Blood all over Verona
1 Madeline
Notas iniciais
Para que possam entender como tudo aconteceu, primeiramente terei que falar de um assunto delicado para mim...
Ela se chamava Madeline Suzie, morava com seus pais e mais cinco irmãos, todos homens. Sua família era de origem pobre, mas sempre levavam muito amor em seus corações. Quando a pequena Madeline nasceu fizeram uma pequena festa para ela, junto de seus amigos mais próximos, ela era a mais nova e a única menina da família a que poderia se tornar alguém. Sua família apostava tudo na pequena garota.
Madeline foi crescendo e chamando atenção por onde andava como a garota mais inteligente e mais bonita. Ela não parecia uma garota qualquer, seus pais deram a ela tudo que não conseguiram ter, eles queriam um futuro brilhante e como ela foi a ultima filha era a mais mimada por todos.
Madeline foi começando a ser conhecida pelo seu pensamento revolucionário, que na época era algo incomum e isso chamava atenção dos jovens das grandes famílias da cidade. Muitos ofereceram dotes a sua família, mas Madeline não queria se vender, tinha o sonho de encontrar seu verdadeiro amor.
Era dia três de junho, primavera, as flores nasciam e chovia quase todos os dias em Verona.
As comemorações nas ruas Verona era algo comum, eles saiam à noite uma vez por semana e ficavam até o amanhecer, para se divertirem para esquecerem o quanto era difícil a vida lá e para brincar e debochar dos ricos, era uma festa popular e bem particular dos moradores pobres de Verona.
Noites como estas os ricos ficavam em suas casas e a classe popular se divertia e ria deles, eles faziam a festa. Era como se eles fossem donos da cidade por pelo menos uma noite.
Em uma noite de festa a família Suzie saiu como todas as outras para brincar e se divertir nas ruas Verona. A noite estava linda, havia varias estrelas no céu nebuloso. Madeline estava ansiosa pela festa, diziam que por causa da primavera esta seria uma das melhores noites de festa que eles já presenciaram.
— Esta festa será magnifica!
Disse Madeline.
— Vamos logo as ruas estão começando a ficarem lotadas, daqui a pouco não terá espaço para nós!
Disse um dos irmãos dela.
E assim eles começaram a dançar. Não tinha como não se separar era quase impossível, tinha muitas pessoas e normalmente isso acontecia no meio da grande festa.
Sim eu fui a essa festa. Meu irmão praticamente me carregou para lá. Eu não costumava sair, ficava a maior parte do tempo em casa estudando para ser como meu pai, ele era um dos maiores influenciadores da cidade nossa família tinha um nome a ser velado.
Meu irmão mais velho era muito diferente de mim, não se importava muito com o nome que ele carregava, pelo contrario, ele bebia e gostava de festas. Esse tipo de festa, festa de camponês. Ele insistiu para que eu viesse para me divertir e conseguiu me convencer, olha onde ele me enfiou, no meio de toda essa multidão.
Mas algumas coisas valem à pena, foi aqui que encontrei a coisa mais linda que eu já vi na vida.
Madeline parecia uma pequena estrela no meio daquela multidão, era isso que destacava ela, ninguém a via como eu vi, eu sentia um formigamento nas pernas, meu coração disparou e eu sabia que ninguém chegaria nem perto de ser o que ela era. Mesmo sem saber quem era aquela garota, sem saber o seu nome, eu me apaixonei.
— Irmão o que você tanto olha? Vamos logo curtir essa festa!
— Mas eu não quero curtir essa "festa".
— Esquece as preocupações, esqueça o papai e aquela velha e vamos beber!
Aquela velha, ele se referia a nossa mãe.
— Droga Louis! Deixa-me em paz.
Eu sai caminhando sem rumo. Estava perdido no meio de toda aquele povoado. Para ajudar começou a chover, logo começou a ventar muito também. Para minha sorte a maioria das pessoas começaram a fugir da chuva. Eu fiquei parado tinha medo de caminhar e me perde mais do que eu já estava perdido.
Quando toda aquela multidão dispersou eu os vi, no meio da chuva parados, eles estavam entrelaçados, seus corpos suas bocas. Aquilo foi a pior coisa que eu podia ver, foi o pior sentimento que eu podia sentir pelo meu irmão, eu tinha raiva muita raiva dentro mim.
Depois disso passou alguns meses.
...
Tudo começou a ficar muito rápido, meu pai pegou uma forte gripe que se tornou uma pneumonia.
Achávamos que ele podia se recuperar ele era forte e não se entregaria fácil, mas quando acordamos no dia seguinte seu corpo estava frio e ele já não respirava mais.
Minha mãe era forte e não se abalou com o ocorrido, continuou indo em seus chás com suas amigas, como se nada tivesse acontecido.
Meu irmão que já não era o mais inteligente, nem o mais sábio, se descontrolou totalmente. Ele não aceitou perder o nosso pai, era muito apegado a ele, eles tinham algo especial que eu nunca consegui entender, como um segredo em que só os dois tinham e que era a base deles.
Eu segurei a barra sozinho, segurei as economias, segurei minha família. Se eu antes estudava agora não tinha tempo para mais nada além dos livros, além de reuniões políticas e viagens. Mostraria a eles que o nome da minha família ainda era forte, os Capuletos não iam cair fácil.
Minha mãe sendo a líder da família viu o quanto eu me esforçava para que nós continuássemos com nossas economias, para que o nome da nossa família crescesse. Viu que já não havia lugar para meu irmão, que ele não fazia nada além de fazer bagunça, festa, e se embriagar.
Ela o expulsou e foi difícil para mim ver ele partir.
Ele sabia que isso iria acontecer não ficou surpreso, pegou suas coisas e falou que iríamos se arrepender.
Mamãe continuava a não se abalar, confesso que ela não sentir nada com um filho indo embora me assustava um pouco.
Ele sumiu, não o vimos mais em Verona. Ás vezes eu sentia falta das piadas sem graça, dele fazendo farra e chegar sorrindo, me carregando para lugares indecentes.
Eu sentia falta do meu irmão.
Mas o assunto principal nem era o que acontecia comigo e sim como Madeline pareceu na minha vida.
Depois de um tempo que Louis tinha ido embora e que as fofocas sobre esse assunto tinham diminuído. Minha mãe resolveu que ela já estava velha de mais para comandar um nome tão grande como o nosso sozinha, ela queria me por como o líder da família, só que eu não lideraria sem uma esposa. Então ela indicou algumas garotas da alta sociedade para nos visitar.
Varias mulheres bonitas e com famílias bem sucedidas passaram pela minha casa, mas as que agradavam minha mãe, não me agradavam. Nenhuma iria me agradar, porque só uma ocupava todo o espaço todo e qualquer espaço que existia em meu coração.
Minha mãe já impaciente com a minha indecisão, mandou que eu fosse atrás de quem eu gostaria que se tornasse minha esposa.
Eu fui atrás dela.
Cheguei em sua casa, bati gentilmente em sua porta, então a vi novamente, depois de tanto tempo continuava sendo a coisa mais linda do mundo.
Ela sorriu para mim, me convidou para entrar. Eu a expliquei o que estava ocorrendo, sua família logo se juntou a nós, eles estavam sujos, mas pareciam muito amáveis.
A mãe de Madeline logo me interrompeu, achando que eu seria mais um jovem de família rica tentando os subornar para levar sua filha.
Expliquei que eu não era um jovem qualquer e que só levaria ela se ela aceitasse casar comigo por escolha dela. Que gostaria de que se eles permitissem, eu a conquistaria primeiro. E que mesmo assim ofereceria um dote a eles.
Eles falaram que iram conversar e que dariam a resposta no outro dia.
Eu estava ansioso, fui dormir mas nem isso consegui. O sorriso dela não saia da minha cabeça, era a coisa mais linda do mundo, eu não gostaria de ter outra mulher se não fosse ela.
De manhã bem cedo, um dos irmãos dela o Roy trouxe um lenço azul, de um azul tão claro quanto o céu. Nele estava escrito:
Aceito.
Depois de Madeline aceitar ficamos muito tempo juntos sem estarmos casados. Eu a prometi que primeiro iria conquistar, para depois a pedir em casamento.
Minha mãe não gostou da ideia, achou que para uma camponesa ela estava querendo demais, que ela deveria se satisfazer com um granfino querer algo serio com ela.
Mamãe sempre deixou claro que não gostava dela, e nem de como ela se portava, “ela não era a mulher certa para mim”, mas eu não a ouvia estava feliz por estar com Madeline.
Madeline em um dia que estávamos passeando disse que precisava conversar serio comigo, eu logo fiquei meio apreensivo, nos nunca conversávamos serio nossas conversas eram leves.
Ela começou a falar e eu instantaneamente abri um sorriso, como ela poderia achar que isso era algo ruim? Nós teríamos um filho!
Quando contei a minha mãe, ela não parecia contente. Mas logo os meses foram se passando, não tinha como ela não se apaixonar pela a barriga de Madeline.
O bebe nasceu, era uma menina! Nós ficamos em duvida, tinha tantos nomes para pormos e não conseguíamos concordar com nenhum.
— Julieta, o nome dela será Julieta!
Disse Madeline.
Eu pensei por um momento mas acabei concordando, era um nome forte e bonito combinava com a menina.
Depois de alguns meses.
...
Madeline já estava recuperada então decidimos casar, fazer uma festa para que a cidade viesse, seria aberto ao povo, isso foi ideia dela claramente. Mamãe não gostou da ideia, claro ela não aceitava abrir seus portões para alguém que não fosse da alta classe.
Mas mesmo sem ela concordar aconteceu, nos casamos e foi tudo como Madeline quis, ela parecia estar tão feliz. Durante a cerimônia o padre falava, e eu só consegui olhar seus olhos, eram tão brilhantes e tão vivos, eu me apaixonava todos os dias cada vez que eu a olhava.
Eu percorri o olhar em todos que estavam lá, estava muito cheio muitos amigos e parentes de Madeline, isso me deixou alegre, pois sabia que ela estava feliz com eu ter concordando em abrir os portões.
Eu percorri o olhar até que me deparei com ele meu irmão, ele me olhava com desprezo e dor, eu não entendia o porquê. Eu olhava para ele fixamente até que o padre me despertou falando meu nome, eu tinha que dizer aceito.
— Aceito.
Era a hora de Madeline dizer aceito. Ela sorria para mim, respirou fundo, eu fixei meus olhos nos olhos dela, que era de um azul tão escuro e profundo que eu poderia me afogar. Ela encheu seu peito para dizer aquela palavra que naquele momento era a única coisa que eu queria ouvir, para ter ela ao meu lado por toda vida.
Mas algo cortou o silencio de todos e a espera tinha acabado, um barulho agudo que até hoje escuto toda noite antes de dormir. Aquele som foi o ultimo que ouvi antes de tudo virar um caos. Um som de tiro a interrompeu, nessa época a arma era algo difícil de conseguir, mas alguém ali entre aquela multidão tinha. E assim sem mais nem menos ela perdeu a vida, eu a perdi e não pude fazer nada por ela.
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