou o marquês para a camponesa.

— Também amo muito você. — Olivia retribuiu sorridente à declaração do amado. — Sentiremos a sua falta.

O nobre mais uma vez beijou — agora de forma demorada. — o topo da cabeça da amante.

— Se comporte como um rapazinho e cuide bem da mamãe para mim. — virou-se para o menininho loiro em seu colo. Noah balançava de forma frenética a cabecinha.

De dentro da carruagem todos sentiram o apego e amor que o Marquês tinha por aquelas duas pessoas. Jacob, principalmente, percebeu como Embry amava aquela simples e linda garota do campo.

Ela não tinha as roupas mais bonitas, usava apenas um vestido de trabalho simples e já fora de moda. Os cabelos castanhos soltos e cheios, embora fossem lisos, tinham as pontas queimadas pelo sol. A pele apesar de clara tinha um tom levemente rosado. Aquela jovem provavelmente — e a teoria de Jacob estava certa — passava algumas horas sob o sol trabalhando para cuidar da terra. E mesmo assim roubou totalmente o coração de um homem tão imponente e de alto título como Call.

O Duque olhou para a sua amada, que parecia maravilhada com a cena. Ela era educada, refinada e elegante, mas assim como Olivia, Renesmee não tinha nascido em uma família nobre ou afortunada. Ela não tinha ambições ou fricotes. Era amante do campo, um espírito livre e despreocupado com a opinião dos hipócritas da aristocracia. E era exatamente aquela meiguice que o encantava.

Renesmee — talvez por sorte do destino — havia recebido a melhor educação, foi lapidada para ser esposa de um nobre. Provavelmente o Duque não poderia casar-se com ela se tivesse trilhado o mesmo condenado caminho de Olivia. Ele jamais poderia transformar uma camponesa em Duquesa.

Jacob ali confirmou a sorte que tinha.

~ *~

Horas mais tarde, quando o crepúsculo já se fazia presente, as majestosas carruagens do duque pararam no pátio de um grande hotel.

Os nobres, junto à governanta, decidiram por fazerem uma parada para passarem a noite em um hotel no condado de Leicestershire. Haviam chegado a um terço da viagem, no entanto precisavam descansar. Renesmee estava grávida, não podia ser muito sacrificada pela longa e exaustiva viagem.

Bem cedo, na manhã seguinte, eles deram continuidade à viagem. Levariam naquele ritmo, mais dois dias para chegarem à Escócia...

Era meio da tarde quando finalmente o Duque e seus acompanhantes se instalaram em Glasgow. A longa viagem de três dias chegava ao fim.

~*~

Londres

Risos femininos eram tudo o que se podia ouvir na luxuosa sala da família Baskerville. O ambiente requintado era amplo e na cor de damasco, adornado com seda nas cortinas e mogno de último modelo nos móveis do belo salão formal.

A Duquesa de Marlborough era uma jovem mulher que, embora menos fútil que a maioria das que se encontrava em seu salão, queria ostentar sua mais nova posição na sociedade londrina. Havia quase um ano que o seu marido herdara o título do pai falecido.

Os Baskerville eram sensíveis demais para organizar uma grande festa, no entanto, reuniões para os mais íntimos era a solução.

Sendo assim, naquela tarde de primavera, a qual estava consideravelmente quente, Lady Baskerville reuniu as damas da mais alta estima — ou de alta posição e prestígio — para um chá amistoso.

Entre as vinte Ladies refinadas não poderiam faltar — obviamente — a princesa real Rachel e sua cunhada viúva Lilly, que agora era intitulada como Duquesa da Cornualha — título de cortesia que recebeu após perder o de princesa ao torna-se viúva, sem deixar herdeiro.

O convite de lady Baskerville, que aguardava a resposta da princesa, assim que a mesma retornou de Kent, encheu os olhos de Rachel de um brilho malicioso. Não poderia ser mais perfeito!

Rachel e Jane sempre foram amigas, desde a época em que eram solteiras. Agora ambas com títulos importantes e de grande prestígio, tornava a amizade delas algo sólido. Porém havia algumas senhoras no salão as quais só estavam presentes por serem esposas de grandes lordes, como Caroline Call. Jane e Rachel partilhavam o mesmo grau de simpatia com a marquesa, absolutamente nenhum. Contudo, Caroline seria útil para Rachel.

— Como está o estimado Duque de York, vossa Alteza? — Caroline foi a primeira a quebrar o silêncio após a pausa que se seguiu a uma conversa divertida sobre as novidades de uma dama.

A princesa levou sua xícara aos lábios para esconder o contentamento da pergunta. Ela sabia que uma delas perguntaria por seu irmão, era só questão de tempo.

Muitas possuíam amigas e irmãs solteiras. Jacob era viúvo, bonito e muito rico. Um partido muito cobiçado. Fisgar o Duque de York era o sonho de muitas senhoritas.

No entanto, Rachel sabia que Caroline não estava interessada em seu irmão, mas sim em Embry que partira com ele. Por outro lado, ela não entregaria o ouro à Caroline. Agora era hora de colocar seu plano em prática, pelo menos parte dele.

— Está viajando em lua de mel. — ela declarou sorrindo.

Dezenove pares de olhos surpresos fitaram a princesa que não se abalou, ela esperava por isso.

— Co-como?— A condessa de Newcastle segurou um engasgo ao perguntar.

— Exatamente o que ouviram, Miladies. — Rachel sustentou o olhar altivo para todas as ladies que lhe encaravam com surpresa e curiosidade. — O Duque havia se casado um dia antes do falecimento do meu saudoso cunhado, o príncipe Henry. Porém mediante a toda a tragédia, ele optou em adiar a apresentação da nova duquesa a sociedade. Não era o momento propício, a Inglaterra estava de luto!

— Mas o Duque compareceu a toda cerimônia de velório do príncipe e não comentou absolutamente nada. Nem ao menos veio para Londres acompanhado da esposa. — questionou surpresa a viscondessa de Sunderland.

— Em respeito à dor de toda a família real, principalmente ao Rei e a Rainha, a qual o Duque estima muito, ele decidiu se resguardar por um tempo. Não era o momento para alarmar Londres com burburinhos sobre o seu matrimônio. — a princesa justificou. Tudo fazia parte do plano, ela estava jogando a isca. — Enquanto Lorde Black retornou a Londres para cerimônia de velório do príncipe, a nova Duquesa seguiu viagem com sua dama de companhia para a propriedade de campo em Kent. Ela aguardaria o seu regresso para continuarem a viagem de apresentação a todas as propriedades.

— Eu estou muito surpresa com essa novidade. — a viúva do príncipe Henry, comentou baixo ao lado de sua cunhada. — Não creio que Lorde Black não tenha nos comunicado, mas é compreensível. A tragédia do falecimento de meu marido desestruturou toda Londres. — a dama abaixou o olhar triste pelo assunto ainda delicado.

Rachel se compadeceu da cunhada, mas nem mesmo a ela poderia contar a verdade.

— Eu também fiquei surpresa logo assim que soube da notícia, mas logo compreendi. Lorde Black precisava de uma nova duquesa e acabou achando uma que tanto lhe agradou. No entanto, não houve tempo para uma apresentação formal, pois quando ele pensou em fazer, a tragédia já tinha se abatido sobre toda a Inglaterra. — esclareceu a princesa. — Porém assim que regressar a Londres, ele irá apresentar a sua nova duquesa a toda sociedade.

— E como ela é? — a anfitriã quis saber, sorrindo. Ela e seu marido estimavam muito o Duque, lamentaram a sua perda e a reclusão no campo.

— A nova Duquesa de York é uma linda jovem escocesa. Absolutamente encantadora e de excelente educação. — disse com orgulho a princesa.

Rachel sempre achou Renesmee linda e perfeita. Agora que o choque havia passado e já tinha se acostumado com a notícia, estava amando a ideia de ter a linda ruiva como cunhada.

— Escocesa! — uma Lady bradou empolgada e também contente.

— Como a conheceu?

— De que família ela é?

— É muito jovem?

Seguiram-se uma lista de perguntas da maioria das damas presentes. Rachel segurou um alto riso. O que mais aquelas senhoras tinham a fazer? Bordados? Festas? Treinar as filhas para arrumarem maridos ricos? Uma boa intriga era tudo o que elas queriam!

Apesar de ajudar seu irmão e Renesmee fosse o seu maior foco, Rachel se divertia com o entusiasmo das Ladies. Mesmo que algumas tentassem esconder a decepção, uma vez que queriam o Duque livre para casá-lo com alguém de sua estima.

— A nova duquesa é como um diamante reluzente, embora ainda seja bem jovem. Ela pertence à família Wood. Eles são bastante afortunados, mas não de muito prestígio. O meu pai conheceu Sir Wood no curto período que viveu na Escócia, mas foi o suficiente para eles construírem uma sólida amizade. Papai sempre disse ter uma dívida de honra com o cavalheiro. — Rachel iniciou a explicação, mas pausou para se servir de mais da bebida quente. — Quando o pai dela faleceu, ela ainda era apenas um bebê. Em seu testamento Sir Wood deixou sua esposa e a única filha sobre a tutela do Duque William Black, meu pai. Elas vieram morar na propriedade de Kent, mas infelizmente outra tragédia se abateu, fazendo a menina ficar órfã de mãe também. Papai cuidou com esmero da sua educação, preparando-a como sua pupila. Meu irmão assumiu a responsabilidade de concluir a educação da pupila de nosso pai quando ele faleceu, mesmo que a distância. Agora depois de viúvo o Duque, meu irmão, se encantou com a linda jovem que ela se tornou, resolvendo assim pedi-la em casamento.

— Nossa, que história linda! Triste, porém romântica. — comentou a apaixonada e sonhadora Lady Ateara. Era a sua primeira aparição após dá à luz.

Lorde Ateara — a pedido do próprio duque — já havia sido colocado a par da situação, porém ao que parecia, ele não havia compartilhado tal segredo com a esposa.

Por alguns instantes Rachel pode respirar e aproveitar de dois pedaços de queijo.

— Não conheço nenhuma família Wood. — disse a condessa de Sheffield. Ela tinha uma expressão confusa.

Seu comentário foi amistoso e coerente. Havia nascido e sido criada em Argryll, toda a sua família se encontrava na Escócia e nunca havia ouvido falar de um Sir Wood.

— Era uma família bem pequena e reclusa. Eles eram avessa a toda movimentação da sociedade, nunca vinham a Londres para as temporadas. Acredito que o nome da família tenha sido extinto, uma vez que a duquesa agora carrega o sobrenome do duque e também não possui mais nenhum parente vivo. — explicou.

Todas as ladies deixaram escapar um suspiro de lamento pelas consecutivas perdas da nova duquesa.

— Conte-nos, Alteza. Como é a nova Duquesa? — incentivou Lady Call não dissimulando seu interesse na questão. Ela levava a xícara de chá à boca, mas não tirava os olhos da princesa.

Caroline achava muito estranho, tanto Embry quanto Quil não estarem presentes no casamento do melhor amigo, afinal, Jacob não se casaria sem convidá-los. E Embry não iria a um evento sem ela, geraria especulações horríveis para seu título. Pensava ela.

Rachel estava preparada para aquele tipo de pergunta ambígua.

— Amável, simpática, educada, prendada e extremamente linda. Irão adora-la.

— Ainda estou muito chocada. — novamente a viúva do príncipe falou, mas sorriu ao final. — Espero que lorde Black seja muito feliz.

— Ele será, tenho certeza! — Rachel sorriu com um brilho único no olhar. Seu irmão já estava imensamente feliz.

~*~

Na tarde do dia seguinte Rachel retornou ao salão a gargalhadas, chamando atenção de seu marido que lia um informativo no sofá de uma das salas informais no palácio real. Aquela era apenas para uso exclusivo do príncipe.

Rachel abaixou-se e beijou demoradamente os lábios do marido, sentando-se logo em seguida a seu lado.

— Saudades de você, minha querida. — Paul a admirava com lasciva no olhar.

— Não me olhe assim! Ou acabarei com mais um filho seu em meu ventre. — Rachel devolveu a provocação do marido selando os lábios ao dele.

Paul sorriu entre os lábios da amada.

— Estou cogitando em correr esse risco. — brincou o príncipe. — Mas me conte, por que estava rindo?

— Aproveitei que Henry e Victoria dormiram e levei as crianças para passearem. — a princesa suspirou. — Só se houve falar sobre o casamento tempestivo do Duque Black! — ela bateu palmas, empolgada. — Isso é magnifico! Ninguém desconfiou de nada.

— Ah, sim. Hoje de manhã estive em reunião com alguns lordes e Charles, de Edimburgo, me perguntou sobre o casamento de Jacob. Afinal ele estava por perto quando o casamento "aconteceu" — Paul destacou as palavras.

Rachel riu e ficou curiosa.

— O que disse a ele? Afinal, ele é quase da família. — ponderou.

O Duque de Edimburgo era um primo distante de Paul e conhecia Jacob o bastante, apesar de não ser amigo íntimo.

— Não se preocupe com isso, querida, fiz como o combinado. Eu expliquei que os motivos de Jacob querer sigilo foram porque a data infelizmente coincidiu com o falecimento do meu irmão. Que ele queria evitar mais um alarde aos londrinos em um momento de luto. Charles compreendeu perfeitamente a escolha do Jacob.

— Que alívio. — Rachel voltou a soltar o ar preso nos pulmões, nem ao menos tinha percebido que prendia. — Acredito que depois de verem Renesmee, todos irão julgar que Jacob adiou a apresentação da Duquesa devido ao fato dela ser muito jovem. Ressaltei bem este fato para as Ladies que estavam ontem no chá. — sorriu astuta.

— Sabe que a diferença de idade não irá chocar a sociedade. — apontou o príncipe.

— Não falo da diferença entre eles, realmente tem muitas jovens que se casam com lordes com idade de seus pais. Porém Renesmee só tem quinze anos. A maioria das jovens tem a primeira temporada aos dezesseis, pelo menos. — explicou-se.

— Analisando por esse lado... — Paul deixou a frase morrer enquanto pensava na questão apontada pela esposa. —Você acredita que Lorde Leger perguntou se o casamento é valido? — contou o Paul — Expliquei-lhe que sim. Sabe como ele não tem um intelecto muito bom. — gracejou o príncipe.

Rachel soltou um risinho.

— Somos muito eficientes!

— Somos perfeitos contadores de historias! Jacob terá uma dívida comigo pelo resto da vida. — brincou o príncipe.

~*~

Fazia uma bonita manhã de sol brando na cidade de Glasgow. No conceituado hotel suntuoso, recomendado pelo Príncipe, a senhorita Renesmee repousava enquanto Elizabeth aprontava sua roupa para saírem.

Rachel havia recomendado a cunhada uma excelente modista. Seria pouco tempo, mas a carta de recomendação que a princesa havia escrito faria com que a encomenda fosse aceita. Renesmee se casaria dignamente vestida para se tornar uma duquesa.

Enquanto no luxuoso aposento a governanta ajudava a bela jovem a se vestir, o Duque encontrava-se na sala informal partilhada com os aposentos da noiva, terminando de aprontar os últimos detalhes da cerimônia.

Jacob, junto à companhia do Marquês, mandava uma missiva através de um mensageiro até o reverendo indicado por Paul. O nobre estava contando com a ajuda da influência de seu cunhado para concluírem o plano.

Quando Renesmee e Elizabeth deixaram o hotel, caminharam tranquilamente pelas ruas da charmosa cidade. A jovem ruiva estava fascinada pela quantidade de lojas e diversidades que se encontrava ali.

Na cidade de Kent o comércio não era tão intenso e nem as ruas eram tão cheias. A futura duquesa sorriu encantada por causa dos belos lordes e das ladies tão bem arrumadas. Em Kent não havia muitos nobres ou ricos proprietários. A grande maioria dos moradores eram pequenos comerciantes ou trabalhados do campo, esses não tinham o costume de fazer compras com frequência.

Na requintada loja em que funcionava o ateliê da conceituada modista, havia muitas jovens senhoritas e suas mães. Elizabeth seguiu com Renesmee até a modista e lhe entregou a missiva da princesa. Em segundos a elegante senhora de cabelos grisalhos sorriu abertamente. Já havia feito modelos rápidos, mas dois dias seria o seu maior desafio, no entanto, ela não negaria e nem falharia com a princesa!

Renesmee — com ajuda de Elizabeth — passou alguns bons minutos escolhendo tecidos e rendas para o vestido. Rachel na carta já tinha orientado em como deveria ser o modelo e a cor. A princesa não mencionara que era um vestido de noiva, apenas que seria para uma ocasião especial.

Logo a ruiva e a senhorita Winslet deixaram o ateliê para regressarem na manhã seguinte. Haveria uma primeira e única prova do vestido. Marie passaria à noite toda costurando a importante encomenda.

~*~

Quando a tarde caiu e o céu criou um dégradée rosado, Jacob levou sua amada para um passeio no centro da cidade. A imagem era linda, havia um belo jardim na praça, onde eles andavam — sem pressa — em círculos.

— É tão lindo aqui. Havia me esquecido da calma desse lugar. — comentou o Duque.

— Já esteve aqui? — Renesmee perguntou com curiosidade e um brilho no olhar.

— Uma vez com o meu pai e a Rachel. Ele queria que nós nos distraíssemos. Não se lembra? Eu estava em férias de Ethon.

— Acho que ainda era muito pequena, Jacob. Além disso, lembro-me que o Duque sempre viajava.

— É verdade, eu sempre me esqueço. — o nobre riu. — Às vezes, você não parece ter sido aquela garotinha, mesmo que continue meiga e com o rosto angelical. Você se tornou uma linda mulher, ma poupée. Eu te amo. — o homem acariciou as mãos enluvada da ruiva. Ela sorriu para ele enquanto o olhava de forma doce e apaixonada.

— Não podemos nos beijar, certo? — ela deduziu tornando seu olhar e sorriso traquinas.

— Exatamente! Jamais poderemos demostrar esse tipo de intimidade em público, seria um ato escandaloso. Deixa para quando voltarmos para a proteção dos nossos aposentos no hotel, lady Black! — ele advertiu com um olhar malicioso.

— Oficialmente, ainda não sou Lady Black. — a ruiva retrucou de forma zombeteira.

— Para todos, é sim. — Jacob olhou ao redor da praça onde outros casais também passeavam. — No entanto, isso é apenas um detalhe que resolveremos em dois dias. Aguarde-me!

~*~

Dois dias haviam se passado desde que chegaram à Escócia. Após um farto desjejum, a comitiva do Duque partiu bem cedo em direção ao rio para pegarem uma balsa que os levaria para ilha de Skye.

A travessia do rio foi tranquila e relativamente rápida, porém a ruiva não apreciou muito. Ela teve um pouco de medo, mas não confidenciou ao noivo.

No entanto agora, pela janela da carruagem que seguia devagar, Renesmee — outra vez — descobria uma nova paisagem. Era ainda mais pura que Kent. Para uma amante do campo, aquilo era o paraíso.

As estradas eram de terra e ao longe havia belas montanhas gramadas com o singelo sol clareando o topo delas, causando um perfeito dégradée em sua extensão. Por trás estava o céu claríssimo, porém cinza.

Viam-se poucas construções. E ao invés de árvores, eram arbustos e pedras de vários tamanhos e cores. O comércio aparentemente datava do século XVII, mas combinava com o cenário rústico.

O tempo durante o caminho passou tão rápido para os olhos apreciativos da jovem, que ela só deu conta do fim da viagem quando a carruagem parou no pátio do Uig Hotel.

O local era pequeno e simples, mas bem aconchegante. Renesmee reparou no pequeno saguão. A pintura era de um delicado azul, as cortinas claras e os móveis de carvalho clareava o edifício antigo.

Quando Elizabeth e a ruiva chegaram ao quarto, seus baús já estavam lá. O aposento era grande comparado à aparência singela do hotel.

—Vou preparar seu banho, Senhorita. — avisou a governanta, dirigindo-se a outro cômodo conjugado.

Renesmee sentia-se um pouco cansada, acabou optando por deitar-se sobre a cama grande e macia. Os lençóis cheiravam a lavanda.

A ruiva não parava de sorrir, estava extasiada por ver coisas tão novas, bonitas e incríveis. Parecia um sonho tudo aquilo.

A garota divagava entre as últimas lembranças que viveu em Kent. O verão maravilhoso que passou com o Duque, o outono de intensa paixão, o inverno mais triste que conseguia se lembrar, e então a primavera que vinha derreter o gelo dos dias de solidão. Uma alegria imensurável dominou sua alma, em breve seria esposa e mãe.

Ela percebia como sua vida andou no último ano, como havia crescido... Porém a senhorita Winslet interrompeu seus pensamentos.

— Vamos lá? — a mais velha sorria.

Quando finalmente Renesmee estava desnuda, imergiu na banheira de água morna.

— Calêndulas! — Renesmee observou, maravilhada, o cheiro da água. — São flores maravilhosas!

— Hoje é um dia muito especial! — respondeu a governanta que arrumava seus trajes de baixo no outro lado do cômodo.

A ruiva então engoliu em seco. Em breve estaria casada... Em breve seria lady Black. Uma Duquesa!

— Senhorita Winslet? — a ruiva chamou um pouco hesitante.

— Sim, minha doce menina. — a governanta virou-se para ela.

—Estou insegura... Quer me dizer alguma coisa? — perguntou vacilante.

Elizabeth surpreendeu-se pela pergunta da garota, não era do feitio dela perguntar alguma coisa. Renesmee nunca lhe expôs uma única dúvida pela vida inteira. A governanta se sentiu feliz com aquilo, entretanto, segurou um sorriso. Ela sabia que Renesmee estava enfim amadurecendo. Estava tomando noção do que estava por vir, pelo menos.

Devagar ela se aproximou da banheira e sentou em sua borda, olhando a mais nova com afeto.

— Não se sinta assim! Eu não posso dizer para você como é um casamento, porque nunca tive a graça de estar em um. Porém posso lhe garantir que se continuar sendo essa menina adorável, inteligente e amorosa que é, com certeza será uma ótima esposa, mãe e tudo o que precisar ser. — a governanta falou com ternura.

Renesmee sorriu para ela agradecida. — Sobre hoje à noite... — Elizabeth pigarreou, o assunto era constrangedor para ela. Não que fosse pura e casta, pois não era, porém era comprometedor não ser casada e demonstrar conhecimento sobre o assunto. — Não será nada novo. — completou rápido enquanto corava mais que os cabelos da garota.

— Está bem, mas o que acontecerá? — Renesmee indagou curiosa. Tinha a inocente ideia que o leito partilhado era diferente depois de matrimônio.

Resolveu falar justo agora, menina? Foi a pergunta que Elizabeth engoliu.

Ela levantou-se da borda da banheira, ajeitou as saias e virou de costas para responder à ruiva.

— Não sei dizer ao certo, mas não é nada de novo ou que deva se preocupar. Você já concebeu um bebê, na hora saberá o que fazer, isso é certo. — finalizou e encarou a garota na banheira com um sorriso amistoso. — Agora relaxe! Eu volto em alguns instantes.

E realmente Renesmee relaxou e voltou a divagar sobre o rumo agradável em que seguia sua vida.

~*~

Os raios dourados do sol brilhavam e adornavam o céu levemente cinzento, era uma bela tarde de primavera. Dentro da luxuosa carruagem que trilhava a inóspita estradinha de terra batida, Renesmee seguia para mais um caminho desconhecido. No entanto, diferente das outras vezes, quem estava ao seu lado agora era Elizabeth. Essa congelava um sorriso encorajador.

A ruiva estava em um belo vestido na cor de creme, com renda francesa e seda em suas bordas e na cintura marcada logo abaixo do seio. Seus cabelos estavam presos em um elaborado coque, sobre eles havia um singelo véu bordado feito pela própria governanta, especialmente para a ocasião — a modista não tinha conhecimento que o vestido costurado era para uma noiva—. Nas mãos, uma grande luva de seda e um generoso buquê de flores rosa de diferentes tons.

— Está absolutamente linda. O Duque irá adorar! — Elizabeth comentou.

Renesmee estava visivelmente nervosa. Era um evento único e imensamente importante que aconteceria em alguns minutos.

A carruagem logo parou diante de uma linda capelinha toda feita de pedras. Ao abrirem a porta, Renesmee percebeu a sofisticada roupa do cavalheiro. Quando fitou o seu lacaio ela sorriu abertamenteEmbry estava vestido a caráter e sustentava um grande sorriso para a garota.

— Vamos, milady? — Ele lhe ofereceu as mãos para ajudá-la a descer do veículo. As delicadas mãos da menina estavam trêmulas. — Nervosa? — o marquês perguntou brincando. A noiva anuiu. — Não precisa ficar. Tem um Duque lhe esperando no altar.

Elizabeth — que desceu logo atrás — correu para ajeitar o vestido, pôr o véu sobre a face angelical e entregar o buquê nas mãos estremecidas da noiva. Então a governanta caminhou rapidamente em direção à porta de madeira fechada e aguardou pelo sinal do Marquês para abri-la.

Ao sutil sinal de cabeça do nobre, Elizabeth abriu a porta dupla e adentrou na pequena capela.

Quando Renesmee pode contemplar o interior da singela capela, sentiu vontade de chorar. Estava tão bonita adornada com flores presas nos poucos bancos de madeira. No chão do corredor que se formava entre o espaço dos bancos, havia um tapete vermelho e lá no final o homem que ela amava estava sorridente e ansioso. Ela com certeza pintaria um quadro daquilo depois.

Renesmee estava com o coração acelerado, por um segundo duvidou que pudesse se mover.

— Está pronta, milady? — perguntou o nobre que tinha os braços entrelaçados ao dela.

Não havia ninguém na pequena capela, com exceção do reverendo, as duas testemunhas e os noivos. Mas Renesmee não se importava com aquilo, ela apenas conseguia focar no sorriso e no olhar extasiado do Duque.

Jacob sentiu que seu coração poderia sair pela boca. Sua noiva estava linda, parecia um anjo. Ele finalmente se casaria com a única mulher que já amou na vida. Estava pronto para ser plenamente feliz.

— Seja feliz, caro amigo. — Embry disse assim que ficou diante do altar e entregou a noiva ao Duque. — A faça feliz. — O Marquês concluiu, já caminhando para o lugar destinado ao lado de Elizabeth no altar.

— Estamos hoje aqui reunidos para celebrar a união do sagrado matrimônio entre Jacob William Black III, Duque de York e Cambridge, com a senhorita Renesmee Wood... — O reverendo deu início à cerimônia.

Durante o discurso, o reverendo citou um trecho bíblico que fala sobre o amor dos homens.

Renesmee já não conseguia mais conter as lágrimas, a emoção estava gritando em seu peito. Elizabeth também chorava, enquanto que Embry sorria ao seu lado. Já o Duque não conseguia desviar o olhar da noiva, estava fascinado com ela.

— Senhorita Renesmee Wood, aceita Lorde Jacob William Black III para ser seu legítimo esposo?

— Sim! — Renesmee responde com a voz embargada pelo choro.

— Lorde Jacob William Black III, aceita Renesmee Wood para ser sua legítima...

— Sim! — o nobre o interrompeu o reverendo sem ao menos tirar os olhas da noiva.

O reverendo sorriu da ansiedade do Duque, mas por fim prosseguiu.

— Sendo assim, Eu vos declaro marido e mulher!

Jacob sorriu e aproximou-se da amada. Ele lentamente suspendeu o véu que ocultava sua face, enxugou as lágrimas que teimavam em macular o rosto de boneca, segurou nas mãos cada lado das bochechas coradas e levou os lábios até a testa alva, depositado ali um beijo casto de adoração. O ato transbordava carinho, era uma promessa silenciosa de amor e cuidado com ela.

— Eu te amo! — confessou o duque.

Notas finais
Gostaram??? =D Eu adorei o casamento! Renesmee descobrindo coisas novas.... Pena do Joe =/ Maaaas quem resiste ao Duque. Logo Lady e Lorde Black retornam para Londres. Alguém ansioso?? Esperamos 35 comentários, assim postaremos mais dois antes de 2016 =D Até o próximo, amadas! Beijinhoooos Jenny e Daaay