Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo de Blood Lust. Só por acaso...acabei de mudar (ou acrescentar, digamos melhor) as categorias desta história, continua a ser yaoi, mas pelas circunstancias dos próximos capítulos, pensei avisar-vos.
Gomen :D
De qualquer maneira espero que gostem.
*Oyasumi- Boa noite

Desaparecera por entre as sombras e durante alguns segundos, olhei para as árvores a agitarem-se com o vento.

-É melhor deitar-me. – Suspirei, cansado e atordoado.

Deitei-me na cama e fechei os olhos. Cada momento daquela noite explodia-me na mente, a sua voz, o seu beijo, aquela dentada, mas principalmente, a sua presença. Sentia-me excitado de tal forma que o desejo de voltar a vê-lo enorme.

— — — — * *- — — -

*-Não!

-Cala-te!

-Não! Por favor, não me batas!

-Cala-te miúdo!

-Nã…Au!

Aquele lugar…Aquele rapaz…

Estaria a sonhar? Visto melhor…são as meras memórias da minha infância…mas porquê? Logo quando tinha seis anos? Logo quando fora maltratado? Logo na morte…dos meus pais?

Como sempre a minha mãe estava ali sentada, no chão, com medo das mãos do meu pai…e quem leva por tabela sou eu…foi por isso que quando me bateram, aos dez anos, já não sentia dor.

Estava a ver a criança a ser castigada pelo progenitor, pergunto-me o que fiz naquela vez…já não me recordo.

Continuava a ver, as excessivas palmadas do meu pai, em todo o corpo, desde a cara até às pernas. A minha mãe sussurrava, pedindo aos deuses que aquilo tudo parasse, sentia que o seu filho já não conseguia aguentar e que mais cedo ou mais tarde haveria sangue pelo chão da casa. Chorava pela cria, mas nem isso adiantava pois o marido não se rendia ao sofrimento da companheira.

O que é que eu estaria a pensar?

“Em nada.”

Ouvi a minha voz ecoar, no instante em que a sombra do meu “eu” de seis anos apareceu à frente daquela desprezável recordação.

Sem desviar o olhar daquela cena, respondi à afirmação:

-Quero matá-lo. É isso que estou a pensar, agora.

“Já fizeram isso… por nós.”

A figura do rapaz desaparecera, deixando-me observar a recordação lamentosa do meu passado.

-Ainda não chega!? – A minha mãe gritava. – O miúdo já está em sangue!

-Cala-te mulher! – Seguida de uma chapada, que a fez cair no chão.

Pobre mulher…

Largou o colarinho da camisola do miúdo, deixando-o deitado no chão, ofegante, deformado, nojento e vingativo.

O meu pai fartou-se da porrada que dera e foi ao frigorífico buscar uma cerveja, a minha mãe rastejava até ao corpo deitado, acariciando-o, sussurrando que tudo correria bem.

Quero que este pesadelo acabe…

Os meus desejos foram distraídos por um barulho vindo daquele teatro todo, alguém entrara, mas quem…não sabia que existia esta parte do sonho. Sabia que os meus pais tinham morrido, mas não sabia como. Nunca ninguém me disse.

Vi um rapaz, vestido de branco. Seria um anjo?

O meu pai ficara irritado com a sua presença, começou a reclamar e a chamar-lhe nomes, a minha mãe continuava abraçada ao meu corpo, gemendo devido ao choro.

Vi que o convidado se aproximava da mulher, o que fez com que ela o observasse, de seguida agarrou-lhe no pulso fazendo-a levantar, estava a tremer como varas verdes e os seus olhos estavam encarnados e aflitos. O rapaz, do nada, aproximou-se do pescoço dela, rasgando-o sem dó nem piedade, assustando-a, o que provocou um enorme grito que se espalhou pela casa inteira.

O meu pai, nervoso e assustado, viu a esposa caída de joelhos no chão, tinha entrado em pânico enquanto vira a sua mulher ser quase degolada.

O rapaz caminhava, agora, na direcção do homem. O homem afastava-se, a cada passo que o rapaz dava, devido ao medo que o acompanhava.

-Por favor, não me faças mal! Eu...dou-te tudo o que tenho!

O rapaz não respondeu, continuou a caminhar na mesma direcção como se nada fosse. O meu pai continuava assustado ajoelhando-se de repente e implorando.

Finalmente estava em frente ao meu progenitor, contemplava o seu assombro como se lhe alimentasse. Uma coisa estranha é que ao contemplá-lo também me enchia de prazer.

Se calhar sou algum psicopata.

O meu pai continuava a implorar pela sua vida, como se fosse uma daquelas personagens dos The Sims, em que imploravam à Morte para que não a levasse consigo. A cena mudara, quando vi o rapaz pegar no pescoço do meu pai e levantá-lo, aproximou a cara até aos ouvidos e sussurrou-lhe algo que não consegui ouvir, num instante depois ouvi o meu velho gritar “Sim eu dou-to, fica com ele!”. Depois largou-o, voltando para a cozinha, o lugar onde ferira a minha mãe e me deixava inconsciente.

Agachou-se perto dela e envolveu as suas mãos no pescoço, deixando uma delas coberta de sangue. A mulher arregalou os olhos, estes, já sem cor e cobertos de medo e pavor, chorava e ria-se ao mesmo tempo como se tivesse algum distúrbio mental. O rapaz retirou a mão sobre a ferida e pousou-a na testa, fazendo-a deslizar à medida que fechava os olhos, de seguida disse:

-Oyasumi.

Notas finais
Este capítulo pode ser pequeno, porque eu ainda não escrevi tudo (nem publiquei tudo :p) mas prometo que em breve publicarei e espero que seja, maior o capítulo.
Agradeço reviews e sugestões e claro o vosso acompanhamento desta fic.
Domo Arigatou!!!!