Blood all over Verona
2 Verona
Notas iniciais
Depois aconteceu tudo muito rápido, a cerimônia o enterro a família dela em prantos. A dor era a única coisa que não passava, que não ia embora rápido, era um buraco que não fechava. Eu realmente tinha me afogado em seus olhos e não encontrava mais a superfície.
Meus dias continuavam os mesmos, só mais sombrios. Cada vez que eu olhava para a pequena Julieta eu chorava, ela era a única coisa que tinha sobrado de todo caos que eu fiquei, ela foi a única coisa que sobrou.
— Eu prometo que você sempre será meu mundo.
Disse para a pequena Julieta, ela estava em meus braços.
...
Dez anos mais tarde
É inverno em Verona, é tão bonito o chão branco coberto pela neve todos saiam para rua dançavam, bem no meio da nevasca, mas o papai não gostava que eu saísse, achava perigoso eu brincar com as crianças da cidade, mas elas pareciam tão legais, papai fala como se eles fossem bichos!
Eu saio para o meu jardim, que é atrás da minha casa. É um lugar imenso cheio de arvore onde temos até um estábulo.
Papai prendeu em uma das arvores meu balanço onde eu ficava a maior parte do tempo, lá eu era rodeada pelos bichinhos que lá habitavam, como alguns pássaros e esquilos eles gostavam porque lá havia arvores mais velhas que a vovó.
Tinha também meus amigos, eles eram filhos de empregados da casa, papai não gostava que eu brincasse com eles. Um era o Lourenço ele era dois anos mais velho que eu, tinha uns doze anos ele era filho dos empregados em que meu pai mais confiava. A outra se chamava Clair, nós tínhamos a mesma idade, ela era filha da cozinheira, tadinha ela não tinha pai, meu pai foi muito bom com sua mãe, tirou ela da rua ainda grávida.Eles são meus melhores amigos, os únicos que eu tenho.
Eu estava sentada em meu balanço, quando Lourenço saiu correndo do estábulo e veio em direção a mim, ele sorria.
— Julieta!
— Oi você não aparece aqui a dias.
— Eu sei, estava de castigo.
Ele fez uma careta de desaprovação.
— Por que?
— Eu fui a cidade escondido do papai.
— Serio?!
— Sim, foi muito divertido Julieta.
— Será que não seria divertido ir de novo?
— Sozinho não é legal, as crianças de lá não gostam muito das pessoas que moram acima da ponte.
A ponte era o que separava nós do povoado e das vilas também, aqui ficava os casarões e a grande floresta, lá em baixo as casas e casebres. Lá é onde caia a maior parte da neve, lá era onde era mais frio.
— Não sei se devemos Julieta, hoje é noite de comemoração.
— E o que tem isso?
— Eles não gostam quando ricos entram lá, ainda mais nesse tipo de noite, é perigoso podemos se meter em encrenca.
— Vamos Lourenço eu quero brincar na neve!
— Ta bom você conseguiu me convencer, vamos.
Corremos para dentro da minha casa, fomos direto a cozinha convidar Clair. Nossa cozinha era imensa, lá tinha um fogão de pedra e uma grande bancada de mármore, onde Diane a nossa cozinheira preparava todas as nossas refeições.
— Vamos Clair será divertido!
Insistiamos.
— Voltaremos antes que escureça.
— Eu não sei se devo ir, mamãe ficara brava comigo.
— Ela não saberá que você saiu.
— Eu não sei se deveríamos...
— Bom se resolver ir com a gente, encontre nos na frente do portão principal daqui a meia hora.
— Esta bem Julieta.
Eu me despedi dos dois, cada um seguiu com seus planos e suas desculpas para conseguir terminarem suas tarefas em meia hora, eu fui falar com o papai.
Ele estava em seu escritório, era imenso para mim, as paredes de cor de uva, uma mesa grandona e varias estantes de livros, uma cadeira grande atrás da mesa onde ele estava sentado e vários papeis em cima dela, ele parecia concentrado em alguma coisa.
— Papai!!
— Não grite Julieta.
— Desculpe.
— O que quer?
— Vou cavalgar, tudo bem?
Ele parou o que estava fazendo, me olhou nos olhos.
— Esta muito frio não acha?
— Deixa papai por favorzinho, na floresta pelo menos tem mais neve.
— Tudo bem Julieta, mas não vá sozinha.
— Não, eu irei com a Clair e Lourenço.
— Eles de novo? O que eu te falei sobre andar com esse tipo de gente Julieta!
— Papai não grite por favor.
Ele continuava serio.
— Pare de gracinhas, você sabe que eu não gosto nada disso!
Eu fui bem pertinho dele, pulei em seu colo e o abracei.
— Deixa papai, prometo que volto antes de escurecer.
— Sim você tem que voltar mesmo antes de escurecer, se não os lobos te pegam!
Ele me encheu de cócegas na barriga e eu comecei a rir alto.
Logo vovó entrou no escritório e não parecia contente com nossa gritaria (minha gritaria).
— Que baderna é essa?
— Vovó o papai só estava me fazendo cócegasinhas.
— Não sabe que eu durmo essa hora, que falta de respeito com a única velha que existe nessa casa!
Papai me pôs no chão e se levantou eu fiquei encolhida no lado dele.
— Julieta vá, deixe eu falar com sua avó sozinho.
— Ta bom papai.
Eu o abracei e depois sai rápido da sala.
Antes de ir esperar meus amigos onde tínhamos combinado, eu ouvi eles começarem a discutir eu queria entrar ali e parar os dois, mas sei que o papai ficaria bravo comigo, "é assunto de adulto", como ele sempre diz.
— Ela consegue tirar o que quiser de você, igual como a mãe dela fazia.
— Você não fale assim dela!
Eles falavam da minha mãe...
— Ela era uma mulher de rua que conseguiu tudo que queria a tempo de morrer!
Eu já sentia as lágrimas escorrerem de meus olhos. Porque ela estava falando assim da mamãe.
— Saia do meu escritório.
— Você não sabe ouvir Enrico!
— Ela tinha razão sobre você mamãe...
Eu entrei não aguentava mais, meus olhos estavam desmanchando em lágrimas e eu podia ouvir, sentir o quanto o meu ele não aguentava mais também.
— Estava ouvindo atrás da porta? Garotinha mal criada!
— Não fale assim com ela mãe, chega!
Vovó bufou e saiu porta a fora. Meu pai veio em minha direção e me abraçou eu o afaguei e ele fez o mesmo em mim.
— Eu preciso trabalhar Julieta, esqueça tudo o que ela disse, ela esta velinha e não sabe o que esta falando.
— Tudo bem papai eu perdoo a vovó.
— Minha princesinha, você é muito boa.
Ele me deu um beijo na testa e foi se sentar. Eu dei meia volta e fui correndo para a porta de saída da minha casa.
Encontrei meus amigos lá.
— Você demorou.
— Eu sei, eu sei.
Falei meio desanimada.
— Vamos logo!
Saímos correndo ladeira a baixo, sim nós moramos em um morro.
A neve estava gelada e mesmo eu estando com minhas botas e meias, o meu pé parecia que ia congelar.
Enquanto descíamos, olhávamos para baixo, o quanto bonito e colorido é, tão cheia de casinhas e toda a vila enfeitada por bandeirinhas coloridas. A neve cobrindo os telhados, era tudo tão delicadamente feito por eles, não entendo o porque de tanto preconceito com as pessoas que moravam nas vilas, elas parecem tão boas.
Nós chegamos e todas as crianças brincavam nas ruas, umas de esconde- esconde, outras de pega-pega, umas de cabra cega e outras simplesmente faziam anjos no chão, outras faziam guerras de bola de neve, parecia um sonho.
Nós três nos olhamos não sabíamos o que fazer, parecíamos que éramos estrangeiros numa terra desconhecida, e era mais ou menos isso que éramos mesmo.
— Vamos logo, vamos brincar!
— Quem são vocês?
Disse um menino, que parecia ser o mais velho de todos ali.
— É nunca vi vocês, estão tão limpos, vocês não são daqui não é?
Disse uma menina.
— Nós somos visitantes!
Disse Clair.
Eu e Lourenço olhamos para ela, aquilo não iria convencer eles.
— Bom meu nome é Arthur, se vocês são visitantes não vão passar muito tempo, então vamos logo brincar!
Disse o menino.
E aquilo foi um alívio, depois disso ficamos brincando por horas e horas das brincadeiras típicas deles, muitas eu nem conhecia. Quando percebemos já estava de tardezinha.
— Filhos venham para casa já vai anoitecer, temos que nos preparar para a festa!
Disse uma senhora, na soleira da porta. E assim as todas crianças começaram a ir embora e ficamos só nós.
— Minha mãe esta me chamando, mas se vocês quiserem ficar para a festa que é logo mais, será incrível terá comida e muita comemoração!
Disse o menino Arthur.
— Vamos ficar sim, será divertido!
— Não Julieta, precisamos voltar para casa!
— Você se chama Julieta?
Disse a mãe do menino que continuava na soleira da porta eu a olhei, com a cabeça concordei.
— O que esta fazendo aqui menina, seu pai sabe que veio para a "vila"?
— Não, mas o que tem eu vir para cá?
Eu gaguejei.
— É melhor subir, antes que o resto do povo saiba que esta aqui, eles talvez tenham contas a acertar com seu pai, e a usem como um meio de chegar a ele.
Meu pai era um dos influenciadores da cidade, um dos homens que mais tinha poder sobre a cidade de Verona.
— Mas eu não tenho culpa.
— O que esta acontecendo mulher?
Disse seu marido (provavelmente), ele saiu de dentro da casa.
— Nada homem a menina esta indo embora.
— Quem é ela?
— Ninguém importante, Arthur entre logo para dentro!
O menino correu para dentro da casa.
— Eu ouvi algo parecido com o nome Julieta.
Lourenço ficou na minha frente e Clair segurou minha mão, eu estava com medo.
— Não tem nenhuma Julieta aqui!
— E quem é você rapazinho?
— Sou filho de um empregado das mansões, assim como minhas amigas.
— Seus pais deixaram vocês virem até a vila?
— Não, mas estamos indo embora já.
— É melhor não aparecerem por aqui, o pessoal não gosta muito das pessoas que eram da vila e se bandearam para o lado daquela gente.
— Não vamos mais aparecer, fique tranquilo.
Lourenço ficou no meio de nós duas e nos puxou para caminharmos rápido.
— Vamos logo, vocês querem ser mortos?
— Não.
— Não vamos ser "mortos".
— Vamos sim Julieta, não viu o que ele me disse.
— Você é medroso eu falaria umas coisas para ele se fosse comigo.
— Vamos subir logo.
— Ouça a Clair.
Subimos o mais rápido possível, quando chegamos em casa, demos adeus e cada um foi para um lado.
Eu entrei em casa e fui para o escritório, mas papai não estava lá, fui até a sala de jantar mas ele também não estava lá, então decide me deitar.
Subi as escadas percorri meu corredor imenso cheio de quartos e entrei no meu, ele era o último. Atirei-me na cama eu estava cansada.
Estava quase pegando no sono, quando o papai me acordou. Eu abri os olhos e ele estava sentado na ponta de minha cama.
— O que foi papai?
— Como pode mentir para mim?
— Desculpe não quis fazer isso.
— Mas fez.
— Achei que não teria problema irmos brincar um pouco com as crianças da nossa idade.
— Eu estava em uma reunião importante! Recebi uma entrega de uma carta da nossa cozinheira Diane, dizendo o que tinha acontecido, que você e Lourenço insistiram em ir a vila e então Clair aceitou, vocês acabaram correndo perigo de vida Julieta!
— Papai foi exagero, eles mal nos ameaçaram.
— Eles te ameaçaram? Isso já é algo muito grave menina!
— Eu sei papai, mas eu achei que eles não eram tão maus.
— Pois bem eu avisei, você correu perigo e isso não vai se repetir entendeu?
— Esta de castigo.
— Mas papai.
— Não tem mas! Hoje eu estou cheio de problemas.
— Desculpa papai não queria ser um problema.
— Não querida você não é, esta tudo bem. Eu não quis dizer isso.
— Amanhã vira sua professora vai começar a te ensinara a ler e escrever.
— Ta bom papai.
— Agora vá dormir.
— Boa noite papai.
— Boa noite princesa.
Ele me deu um beijo na testa e eu dormi.
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