Bloody Revenge
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Não há ninguém para confiar neste mundo, não há ninguém para recorrer. As pessoas... são desprezíveis.
Já cansei de ouvir as mesmas notícias toda semana sobre assassinatos, estupros, assaltos. Há algum motivo para tudo isso?
Dias e dias se passam, as pessoas não mudam.
– Cameron! – Berra a professora. – Você não me entregou a sua redação...
– Ah, me desculpe. Esqueci em casa – respondo sem o mínimo de preocupação. – Posso trazer amanhã?
Olho-a de soslaio, com desprezo.
Ela revira os olhos e diz:
– Tudo bem. Mas não darei nenhuma oportunidade da próxima vez, me entendeu? – Ela se curva em minha direção, bufando.
– Tudo bem... – sorrio, deixando-a irritada.
Eu queria sair dali, fugir de todas aquelas vozes, do barulho agonizante do giz no quadro negro, dos olhares frustrantes lançados em minha direção.
Logo, o meu desejo se esvai, voltando à tona minha impaciência.
Esta maldita aula que não acaba nunca... Preciso de um cigarro.
Bato a ponta do lápis impacientemente na mesa, eu não aguentava ouvir os outros garotos e suas histórias ridículas sobre o verão, garotas e suas festas.
Então finalmente o sinal toca. Jogo minhas coisas dentro da mochila e saio da sala desesperado. Aquilo era uma tortura.
Passo pela porta de vidro da frente e me deparo com Natalye.
– Cam! Espere aí! – Ela ofega, colocando seus braços em meu peito. – Você vai aonde?
– Vou para o... – hesito. – Vou para casa.
Por favor, Natalye... Vá embora.
– Eu pensei que iria... – ela abaixa a cabeça, me olhando por baixo de sua franja.
– Não. – Interrompo. – Eu vou para casa.
Percebo que meu tom de voz não a faz desistir.
– Ah, eu pensei que poderíamos ir juntos ao cem...
– Por que não vai sozinha? – Novamente interrompo, agora a deixando para trás. – Eu tenho mais o que fazer.
– Sério? Como consegue ser tão arrogante? – ela Indaga.
Ela vem atrás de mim, acelerando o passo para que possamos andar lado a lado.
Eu paro e me viro para ela.
– Cam? – Ela chama.
A compreensão de seus olhos me comove, mas somente por uma fração de segundo.
– Meu nome é Cameron – retruco.
– Achei que fossemos... – ela sussurra.
– Achou errado! – Detenho suas palavras. – Nunca fomos amigos, Natalye. Você era amiga do Tyler e... nunca seríamos amigos – sorrio sadicamente.
– Agora eu sei por que você não tem amigos, – cerrando os olhos – você é doente, Cameron.
Você é doente, Cameron...
As palavras ecoam em minha mente enquanto eu fito Natalye.
– O que... você disse? – Cerrando o punho.
– Que você é doente! – Ela cospe em meu rosto.
Não penso duas vezes. Seguro seu pescoço e a levanto, olho fundo em seus olhos e repito várias vezes:
– Eu não sou doente! Eu não sou doente, sua vadia! – Aperto mais seu pescoço, o sentindo pulsar.
– Came... – ela tenta dizer, sufocando.
Arremesso-a para o lado das mesas de concreto do pátio.
Lentamente vou até ela. Vendo-a no chão daquele jeito me deixou um tanto contente. Agacho-me e digo:
– Não chegue mais perto de mim... – e novamente abro um sorriso.
Eu simplesmente viro-me e vou embora.
Tive muita sorte de não ter ninguém por perto.
Uma sensação me atingiu: alívio.
Agora posso visitar Tyler em paz. Se Natalye fosse junto... Mal sei o que eu poderia fazer com ela.
Ando por alguns minutos, mas não canso. Mesmo que cansasse eu deveria continuar.
Passo na frente de várias livrarias, despertando minha curiosidade ao ver o tamanho da fila na entrada. Mas, meu rumo era outro.
Aniversário do Tyler..., penso, deixando um sentimento de alegria me preencher.
O cemitério não é longe do colégio, apenas algumas quadras. Então não precisei acelerar o passo para não chegar tarde em casa.
Avanço para a calçada do mármore mais branco e avisto as capelas. Procuro o portão principal para o cemitério, então sigo até ele.
Um coveiro me encara.
Dou de ombros e passo pelo portão.
– Garoto... – com uma voz rouca, como em cações fúnebres. – O que faz aqui?
– Eu só vim visitar o túmulo do meu irmão. Hoje é o aniversário dele. – Sem sequer olhar em seu rosto.
Ele não diz mais nada, então eu saio apavorado dali, ele me lembra meu pai.
Ando por bastante tempo pelo gramado recém cortado do cemitério. Eu li vários nomes, nenhum era do Tyler. Não me lembro onde ele foi enterrado, mas decido procurar.
Passo ao lado de um pinheiro. Eu me lembro dele, estou perto. Ando um pouco mais de três metros e vejo:
Tyler Hiragi Ikeda ☆ 17/06/1992
Ruka Ikeda Hiragi ✝10/03/2006
– Doushite Ruka?
Uma lágrima cai. Já é tarde demais para segurar. Eu não aguento e começo a chorar.
– Ruka...
Tyler sempre quis um canivete. Nunca lhe emprestei o meu, ou dei algum de presente. Então tiro do meu bolso o canivete que ele sempre invejou, coloco em cima da placa com seu nome e novamente choro.
– Ruka! Ruka... Doushite? Baka, baka, baka!
Escuto alguns passos. Enxugo meus olhos e olho para trás.
Uma garota linda com lágrimas no rosto está sozinha próxima ao pinheiro que passei. Levanto e vou a sua direção.
– Olá – digo, trazendo seu olhar ao meu.
– Oi, – ela olha para baixo. – É alguém próximo, não é?
A garota me olha de cima a baixo, procurando por uma brecha, a qual dissesse quem eu era.
– Meu irmão mais novo. – Interrompendo seu olhar invasivo. – Hoje é o aniversário dele.
Ela olha para baixo e depois para mim.
– Eu... sinto muito – murmura.
– É sua mãe? – Pergunto olhando para a placa, tentando ler o nome.
– É... bem, ela é minha tia – ela suspira. – Mas eu considero minha mãe, pois ela me criou.
– Faz muito tempo que ela...
Fico surpreso ao perceber que a garota não se sentiu estranha, como se eu tivesse invadindo sua vida pessoal.
– Um mês. – Interrompe, enxugando os olhos.
– Sinto muito... – fazendo um sinal positivo com a cabeça.
Ao lado do pinheiro havia uma pequena árvore. Sentei-me embaixo dela e, não sei ao certo se por educação ou compaixão, ela se acomodou ao meu lado.
Ficamos olhando para o cemitério sem dizer sequer palavra, apenas ouvindo o som delicioso que o vento fazia ao encostar-se às folhas dos pinheiros mais altos.
– Qual o seu nome? – Pergunto envergonhado pela súbita quebra de silêncio.
– Louise – ela sorri. – E o seu?
– M-meu nome é... Cameron – gaguejo e coro ao ver que ela não tirou os olhos dos meus.
– Prazer, Cameron. – Ela sorri simpaticamente, estendendo a mão para me cumprimentar.
– O prazer é meu, Louise... – roxo de vergonha.
Um sorriso no canto da boca surge de repente, Louise nota e desvia o olhar.
Ela tinha um sotaque diferente, não consegui identificar.
– É ruim perder alguém próximo, não é? – Pergunta Louise, encostando a cabeça no tronco da pequena árvore.
– Principalmente quando é seu único amigo. – Sinto que minha voz saiu tão baixa que parecia mais um pensamento, deixando um nó em minha garganta.
– O quê? – Ela olha em meus olhos, tentando me compreender.
– Nada... – fazendo que não com a cabeça.
Eu miro o lago que corta o cemitério por alguns instantes, até Louise começar a falar sobre sua família. Eu então apenas afirmo com a cabeça e deixo-a falar.
A simpatia que senti por ela... Não consigo explicar.
– Você... você quer comer alguma coisa? – Pergunto, inseguro.
Ela abaixa a cabeça e então quando a levanta diz:
– Na verdade... eu já estava indo embora – ela morde o canto do lábio, temendo minha resposta.
– Ahh! Tudo bem então... – ainda que com um olhar decepcionado, fingi que não me importei.
– Mas ainda, qualquer dia desses nós podemos tomar um café. – Ela sorri e se levanta.
– Sério? – Fico vermelho ao notar que pareci entusiasmado demais para quem não se importou antes.
– Sim. Amanhã me encontre na Starbucks às duas horas...
– Tudo bem – afirmo. – Mal posso esperar. – Abro um sorriso de orelha a orelha, o que me deixou frustrado.
– Tchau, Cameron... – sumindo entre as árvores.
– Até, Louise... – digo baixinho, sorrindo.
Ela foi embora e, eu ali parado, sorrindo, percebo que é hora de ir embora, então levanto e pego a mochila.
Saio do cemitério olhando para baixo, com um sorriso idiota estampado na cara. Louise era... era maravilhosa.
Tiro do bolso a carteira de cigarros, um isqueiro e, um pedaço de papel que não sabia como acabou parando ali.
Acendo o cigarro, sentido aquele ar quente e seco entrando em minha garganta. Guardo a carteira junto do isqueiro no bolso.
Curioso para o ver o que tinha naquele pedaço minúsculo de papel, desamasso e leio:
“Bichona”
Não sei como aquele papel foi parar em meu bolso. Só sei que aquilo me deixou irritado, mais do que o de costume. Então eu simplesmente amasso-o e jogo fora.
Eu sorri ao lembrar-me de Louise.
Então eu viro à rua da esquerda e entro numa lanchonete, a que eu sempre passo depois da aula.
Vou até o balcão. A impaciência novamente toma conta de mim, tendo de aguardar alguns minutos, eu toco repetidamente a campainha.
– Cameron! – Uma voz surge de repente. – O mesmo de sempre?
Era Julia.
– Si...
– Vá sentar, já levo seu lanche – ela interrompe, saindo tão rápido que parecia mais um vulto.
Vou em direção de uma mesa vazia ao lado da janela da lanchonete. Coloco a mochila na cadeira ao lado e me sento.
Julia vem e coloca a bandeja em minha mesa.
– Tá aí. – Ela sorri e sai.
Eu rio.
Abro a embalagem do hambúrguer, mas antes de eu dar a primeira mordida, sou interrompido pelo toque do meu celular. Largo o hambúrguer na hora, puxo o canudinho para boca e, tirando o celular do bolso, notei que havia uma mensagem de um número desconhecido.
Não demorei muito para largar o canudo e desesperadamente abrir a mensagem.
Eu senti minha espinha arrepiar, minhas mãos tremerem e meu estômago embrulhar. Isso foi uma facada, uma gélida e firme facada dada por ninguém menos que minha mãe.
Largo a mesa, pego a mochila e saio. Deixando para trás hambúrguer, refrigerante e uma conta para pagar.
– Cameron, aonde você vai? – Julia grita de dentro da lanchonete. – Precisa pagar!
– É uma emergência... Mais tarde eu volto e pago. – Respondo em um tom de voz firme.
Corro por mais ou menos doze quadras. Meu fôlego desaparece ao ver que o carro de minha mãe está estacionado na garagem.
Abro a mochila e a reviro, procurando as chaves. Mas minhas mãos estão tão trêmulas que não consigo achar nada.
– Merda! – Grito indignado.
Viro a mochila e jogo tudo no chão, enfim achando a chave. Tento abrir o portão correndo, quase não conseguindo de tanta tensão.
Então quando finalmente abro eu corro para dentro de casa.
O que... é isso?
Deparo-me com uma cena que, se eu não soubesse do que se tratava, continuaria ali.
Mas eu não pude mais continuar naquele lugar. Eu precisava... fugir.
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