Bloodlust
3 Capítulo 3
Sai do meu quarto e fui em direção a minha sala de aula. Chegando lá me sentei na ultima cadeira no fundo da sala onde ninguém sentaria perto de mim. Tudo bem que eu a aula já não era mais útil pra mim só que eu gostava de certo modo de ficar dentro de uma sala de aula. Peguei meu livro onde escrevo o que acontece comigo durante séculos e comecei a escrever coisas nele. Percebi quando alguém sentou do meu lado. Era o Thomas.
– Oi. — ele disse botando os livros dele em cima da mesa.
– Tem como você mudar de lugar? Não gosto muito de pessoas do meu lado.
– É só fingir que eu não estou aqui. — ele disse sorrindo.
Isso era impossível. Conseguia escutar seus batimentos a metros de distância.
– Bom dia a todos, desculpe a demora, a maquina de café quebrou de novo. — disse o professor que aparentava ter uns 30 anos.
– Dizem que a aula dele é uma das melhores. — Thomas falou esticando seu corpo pro meu lado.
Eu continuei calada. Em alguns momentos da aula Thomas falou algo idiota que não lembro muito bem. Quando a aula acabou peguei minhas coisas e fui andando até o meu quarto. O Thomas estava me seguindo.
– Ei, ei, Alicia. — ele dizia tentando me alcançar.
Eu parei e me virei. Queria apagar sua memoria naquele momento mas o corredor estava lotado de pessoas.
– Quer me deixar em paz? — eu perguntei pra ele.
– Só queria me desculpar porque sei que to sendo chato. — ele falou mexendo em seus cabelos pretos e lisos
– Ta bom, só isso? — falei com cara de não interessada.
– E eu queria perguntar se você não quer ir beber comigo hoje no Tommy's?
– Não. — eu me virei e fui andando.
– Eu sei que você quer ir. Se aparecer saiba que eu to lá. — ele disse.
Esse garoto é insistente. Ta procurando algo que pode se machucar. Eu devia ter apagado a memória dele quando tive chance. Mas mesmo chato ele não era de se jogar fora. Era lindo, acho que um dos caras mais bonitos que eu fiquei durante todo esse tempo sem o Dylan.
Voltei pro meu quarto e a Alisson estava com uma cara de idiota olhando pro teto. Entrei no quarto e joguei minhas coisas em cima da cama.
– Ai ai. — Alisson suspirou.
– Que foi menina? Viu unicórnios? — eu perguntei.
– Não né. É que meu namorado Peter vem estudar aqui, ele me disse que não conseguia passar mais tempo sem ficar perto de mim. — ela disse com um grande e estranho sorriso no rosto.
– Nossa que romântico. — eu disse no maior tom de sarcasmo do mundo.
– Ai como você é fria. — ela disse. — Tenho certeza que já se magoou com alguém.
Na verdade eu era fria porque estava com a humanidade desligada. Se a minha humanidade estivesse ligada eu tinha medo do que podia acontecer comigo. Talvez eu nunca parasse de sentir dor. Porém eu tenho saudades de sentir, de ter um frio leve na barriga. Coisas que com o tempo já esqueci como era a sensação.
– Não é da sua conta. — falei.
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