Notas iniciais
Olá amadas! Estamos muito contentes com o retorno que recebemos com a fic nesse primeiro capitulo! Amamos cada comentário, então aqui vai mais um. Curiosas? Espero que gostem do capítulo tanto quanto nós. Boa leitura e mergulhem no seculo XIX ;)

Katherine Wood vagava pelo vilarejo de Kent havia dias. Ela partira logo que amanheceu – após passar a noite em uma cabana abandonada e em ruínas-, não estava preparada para a chuva torrencial que passou a cair de repente durante a tarde, sendo assim usou de seu único xale – grande e puído – para proteger a filha de apenas um mês enrolando-a no grosso tecido e segurando-a na altura de seu peito.

A jovem utilizou sua pequena bolsa colocando-a sobre a cabeça protegendo-se da água como podia. Na estrada arenosa a água formava pequenas poças e uma fina lama, e Katherine afundava suas sapatilhas na terra enlameada, seu vestido azul agora estava molhado da cintura para baixo e tinha a barra negra, mesmo com o frio vigoroso e com os pingos de chuva pinicando sua pele a jovem mãe levava com todo cuidado e alento à filha nos braços.

Era meado de abril, próximo ao fim da tarde, a mesma chuva que assolava Katherine em seu caminho castigava o lindo gramado que cercava a Casa Black, há alguns metros da estrada. A construção ostentava as pedras recém-polidas, assim que a loira avistou a grande casa sorriu e apertou mais a filha em seu seio, há dois dias não encontrava um lugar o qual pudesse pedir abrigo ou até mesmo oferecer seus serviços de arrumadeira, cozinheira e lavadeira. Contudo apenas conseguiu um copo de leite em uma taverna pouco movimentada.

Mal percebendo a distância que havia entre ela e a enorme casa, Katherine apertou o passo e sorrindo esperançosa rumou em direção a casa mais vistosa que encontrou desde que desceu da carroça alugada.

A casa que abrigava o Duque, seus filhos e a criadagem, embora parecesse antiga olhando de fora, por dentro as paredes do principal salão eram de um azul celeste jovial, a mobília era a da moda, havia várias valiosas obras de arte enfeitando as paredes, as cortinas e tapeçarias sempre claras eram trocadas com frequência e o cheiro de terra molhada invadia violentamente a casa. Nada se via através das grandes janelas da mansão onde a água batia freneticamente formando um ruído horroroso no interior do imóvel.

No segundo patamar, na sala íntima cor de damasco a Senhorita Elizabeth Winslet acompanhava o casal de filhos do Duque William Black no chá da tarde.

– Esses biscoitos estão maravilhosos. – a menina de treze anos falou ainda terminando de mastigar o biscoito, engolindo-o em seguida.

– Senhorita Rachel! – a governanta a repreendeu – Não pode falar enquanto come. Primeiro mastigue devagar, engula...

– Lentamente e fale pausadamente. – Rachel completou sorrindo. A Senhorita Winslet sempre repetia as normas de etiqueta.

– E não interrompa a frase de uma dama! – brigou Elizabeth de forma suave.

Elizabeth com seus quarenta e quatro anos permanecia solteira. Era baixinha e um pouco roliça, filha da governanta e do mordomo anterior, mas ela havia aprendido a ser uma autêntica dama como sua mãe, por isso era tão boa e querida governanta na casa do Duque.

– E você senhor Jacob Black, feche esse colarinho. – advertiu para o jovem sentado ao lado da irmã.

– Mas incomoda senhorita. – o rapaz ponderou.

– Está tomando chá com duas damas, não pode ficar tão despojado. – explicou.

– É só minha irmã e a senhorita. – o futuro Duque mostrou sua crença na irrelevância do fato apontado por Elizabeth.

A governanta balançou negativamente a cabeça.

– Damas são sempre damas, senhor Jacob. Deve tratar a todas com alto respeito e formalidade. – a senhorita falava eloquente. – Vamos, concerte esta camisa. – exigiu.

E o rapaz obedeceu sorrindo.

Entretanto não demorou muito e um dos criados chamou Elizabeth, guiando-a para o hall da entrada principal. Ela chegou muito elegante a entrada da casa e logo seus olhos bateram em Katherine.

A governanta avaliou a jovem por um momento, a moça estava assustada, toda molhada, a musselina estava transparente e os lábios levemente roxos denunciava o frio vigoroso e como se não bastasse havia um pequeno embrulho nos braços da loira dos cabelos curtos, Elizabeth levou apenas um segundo para perceber que era um bebê. Ela viu nos olhos de Katherine o desespero e logo a conduziu por um longínquo corredor até que ambas saíram na ala dos criados.

– Gostaria de um emprego. – Katherine falou quando percebeu que Elizabeth não falaria com ela. – Por favor! Eu imploro! Estou a quase duas semanas andando com minha filha e não consigo um serviço, preciso de abrigo. – a menina suplicava enquanto seguia a governanta para um quarto.

– Sei lavar, passar, cozinhar, arrumar, lustro madeiras muito bem! – Katherine continuou de forma desenfreada, o desespero já a dominava. – Posso trabalhar com o que precisar, por favor, me deixe ficar. Não tenho para onde ir com a minha filha, ela é muito novinha para pegar tanta friagem. – sua voz estava esgotada, mesmo não querendo estava chorosa.

Katherine já não sabia mais o que fazer. O seu pouco dinheiro já estava acabando. Se continuassem a rejeitá-la ela não tinha tanta certeza se sobreviveria até o fim do ano.

Elizabeth ouviu tudo calada e reflexiva, retirou de um baú um vestido verde musgo de linho, já fora de moda, após analisar a peça ela estendeu a Katherine.

– Tome, vista isso imediatamente!

Katherine arregalou para ela os dois olhos azuis. Elizabeth lhe deu um sorriso simpático.

– Eu seguro ela para você. – ainda em tom amável a governanta se ofereceu e Katherine bastante receosa entregou a menina adormecida para a outra.

– Sou a Senhorita Elizabeth Winslet, sou governanta nessa casa. – se apresentou.

– Sou Katherine Wood. – disse a fraca voz da loira.

– Qual o nome dela? – Elizabeth perguntou encantada enquanto balançava a menina nos braços e Katherine se vestia.

– É Renesmee.

– Ela é linda. – comentou Elizabeth admirando os traços delicados e extraordinariamente bonitos, a menina possuía um tufo de cabelo liso e alaranjado saindo do gorro, e uma boca carnuda e vermelha.

– Obrigada. – Katherine disse ao terminar de se vestir.

– Pegarei algo para ela também. – avisou Elizabeth antes de devolver a menina para a mãe e buscar por algo no mesmo baú no qual pegou o vestido.

Prontamente ela estendeu um cashmere grande, cheiroso e vistoso sobre a cama, pegou Renesmee outra vez, deitou-a sobre o tecido, retirou o vestido frio e levemente úmido e a envolveu no cashmere para depois tirar um xale do mesmo baú anterior e revesti-la.

– Muito obrigada mesmo. – agradeceu a loira pegando sua filha novamente nos braços.

– Bom, por hoje pode ficar aqui, há um quarto vago. – Elizabeth começou entrelaçando as mãos frente ao corpo. – Pode tomar um banho se quiser e comer algo na cozinha, quanto ao emprego eu preciso falar com o Duque, mas tenho quase certeza que ele te deixará ficar, você tem carta de recomendação?

Katherine negou com a cabeça.

– Não me leve a mal, por favor, só fiz isso para proteger minha filha, precisei sair às pressas de onde vivia e com o pouco dinheiro que eu tinha vim até aqui, não tenho mais nada. – a mais jovem olhou temerosa para a outra, todavia a governanta lhe deu um sorriso condescendente.

– Bem, descanse hoje, amanhã te direi o que fazer.

Katherine apenas assentiu.

Elizabeth a guiou para um quarto depois do seu, cheirava a lavanda. Era quase do tamanho da cabana em que morava, porém havia uma pequena lareira, uma grande janela, um baú igual ao de Elizabeth e uma cama também, igualmente espaçosa e bem forrada.

Katherine primeiro banhou sua menina em água morna e a alimentou, depois se lavou quando Renesmee dormiu e foi até a cozinha, pois Elizabeth disse que havia sopa para ela. Estava faminta, há dias não fazia uma refeição decente, e temia que seu leite secasse por falta de uma alimentação saudável. Isso a desesperava.

A loira conheceu as cozinheiras e arrumadeiras as quais comeram com ela. Todas foram muito simpáticas com Katherine, na hora de dormir a garota dormiu sorrindo, mas não sem antes orar agradecendo pela oportunidade, pois Katherine agora sentia em seu coração que poderia viver ali.

~*~

Por volta das dez da manhã do dia seguinte o Duque de York chegou a casa, após uma abastada refeição, Elizabeth lhe informou sobre a jovem que chegara à tarde anterior.

William pediu que a levasse até ele – mais para cumprir suas obrigações como dono da casa do que como preocupação com a criadagem de fato-. Ele confiava na senhorita Winslet e se ela havia dito que a jovem precisava do serviço, ele não duvidaria. De qualquer forma a governanta levou a Senhorita Wood até o patrão.

O Duque tinha quarenta anos e era o quinto a herdar o título desde que o primeiro Duque da família Black era segundo filho do Rei inglês, isso há algumas gerações. William vinha de uma linhagem de importantes nobres, com vários títulos herdados de seus antepassados. Era um homem muitíssimo rico e poderoso, influente na câmara dos Lordes. Tinha dois títulos de Duque – York e Cambridge –, Marquês de Bristol e Conde de Kent. O condado de Kent era uma de suas muitas propriedades, e mesmo sendo a menor era a sua favorita. Era ali que William passava seus dias isentos de obrigações parlamentares.

Assim que Katherine adentrou na sala formal, onde as paredes possuíam um tom azul acinzentado, William deixou um pouco de seu queixo cair. Não pela beleza da mulher – embora ela realmente fosse muito bonita com seus olhos azuis cobalto intensos, pele extremamente branca e cabelos loiros platinados –, Katherine tinha olhos sofridos, expressão abatida, estava muito magra, sua clavícula estava em evidência. Por outro lado William era um bom homem, bastou olhá-la por não mais que dois minutos, avaliando-a e ouvindo-a contar sobre sua jornada e a dificuldade em criar a filha, que permitiu seus serviços por tempo indeterminado, afinal, ele nunca dispensara um criado.

Katherine agradeceu imensamente tanto ao Duque como a Elizabeth, essa pediu que a chamasse por Lize.

Não muito tempo depois os olhinhos chocolates e brilhantes dos gêmeos Black estavam curiosos enquanto esses se escondiam atrás da porta observando a governanta apresentar a nova criada a todos os outros subordinados.

– Onde será que ela vai trabalhar? – Rachel indagou em sussurro.

– Eu não sei. – Jacob respondeu risonho. – Não entendo por que tantos criados. Eu acho que papai apenas gosta de ter uma desculpa para abrigar a quem precisa. – constatou fitando a irmã com cumplicidade.

Jacob Black era só um menino de treze anos, ria de tudo, brincava no campo e não perdia a oportunidade de aprontar alguma armadilha para sua irmã gêmea Rachel. O menino alto, magricela de pele estranhamente bronzeada para um inglês, era herdeiro do título. Sua mãe Sarah era descendente de nobres espanhóis e filha de um Marquês, tendo o mesmo tom de pele que o menino. Sarah havia morrido a três anos de uma doença misteriosa. A Duquesa havia adoecido e permaneceu acamada por quase dois anos, definhando e se deteriorando lentamente, até que sucumbiu ao mal que já a assolava há anos.

William mesmo muito deprimido com a perda da esposa em momento algum se deixou abater ou se fechou em um mundo só dele esquecendo-se dos filhos, como era comum de um homem de sua estirpe.

Wiliam levava muito à sério a criação dos dois filhos e prezava a importância da família, ele nunca largou Jacob e Rachel nas mãos dos empregados, muito pelo ao contrário, quando – por obrigação – precisava ir até Londres, sempre que possível levava os meninos com ele.

Entretanto na maior parte do tempo o duque gostava de residir em sua propriedade no campo. O terreno era vasto, levava-se mais de uma hora para percorrê-la, o lorde preferia o verde da relva e o aroma das flores silvestres a observar a aristocracia londrina ao despertar pela manhã.

Jacob seguia o mesmo gosto que seu pai. O campo. Ele passava horas com Wiliam naquele gramado, ouvindo sobre filosofia e astronomia, conhecendo as árvores e ouvindo histórias de seus antepassados. Jacob adorava ao pai e temia um dia não ser um Duque tão bom quanto ele.

Kent, 1805

O verão estava generoso aquele ano, estava difícil manter a beleza das flores que cobriam o campo atrás da Casa Black, as chuvas esporádicas eram tremendamente apreciadas. Dentro da casa do Duque por volta do meio dia as risadas vindas da sala de jantar irrompiam todo o silêncio do primeiro patamar.

Jacob havia ido estudar no colégio Eton para meninos aos quatorze anos e agora estava empolgado e preparando-se para ir no próximo ano para Oxford, o que causou grande euforia no Duque. Rachel também era responsável pelas risadas à mesa posta para o almoço, o Príncipe Paul a cortejava, o rapaz era o segundo na linha de sucessão ao trono e, segundo a filha de William, o Príncipe pretendia viajar até Kent apenas para pedir a mão dela ao Duque.

Rachel há um ano havia ido debutar em Londres ficando na casa dos seus tios, sendo ela muito bonita e exótica com a pele tom de pêssego, olhos cor de mel esverdeado e pesados cabelos castanhos e brilhosos, ninguém estranhou o interesse do jovem príncipe.

– Bem, acho que devemos nos preparar para receber vossa alteza real! – Bradou William sorridente e animado.

Todos sorriram inclusive a criadagem que servia o almoço, todos gostavam da família Black e mesmo controlados estavam ansiosos para receber o noivo da jovem Rachel.

Katherine agora possuía o cabelo mais brilhoso e longo – indo até a cintura –, mas ela sempre o prendia em uma trança, seu corpo estava mais cheio e curvilíneo, sua pele mais rosada e seus olhos mais alegres. Ela acompanhava as outras criadas para lá e para cá, servindo os senhores da casa, no entanto a jovem era seguida assiduamente pela ruivinha – sua filha – que andava segurando uma porção de seu vestido amarelo.

Renesmee era tímida e bem miúda, sempre muito apegada a Katherine. Seus cabelinhos cor de cenoura chegavam aos ombros e viviam alvoraçados, sua bochecha bem redonda era rosada e os olhos muito azuis sempre estavam curiosos e brilhantes.

– Aiiiiii – gemeu a mãe da menina curvando-se sobre o corpo, levando as mãos ao ventre –onde doía– deixando um conjunto de prata cair ao chão.

– Mamãe! – Renesmee gritou com sua voz fininha e abaixou-se ao lado da mãe.

Katherine estava totalmente curvada a um metro da mesa, bem ao meio do corredor. A criada arregalou os olhos de dor e espanto, no vestido do uniforme claro surgiam manchas vermelhas conforme ela sentia um líquido lhe descer as pernas, ela não conseguia controlar as lágrimas de dor, agora que as cólicas constantes dos dias anteriores estavam aumentando.

William ao ouvir o gemido e notar o estado de Katherine, ele saltou da cadeira apavorado, assustando os dois filhos e a criadagem ao redor. Correu e foi até a loira dizendo alarmado:

– Ah meu Deus! Kate, querida, está bem? – ele chamou-a temeroso, sem demora ou esperar uma resposta o Duque pegou a jovem nos braços, ela ainda gemia de dor e se contorcia.

O duque seguiu para o quarto da criada e foi seguido por Elizabeth e Rosamund – uma criada mais velha –, o homem rapidamente deitou a loira na cama e abaixou-se para falar com ela:

– O que houve? – perguntava o duque apavorado.

– Eu não sei. – disse Katherine fraca, a dor aguda passara, mas a sensação de estar vazando não.

Renesmee no corredor chorava e chamava pela mãe, faltou pouco para ir atrás de William e das duas criadas, porém Rachel prontamente levantou-se da cadeira e a pegou nos braços tentando acalmar a pequena menina.

– A mamãe... – a vozinha chorosa de Renesmee atingiu a morena que se compadeceu da criança.

– Ela vai ficar bem, não é nada demais. – Rachel sorriu para ela enquanto a embalava nos braços, logo ela olhou para o irmão e fez sinal que iria atrás do pai.

Jacob por sua vez bufou de forma nada cavalheira e observou os olhares maldosos das criadas restantes.

– Ela parece estar... – disse uma das mais antigas da casa.

– Ela está. – afirmou uma quase idosa.

– Bem, aprece que estava. – concluiu a primeira encarando a idosa e suspirando em lamento.

O filho de William grunhiu impaciente e levantou-se seguindo para o salão informal.

William não mais pôde ficar com Katherine no quarto dela, as outras duas o expulsaram, porém ao chegar ao corredor observou que Rachel trazia a pequena Renesmee chorosa nos braços. A ruivinha então se atirou nos braços do Duque assim que a distância permitiu e o homem sem pestanejar a embalou e a mimou, tentando amenizar o choro da criança.

– Mamãe tá dodói? – ela perguntou agarrada ao pescoço de William.

– Não, é só um dorzinha, vai passar. – o homem falou abraçando mais a menina e acariciando os cabelos dela.

Rachel observou a cena por uns instantes e foi até o irmão que andava de um lado a outro da sala mantendo a expressão pensativa e séria.

– Que tumulto! – Rachel pronunciou se anunciando e sentando-se em uma das poltronas de estampa floral.

– Cadê o nosso pai?

– Cuidando da pequena, ela está muito assustada. – a irmã respondeu, após refletir por uns segundos acrescentou – O que será que a Senhorita Wood tem?

Não era assunto para uma donzela como a sua irmã, mas era algo que julgava importante. Jacob não era mais um molecote, agora já era um homem, e sabia de algumas coisas a respeito das mulheres. Ele a fitou desconfiado e após um longo suspiro sentou-se no sofá – em frente a Rachel – e falou:

– Acho que está grávida.

Rachel abriu a boca em um grande O.

– Mas ela nem é casada... – refletiu.

O irmão então a encarou sarcástico. Não precisa ser casada para ter um bebê. Ele quis dizer com o olhar.

– A senhorita Katherine não parece ser do tipo desfrutável. – sussurrou Rachel para o rapaz.

– Não, mas acho que ela está tendo algo com o duque. – Jacob expôs e sua irmã levou as duas mãos a boca, horrorizada.

– Jacob! Nosso pai jamais faria isso! – ralhou.

– Ele é homem, Rachel. Além disso, a Senhorita Katherine é muito bonita e agradável, o pai é viúvo, eu não duvidaria. – Jacob esclareceu mantendo a calma, ao contrário de Rachel que parecia – e estava– alarmada.

– E se for verdade? – murmurou a jovem.

Jacob ergueu uma das sobrancelhas, não sabia se ela se referia ao romance ou a gravidez, como ambos estavam ligados ele apenas respondeu:

– Apenas acho que o pai está se metendo em um grande problema.

~*~

– Mamãããe. – Renesmee entrou correndo e jogou-se na cama da mãe assim que Elizabeth saiu com Rosamund e deixou que o Duque entrasse com a pequena.

Havia se passado muitos minutos e William estava com Renesmee na biblioteca distraindo a pequena com contos infantis – havia uma coleção desde quando os gêmeos eram pequenos –, mas ele mesmo não tirava a imagem de Katherine gemendo de dor de sua cabeça.

Ao retornar ao quarto ele observou a moça repousar tranquilamente, os lençóis e roupas haviam sido trocados e Katherine agora conversava com a filha ansiosa.

– Você está melhor? – o Duque perguntou sentando a beira do colchão e acariciando os fios loiros da cabeça da mulher.

Ela apenas anuiu e permaneceu fitando a filha entreter-se no babado da manga da camisola que Katherine vestia.

– O que aconteceu? – o Duque perguntou cadenciadamente a fitando avaliativo.

– Sofri um aborto espontâneo. – ela sussurrou, quase não deu para ouvir, mas William ouviu muito bem e arquejou.

– Kate, eu sinto muito. – falou e engoliu a seco.

Katherine o fitou, tristonha, e quando o homem beijou seus lábios de forma casta ela sentiu a quentura de uma lágrima descer dos olhos até seus lábios.

– Por que não me disse o que estava acontecendo? – o Duque perguntou suavemente. – Teve medo?

– Eu não sabia – ela arregalou os olhos – Parecia tudo normal como nos meses anteriores. Eu sangrei nos últimos dias e senti cólicas, mesmo estando tonta e sonolenta, pensei serem as regras. – a loira explicava e então lamentou: – Rosamund disse que foi um aborto, não era a regra, eu perdia sangue e hoje eu perdi... – ela engasgou com o choro que vinha, porém William pôs o dedo delicadamente sobre os lábios dela e acariciou os cabelos dela.

Há alguns meses o Duque não controlou sua atração pela jovem criada e deixou-se ser desmascarado. Sempre que Katherine encontrava-se sozinha pela grande casa, William a cercava e declarava os muitos elogios a ela e tentava a todo custo tê-la em seus braços. Até que um dia chuvoso enquanto a loira estava sobre uma pequena escada limpando prateleiras da biblioteca o Duque trancou o cômodo a assustando, todavia Katherine permaneceu onde estava e atônita demais deixou o Duque se aproximar, pegá-la nos braços e provar para loira que ela o queria tanto quanto ele desejava a ela.

Com o tempo William percebeu que o carinho que tinha pela criada era grande demais, sua preocupação era extrema, a necessidade de vê-la todos os dias e noites era gritante, ele não mais disfarçava seus olhares carinhosos diante dos criados. Katherine preencheu totalmente o vazio que William sentia todos esses anos, desde a morte de sua amada esposa ele jamais desejou alguém com tanto ardor, ele nunca quis cuidar de alguém como queria fazer com Katherine, ele poderia dizer que a amava de verdade.

– Sinto muito ter deixado isso acontecer. – murmurou a loira voltando a ter atenção à filha deitada ao seu lado, totalmente aconchegada nos lençóis.

– Não amor, a culpa não é sua. Eu deveria tomar cuidado, desculpe te fazer passar por isso. – ele retrucou e fitou a criança ao lado de Katherine. – Não deve ter sido fácil ter a Renesmee. – comentou.

– Não foi! – ela balançou a cabeça. – A gravidez foi difícil, passei por muitos sacrifícios e necessidades, além do parto ter sido muito trabalhoso. Achei que não aguentaria e bom, Graças a Deus encontrei esta casa e vossa generosidade para nos abrigar e termos o que comer. – ela respondeu também fitando a menina já sonolenta.

– Kate... – ele a chamou – Quem é o pai da Renesmee? – sondou e viu um lapso de pavor passar no rosto da amante.

– Bill, eu prefiro não dizer. – ela cariciou a face do homem.

As feições eram másculas e severas, no entanto os olhos verdes e claros eram encantadores, contrastando com a pele alva e o cabelo negro, os orbes transpareciam o coração bondoso do homem.

– O que aconteceu para você ter passado por tantos sacrifícios? Por que ele não arcou com as responsabilidades dele como homem? – William tentava entender o que tanto magoava e apavorava a amante.

Katherine suspirou tristemente. Não poderia compartilhar sua história com o Duque, mas amava-o demais para deixar que pensasse mal dela.

– Eu tinha apenas dezesseis anos quando conheci o pai da Renesmee. Eu era muito jovem e ingênua, não tinha mais os meus pais para me orientarem. Então quando ele surgiu me cortejando, fazendo juras de amor... Eu não resisti e acabei caindo. Em pouco tempo eu estava completamente apaixonada por ele. Foi quando ele pediu uma prova do meu amor. – Katherine bufou impaciente, mas uma lágrima solitária descia pelo olho esquerdo. Prontamente ela recolheu. – Eu nunca tinha me deitado com um homem, eu era pura e casta. – mais uma vez recolheu uma lágrima que escorria pelo outro olho. William se remexeu incomodado. – Uma semana depois ele havia sumido e escutei dos outros criados da casa a notícia que ele havia se casado. Meu mundo desabou. Eu me desesperei, fiquei muito mal por um bom tempo. Havia sido enganada e usada, mas mesmo assim eu ainda amava-o. Meses tinham se passado e a notícia que sua esposa estava grávida trouxe euforia a todos, menos a mim. Foi nessa mesma época que ele voltou a me procurar dizendo que me amava e que não teve escolhas, precisou se casar. Eu mais uma vez caí na conversa dele e acabei aceitando ser sua amante, só que depois de alguns meses eu descobri que estava grávida.

– Meu Deus, Kate! – William estava realmente surpreso. – Eu o conheço?

A loira pestanejou um pouco e disse:

– Eu não sei, mas... É provável.

– Por que não quer me contar? Aliás, por que fugiu dele? Ele a colocou pra fora? – o Duque mostrou-se horrorizado com a possibilidade.

– Não, não. Ele... – Kate umedeceu os lábios e resolveu falar de uma vez. – Quando fui contar que estava grávida a filha dele havia acabado de nascer. Ele me ameaçou, disse não queria um filho bastardo. Ele queria me levar numa curandeira para que ela me desse um chá para abortar o meu bebê. Acabei fugindo dele, jamais tiraria o meu filho. Eu o quero longe de Renesmee, para sempre. – declarou taxativa.

A loira não olhava mais para o duque, sua atenção agora estava toda voltada para pequena que dormia como um anjo ao seu lado. Renesmee era absolutamente a cópia do pai biológico.

– Entendo. – ele suspirou e abaixou a cabeça.

Raiva e ciúmes dominavam o duque naquele momento, mas ele tentava se controlar perante a loira. Se ele soubesse quem era o pai da pequena criança, com certeza acabaria com o homem.

– Posso pedir um favor? – Katherine perguntou já mudando de assunto.

– Todos que quiser.

– Podemos evitar que isso aconteça, não podemos?

O Duque sorriu.

– Claro amor. – ele levou uma das mãos dela aos lábios e beijou as costas. – Eu não vou deixar você passar por isso de novo, não é certo. Fui descuidado, mas eu prometo que a partir de agora vou fazer de tudo para que isso nunca mais aconteça, não quero ver você sofrer, mesmo que eu nunca a deixasse sozinha não é justo nem com você nem com a criança. – ele justificou e beijou os lábios rosados da criada mais uma vez.

~*~

Eram quase cinco da tarde quando William apareceu na sala íntima e se encontrou com os dois filhos tagarelando e de risinhos – como sempre – enquanto tomavam chá e comiam sanduíches, bem Jacob trocou a bebida quente por um brandy, mas ainda desfrutava do momento igualmente a irmã.

Os gêmeos fitaram-se com cumplicidade e logo ao Duque que os devolveu um olhar superior e imponente, William sabia que seria questionado sobre o assunto da tarde.

– Pai, eu posso falar com o Senhor em particular? – perguntou Jacob ao terminar com um sanduíche.

O Duque assentiu e dirigiu-se a seu escritório sendo seguido por Jacob.

– O que está havendo, senhor meu pai?

William suspirou, ele estava encostado na beira da mesa do escritório enquanto Jacob tinha as mãos ao bolso e a face curiosa, embora séria. Ele mantinha-se de pé de frente para o pai.

– Acho que sabe o que está acontecendo. – murmurou.

– Sim, está tendo um caso com a Senhorita Wood. – Jacob rebateu – Quero saber se é verdade que ela está grávida. – desenfreou a dúvida.

William arregalou os olhos

– Quem disse isso?

– Os criados comentaram depois desta tarde. – respondeu. – É verdade? – Jacob agora se mostrava aterrorizado.

Um bastardo, embora na maioria das vezes fosse escondido, era uma mancha em qualquer família nobre, se descoberto então, era o maior e pior escândalo para a sociedade.

– Não Jacob. – William disse firme, porém não deu tempo do filho suspirar de alívio. – Ela o perdeu. – completou com voz muito baixa e o lamento salpicado em seu tom.

Jacob o fitou catatônico, William respirava forte e tinha a face obscura, ele parecia triste. Angustiado. O rapaz entendeu ali que o pai realmente gostava da moça, ele realmente lamentava. Ou a perda do filho ou os sentimentos pela criada, mas William não parecia feliz no momento.

– Você a ama? – o rapaz indagou assustado e com os olhos esbugalhados.

William caminhou lentamente até a poltrona do cômodo e deixou-se cair ali, apoiando sua cabeça no respaldar acolchoado. Era vergonhoso para um homem confessar suas fraquezas, mas Jacob era seu filho, não havia motivos para ter vergonha do rapaz.

– Amo. Amo-a demais, Jacob. Vê-la sofrer me deixa agoniado, e ela está sofrendo agora, me sinto mal. – respondeu lamentando enquanto fitava o teto.

Jacob expulsou o ar com força e sentou-se na beirada da mesa, fitando o pai ele franziu a testa e perguntou com cautela:

– Mais do que amava a minha mãe?

– Não! – William respondeu com ímpeto e se aprumou. – Sarah foi o grande amor da minha vida. Lembro-me de quando eu soube que seu avô tinha acertado tudo para o meu casamento, eu me desesperei, até tentei fugir para Escócia. – o Duque sorriu com a lembrança. – Mas quando coloquei meus olhos pela primeira vez na sua mãe eu me apaixonei. Eu era muito jovem, mas a amei loucamente. Juntos nós tivemos um casamento pleno e feliz. Nunca vou amar ninguém como a Sarah. – falou carinhoso e sorriu para o filho. – No entanto a Kate deixou essa casa alegre, me fez sentir jovem outra vez, me possibilitou amar novamente, despertou em mim algo que estava adormecido desde que sua mãe se foi, amo a Kate de maneira diferente, ela completa o vazio que tenho no peito.

Jacob continuava a aquiescer conforme ouvia e refletia nas palavras do pai, então quando William levantou-se, serviu-se de um uísque e fitou a macieira de frente da casa pela janela do escritório, seu filho parou ao seu lado e admirando a mesma imagem lhe questionou:

– Vai se casar com a Senhorita Wood? – seu tom foi calmo e ele não parecia irônico.

E não estava. Ironias e sarcasmos não eram características típicas de Jacob Black, era sempre tranquilo e compreensivo, pelo menos na maior parte do tempo.

Por outro lado William parou com o copo a meio caminho da boca e fitou para o filho pasmo.

– Jacob... O quê? – o homem juntou as sobrancelhas e bebeu o resto do líquido do copo de uma vez. – Que absurdo!

– Disse que a ama grandiosamente, achei que queria torná-la duquesa. Acho realmente uma loucura desmedida, mas se deseja, não direi ao contrário. – replicou o filho.

– Jacob, seria terrível levar Katherine ao altar, casar-me com ela, ela não tem berço! – sussurrou dramático. – Amo-a, claro, muitíssimo até, mas ela é uma criada, eu causaria um tumulto sem tamanho na aristocracia se transformasse ela em Duquesa. – se explicou.

Jacob fitou o pai avaliando a situação e deu de ombros servindo-se também do destilado em seguida.

– Se pensa assim, confesso estar aliviado, mas não pode esquecer que se a engravidar novamente o escândalo será igual ou pior. – Jacob avisou antes de sorver da bebida e seu pai apenas anuiu, não reproduziria a conversa com Katherine. – Falando nisso... O que houve com o pai da Renesmee?

O Duque voltou a caminhar para o centro do escritório.

– É um canalha. – proferiu ríspido. – Primeiro a enganou e depois a ameaçou quando descobriu sobre a gravidez. Ela ficou com medo e fugiu, mas ainda tem pavor da possibilidade de um dia o patife as encontrar e fazer algo com a menina. Eu lamento tanto por ela. – falou e sentou-se outra vez na poltrona.

– E o Senhor sabe quem é? Acha que é um nobre?

– Não, Kate não me diz, mas tenho quase certeza que é um lorde. Se soubesse quem era faria um inferno na vida dele. – disse de forma categórica.

Jacob nada disse, mas pensava como o duque. O pai da linda criança ruivinha de encantadores olhos azuis, que perambulava agarrada as saias da mãe pela Casa Black merecia uma bela e dolorosa lição por fazer tão mal a duas lindas criaturas.

Notas finais
Aaah o que acharam? Gostaram? Nós estamos apaixonadas pela pequena Renesmee *-* Nos conte o que acharam do capítulo. Comentem, favoritem e recomendem! Não esqueçam, hein... Se houver pelo menos 15 comentários, postaremos ainda essa semana, bem provável no domingo, Senão, só fim de semana que vem! beijinhooos