Blood Brothers

6 Fates Warning


Notas iniciais
E vamos para o 6º capítulo!
Como vocês viram no capítulo anterior, Rei Vegeta e Rei Cold se encontraram, e Nappa foi rumo ao planeta Tsufuru, cego pelo desejo de vingança.
Agora, nós veremos o que se procedeu da conversa entre os Reis, a aclamada aparição de Seraphis; onde vocês terão um gostinho do seu poder de vidência, e quanto a Nappa.... bem, só lendo pra descobrir.
Espero que gostem ^^ boa leitura!!!

Rei Vegeta coçava seu espesso cavanhaque de maneira preocupada. A reunião com o changeling Cold, Rei da dita raça, encontrava-se na metade, e o soberano ainda não conseguia entender claramente as intenções do alien.

"Você compreende, Rei Vegeta? Meu planeta carece de naves espaciais, e nós não podemos viver sob essas condições. Não mais." O enorme changeling recomeçava a explicação. "Você não tem ideia do sacrifício que foi chegar no seu precioso planetinha."

"Antes de qualquer coisa, Cold, sugiro que mantenha essa sua língua afiada bem guardada dentro da boca. Não insinua coisas sobre meu planeta. Se não fosse por nós, vocês estariam vivendo em miséria." O Rei de Vegetasei alertou seriamente. "Agora, o que eu realmente não entendo, é como isso foi acontecer. Nós lhe oferecemos alguns de nossos melhores engenheiros e cientistas. Como as naves ficaram nesse estado deplorável que você diz?" Ele indagou enquanto bebiricava sua taça de vinho.

"Não seja tolo, Vegeta. Sabe que assim como vocês, somos uma raça guerreira, e estamos sempre partindo em missões diferentes. E se não se recorda, muitos anos se passaram desde a última vez que nos falamos. Todos aqueles engenheiros e cientistas que me mandou, estão velhos, e não conseguem mais fazer seu trabalho. E é por isso que vim aqui." Rei Cold se levantou calmamente, começando a andar de um lado para o outro, muito pensativo. "Quantos cientistas você possui?" Ele perguntou bastante interessado.

"Acha que eu sou burro, ou o que? Isso é algo que só diz respeito à mim e ao meu reino. Se quer cientistas novos, naves novas, comece você mesmo a produzir, Cold. Ou será que é incapaz de fazer algo tão simples?" O soberano respondeu com um mix de tédio e deboche.

"Agora quem precisa controlar a língua é você, saiyajin." Cold sibilou raivosamente. "É claro que sou capaz. Só que, entenda: Vegetasei é o planeta mais rico do universo. E estamos negociando. Não estou pedindo para que me entregue nada, quero fazer uma troca justa com você." Ele ofereceu maliciosamente.

Entretanto, o Rei não era nenhum tonto. Ele sabia que a única razão do changeling não atacar os saiyajins, era pelo medo. Medo da lenda do guerreiro de cabelos dourados. Caso contrário, já teriam entrado em guerra. Diante disso, fizeram uma aliança. Cold era muito esperto. E Vegeta, também.


Temendo, mas deixando a curiosidade falar mais alto, ele perguntou, "E que tipo de troca é essa?"

"Huhuhu, Vegeta..." O alien riu ironicamente. Um sorriso cínico colado nos lábios. "Está sabendo do nascimento do meu filho?" Ele balbuciou enquanto sentava-se novamente, colocando os pés sob a mesa de maneira despreocupada. "Cooler é muito poderoso. Muito. E nossa troca é muito simples, na verdade: você me dá algumas de suas naves nas melhores condições, e eu evito que meu herdeiro ataque vocês futuramente."

Rei Vegeta arregalou os olhos por um segundo, apenas para logo em seguida, franzir o cenho, respirando fundo. "O que está falando não faz sentido, Cold. Você sempre age dessa maneira ridícula. Chega aqui com cara de coitado, só para depois me cobrir de ameaças. Estou farto disso." Ele tomou outro gole de sua taça de vinho, e completou, "Não me mete medo algum falando de seu filho. Pode ser o mais forte de todos. Tenho guerreiros saiyajins sob meu camando. Guerreiros que vivem em prol das lutas e superação. Não seja estúpido em começar uma guerra, Cold. Se vai parar de me encher a paciência, lhe ofereço uma frota de dez naves. Nenhuma a mais, nenhuma a menos. E terá que se virar por quanto tempo for com elas." Vegeta terminou sua bebida, e levantou-se, caminhando até o changeling. Ele estocou bem à sua frente, olhando-o fixamente. "Espero que eu tenha sido claro. Pedirei à um dos meus escribas que faça o contrato, eu assino, e em breve suas naves serão mandadas." Vegeta disse sem hesitar, extremamente sério. Aproximou-se, estreitando os olhos. "E não ouse me ameaçar novamente, changeling."

O soberano se afastou bruscramente quando viu o alien sorrir de canto, indo até a porta. "Nossa reunião acabou. Agora saia e volte logo para o seu planeta."

Rei Cold se levantou lentamente, deliciando-se perante o mal humor que havia causado em Vegeta. "É sempre um prazer fazer negócios com você, Rei Vegeta. Estarei aguardandos minhas naves ansiosamente."

Vegeta lançou-lhe um olhar de desgosto e raiva. "Vá logo, antes que lhe tire à força." Ele ralhou.

O alien gargalhou profundamente, jogando a cabeça para trás. Piscando de maneira sarcástica para o Rei, ele finalmente se retirou da sala, fechando a porta atrás de si. Turles havia visto uma pequena parte do que aconteceu, e segundos após Cold ir embora, ele mesmo adentrou no cômodo.

Percebendo que o Rei olhava para um ponto nulo no chão, Turles se aproximou. "Meu Rei, está tudo bem? Parece preocupado..."

Ele voltou à si rapidamente, piscando algumas vezes. "Esse maldito changeling me irrita tanto, Turles. Debochado como sempre. Argh, raça imunda..."

"Mas Rei Vegeta, eu não entendo... somos muito mais fortes, por que não acabamos com eles de uma vez? Por que insiste em fazer negócios?" Turles indagou franzindo a testa.

Quando estava prestes a responder, Rei e súdito assustaram-se ao ouvir a porta abrindo de repente.


"A resposta é muito simples, jovem Turles." Era Seraphis, o Oráculo.

Seraphis tinha uma aparência agradável. Era careca e muito alto. Dono de um porte físico semelhante aos saiyajins, sua pele era alva, e seus olhos, curiosamente, possuíam tons amarelados. Seu sorriso era tão límpido quanto a cor de sua pele, e o terráqueo emanava sabedoria e simpatia. Mais curioso ainda, era seu aspecto. Ele não aparentava ter mais que trinta anos. Havia parado de envelhecer quando alcaçara uma certa idade.

"Rei Vegeta diz que não tem medo, e realmente não tem." O terráqueo começou. "Não por ele. Ele teme pelo seu povo. É na segurança de seus demais que ele está pensando."

Seraphis se sentou ao lado dos saiyajins, aconchegando-se confortavelmente em uma das poltronas. "Um soberano jamais deve colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira." Ele pronunciara aquelas palavras em um sussurro, porém, Rei Vegeta e Turles escutaram perfeitamente. "Cold é um ser detestável, isso não se discute. Mas é preciso calma e conhecimento dos fatos antes de se começar uma guerra. Ainda mais uma guerra desnecessária."

"Seraphis... você sempre me impressiona, meu caro." Rei Vegeta respondeu em tom sereno. "O que faz aqui? Por que desceu de sua torre?"

O oráculo abriu o mais sincero dos sorrisos antes de dizer, "Vim ver Sellerie. O dia de seu parto se aproxima. E também senti a presença de Cold, sabia que ele traria problemas." Ele fez um sinal para que Turles lhe servisse um pouco de água, e o soldado imediatamente o fez. Bebendo avidamente, continou, "O calor também está um tanto quanto insuportável. Bate sol no topo da Torre o dia inteiro, Rei Vegeta. Sou um simples terráqueo, minha resistência não é igual a de vocês."

"Pensa que me engana, seu sacana?" O Rei brincou. "Simples terráqueo... você está vivo desde os tempos do meu avô, e não envelheceu nada. Permanece aí, com esse aspecto jovem. Fora seus poderes de vidência e todo o resto."

Seraphis riu, assentindo. "É, você tem razão, não engano a ninguém... mas, permita-me dizer, Rei: o que fez foi certo. Dê a Cold o que ele quer. Por agora, é exatamente o que tem que fazer. Mantenha-se calmo e tudo encaminhará de maneira perfeita. Um passo em falso, e aquela guerra desnecessária a qual eu me referia, pode acontecer. E também não tema ao herdeiro, Cooler. Ele acaba de nascer, é só um bebê. É forte, mas não da maneira como Cold enalteceu." Ele concluiu de maneira sábia. Levantando-se, ele lançou-lhes mais um sorriso. "Com sua licença, vou até a Rainha agora." Reverenciando brevemente, disse "Majestade, soldado Turles."

O Rei concordou, olhando atônito para o terráqueo. Uma vez que ele e o soldado estavam sozinhos novamente, Rei Vegeta indagou imponente, "Turles, tenho mais alguma reunião marcada?"

"Não, senhor. Por hoje é só. Se puder me der licença, também tenho afazeres." Turles pediu.

"Ora, mas eu lhe disse que seria substituido no ensinamento do treinamento por hoje. O que tem de tão importante para fazer agora?" Rei Vegeta perguntou curioso.

"Errr..." Turles estava rubro enquanto coçava a cabeça, envergonhado.

"Aaah, já entendi. Você não muda mesmo, não é? Continua um garanhão." Rei Vegeta disse rindo. "Vá, está dispensado."

"O-obrigado, Majestade, hehe!" Turles respondeu ainda envergonhando, ajoelhando-se antes de sair da sala de reuniões.

Sozinho, o soberano de Vegetasei inspirou e expirou profunda e calmamente, ponderando ante as palavras de Seraphis. O Oráculo estava certo. Ele não deveria perder as rédeas de sua paciência agora. O tempo certo de agir chegaria. Entretanto, naquele momento, Vegeta fez uma promessa silenciosa a si mesmo. Não faria mais negócios com Cold, e acabaria com os changelins. Um por um. Aquele jogo de chantagens e ameaças precisava terminar de uma vez por todas.

***


No outro lado do castelo, precisamente nos aposentos reais, a Rainha aninhava Kakarotto carinhosamente em seus braços. "Logo logo você ganhará mais um amiguinho, Kakarotto! Tarble deve nascer dentro de uma semana, posso sentir." Ela dizia mais para si mesma do que para o bebê em seu colo.

Ouvindo alguém bater na porta de seu quarto, ela levantou o olhar rapidamente, encontrando Bardock e Taanipu. "Majestade, ele não está lhe dando muito trabalho?" Taanipu perguntou levantando uma sobrancelha. "Esse menino só tem cara de inocente, porque na verdade, é um pestinha!"

"Eu duvido que seja pior do que Vegeta, Taanipu." Sellerie indagou brincalhona. "Falando nele, ainda está treinando?"

Bardock assentiu. "Sim, majestade. Parece que ele está tendo uma luta em especial com o professor, sabe. Passei por lá, e Broly estava tomando uma surra." O Coronel anunciou com um sorriso de canto. "Era de se esperar, já que Vegeta é muito forte."

"Ora, não, não e não! Céus, Vegeta não pode fazer essas coisas! Não é só porque ele é príncipe que tem ficar por aí bancando o bonzão! Ugh, Taanipu, tome, segure seu pequenino, que eu vou lá falar com a peste do meu filho!" Sellerie explicou nervosa. Seu rosto estava levemente corado pela irritação. E essa irritação dava-se pelos hormônios da gravidez. Quando estava esperando Vegeta, seu primôgenito, Sellerie passara pelo mesmo.

"M-mas, minha rainha, não há necessidade, eles só estão se divertindo!" Bardock apressou-se em dizer.


Sellerie já abria a porta de seu quarto, e virando-se rapidamente, disse, "Não é motivo para ele surrar o Major! E também não me interessa se eles estão fingindo ou não, Vegeta aprontou MUITO essa semana e eu deixei passar, agora ele vai ver só!" A soberana disparou quarto à fora, batendo os pés fortemente no chão, ignorando as explicações que Bardock tentara dar.
Era inútil. Uma vez que a saiyajin estava determinada em fazer ou dizer algo, faria e diria de qualquer jeito.

Enquanto ia até a ala subterrânea do castelo, em passos largos, Sellerie podia sentir perfeitamente os movimentos que o feto em seu ventre fazia. Assim como seu irmão, o futuro príncipe demonstrava-se sempre muito agitado. A rainha ia andando cada vez mais rápido, ignorando os olhares curiosos que recebia dos soldados que asseguravam os arredores. Eles se perguntavam o que o herdeiro do trono havia aprontado dessa vez para fazer sua mãe ficar tão furiosa.
Chegando a seu destino, ela esmurrou a porta impaciente, gritando por Vegeta. O jovem príncipe cessou a série de socos e chutes que destribuía contra Broly mais que rapidamente, franzindo o cenho, e caminhando até a porta.

Ao abri-la, lançou um olhar confuso à sua mãe. "Por que está gritando feito uma louca, mamãe?"

A soberana ergueu seu dedo indicador ao mesmo tempo em que fitava seu filho, visivelmente irritada. "Não fale desse jeito comigo, Vegeta! Você está passando dos limites! Não há um dia sequer em que eu não tenha que lhe advertir sobre seu comportamento prepotente. Já estou cansada disso!" Ela vociferou à medida em que sua raiva ia crescendo. "Além de todas as porcarias que aprontou esses dias, agora está lutando com Broly no corpo a corpo? Você perdeu o juízo, Vegeta? Não me interessa seu poder de luta, ele é seu Major e você lhe deve respeito, rapazinho! Está na hora de saber seus limites!" Ela subitamente puxou Vegeta pelo pulso, arrastando-o para fora da sala de uma vez, fechando-a para que Broly não pudesse ver ou ouvir o que seria falado. Bufando pesadamente ao ver a expressão de puro descontentamento e surpresa na face de seu primogênito, ela recomeçou, "Quantos anos você tem, Vegeta?"

O saiyajin encarava sua mãe confuso. "Por que está perguntando iss-"

"Me responda!" Ela berrou.

Vegeta deu um passo pra trás, um pouco assustado. Jamais havia visto sua mãe tão nervosa. "Seis, ué." Ele respondeu tentando se demonstrar indiferente, ignorando a maneira rude como sua progenitora estava se portando.

"E há quantos anos eu e seu pai falamos que deve se controlar? Pois é grosso, diz coisas sem pensar, trata a todos com sarcasmo, deboche e tantas outras coisas ruins? Isso é inaceitável, já chega, mocinho. Chega, me ouviu bem? A próxima vez que você ousar responder alguém de maneira grosseira, vou lhe colocar de castigo, e ficará sem treinar pelo resto da sua vida!" A soberana gritou com a voz um pouco embargada. Estava odiando falar com seu filho daquela maneira, mas o menino precisava aprender.

Mas se Sellerie achava que Vegeta se daria por vencido, estava muito enganada. O príncipe bateu um pé no chão com toda força que obtinha, grunhindo muito alto antes de responder, "Você não poder fazer isso, mamãe! Que droga, não estou entendendo nada! Eu não estava surrando ninguém, estava só treinando com Broly! E qual é o problema, hein mamãe? Só porque eu não sou todo meloso com meus súditos como você e o papai? Quer saber? Eles me aceitam assim! Só vocês dois que não!" Ele praticamente cuspiu todo o discurso de uma vez só, muito magoado.

Sellerie arregalou os olhos, sentindo seus olhos marejarem. "N-não... não foi isso que eu quis dizer, não tente dizer essas coisas pra se safar, Vegeta! Você sabe que se comporta de maneira muito mal educada, e isso tem que parar!"

"Olha mamãe, eu não vou falar mais nada." Ele disse cortando-a. "Deve estar dizendo essas coisas porque está grávida, e meu pai me contou que a senhora ficaria um pouco fora de si. Não entendo nada dessas porcarias de hormônios, mas eles estão te afetando. Vou voltar pro meu treinamento." O príncipe concluiu, virando-se e caminhando em direção à sala de treinamento mais uma vez.

E ele teria entrado, se seus ouvidos não tivessem captado um som que deixara Vegeta muito desconfortável. Sua mãe chorava baixinho, fungando algumas vezes. O rosto estava afundado nas palmas de suas mãos, e ela parecia genuinamente sobrecarregada. Ele sentiu seu coração cumprir no mesmo instante. Era a primeira vez que via sua mãe chorando, e mesmo confuso, sabia que não estava gostando nenhum um pouco daquilo. Ele se aproximou novamente da rainha, puxando-a pela barra do vestido, como tinha costume em fazer. "Por que... por que está chorando? A senhora estava gritando e brigando comigo há segundos atrás..."

"Me perdoe." Ela murmurou. "Eu... vim aqui pra tentar conversar, pedir para que você parasse de ser rude, e quem acabou sendo rude, fui eu. Me desculpe, filho." Ela desabafou de maneira cansada. "Acho que os hormônios estão mesmo me afetando... eu só... só queria que você entendesse, anjinho, que não pode agir ou falar daquela maneira só porque é príncipe. Você entende?" Ela perguntou em tom triste.

Vegeta engoliu uma enorme quantidade de saliva antes de responder, "S-sim, mamãe. Agora vamos, pare de chorar, não gosto disso." Ele indagou tímido e levemente irritado, enquanto desviava o olhar para não vislumbrar o rosto de sua mãe repleto de lágrimas novamente. Acabara de descobrir que não suportava aquilo, e prometeu a si mesmo que nunca mais a faria chorar novamente.

Sellerie esboçou um sorriso, assentindo brevemente. "Tudo bem, já parei. Pode voltar para seu treinamento, sim? Só tome mais cuidado." Ela abaixou-se, puxando seu filho para um caloroso abraço. "Mamãe te ama muito, filho. Desculpe por ter gritado com você."

Vegeta apenas grunhiu, não retornando o abraço de sua mãe. Estava muito envergonhado para fazê-lo. Ele apenas se permitiu sentir o calor maternal que emanava dela, deixando-o mais calmo. Ficando com o rosto de frente ao dela, ele limpou as lágrimas que ainda marcavam o rosto de Sellerie antes de dizer, "Vou voltar para a sala. E não chore de novo, mamãe. Isso deixa meu irmão agitado." Ele balbuciou tentando disfarçar. Reverenciando, o príncipe virou-se, e voltou para a sala e seu treinamento.

Sellerie sorriu novamente, apenas para si, sabendo que Vegeta havia ficado genuinamente preocupado com ela. Seu filho poderia ter todas aquelas qualidades ruins que ela mesma acabara de apontar, mas em seu íntimo, Vegeta possuía um coração de ouro. Aos que ele amava, sempre protegeria. Com isso em mente, ela acalmou sua mente e calou suas preocupações quanto a postura do herdeiro.

Enquanto isso, Seraphis aguardava o retorno da Rainha pacientemente na varanda do quarto da soberana. Seus olhos estavam perdidos na imensidão do planeta vermelho. Seraphis havia nascido em solo saiyajin, e a origem do oráculo permanecia em segredo até os tempos atuais. Tudo que sabia, era que sua mãe era terráquea, e na época, fora mandada para Vegetasei a mando de seu pai.

Naquele tempo, humanos e saiyajins estavam no começo de sua aliança. O pai de Seraphis sabia sobre os poderes mentais do filho, e juntou o útil ao agradável. Tendo ele mesmo os mesmos poderes, sabia que o destino de seu herdeiro estava em Vegetasei. Ele serviria de grande ajuda e teria sua vida protegida. Quando o pequenino nasceu, sua mãe morreu no parto. E desde então, o avô do atual Rei Vegeta, encontrou o recém-nascido, perto das áreas rochosas. O local onde fora encontrado, era hoje, seu lar. No meio daquelas mesmas rochas, a torre principal se erguei. Quando o falecido rei descobriu sobre os poderes da criança, decidiu que lugar melhor não haveria, pois de lá, Seraphis seria capaz de observar, sentir, e prever tudo com mais clareza.

Ele foi tirado de seus pensamentos quando a grande porta de madeira do quarto se abriu, e seus olhos encontraram os da Rainha.


"Majestade." Ele disse afetuoso.

"Ah, olá, Seraphis." Ela respondeu no mesmo tom amável. "Está me esperando há muito tempo?"

Ele sacudiu a cabeça levemente. "Não, não. Tudo bem." O homem sorriu, aproximando-se e ajoelhando perante a rainha, tomando-lhe a mão, e selando um beijo rápido. A soberana suspirou ante a educação e gentileza do oráculo, e ele continuou, "Estava com o príncipe, não é mesmo?"

"Sabe, nunca tem muita graça falar com você.... sempre descobre as coisas antes." Ela disse de maneira divertida. "Mas sim, eu estava sim. Não sei o que deu em mim, mas... acabei brigando com ele. Na verdade, eu GRITEI com ele, Seraphis. Nunca havia feito isso." Sellerie murmurou amargamente.

Seraphis ponderou por alguns minutos antes de responder, "Alteza... não há o que temer. O jovem príncipe não se sentirá abalado por tão pouco. Vegeta é muito forte e orgulhoso. E também, tenho certeza de que já a perdoou."

Ela esboçou um sorriso fraco. "Sim, eu sei... ele estava precisando controlar aqueles absurdos que sempre diz ou faz, fui lá tentar dar uma lição nele, mas no final, fui mais grossa do que deveria." Sellerie confessou cansada. Suspirando, continuou, "Só pode ser a gravidez. Malditos hormônios!"

O oráculo riu. "A gravidez já está no final, fique tranquila. Falando nisso, sente-se para que eu possa fazer algumas previsões, sim? A energia que a senhorita emana é de pura agitação, e isso não é bom para o feto." O homem apontou cordialmente para a cama, e Sellerie sentou-se, respirando fundo.

Ele pegou uma das poltronas, sentando-se de frente para a Rainha. "Agora... quero que respire fundo, três vezes. Esvazie sua mente, e repita comigo: Watashi wa kanpekina baransu ni iru yo."*

"Watashi wa kanpekina baransu ni iru yo." A soberana repetiu.

Por mais sete vezes ela mantrou aquelas palavras, inspirando e expirando, deixando a calma adentrar seu corpo. O mais incrível nos poderes de Seraphis, é que ele conseguia colocar qualquer saiyajin no eixo, apenas com o poder da palavra. A Rainha continuou mantrando, e quando ele sentiu que ela estava devidamente preparada, começou seus trabalhos. Ele cruzou suas pernas na posição da lótus, fechando os olhos, e concentrando-se.

Se naquele momento, Seraphis pudesse ter voltado atrás, ele teria. Diante do que seus olhos vislumbraram, o homem apertou-os imediatamente, sacudindo a cabeça tentando se desfazer daquela conexão. Ele abafou um urro no fundo de sua garganta quando finalmente conseguiu voltar a si. Estava suando frio, e seu corpo estava gelado.

Sellerie continuava mantrando, alheia ao estado do oráculo. Ele agradeceu por isso. Limpando a garganta para chamar a atenção da Saiyajin, ela abriu seus olhos suavemente, encarando-o.


E a suavidade foi trocada por preocupação. "Seraphis, o que aconteceu?!" Ela perguntou alarmada. "Por que está pálido desse jeito?"

Ele respirava descompassadamente, acenando para que ela esperasse. Sellerie estava aflita, pois temia por Tarble. Se Seraphis vira algo de ruim acontecendo com seu filho, ela exigiria saber.


"Em nome dos Deuses, diga logo!" Ela berrou nervosa.

O grande homem tentou respirar fundo por mais algumas vezes, até que conseguira. Levantando sua cabeça, que até então, estava abaixada, ele não hesitou em anunciar, "Nappa. Nappa corre perigo."

Sellerie olhava-o espantada e confusa. Levantando-se de maneira tonta e desajeitada, ela perguntou, "C-como assim? Nappa está em missão, e levou os melhores guerreiros com ele... o que... o que aconteceu?"

"Preciso falar com o Rei imediatamente." Seraphis cortou de repente. Ele levantou, indo até a porta enquanto dizia, "Mas não se preocupe com o príncipe Tarble. Ele está bem. Agora, com licença, Alteza." O oráculo ao menos fez menção de reverenciar, tamanha era sua aflição.

Disparando até a sala do trono, onde Rei Vegeta aproveitava seu fim de tarde livre, o Rei dos saiyajins pôde sentir de longe o ki alterado de Seraphis se aproximando. Ele encurtou a distância entre eles, e quando se encontraram, o vidente carregava um olhar sombrio e preocupante.


"S-Seraphis..." Rei Vegeta balbuciou.


"Majestade, precisamos conversar imediatamente. É sobre Nappa." O oráculo anunciou sem rodeios.

"Nappa? O que tem ele?" o Rei perguntou confuso, levantando uma sobrancelha.

"Vossa Majestade o enviou para qual planeta?" Seraphis indagou direto.

"N-não... não me lembro bem. Temos que olhar nos registros. Meu amigo, por que está desse jeito? O que aconteceu?" Rei Vegeta perguntava sentindo uma tremenda sensação ruim em seu íntimo.

"Pra onde quer que tenha-o mandado, meu Rei... não é lá que ele se encontra." O homem indagou baixinho. "Ele está no planeta Tsufuru." Disse finalmente.

A expressão de pavor na face do Rei fora expressada imediatamente.

Notas finais
*"Watashi wa kanpekina baransu ni iru yo" significa "Eu estou em perfeito equilíbrio", em japonês.
O próximo capítulo começa baseado na música que deu origem ao nome dessa estória. "Blood Brothers", do Iron Maiden. ♥
"Só por um segundo, um vislumbre do meu pai eu vejo
E em um movimento ele acena para mim
E em um momento em que as memórias são tudo
que permanecem
E todas as feridas estão reabrindo novamente"
Vejo vocês no sábado! Até lá! =***