Bloom

4 From Boy to Gentleman


Notas iniciais
Olá amadas! Como estão? Estamos agradecidas pelos comentários. Também nos abalamos com a morte da Kate. Foi bem triste =(. Mas necessário. Esse capítulo está mais leve e bem diferente dos anteriores ;) Vocês vão conhecer mais do Jacob Black agora. Somos suspeitas a falar, mas somos apaixonadas por ele rsrs Apreciem sem moderação =D

A temporada de baile do ano de 1812 estava tão bonita e fascinante como os jardins floridos das ladies e as belas folhagens dos parques. Era um começo de primavera encantador, agradável e bastante movimentado em Londres.

De dia havia passeios de nobres cavalheiros e respeitáveis damas, ao cair da tarde, grandes eventos ocorriam reunindo a mais alta sociedade com recepções de grande luxo.

À noite serenava levando aos lordes trajarem um grosso casaco e um espesso chapéu. Na calmaria e escuridão das ruas principais de Londres durante a madrugada, três cavalheiros andavam em fileira e ao lado – com braços entrelaçados ao seu – damas espalhafatosas, risonhas e de muitas curvas. Jacob Black era o terceiro cavalheiro, levava Maria Verona – uma cantora de ópera italiana – agarrada ao seu braço.

A mulher três anos mais velha que o futuro Duque, nem parecia tão madura, sua grande altura ia até os ombros do homem e embora tivesse um corpo avantajado, parecia pequena envolvida pelos braços do jovem que agora a abraçava e dizia ao seu ouvido coisas que senhoritas não deveriam ouvir. Mas Maria não era uma simples senhorita, não foi criada para ser a esposa de um lorde um dia, portanto não era inocente ou recatada.

Jacob não se envolvia com as jovens damas da nobre sociedade. O grande catálogo de moças que passavam por sua cama em sua casa de solteiro – luxuosa na Rua Mont – se limitava a viúvas, artistas estrangeiras e damas levianas. Jacob tinha faro para mulheres desse tipo, ele nunca seduziria uma moça de boa família e merecedora de respeito. No entanto suas habilidades em persuadir solitárias viúvas e tímidas estrangeiras eram impressionantes. Jacob era um libertino nato, típico e reconhecido, ele não precisava contar sobre suas conquistas para que boa porção de Londres soubesse o quão libertino ele era. Era até difícil de acreditar que um homem tão sério, imponente e educado fosse tão leviano com mulheres, e apesar de toda a reputação de um típico solteiro jovem e futuro lorde, Jacob estava disputando – mesmo sem querer – o topo da lista dos melhores partidos aquele ano e nos anteriores desde que voltara da faculdade.

Após adentrarem em uma hospedaria mediana na Gower Street, Jacob e a italiana entraram no modesto quarto alugado pela artista.

– Bebe alguma coisa, milorde? – falou Maria preenchendo o pequeno espaço com seu forte sotaque enquanto atravessava o cômodo para uma mesinha onde era preservado um bom drink e dois copos.

– Não, estou ótimo como estou. – Jacob respondeu sentando-se a beira da grande cama e cruzando os tornozelos enquanto retirava as próprias luvas.

Maria pôde sentir o tom malicioso dele nas palavras, a mulher o fitou por sobre os ombros e retribuiu com um sorriso. Jacob mantinha-se satisfeito – por hora – com a imagem da bela e exuberante silhueta da cantora em movimento.

Quando Maria virou-se para o homem – segurando um copo com não mais que três goles de uísque –, ele já se aproximava a passos cadenciados como um gatuno observando como a mulher levava a bebida à boca e a sorvia de forma lenta e provocante.

– Sabe, eu gostaria realmente de algo doce agora. – falou rouco e sensual já próximo a mulher que lhe sorria enviesado – Não penso em nada melhor no momento que tomá-la, dolce signorina. – Jacob completou sua declaração traçando o rosto de Maria com seus dedos quentes e nus, envolvendo em seguida a delicada nuca e dando-lhe um beijo ardente e exigente.

O homem podia sentir o gosto da bebida em perfeita harmonia com o sabor genuíno da italiana conforme a língua experiente e afoita explorava o interior da boca de Maria.

Antes mesmo de soltá-la, Jacob arrastou as mãos até então pousadas na cintura da mulher e segurou o copo que Maria – esforçadamente – ainda segurava.

O moreno depositou o copo no lugar e logo cercou a amante com suas grandes mãos, postas nas laterais dos medianos quadris.

– Senti sua falta, Donna. – o tom impudico e gutural do inglês fez Maria gemer desavergonhadamente, principalmente quando Jacob arrastou as mãos para o meio de suas pernas, apalpando-a sem restrições.

– Não acredito que sua cama tenha permanecido vazia por todo esse tempo, milorde. – a mulher suspirou o protesto enquanto Jacob subia as mãos para os grandes seios e os tocava por cima do veludo azul marinho.

Jacob deixou um riso chegar ao ouvido de Maria, o que eriçou os pelos de sua nuca.

– E não estava... – confessou malicioso ouvindo Maria fingir um suspiro de decepção à medida que ele a virava de frente para si. – Mas nenhuma com suas habilidades, eu garanto. – o sorriso safado não saía de seus lábios.

Maria enredou o grande homem com seus braços, os passando por dentro do casaco, em seguida o retirou e passou a desabotoar o colete enquanto respondia:

– Sinto-me lisonjeada, Carino. – a mulher após deixá-lo apenas com a camisa de linho beijou sedutoramente o pescoço exposto e emendou. – No entanto me magoa saber que suas tão maravilhosas habilidades estiveram atendendo a outras signorinas.

– Não seja tão cruel, Maria. – Jacob gracejou em tom propositalmente grave, sensual, e prontamente enlaçou forte a cintura da italiana com seus braços e completou no seu ouvido – Sabes que sempre guardo o melhor para ti. – Ele mordeu e beijou em seguida o lóbulo da orelha da italiana, que gemeu alto jogando a cabeça para trás.

Jacob mentia e Maria sabia. Ele tratava a todas as amantes com o mesmo fogo e medida. Maria como as outras sabia que Jacob nunca a sustentaria por um relacionamento obscuro e sólido. Ele era jovem, apenas 23 anos, seria difícil decidir manter uma amante fixa, como querer se casar tão prematuramente.

O futuro Duque não perdeu mais tempo, enquanto beijava fogosamente os lábios espessos da cantora desabotoava o vestido, desamarrava o espartilho e a levava para cama simultaneamente. Era incrível a habilidade que Jacob tinha em despir tão rapidamente uma mulher.

Quando Maria deitou de costas no colchão já estava nua – exceto pelas meias – e Jacob que a cobria com sua imensa estrutura já não possuía botas e seu peito estava nu.

Beijando-a avidamente outra vez, o jovem passeou com suas mãos em todos os lugares do corpo da mulher o quanto foram possíveis. De forma rápida, selvagem e firme era como ele tocava a pele alva e macia de Maria Verona, e ela gemia ansiosa por mais.

Jacob intrometendo-se entre as pernas dela – as quais já estavam abertas há tempos –, fez com os lábios famintos o caminho que antes faziam suas mãos. Contudo não levou muito tempo, ele ergueu-se e livrou-se da calça. Ao voltar para deitar-se, Maria o aguardava de joelhos sobre a cama, com um sorriso tão malicioso quanto o dele.

O moreno não mediu força – nunca media, a propósito – ao puxá-la pela nuca para mais um beijo antes de deitar-se.

Maria sabia exatamente como Jacob gostava e como deveria fazer. Com seus lábios e línguas experientes ela cruzou o corpo de Jacob de cima a baixo, e quando chegou à prova do desejo dele, o agarrou com agilidade e o acariciou conforme ele gemia rouco e sedento por mais.

Agora a italiana acariciava o membro rijo de desejo do jovem com seus lábios. Jacob movimentava seus quadris fortemente na boca que o abrigava, ele tinha olhos fechados, cabeça jogada para trás e um suor começando a brotar da pele tão aquecida à proporção que o desejo e o prazer cresciam.

Os movimentos brutos e rápidos que Jacob mantinha nos quadris repetiram-se quando estava arremetendo prazerosamente na mulher de quatro por trás. No meio da cama os amantes se encontravam, Maria mantinha-se firme com palmas e joelhos sobre o colchão enquanto Jacob estava de joelhos entrando e saindo da cavidade úmida e quente da amante, de forma frenética e deleitosa, em busca de seu bel-prazer.

Jacob não gozaria dentro dela – ele nunca gozava dentro de suas amantes –, mas iria até seu limite para alcançar seu prazer final.

~*~

No dia seguinte, no Silvers, Jacob mantinha seus tornozelos cruzados e suas pernas retas a frente do corpo enquanto se esticava na cadeira em uma posição nada formal para um homem de sua classe, mas seus amigos não estavam diferentes. Eles bebiam conhaque e comiam castanhas no requintado bar para homens nobres.

– Então a italiana ainda é aquilo tudo? – Embry Call, o filho de um Marquês, perguntou sarcástico. Embry era um belo homem loiro de penetrantes olhos azuis.

Jacob deu um sorriso enviesado e falou com ar de mistério:

– Não irei te contar minha noite, Call, como sei que guardará o que aconteceu com a pintora francesa ontem.

– Não preciso te contar, você esteve com ela dias antes de mim. – o loiro resmungou.

Jacob riu vitorioso.

– Vá atrás de Maria Verona e saberá como foi ontem. Ela permanecerá na cidade até o fim da primavera.

– Você não presta Black! – o outro amigo disse. Quil Ateara era mais novo que os outros um ano, e tinha os cabelos tão negros quanto os olhos, era herdeiro de um grande condado.

– Vocês também não, são tão cínicos como eu. – retrucou o futuro duque levando o copo aos lábios

– Mas não pretendo me casar tão cedo. – disse o loiro.

– Nem eu. – rebateu Jacob.

– Não é o que dizem. – replicou Quil.

– E o que dizem? – Jacob se interessou enquanto quebrava uma castanha para depois comê-la.

– Minha irmã disse que a amiga, a senhorita Agnes Firth, está muito desanimada esta temporada, pois soube de seu cortejo à senhorita Clearwater. – explicou Embry Call.

Jacob quase se engasgou com a bebida que sorvia.

– Que calúnia! Não estou cortejando a senhorita Leah Clearwater. – enfatizou com olhos arregalados.

– Sempre dançam durante o baile, em quase todos os bailes. – falou o filho do Conde. Quil mantinha a sobrancelha arqueada e olhar desafiador.

– Além do fato que vocês ficam muito tempo conversando quando não estão valsando. – completou o Embry igualmente irônico.

– E já foi a casa dela em diversas ocasiões. – Quil acrescentou.

Jacob olhou perplexo para os amigos, se ajeitou na cadeira e em seguida adotou sua mais conhecida expressão de nobre arrogante.

– Acho que vocês estão se envolvendo demais em fofocas femininas. Sejam homens! E para esclarecer os fatos aqui, eu não cortejo à filha do Conde, somos amigos, nossos pais são amigos e se danço com ela é por cavalheirismo e não interesse. – pontuou.

Os outros dois pareceram convencidos.

A verdade era que Jacob sempre dava uma atenção maior a Leah do que as outras moças por que seu pai – de forma impressionante – era amante dos bailes londrinos e tinha o desejo de juntar-se a família Clearwater – ele não dizia, mas Jacob sabia –, portanto as visitas eram constantes a residência do conde. E realizando o desejo de seu pai, Jacob sempre tirava a doce Leah para dançar, mas nunca cogitou a possibilidade de casar-se com ela, pelo menos, não até aquele dia.

~*~

Naquela mesma tarde Jacob foi visitar o pai na Casa Black em Londres. Era tão grandiosa, majestosa e bem arquitetada como qualquer outra da posse da família.

William, após o anúncio do filho pelo seu mordomo, o aguardava em seu escritório. Ele já havia preparado um discurso sobre "a necessidade de um matrimônio para um futuro Duque" para quando tivesse oportunidade de dizê-lo a Jacob, e a oportunidade chegara.

– Como estas meu filho? – William perguntou formalmente assim que avistou o filho entrar pela suntuosa porta de carvalho escuro. – Sente-se, por favor. – indicou a poltrona de couro marrom a sua frente.

– Estou bem. – Jacob mantinha cautela ao falar. Sabia que seu pai só era formal quando pretendia usar de seus discursos moralistas. – E como anda o senhor Duque? – mantinha a mesma formalidade do pai.

– Igualmente bem. – William ergueu o corpo levantando-se e caminhando até a mesa que continha uma enorme bandeja de prata com suas bebidas preferidas, alguns copos e taças de cristal. – Me acompanha em um drink? – Jacob fez que sim com a cabeça enquanto seu pai servia o caro conhaque nas taças. – Voltei de Kent há três dias. Fui ver como estava a minha pequena Renesmee.

– E como anda a pequena? Há tempos que não a vejo. – Jacob perguntou educado assim que pegou a taça que o pai lhe oferecia.

– A cada dia que passa está mais linda. Cresce saudável e esperta. É muito inteligente, a preceptora falou que ela aprende tudo com muita facilidade. Tenho certeza que se tornará uma bela dama um dia. – ditou orgulhoso. Renesmee era a pupila do Duque.

– Mas ela ainda é uma criança, não precisa se preocupar com isso por agora. Está com quantos anos, Oito? – perguntou confuso. Não lembrava a idade da menina, até porque ela sempre aparentou ter bem menos. Era miúda e tinha feições de criança pequena.

– Dez anos. – respondeu seguro. – E ela está crescendo, mesmo sendo franzina e bem pequena, ela logo se tornará uma jovem. Preciso cuidar melhor das necessidades dela. – divagou mais para si próprio que para o filho. – Mas não é sobre a pequena Renesmee que quero conversar. – sorveu de sua bebida mantendo seus olhos penetrantes na figura do filho, do seu herdeiro.

Jacob já era um homem feito e bem apanhado, precisava assumir suas responsabilidades para com o título que futuramente adotaria.

– Então sobre o que o senhor meu pai gostaria de conversar? – Jacob indagou cauteloso, sabia que o pai queria chegar a algum ponto importante.

Ambos sentaram nas poltronas do cômodo, um de frente para o outro.

– Já está cortejando alguma jovem? – William sondou disfarçando seu imenso interesse, mas logo mudou de tática – Está na hora de pensar em casamento, Jacob. Não aguento mais esconder seus escândalos com suas inúmeras amantes. Você tem fama de um libertino convicto, isso não é bom para a sua posição social. – advertiu.

– Não pretendo me casar tão cedo, ainda tenho muito tempo. – argumentou o mais novo se afundando na poltrona, incomodado com o assunto. – Sou homem e todos compreendem as minhas necessidades. Isso não muda o fato de que sou um excelente partido e que as mais tradicionais famílias me oferecem suas filhas como pretendentes. – justificou arrogante.

Seu pai bufou contrariado. Queria que o filho tomasse rumo na vida e enfim desposasse uma jovem nobre em matrimônio.

– Não estou questionado suas necessidades ou qualidades como um dos melhores partidos da temporada, contudo está na hora de começar a assumir suas responsabilidades. – William já se mostrava alterado. Sempre que tentava abordar com o filho sobre esse assunto ele se esquivava. – Não pretendo permanecer por muitos anos na câmara dos lordes. Quero cuidar de perto da minha pupila nos próximos anos e pretendo abdicar do meu título a seu favor.

– Como assim? – Jacob tinha os olhos arregalados pela confissão do pai.

– Eu não vou deixar a minha pequena Renesmee passar pela fase pueril sozinha. Tenho medo que alguém se aproveite de sua inocência e a iluda. Não quero um destino condenado para ela. Sei que será difícil achar um nobre herdeiro que queira desposá-la, mas um respeitável cavalheiro, rico segundo ou terceiro filho de um nobre é muito possível.

– E onde eu entro nisso tudo? Não compreendo o que um casamento para mim possa está ligado ao futuro da sua protegida. – Jacob agora já estava igualmente irritado. – Ou o senhor Duque já arrumou uma nova criada em Kent para ser sua amante?

– Olha como fala comigo. Eu sou o seu pai e exijo respeito. – William gritou com o herdeiro.

– Desculpe-me pela falta de respeito. – Jacob pediu sincero. – Apenas não tenho vontade de me casar tão cedo.

– Sabe o que mais me irrita? É saber que por mais que seja difícil de admitir, você é igualzinho a mim quanto tinha a sua idade. – o duque bufou e bebeu um pequeno gole de seu conhaque. – Eu tinha mais amantes do que podia dar conta, seu avô ficava louco comigo, até que veio me comunicar que já tinha acertado todo o meu casamento, que em dois meses eu estaria subindo ao altar. – ele terminou de vez com o líquido da taça – Claro que eu surtei e tentei fugir de todas as formas possíveis, inclusive arrumei ainda mais amantes. – sorriu malicioso para filho, que agora espelhava seu riso. – No fim, constatei que o matrimônio foi a melhor coisa que poderia ter me acontecer. Sua mãe era a jovem mais incrível que já tive em meus braços. Apaixonada, pura, casta... Uma donzela e, no entanto isso não me impediu de amá-la com ardor.

– Pai, eu juro que não quero saber sobre os detalhes do seu casamento com a minha mãe. – Jacob torcia os lábios em uma careta engraçada.

– Eu só quero chegar ao ponto de que casar com uma donzela não significa perder os prazeres da carne. Nós como homens devemos aprender a respeitar as nossas senhoras, mas também devemos levá-las ao deleite. Tudo é uma adaptação. Entretanto, ter uma mulher que você sabe que foi somente sua é a melhor coisa que há no matrimônio. Será você o responsável por ensiná-la a gostar dos prazeres da carne.

– Olhando por esse lado até que é interessante. – Jacob murmurou pensativo. – Mas como teremos os prazeres que só podemos ter com amantes com as nossas respeitáveis esposas? Você entende? As diversidades do ato. – Jacob elucidava com um tom malicioso que seu pai prontamente entendeu o que ele queria dizer. – Casamento é enfadonho. – completou.

– O que acontece entre a intimidade de um casal permanecerá só entre eles dois. Não existe o proibido. O que existe é você respeitar os limites da sua esposa, afinal, ela é uma dama. Não podemos forçá-las a nada, mas se ela aceitar o que você propor, não existe problemas ou proibições.

William sabia que a maior resistência do filho com relação ao matrimônio era achar que seria tedioso e repetitivo, que os mais sujos prazeres teriam que ser abandonados com as suas senhoras. Uma dama de respeito não deveria ser submetida a tais práticas sexuais, era o que jovens cavalheiros aprendiam segundo as regras da sociedade. Todavia a verdade era que a maioria dos nobres acabava praticando outros atos sexuais com suas damas.

Jacob se mantinha reflexivo com as palavras do pai. Ele era amante de sexo sujo e ilimitado, não estava disposto a abandonar sua vida de prazeres em prol de um matrimônio, porém ao pensar que poderia ter uma donzela intocada só para ele, e que poder fazer tudo o que gostava com ela também o animava.

William soube reconhecer essa pequena possibilidade que se abria no filho, e então deu a cartada final.

– Acho que a senhorita Clearwater seria uma futura duquesa perfeita para ti. É bela, educada, inteligente... Uma verdadeira dama. Não tem mancha em sua reputação, é incontestável sua imaculada imagem. – William falava com entusiasmo. – Você a conhece bem e se sente igualmente bem ao lado dela. Juntaríamos mais terras e poder. Seus herdeiros seriam poderosos.

– Não sei se é uma boa ideia. – Jacob indagou inseguro. Sua mente já começava vagarosamente a trabalhar na possibilidade. – Mas eu juro que pensarei a respeito com mais calma. Eu te darei uma reposta até o final da semana.

William sorriu com que o filho falara. Sabia que por fim Jacob acabaria aceitando o que lhe propusera.

Uma conversa amena deu continuidade ao diálogo entre pai e filho, uma vez que a principal questão já havia sido abordada com êxito.

~*~

O cair da tarde envolveu a cidade londrina em um manto confortavelmente gélido. À tarde ensolarada foi cedendo lugar a noite fria, que chegava de mansinho e coloria o céu inglês em paleta de azul, lilás e rosa.

Na Casa Clearwater, Leah virava-se de lado a outro em frente ao espelho de seu quarto vislumbrando seu belíssimo vestido de seda branco, o sorriso estampado na face.

– Acha que ele estará lá, Anne? – Leah indagou animada para a jovem criada que a ajudava com o penteado dos cabelos. A aia da jovem nobre – que não tinha mais que vinte e cinco anos – sorria admirando o resultado.

Anne foi designa a ser a aia da senhorita Leah assim que foi trabalhar para a família do conde. Era ela a responsável por arrumar, pentear, vestir ou despir a jovem dama. Era esse o trabalho de toda Aia, cuidar de todas as necessidades de sua Senhorita.

– Quem? O Senhor Black?

Leah assentiu inquieta, seus olhos castanhos brilhavam de esperança. A fofoca oriunda de criados era as mais sólidas e empolgantes, contudo Anne respondeu com cautela:

– Não sei afirmar com certeza, Senhorita. Mas ouvi dizer que o Senhor Black não confirmou presença em nenhum dos eventos ao qual foi convidado, mas nunca se sabe. – a jovem aia sorriu amigável para a patroa enquanto essa rodopiava sonhadora outra vez.

A senhorita Clearwater era uma menina encantadora de 17 anos. Filha caçula depois de dois meninos, seu pai era o poderoso conde de Clyvedon e ela estava empolgada em sua primeira temporada.

Naquele ano muitas coisas mudaram para Leah. Ela podia frequentar a todos os eventos sociais, era reconhecida – finalmente – como uma dama pronta para se casar! Podia dançar com nobres cavalheiros, ser cortejada e, sobretudo, esperar ansiosamente um pedido de casamento vindo de Jacob Black.

Leah conhecia o filho do melhor amigo de seu pai – e futuro Duque de York – desde seus quinze anos quando Jacob retornou da faculdade e fixou residência em Londres. Seu pai Harry juntamente a William sonhava com o dia em que através do casamento Leah/Jacob pudessem unir ainda mais forças e territórios.

Leah possuía uma comprida cabeleira castanha escura assim como seus olhos, era pequena e magra ao padrão da época. Não era de chamar atenção ou se envolver em fofocas, mas nas últimas semanas seu nome rolava nos salões de bailes e mansões nobres, pois todos pensavam que com toda a atenção que Jacob Black dirigia a ela quando ele se encontrava presente em um evento, ele acabaria a propondo casamento.

E Leah, inocente e esperançosa, acreditava na mesma coisa.

~*~

Após penosamente ouvir o discurso de seu pai na segunda-feira, Jacob decidiu comparecer ao baile oferecido por uma marquesa.

Ao adentrar o salão do baile Jacob foi abordado por muitas senhoras que gostariam de apresentar suas filhas a ele. Como um notável cavalheiro, o futuro Duque dava sorrisos simpáticos e elogios a todas, mas não se mantinha muito na companhia das filhas de nenhuma delas. Ele não estava interessado! Definitivamente não estava. O ânimo de Jacob para escolher uma moça para casar era tanta que se fosse um soldado imensamente bravo e dedicado, com sua disposição, não lutaria nem mesmo a batalha mais fraca existente.

No entanto, após conseguir se livrar das matronas – loucas para casá-lo – ele encontrou-se com alguns lordes e vieram mais intensões de matrimônio, pois os senhores gostariam de se aliar ao grande Duque. William por sua vez fez questão de estar presente para se certificar que Jacob seguiria seu conselho e ao avistar o filho, olhou para a mesa das bebidas onde Leah conversava com uma amiga.

Jacob cumprimentou o pai com um aceno apenas e respirou fundo.

Para ele não era um sacrifício dançar ou levar uma conversa sobre a primavera quente com a Senhorita Clearwater. Leah possuía um ótimo senso de humor, era uma verdadeira dama, bastante tímida, mas não calada. Era uma boa moça, muito prendada, educada, dançava bem e tocava piano melhor ainda, seria uma ótima mãe com toda a educação recebida. Jacob reconhecia que ela seria uma excelente Duquesa.

Contudo, ela era só mais uma moça de excelente berço na aristocracia. Ele, definitivamente, não estava apaixonado. Mesmo assim ele seguiu a sugestão de esposa – proposta por seu pai – e caminhou exibindo um sorriso amistoso e – como todos os outros – encantador.

Na outra ponta do salão, após dispensar dois cavalheiros que lhe pediram a honra de uma valsa, a face de Leah se iluminou ao ver Jacob. Ele seguia para ela, Leah havia esperado por aquilo desde que saíra de casa. Ele parecia decidido, o que a deixava ainda mais nervosa.

É hoje! É hoje!

Ela vibrava por dentro, seu peito subia e descia. Seus olhos cintilavam o seu anseio, ela não evitou sorrir apaixonada enquanto Jacob cumprimentava educadamente sua amiga e em seguida a ela:

– Senhorita Clearwater, está muito bonita esta noite. – Jacob sorriu amável para ela.

– Senhor Black! – cumprimentou educada. – Fico contente em lhe ver por aqui. Achei que não viria ao baile dessa noite. – comentou.

– Eu não perderia a oportunidade de estar em tão agradável companhia como a sua, Senhorita. – replicou Jacob inclinando-se apenas um pouco para ela, mantendo sempre a distância respeitável.

Leah suspirou e sorriu abertamente, sua amiga – a filha de um visconde – reprimiu um risinho.

– Não está comprometida com a próxima dança, está Senhorita Leah? – Jacob indagou oferecendo o braço esquerdo para ela.

Ela negou freneticamente e aceitou o braço do cavalheiro.

– Com licença Senhorita Prince, vou privá-la de sua amiga por uns minutos.

– Fique a vontade, Senhor Black. – disse a baixinha loira.

Sem mais nada a declarar Jacob Black conduziu Leah – que estava radiante – pelo salão e na dança não tão lenta como uma valsa, mas era um ritmo calmo o suficiente para conversarem.

Jacob observava seu rosto enquanto ela falava. De longe, ele poderia parecer apaixonado, pois fincava seus olhos na moça, no entanto, ele apenas avaliava as vantagens e desvantagens de realizar o desejo de seu pai.

À medida que eles caminhavam ao redor do salão Jacob – com certa dificuldade, pois as luzes bruxuleantes das velas eram fracas – a analisava continuamente.

Bonita ela era. Uma beleza comum, ele admitia, mas ainda estava entre as mais belas da temporada. Sua dicção era perfeita, até demais. Jacob podia imaginar perfeitamente a seleção de palavras dela na formulação de uma frase. Assim como tantas outras moças da sociedade Leah não era espontânea e livre, a cada segundo seguia regras marteladas em sua mente desde que nasceu.

Mas Jacob concordava com o fato de que ela fazia isso muito bem, tudo o que Leah realizava era extremamente correto.

Fizeram um calmo passeio no terraço – onde vários casais aproveitavam para falar em particular –, pois assim se sentiam mais livres. Não que estivessem longe das vistas dos outros convidados, mas naquela parte isolada e de poucos ruídos poderiam conversar sem serem ouvidos. E contando com a sorte de ninguém ao redor está prestando atenção, um roçar de mãos altamente apaixonado, causando formigamento em ambos. Bem isso em casais apaixonados, no caso de Leah e Jacob o simples encostar de mãos enluvadas causou grande emoção no coração da jovem, mas em Jacob nem ao menos uma cosquinha.

Jacob sentiu-se confortável com a morena aquela noite – como nas outras –, portanto chegou à conclusão que Leah seria a esposa ideal!

Jacob enfim deixou Leah com Lady Clearwater, perto das acompanhantes, isso passado mais de duas horas. Ele seguiu para junto de seus amigos, que fugiam de dançar com damas impostas por suas famílias – no caso de Quil e Embry – ou de suas próprias noivas arranjadas.

~*~

O sol generoso iluminava e aquecia a populosa Londres com seus radiantes raios. A brisa suave era deleitosa para quem caminhasse sob o céu aberto.

Jacob somente experimentou o toque do sol em sua pele quando desceu de sua carruagem em frente à Casa Clearwater e subiu as escadarias da residência.

Aquele já era um hábito desde a semana passada quando Jacob deixou de esconder o seu cortejo a Leah.

A moça por sua vez estava feliz como nunca esteve. Cuidava de cada flor – Jacob já havia lhe dado muitos ramalhetes –, guardava cada caixa de chocolate importado que ganhasse do moreno e, sobretudo contava os minutos para a chegada do amado.

Naquela tarde mesmo, ela estava afoita sentada na sala informal cor amarela de sua mãe na companhia de Anne.

Ela vestia um delicado vestido rosa claro de musselina e seus cabelos tinham cachos arrumados em volta de sua face, aguardava a entrada de Jacob com uma horrível tremedeira nas pernas.

– Senhorita, está bem? – Anne perguntou com olhos arregalados.

– Sim, Anne. Apenas penso que talvez o Senhor Black não venha. – lamentou fitando as mãos sobre o colo por um segundo e então o mordomo da casa anunciou a chegada de Jacob.

Leah levantou com olhos cintilantes, seu coração estava disparado e a tremedeira de suas pernas piorou.

Quando Jacob entrou e a cumprimentou com um leve roçar de lábios nas mãos a jovem não controlou o suspiro jubiloso. Suas mãos estavam nuas e pela primeira vez ela sentiu o hálito de Jacob em sua pele, ainda que brevemente. A comichão por todo o seu corpo permaneceu por alguns minutos, mesmo depois de acomodados nos sofás, um de frente para o outro, tendo sua aia e acompanhante Anne de espectadora.

– Como está a Senhorita esta tarde? – Jacob perguntou.

– Ótima. E o Senhor?

– Muito bem. – Jacob sorriu.

Aquele diálogo se repetia todos os dias, incluindo o rubor da moça pela presença marcante do futuro Duque. As mãos nervosas, o coração desenfreado e a espera agoniante de um pedido.

Moças da classe de Leah – pelo menos as convencionais – ansiavam pelo casamento mais que tudo, aprendiam que era uma forma de sobrevivência, evitaria uma solidão posterior, poderiam ter filhos, teriam títulos, gozariam de ótimas condições financeiras e privilégios. Além de ter um cavalheiro o qual poderiam chamar de seu.

Com Leah o sonho de matrimônio tinha noivo certo, forma, cor e nome.

– Gostaria de conversar com a Senhorita em particular, acha que poderíamos conseguir um passeio pelo jardim? – Jacob sondou amável e sorridente.

Os olhos de Leah se esbugalharam, não demorou e – como se adivinhasse – Lady Sue ( a condessa ) adentrou elegantemente o recinto sendo seguida por um criado que trazia uma generosa bandeja com apetitoso lanche.

Sue titubeou um pouco quando Jacob pediu mais privacidade com a sua filha, no entanto, a condessa igualmente ao marido sonhava que um dia Leah fosse a Duquesa de York, uma das damas mais privilegiadas e conhecidas do país. Mantendo a face de preocupação – que realmente tinha – Sue deixou a filha e Jacob passearem no jardim da casa após o lanche.

O moreno então a levou com muita calma até o jardim pequeno, porém bastante aberto. Estavam à vista de qualquer um de dentro da casa e de qualquer vizinho, mas pelo menos ninguém os ouviria. Sentados no único banco no centro do jardim, Jacob após uma boa olhada no rosto frágil e ingênuo de Leah deliberou pela última vez.

Ele pegou delicadamente os dedos de Leah com suas enormes mãos, fitou o contato e ergueu a vista outra vez para a morena que tinha os olhos em pratos e brilhando de alegria e apreensão.

– Senhorita Leah, sabe o quanto sou nobre e de ótima família, serei Duque um dia. Eu confesso que tenho grande estima pela senhorita, meu cortejo só serviu para confirmar o que eu já sabia. – ele sorriu tão doce para ela ao dizer as palavras tão suavemente que os olhos de Leah marearam violentamente fazendo Jacob perceber o quão sensível ela era. – Creio que será uma excelente esposa, Senhorita, e não conheço nenhuma outra dama que eu poderia julgar tão perfeita para uma Duquesa. – Jacob acariciou as trêmulas mãos envolvidas nas suas. – A senhorita me daria à honra de aceitar se casar comigo? – pediu quase em um sussurro fitando os olhos intensos e fulgurosos da menina.

– SIM! – gritou ela entusiasmada.

Pela primeira vez Leah burlou as regras da sociedade e abraçou com ímpeto o cavalheiro – que agora era seu noivo –. Foi breve, enérgico e audacioso.

– Desculpe-me, senhor Black. – ela falou envergonhada e abaixou a vista para as pregas de seu vestido de tarde.

Jacob sorriu, gostava de Leah, bastante. Mesmo tímida e às vezes um pouco fresca – como qualquer outra da sociedade –, era divertida e agradável. O homem não julgava que teria um casamento chato, pelo menos.

Ele segurou um das mãos da moça e levou aos lábios, apenas roçando levemente os lábios ali e soltou-a em seguida.

– Jacob. – o moreno falou terno para ela – Já pode me chamar assim: Jacob. – replicou sorrindo contemplando o brilho dos olhos da menina ao ouvir sua concessão.

Após uma breve e alegre conversa com o Conde, Jacob deixou a Casa Clearwater, com a sensação de ter cumprido uma missão. Não era a verdade, pois ainda tinha anos de matrimônio para levar, filhos para educar e um ducado para manter, porém a condição "noivo" já era alguma coisa. Ele sentia-se mais adulto agora, mais responsável, mais Lorde. Mais digno de ser um Duque.

No final das contas William estava certo, um casamento não era uma prisão ou algo enfadonho, pelo menos não precisava ser, ao contrário, daria a ele uma nova forma de viver. Se escolhesse com sabedoria o casamento seria a fase mais interessante de sua vida.

Notas finais
Gostaram do futuro Duque? Depois de muito relutar ele noivou!! hahaha Para imensa alegria de Leah e William. Ansiosas para o próximo?? nos deixem contentes com comentários, recomendações e favoritem! Postaremos assim que tivermos retorno! Beijinhoos Jeny e Daaay