Blood Brothers

4 A consagração de Raditz: um novo guarda-costas.


Notas iniciais
Sem mais demora, vamos ao quarto capítulo de "Blood Brothers"!
Boa leitura :)

O relacionamento entre Taanipu e Bardock era um dos mais admirados. Seguido do casamento entre a rainha Sellerie e o Rei Vegeta, saiyajins em toda Vegetasei almejavam um laço e companheirismo semelhante ao da ajudante e do Coronel.
Eles se conheceram na época da coroação do atual rei do planeta, e desde o primeiro momento, se identificaram. Isso porque Taanipu, além de ter um coração puro, era muito habilidosa também nas artes marciais. O que só chamara mais ainda a atenção do soldado na época. Taanipu tinha uma personalidade forte, como era de praxe entre os demais. Mas algo naquela fêmea era ainda mais chamativo e misterioso, e Bardock, ao conhecê-la, prometeu a si mesmo que desvendaria os segredos que jaziam naqueles olhos negros.

Certa época, antes da chegada de Sellerie, Taanipu fora professora em kung fu. Por ser mulher, não poderia dar aulas práticas, já que essas eram exclusivamente ensinadas pelos saiyajins machos designados. No entanto, a bela e destemida saiyajin, recebera uma ordem direta do Rei. De que deveria ensinar os princípios básicos de luta aos saiyajins em seus primeiros anos de vida. Com o conselho supremo de Seraphis, que convencera Rei Vegeta com argumentos mais que plausíveis, Taanipu iniciou o aprendizado, e passou anos e anos de sua vida praticando a profissão. A carreira só chegou ao fim com a gravidez de Raditz. Taanipu decidiu se dedicar ao máximo ao dever de mãe, e secretamente, também iniciara seu filho no mundo das lutas, dando vantagem a seu primogênito.

Raditz não nasceu com um poder de luta muito alto. O menino só conseguiu um lugar especial no Exército Real pelos feitos de seu pai, que conseguira chegar a posto de Coronel com muito esforço. Raditz herdou a doçura de sua mãe, e a coragem de seu pai. Muitos diziam que a doçura era sua fraqueza; que no meio do campo de batalha, doçura nenhuma era necessária, logo, o jovem não teria chances de se tornar um grande guerreiro. Raditz passou toda a sua vida ignorando os boatos e burburinhos que giravam em torno dele, concentrando-se apenas em seu objetivo: superar seu pai.

Atualmente, Raditz possuía 10 anos. Estava na segunda fase do costumeiro treinamento, e naquele dia em especial, seu coração palpitava forte pela expectativa.
Ele receberia o título de guarda-costas oficial do príncipe. Ao lado de Nappa, que na mesma idade que Raditz obtinha hoje, ganhara o fardo, os dois saiyajins seriam não só guarda-costas, mas como companheiros de luta. Eles dariam suas vidas se fosse preciso. Protegeriam a existência do príncipe de Vegetasei custe o que custasse.

O coração de Taanipu e Bardock inundava-se de orgulho. A cerimônia estava marcada para o final da tarde, quando o treinamento daquele dia fosse concluído. A saiyajin encontrava-se na cozinha do palácio, preparando a ceia para o grandioso evento, juntamente à Talia. Taanipu assoviava e cantarolava entre uma tarefa e outra, sorrindo para si mesma.

Talia lançou um olhar curioso à amiga, ao mesmo tempo em que chegara da vinícola que se localizava nos fundos da cozinha. “Mas você não para de sorrir, hein!” Ela disse de maneira debochada. “Eu sei que está feliz porque Raditz vai ganhar um título importante, assim como o meu Nappa ganhara quando também tinha seus dez anos de idade, mas pelo amor dos Deuses, Taanipu! Você passou a manhã inteira cantando, meus ouvidos vão sangrar daqui a pouco.” A saiyajin implicou brincalhona.

Taanipu rolou os olhos, só para em seguida, começar a cantar mais alto. Talia cobriu os ouvidos com as mãos, apertando os olhos pela gritaria. “Tá bom, tá bom, já entendi! Não vou mais implicar! Agora pare de gritar, sua louca!”

Taanipu riu sinceramente, cessando os berros. “Isso é pra você aprender a não se meter com uma mãe orgulhosa. Ora Talia, você sabe o quanto esperei por isso... sabe a quantidade de medo que eu carregava em meu coração pelo poder de luta baixo de Raditz ao nascer.” Ela completou, franzindo seu rosto em uma expressão tristonha.

“Eu sei.” Talia respondeu rapidamente. Percebendo o rumo da conversa, e lembrando-se de todos aqueles anos em que no íntimo de sua amiga, ela realmente temia, a saiyajin abanou suas mãos, afim de espantar o clima pesado que se instalara. “Mas não é hora de falarmos sobre isso. Eu estava brincando, você tem todo o direito de cantar, gritar, sorrir, fazer o que bem entender. Pois se você lembra também, foi o que eu fiz quando Nappa recebeu o mesmo título. Tanto orgulho que aquele menino me deu, aliás, continua a dar! E meu bebezão já está com quinze anos, parece que foi ontem que era apenas uma coisinha gorda e-“

“Talia.” Taanipu interrompeu em tom de alerta. “Se você começar a se referir a Nappa como um bebê novamente, como você CISMA em fazer, são os MEUS ouvidos que começarão a sangrar.”

Talia curvou os lábios em um biquinho. “Ai, mas ele ainda é um bebê pra mim, sabe... se bem que ele fica bem irritado quando o chamo por apelidos carinhosos.” Ela levou uma mão ao queixo, pensativa. “Será que é tão irritante assim? Eu adorava quando meus pais se referiam a mim como a princesinha deles, poxa...”

“Isso porque você é uma mulher, e também uma retardada!” Taanipu disse balançando a cabeça. “É claro que eu também sinto vontade em chamar Raditz de forma mais carinhosa, mas argh, toda vez que eu tento, ele tampa os ouvidos, rola os olhos, finge que não está ouvindo, ou pede socorro para o pai. É realmente irritante, sabe? Bardock começa a rir da minha cara como se o amanhã não existisse.”

Talia abafou uma risadinha enquanto cortava alguns vegetais. “Você tem muita sorte em ter Bardock ao seu lado. Queria eu que Kal ainda estivesse conosco...” A mulher indagou cabisbaixa. Seus olhos distantes nas lembranças de seu falecido companheiro.

Taanipu olhou de maneira complacente à amiga, aproximando-se e afagando-lhe os cabelos. “Mas ele ainda está conosco.” Talia virou-se e encarou Taanipu um pouco surpresa. A saiyajin foi rápida em completar, “Você sabe que mesmo não estando ao seu lado em vida, ele permanece vivo em seu coração. Não só no seu, mas no de todos nós.”

Talia sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, sorrindo docemente. “Sim.” Ela respondeu assentindo.

“Além do mais, você precisa continuar sendo forte. Principalmente por Nappa.” Taanipu acrescentou. “Mas não vamos mais falar sobre essas coisas tristes, sim? Em poucas horas, meu Raditz estará recebendo um título importantíssimo, e precisamos terminar o jantar.”

Talia meneou positivamente com a cabeça, voltando às tarefas. Em seguida, Taanipu voltou a assoviar e a cantarolar. E dessa vez, a amiga a acompanhou, cantando também.

Momentos depois, as duas estavam sentadas esperando o forno terminar de assar um enorme pedaço de carne. Era carne de boi, diretamente exportada da Terra. Vegetasei mantinha uma linha de comércio grandioso com o planeta azul, trocando e negociando de quase um tudo. As forças tecnológicas eram as que mais cresciam, e em maior velocidade, visto que a Terra possuía grandes cientistas. Qualquer tipo de máquina simulatória de treinamento nova, cápsulas, computadores e naves, chegavam aos montes em Vegetasei, tudo da melhor qualidade.

Quando o forno anunciou que a carne estava pronta, Taanipu se levantou para abri-lo. Num ímpeto, ela sentiu alguém a abraçando por trás, mas logo sorriu aliviada, percebendo quem era. “Bardock!” Ela disse, virando-se para retribuir o abraço de seu companheiro. “O que faz aqui?”

O saiyajin sorriu de canto, beijando os lábios de sua fêmea brevemente antes de responder, “Ordens do rei. Ele quer saber se o jantar está pronto.”

Taanipu assentiu. “Sim, já está tudo pronto. Ah! Falando em pronto, Raditz está bem?”

“O moleque não para quieto. Fala o quão feliz está o tempo todo, e suspira feito uma garotinha de minuto em minuto.” Bardock respondeu entediado. “E antes que diga algo, eu já sei que é normal, que eu deveria estar feliz por ele também, e não me entenda errado, eu estou.” Ele concluiu sorrindo de canto mais uma vez.

“Hunf, acho bom mesmo.” Taanipu respondeu dando um tapa de leve no ombro esquerdo do companheiro. “Agora que já acabei aqui, posso ir lá vê-lo. Ele deve estar precisando de uns conselhos da mãe, né? Tão linda, jovem, esperta, geniosa... que menino sortudo!” Ela indagou toda cheia de si.

Bardock riu, envolvendo-a mais seguramente em seus braços. “É verdade... deveria ter me casado com essa mulher, e não com você... já me sinto arrependido.”

Taanipu se desvencilhou dos braços fortes do saiyajin, lançando-lhe um olhar reprovador. “HÁ HÁ! Muito engraçadinho mesmo! Idiota!”

O coronel sorriu ironicamente, puxando-a de volta para seus braços. “Não seja malcriada, só estou brincando, mulher. E é melhor que vá logo, em breve o jantar será servido, certo? Não há muito tempo, e acho que é uma boa ideia conversar com Raditz antes da cerimônia.” Bardock disse decidido.

A saiyajin concordou, pousando um delicado beijo nos lábios do marido antes de virar-se e caminhar em direção à saída da cozinha. Foi só quando a mulher saíra completamente, que o coronel percebeu a presença de Talia. Aparentemente, ela estava cochilando sob os braços, que se apoiavam na pequena mesa que o cômodo possuía.

Bardock se aproximou, cutucando-a. “Ei, Talia.” Ele chamou baixinho. Não obtendo resposta, insistiu, “Talia, acorde.”

A saiyajin se mexeu, resmungando, e levantando a cabeça para encarar o coronel. “Eu estou cansada, Bardock... me deixa...”

Ele fitou-a confuso, franzindo as sobrancelhas. “Cansada? Você nunca está cansada. O que aconteceu?”

O coronel perguntou demonstrando genuína preocupação. E de fato, estava mesmo preocupado. Quando esses grandes eventos ocorriam, Talia sempre se demonstrava nostálgica e um pouco triste. Totalmente diferente de como era normalmente. Sempre fora muito contente e espevitada. O saiyajin sabia que um pouco dessas duas qualidades haviam diminuído com o falecimento de Kal.
Kal foi um grande amigo de Bardock. O enorme saiyajin só tinha tamanho, pois dentro de si, carregava um coração calmo e tranquilo. Por fora, aparentava ser um saiyajin cruel e impiedoso. Entretanto, quando se tinha chance de diálogo, por mais curto que fosse, podia-se perceber que era exatamente o contrário.

“Eu e Taanipu estamos cozinhando desde muito cedo. O restante das ajudantes foram designadas para outras tarefas, já que preparar essas cerimônias sempre dão muito trabalho... mas eu estou bem. Juro que é só cansaço, não precisa se preocupar.” Ela forçou um sorriso, levantando-se. “O treinamento dos meninos já acabou por hoje?”

“O de meu filho ainda não. Mas já liberei Nappa. Ele está ficando cada vez mais forte, deve se sentir orgulhosa.” Bardock disse, ganhando uma expressão de pura alegria de Talia.

Ela sorriu, um sorriso caloroso e contagiante. “Devo não, eu já me sinto orgulhosa. Desde sempre.” Encaminhou-se para a porta, e antes de sair, perguntou, “Você acha que ele ainda tem aquela ideia absurda de vingança?” A aflição estampada em suas feições.

Bardock suspirou. “Sim.” Respondeu firme. “E ele não está errado, você sabe. E também sabe que quando a hora chegar, todos nós vamos nos unir contra os Tsufurujins. Eles mataram seu companheiro, e um grande amigo meu, Talia. Vingança é o que eles merecem.”

A saiyajin desviou o olhar, abaixando a cabeça. “Sim... eu só... só temo pela vida do meu filho. Se... se algo acontecer a ele, Bardock, eu-“

“Nada de ruim acontecerá.” Bardock interrompeu rapidamente. Ele caminhou, indo até a amiga, apoiando as mãos sob seus ombros. “Ouviu bem? Nada. Lutaremos juntos e destruímos aqueles miseráveis um a um. Confie em mim.”

Talia respirou fundo, concordando. “Tudo bem. Bom, agora se me der licença, vou ver como os ânimos do meu grandalhão estão. Deve estar todo ansioso por Raditz!” Ela indagou um pouco mais alegre. “Nos vemos na cerimônia!” Concluiu, saindo finalmente da cozinha.

De fato, a mãe estava certa. Enquanto Nappa lia alguns livros infantis para o príncipe, dentro de si, sua felicidade pelo amigo era algo evidente. Nappa, Raditz e Vegeta passavam muito tempo juntos. Haviam crescido como irmãos. A alegria de um, era a alegria de todos. Assim como todo e qualquer tipo de sentimento, desde os que sentiam sozinhos, até os que não compreendiam, os saiyajins compartilhavam. Príncipe Vegeta, agora em seus quatro anos, ouvia atentamente o conto antigo que seu guarda-costas lia. O que era no mínimo, interessante, pois pouca coisa prendia a atenção do príncipe rebelde. Ao final do conto, Nappa fechou o livro, sorrindo de canto para seu soberano, que em resposta, sorriu de volta.

“Então essa é a estória sobre o lendário guerreiro de cabelos dourados? O super saiyajin?” Vegeta perguntou com um brilho nos olhos.

“Sim, meu príncipe. E seu destino é tornar-se esse guerreiro, visto que, mesmo com pouca idade, já possui um poder de luta altíssimo.” Nappa respondeu.

“Hum... você não viu nada ainda. Vou continuar treinando muito, e um dia vou até ultrapassar esses poderes!” Vegeta disse, se levantando e afagando seus cabelos espetados. “Nappa, onde está mamãe?” O príncipe perguntou rapidamente mudando o rumo da conversa.

“Acho que ela está treinando, príncipe. Deseja vê-la?”

“Sim. Me leve até ela.” Vegeta indagou decidido. Tão jovem, e tão imponente.

“Mas... meu príncipe sabe que a rainha não gosta que a interrompam quando está treinando...” O saiyajin careca disse levemente temeroso.

“E você acha que eu me importo? Anda, vamos logo!” Vegeta já se encaminhava para a porta de seu quarto. “Não seja covarde, no máximo ela vai reclamar um pouco, mas pode deixar que eu me encarrego disso. Vamos Nappa, não temos o dia todo!”

Nappa esfregou a nuca preocupado. “Como quiser, alteza. Vamos.”

Se dá ordens dessa maneira ainda tão pequeno, imagino como será quando for mais velho... “ O careca suspirou, pensando consigo mesmo. Enquanto andavam pelos corredores, rumando até as escadas que davam para a ala subterrânea, onde os salões de treino se encontravam, Nappa lançava olhares curiosos para Vegeta. Ele sentia o quanto de ki aquela criança carregava, e sentia um mistura de admiração e medo. Assim como o rei, a rainha, e todos os demais que convivam com o herdeiro do trono. Vegeta precisava treinar a si mesmo constantemente para manter seu temperamento rude controlado. Não que o menino fizesse por mal, pois já nascera daquela maneira. Só precisava de autocontrole na hora de responder os soldados que circulavam na parte externa do castelo. O hobby do príncipe era sair de seu treinamento, e passar algum tempo lá fora, praticando o bukujutsu. Há mais de um ano ele havia aprendido a técnica, e sempre se sentia muito bem enquanto voava pelo céu avermelhado de seu planeta. Entretanto, quando pousava em solo novamente, olhava com ar de superioridade e implicava com os soldados, alternando em chama-los de “vermes” ou “fracotes”. Seu pai sempre o advertia, dizendo que aquele não era o comportamento adequado de um soberano. Um soberano deveria ser alguém que respeita seu povo acima de tudo, e Vegeta insistia em demonstrar-se superior ou melhor que os demais. Muitas vezes fazia apenas por diversão, pois achava extremamente engraçado a expressão de desapontamento nas feições de seus pais. Ele é só uma criança, e crianças são e sempre serão assim, Sellerie dizia tentando amenizar a situação. Porém, o rei discordava. Já estava passando da hora de Vegeta controlar suas atitudes, pois no fundo, o saiyajin mais velho temia que aquele comportamento permanecesse. E se permanecesse, o povo sofreria, e isso era algo que não poderia permitir.

Quando Nappa e Vegeta chegaram à sala de treinamento para saiyajins fêmea — que, diga-se de passagem, não era um lugar muito frequentado — o mais velho bateu na porta, anunciando a presença do príncipe.

“Podem entrar.” Sellerie respondeu rapidamente.

A porta abriu, e Vegeta disparou ao encontro de sua mãe, abraçando-lhe a perna. Ele levantou a cabeça, fitando-a. “O que você tanto faz aqui, mamãe?”

Sellerie sorriu brevemente, ainda focada no que estava fazendo. Se o hobby de seu filho era implicar com soldados, o da soberana, era praticar arco-e-flecha. Desde muito jovem Sellerie treinava, e treinava. Acalmava sua mente, seus nervos, e a deixava muito centrada. Concentração e coordenação motora eram o principal, e ela simplesmente amava a sensação de disparar uma boa flecha certeira contra os alvos.

“Oi, filho. Não está vendo? Mamãe está treinando pra ficar ainda melhor no arco-e-flecha.” Ela indagou, mirando no centro do alvo à sua frente. “Já estou terminando, não se preocupe. Logo logo te darei atenção.” A rainha piscou para seu primogênito de maneira brincalhona, sabendo que era exatamente atenção o que o menino queria.

Enquanto ainda mirava, Sellerie pensou, “Deve estar entediado. Ai... às vezes acho que esse menino precisa de um irmão. Seria ótimo! Ele teria alguém pra brincar, conversar, treinar...” Respirou profundamente, e expirando, finalmente disparou a flecha. Quando o objeto encravou-se no centro do alvo, Sellerie sorriu, batendo palmas e comemorando.

“Consegui!” Ela anunciou empolgada. “Já deve ser a décima quinta flecha que eu acerto só hoje. Só pode ser um bom presságio!”

Vegeta olhava admirado para o feito de sua mãe. Ele não imaginava, muito menos sabia que ela era tão habilidosa. “Uau...” Sussurrou baixinho, para que apenas ele mesmo pudesse ouvir. Sacudindo a cabeça, começou a puxar a barra da saia do vestido de Sellerie freneticamente. “Anda logo mamãe, vamos, tenho que te perguntar várias coisas!”

“Se acalme, Vegeta. Por que tanta pressa?” Ela perguntou ao mesmo tempo em que tirava a luva e depositava as flechas dentro de um pequeno armário. “Aconteceu algo em especial?”

“Nappa me contou sobre a lenda do guerreiro dourado, e disse que eu serei ele!” Vegeta dizia empolgado, soltando-se de sua mãe, e parando entre ela e seu guarda-costas, cerrando e levantando os punhos. “E sei que isso é verdade, posso sentir.”

A rainha franziu o cenho, porém não de preocupação, mas de complacência. Ela afagou os cabelos de Vegeta antes de adicionar, “Mas é claro que é verdade! Está escrito no seu destino, como Seraphis cansou de dizer tantas vezes. Mas ainda falta muito, e você precisa se dedicar de verdade durante os treinamentos. Está fazendo isso?” A bela saiyajin de coração puro fez um sinal para que Vegeta a acompanhasse em direção aos armários internos.

“Estou sim. Se bem que não tem muita graça, eu sou muito forte, e os outros saiyajins são bem fraquinhos. Não passam de ver-“

“Já falei pra não chamar ninguém dessa maneira, Vegeta.” Sellerie indagou olhando-o profundamente.

O príncipe rolou os olhos. “Está bem, está bem, não chamo mais.” Respondeu abanando as mãos. Ao final da ação, sua audição aguçada capitou outra porta abrindo, e Vegeta soube no mesmo instante que o treinamento dos saiyajins mais velhos havia acabado. “Raditz saiu!” Ele gritou, correndo esbaforido na direção oposta. Nappa estava parado ao lado da porta, e fez menção de abri-la para que Vegeta fosse de encontro a Raditz, sorrindo de canto.

O primogênito de Bardock e Taanipu enxugava a testa de suor, e mal pôde ver quando um pequeno serzinho lhe deu um soco de leve no estômago. “Ei!” Ele reclamou. Notando que era Vegeta, e que o príncipe sorria de maneira provocativa, também sorriu. “Aaaah, é Vossa Alteza, o poderoso e impiedoso, Vegeta! Príncipe dos Baixinhos!” Ele brincou, recebendo outro soco no estômago, só que dessa vez, com uma carga de força maior.

“Não diga asneiras, seu tolo!” Vegeta rebateu, levemente irritado. “Eu ainda vou crescer e serei mais alto que você! Não, melhor! Serei até mais alto que o Nappa!”

Raditz não pôde conter uma gargalhada. “Certo, certo. O que faz aqui, príncipe?”

“Como assim o que eu faço aqui? Argh, você é lerdo demais, Raditz! Não sabe sobre a cerimônia?” O príncipe perguntou franzindo a testa.

“Claro que sei! Mas ainda vai demorar um pouco... de qualquer maneira, vou tomar um banho e me preparar. Tenho certeza de que precisa fazer o mesmo, e olha ali,” Raditz apontou para a Rainha. “Sua mãe parece estar te esperando. Com licença, Alteza.”

Ele ajoelhou-se, reverenciando por um curto momento, e sinalizando para que Nappa o acompanhasse, ambos saiyajins foram em direção às escadas que dariam acesso aos corredores e quartos do castelo.

“Ele tem razão, Vegeta. Vamos logo porque você sabe o quanto eu demoro pra me arrumar.” Sellerie estendeu a mão para seu filho, e Vegeta agarrou-a firmemente.

Mãe e filho também puseram-se a subir as escadas, enquanto Sellerie murmurava canções. Era um velho hábito que adquiriu desde o nascimento de Vegeta, e o menino sempre se acalmava ao ouvi-las. Eram canções cantadas no dialeto oficial e arcaico dos saiyajins, e um dia, quando fosse um pouco mais velho, Vegeta entenderia o significado delas.

***

A cerimônia teve seu início as sete em horas da noite em ponto. Toda a realeza saiyajin estava presente, e até duques e duquesas de outras raças compareceram. Era algo meio comum, pois em Vegetasei, todos os dias ocorriam longas reuniões sobre negociações, e rei Vegeta sempre convidava as realezas alienígenas para que criassem laços de confiança e respeito mútuo. Ele era um saiyajin de extrema astúcia e simpatia, conquistando todos ao seu redor com palavras bonitas e lições dignas de livros.

Enquanto os demais se posicionavam em seus devidos lugares na Sala do Trono, Taanipu terminava de ajudar a colocar a armadura em seu filho, e Bardock olhava para sua família atentamente. O coronel sentia algo inexplicável dentro de seu coração enquanto os observava. Era como se faltasse alguma coisa, apesar de tudo. Raditz era forte, e estava prestes a ingressar em um cargo importantíssimo. Taanipu tinha um coração puro e era ajudante da Rainha. E ele, coronel do exército real. Os três viviam de maneira segura, não existiam razões para se preocupar. Mas diante do amor enorme que sentia, ainda parecia pouco.

Saiyajins não eram um povo afetuoso. Eram leais e respeitosos, mas não românticos. Apenas companheiros; machos e suas devidas fêmeas, em seus momentos íntimos, demonstravam carinho e atenção um ao outro. Quando estavam em público, eles apenas se tratavam com admiração. Entretanto, a relação de Bardock e Taanipu nunca fora assim. Era algo maior, muito mais forte do que poderiam explicar. Tentar fingir era inútil, e escapar pior ainda. Desde o começo do relacionamento, eles eram quase que inseparáveis. Ultimamente, vez ou outra Taanipu comentava sobre a falta de estar grávida. Dizia que sentia saudades da sensação gostosa que era carregar um ser dentro de seu ventre. Bardock apenas sorria e ouvia os dizeres da companheira sem falhar, dando muita importância a cada palavra pronunciada. “Eu... eu vou presenteá-la... vou nos dar outro filho.” Ele jurou a si mesmo em pensamento.

“Pronto. Você está lindo, querido.” A saiyajin disse ao ver a postura firme e decidida de Raditz diante dela. “Não é, Bardock?” Perguntou virando-se a seu marido.

O coronel saiyajin sorriu de canto, consentindo. “Uma gracinha.” Zombou.

Raditz rolou os olhos, dando um soco no ombro de seu pai. “Não enche, papai. Eu já to suficientemente nervoso...”

“Relaxa, filho. Não tem nada que ficar nervoso, muito pelo contrário.” Bardock respondeu fitando seu primogênito. “Agora temos que ir, já estão todos esperando.”

Raditz assentiu, limpando a garganta pela ansiedade. “Tem muita gente?” Ele perguntou hesitante.

“Os de sempre.” Seu pai disse tentando acalma-lo. “Já disse que não precisa ficar nervoso. E, Raditz...?”

“Sim?”

“Estou orgulhoso de você, moleque. Eu e sua mãe estamos, de verdade, muito orgulhosos.” Bardock concluiu ao mesmo tempo em que um sorriso sincero agraciava-lhe os lábios.

Raditz respirou fundo antes de responder emocionado, “Obrigado papai, mamãe. Ainda trarei muito mais orgulho a vocês.”

Taanipu abraçou-o, pegando o rosto do filho entre as mãos. Passou algum momento olhando em seus olhos, sentindo uma felicidade extrema. Foi ao estalar de dedos de Bardock que a saiyajin voltou a si, entendendo que a hora havia chegado.

A família desceu as escadas em passos lentos. Bardock desceu na frente, e estava muito elegante vestindo sua armadura com todas as medalhas honrosas que havia adquirido ao longo de sua carreira. Taanipu vestia um vestido longo da mesma cor que a armadura de seu marido, preto e verde. A vestimenta era feito cetim, outro produto comercializado da Terra. Saiyajins adoram a textura, era muito suave e diferente. Raditz usava sua armadura preta e marrom claro, e demonstrava muita ansiedade enquanto caminhava em direção aos soberanos.

Ele parou na frente do rei, rainha e príncipe, curvando-se e os reverenciando. “Boa noite, majestades.”

“Boa noite.” Os nobres responderam em uníssono. Príncipe Vegeta abafou uma risada no fundo de sua garganta quando reparou o quão nervoso seu amigo mais velho estava. “Que tolo.” O jovem herdeiro pensou.

Rei Vegeta levantou-se logo após, aproximando-se do jovem saiyajin de sangue puro. “Raditz... desde os primeiros anos de meu filho, o príncipe, você tem servido de grande ajuda. Fosse lendo, ensinando luta teórica, e principalmente prática. Passou horas e horas o auxiliando no aperfeiçoamento do bukujutsu. Passou tudo que você sabia sobre guerra, batalhas e suas estratégias. Não houve um único dia em que Vegeta não viesse correndo me contar algo novo que você o ensinara.
E por isso, eu lhe agradeço, meu jovem. Muito obrigado por cuidar do herdeiro do trono de toda a nossa raça. Você é um grande menino, e com certeza será um grande homem.

Raditz assentiu, reverenciando novamente antes de responder, “A honra foi, e é toda minha, Rei Vegeta.”

O soberano sorriu de canto. “De maneira alguma, a honra, na verdade, é minha. É com muita alegria, que eu, Rei Vegeta, líder da raça guerreira saiyajin, lhe nomeio guarda-costas do príncipe, também chamado Vegeta, como desde o início dos tempos. Você aceita esta condição?” O Rei perguntou imponente.

“Sim, majestade. De todo o meu coração, e com muito orgulho, eu aceito.” Raditz respondeu de volta. Ele sentia que seus órgãos internos falhariam a qualquer momento, tamanha era sua felicidade! Ele ajoelhou-se ao mesmo tempo em que o Rei aproximava-se, firmando uma pequena medalha no peitoral de sua armadura.

“Levante.” O rei ordenou calmamente. Ambos continuaram o contato visual quando o rei voltou a falar, “Você promete manter a vida do príncipe intacta e segura de agora em diante?”

Raditz assentiu firmemente. “Sim, majestade.”

“E promete que nada nem ninguém lhe causará nenhum mal, seja ele físico, psicológico, ou emocional?”

“Sim, majestade.

“E por fim, Raditz, primogênito de Bardock e Taanipu, está disposto à, caso necessário, dar a sua própria vida em prol da de seu príncipe?”

Rei Vegeta esperava ver algum sinal de medo ou insegurança nos olhos de Raditz.

“Estou, majestade.”

Não encontrou.

Ele sorriu satisfeito, colocando uma mão sob o ombro do novo guarda-costas de seu filho. “Conto com você, Raditz.”

O jovem concordou, respondendo com o olhar que sim, ele faria de tudo pra manter Vegeta a salvo. Era um juramento real, e custe o que custasse, iria cumpri-lo. Atrás dele, Bardock abraçava Taanipu, que se entregou à emoção, e chorava alegremente. A rainha o cumprimentou, e assim fez o príncipe também. Quando Raditz virou-se, foi ovacionado, enquanto todos gritavam, “Viva!”

E na mente do jovem saiyajin, apenas uma frase ecoava. “Proteger, salvar e proclamar que nossas vidas não sejam em vão.

Notas finais
No próximo capítulo, a chegada de um saiyajin novo.
Palpites? Tá fácil, fácil! :P
Até terça-feira, beijos!