Blood Lust
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Desculpem a demora, mas a escola (e a falta de imaginação) nao perdoam, mas aqui têm e espero que gostem! :D
Voltou a cobrir o pescoço com as duas mãos e começou a fazer força, lentamente, vendo a minha mãe sofrer de agonia. Ouvi os seus gemidos e guinchos por causa da falta de ar, via o seu corpo tremer e a abanar-se todo, com o desejo de se libertar, mesmo sabendo que não podia. Passado alguns segundos a sua respiração parou e o corpo ficou mole, caído, sem vida.
O jovem rapaz retirou as mãos e inspeccionou mais uma vez a sua vítima, talvez estivesse satisfeito, ou talvez não.
Virou a cabeça na direcção do meu pai, assustando-o.
Vi-o tremer e verter lágrimas como se estivesse no meu lugar. O homem que me batera indeterminadas vezes, sem ter pena ou culpa pelo filho, estava a chorar como se fosse uma criança perdida, à procura da sua mãe.
Reflecti sobre aquela visão e quanto mais a observava, mais prazer e luxúria me dava. Soltei uma enorme gargalhada, cheia de felicidade e loucura, juntamente com um pouco de maldade. Não reconhecia esta minha faceta, mas em certas alturas adorava-a.
O rapaz estava paralelo a ele.
Sentia que aquele momento seria o melhor de todos, a morte do meu pai, a felicidade que deixaria ao seu filho, a vingança que a minha criança interior tanto queria e a curiosidade do meu “eu” actual que desejava saber acerca da morte dos meus criadores.
O assassino aproximou-se um pouco mais, estendendo a mão, deixando-a a alguns centímetros da cara do meu progenitor. O homem, de tal forma enganado, esticou a mão para se apoiar à do assassino, mas este, num ligeiro movimento, puxou-lhe os dedos para trás, partindo-os. Ouviu-se, para além do estalar, o enorme grito do homem, inundando-o de dor e desespero. Sabia agora a dor que entregava ao filho, cada vez que encostava uma mão no seu corpo. A insuportável dor de uns dedos partidos e de uma alma estilhaçada.
Em pequenos sussurros, a vítima implorava o perdão de Deus, mas ninguém lhe concedia tal fascínio, porque um homem como aqueles, devia de ser torturado com o pior castigo que Deus alguma vez criaria.
-Sentes dor?
A minha atenção desviou-se quando ouvi o rapaz a falar. Porque perguntara aquilo?
-Por favor…não me faças…mal…
-Sentes dor?
Perguntou de novo.
-Não as suporto! – Exclamou o meu pai.
O rapaz ajoelhou-se, esticou o braço da vítima, até parti-lo, assim como fez com os dedos.
-Ah! – Berrou o meu pai.
Contorceu-se todo e pressionou a mão normal no braço partido, como uma forma de aliviar a dor. Estava a arfar como um cão e a babar-se todo, era nojento ver aquela imagem do homem que me bateu durante uns anos.
-E agora sentes dor? – Questionou de novo o rapaz.
O meu pai mal conseguia falar, digamos que a dor falava por si. Tinha um rosto pálido, cheio de suor e a chorar, como um bebé.
-Sentes dor?
Outra vez.
O homem nada dizia, só gemia.
-Não sentes dor?
Não obteve resposta.
O jovem rapaz posicionou a sua mão na tíbia do pobre homem, pressionando-o, até se ouvir um barulho de esmagar.
A imagem arrepiou-me e deu-me vontade de vomitar. O rapaz que matara a minha mãe acabara de “esmagar”, como uma mosca, a tíbia do meu pai.
-Sentes dor?
Não respondeu, era impossível.
O seu braço estava partido, os dedos também e acabaram de lhe esmagar um osso da perna.
-Sentes dor, mas no entanto ainda não desapareceste do teu corpo.
A voz do rapaz tinha uma ligeira amargura e tristeza, ao mesmo tempo. Devia de ter catorze anos ou pelo menos a sua voz era adequada a essa idade.
Se aquele rapaz tivesse realmente aquela idade, imagino quantas pessoas já teria morto daquela maneira.
A tortura continuou.
O meu pai deitado no chão a rebolar de um lado para o outro, a ver se se livrava do sofrimento, do mal-estar. O rapaz a assistir sem qualquer reacção, como se visse aquilo todos os dias.
Tentava adivinhar o que iria acontecer a seguir, mas era completamente impossível. Uma coisa era certa, que nos próximos minutos, o meu pai estaria morto.
A cena mudou quando o jovem assassino ergueu o meu pai, agarrando-o pela camisola, e levando a mão livre até à cara da vítima. Começou a deslizá-la pela cara enterrando-lhe as unhas até fazer sangue. Desde a testa até ao pescoço, o rapaz deslizava a mão deixando atrás de si um rasto de escarlate e uma agonia tremenda por parte do sofredor. O homem tinha os olhos abertos e um deles estava vermelho, o rapaz retirou as unhas donde tinha deixado e largou a camisola, deixando-o cair. Devido às feridas, formou-se uma poça de sangue no chão.
O meu pai quase não respirava. Era capaz de ouvir os seus últimos gemidos e sopros, como se estivesse a afogar…uma morte lenta e dolorosa.
Como último acto, o rapaz ajoelhou-se de novo, puxou o homem para que este ficasse sentado, e trespassou a mão ensanguentada no peito, dando um fim à vida da vítima. A expressão do meu pai era daquelas à filme de terror – olhos arregalados e boca bastante aberta.
Agora estávamos só eu e o assassino. O assassino que não passava de uma criança, e que matara duas pessoas a sangue frio. Sabia que não me faria nada porque aquilo era um sonho, mas o pior de tudo aconteceu. Depois de toda aquela cena, o rapaz olhou para mim e disse:
-Já está.
E entregou-me um sorriso arrepiante, um sorriso que cortava a respiração…um sorriso de psicopata.
Logo a seguir acordei e fui recambiado para a casa de banho vomitar. Não conseguia parar de pensar em todas aquelas cenas, em todos aqueles episódios da morte dos meus progenitores.
Nunca soube como eles morreram, mas agora que sabia, estava arrependido. Foi traumatizante ver como eles foram mortos, mesmo a morte do meu pai, foi muito arrepiante para mim. No entanto, a vontade de o ver morto era insuportável, não entendia o porquê, mas era.
Talvez porque sempre o desejara ver o mais longe possível de mim, até mesmo quando estava na casa dos meus tios, sentia a sua presença como se estivesse à minha espera pronto para bater no filho.
“Querias vê-lo morto.”, dizia o meu subconsciente. E não o podia censurar, porque era verdade.
Saí da casa de banho e olhei para a rua, ainda de noite e com a luz dos candeeiros a iluminar tudo. Faltavam cinco minutos para as cinco da manhã, e sabia que teria de dormir, mas era impossível, depois daquele sonho, nem que me pagassem. Decidi ver um pouco de televisão, mas como habitual, àquela hora estava a dar televendas, portanto desliguei.
Fui tomar um banho para ver se desanuviava, mas não adiantou, continuava com o mesmo desespero cravado na mente, graças ao sonho ou às memórias dos meus pais.
-Porquê agora? Durante todos estes anos, porquê agora?
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