Bloom
33 In Kent - Part I
Notas iniciais

Lentamente o veículo aberto de bom estado, destinado a passeios, avançava sobre a grama verdinha. O sol brilhava no céu azul e sem nuvens, a brisa era perfumada e reconfortante naquela agradável manhã.
— Jacob! — a jovem estava sorridente ao falar. — Aonde estamos indo?
— Não seja curiosa, Poupée! — Jacob sustentava um sorriso matreiro enquanto guiava as rédeas do cavalo que puxava o cabriolé. — Você logo saberá. Mas por enquanto, será uma surpresa.
— Eu amo você. Sabes disso, não? — a Ruiva declarou, em seguida sorriu apaixonada e repousou a cabeça no ombro forte do amado.
— Nunca duvidei nem por um segundo dos seus sentimentos, Poupée . — mesmo querendo beijar a esposa naquele momento, Jacob resistiu à tentação. Estavam sozinhos no veículo, ele quem conduzia o pequeno cabriolé. Toda atenção era pouca. — Amo-te fervorosamente!
Renesmee suspirou apaixonada. Mesmo Jacob não desviando o olhar do caminho, ela sentiu na força de suas palavras o peso da declaração.
Um silêncio reconfortante seguiu por um logo tempo. Nada precisava ser dito. O momento em si já era suficiente para ambos sentirem todo amor emanar de um para o outro.
A jovem ruiva estava feliz. Era a primeira vez que se afastava da mansão desde que chegaram em Kent . E ao que parecia, o Duque havia preparado algum tipo de surpresa.
— Jacob! — Renesmee pulou nos braços do esposo, de forma cuidadosa, assim que ele parou o cabriolé e foi ajudá-la a descer. — Não acredito que me trouxe aqui! Eu nem desconfiei de nada, pois não conheço esse caminho. — a jovem sustentava um lindo sorriso, que iluminava ainda mais sua face delicada e bela.
— Sei disso, milady. — o sorriso do Duque alargou ainda mais quando a jovem esposa começou a enchê-lo de beijos por todo rosto. — É um caminho mais longo, porém bem menos acidentado e mais belo. É mais seguro.
— Obrigada. Sabe o quanto adoro esse lugar.
— Sei disso! — o Duque sorriu brejeiro. — E eu adoro ve-lá de forma tão natural, desprovida de todo o recato social.
As bochechas rosadas adquiriram um tom escarlate de repente. Renesmee sentiu o corpo esquentar e as pernas tremerem, sua feminilidade fisgou com o olhar lascivo que o Duque lhe direcionava. A ruiva sentiu os lábios ficarem secos, necessitando umedece-los com a ponta da língua. Ali foi onde eles tiveram alguns momentos mais íntimos no verão passado.
O tilintar tranquilizador que a brisa fazia nas águas mais o cheiro da mata virgem ao redor levava doces e adoradas lembranças a Renesmee.
— Se quiser, podemos passar o dia aqui. Solicitei que Elizabeth preparasse tudo para um dia no campo. Temos comida, toalhas e algumas mantas para forrarmos no gramado. Faremos um piquenique! — declarou o Duque sem desviar o olhar da estonteante figura da esposa.
— Irei adorar, meu amado esposo. — o sorriso resplandeceu no lindo rosto da ruiva. Ela voltou a selar com carinho os lábios ao do marido. Era um beijo de gratidão.
Renesmee transbordava felicidade por está ali, no seu amando riacho. Seu lugar preferido em toda a imensa propriedade. Ali sempre viveu momentos de paz e tranquilidade.
Jacob descarregava a enorme cesta repleta de guloseimas do cabriolé enquanto Renesmee segurava algumas mantas e toalhas. Ela tinha insistido em ajudá-lo. O Duque não viu problema uma vez que não era nada pesado.
Juntos caminharam na pequena trilha rumo à área reservada e totalmente oculta pelas árvores e arbustos. Logo chegaram a pequena clareira à beira do lindo riacho.
Sob a sombra de uma robusta árvore o duque estendeu a manta maior, repousou a cesta sobre ela e jogou as toalhas e a outra manta que Renesmee ainda segurava.
— O que acha de nadarmos um pouco? — o nobre perguntou assim que se viu sem as botas. Havia acabado de tirá-las.
— Eu não sabia de vossos planos. — Renesmee disse acanhada. — Não vim com trajes apropriados para um mergulho.
Jacob deixou uma gostosa gargalhada escapar pelos lábios carnudos.
— E desde quando precisamos de roupas para nadarmos? — os olhos eram apenas duas fendas e crepitava malícia delas.
— Desde de que me tornei uma Duquesa e não sou mais uma menina selvagem. — a jovem ruiva não poderia estar com o rosto mais corado que naquele momento, mas entrou na brincadeira do esposo.
— Nesse riacho totalmente privado e alheio ao mundo lá fora, seremos completamente selvagens. Afinal, não será a primeira vez. — em um movimento fluido o Duque passou a camisa pela cabeça e jogou a peça sobre a manta.
Renesmee suspirou ao vê o peito esculpido do marido despido à luz do dia. Ele era absurdamente lindo. E era dela!
Sem dizer uma única palavra e de uma forma bem mais recatada e tímida, a jovem começou a tirar as luvas e o chapéu. Quando olhou para o marido novamente — ainda mais corada, se possível —, ele vestia apenas o calção íntimo.
— Deixe-me ajudar minha lady a tirar todo esse recato. — Jacob beijou as bochechas rosadas, que ele tanto amava e foi em direção às costas da duquesa.
De forma quase torturante ele foi abrindo um botão por vez, deixando ali beijos à medida que a pele alva ia se revelando. Os pelos claros já encontrava-se arrepiados. — És tão linda e perfeita. Amo cada parte sua.
Renesmee precisou apoiar-se no tronco da árvore, sentia que as pernas poderia falhar a qualquer momento. Sentiu a brisa acariciar a pele nua e o vestido abandonar seu corpo. Vestia agora apenas a combinação íntima de seda clara e meias finas também em seda.
Logo Jacob surgiu em sua frente e sem dizer uma única palavras levou as mãos a camiseta e tirou-lá. Deixando os seios — agora um pouco mais cheios, mas ainda pequenos — a sua contemplação. Sem perder o foco no que fazia, por mais que sua boca e mãos formigassem para tocar os globos redondinhos e firmes, o Duque continuou o trabalho de despir a esposa.
Ajoelhou-se na frente dela e levou as mãos grandes e febris as coxas esguias e lentamente foi retirando as meias de seda. Por último deslizou o calção e deixou a amada completamente nua à seus olhos.
Renesmee se via envolvida pela força do momento, mesmo estando queimando de vergonha. Jacob sempre a deixava confusa. Sempre a deixava envergonhada ao extremo e desejosa em igual proporção.
— Estás divina! — Jacob posicionou as enormes mãos no delicado e arredondado quadril nu. Com todo amor que sentia naquele momento depositou um longo beijo no ventre já bastante saliente. — Nunca pensei que carregar um filho meu poderia deixá-la ainda mais linda do que já és. Deixá-la ainda mais bela, te faz a mais linda dos anjos.
Renesmee sentiu os olhos pinicarem com as palavras doce do marido. Jacob a fez sentir-se ainda mais amada do que já era. Ele beijava com verdadeira adoração toda extensão do ventre redondo e inchado com a criança deles que ela carregava. Com as mãos trêmulas ela começou a afagar os fios negros e sedosos do esposo.
Jacob sentia o coração trotar forte no peito, não sabia explicar a emoção que sentia naquele momento, mas era como se transbordasse de amor.
Renesmee estava linda grávida. O corpo miúdo carregava uma barriga proporcional à estrutura, mas já grande o suficiente para ser notada até mesmo vestida. Os seios redondinhos e proporcionais a seu delicado corpo completavam o conjunto perfeito.
O Duque jamais imaginou algo tão belo.
A sua falecida Duquesa foi um grávida graciosa, mas Renesmee parecia a própria escultura da Deusa da fertilidade, de tão perfeita que estava. Parecia ter sido moldada pelo melhor e mais experiente escultor.
A barriga poderia parecer pequenina para muitos, mas era muito redondinha e empinada. Além do fato de que ali crescia uma vida que era a soma do amor de um homem e uma mulher. Era o seu fruto, a sua semente sendo tão bem germinada.
— Eu achava que não poderia amá-la ainda mais. — Jacob falava e admirava a esposa. — Mas vejo que amo-te a cada dia mais. A cada dia que acorda, que sorrir, que enrubesce, que fala... Mas acima de tudo, a cada dia que vejo como nosso fruto cresce em seu ventre.
— Eu te amo. — declarou a ruiva com a voz embargada pela emoção.
— Eu amo a nossa criança. — Jacob beijou mais uma vez o ventre com devoção. — E amo ainda mais você. — ergueu-se e beijou os lábios rosados da amada.
Renesmee suspirou apaixonada quando findou o beijo de amor com o marido.
Logo Jacob retirou a última peça que cobria a nudez do próprio corpo, enlaçou a esposa nos braços e caminhou em direção a convidativa água do belo riacho.
Lá eles nadaram, se banharam, brincaram, trocaram carícias apaixonadas e se amaram à margem do riacho.
Sobre a manta xadrez em diversos tons de azul, Jacob tomou o corpo da esposa de forma delicada, se concentrando em dar prazer sem machuca-lá ou até mesmo o filho deles. Depois de quase um mês sem se amarem, eles se entregaram ao desejo novamente.
— Fico imaginando que existe uma possibilidade de que a nossa criança pode ter sido concebida aqui e não em vossos lençóis. — Jacob sorriu com a confissão.
Renesmee tinha a face vermelha não só pelo recente orgasmo como também pela vergonha da confissão. Mas estava mole nos braços do amado, repousava a cabeça sobre o peito forte dele após chegar ao ápice.
A verdade era que provavelmente o bebê tivesse sido gerado pouco antes dele regressar a Londres no começo no inverno passado, mas eles estiveram ali não só no verão como no outono, por mais que não se banhassem mais nas águas frias do riacho. Era uma possibilidade real, mas por algum motivo Renesmee gostava de acreditar que Jacob lhe deixou uma parte dele antes de parti, na noite que passaram se amando antes dele deixar Kent.
— Acredito que independente de onde a nossa criança foi concebida, é o fato que ela foi feita com muito amor. Me orgulho de carregar um herdeiro seu e torço para que venha um varão. — confessou acanhada a jovem.
Renesmee tinha total consciência que Jacob precisava de um herdeiro do sexo masculino para herdar os títulos da família e dar continuidade à linhagem nobre. Ela estava determinada a enchê-lo de filhos até conseguir dar a luz a um varão. Era o mínimo que poderia dar em retribuição a tanto amor e devoção.
— Ei. — Jacob ergueu delicadamente o queixo da amada para que ela pudesse olhá-lo nos olhos. Eles ainda estavam deitados nus, mas Jacob tinha jogado uma outra manta para cobri-los. — Eu não me importo se tivermos uma menininha. Séria tão feliz quanto se fosse um menino. Eu não me importo se teremos só meninas ou meninos, todos os meus filhos virão de você, isso que me basta. Além do fato que rezo para que todos venham com saúde e não ponha a sua saúde em risco. — Jacob beijou os fios ruivos e umidos. — Não quero que se cobre em momento algum sobre esse fato. Se formos agraciados apenas com meninas eu ainda serei o homem mais feliz do mundo. Se não tivermos nenhum herdeiro varão, com certeza algum dos filhos da Rachel, que vão herdar o trono, herdará os meus títulos. Não me importo com isso, o título ainda pertencerá a um Black. Será carregado por um sobrinho meu.
Renesmee ficou feliz pelas palavras do marido, mas no fundo gostaria de em algum momento lhe dar um herdeiro!
Sem mais tocar naquele delicado assunto, o casal passou um magnífico dia, somente os dois desfrutando de todo amor e intimidade que possuíam. Foi um dia agradável e glorioso.
Jacob optou por retornar antes de escurecer. Tinha escolhido passar um dia recluso de tudo e de todos exatamente porque em poucos dias a casa estaria cheia de convidados e eles teriam que ser os grandes anfitriões. Provavelmente não sobraria tempo para eles desfrutarem de mais dias assim até a casa se encontrar vazia sem convidados novamente.
~*~
A fina chuva de verão que caía no chão de terra em Kent a tornava barrenta. Era início da manhã e o sol se mostrava ainda tímido.
Diversas carruagens cortavam a modesta lama com suas rodas muito bem cuidadas, os cavalos vistosos trotavam todos na mesma direção.
Havia uma distância significativa entre cada automóvel, mas eles tinham o mesmo destino.
A Casa Black.
~*~
No coração dos aposentos da Duquesa de York, a jovem dama despertava preguiçosamente. A barriga já estava pesando, mas era algo agradável, que lembrava Renesmee de que ela carregava um belo fruto de amor em seu ventre ararredondado. Isso a fez sorrir ao abrir os olhos e ser atingida pela fraca claridade vinda da cortina parcialmente aberta.
Renesmee sentou-se devagar e suspirou enquanto suas mãos iam alisar o ventre já bem boleado. O bebê mexeu de forma agradável, provavelmente pela mudança de posição da mãe. Isso fez a jovem gestante sorrir ainda mais.
— Bom dia, amor da mamãe. Que você esteja bem e saudável... — a ruiva falava com o bebê em sua barriga enquanto acariciava o volume, todavia foi interrompida pela porta que se abriu cuidadosamente.
— Perdoe-me, Lady Black. Achei que ainda estaria dormindo. — Elizabeth falou calmamente adentrando no quarto carregando uma bandeja de prata, que estava farta com alimentos para o desjejum da Duquesa. — Emma aproveitou que ainda é cedo e Milady dormia, para ir até o vilarejo buscar algumas das suas encomendas. Aproveitei a sua ida e solicitei que ela comprasse alguns ingredientes que faltavam para preparar a nossa sobremesa de hoje. Todos os outros criados estão ocupados demais organizando a casa para chegada dos convidados. Espero que Vossa Graça não se incomode com meu atrevimento. — a governanta tratou de explicar-se. Usar uma criada pessoal de uma lady para tarefas gerais não era um hábito comum.
— Bom dia, Lizzy. Estou feliz em vê-la. Não há problema algum. Emma foi buscar algumas encomendas minhas na modista tenho certeza, não custa passar na armazém para comprar o que falta. O importante é a casa estar impecável para receber os convidados. — a ruiva disse sorrindo para a governanta — E qual será a sobremesa? — se interessou.
— Teremos tortas de mirtilo e framboesa.
Os olhinhos da duquesa brilharam. Adorava aqueles doces.
— Nossa, quanta comida! — admirou-se ao reparar a bandeja nas mãos maduras de Elizabeth.
— O Duque foi pessoalmente até a cozinha e instruiu-me a preparar o seu café da manhã. — a senhorita colocava a bandeja sobre uma mesinha próximo a cama enquanto explicava.
Renesmee sorriu. Ela sempre ficava encantada com cada mínimo gesto amoroso do marido.
— Ele ressaltou, por diversas vezes, que precisa de repouso e uma forte alimentação. A preocupação dele com a Milady é algo lindo e palpável. Me orgulho em vê quão nobre, em todos os sentidos, o meu menino se tornou. — a governanta falava, também embevecida pelas atitudes do patrão, enquanto abria mais as cortinas.
A ruiva, com um sorriso doce nos lábios, contemplou a chuva e suspirou. Ela também tinha muito orgulho do marido.
— Por falar no Duque, sabe me dizer se está em casa? — Renesmee perguntou.
— Sim. Vossa Graça está no escritório com algum administrador. Ele disse que Milady dormia e que não era para acordar-lá por agora. — respondeu a governanta.
Renesmee assentiu e disse:
— Hoje começará a chegar alguns dos nossos convidados. Além do mais, estou bem descansada.
Elizabeth elevou as comissuras mostrando finas linhas ao redor dos lábios. Ela caminhou até a Duquesa que se colocava de pé.
— Estou muito contente que esteja de volta, minha doce menina.— a governanta declarou enquanto ajudava a jovem a vestir o penhoar que compunha o conjunto da requintada camisola de linho. — E estou terrivelmente animada com essa semana festiva no campo. Oliver e eu já organizamos tudo na cozinha e também com os lacaios e criadas para a recepção dos convidados. As demais criadas estão arrumado todos os cômodos da casa. Não se preocupe com muita coisa, Milady, apenas descanse. — ela acrescentou animada.
— Eu não tenho muita experiência com elaboração de festas, mas não é de todo ruim, eu gosto. — a ruivinha falou com um olhar alegre.— Mesmo assim eu a agradeço por toda a ajuda.— a jovem sorriu novamente.
Elizabeth a olhou por uns segundos e refletiu em como Renesmee parecia feliz. Aquilo deixava a governanta da Casa Black muitíssimo satisfeita, tinha Renesmee como a uma filha que jamais teve.
Ela logo ajudou a Duquesa a calçar um elegante par de chinelo acolchoado e certificou-se que um lindo vestido matinal já estava separado para a jovem sobre o divã. Com certeza Emma já tinha deixado tudo organizado antes de ir ao vilarejo.
— Vou ajudar a preparar o seu banho enquanto a Milady aproveita de seu desjejum. — Elizabeth informou e logo deixou Renesmee a vontade para tomar o café da manhã.
Vinte minutos depois Elizabeth conduziu a Duquesa com todo o cuidado para a sala de banho privada dela e a ajudou se lavar.
Já devidamente penteada e muito bem vestida em uma linda musselina rosa clara, Renesmee avistou pela janela a pomposa carruagem real entrando pelo enorme portão principal da mansão e em seguida vinha a comitiva da princesa, que já era esperado.
— Lizzy, veja! Sua alteza já chegou. — a garota declarou enérgica.
Elizabeth, que terminava de colcoar as sapatilhas na jovem patroa, se ergueu e aprumou-se em um segundo. Ela olhou rápido pela janela e sem demora disse a Duquesa:
— Com sua licença, Milady, eu preciso descer para recepcionar a princesa, se assim me permitir.
— Lizzy, fique a vontade. Eu já irei descer também. — Renesmee respondeu amavelmente.
Ela queria colocar apenas algumas das joias que estavam separadas sobre a penteadeira para usar naquela manhã. Não era nada extravagante, apenas um lindo conjunto de brincos, colares e pulseiras de pérolas e ouro branco.
— Com todo respeito, Milady, mas é uma ordem expressa do Duque que não caminhe pela mansão ou desça as escadas sozinha. Solicitarei que alguma criada venha buscá-la. Peço que aguarde. — Elizabeth contestou sem culpa.
— Está bem, Lizzy. — Renesmee aceitou mesmo achando graça do excesso de zelo do marido.
Ela sentia-se muitíssimo bem naquela manhã, mas jamais sonharia em desrespeitar uma ordem séria do Duque. Sobretudo por está ciente dos acontecimentos recentes e dos receios de Jacob em relação a gravidez.
Elizabeth desceu as escadas o mais apressadamente possível. Quando chegou ao vestíbulo conseguiu ver a majestosa princesa descer de sua carruagem com o auxílio do próprio irmão.
Os criados da casa se colocaram em fileira para receber os convidados juntamente ao Duque.
Antes mesmo que Paul, Rachel e suas crianças cumprimentassem Jacob, Elizabeth já estava em seu posto na ponta da fila, ao lado de Oliver.
— Espero que eu tenha sido a primeira a chegar! — Rachel falou.
— Pode ter certeza disso, Vossa Alteza.— Jacob respondeu com um sorriso amistoso e enviesado para a irmã gêmea.
— Tio! — as crianças maiores apressaram-se para abraçar o amado tio.
— Cuidado, crianças. — O príncipe repreendeu de forma branda. Ele mesmo segurava os gêmeos nos braços.
Rachel apenas olhou a cena e sorriu com a confusão que os filhos fizeram com o irmão. Todos tentava subir ao mesmo tempo no colo de Jacob. Elliot, o mais velho, havia pulado nas costas do tio. Não era um comportamento adequado para o futuro rei que um dia seria, mas ela não ligava. Ao menos em família, os seus filhos poderiam se comportar apenas como as crianças que ainda eram.
— Meus queridos Senhor Oliver e Senhorita Winslet. — a princesa saudou alegremente o mordomo e a governanta que serviam a casa da família desde antes dela nascer.
— Vossa Alteza! — Ambos os criados a reverenciaram. Logo depois repetiram o gesto com o príncipe e as crianças, ainda amontoados no Duque.
Os demais criados já haviam reverenciado o príncipe e depois fizeram o mesmo com a princesa.
Alguns lacaios ficaram escalados para descarregarem as carruagens reais enquanto Oliver orientava os criados pessoais dos monarcas sobre os quartos que ocupariam na Mansão, apesar de serem os mesmo de sempre. Já as quatro babás e uma Ama de leite que a princesa trouxe levavam todas as crianças para a ala infantil, com a orientação de uma criada da casa.
No salão principal Rachel reparava cada mínimo canto com atenção. Jacob e Paul apenas olhavam tudo com divertida curiosidade, enquanto Elizabeth aguardava para possivelmente ouvir instruções da princesa em breve.
Rachel então suspirou sorrindo e descansou em um dos sofás.
— Vossas Altezas. — Elizabeth olhou de Paul para Rachel — Há uma mesa farta no salão de refeições para desjejum ou aprazer de Vossas vontades. — ela informou sorrindo. — Pedi que Rosamund preparasse tudo com esmero e fartura para a chegada dos convidados, certamente chegariam necessitados.
— Fez muito bem, Senhorita Winslet. — o príncipe falou muito simpático — Estou faminto. — o sorriso dele foi largo. Ali, em família, Paul sentia-se a vontade para quebrar todos os protocolos reais. — Black, me acompanha? — ele perguntou para o cunhado ao seu lado.
Prontamente o Duque acompanhou o príncipe.
— E onde está Renesmee? — quis saber Rachel.
Quando Elizabeth começou abrir a boca para explicar que a Duquesa despertara à pouco e que estava terminando de se aprontar, no mesmo segundo surgiu no topo da escadaria Emma — que tinha retornado da cidade há alguns minutos —. Ela vinha descendo as escadas apoiando a Duquesa, que descia com toda a cautela possível.
— Renesmee! — a princessa saltou alegre e foi de encontro a jovem cunhada, cumprimentando educadamente a Aia também.
Os primeiros minutos foram muito agradáveis na Casa Black. Renesmee e Rachel conversavam animadamente sobre os preparativos das festividades que aconteceriam ao longo da semana. Foram programando muitas atividades campestres, além de três grandes festa vespertina ao ar livre — que começaria na parte da tarde e não se estenderia pela noite — e o tradicional grande baile de encerramento, na penúltima noite. No total seriam doze dias de comemoração em grande estilo na propriedade de campo do Duque e Duquesa de York.
Como a temporada de verão em Londres estava apenas começando e muitos dos nobres ainda nem haviam chegado na grande cidade, não foi uma surpresa receber a confirmação de todos os convites enviados. Rachel havia pensado em tudo para a casa ficar cheia de nobres importantes, mas sem comprometer alguns eventos que provavelmente aconteceriam simultaneamente em Londres.
Quando o Príncipe e Jacob decidiram dar uma volta pela vilarejo, já que o Duque queria mostrar as melhorias que havia feito e as que pretendia fazer, acabaram passando pelas damas no salão principal.
Renesmee e Rachel desfrutavam de um delicioso e agradável chá.
Os gêmeos haviam acordado e estavam em confortáveis carrinhos ao lado da princesa. Rachel havia solicitado que eles fosse trazidos para ficar com ela enquanto os filhos maiores tinham ido passear e brincar no campo com as babás.
Enquanto Paul mimava de carinho seus filhos caçulas, Jacob aninhava sua esposa nos braços.
— Como está se sentindo hoje, Poupée? — o Duque perguntou após desfazer o abraço, mas ele ainda a mantinha entre seus braços.
— Muito bem, o café da manhã estava maravilhoso. — sorriu amável. — Eu não consegui dormir por muito mais tempo, estou ansiosa por esses dias com a casa cheia! — contou a ruiva.
Mesmo com um sorriso doce nos lábios, Jacob pode ver um lampejo de insegurança e desconforto passando pelos olhos cristalinos de sua Duquesa.
— Não se preocupe, Poupée, a Rachel veio especialmente para te ajudar no que for preciso, além de termos Elizabeth. No entanto, se por acaso se sentir minimamente cansada, não hesite em se recolher e descansar. Eu estarei aqui para ser hospitaleiro se precisar, só não quero que se aborreça ou se canse em demasia. Sabes que não deve.— o Duque assegurou, mas também deixou o zelo e preocupação salpicado nas palavras.
Renesmee assentiu e se desvencilhou das mãos do marido devagar. Logo recebeu um beijo demorado na fronte de seu rosto vindo de seu marido cuidadoso.
— Rachel, você cuida dela? — Jacob perguntou preocupado olhando fixamente a irmã.
— É claro, meu irmão. Fique tranquilo. — sorriu com o excessivo cuidado do irmão.
— Jacob me trata como se eu fosse quebrar a qualquer momento. — Renesmee elevou de forma moderada a comissura dos lábios ao confessar para cunhada, assim que se viu a sós com ela novamente.
— Em vista de tudo que lhe aconteceu recentemente e até mesmo o apelido íntimo que ele a trata, tenho que concordar que meu irmão vê você como uma frágil boneca de porcelana. Mas não tiro um pouco da razão dele. — a princesa foi sincera a expor a opinião.
Renesmee era jovem demais... delicada demais para estar carregando um herdeiro do irmão. Além do fato dos traumas passados que Jacob sofreu com a falecida primeira esposa e os diversos fracassos com as gestações que tiveram ao longo do período que ficaram casados.
O Duque faria o impossível para assegurar que a amada tivesse uma gestação tranquila, até mesmo ausentar-se pelo tempo que fosse necessário do parlamento e retornar a Kent. A temporada no campo era a melhor solução para Renesmee, no entanto, Jacob ainda temia pelo bem estar da amada, uma vez que em breve muitas pessoas estariam na propriedade.
Enquanto Jacob e Paul sairam para cavalgar até o vilarejo, Renesmee e Rachel continuavam fazendo planos para os próximos dias no campo. Elas estavam ansiosas para a chegada dos convidados, que provavelmente seria em três ou quatro dias — data marcada no convite para abertura das portas da casa para começar a receber os convidados.
~*~
Dois dias em passeios entre a bela cidade de Kent e as lojas do vilarejo, Rachel e Renesmee se fartaram em compras de ornamento para as festividades da semana e também para as grandes festas que iriam ter, além de muitos mimos para o bebê. Renesmee havia decidido — independente do sexo — que o enxoval do bebê seria todo branquinho com o brasão da família bordado, mesmo que as cores da Casa ancestral fossem azul e dourado.
No terceiro dia, sob as nuvens leves da manhã, chegaram as carruagens da Família Ateara.
Renesmee desfrutava de um belo chá matinal com a cunhada quando Oliver anunciou a chegada dos Ateara. Não demorou muito para o luxuoso salão dourado ser habitado por lady Claire Ateara, sua sogra lady Lillian Ateara e a avó de seu marido lady Mary Ateara, com uma brilhosa e imponente bengala que ostentava a beleza de pequenos rubis em seu meio.
— Minha querida, Lady Claire. — Renesmee disse fazendo uma contente reverência assim que as três cumprimentaram respeitosamente ela e a princesa.
Renesmee logo voltou a sentar-se em um confortável sofá de veludo na cor grená. Claire imediatamente juntou o seu corpo esguio ao lado da amiga.
Rachel estava na poltrona à frente, sendo assim, as Ladies mais velhas — Lillian e Mary — foram dividir um segundo sofá de igual modelo ao que permanecia sentada a duquesa e a Viscondessa.
— Lady Black, estou muito feliz em revê-la. Espero que Vossa Graça e seu bebê estejam bem. — falou delicadamente a mãe do futuro Conde, dando um sorriso amável para Renesmee.
— Mas que observação tola, Lillian! — arquejou teatralmente lady Mary — Vê-se que a Duquesa goza de plena saúde. Olhe as bochechas coradas! — a condessa viúva olhou de esguelha para a nora e logo voltou com seus olhos cor de âmbar de forma gentil para a Duquesa — Estou feliz em ver sua saúde restaurada, Minha Querida.—falou com seus lábios enrugados repuxados em um sorriso carinhoso.
— Obrigada, Miladies. —disse a ruiva gentilmente.
— E está animada para as festividades dos próximos dias? — indagou Claire com olhos ansiosos.
Nesse momento uma criada entrou ao ouvir o sino tocado pela princesa.
— Pois não, Milady. — Morgan falou timidamente olhando a duquesa com submissão.
Ela era uma das novas criadas contratadas. Com apenas 17 anos, ela se esforçava para tentar agradar seus primeiros Senhores. Morgan não conhecia Renesmee, mas havia imaginado muitas ruivas delicadas e belas antes dos patrões voltarem, consequência do falatório inevitável com as notícias que chegavam a casa Black. Entretanto, nada a havia preparado para se ver às ordens de uma... Garota? Bem, o susto de saber que era mais velha que sua Duquesa passava aos poucos.
Naquele momento a criada olhava com muito respeito a sua Senhora, independente de sua aparência frágil e juvenil.
Renesmee por outro lado levou alguns segundos observando aquela criada de corpo pequeno e miúdo, até bem parecido com o seu antes da gravidez. A ruiva esboçou um sorriso e corou levemente, ela deveria ter a sua idade. Dar ordens era algo que Renesmee ainda aprendia, mas vinha desempenhando o papel com esmero e sucesso.
A princípio ela olhou ligeiramente alarmada da criada para Rachel. A princesa sorriu para a cunhada.
— Eu a chamei. — confessou a princesa.
— Ah, sim! Obrigada por sua atenção. — Renesmee disse a Rachel e se virou para Morgan — Traga mais chá, biscoitos e tortas para as ladies que acabaram de chegar. — Renesmee se voltou para as mulheres Ateara. — Gostariam de algo em especial? — sua voz soou doce e gentil.
— Eu aceitaria um pouco de leite puro e morno, por favor. É muito fortificante à minha amamentação. — respondeu Claire.
— Traga um bule grande com leite morno, assim quem quiser pode misturar ao chá. — Renesmee orientou a criada.
— Perfeitamente, Vossa Graça. — a jovem servente anuiu e ouviu a voz terna de Renesmee soar novamente.
— Obrigada.
As senhoras experientes daquele recinto sorriram diante da candura e humildade da Duquesa. Não era um hábito nada comum para os nobres agradecerem por serviços preparados pelos criados.
— Hãaa... — Renesmee tentava puxar pela memória qual havia sido o ponto da conversa antes da entrada de Morgan. — Ah, sim! Estou bem ansiosa para a chegada de todos os nossos convidados. Espero realmente que todos apreciem a estadia na Casa Black e as atividades que preparamos.
— Todos irão amar, com certeza. Vossa Graça é muito agradável e uma excelente anfitriã.— falou a condessa, mãe de Quil.
— Obrigada, milady. — Renesmee sorriu em agradecimento as doces palavras de Lillian. — E como está o pequeno Phillip? Gostaria de vê-lo. — perguntou a ruiva bem simpática virando novamente para ficar de frente para Claire.
— Ele estava dormindo quando chegamos. A babá o levou direto para o berçário.— respondeu a jovem mãe.
— Disse a ela para olhá-lo com atenção? Ele acabou de mamar, pode ter um mal estar ou algo do gênero. É preciso ficar vigiando o seu sono. — disse a sogra de Claire com um olhar cauteloso, mas salpicado de repreensão.
— Ora Lillian, não é como se não tivesse dado a luz a três crianças. Nos poupe de sua implicância com a minha querida Claire. — Mary bateu de forma moderada com sua bengala na perna da nora ao seu lado e depois virou e sorriu para esposa do neto. — Lady Claire cuida muito bem do meu pequeno bisneto Phill. Além do fato da senhora Duncan ser uma experiente babá. Eu a recomendei para os meus netos e estão todos aí, grandes e fortes. Não faça drama aonde não é necessário. — a velha cutucou novamente as pernas da nora com o objeto de madeira que auxiliava o seu caminhar, mostrando um sorriso malicioso nos lábios finos.
As mais jovens esconderam um risinho diante da represália de Lady Mary, que então era replicada com muito cuidado por Lady Lillian.
— Longe de mim criticar ofensivamente as habilidades da minha nora ou até mesmo a dedicada Senhora Fiona, mas eu sou uma mulher cautelosa e muito apegada a meu primeiro neto. Cuidados com um bebê nunca é demais, Lady Mary. Sei disso por que tive três filhos e estão todos aí. — apesar de seu tom calmo, Lillian tinha um sorriso presunçoso.
Lady Mary abriu a boca para retrucar que também havia dado a luz a três crianças e ajudado a cuidar dos dez netos, mas Claire calma e corajosa interveio antes.
— Tenho certeza que Phillip está bem, mas de qualquer forma eu já iria vê-lo. É incrível com só me afastar um pouco dele que já sinto a sua falta. — foi sincera em sua declaração amorosa.
— Sim, filhos são exatamente assim. Quando estão ao nosso alcance enlouquecemos por suas travessuras, porém quando não estão por perto enlouquecemos de preocupação. — Rachel comentou sorrindo de forma terna. Ela amava muito cada um dos seis filhos. — Já lhe disse isso, não é mesmo Renesmee? É ótimo ter o bebê na segurança dos nossos braços, mas infelizmente ele logo cresce. Aí o que mais queremos é que voltem a ser bebês, para podermos carregá-los e protege-los em nossos braços novamente.
Todas concordaram dessa vez. Renesmee, a única ali que ainda não havia tido a sensação de carregar o próprio filho nos braços, apenas alargou os lábios e ergueu as comissuras deles de forma suave enquanto acariciava sutilmente o ventre inchado sob a musselina amarela.
Ela não via a hora de tê-lo nos braços. Mesmo sabendo que corria riscos com o parto, que havia uma possibilidade de ter gêmeos e isso só arriscaria mais sua vida, apesar de tudo isso a jovem Duquesa estava ansiosa para ver o rostinho do seu bebê — ou bebês —, sentir seu calor, aspirar seu cheiro, ouvir sua respiração... Renesmee suspirou e mostrou um sorriso que mostrava seus dentes perfeitos.
— Não vejo a hora de tê-lo em meus braços. — sussurrou mais para seu filho do que para qualquer outra pessoa ali.
~*~
Antes da noite cair por completo uma comitiva composta por duas luxuosas carruagens que chegavam a Casa Black era a do imponente e sorridente Marquês de Windsor, Lorde Embry Call.
A família do Marquês foi recebida de forma igualmente amistosa pelo Duque e a Duquesa.
Logo após eles serem acomodados em seus respectivos aposentes — Embry e Caroline não compartilhavam o mesmo quarto — o jantar foi anunciado para acontecer dali a uma hora, tempo esse hábil para que os recém chegados pudessem se aprontar de forma adequada.
O jantar transcorreu sem muitos diálogos. Todos estavam vestidos de forma requintada para a grande refeição da noite. O pequeno grupo de nobres apreciavam com gosto a carne assada e depois a torta de maçã com canela, tudo preparado com muito esmero por Rosamund.
Depois que somente os cavaleiros permaneceram à mesa degustando de um cálice de vinho do Porto, os lordes mais novos — Paul, Embry, Quil e Jacob — decidiram por extender a pequena reunião para o salão azul de jogos no segundo andar da mansão. Lorde Ateara, pai de Quil, optou por retirar-se mais cedo aquela noite.
Os quarto nobres bebiam um bom brandy e fumavam perfumados charutos enquanto jogavam cartas e conversavam alegremente sob as muitas velas distribuidas pela mediana sala masculina.
— Quer dizer que está tentando outro herdeiro, Ateara? — Jacob zombou em uma estrondosa gargalhada, colocando uma carta sobre a mesa.
O futuro Conde de Moonshire sorria de forma marota e jovial enquanto negava com o balançar de um dedo.
— Não é bem assim! Porém confesso que ultimamente não estou conseguindo evitar. — respondeu Quil, inclinando-se sobre a mesa e também depositando uma carta.
— Sei bem como é. — o principe deixou escapar ao se solidarizar com o Visconde. Paul não havia desviado os olhos das cartas que tinha em mãos ao falar, mas sustentava um sorriso matreiro nos lábios.
Os outros três caíram na gargalhada novamente.
O príncipe mais do que ninguém ali, compreendia que no momento de paixão ardente era difícil evitar chegar até o fim. Prova disso era que já ostentava uma impressionante marca de seis filhos em dez anos de casado, isso porque ocorreram dois abortos ao longo dos anos.
— Não se preocupe, caro amigo, também lhe compreendo. — disse o marquês — Quando estou com a minha Olívia não consigo sair dela... — ele suspirou coçando os lábios com expressão pensativa — Me surpreendo de Noah e Norah serem nossos únicos filhos. Não me lembro bem a última vez que tentei não conceber. — finalizou com um sorriso enviesado lançando uma carta sobre as outras. — Logo também entenderá sobre o que falamos, Black! — Embry sustentava os labios enviesado em um sorriso brejeiro.
— Falando em Olívia — o Duque começou, mas parou para tomar um gole da bebida. Ele queria mudar o foco do assunto. Sabia exatamente como era quase impossível se retirar no momento certo quando estava dentro de sua amada. — Creio que pretende vê-la.
— Claro! — declarou o loiro — Vou aproveitar a distração da megera da Caroline para passar alguns dias com meus filhos e minha doce Olívia. — explicou.
Quil franziu o cenho e refletiu, mas não era no jogo, mesmo sendo a sua vez de jogar. Ele pensava em outra questão.
— Caroline gosta do Campo? — ele dirigiu um olhar interrogativo ao loiro e depois se concentrou nas cartas em sua mão.
— Não! — o marquês mordeu uma ponta do lábio e manteve a testa franzida ao observar Quil jogar um dois de paus — Ela não gosta, não. Mas ela adora uma boa fofoca, então jamais perderia tal oportunidade. — Embry deu um sorriso sacana ao jogar um duque — Teremos muita gente aqui para ela tomar conta da vida alheia. Por isso eu tenho a esperança de conseguir algum tempo livre para passar com a Olívia e as crianças. — explicou.
— Com certeza terá. — Paul fez uma boa jogada e sorriu satisfeito logo após vê a careta dos demais. — Sempre haverá escândalos em temporadas de festas no campo. Sempre acontece de pelo menos uma donzela ser comprometida até o final da estadia. Essas festividades são um prato cheio para as fofoqueiras de plantão. — concluiu monarca.
Todos foram unânimes em concordar com o príncipe. Sempre que um nobre abria a casa de campo para receber diversos convidados, no final pelo menos uma jovem lady retornava a temporada de Londres noiva e com casamento marcado para acontecer em no máximo três semanas.
— Huuum.— murmurou Jacob, chamando atenção dos demais. Ele parecia pensar sobre alguma questão exposta recentemente. — Call, posso chamá-lo para ficar mais algum tempo aqui me ajudando com as contas das propriedades. Bem, seria uma desculpa bastante esfarrapada. — o loiro prendeu a risada, porém logo o Duque continuou com um sorriso sagaz. — Porém Caroline jamais me contestaria, tenho certeza. Se digo que preciso da sua ajuda para fazer contas ou até mesmo calçar minhas botas, ela não contestará. — terminou de forma divertida e petulante fazendo sua jogada e depois se servindo de mais brandy.
— Tenho certeza que é um bom plano. — falou o Visconde Quil.
— Caroline, com certeza, vai ficar louca para sair daqui assim que todos os convidados retornarem para a temporada em Londres.— o marquês sorriu largamente e recostou na cadeira degustando da bebida cor de âmbar — Nesse caso, eu ficarei totalmente livre. Não vejo a hora desses dias passarem logo para enfim eu poder desfrutar de algum tempo com a minha doce Olívia sem me preocupar com a enjoada da Caroline.— declarou.
~*~
Enquanto os cavaleiros ainda desfrutavam de um momento puramente masculino no salão de jogos no andar superior, as Ladies aproveitavam de uma conversa agradável à beira da lareira que crepitava na sala dourada do primeiro patamar.
Renesmee quase não dava a sua opinião na conversa, mas sorria alegremente e de forma simpática para uma ou outra. Até Caroline, que falava de vez em quando, recebia um sorriso aprazível da jovem Duquesa.
— Não acredito que você está grávida de novo, Claire! Phillip ainda é muito pequeno e depende de você. — Lillian falou com ligeira reprovação sacudindo a cabeça em discordância.
— Com relação a isso não vejo problema algum. — rebateu Rachel em nítido desagrado com a opinião da Condessa. — Tive ao menos duas gestações seguidas e nunca negligenciei nenhum dos meus filhos. Uma mãe sabe como atender a necessidade de cada filho.
Um breve silêncio incômodo predominou. Não era sábio desagradar a uma princesa, e era nítido que Rachel havia se incomodado.
— Não estou grávida. — quebrando o silêncio, Claire falou ligeiramente vermelha e um pouco alarmada, levando as mãos ao ventre como se fosse para ter certeza de que não havia nada ali.
Lady Caroline havia feito aquela maldosa intriga há um minuto, causando pavor na esposa de Quil, surpresa em Rachel e Renesmee, contentamento em Lady Mary enquanto a Condessa simplesmente achou imprudente pela parte da nora.
— Ela não está grávida! — disse incisiva a senhora de cabelos cinzas, batendo a sua bengala com afinco sobre o tapete persa.
— Eu digo que está, notei-a difetente. — declarou Caroline, jogando os ombros levemente e voltando a estudar Claire, que encolheu os ombros encabulada.
— E quantas gestações já teve, Lady Call?— Lady Mary perguntou com um olhar altivo e desafiador.
A loira a fitou ressabiada e falou com voz baixa:
— Uma.
A anciã soltou um riso sarcástico.
— Então vamos concordar que Milady não é um especialista na questão. Não teve muitas experiências no assunto e nem viveu o bastante para torna-se apurada para tal. — a Condessa viúva cutucava com a luxuosa bengala a perna da marquesa ao falar. — Alteza acha que lady Claire espera mais um herdeiro? — a idosa ousou ao indagar a monarca.
— Creio que não. — Rachel disse após observar atentamente a jovem loira com atenção. — Lady Claire apenas encorpou um pouco mais. Coisa mínima. Mas se me permite dizer; está ainda mais bela. — sorriu afável para Claire e olhou de forma desafiadora para Caroline.
Caroline engoliu forçadamente um bolo salivar e se obrigou a sorrir. Não discuturia com a anciã e nem contrariaria a princesa, mas não concordava com elas, absolutamente.
Renesmee não ousou dizer absolutamente nada. Ela estava apenas na primeira gestação e nem ao menos notou as mudanças do próprio corpo, nem mesmo tinha conhecimento sobre elas. Jacob que descobriu o seu estado.
Por fim, Lilian ajeitou a postura na poltrona.
— Deveria ter mais cuidado, Claire. — disse e sorriu ao final.
— Não a repreenda. — interveio a dona da bengala que era sacolejada no ar — Essa adorável mocinha não está grávida, isso eu afirmo. Tive três gestações. — argumentou eloquente e arrogante. Quando Lilian abriu a boca para dizer que também havia tido três gestações, a sogra encostou a ponta cravejada de pedras em seu braço e disse — Nem pense em me contradizer, Lady Lilian. Depois de três filhos tive dez netos. Ao longo dos anos vi mais mulheres grávidas que todas aqui juntas. Lady Claire não está grávida. Uma mulher em amamentação pode ter sintomas duvidosos — ela justificou com um floreio.
— Mas ela pode estar gravida. — insistiu a Marquesa.
— Sente-se grávida, querida? — perguntou Lady Mary a Claire.
Todos os olhares se direcionaram para a jovem em questão a fim de obterem uma repostas sobre a discussão de uma possível nova gravidez da Viscondessa Ateara.
— Não! Quero dizer, não tenho nenhum sintoma, nenhuma alteração como na primeira. As minha regras não vieram ainda, mas também não está atrasada. É muito cedo para afirmar algo. — ela respondeu vermelha como um tomate.
Claire era nova na categoria casada, portanto aquele tipo de assunto era uma novidade um tanto quanto constrangedora.
— Miladies, estão constrangendo a Lady Claire. —falou a princesa — Não devíamos estar discutindo delicado assunto aqui. — Rachel endossou olhando para cada uma a cada palavra dita, parando por fim na Marquesa.
Caroline sorriu e anuiu, mas não se arrependia de ter feito o comentário.
— Mudando de assunto. — começou Lady Lillian com um sorriso amável nos lábios. — Já pensou em nomes para o bebê,Vossa Graça?
Renesmee piscou surpresa.
— Ainda não. Acho que está cedo para pensarmos nisso. Quero dizer, ainda temos tempo. De fato não pensamos nisso.— Respondeu com o rosto levemente rubro.
Não houve mais implicâncias entre as ladies até a princesa decidir que iria verificar os filhos antes de se deitar. Então foi seguida por Claire e Caroline, que também foram a ala infantil ver as suas próprias crianças.
— Deve descansar, Vossa Graça. — sugeriu a Condessa Ateara com um sorriso maternal.
— Sim, irei. — Renesmee respondeu sorrindo, mas sua expressão era de alguém cansada.
— Não, não. Vá agora, Duquesa. — disse Mary solicita se levantando — Pode ir. Eu e lady Lillian também iremos nos recolher. — completou levando sua bengala até o sofá que a Duquesa estava, de forma muito cuidadosa para que o objeto não encostasse na ruivinha.
Quando Renesmee se levantou, ouviram risos e vozes masculinas. Eram os três amigos que passavam no corredor e adentraram a sala dourada por curiosidade. O príncipe não desceu com eles, tinha se recolhido para os aposentos.
— Meus meninos! — declarou lady Mary sorridente.
— Se não é a Dama mais bela de toda Londres. — o marquês se adiantou e curvou-se em uma reverência teatral para a idosa.
— Oh, como é gentil, Milorde! — Respondeu a senhora com olhos brilhando em divertimento.
— Meus cumprimentos as graciosas Miladies também — Embry repetiu o gesto para Renesmee e Lilian. — Com todo o respeito, é claro.
— Onde está minha esposa? — Perguntou Quil.
— Foi verificar como o bebê está antes de dormir. — respondeu Lillian, tendo a mão sendo beijada pelo filho.
— Isso não é lindo? — a anciã comentou sonhadora com um sorriso elevado.
— O que quer dizer, Lady Mary? — sondou a Condessa ladeada pelo filho e pelo Marquês.
Jacob muito sutilmente havia enlaçado a cintura de sua esposa e lhe deixado um beijo na têmpora, observando a anciã e aguardando o seu esclarecimento.
— Ver essas crianças crescidas. — fez um floreio para os três cavalheiros. — Três grandes Lordes, três homens muito formosos. — eles deram um largo sorriso, já Renesmee levou as mãos a boca escondendo um risinho em divertimento. — Não riam. Lembro-me de vocês correndo em calças curtas pelo campo. Fico feliz em vê-los em tão boa forma.— Mary se aproximou de cada um e apertou as bochechas.
— Vovó. — Quil a repreendeu com um sorriso incrédulo, enquanto os outros gargalhavam.
— O quê? — a senhora ergueu uma sobrancelha. — Estou expondo os meus verdadeiros sentimentos, isso é o bom de se ficar velha. — ergueu apenas o canto esquerdo dos lábios. — Não se há reservas para a sinceridade — ditou com um sorriso brejeiro.
— Milady está certíssima! — concordou o duque. Não era louco de discordar e ter as orelhas puxadas por ser um "menino mau"
— Ora, Vossa Graça, fico feliz em saber. Pois devo confessar que se eu fosse alguns anos mais jovem — sorriu com a própria piada —, estaria a espera de ser a Duquesa Black! E devo informar que eu saberia muito bem como conseguir o posto. — falou altiva e segura, com um sorriso torto e maroto. — Você não teria chances, mocinha! — a Condessa viúva apontou a ponteira encrustada de joias da bengala na direção de Renesmee.
Todos riram com vontade, apenas Lady Lillian abriu a boca em surpresa.
— Lady Mary Ateara!— horrorizou-se a Condessa.
— Tem toda razão, Milady! Eu jamais sonharia em contestar as suas habilidades na arte do flerte. — Jacob respondeu entrado na brincadeira da idosa.
— Preciso dizer, com todo o respeito, Lady Black, o seu marido é uma tentação as moças de qualquer estirpe. Até para senhoras viúvas e anciãs, como eu. — a senhora colocou a mão no ombro do Duque de forma suave enquanto falava.
Jacob abriu os olhos em espanto, mas acabou rindo das declarações ultrajantes da dona da bengala.
— E você, meu belo Lorde. — agora a atenção da senhora voltou-se para o Marquês. Embry por si só já sorria divertido quando a avó do amigo enlaçou o seu braço também. De um lado a condessa viúva segurava o Duque do outro ele. — Com certeza também estaria na minha lista de pretendentes. Sei que é um menino muito travesso. E quer saber? Adoro fazer travessuras.
Embry gargalhou com vontade, e Jacob o acompanhou. Lady Lillian estava sem palavras pelo choque e Renesmee agora tinha os olhos aumentados pela surpresa.
— Ai vovó, já está na hora da senhora se recolher, não acha? — sugeriu Quil antes que a avó dissesse mais besteiras.
— Ah, sim. Sim! — falou Mary com um maneio de cabeça. — Sinto-me cansada. Ajude-me a subir, sim, meu filho? — ela falou com o neto, que de imediato ofereceu o braço a avó. Agora de um lado estava o Quil e do outro a inseparável bengala.
Embora Mary andasse bem com o seu objeto mais útil, ela tinha dificuldades com descidas e subidas.
Acabou que todos decidiram por se retirar também, já estava tarde. Jacob levou sua duquesa de braços entrelaçados, amparando-a de forma protetora. Já Embry foi fazendo companhia a Lady Lillian — o Conde já estava dormindo há horas. Ele já não tinha mais disposição para ficar em longas reuniões sociais — e por fim Quil foi mais atrás auxiliando sua avó no esforço de subir os degraus com o quadril enfraquecido.
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