Blood

1 Prólogo.


Dezesseis de Abril de 1998 —

Eu e meu papai chamado Robert estávamos na cozinha de casa fazendo brigadeiro, eu sempre fui a melhor companheira dele — segundo ele.

— Papai.. — Falei enquanto sujava meu avental pequeno de chocolate.

— Hum? — Ele respondeu enquanto lambia os dedos sujos de chocolate.

— Quando nós iremos morrer? — Perguntei aflita.

— Oh Amb, não pergunte isso. — Papai olhou para mim, surpreso.

— Você sempre estará comigo? — Perguntei enquanto limpava minhas mão sujas de chocolate no avental.

— Amb, você sabe que eu sempre estarei ao seu lado, até nos momentos mais difíceis. — Papai respondeu e após lavar suas mãos, secou as lágrimas que queriam sair de meus olhos.

Eu não respondi nada e apenas sorri porque eu sabia que era verdade, papai nunca mentiu para mim — Até porque, ele não tinha motivos para mentir para mim.

Nós botamos os brigadeiros em uma bandeja e nós dois fomos se sentar no sofá da sala para assistir filme.

Enquanto nós riamos juntos enquanto assistíamos á um filme de comédia, meu pai abriu um pouco a cortina da janela e viu três caras de preto com armas assaltando á casa da frente — Assustado, ele fechou a janela, apagou as luzes e sussurrou no meu ouvido:

— Amber, suba as escadas. — Papai falou e eu, asssustada, obedeci.

— Você não vem? — Falei enquanto estava no meio das escadas.

— Vá logo, eu já vou! — Ele falou.

Eu não sabia se papai queria brincar de esconde esconde ou era uma situação séria. Bem, eu obedeci ele. Ele entrou no quarto e com lágrimas nos olhos, ouviu um barulho na cozinha e disse no meu ouvido, novamente:

— Amber, se esconde em baixo da cama do papai. — Eu estava no quarto do papai com o mesmo.

Me deitei no chão e ninguém poderia me ver ali em baixo da cama, comecei a chorar quando vi as lágrimas nos olhos de meu papai. Três caras altos — com armas grandes nas mãos invadiram o quarto do papai e eu arregalei os olhos e para não me ouvirem chorar, tapei a boca com a mão e só deixei as lágrimas caírem.

— Passa as jóias e todo o dinheiro que você tem! — Um dos caras falou, gritando enquanto os outros apontavam a arma para o papai.

Papai não era rico — Mas também não era pobre. O que ele ganhava trabalhando era nada mais que R$ 2,000. E com esse dinheiro, ele comprava brinquedos para mim.

— Não! — Papai respondeu.

— Passa a porra das jóias e o dinheiro ou eu te mato! — O mesmo cara falou novamente e deu um tiro para cima, me assustei.

— Podem me matar, mas não pegarão nem as jóias nem o dinheiro. — Papai falou gritando e também chorando.

Olhei para a minha mão e eu estava usando o anel da mamãe que papai deu a ela, e mamãe, antes de partir para Paris, me deu esse anel como lembrança a ela. Era a jóia mais cara que a nossa família tinha.

Ouvi tiros, tiros e mais tiros. Isso só podia ser um pesadelo, acorda Amber, acorda! — E finalmente, após acabarem de dar tiros, papai caiu no chão, morto. O sangue dele começou a escorrer para baixo da cama e eu me apavorei.

Os ladrões — Assaltantes, continuavam no quarto á procura de jóias e dinheiro. Minutos depois, a polícia chegou e prendeu os ladrões e tiraram as armas deles. Os policiais se agacharam em frente ao corpo de meu pai — que era da polícia — e um dos policiais me viram ali em baixo e me tiraram de ali.

— Você está bem, garotinha? — Um dos policiais me perguntou, enquanto eu continuava chorando.

— Não. — Respondi soluçando.

Papai só queria me proteger, ele só queria me proteger.