Notas iniciais
Oláááá Amadas! Demorei, mas cheguei! ♥ Eu e a Jenny pedimos imensas desculpas por nossa demora... A ideia era postar antes do Natal, mas infelizmente fim de ano é correria, ainda mais que no resto do ano... Maaas o importante é que estamos aqui o/ Como foram de fim de ano? Esperamos que bem =) Sentimos saudades Primeiramente agradecemos os comentarios e nossa nova recomendação ♥ . ♥ Capitulo dedicado a Chris Mars pela linda recomendação! Obrigada pelo carinho e pelas belas palavras! Falando em dedicação.... O capítulo está saboroso e perverso hahaha Apreciem e leem com muita calma ;) Nos vemos lá embaixo ;*

O silêncio aconchegante embalava o sono do casal. A luz fraca das poucas velas que restavam nos castiçais — que estavam distribuídos por todo enorme aposento — e a chama baixa do fogo da lareira era tudo que servia para iluminar o grandioso ambiente.

A manhã que havia se iniciado há pouco tempo estava mais fria que o normal para o começo do outono.

De forma lenta e preguiçosa, os olhos negros abriram e fitou lentamente todo o ambiente ao seu redor, capturando e focando na mais bela imagem por último.

O Duque sorriu ao contemplar a linda imagem da esposa dormido. Renesmee parecia um anjo. Rosto bem feito e sereno, lábios carnudos e rosados. Os cabelos cor de fogo cobriam parcialmente a perfeita face. Era como um anjo na terra. O seu anjo!

Jacob suspirou e sorriu. Como era um homem feliz por ter sua amada ao seu lado. Como era incrível perceber que a maternidade havia deixado ela ainda mais bela. O que era até difícil de imaginar.

Renesmee estava exuberante aos olhos dele. Na verdade, ela estava estonteante aos olhos de muitos. Era notório como a gestação fez bem a jovem lady.

O corpo do Duque reclamou. Era difícil olhá-la e não poder tocar. Jacob sabia que era para o bem estar da esposa, mas era difícil controlar o instinto. O corpo do Duque estava todo rijo, sedento por sua amada, porém o nobre refreou seus desejos mais primitivos. Ele não podia. Não ainda!

Com cuidado para não acordar a esposa, o Duque levantou da cama, calçou os confortáveis chinelos e vestiu o robe negro de veludo que estava repousado na poltrona ao lado da cama.

Jacob permaneceu por alguns minutos apenas contemplando o sono da amada. Era como um bálsamo para ele. Aquilo aquecia o seu coração a cada manhã que se iniciava.

Em silêncio, deixou o aposento da esposa e seguiu para a porta de ligação, atravessando para o seu próprio quarto.

Já no luxuoso quarto masculino, Jacob se jogou na enorme cama e ficou alguns minutos pensativo enquanto mirava o teto antes de decidir chamar o seu Valet para ajudá-lo nos cuidados matinais.

— Bom dia, Vossa graça. — cumprimentou o criado pessoal do Duque. Nas mãos o Valet trazia uma pequena badeja de prata com uma xícara de café bem forte, a qual entregou ao Duque. Era a primeira coisa que Jacob bebia ao acordar. — Nessa manhã chegou uma missiva endereçada a Vossa Graça. Dizia ser urgente! — Robins entregou a pequena carta ao patrão.

Jacob prontamente pegou a correspondência e abriu, lendo rapidamente a única linha escrita.

O Duque sorriu de forma ampla. A encomenda que tinha feito havia ficado pronta e seria entregue hoje, ainda pela manhã.

— Prepare o meu banho, Robins! — Jacob continuou degustando o café quente. — Tenho um compromisso logo pela manhã.

O eficiente Valet saiu apressado para executar a ordem do nobre.

Após alguns minutos, o banho do Duque já estava pronto.

Enquanto Jacob banhava-se sozinho, pois ao menos essa tarefa fazia questão dele mesmo executar, o Valet separava a roupa que o nobre iria vestir.

O Duque gastou alguns preciosos minutos na privacidade de seu banho quente. Com destreza ele manipulou o membro rijo para aliviar a tensão. Já fazia mais de um mês que não tocava a sua amada ou qualquer outra mulher.

Em outros tempos Jacob teria procurado um corpo feminino para aliviar as suas necessidades físicas, mas agora era inadmissível até mesmo pensar em seu corpo saciando-se em outra mulher que não fosse o de sua esposa. Ele iria esperar por ela o período que fosse necessário!

Já devidamente asseado e impecavelmente vestido, o nobre desceu para degustar de um desjejum completo, encontrando no salão de refeições o amigo, Visconde Ateara.

Após os dois nobres se fartarem na refeição matinal e lerem o jornal, ambos seguiram para o gabinete do Duque.

— Onde está o Call? Não vejo o Marquês desde ontem de manhã. — questionou o Duque após se acomodar na confortável poltrona.

— Quer tentar arriscar um palpite? — Quil sorriu enviesado. — Desde que Lady Caroline regressou para Londres, duas semanas após o nascimento do seu herdeiro, Embry não sai mais de uma certa propriedade no campo.

— Call não faz a mínima questão de ser discreto. — Jacob balançou a cabeça. — Ele ainda vai se meter em mais confusão. Não duvido muito que em breve venha um terceiro filho bastardo. O pai da amante dele vai matá-lo, caso isso aconteça. — sorriu brejeiro.

— É, bem provável! — Quil limitou-se em dizer. Ele parecia distante.

Jacob percebeu que o amigo estava mais calado e sério que o normal.

— Está com algum problema Ateara? — o Duque questionou.

— Não necessariamente um problema. — Quil fitou o amigo por alguns segundos antes de decidir falar. — Lady Claire me confidenciou esta manhã que espera outra criança.

— A notícia não o agradou? — quis saber o Jacob.

Quil era apaixonado pela esposa. Não havia porque a notícia desagradá-lo.

— Não se trata disso. — antecipou-se o Visconde. — Apenas fico preocupado de uma gestação ser tão próxima da outra. Phillip ainda é bem pequeno. Eu não quero sobrecarregar demais a minha esposa. Estávamos tentado evitar, mas pelo visto não fui tão eficiente. — Quil ergueu apenas uma sobrancelha e curvou os lábios em um sorriso irônico.

— Lady Claire teve uma gestação tranquila. Não tem com o que se preocupar. — falou Jacob, já se levantando e indo buscar um drink em sua bandeja. — Acho que devemos comemorar.

Jacob entregou um cálice com licor de anis para o amigo e ficou com o outro.

— Gostaria de brindar ao seu novo herdeiro. E ao meu também. Hoje William está fazendo um mês de vida. — ditou orgulhoso. — Iremos oferecer um almoço, que se estenderá até o chá da tarde e em seguida um jantar comemorativo. Mas será algo íntimo, somente para os ocupantes da Mansão. Irei mandar comunicar ao Marquês.

O Duque e Visconde brindaram a saúde de seus herdeiros. Quil pediu permissão ao amigo para comunicar durante o chá, junto com a esposa, a espera do novo herdeiro.

A comemoração dos nobres foi interrompida por batidas na porta. Era o mordomo comunicando que o compromisso do Duque havia chegado.

Jacob mandou Oliver trazer o convidado até o seu gabinete, mas pediu que Quil permanecesse. Não havia necessidade do Visconde sair. O assunto que iria tratar não precisava ser um segredo para o Visconde.

~*~

O delicado corpo repousado na enorme cama remexeu-se à procura de uma fonte de calor, mas tudo que encontrou foram lençóis frios e um enorme espaço vazio. Lentamente os olhos azuis foram abrindo-se para captar o ambiente ao seu redor.

Renesmee moveu algumas mechas que teimavam em cair na face e sentou sobre a cama, repousando o tronco no amontoado de travesseiros.

Imediatamente a consciência tomou conta da ruiva e uma ansiedade começou a predominar.

Sem importa-se com o que era costume ou protocolo, ela levantou da cama e calçou os chinelos e roupão, deixando o seus aposentos para trás.

Pelos corredores da Mansão Black ela caminhou, encontrando com algumas criadas pelo caminho.

— Ele já acordou? — Renesmee perguntou ansiosa para a Ama que cuidava de seu filho assim que entrou no luxuoso quarto do herdeiro, localizado na área que ficava o berçário da propriedade.

— Ainda não, Vossa Graça. — a mulher loira sorriu contida e curvou-se em uma mesura respeitosa. — Lorde William acordou apenas duas vezes essa noite. A última, há duas horas atrás. — relatou a ama.

Renesmee foi até o berço do filho e ficou alguns minutos admirando o bebê ruivo de bochechas rosadas. Ele dormia sereno.

Com muito cuidado ela retirou o menininho adormecido do berço e aninhou em seus braços, sorrindo encantada por ter o filho no colo.

— Está dispensada, Camile. — sussurrou para criada. Ela não queria despertar o anjinho adormecido. — Obrigada.

— Não há de quê, Milady. — a jovem mulher mais uma vez curvou-se para a duquesa e saiu sem contestar a ordem.

Era um conhecimento de todos que a duquesa era uma nobre que contrariava todas as regras e fazia questão de cuidar do próprio filho. A única concessão que o Duque não abriu mão foi de que a esposa deveria deixar o filho aos cuidados da Ama durante a noite e na horas das refeições. Tirando esses momentos, Renesmee cuidava do herdeiro durante todo o dia.

Renesmee decidiu voltar com o bebê para o próprio aposento. Provavelmente teria tempo de fazer o desjejum antes do filho acordar para mamar.

Quando a duquesa entrou em seus aposentos, sorriu ao vê a aia terminando de arrumar a mesa com a sua refeição matinal.

A verdade era que a ruiva estava faminta. Amamentar um bebê guloso como o pequeno William não era uma tarefa fácil. Ela estava sentido mais fome que o normal, porém mesmo comendo mais, Renesmee sentia os vestidos mais folgados do que antes. A única região de seu corpo que não havia diminuído era seus seios, que mesmo ainda pequenos tinham dobrado de tamanho. Ela produzia muito leite.

Renesmee agradeceu Emma pela refeição e depositou o corpinho do filho em sua enorme cama. A aia ficou zelando pelo sono do bebê enquanto a patroa fazia o desjejum.

Como um preciso relógio, o menininho acordou resmungando de fome exatamente no momento que a mãe terminava a própria refeição. William era um bebê calmo, só chorava quanto tinha a fralda suja ou quando estava com fome.

— Bom dia, bebê lindo da mamãe. — Renesmee subiu na cama e sentou com as costas apoiada nos diversos travesseiros. — Está com fome? — o bebê já chorava baixinho e rouco.

Ela pegou o filho e aninhou nos braços, abrindo o decote da camisola e expondo um seio, pondo a boquinha vermelhinha do filho na pequena areola. Imediatamente William parou de chorar e começou a sugar com força o seio da mãe.

— Calma, seu guloso. — a ruiva sorriu quando o bebê engasgou-se devido a euforia de sugar seu alimento. Ela assoprou a cabecinha ruiva do menininho. — Tem bastante leite para você!

Amamentar o próprio filho no começo não foi uma tarefa tão fácil. Renesmee sentiu dor e machucou o delicado bico do seio. Precisou usar um emplasto preparado por Emma para poder continuar com a tarefa.

Jacob tentou persuadi-la em deixar uma Ama de leite cuidar de toda alimentação do pequenino William, mas a Duquesa não concordou. Ela não cedeu aos apelos do marido e firmou a opinião que amamentaria o próprio filho. Sem ter sucesso aos apelos, o Duque acabou se conformando em ser contrariado. Ele apenas não queria vê-la sofrendo, sagrando nos seios tão delicados.

Agora a tarefa já era gratificante. Renesmee apreciava cada minuto que tinha o filho nos braços.

A jovem Duquesa beijava a mãozinha do filho enquanto ele mamava. Ela admirava cada gesto ou movimento que o menininho fazia. Era notório que ele havia ganhado uma boa quantidade de peso em apenas um mês de vida.

Emma recolhia a badeja de café da manhã enquanto Renesmee mantinha-se hipnotizada observando o robusto bebezinho ruivo sugando seu alimento.

A jovem Duquesa nem notou quando a sua criada pessoal deixou o aposento ao notar a chegada da presença esmagadora do nobre patrão.

— Se um dia existir uma imagem mais linda e perfeita do que essa, eu abdico do meu título. — a voz rouca chamou atenção da duquesa. Renesmee olhou na direção de onde ela vinha e encontrou Jacob encostado no batente da porta de ligação do quarto deles. — Já disse que vocês são dois anjos na minha vida? — Jacob desencostou do batente e caminhou em direção a cama da esposa.

Renesmee sorriu apaixonada para o marido.

Ela sentia-se completa pela primeira vez depois de tanto anos. Seu coração batia aquecido e tranquilo, uma paz dominava-a.

Jacob sentou na poltrona, ao lado da cama da esposa, e ficou observado ela amamentando o filho deles.

Renesmee recolheu o seio quando o menininho parou de sugar e já dava indícios de que dormiria em breve. Ela realizou os devidos cuidados antes de posiciona-lo deitado novamente na cama.

O Duque brincou com o filho, beijando a cabecinha e barriguinha do menininho antes dele voltar a dormir.

— Hoje o nosso filho está fazendo um mês de vida. — Jacob beijou os lábios e o topo da cabeça da esposa com carinho e devoção. — Obrigada por me dar um herdeiro saudável. William está crescendo forte a olhos nus.

— Ele é um garotinho guloso. — sorriu encantada ao olhar o bebê adormecido no meio da enorme cama. — Já sinto ele mais pesado. Acho que ele também será forte e alto como você.

— Acredito que ele será realmente um menino grande. É uma característica que vem da minha família há anos. — Jacob puxou a amada esposa para mais perto, envolvendo-a em seus fortes braços. — Eu amo falar do nosso filho, mas agora quero falar de você. — Renesmee ergueu a cabeça e olhou surpresa para o marido. — Venha, sente aqui comigo. — Jacob sentou na poltrona e puxou a pequena ruiva para sentar em seu colo. Ela corou pela intimidade. Jacob sorriu e acariciou a bela face da amada, pondo uma teimosa mecha ruiva atrás da pequena orelha. — O quanto eu te amo já não é mais um segredo para ninguém. Da mesma forma que sou extremamente orgulhoso de tê-la como esposa, minha Duquesa. Você é umas das melhores partes de mim. Amar não é uma fraqueza, pelo contrário, amar você me torna mais forte. — o Duque roçou os lábios com o da amada de forma suave. — Mas agora quero dizer o quanto estou encantado por você ser uma mãe excepcional para o meu herdeiro. Você põe as necessidades de William acima das suas. Eu estou tão orgulhoso de você! Mesmo tão jovem, já tão madura. A maternidade lhe transformou em uma mulher completa. Não me arrependo das decisões erradas que tomei até chegar aqui, pois faria tudo de novo se fosse preciso. Sei que não foi certo te desonrar tão nova, mas você era para ser minha. A minha alma reconheceu a sua, assim que estava pronta. — Jacob recolheu as lágrimas que escorriam pela linda face angelical. Renesmee chorava pelas belas palavras do marido. — Você é o meu bem mais precioso. E só você seria capaz de me dar um ser tão encantador como nosso filho...

— Jacob... — a ruiva capturou os lábios do esposo.

Renesmee sempre seria capaz de surpreendê-lo. Mesmo muitas vezes sendo tímida, ela não escondia os atos apaixonados.

O casal se beijou de forma doce e apaixonada.

— Minha preciosa Poupée! — Jacob acariciou com o polegar os lábios levemente inchados da esposa. — Eu gostaria de ter entregue isso na semana que William nasceu, mas pela raridade da minha encomenda, só me foi entregue essa manhã. — Jacob levou a mão ao bolso interno da casaca e dela retirou um estojo. — Mandei confeccionar uma joia exclusiva para você, em agradecimento por ser a minha perfeita companheira.

Jacob abriu o estojo e de imediato arrancou um arfar da esposa. Ele tinha certeza que ela iria adorar a joia.

— Jacob! — Renesmee levou as mãos aos lábios. — Essa é a joia mais linda que já vi na vida! — os olhos azuis brilhavam cristalinos ao olhar o marido.

— E foi feita exclusivamente para você. Com raros diamantes na sua cor favorita. — o Duque sorriu ao dizer.

Renesmee tocou encantada o colar com uma enorme gema de diamante rosa, que era cercada por diamantes menores e incolor. O conjunto completo de brincos, colar, broche, pulseira e anel era realmente estonteante, de uma lapidação única. Ela estava fascinada.

— Te amo, Poupée! — Jacob apertou mais a esposa em seu colo e tomou seus lábios em um novo e passional beijo.

O casal curtiu um momento de carícia e cumplicidade antes de Emma retornar ao aposento da patroa para anunciar que o banho dela estava pronto.

Jacob ainda entregou para esposa um lindíssimo par de brincos, colar e anel de safiras e diamantes, mas essas ele atrelou ao título. Era a joia que ele deu para simbolizar o nascimento do herdeiro, e que um dia William poderia presentear sua futura amada com a joia.

Renesmee, assim como toda lady, adorava ganhar joias. Ela estava radiante de felicidade.

Jacob era um homem de sensibilidade única quando o assunto era agradar a esposa.

~*~

O som melodioso e agradável tocava na ampla sala rósea. Todos apreciavam as precisas e belas notas no piano.

— Encantadora, como sempre! — a princesa foi a primeira a aplaudir a cunhada quando encerrou-se a canção. Todos a seguiram nos aplausos. — Renesmee sempre teve um dom natural para o piano.

Renesmee agradeceu tímida e deixou o banco do piano vago, indo novamente se juntar as outras duas Ladies. Ela havia apenas tocado uma partitura à pedido da cunhada.

O almoço tinha sido muito agradável e agora todos os nobres se reuniam no salão de chá para passarem uma tarde agradável. As crianças em breve seriam trazidas para se juntarem aos pais. Era uma tarde para comemorar um mês de vida do pequeno herdeiro do Duque de York e Cambridge.

— Como Lorde William cresceu! — comentou surpresa Lady Claire ao avistar o pequeno menininho ruivo dormindo no carrinho trazido pela ama. — Está cada dia mais encantador. — a viscondessa suspirou fascinada.

— E mais percecido com Jacob. — Rachel disse após observar os perfeitos traços do sobrinho. — É a versão ruiva do meu irmão.

— Ele é lindo. — Renesmee ditou orgulhosa. — De mim William só puxou a cor dos cabelos. Os olhos são azuis mais escuros, como os da minha mãe.

— Acho o tom de pele dele muito parecido com o do papai. Você não acha Jacob? — a princesa chamou atenção do irmão, que conversava com os amigos e cunhado.

O Duque aproximou-se do carrinho para contemplar o filho por alguns minutos. Ele era a combinação perfeita dele com a esposa, além de levar algumas características dos avós.

William havia herdado o tom dos lindos cabelos ruivos da mãe, mas todo o desenho físico era do pai. A pele não era morena como a de Jacob e nem translúcida como de Renesmee, era exatamente o bonito tom claro do avô paterno, de quem herdou o nome. Já os hipnotizantes olhos azul, quase cobalto, eram similares aos da avó materna.

— Ele tem o mesmo tom de pele do nosso pai. — Jacob confirmou após minuciosa análise.

— Black, ele é a sua cópia, só que ruivo e de olhos azuis. — o Marquês falou sorridente. Embry apenas havia voltado no final da manhã para a Mansão à pedido do Duque. — Isso será uma combinação perigosa para as damas da época. — ergueu enviesado os lábios.

As mulheres arfaram pelo comentário audacioso do marquês, já os lordes sorriram.

As conversas seguiram amenas e agradáveis entre as damas e os cavalheiros enquanto as crianças maiores seguiam brincado sobre um enorme tapete próximo a lareira. Os bebês permaneciam dormindo em seus carrinhos ou no colo de suas mães.

Foi uma tarde agradável. Quil que havia pedido licença a Jacob para anunciar a segunda gravidez da esposa, comunicou a todos que logo ficaram felizes pelo casal e os parabenizaram.

Já era final da tarde quando as damas começaram a se retirar na intenção de se prepararem para o jantar.

Embry comunicou ao amigo Duque que iria partir logo após o término do jantar. A filha mais nova dele com a amante estava um pouco amuada e o mais velho só queria ficar atrás do pai. Foi um sacrifício para o Marquês sair aquela manhã da casa da amante sem levar o filho ao pranto.

~*~

O dia ainda não havia amanhecido, mas logo o céu começaria a clarear de forma gradativa. A madrugava tinha sido bem fria, o que naturalmente ocasionou nos corpos do casal de nobres aconchegarem-se ainda mais um no outro. Eles dormiam abraçados, compartilhando o agradável calor de um para o outro.

— Vossa Graça! — o senhor tocou o ombro do patrão e sussurrou em voz baixa, próximo a orelha do nobre. — Duque Black! — Robins chamou mais uma vez.

Jacob abriu os olhos assustado. Ele imediatamente capturou a imagem do senhor segurando um candelabro, com apenas um vela acesa, ao lado de sua cama. Reconheceu Robins, o seu Valet.

O Duque estranhou a postura rígida do empregado. Robins não tinha autorização para entrar no quarto de sua Duquesa, a não ser que tivesse sido previamente ordenado ou se uma emergência vital estivesse acontecendo.

Jacob arregalou os olhos com a constatação. Algo muito errado estava acontecendo.

O Valet depositou o candelabro no criado mudo e pegou o robe do Duque. Era claro que o empregado estava esperando o patrão se levantar.

De forma delicada Jacob foi deixando o aconchego e calor do corpo pequeno da jovem esposa. Ele teve o cuidado de cobri-la por completo. Renesmee apenas moveu-se de forma mínima.

— Vossa Graça, perdoe-me. — Robins fez uma mesura de cabeça baixa. Eles haviam acabado de entrar no quarto do Duque. — Mas acabou de chegar um mensageiro de Londres.

— E não podia esperar até mais tarde? — Jacob olhou com as sobrancelhas arqueadas de forma arrogante.

— Mais uma vez, perdoe-me, Vossa Graça. — Robins estava em uma situação delicada. — Eu tentei tomar posse da missiva para entregá-lo assim que Milorde acordasse, mas...

— Deixe-me ler. — Jacob estendeu a mão na direção do Valet sem muita paciência.

Robins engoliu em seco.

— Não estou de posse da missiva, Vossa Graça. — o senhor viu a fúria passar pela face do nobre. Jacob estava sem humor naquela manhã que se iniciava. — O mensageiro disse que era de urgência vital. Solicitou que acordasse o Marquês, mas Lorde Call não encontra-se na residência. — olhou de ressabiado para o Duque. Jacob tinha a face em confusão. — Não encontrei nem o Valet do Marquês. Então o mensageiro insistiu que viesse acordá-lo, Vossa Graça. O rapaz está realmente nervoso, disse que só entregaria a missiva em Vossas mãos! — Robins explicou tudo em um só fôlego.

— Onde está esse tal mensageiro? — agora Jacob estava curioso. A história parecia confusa demais. Ele mataria Embry caso o Marquês tivesse enfiado-se em mais alguma confusão.

— Permanece no salão principal, Vossa Graça. — o Valet prontamente respondeu. — Achei mais adequado não mandá-lo aguardar em seu gabinete.

O Duque concordou com um aceno de cabeça.

Jacob decidiu não perder tempo trocando de roupa, ele desceria de trajes de dormir mesmo. Era bom o mensageiro estar ciente que tirou um Duque da cama. A mensagem deveria ser realmente de uma emergência vital!

— Onde é o incêndio rapaz? — a voz grave do Duque chegou até o franzino rapaz. Ele não devia de ter nem vinte anos. Os cabelos estavam desgrenhados e os lábios arroxeados, provavelmente por galopar no frio. Pela hora que era, provavelmente ele cavalgou durante a madrugada. Essa foi a rápida conclusão que o Duque chegou ao observá-lo — Espero que tenha noção que acordou-me!

O jovem rapaz engoliu em seco e nada disse, apenas estendeu o envelope selado para o nobre. Ele estava apavorado por está diante de um Duque, que parecia furioso.

Jacob pegou a carta e rompeu o lacre, lendo a três breves linhas.

O Duque deu um passo para trás, o sague de sua face fugiu brevemente e ele olhou assustado para o rapaz. O jovem apenas concordou com a cabeça. Ele sabia do que se tratava a missiva.

— Robins, leve o rapaz para cozinha e mandem alimentá-lo. — Jacob tentava organizar os pensamentos após o choque. — Arrume um mensageiro de confiança e peça para ir a meu gabinete, imediatamente. — o Duque não esperou por uma pergunta, simplesmente deu as costas e seguiu apressado para o gabinete.

~*~

O céu acabava de se tonalizar com um azul claro e cinzento, clareando o dia que estava em suas primeiras horas, mas as atividades da casa campestre já haviam iniciado há algum tempo.

Da larga varanda o homem conseguia observar a bela jovem, junto com a pequena criança, colhendo alguns ovos no galinheiro. Nos braços ele embalava o bebê adormecido.

— Papai! Papai! — gritava o menininho loiro, correndo em direção ao homem. — Olha o que eu peguei! — nas mãozinhas carregava um ovo graúdo, que ele estava ansioso para mostra para o pai.

— Cuidado, Noah! — repreendeu de forma branda o Marquês ao garotinho loirinho. — Você pode cair e se machucar, meu filho. — sorriu por fao

Logo atrás do menininho peralta vinha caminhando a bela jovem camponesa. Ela carregava uma cesta lotada de ovos e um sorriso verdadeiro nos lábios.

— Você é uma pai maravilhoso! — a camponesa segredou ao amado e selou de forma breve os lábios ao dele. — Te amo!

— Também amo você. — confessou Embry ao separar os lábios da amada.

O pequeno Noah já havia corrido para dentro da casa enquanto os pais trocavam o beijo. Já a pequena Norah seguia dormindo aconchegada ao colo do pai.

— Vou terminar de preparar o nosso desjejum. — informou Olívia mostrando a cesta de ovos. — Querido, pode continuar com a Norah? Vou dar o mingau do Noah e fazer os nossos ovos. O pão já deve está terminando de assar.

— Claro, Querida.

Embry sorriu para amada e depois para a filha adormecida nos braços. Aquela vida simples era o que tornava ele pleno.

Ele estava aproveitando cada minuto que ainda restava ali, na casa de campo que comprou para a amante e os filhos. Logo teria que voltar para Londres, e consequentemente para vida infeliz ao lado da esposa de conveniência. Apenas o filho herdeiro era o que abrandava sua vida amarga.

O nobre há dias estava vivendo na casa de campo, isso desde que a esposa foi embora do Condado de Kent.

Embry pouco voltava na casa do amigo Duque, onde oficialmente ele estava hospedado.

O Marquês aproveitava cada minuto que podia com a família bastarda, e principalmente com a amada camponesa.

Embry sorriu ao lembrar de como tomou o corpo da camponesa nesta manhã. E depois da forma que tomaram banho juntos na pequena tina. Eram aquelas coisas simples que traziam felicidades ao poderoso nobre.

O nobre estava tão distraído com as lembranças que não notou um cavalo — a galope — se aproximar da propriedade.

— Milorde. Milorde! — o rapaz pulou do cavalo e tentou chamar a atenção do nobre.

Na mesma hora o corpo de Embry enrijeceu. Era um dos cavalariços que trabalhava para Jacob. Ele reconheceu na mesma hora. Era o mesmo que foi levar a notícia do parto da duquesa durante a caçada.

Joey corria na direção do Marquês. O Duque tinha designado-o para a tarefa, exigindo absoluto sigilo sobre o que ele fosse encontrar no endereço de entrega da carta.

Na hora o cavalariço não entendeu as exigências do Duque e nem a alta moeda oferecida pelo serviço, mas vendo o Marquês tão à vontade segurando um bebê, ele compreendeu de imediato do que se tratava aquela situação.

Na mesma hora que o rapaz chegava na varanda da casa uma linda jovem saía de dentro da casa carregando um menininho loiro no colo.

— Vossa graça, ordenou-me a trazer para Milorde. — Joey já estendia a carta que tirava do bolso da camisa simples.

Embry pegou de imediato a carta e um pouco sem jeito tentava abrir, já que ainda estava com a filha adormecida nos braços.

Olívia nada disse ou questionou. Já Joey observou de forma rápida, que o menininho no colo da jovem era exatamente a cópia do marquês. Sem sombra de dúvidas o nobre tinha uma família bastarda, que por sinal era aquela. Por isso do olhar severo e da exigência por silêncio do Duque.

— Meu Deus! — Embry sussurrou quase sem voz, dando um passo para trás. A face, antes rosada, agora estava praticamente translúcida.

— O que houve, Querido? — Olívia esqueceu de ser discreta ao perceber o nítido choque do amado ao ler a breve missiva.

— Preciso ir a Londres imediatamente! — declarou o nobre, já caminhando para dentro da casa na intenção de por a filha no berço e vestir uma roupa mais apropriada para a partida.

~*~

Londres

Nem de longe a grandiosa Mansão continuava bela como antes. Não que tivesse perdido a sua grandeza e magnitude, pois continuava rica e luxuosa, porém o clima melancólico contagiava todos os ocupantes da nobre residência.

Os empregados mantinha as suas atividades diárias em dia, mas o silêncio chegava a ser quase perturbador.

— Milorde! — o solene Mordomo fez uma mesura impecável ao patrão.

— Onde ele está? — Embry jogou o casaco e a cartola sem qualquer cuidado encima do mordomo.

Estava cansado. Ele tinha feito a viagem de Kent até Londres na carruagem emprestada pelo amigo Duque. Durante todo o trajeto, de pouco mais de seis horas, parou apenas duas vezes para trocar os cavalos, isso porque era inevitável.

Sem esperar por uma resposta do mordomo, o marquês correu em direção a escada principal da Mansão e subiu correndo os numerosos degraus. Ele não precisava de orientação para saber onde ficava a ala infantil da propriedade.

Aquela Mansão já pertencia a sua família há varias gerações. Ele passou muitos verões londrinos naquela propriedade.

Embry corria pelos longos corredores de forma desesperada, muitas vezes assustando os criados que encontrava pelo caminho.

— Cadê ele? — perguntou ao abrir a porta do quarto do filho de forma intempestiva.

— Milorde? — questionou confusa a babá da criança.

— Papai! — gritou o menininho loiro ao escutar a voz do pai.

Bernard levantou do tapete onde brincava com um carrinho e correu para abraçar as pernas do pai.

— Papai, senti saudades. — falou com voz infantil e com alguns erros comuns da idade.

Embry pegou o filho no colo e abraçou forte. Ele amava tanto Bernard como os outros filhos.

Quando recebeu a missiva ficou tão desesperado com a possibilidade de que algo de ruim pudesse acontecer ao filho e que ele não conseguisse chegar a tempo...

Mas agora tendo Bernard nos braços, ele sentia o menino tão forte e saudável... Não era possível que estivesse tão doente quanto o mencionado na carta. Na última linha da missiva dizia que temiam que o pior pudesse acontecer.

— Como ele está? Cadê o médico que não está aqui com ele? — Embry disparou a perguntar, ainda mantendo o herdeiro nos braços.

— Milorde, sobre o que está falando? — a babá perguntou confusa.

— Recebi uma missiva pedido para regressar a Londres imediatamente, pois o médico temia pelo pior... — o Marquês respondeu confuso pelo questionamento da criada.

— O senhor não sabe? — a babá, que até o momento estava igualmente confusa, compreendeu sobre o que o patrão falava. — Não é Lorde Bernard que está doente... — a criada não falaria na frente da criança quem estava doente, mas sabia que o patrão compreenderia a evasiva.

Apesar de ter apenas três anos, o garotinho de olhos azuis e cabelos loiros — quase brancos — iria entender que a mãe estava doente. Há dias a babá não levava o menininho para ver a marquesa. E Bernard sempre chorava e perguntava por ela.

A compreensão passou pelos olhos de Embry.

Ele estava confuso. Mas pensando bem, realmente na carta não mencionava quem estava doente, mas deixar entende que era a criança. Provavelmente para fazê-lo retornar imediatamente, pois se soubesse que era a esposa, poderia não vir tão rápido.

Embry caminhou até o enorme tapete e sentou com o filho. Ele iria distrair o menino um pouco antes de ir apurar o que realmente estava acontecendo em sua propriedade.

~*~

O Marquês caminhava a passos duros em direção a ala principal da Mansão onde ficavam tanto os seus aposentos como os da esposa. Tinha deixado o quarto do filho somente depois que Bernard tinha caído no sono, depois de tanto brincar com o pai.

Embry estava irritado. Se fosse mais um joguinho de Caroline, ele não se responsabilizaria pelos próprios atos. Tinha vontade de esganar a — sempre arrogante —esposa. Como ela foi capaz de deixá-lo preocupado a ponto de largar tudo e voltar correndo para Londres apenas com a roupa do corpo? Ela sabia que um tipo de missiva como aquela traria ele correndo.

Aquilo foi o limite para o Marquês!

— Dr. Carlson? — Embry questionou ambíguo ao se deparar com o médico saindo exatamente da porta que ele pretendia entrar. — O que faz aqui? — olhava curioso para o conhecido médico, que também cuidava de sua família.

A expressão carregada do Doutor não deixava dúvidas que algo de muito sério acontecia.

— Poderíamos conversar Milorde? Ou gostaria de ver primeiro sua esposa? — Carlson falou educado, sem mostrar qualquer julgamento.

— Vamos ao meu escritório. — o Marquês não precisou pensar ao fazer a escolha de falar primeiro com o médico.

Embry queria primeiro saber de toda a verdade pela boca do médico. Caroline faria dramas desnecessários para fazê-lo se sentir culpado por algo.

— Milorde, não sou portador de boas notícias. Na verdade, temo pelo pior. — Carlson começou a falar assim que o mordomo deixou o escritório, após servir um brandy.

— Sobre o que exatamente estamos falando? — perguntou o nobre ainda confuso. — Cheguei de viagem há poucas horas. Retornei devido a uma carta que recebi exigindo minha presença aqui. — disse de pé, atrás da poltrona de couro, apertanto o respaldar com seus dedos longos.

— Milorde, preciso que esteja preparado para o pior. Não tenho notícias agradáveis para dar. — o médico fitou o nobre enquanto bebia um pouco do destilado.

— Fale logo, homem! — Embry estava impaciente com todo aquele mistério.

— Fui chamado a Casa Call há cinco dias atrás. A aia de Vossa esposa mandou me chamar pois a Marquesa não se encontrava nada bem de saúde. — Carlson começou a falar com cautela. O assunto era extremamente delicado. — Encontrei Lady Call muito debilitada. A febre dominava todo o seu corpo enfraquecido e a hemorragia ainda estava presente, isso só agravava ainda mais o seu estado. — o médico fez uma pausa para observar a reação do Marquês. Embry tinha a boca levemente aberta pela surpresa. — Eu fiz tudo o possível, mas infelizmente a criança foi perdida e o veneno em alta dose tomado dominou todo o corpo da Marquesa... O coração dela está cada vez mais fraco.

— O quê? O que disse? — Embry piscou aturdido com a informação do médico. — Que criança foi perdida?

— Milorde, a Vossa Marquesa sofreu um aborto. E pela a minha experiência, garanto ter sido provocado. Não sei o que levou Lady Call a fazer tal ato, mas seu corpo agora está pagando as consequências. — informou o médico, novamente fazendo uma pausa para beber mais um pouco de brandy e esperar o Marquês absorver as informações.

Embry ergueu o corpo de forma brusca e virou de uma única vez seu brandy, batendo o cálice vazio na mesa de mogno. Caminhou em silêncio até a enorme janela com vista para o jardim e tentou pensar de forma racional diante de toda a informação recebida.

Depois de alguns minutos em silêncio o Marquês se virou para o médico.

— Qual é o real estado de saúde de minha esposa? Ofereça todo o tratamento necessário para curá-la. Pagarei todos os seus honorários e tudo mais que for necessário. — por fim, Embry ditou tudo sem qualquer emoção.

A verdade era que tinha descoberto da pior forma que havia sido traído. Era impossível aquela criança ser dele. Embry não mantinha relações com a esposa há quase um ano. Era humilhante para um homem ter que assumir um filho bastardo em nome da posição social.

Agora ele compreendia o porque que Caroline tentou seduzi-lo pouco antes de deixar Kent de forma tão rápida. Ela queria forjar que aquela criança era dele. Como não conseguiu deitar-se com ele, retornou a Londres e provocou um aborto. Porém algo tinha saído do controle dela.

Embry estava possesso!

Ele não amava a esposa, mas era um homem imponente, um lorde! O orgulho ferido estava torturando-o. Não que ele esperasse fidelidade de Caroline, mas que tivesse sido ao menos discreta nos casos extraconjugais.

— Milorde... — Carlson chamou a atenção do nobre. Embry havia voltado a virar-se de costas, absorto a tudo, contemplando o jardim sem atenção, apenas imaginando como não havia percebido o que acontecia antes. — Não há mais nada que eu possa fazer. Agora só resta esperar para ver se a hemorragia passa... — olhou com pesar a pose tensa do nobre.

Carlson não era de tomar conhecimento sobre as fofocas da sociedade, mas já tinha escutado falar que o casamento do Marquês era apenas de conveniência. E agora levando em consideração a surpresa do nobre em saber da perda da criança e a tentativa desesperada da Marquesa de se livrar da mesma, ele apostava todas as fichas que aquela gravidez era fruto de uma traição. Porém isso Carlson levaria para o túmulo, era mais um segredo médico.

— Como assim? — Embry voltou a olhar o médico com total atenção.

— Milorde, infelizmente não há mais nada o que eu possa fazer por lady Call. O que nos resta é esperar para ver como o corpo dela reagirá as medicações. — o médico balançou a cabeça ao mostrar todo o seu pesar.

Infelizmente a medicina ainda era muito limitada, e os remédios disponíveis não eram fortes o suficiente para combater um quadro de doença tão devastador.

Vários órgãos estavam falhando no decorrer dos dias...Muito provavelmente algum vírus havia se apossado de seu corpo, lhe provocando febre e agravando ainda mais seu débil estado.

Embry demorou alguns segundos para compreender o que o médico queria dizer com a evasiva. Ele piscou aturdido ao chegar à conclusão.

~*~

O enorme quarto luxuoso permanecia com as pesadas cortinas fechadas, poucas velas faziam a iluminação do ambiente, além, é claro, da lareira. O silêncio era perturbador e o cheiro de doença predominava, por mais que houvesse um delicioso perfume de jasmim sobreposto no comodo.

Embry entrou no quarto da esposa — poucas vezes esteve ali — e pode avistá-la deitada no meio da enorme cama. Nem de longe lembrava a bela loira de olhar superior e comportamento arrogante.

A pele — antes sempre corada — estava pálida, apenas alguns pontos apresentavam manchas arrocheadas e amareladas, patológicas. Os belos cabelos loiros — cor de trigo — estavam sem o brilho de antes. A aparência gritava fragilidade.

Embry sentiu o estômago se contorcer. Por mais que não amasse Caroline, não desejava vê-la de forma tão frágil e impotente.

— Caroline? — Embry chamou pela esposa.

Ela tinha os olhos fechados enquanto a aia escovava uma parte dos cabelos opacos e secos.

— Precisamos conversar. — disse a lady em um fio de voz. Ela ainda mantinha os olhos fechados.

— Sim, nós precisamos. — confirmou o Marquês, já caminhando para se sentar próximo a cama da esposa.

Imediatamente a aia parou sua tarefa e saiu para dar privacidade ao casal.

— Estive com o Dr. Carlson. — Embry foi o primeiro a quebrar o silêncio que tinha predominado. — Ele já me comunicou o seu real estado de saúde, e o que levou a ele. Gostaria de me contar algo? — o tom dele foi calmo e sereno enquanto mantinha seus olhos atentos em sua esposa que estava terrivelmente abatida.

Caroline imediatamente abriu os olhos e dirigiu o olhar frio ao marido. Mesmo severamente debilitada, ela tentou ajeitar a postura da melhor forma para conseguir se posicionar em sua habitual postura arrogante.

— Não me olhe com esses olhos de quem se sente no direito de julgar-me. — a voz era fraca, mas Caroline mantinha-se altiva como sempre. — Você é o último a ter o direto de me julgar ou você acha que eu não sei sobre a sua amante de pé sujo na lavoura e os seus bastardos imundos? Você é repugnante!

O Marquês foi pego de surpresa, piscou dissimulando o susto e respirou fundo.

— Não fale assim deles! Acho que você não esta em posição de se manter arrogante. Olhe para você. Olhe o que você fez a si mesma. — Embry falou após se recuperar da surpresa revelada. Visto que Caroline não se manifestava, o homem prosseguiu com voz calma, porém um pouco ressentida — O que eu fiz para me odiar tanto? Quando me casei estava disposto a ter uma relação amigável com você. Eu não te amava, mas poderíamos ter tido momentos mais agradáveis. Você nunca me permitiu me aproximar de você. Nossas noites no leito era uma obrigação, e você fazia questão de me mostrar isso. Eu tentei ser agradável, carinhoso... mas você permanecia frígida... Sempre imóvel, com os olhos fechados, apenas esperando tudo terminar. Eu sempre me sentia horrível depois... Você fazia questão de me lembrar que teríamos que seguir com nossas obrigações até o herdeiro chegar. Você não sabe o alívio que foi descobrir a sua gravidez. E mais alívio ainda descobrir que era um varão. — o nobre jovem suspirou recordando-se do sentimento de alívio sentido na ocasião — Nossas obrigações haviam encerado. Eu apenas passei a lhe tratar da forma que você queria ser tratada. — Embry sentiu um aperto no peito, um bolo na garganta, não fora assim que havia imaginado um casamento, mesmo esse sendo por conveniência, no entanto não mostraria essa fraqueza a esposa. Ele usava a máscara da frieza que havia aprendido com ela.

— Eu nunca quis me casar com você. — ela disse amarga, apesar de fraca e com olhos fechados.— Ou com qualquer outro nobre. Eu fui convencida, na verdade, eu fui obrigada. — ela umedeceu os labios rachados com a ponta da lingua esbranquiçada — Eu amava outro homem, o qual meu pai fez questão de sumir com ele para eu poder aceitar esse casamento. — Caroline enxugou a lágrima que teimou em escapar pela face pálida. — Então eu prometi a mim mesma que seria a Marquesa que minha família tanto almejou para mim. Nós nobres, não ligamos para sentimento, apenas para a posição social. E não me venha dar exemplo dos seus amigos, isso é exceção. A todo momento jovens filhas de nobres são obrigadas a se casar para salvar suas famílias ou manter a posição.

— Mas nós poderíamos ter feito diferente, no entanto você decidiu não se permitir. Você escolheu o pior caminho. Você decidiu sofrer e me fazer sofrer junto. Você escolheu o caminho da infelicidade! — disse o Marquês ainda em choque pelas revelações.

— Me permitir a que? A migalhas? Você seria apenas como o seu amigo, o Duque de York e eu como a falecia Duquesa. Lorde Balck era gentil com a falecida Lady Leah, mas nada impediu de ter uma amante em cada esquina. Boba foi ela de acreditar na mediocridade de sentimentos irreais. Pelo menos eu jamais fui iludida. — Caroline tinha ódio ao proferir as palavras. — Você apenas queria que eu facilitasse a sua vida sendo agradável e gentil. Nunca!

— E para que tanto ódio? — Embry se controlou para não ser ríspido. — Apenas teve uma vida infeliz. E olha agora como está!

Caroline sentiu os olhos pinicarem, mas prendeu o choro. Ela sabia que sua vida estava por um fio. Seu corpo estava fraco demais, seus ossos pareciam estar liquefeitos, respirar era uma dificuldade tremenda, sentia dores ao forçar a respiração, ora e outra parecia que o coração pararia.

— O que a levou fazer isso consigo mesma? Você poderia ter me contado. Eu não seria cruel e insensível como você. — Embry tentou mudar a abordagem.

Por mais que não amasse Caroline, ainda assim a respeitava por ser mãe de seu herdeiro.

— E o que você faria? Assumiria um filho bastardo? Não seja hipócrita! — acusou a Marquesa após uma gargalhada debochada, ela respirou fundo — Não minta! Orgulho é uma característica enraizada na sua família.

— Realmente não assumiria. — concordou o Marquês. — Mas jamais teria ido atrás de você caso fugisse com o seu amante, claro que se deixasse Bernard aqui. — Embry ditou sério. — Eu enfrentaria a humilhação e pediria anulação do nosso casamento por quebra de voto matrimonial. Eu estaria livre e você também.

— Jamais abriria mão do meu título. Ele é tudo que sou. — Caroline ditou entre os dentes.

Embry ficou chocado por ela nem ao menos mencionar o filho deles. Ela não fugiu simplesmente porque não queria perder a posição social, e não porque não queria se afastar do filho. Ela era pior que o Marquês imaginava.

— Ainda que você não quisesse fugir e deixar o seu filho e título para trás, poderia ter me contado. Eu arrumaria uma solução. — o nobre incluiu o filho para vê se algum remorso passava pelos olhos frios. Nada! — Eu poderia tê-la enviado para alguma propriedade menor, onde pudesse ter o seu filho de forma discreta e depois entregá-lo para que a família do pai pudesse criar a criança. Depois você poderia voltar para o seu título e filho...

Caroline olhou para o marido de soslaio. Ela não acreditava que ele seria tão generoso. Era fácil falar agora que já tinha escolhido outro caminho para se livrar das consequências da traição.

— Quem é? Exijo saber quem foi o nobre com quem se deitou? — Embry verbalizou a pergunta que há muito gritava dentro de si. O orgulho estava falando mais alto.

— Quem disse que foi um nobre? — Caroline sorriu amarga.

Embry deu um sorriso saturno e debochado.

— Você é arrogante demais para se deitar com um lacaio ou até mesmo um burguês, Caroline — a fitou com olhos estreitos.

Caroline sorriu sem humor. Ela fechou os olhos e lembrou da primeira vez que viu o homem que mudaria totalmente a sua controlada vida.

Flashback on:

Ele carregava um fardo de feno para os fundos da estrebaria sob o sol fraco do meio da tarde. Forte, alto, viril, moreno, belo... uma combinação tão potente e perigosa que a fez perder preciosos minutos de sua tarde analisando de forma minuciosa o trabalhador, imaginando se caso pudesse tocá-lo....

Quando deu por si já havia se rendido as investidas do audacioso homem que não tardou a perceber seu interesse.

Suas noites fugazes eram regadas de sexo selvagem na estrebaria do Duque de York.

Richard era um amante habilidoso. E por diversas vezes a fez conhecer o paraíso do orgasmo. Mas infelizmente o relacionamento havia chegado ao fim quando sua aia — que sempre lhe dava cobertura — informou o atraso de suas regras e as temidas suspeitas vieram.

Ela havia partido sem se despedir, sem Richard descobrir que levava consigo um filho dele. Ela não deu nem ao menos a possibilidade de escolha a ele. Ela precisava pensar em si e em sua desejável posição social.

Foi difícil tomar a decisão de interromper a gravidez... Sabia que haveria riscos, mas não imaginou que seria pior que descer de seu pedestal e aceitar uma nova vida.

Além do doloroso procedimento feito com um chá amargo e as cólicas agonizantes e incessantes.

No segundo dia de hemorragia e cólicas ela soube que o objetivo tinha sido alcançado.

Flashback off.

Caroline recolheu mais uma lágrima. E mais outra... até que não conseguir mais segurar o choro.

E se...Tivesse contado a Richard, a Embry....E se não tivesse extrapolado a dose do chá por segurança de ter o efeito desejado ou....

Todavia ela ainda era uma Marquesa! Era tudo que ela queria quando decidiu suas escolhas. No final havia conseguido o que queria.

Embry se compadeceu mais uma vez. Ele segurou a mão febril entre as suas. Caroline não teve forças para puxa-las, ela havia perdido toda pouca energia que ainda tinha naquela conversa. Precisava descansar um pouco, seu corpo debilitado exigia.

— Não fale sobre o que não sabe. — a lady falou baixo, quase inaudível. Embry fez um esforço para entender o que ela falava. — A identidade do meu amante levarei comigo para o túmulo, se assim tiver que ser, mas te garanto que ninguém jamais descobrirá. Ele não é um nobre e nem um burguês. É só um criado... — ela respirou fundo e dolorosamente, buscando ar para continuar, Embry não sabia se acreditava nela — Fique tranquilo que o escândalo não afetará você. Mas quero que me prometa duas coisas. — olhou para o marido. Embry fez um sinal com a cabeça para ela prosseguir. — Primeiro; preciso que me prometa que cuidará de Bernard caso meu corpo não consiga se fortalecer, e que jamais denegrirá a minha imagem para o meu filho. Pode parecer que não, mas eu amo o meu menino. Segunda; preciso que me prometa jamais botar a sua amante pé sujo no meu lugar. Isso é inadmissível! Se quiser casar novamente, que seja com uma nobre.

Embry riu pela audácia da esposa.

— Você não está em condições de exigir nada, Caroline. — o Marquês olhou diretamente nos olhos frios da esposa. — Eu posso prometer sobre a primeira coisa. Bernard será criado com amor e carinho, não irei macular as lembranças dele sobre você. Agora a segunda, está fora de questão. Não serei infeliz porque me pedes. Não ligo se tiver que manchar o nome e o título, mas se tiver que casar pela segunda vez, será por amor.

— Embry... — Caroline usou as últimas forças para gritar ou tentar.

— A nossa conversa está encerra! — Embry levantou e não deixou brechas para contestação. — Amanhã retorno para vê-la. Mandarei a sua aia vê se está confortável. O Dr. Carlson avisou que virá duas vezes ao dia para vê-la. — Embry deixou o quarto da esposa sem olhar para trás. Não ficaria ali para jogar os joguinhos dela.

A verdade era que ele tinha muito o que pensar. Muita informação para digerir e uma conclusão para tirar.

~*~

O homem embalava o bebê que havia acabado de dormir em seus braços. O sorriso bobo era impossível de ser contido. Como ele estava feliz em ter o saudável herdeiro nos braços.

— Querido, quer me devolvê-lo? Irei colocá-lo no carrinho. — Renesmee perguntou amável.

Ela havia amamentado o filho e passado para o Duque assim que a criança terminou. Precisava tomar o chá com biscoito que Emma havia trazido. Amamentar dava fome, e ela estava mais magra que antes da gravidez. Jacob exigia que ela se alimentasse toda hora.

O casal desfrutava de um chá na sala privada da duquesa. Era meio da manhã.

— Pode entrar. — Renesmee foi até a porta e abriu, autorizando o criado a entrar. Não queria falar mais alto e correr o risco de acordar o filho.

— Vossa Graça. — Oliver fez uma mesura impecável para os dois patrões. — Acabou de chegar de Londres. — o mordomo entregou a carta ao duque.

Jacob reconheceu de inédito o selo e o Brasão. Ele aguardava aquela missiva há uma semana.

O Renesmee foi pegar o filho no colo do marido para permitir que ele abrisse a carta e lesse com calma.

O duque rompeu o selo e leu as breves linhas, deixando escapar um pesado suspiro no final.

— O que foi Querido? — questionou Renesmee curiosa, Jacob tinha uma expressão carregada.

— Uma notícia nada agradável, Poupée. — balançou a cabeça de um lado para o outro pelo pesar. — Preciso ir a Londres, ainda hoje. — informou balançado a carta, deixando claro que era devido a notícia contida ali.

— Por que? — Renesmee estava surpresa.

— O Marquês mandou notícias, mas infelizmente não são nada agradáveis— Jacob respirou fundo para tomar fôlego antes de falar. — Lady Call veio a faleceu na noite passada. Ela estava muito doente e seu corpo não resistiu. Por isso da viagem intempestiva do Marquês. — explicou.

— Meu Deus! Que tragédia. — Renesmee arfou assustada. Ela havia sido pega de surpresa pela notícia trágica.

— Eu preciso ir ao velório. — o duque comunicou a amada.

— Irei contigo, Meu Amor! — ditou a duquesa.

— Não. — disse firme o nobre. — Já está muito frio para fazer uma viagem com um bebê tão novo como William. Ele não tem nem dois meses de vida. Seria uma ato imprudente. Sem contar o fato que você ainda está de resguardo. Toda Londres irá compreender a sua ausência.

Renesmee ainda tentou argumentar, mas por fim concordou com o marido. Ele tinha total razão. Não iria arriscar a saúde do herdeiro por nada.

~*~

Jacob partiu rumo a Londres no início da tarde, junto com a família Ateara. Sua irmã tinha retornado para Londres há três dias. Obrigações reias.

Claro que o Duque antes de partir fez várias recomendações para Emma, Elizabeth e Oliver. Eles deveriam colocar os cuidados e necessidades de Renesmee e do herdeiro em primeiro lugar.

A jovem Duquesa realmente lamentava a perda do Marquês. Apesar de não simpatizar com a Marquesa, sabia que ela era jovem e deixava órfão de mãe um filho pequeno. Isso a fez sentir-se triste. Ela sabia como era tristes crescer sem uma mãe por perto.

A duquesa também sentia-se melancólica por saber que o marido estaria longe por um tempo. Isso fazia ela sentir-se perdida e um pouco vazia, ainda bem que agora tinha um pedacinho dele consigo. William seria como um bálsamo na ausência do marido. Seria a primeira vez que eles ficariam longe um do outro desde que se casaram.

Jacob partiu prometendo retornar assim que possível, mas deixou claro que prestaria o apoio necessário ao amigo. Além de que aproveitaria a viagem a Londres para resolver alguns assuntos pendentes.

É, parecia que o poderoso e implacável destino já estava começando a cobrar as dívidas acumuladas por seus devedores. Quem poderia ser o próximo?

Notas finais
E então??? Gostaram? Eu confesso que fiquei com dó.... Do Marques! O único personagem que não tivemos pena de matar hahaha Aguardamos os comentários. Prometemos não demorar para o próximo e se preparem... Agora estamos para reta final e MUITA coisa pode acontecer ;) Beijos e abraços. Jenny e Day