Bloody Revenge

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Demorei para postar pois estou empenhada demais nos trabalhos. Enfim:

Receio que a polícia esteja me perseguindo agora, mas já não tenho mais escolhas.

Por quê?! Por que isso?

Mais do que nunca estive tão desesperado.

A realidade parece mais dura quando você percebe que não consegue aceitá-la. E a minha realidade é essa: eu sou um fugitivo. Mas não somente um fugitivo, um covarde.

Sequer consigo sentir minhas pernas, apenas uma pulsação teimosa entre os pés e os joelhos. Tornou-se automática essa corrida, essa fuga das minhas responsabilidades.

Não sinto remorso.

Não sinto culpa.

Apenas sinto medo. Medo do que Tyler pensaria de mim, eu já não posso imaginar.

Mas eu fiz o papel que a polícia deveria ter feito.

Ninguém o defenderia melhor do que eu, mas falhei. Falhei e precisei consertar tudo.

Um nó na garganta, uma pontada no estômago ao perceber que me levei ao parque onde eu levava Tyler quando éramos pequenos. A fonte, o parquinho.

Então eu não ouço mais sirenes. A única coisa que ouço agora é o som delicioso da água da fonte.

Isso parece mais um isolamento inconsciente realizado pelo meu medo.

Já cambaleando, eu me sento à beira da fonte. Mergulho a ponta dos dedos na água fria, sentindo um formigamento sob a pele que vem da nuca até a extremidade dos pés. Isso me relaxa por um instante, até eu lembrar-me do motivo de estar ali, fugindo de tudo.

Então recupero o fôlego, sinto um arrepio dorsal e então corro até um bosque a mais ou menos um quilômetro do parque.

As sirenes voltam junto ao desespero.

Não vejo mais saída. Agora eu estou completa e inevitavelmente sem saída.

O que vai acontecer comigo?

O que eu fiz...?

– Cameron!

Era a voz de minha mãe. Sua voz doce em um tom confuso e aflito.

– Mãe! – Eu me viro, perdendo o chão ao ver que a polícia está junto dela.

Agora mais do que nunca eu preciso enfrentar isso. Enfrentar as conseqüências terríveis que eu jamais poderia acreditar que aconteceriam.

– Mãe, eu... – abaixo a cabeça, e deixo que um dos investigadores me algeme.

– Vamos. – Ele afirma e me conduz até uma das viaturas.

Então seguimos à delegacia. Somente o fluxo de carros na avenida é que faz demorarmos; não sei se é bom ou ruim. Aqueles policiais me olhando, eu trancado numa viatura minúscula, estão sendo a coisa mais insuportável até agora.

Eu não sei como será esse maldito interrogatório. Eu não sei o que eu direi e como eu reagirei. Só sei que eu fiz besteira, uma grande besteira.

Sinceramente, acham que podem me fazer parar? Eu jamais viverei sem cumprir a promessa que fiz.

Chamo a atenção do motorista quando ele vê pelo retrovisor meu grande e sádico sorriso. Um sorriso que pôde fazer seus olhos ferverem.

– Do que é que está rindo, ô amigo? – O motorista retruca, parando no sinal vermelho.

Eu ignoro. Só continuo olhando para fora da janela, procurando algum entretenimento entre o asfalto e o meio-fio.

O investigador sentado ao meu lado me puxa pela gola da camisa.

– Ele está falando contigo, bichinha!

Eles riem, e eu parado com desdém estampado no rosto, olho para os punhos do investigador.

– E o que vai fazer se eu não responder? Bater-me? – Eu rio, desejando que o carro saia da pista e entre no meio do nada. – Não me faça rir... Porque mesmo que faça, não responderei suas perguntinhas idiotas.

– Jura? Não vai dizer? – ele aperta meu pescoço.

Eu apenas esboço um sorriso e nem tento dizer algo.

– Pode soltá-lo. Chegamos. – O motorista diz, desligando o motor.

Ele me dá um soco no rosto, a dor de saber que minha vingança foi “em vão” parece doer mais do que qualquer agressão física. Ele sai do carro e deixa que o terceiro investigador me leve para alguma sala minúscula, onde algum outro estúpido e inofensivo investigador me interrogaria.

Não digo nada, pois sei que não posso dizer. Não esboço nada no rosto, no fundo apenas, eu estou perplexo o suficiente para parecer louco. Apenas sigo em frente até uma das últimas salas daquela delegacia imunda.

Por mais que este detetive, obviamente mais fraco que eu, ainda esteja me observando e rindo eu não tento nada.

Ainda não é a hora.

Ainda não posso fazer nada.

Abrindo a porta, posso ver claramente o tempo interminável desse interrogatório inútil.

E então eu não pretendo dar o braço a torcer, porque confesso que a cadeia, reformatório ou quaisquer outras coisas não possam ser os meus últimos lugares. E eu jamais me arrependerei de tal ato. Foi por ele.

– Então, senhor Hira... – ele tosse, disfarçando um breve sorriso.

– Cameron. – reviro os olhos, interrompendo-o.

Ele lança-me um olhar mortal, mas inofensivo.

– O que tem a dizer? – Continua.

– Nada. Eu não tenho nada a dizer. – Bato impacientemente os dedos na mesa de fibra quase que completamente arrebentada.

– Então por que fugiu? Não há motivos para desespero quando se é inocente. – Ele levanta e apóia as mãos na mesa.

– Eu não me lembro de ter declarado inocência, apenas afirmei que não tenho nada a dizer. – Sorrio maliciosamente.

Ele tira do bolso um isqueiro de metal e um cigarro, aparentemente estressado.

– Aceita? – Ele estica o braço, oferecendo-me um cigarro.

– Não.

Eu fito-o por mais de quarenta segundos. Antes que ele possa perguntar, afirmar, questionar, protestar algo eu digo:

– Vejamos, eu não sei por qual motivo estou aqui. – Limpo a garganta e completo. – Apesar de não ter declarado inocência, não sei do que se trata.

Ele revira os olhos.

– Garoto, há três corpos emparedados em sua casa. As datas das mortes coincidem com a data da morte de seu irmão. – Ele se aproxima.

Essas pistas bastam.

– Isso basta? – Sorrio.

Ele não diz mais nada.

– Temo que precisarei de um advogado, – encosto o rosto na mão empunhada – correto?

Não há como fugir daqui agora.

O que farei?

Notas finais
Comentem! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.