Bloom
5 Pieces of Pain
Notas iniciais

A suave brisa das primeiras horas da manhã era suficiente para sacudir as hastes de flores campestres. A grama ainda estava úmida pelo sereno da noite, o ar ainda não estava aquecido. O sol nascido há pouco brilhava de forma escassa, o céu mostrava um azul claríssimo quase da cor dos olhos da menina sentada sobre a relva.
Renesmee observava a brisa levar as sementes de dente-de-leão de forma tênue pelo campo conforme notava a luz do sol aumentar e os seus raios cobrirem sua pele a aquecendo.
Estava envolvida em um fino xale sobre os ombros e os joelhos junto aos seios. Quando a menina notou o sol finalmente se firmar ela deu um sorriso largo e sem dentes, fechou os olhos e aproveitou o tempo tão agradável e cálido deitando sobre as flores delicadas, seus cabelos de coloração cobre intenso se destacavam no conjunto branco e gracioso das flores.
Renesmee perdia a noção apreciando com a pele os fenômenos da natureza, sentindo a mistura dos aromas vindo das plantações ao redor e podendo ouvir também o balançar das folhas das arvores próximas.
— Renesmeeee! – um grito ao longe fez a ruiva abrir os olhos.
— Senhorita Renesmee! – a voz parecia se aproximar.
Renesmee voltou a sentar-se e fitou em direção a Casa Black. A construção estava ao longe, bastante, pois a menina não estava mais na propriedade do Duque e sim em outro terreno vazio que ostentava a leve e vistosa vegetação, a qual Renesmee adorava contemplar.
— Renesmeeeee!
A ruiva então identificou a voz de Marina. Assim que a menina levantou-se e bateu brevemente o vestido verde claro, ela conseguiu avistar a criada esbaforida que rolava os olhos pelo campo atrás dela.
Marina sorriu satisfeita – ou quase – ao ver Renesmee caminhar calmamente para ela.
A menina de dez anos recém-completados parecia ter bem menos, por sua baixa estatura, rosto delicado – ainda arremetia a lembrança de quando era um bebê – e o corpo esguio e gracioso, o qual vestia um fino vestido, mesmo já sendo um modelo adulto – sem anáguas e cobrindo os tornozelos – possuía babados na barra e era ausente de decote e mangas.
A criada respirou profundamente, precisava de Renesmee apresentável e além da roupa surrada – a ruiva aproveitava suas roupas até o fim – a menina possuía os cabelos lisos e longos sem penteado e bastante alvoraçados pelo vento. Marina lamentou mesmo sem reparar o resquício de grama, pétalas e sementes no cabelo da menina.
— Senhorita!
— Bom dia Marina. – a ruiva a cumprimentou sem ao menos sorrir e continuou a caminhar de volta para a casa Black.
— Senhorita Renesmee, por que está tão à vontade? – Marina indagou retoricamente, já que Renesmee nunca a respondia – O Duque está aí para vê-la. Pensará que não cuidamos da Senhorita com devido zelo. – reclamou.
A ruiva bateu as pestanas rapidamente e girou os calcanhares fitando Marina brevemente.
— O Duque veio. – disse baixo, mais para si mesma e um pouco abismada.
— Sim! Ele está... – Marina informava a menina quando esta se colocou a correr em direção a casa deixando a criada para trás.
Renesmee sentiu uma fagulha no peito, uma alegria. Um sorriso tomou conta do seu rosto enquanto corria desenfreadamente para a propriedade Black e logo em direção aos fundos da Casa.
Desde a morte de sua mãe Renesmee havia se tornado uma menina reclusa e de poucas palavras, no entanto na presença do Duque ela se sentia mais confortável e amada. Não que os criados não a amassem, mas a menina tinha um bloqueio para os demais, já com o Duque ela sentia algo similar a uma família, por que era a única coisa mais próxima de uma família que ela tinha agora; o Duque William Black.
— Senhor Black! – ela gritou avistando o homem nos fundos da casa observando com sua face amena o clima de uma manhã morna de primavera.
Ao ouvir a voz fina e melodiosa de Renesmee, William sorriu e ergueu a vista. Seus olhos brilharam de contentamento por ver sua menina tão saudável e bem tratada.
Ele não se importou se ela estava descabelada, com roupas de ficar em casa ou se corria e gritava, ele estava satisfeita de vê-la em plena saúde, livre e ostentando um sorriso na delicada face.
Quando a menina chegou mais perto, William suspirou pesadamente. O sorriso da menina era a única coisa – física— que lembrava sua Katherine. Renesmee era linda, claro, mas o sorriso dela sempre fazia o Duque se lembrar de sua amada, o coração ficava cheio e a emoção transbordava nos olhos que sempre flamejavam a saudade que ele sentia da amante.
Bom, fisicamente era só isso. O tom dos olhos, cor de pele, cabelos, eram exatamente como o pai biológico. William fechou o sorriso ao pensar nisso. Sempre tinha vontade de socar o homem quando o encontrava em bailes ou na câmara, era inevitável ter encontros com ele em Londres, todavia o inferno que fazia na vida social e parlamentar do pai de Renesmee abrandava minimamente o ódio que sentia.
Por outro lado Renesmee achou que a nuvem negra da face do Duque era por sua causa, por isso inclinou a cabeça para baixo diante de William e disse quase murmurando:
— Desculpe-me Senhor Black, eu não tive tempo de me aprontar.
William balançou a cabeça e sorriu.
— Não há nada de mal minha querida. – ele se abaixou um pouco e suspendeu o queixo da menina para encará-la. – Pode me chamar de William se quiser, ou tio como costumava chamar quando menor. – ele falou carinhoso para ela.
— Achei que estava bravo, senhor meu tio.
William riu.
— Absolutamente não. Estava no campo?
— Sim. – Renesmee respondeu afoita e sorriu. – Gosto muito do campo dos James, é espetacular. – falou de maneira mais moderada.
O Duque indicou o caminho para dentro de casa e Renesmee o seguiu.
— Então eu deveria comprar o campo dos vizinhos para você não precisar invadir a propriedade. – William refletiu agradável, mas sério.
Renesmee o fitou com olhos arregalados. Ele bem seria capaz! Ainda mais que a família proprietária era camponesa, sem muitos recursos tanto que a parte frequentada pela ruiva era isolada e nas limitações do pequeno terreno.
— É algo ruim, eu observar o campo deles? – a menina perguntou temerosa.
— Não. No entanto, se gosta tanto eu poderia dar de presente para você. – ele respondeu e vislumbrou as bochechas da menina corarem e acabou elevando a comissura dos lábios em um singelo sorriso, causando rugas em sua face denotando a idade. – Mas não pense nisso, eu cuidarei de tudo no devido tempo, minha querida.
Renesmee era sempre mimada e bem tratada, contudo a sua consciência de que tudo era graças à bondade do Duque a deixava sem graça e muito grata, como a mãe sempre lhe ensinou. Apesar de tudo a jovem por dentro era a tão humilde filha de uma jovem criada.
Flashback ON
Katherine uns dias antes de morrer sentia-se ainda mais fraca, seus lábios já não tinha o tom rosado, assim como as bochechas, os cabelos não tinham mais o brilho e seus olhos embora brilhassem, estavam triste.
— Mamãe, eu quero que a senhora fique boa logo. – a ruivinha de oito anos falou sentada a beira da cama enquanto observava a mãe muito lentamente tomar uma caneca de leite quente. – Prometeu que me ensinaria a bordar. – acrescentou.
— Filha. – Kate disse fracamente e pigarreou – Elizabeth pode te ensinar a bordar. – a voz estava muito débil.
— Não! Ela não! Tem que ser a Senhora. – a menina contestou, Kate riu. Renesmee era muito apegada a ela e birrenta também, seu sorriso tornou-se triste, um bolo formou em sua garganta, pois sabia da falta que faria para a criança.
— Meu amor. – Kate colocou os cabelos soltos da menina para trás da orelha. – Se eu não estiver aqui, precisa confiar na Senhorita Elizabeth, ela é boa e generosa, te ensinará até melhor do que eu. Por favor, não seja teimosa. – ela falava carinhosamente e devagar, qualquer esforço lhe doía o peito tão danificado pela cruel doença.
— Mas... – Renesmee tinha olhos arregalados e mareados. – Vai me deixar mamãe? Por favor, não me deixe jamais! – sua voz tinha um agudo de tristeza e medo, as lacrimas já desciam pelos olhinhos azuis cristalinos.
Renesmee não conseguia ver a vida sem a mãe.
— Não sei... – Katherine respondeu e tossiu suavemente, logo respirando fundo pela dor que sentiu nos pulmões. – Mas se eu... – a loira segurou as lágrimas quando notou os olhos arderem, sua vontade era de gritar, arrancar sua cruel doença e jamais partir deixando sua filha para trás. – Se eu deixar você... – a voz dela nada mais era que um sussurro e suas emoções melancólicas pioraram com as lágrimas espessas descendo pela face angelical de sua filha. – Ora não irei te deixar, querida. – ela então abraçou a menina. – Não quero te deixar... Eu não posso te deixar. Não quero e de certa forma não vou, onde eu estiver estarei te amando e olhando por você. – completou com afinco, alisando carinhosamente as madeixas laranja da filha.
— Mamãe! – a menina chorava e enterrava o rostinho no colo magro da mãe.
— Escute meu amor. – ela colocou o rosto da filha entre suas palmas e encarou a profundeza dos azuis cristalinos – Eu estarei sempre com você, mesmo que você não me veja ou sinta a minha presença, eu estarei com você aqui – ela apontou para o coração da menina que olhou suas mãos – e aqui – Katherine tocou a têmpora da menina e emendou –. Porém eu preciso que confie nas pessoas tão amorosas que temos em nossas vidas nos momentos em que não me ver mais. Elizabeth, Marina, Rosamund e todos que conhecemos aqui, e especialmente, o Duque, ele é o homem mais gentil, honrado e amoroso que existe Renesmee. Se você tem um teto hoje, comida boa, estudos... É porque ele é o homem mais maravilhoso que conheci. – a jovem abatida suspirou lentamente para evitar fisgadas sob as costelas. – Prometa-me que nunca irá esquecer o que ele fez e faz por nós duas e principalmente, Renesmee me prometa, se eu faltar não deixará nunca de agradecer o que o Duque faz por você, obedecerá a ele e valorizará cada bondade que ele lhe prestar. Promete pra mim?
Renesmee mantinha-se apavorada e com respiração acelerada, abraçou a mãe em desespero, então.
— Renesmee... – a voz da loira era tão baixa.
Katherine não queria partir, não queria deixar sua filha tão pequena órfã, mas sentia que estava perdendo a batalha da vida para sua doença. Suas forças a cada dia diminuíam mais e suas dores aumentavam.
— Eu prometo mamãe. – a ruivinha estava aninhada no colo da mãe.
— Ele é um homem extraordinário, sabe disso não é? – Katherine sorriu ao lembrar-se do amado e sentiu a filha manear a cabeça positivamente. – Nunca se esqueça do por que está tão bem de vida hoje, graças ao amor e benevolência dele, filha.
— Eu gosto do Duque mamãe. Ele é... Ele é... Ele é... – a menina mantinha o cenho franzido tentando denominar o sentimento afetuoso e forte que sentia pelo mais velho.
— Seu tio? – Katherine respondeu risonha. – Sempre chama ele assim.
Renesmee mordeu os pequenos lábios, ambígua e replicou:
— Quase isso! O Senhor Oliver também chamo de tio, mas gosto mais do Duque. É diferente. – ela parecia confusa e a mãe achou graça de suas caretas pensativas. – Sabe mamãe, vejo a senhorita Rachel e o Senhor Jacob e acho fascinante o fato de eles serem filhos do Senhor William. – a menina comentou e esboçou um sorriso ao olhar a mãe. – Queria que ele fosse o meu pai também. Na verdade eu queria ter um pai. – confessou.
Katherine sentiu um gelo por todo o corpo, um pavor que brotou no seu interior e que se apresentou em seus olhos. Ela olhou fixamente para a filha e disse de forma cadenciada e firme na intensão de ficar para sempre na mente de sua menina:
— Você tem um, filha, e já disse que ele é muito, muito, muito mal. Prometa-me que nunca irá tentar procurá-lo.
— Eu sei mamãe, fez mal para nós duas. Não gosto dele. – a ruiva respondeu ainda com uma ruguinha entre as sobrancelhas.
— Ele é desprezível, Renesmee. Não chegue perto dele nunca, não tente descobrir quem ele é. Faça como eu digo e como o Senhor Black diz, queremos o melhor para você, principalmente te manter longe daquele homem. Prometa-me nunca procurar por ele?
— Claro, mamãe.
— Ótimo, meu amor. – ela suspirou. – Não deve ficar aqui muito tempo. – avisou preocupada em passar a terrível doença para sua menina. – Só quero que seja alguém digna e respeitável e que esteja segura. Prometa-me que será sempre assim?
— Eu prometo mamãe!
Flashback OFF
Renesmee recordava-se da última conversa com sua mãe –nitidamente – à medida que juntamente com William rumava para a sala de refeições, onde já haviam preparado todo o café-da-manhã para eles. Ela prendia o choro que teimava em assolá-la e enxugava a lágrima que descia sem nem ao menos se dar conta. Ela não queria que o duque a visse triste. Tinha consciência que o motivo de seu pranto também acometeria tristeza no bondoso nobre.
Não eram constantes as visitas do Duque a Casa de Kent, ele agora preferia ficar em Cambridge. Kent lembrava os primeiros anos de casamento, os filhos que não mais moravam ali e a lembrança mais dolorosa, a que ainda estava aberta, lembrava-o de sua Kate.
Entretanto da mesma forma que nunca abandonou os filhos após a morte de Sarah, William não deixaria a filha de Katherine. Quando ele ia ao campo aproveitava cada minuto na companhia de sua querida Renesmee.
Após uma rápida ida ao seu lavabo particular, Renesmee voltou com os braços e rosto lavado e o cabelo em uma frouxa trança.
— Então me conte como vão as lições? – o Duque perguntou, estava sentado de frete para a menina na enorme mesa.
Nos anos decorrentes Renesmee aprendeu a falar corretamente o inglês e francês, iniciou a costura, aperfeiçoou os desenhos, e aprendeu a montar, dançar e vinha aprendendo a se comportar como uma verdadeira dama.
— Bem, a preceptora disse que eu já podia avançar na aritmética e estamos lendo Utopia.
— E o que acha da leitura atual? – William perguntou simpático e verdadeiramente interessado.
— Empolgante, bastante sonhador, mas acredito que o propósito do autor sempre foi criticar à Inglaterra, não acho que ele realmente acreditasse nas próprias ideias. – Renesmee respondeu convicta de suas opiniões levando William a sorrir contente.
— Um ponto de vista peculiar e inteligente. Estou orgulhoso de seus progressos, minha querida. – declarou amável.
Renesmee manteve-se encabulada, mas murmurou um obrigado e deixou um sorriso afável para o Duque.
Tomaram o desjejum em silêncio e depois a menina perguntou:
— Como vão a Senhora Rachel e o Senhor Jacob?
Rachel e Jacob continuaram frequentando a casa de campo tanto quanto antes: Em feriados e no verão. Jacob nem isso, pois há pouco estava comprometido com a universidade.
— Ah maravilhosos! – O Duque contou jubiloso. – Rachel está esperando um bebê e Jacob finalmente se casou na semana passada.
— Fico feliz, os dois são ótimos, me alegra que estejam tão bem. O senhor deve ter ficado radiante nas últimas semanas, suponho. – a menina especulou.
— Sim, muito. Eles virão no verão. Conhecerá Lady Leah, é encantadora. – William comentou. – Rachel pergunta sempre por você, ela sente saudades. – acrescentou.
— Eu também gostaria de vê-la.
— Verá em breve afinal, falta pouco para o verão.
Após o café, William foi descansar um pouco em seu aposento enquanto Renesmee encontrava tintas novas e mais papéis em seu quarto. O Duque nunca retornava a casa de mãos vazias, ela sorriu com o pensamento e fez um lembrete mental para não esquecer-se de agradecê-lo.
À tarde, ela e William voltaram a conversar sobre suas aulas e ela tocou piano até a hora do pôr-do-sol. O Duque percebeu o quanto ela já tinha praticado.
Dois dias depois, o Duque partiu. Após se despedir e ver a carruagem do nobre sumir na estrada Renesmee voltou para dentro da casa naquela manhã de vento impetuoso.
— Quer que eu mande preparar bolinhos essa tarde? – Elizabeth perguntou animada quando a menina passou por ela no salão principal.
Renesmee encarou a governanta sem esboçar expressão alguma e apenas negou com a cabeça e rumou pelo corredor de visitas com fortes passadas até chegar a seu grande quarto.
Elizabeth suspirou, não veria Renesmee até a próxima refeição, isso se ela descesse.
Os dias mais risonhos de Renesmee – quando os criados ouviam verdadeiramente sua voz e viam seu sorriso tão largo e espontâneo – era quando o Senhor Black se encontrava. Fora isso, quando não estava em seu quarto estudando ou pintando, Renesmee tentava arrumar uma mesa ou cozinhar algo, contudo ninguém a deixava. Chateada às vezes por não ter o que fazer, ela caminhava fora da propriedade do Duque, ia até as casas mais humildes, colhia flores pelo campo, tomava banho no pequeno lago ao norte ou simplesmente cavalgava.
Renesmee era uma menina triste, sem brilho no olhar ou alegria de viver. Sua mãe lhe fazia tanta falta quanto ar para seus pulmões. Era quase insuportável sobreviver sem a figura materna e carinhosa de Katherine. Mas sempre que o vento tocava ternamente a bela face alva, a menina sentia a sua presença, era com se sua amada mãe estivesse lhe fazendo um carinho. Isso dava forças para ela continuar a viver.
~*~
Londres, 1812
Assim que William – como chefe da família Black – anunciou o casamento de seu filho para um mês, mocinhas tiveram sonhos destruídos, lordes agora procurariam outro alvo para enriquecer sua família, e mães casamenteiras rondariam outro grande nobre, pois no meado de abril, depois de uma luxuosa cerimônia na igreja, com toda pompa e tradição que rondava a época, a senhorita Leah Clearwater passou a ser a senhora Leah Black ou simplesmente Lady Leah. A cerimônia foi uma das mais belas que Londres viu em anos, afinal, duas das famílias mais poderosas da época uniam forças através do matrimônio dos seus filhos.
Jacob partiu com Leah na mesma tarde do casamento para uma propriedade sua em Bristol, era imensa, exuberante e de costas para o rio.
Leah não era amante de campos, ou natureza, mas Jacob mostrou-se animado demais em contemplar a natureza para ela reclamar.
Na calada da noite, nada se ouvia do quarto do casal a não ser o ruído rasteiro das botas de Jacob que era retirado por ele.
Desde que adentraram – após as apresentações aos criados – Leah mantinha-se observando o Rio impetuoso de altas e perfeitas ondas sob a lua cheia.
— Querida? – Jacob sussurrou terno próximo à esposa e beijou suavemente a base do pescoço dela.
Leah fechou os olhos e tremeu por completo. Nunca havia sido beijada ali, alias, até horas atrás no casamento, sequer havia sido beijada. Jacob mostrou-se um perfeito cavalheiro mantendo todo o decoro da sociedade intacta.
Delicadamente ele pegou na mão – ainda enluvada – de sua esposa e a virou para si. Leah sorria nervosamente e o moreno podia sentir seu corpo trêmulo.
— Não fique nervosa. – advertiu ele ameno.
— Impossível não ficar. – Leah arfou e Jacob mordeu os lábios para não rir do pavor que havia no rosto da esposa.
— Sua mãe conversou com você sobre hoje á noite? – perguntou o homem sugestivamente.
Leah vermelha como um tomate maduro apenas anuiu e seu coração trotou quando Jacob enlaçou as mãos em sua delicada cintura e a aproximou do corpo dele.
Não se tocavam, mas a jovem era capaz de sentir o calor do enorme corpo.
Jacob ergueu a cabeça da esposa e muito lentamente beijou-a. Era um beijo diferente, casto e superficial. Depois de colá-la em seu corpo, ele acariciou a nuca dela e passou a soltar os grampos do cabelo castanho vagarosamente enquanto seus lábios moviam-se devagar sobre os dela.
O homem tinha medo de assustá-la ou tornar aquilo ruim para ela, ele nunca havia estado com uma virgem, sentia-se inseguro, mas jamais demonstraria.
A única coisa que sabia era que nada que ele fizesse evitaria a dor que ela sentiria, no entanto, sabia que podia tornar a noite prazerosa para ela, nisso ele era bom.
Jacob com muita calma pediu passagem para sua língua, passando-a sobre os lábios vacilantes e delicados da esposa.
No mesmo ritmo torturante e arrastado, o homem desabotoou o vestido da jovem afrouxando até a cintura. O beijo curioso e brando se encerrou apenas para Jacob fitá-la avaliando as reações que causara nela. Ele a levou até a cama e a sentou.
— Serei gentil, eu prometo. – Jacob informou tocando o rosto dela com as costas de seus dedos.
Leah respirou fundo e seu corpo ardeu com o mínimo contato entre as peles.
Morosamente o homem retirou as luvas da esposa, sapatos, o restante do vestido e o corpete. Além do próprio casaco e lenço do pescoço.
Quando a deitou ele puxou suavemente a camisola para baixo contemplando o corpo modesto e nu da esposa. Ele sorriu pela brancura e delicadeza. Leah estava roxa de vergonha, mas ousou levantar as mãos e tocar a pele do rosto de Jacob e seus cabelos curtos. Pela primeira vez sentindo a textura macia da pele dourada recém-barbeada e a densidade da cabeleira negra.
Jacob se despiu e contemplou o temor da esposa, ele sorriu compadecido dela.
— Vai ficar tudo bem. – ele murmurou deitando-se por cima dela com toda a cautela. – Eu garanto. Nossos corpos são feitos para se moldarem e se adaptarem. – falou carinhoso e beijou a testa da mulher.
Foi com toda a tranquilidade e zelo que possuía que Jacob traçou caminhos com seus lábios pelo corpo da esposa, ficando terrivelmente satisfeito com os suspiros deleitosos de Leah.
Os seios médios foram os que ele mais deu atenção, tocando-os e beijando-os com todo o melindre. Suas mãos exploravam quadril e pernas da esposa, o centro úmido e intocado até aquela noite logo recebeu atenção de seus grandes e habilidosos dedos.
Ela estava pronta, ele sabia e com paciência absurda ele se colocou para dentro da jovem. Leah arfou pesadamente assim como Jacob, aquilo era novo para ele também. Estava acostumado a arremeter desenfreado e buscar o próprio prazer, contudo, ali, ele tinha carinho pela esposa, era sua esposa! Deveria respeitá-la. Ele controlou a vontade de se enterrar na virgem e esperou poder entrar centímetro por centímetro, ouvindo os gemidos de dor de Leah.
Jacob por um momento achou que deveria parar. Pensou estar fazendo errado.
— Não. – Leah disse em um pedido breve quando o marido fez menção de sair. – Ainda não terminou. – ela concluiu insegura, no entanto nos seus olhos grandes e brilhantes ela pedia para ele continuar.
A mãe disse que no início iria doer muito, mas que logo passaria. Seria longo e repetitivo até enfim o marido parecer satisfeito e cansado.
Jacob não parecia nem um pouco satisfeito e cansado, Leah constatou.
O moreno sorriu e a beijou novamente, dessa vez mais avidamente. Com suas mãos apalpou todo o corpo que era seu por direito e tornou a adentrar no mesmo ritmo anterior, permanecendo de forma assídua e demorada até sentir que havia tido êxito no prazer da esposa para só então liberar o seu.
Nunca havia sido tão torturante, mas ele estava satisfeito com o preludio do casamento.
Nos dias seguintes ele comprovou que a tendência seria melhorar. Isso o deixou mais satisfeito.
As tardes em Bristol, após o almoço, eles faziam pique niques à margem do Rio de água cristalina, capaz de ter a cor exata do céu seja ele de um azul claríssimo ou cinzento. Leah admirava sempre o deslumbramento de Jacob com a imagem que eles tinham de fundo durante toda a lua-de-mel
Com Jacob ela julgava qualquer lugar agradável. Estava encantada, apaixonada pelo marido. Jacob era atencioso, carinhoso e agradável. Mesmo que nos meses que seguiram do casamento ele nunca houvesse se declarado, Leah não se agarrou ao descontentamento da falta de reciprocidade de sentimentos, pois Jacob a tratava como se amasse, embora ele não fizesse.
~*~
Era final de agosto e Jacob estava radiante em voltar a Kent, voltar a pisar em terra fofa, grama verde, comer frutas em baixo de suas árvores, e acordar ouvindo canto de pássaros e contemplando o alaranjado céu durante o alvorecer.
Leah estava animada também. Não por estar em um vilarejo em final do verão, mas sim por ver o quão feliz Jacob estava olhando a paisagem através da janela da carruagem. Os olhos negros cintilavam de um fascínio vigoroso pelo lugar, afinal ali ele nasceu, cresceu, criaram-se seus princípios e passou maior e melhor parte de sua vida.
Quando desceram na mansão, o casal foi recepcionado alegremente por Elizabeth e Oliver (o mordomo), logo toda a criadagem estava no salão para conhecer a tão famosa Senhora Black.
William que já havia chegado há dois dias apareceu antes que as apresentações aos criados fossem terminadas, ao seu lado estava uma miúda menina de vestido rosa com estampado grená e grandes tranças cor de cenoura, ela olhava tudo com imensa curiosidade.
Leah a fitou com olhos um pouco arregalados. Renesmee era linda demais. Bochechas coradas, olhos grandes e muito, muito claros, lembravam-na das águas do rio vistas em Bristol, quando o céu azul da manhã refletia na água, era um tom magnífico e cristalino. Jacob mesmo havia elogiado inúmeras vezes a paisagem.
E ali estava uma menina – que Leah julgou ter uns oito anos – com olhos daquela cor, fitando-a com ansiedade e interesse.
— Essa é Renesmee Wood, Lady Leah. Minha pupila. – William carinhosamente apresentou a pequena a ela.
Renesmee fez uma reverência perfeita.
— Encantada em conhecer a Senhora.
— Você que é bastante encantadora. – Leah respondeu amável.
Falava a verdade, ficou tremendamente fascinada pelo tom claríssimo da pele, dos olhos e a cor vibrante dos cabelos da menina.
— Olá Renesmee. – Jacob sorriu para a pequena que arregalou ainda mais seus olhinhos azuis e repetiu a reverência.
— Senhor Black. – sua voz parecia um leve tilintar de sininhos.
— Está bem crescida. – o jovem comentou simpático. Só para tirar um sorriso da menina que se mantinha impassível, pois ele não notara diferença alguma desde a última vez que a vira, no funeral de Katherine.
Ela ainda parecia uma bonequinha de porcelana, frágil e preciosa.
Jacob então se inclinou para fitar os olhos dela.
— Espero que toque piano algum desses dias para nós. Soube que está prometendo ser uma pianista incrível. – ele comentou sorridente, seu pai já havia mencionado sobre o empenho da menina em tocar perfeitamente o instrumento.
Renesmee por outro lado, corou violentamente e sorriu brevemente desviando os olhos de Jacob. Era a primeira vez que o via de tão de perto, nunca havia reparado no cheiro genuíno de sua pele, aquilo a deixou inquieta por dentro, seus músculos tencionaram, e o coração batia lentamente.
A ruiva não sabia o que era aquilo. Estava surpresa e confusa pela nova reação.
Quando Jacob por último – a fim de brincar com a menina – tocou-lhe quase imperceptivelmente na ponta do nariz e beijou muito tenuamente sua testa, o coração da menina trotou furiosamente.
O local onde os lábios de Jacob haviam passado como vapor estava em ênfase para a pequena que não deixava de pensar no ato totalmente despretensioso do rapaz.
William dispensou os criados, e rumou com seu filho e nora para a sala informal conversar brevemente sobre a viagem e comer alguma coisa. Renesmee sem saber se podia sair ou não, ficou na poltrona floral, em destaque. Contudo ela não falava, seus olhos estavam fincados na figura chamativa de Jacob, ninguém percebia o olhar sutil e interessado da garota, nem ela mesma. Embora olhasse, ela não tinha consciência do que tanto buscava na figura do filho do Duque.
Jacob naquele dia se tornou peculiar para Renesmee, pois ele provocava reações insólitas nela. Rosto queimando, mãos levemente suarentas, coração desenfreado e a enorme inquietação que ela controlava a todo custo.
O que seria aquilo que ela estava sentindo? Por que sentia aquilo somente com o filho do duque? A menina se perguntava internamente.
Um arrepio passou por sua espinha assim que se lembrou da sensação de ter os lábios macios e quentes de Jacob encostados em sua testa. Um frio gelou se estômago e seu coração trotou velozmente. Ela sorriu de leve sem ao menos perceber.
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