Blood Brothers

2 Nascimento de um príncipe


Notas iniciais
Agora sim a estória começa de verdade!
Eu amo detalhes, sejam sutis ou óbvios, implícitos ou não, e espero que vocês possam reparar neles ao ler esse capítulo e todos os demais que estão por vir :)

Os preparativos para o nascimento do pequeno príncipe iam de vento em poupa. Todo o reino se mobilizava para as áreas mais próximas do castelo, afim de presenciar o momento de sua consagração. Que seja sábio e justo, os demais saiyajins pensavam para si mesmos.

Na parte interna do castelo, a Rainha jazia em seu leito confortavelmente. Sellerie era uma saiyajin forte, acima de qualquer outra característica. Sua gravidez fora um tanto quanto agitada, e nos momentos mais difíceis, tais como o príncipe mover-se em seu ventre desesperadamente, Sellerie se mantinha calma, enquanto cantava as antigas canções de seu povo. O príncipe acalmava-se imediatamente, e ela sorria, um sorriso doce e complacente. Tantas e tantas noites, quando o feto estava com aproximadamente sete meses, Sellerie acordava no meio da madrugada, suando frio e contorcendo-se pela dor dos incessantes chutes que recebia de dentro pra fora. Acalme-se, meu bebê, ela dizia em tom sereno, espere mais um pouco e logo você estará aqui, entre nós.

A ligação e o laço entre uma mãe saiyajin e seu filho era um fato mágico, e ao mesmo tempo, incompreensível. Apenas os próprios conseguiam entender dentro de seus corações a grandeza daqueles sentimentos.

Quando a Rainha alcançara o oitavo mês, o velho sábio e oráculo do planeta, Seraphis, desceu de sua grande torre para medir a força do príncipe. O Rei já havia sentido o enorme poder que provinha da criança, porém, decidiu que era melhor ter a comprovação do oráculo para ter certeza.

Seraphis era um terráqueo, entretanto, fora abençoado com o poder da vidência, inteligência, e imortalidade. Dizia-se que era descendente do Deus da Terra, entretanto, havia nascido em solo saiyajin. Sua origem era mantida em segredo e mistério, nem mesmo o Rei sabia como o homem havia chegado a Vegetasei. A única coisa que era de seu conhecimento era que Seraphis já acompanhava e auxiliava saiyajins desde a época de seu avô. Seu avô depositou total confiança no sábio, quando esse contou sobre a lenda; a lenda do guerreiro de cabelos loiros e olhos verdes. O super saiyajin. Aquilo encantou o falecido rei imensamente. A partir daí, ele dera o posto de oráculo para o homem. Uma vez que Seraphis tinha alguma visão ou pressentimento, e essas se concretizavam, o antigo rei sentia-se maravilhado, na medida em que sua confiança ia crescendo juntamente. Quando o rei faleceu, Seraphis permaneceu com seu posto, ajudando também ao pai do atual rei. Suas vidências eram sempre eficazes, e Rei Vegeta confiava piamente no terráqueo.

Quando o ancião dera a resposta, a resposta que Rei e Rainha tanto ansiavam em saber, seus corações se comprimiram por um instante, para logo depois acelerarem pela alegria. O Rei sentia até um pouco de medo, sabendo que, com o treinamento, seu filho se tornaria o saiyajin mais forte de todo o universo.

Seu poder de luta, ainda dentro do ventre, e com oito meses de gestação, era de cem. A Rainha estava empolgada, pois tivera alguns pesadelos certas vezes, em que dava luz a um saiyajin fraco. Dali em diante, um mês se passara, e poucos dias antes de Seraphis prever a data de nascimento do príncipe, fora mais uma vez calcular seu poder.

Havia aumentado. Pouco, mas havia. Agora era cento e cinquenta.

Em seu coração, Seraphis temia. Temia que a criança pudesse ferir sua mãe gravemente, e até mesmo se tornar uma ameaça. Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, era um ditado conhecido, e de fato, certeiro.

Ofereceu um aceno curto positivamente, procurando acalmar mais a si mesmo do que os futuros pais.

***

Talia zanzava pelos corredores, tonta feita uma barata. Ela carregava inúmeras fraldas de pano, remédios naturais, gazes e uma tesoura. No quarto da soberana, estava apenas ela mesma, e Taanipu. Taanipu faria o parto, e sentia-se excitada e apavorada ao mesmo tempo. Era um grande dever, ela sabia, e Sellerie pediu carinhosamente para que ela o fizesse. A saiyajin não poderia recusar aquele pedido, e mesmo temerosa, ela lançava olhares gentis à sua líder, procurando acalma-la.

Enquanto esterilizava as tesouras e todo qualquer outro tipo de instrumento que fosse servir de ajuda na hora do nascimento, Talia entrara no quarto, ofegante e aflita.

“Em nome de todos os deuses, Talia, que cara é essa?” A fêmea de Bardock perguntou preocupada quando vira a expressão de sua amiga.

Com a respiração entrecortada, Talia respondeu, “Ora, o que mais poderia ser? O príncipe está para nascer, eu não sei como você consegue se manter tão calma diante de uma situação dessas!” A saiyajin enxugava a testa repleta de suor pelo nervosismo, enquanto colocava o que havia trazido em uma cadeira.

“Eu sei que o príncipe está para nascer, mas não há com o que se preocupar. Vai acabar deixando a rainha nervosa, é isso que você quer, sua tonta?” Taanipu rebateu em tom apreensivo. Ela possuía um coração puro, no entanto, ainda era saiyajin, e paciência nunca fora uma característica forte entre eles.

“Claro que não!” Talia apressou-se em explicar. “Eu só não consigo ficar calma com uma coisa tão grande como essa acontecendo! Você já viu a quantidade de saiyajins que tem lá fora? Todos eles estão esperando o príncipe nascer, e estão impacientes já! Tem que ver como o rei está, uma verdadeira pilha de nervos!”

Taanipu levou um dedo aos lábios, sinalizando para que a amiga falasse mais baixo. Aproximando-se dela, sussurrou, “ Não, eu não sei quantos saiyajins tem lá fora, mas imagino que todos estejam reunidos, e É CLARO que eles estão impacientes, assim como todos nós estamos! Agora, quanto o Rei, você sabe se meu marido está lá para ajuda-lo?” Ela perguntou levantando uma sobrancelha, meio desconfiada. “Eu juro pelos meus ancestrais, que se aquele idiota estiver treinando uma hora dessas, eu parto a cara dele!”

Talia suspirou, rolando os olhos. “Deixa de ser neurótica mulher, ele está com o rei sim! Assim como Broly, Turles, Nappa e Raditz. Broly estava contando alguma história sobre uma vez em que ele lutou com sei lá quem, e eles pareciam bem distraídos...” Ela parou por um momento, sacudindo a cabeça, “Ai, mas eu não sei como eles conseguem fazer isso!”

“Controle-se Talia, em nome do rei, controle-se!” Taanipu reprendeu a amiga, vendo que essa já voltava a se exaltar.

“Taanipu?” Sellerie chamou sua súdita gentilmente. “O que vocês duas tanto conversam aí?”

“Oh!” A saiyajin virou-se rapidamente, lançando um sorriso forçado. “Não é nada majestade, nós só estávamos comentando sobre algumas técnicas que aprendemos na universidade de medicina, a senhora sabe, sobre parto, essas coisas! Estamos trocando conhecimento, hehehe!” A mulher coçava a nuca enquanto ainda mantinha o sorriso nervoso nos lábios.

“Hummm...” A rainha murmurou, nenhum um pouco convencida. “Isso está estranho...” ela comentou, chamando agora a atenção total das duas saiyajins. “O príncipe está meio quietinho, sabe? Às vezes sinto as contrações, umas dores bem fortes, mas no geral, ele não está tão agitado como de costume. Está me deixando aflita.” Ela concluiu, um semblante preocupado e triste em seu belo rosto.

“Não há o que temer, majestade.” Taanipu respondeu, sorrindo. “Vai ficar tudo bem, sim? Deixe-me colocar mais alguns travesseiros em suas costas para deixa-la o mais confortável possível!”

A saiyajin se aproximou, fazendo o que havia dito há pouco. Quando colocava mais duas almofadas na região do quadril da rainha, Sellerie soltou um grito estridente.

“O que aconteceu?!” Talia perguntou assustada. “O que você fez, Taanipu?”

A saiyajin tremia, totalmente perturbada. “E-eu não sei... eu só fui colocar os travesseiros e ela gritou... ma-majestade, a senhora está bem?” Taanipu perguntou enquanto fitava sua soberana, nervosa.

“E-eu...” Sellerie tentava dizer enquanto puxava os lençóis da cama. “A-acho que... que foi uma contração... e das grandes... Ta-Taanipu... venha... venha ver se está tudo bem.” Ela respirava ofegantemente, e já começava a suar. A dor que sentira foi como uma faca perfurando suas entranhas.

Taanipu foi para frente da cama, posicionando-se entre as pernas da rainha. Percebendo que, da feminilidade de sua soberana, escorria um líquido transparente. Ela respirou fundo enquanto tentava manter-se firme. “S-sua bolsa estourou, minha rainha. Agora as contrações ficarão mais fortes, e logo estará em trabalho de parto. Não deve demorar muito, sabemos como são nascimentos de saiyajins. Esses pestinhas não tem paciência nem nessas horas.”

Sellerie assentiu com dificuldade, enquanto sentia mais uma contração vindo. Ela segurava seu abdômen com força, tamanha era a dor! “Avise... avise a meu marido!” Ela pediu apressada, tentando manter a respiração em níveis normais, o que se demonstrava muito difícil.

“Sim, majestade!” Talia respondeu, indo até à porta e abrindo-a, disparando corredor a fora.

A saiyajin de coração puro corria esbaforida, e se não fosse pela resistência de seu corpo, teria desmaiado de tão depressa que suas pernas se movimentavam. Ela era veloz, uma das saiyajins mais velozes de todo o reino, e aquilo sempre foi útil. Fosse ajudando seu filho, Nappa, nos treinamentos, fosse em exercícios físicos, ou até mesmo para fugir dos olhares safados que recebia dos saiyajins macho.

Quando finalmente chegou aos aposentos de Broly, que era onde o Rei e os demais se encontravam, ela puxou uma grande quantidade de ar pelas narinas, procurando respirar normalmente. Mais calma, e sem nenhuma cerimônia, ela abriu a porta do cômodo.

“Meu rei, meu rei!” Ela exclamou. “A bolsa... a bolsa da rainha estourou! Suas contrações ficarão mais fortes agora, e...”

“Mamãe, acalme-se, a senhora está muito nervosa!” Nappa disse ao perceber que sua mãe possuía o rosto vermelho e suado.

“Filho, não temos tempo pra isso!” Ela cortou. “Rei Vegeta, falta pouco para o príncipe nascer.”

O soberano levantou-se, seus olhos quase saltavam do rosto pela notícia. “Está falando sério, Talia? Quanto tempo até que ele nasça? Pode me dizer?”

Talia sacudiu a cabeça. “Não posso dizer com firmeza, mas falta pouco. Com licença, majestade, preciso voltar para ajuda-las.” A saiyajin respondeu, reverenciando o rei por um breve momento, antes de levantar-se, e sair correndo novamente.

Os que estavam no cômodo passaram a entreolhar-se, assustados. Bardock pôs uma mão sob o ombro de Rei Vegeta. “Você ouviu o que ela disse, Vegeta. Falta pouco.” Ele disse confiante.

O coronel não utilizava de cordialidade quando estavam entre em si. Eles eram irmãos, irmãos de sangue, pelo menos, sangue saiyajin. E o rei nunca se incomodou ou contestou. Bardock, junto a Broly e Turles, eram as três pessoas em que ele mais confiava, e sentia-se orgulhoso por isso.

O rei suspirou, sentindo um mix de alegria e ansiedade. “Sim. Em pouco tempo ele estará aqui, em meus braços.” Respondeu emocionado.

***

“Força, majestade, força!” Taanipu quase implorava, enquanto pressionava a barriga de Sellerie. “Tem que fazer força, empurra, empurra! Se a senhora não fizer o que estou lhe pedindo, o príncipe não sairá daí!”

“Aaaaargh!!! M-mas eu... eu... eu estou fazendo o máximo de força possível, Taanipu!” Sellerie respondeu cansada. Já estava ha uma hora empurrando o bebê, e nenhum sinal da criança aparecer.

“Eu sei que a senhora consegue, vamos, empurre!” Talia encorajou. “Vamos, majestade!”

“Aaaaaaaaaaaahhhhhhh!!!” Sellerie gritou, utilizando o máximo de força que pudera, de uma vez só.

“Estou vendo a cabeça! Ele está vindo!” Taanipu anunciou animada. “Vou tentar puxá-lo com calma...” A saiyajin foi puxando lentamente, conforme o resto do corpo do bebê ia aparecendo. Logo, um choro cortou o silêncio que pairou após ela tê-lo removido completamente.

A rainha respirava descompassadamente, exausta. As lágrimas se misturando ao suor quando ouviu o choro perfeito esbravejar por todo o quarto. “E-ele... nasceu?”

Taanipu e Talia olhavam maravilhadas aquele pequeno saiyajin deitado sobre uma toalha azul. Taanipu o enrolou, pegando-o no colo de maneira segura, enquanto Talia examinava a criança.

Lágrimas brotavam no canto de seus olhos enquanto ela anunciava em alto e bom tom, “Sim, ele nasceu, minha rainha. Cabelos negros, cauda, e fisicamente perfeito. E é forte, muito forte.”

“Deixe... deixe-me vê-lo.” Sellerie pediu gentilmente. Seu coração pulsava forte em seu peito.

Taanipu o colocou nos braços da rainha, não tirando os olhos do príncipe nem por um segundo. Nem ela, nem Talia, nem a própria soberana. Aquele era um momento único e maternal.

Sellerie abriu um largo sorriso, ignorando o cansaço que sentia. Lágrimas pesadas e emocionadas escorriam pelo rosto alvo. “Meu bebê... oi, filho...” ela dizia enquanto ria levemente. “É, é a mamãe... nós já nos conhecemos, não é?” O príncipe resmungava, emitindo sons, e movia suas pequenas mãozinhas, enquanto a cauda também balançava agitada dentro da toalha em que estava enrolado. Sellerie admirava cada milímetro de seu primogênito, quando através de um olhar, pediu para que chamassem o Rei.

Talia ajoelhou-se, reverenciando, enquanto ia cumprir a ordem. Poucos minutos depois, o rei entrava pela porta, curioso e receoso. Acenou para que fossem deixados a sós, e quando as duas saiyajins estavam do lado de fora, ele aproximou-se de sua esposa em passos lentos.

“Não tenha medo, querido. Vem, venha conhecer seu filho.” A rainha ofereceu em tom amoroso.

À medida que Rei Vegeta ia se aproximando, sentia que seu coração ia pular para fora de seu corpo. Sentou-se ao lado de sua fêmea, seus olhos arregalados levemente quando percebeu finalmente o pequeno saiyajin nos braços de sua amada. Ele sorriu, não contendo-se de tanta alegria. “Ele... ele se parece muito comigo. Mas... mas se parece muito com você também.”

Sellerie assentiu. “Ele é a nossa mistura perfeita.”

O rei pôs uma das mãos sob seu filho, quando o sentiu segurar seu dedo mindinho com uma força surpreendente. Sellerie copiou o movimento, e o bebê fez o mesmo. Segurava o dedo mindinho de seus pais, como se quisesse lhes dizer algo. A rainha sorriu novamente, entendendo, enquanto o rei olhava confuso. “O que isso quer dizer?” Ele perguntou.

“Com o tempo, você vai entender.” Sellerie respondeu, enquanto inclinava-se e repousava um beijo nos lábios de seu marido. “Quer segurá-lo um pouco?”

Ele acenou positivamente com a cabeça, e sua esposa entregou-lhe o bebê. Estufando o peito de puro orgulho, ele anunciou, “Nosso filho... príncipe Vegeta.”

***

Horas depois, quando a lua pairava nos céus de Vegetasei, anunciando a noite, Bardock fora para a parte externa do castelo, onde todos os saiyajins ainda esperavam pelo anúncio que o herdeiro do trono havia nascido.

“Meus irmãos!” Ele gritou, chamando a atenção.

Todos viraram, olhando atentamente para o Coronel. Bardock continuou, “O que o Rei, Rainha, e todos nós estávamos esperando finalmente aconteceu. É com muita honra que anuncio os líderes de nosso povo. Rei Vegeta, e a Rainha Sellerie!”

Trombetas tocavam ritmicamente avisando a presença dos soberanos. Em seguida, eles apareceram, com uma expressão confiante e feliz.

“Boa noite, meu povo.” Rei Vegeta pronunciou.

“Boa noite, Vossa Alteza.” Os saiyajins responderam em uníssono, ajoelhando-se e prestando reverência.

“Venho aqui lhes dar a notícia; o anúncio do nascimento do herdeiro. Meu coração não consegue se conter pela tamanha felicidade que sinto, meus irmãos. Lhes apresento, Vegeta, príncipe dos saiyajins!” O rei aproximou-se, pegando seu filho carinhosamente do colo de Sellerie, que o fitava com um sorriso genuíno.

Ele ergueu a criança para que todos pudessem contemplar, e foi exatamente o que fizeram.

Os saiyajins batiam palmas, exasperados, emocionados, contentes e cheios de esperança. Gritavam e comemoravam, para logo após se ajoelharem perante seu príncipe.

Levanta-te e sê-de triunfante. Não desista até que seu destino seja cumprido. Nossas raízes devem equilibrar nossos ramos. Vigie em nome da verdade e do orgulho.

Rei Vegeta anunciara o lema que consagrava os saiyajins, desde o início dos tempos. Aquelas palavras eram parte de sua origem, sua cultura, e ainda ecoariam por muitos e muitos anos através do tempo.

Notas finais
*O nome Seraphis vem de Seraphis Bey, que é um mestre ascensionado, conhecido também como o grande disciplinador; manifesta atributos dos deuses da mitologia egípcia Seth e Ápis.*
Sei que algumas coisas ficaram em mistério, mas eles serão revelados durante o decorrer da fic.
No mais, espero que tenham gostado!
Até quarta-feira, beijão!