Blood
2 Nightmare.
Dez de Abril de dois mil e seis —
— Parksville não parece um lugar ruim. — Hannah comentou enquanto prendia seu cabelo em um rabo-de-cavalo.
— Pois é. — Nem prestei atenção no o que Hannah disse e andei ao seu lado enquanto escutava música no meu iPod.
— Enfim, onde é o Condomínio? — Hannah perguntou e eu tirei meus fones de ouvido e pausei a música do iPod.
— Hannah, você vem perguntar logo pra mim? — Perguntei enquanto encarava Hannah sériamente.
— Brincadeirinha, Smurf. Bem, é daqui umas duas ou três quadras o condomínio. — Hannah riu e eu botei novamente meus fones de ouvido.
Eu estava ouvindo a música Another Brick On The Wall — Do Pink Floyd — E mágicamente, pulou para a música If You Want Blood (You've Got It) do AC/DC. Olhei meio torto para o iPod até que Hannah me cutucou.
— Algum problema, Amb? — Hannah me perguntou.
— Não.. — Respondi enquanto voltávamos a andar.
— Ai, quero chegar logo nesse tal condomínio. Fiquei sabendo que o número da nossa chave é 13. — Hannah disse.
Eu não sou supersticiosa mas sempre acreditei que 13 fosse um número de azar. Mas bem, nada de ruim vai acontecer dessa vez... eu acho.
— Por quanto vamos ficar nesse tal condomínio? — Perguntei enquanto trocava de música no meu iPod.
— Por uns dois anos eu acho, acho que em 2008 a mamãe vai vir nos buscar e nós vamos morar em Paris. — Hannah respondeu enquanto bebia água da sua garrafinha.
— Dois anos passam que nem uma lesma, Hannah. — Olhei para Hannah e ela riu.
— Ah, que nada Amb! Esses dois anos vão passar voando. — Hannah disse.
Andamos por umas duas ou três horas — E já eram 12:00, meio dia. Chegando no condomínio e Hannah soltou um grito que no meu caso eu não sabia se era de felicidade ou de susto. Entramos no condomínio com nossas malas e o gerente disse:
— O número da "casa" de vocês é treze, e a chave também. — Ele entregou a chave na minha mão e nós subimos as escadas.
Haviam corredores brancos com várias casas e o corredor era enorme, havia um grande espaço entre as casas — E finalmente chegamos no nosso apartamento. Hannah deu outro grito e quase dei um tapa na cara dela, ela se jogou no sofá e eu, fui até o meu quarto.
Abri minhas malas e na cômoda ao meu lado direito, botei um porta-retrato com uma foto minha e do papai, era uma boa lembrança.
— Amber! Onde você está? — Hannah perguntou.
— No meu quarto. — Respondi e em segundos, ela apareceu na porta do meu quarto.
— Quer ajuda para arrumar as roupas? — Hannah perguntou com um sorriso largo.
— Não precisa, mas do mesmo jeito, Obrigada Hann. — Agradeci a hospitalidade de minha irmã.
— Ok, bem.. Depois vamos conhecer os vizinhos? — Ela perguntou novamente com o mesmo sorriso.
— Ok, depois. Agora arruma suas roupas antes que eu esteja super cansada e você venha me atormentar. — Eu ri e Hannah foi correndo para o quarto dela.
Hannah é meio branquinha e tem cabelos loiros e longos que vão até metade das costas, tem olhos azuis cristalinos e suas bochechas são rosadas — parecendo que ela está corada. É alta, mais ou menos uns 1,80.
Hannah e minha mãe são as únicas pessoas vivas na minha família — considero elas as coisas mais importantes da minha vida.
Enquanto eu arrumava minhas roupas e botava elas no guarda-roupa, me deparei com meu avental pequeno que eu usava quando eu era pequena e me lembrei dos bons momentos que passei com meu pai.
Botei no guarda-roupa também — Aliás, eu nem lembrava que eu ainda tinha o avental.
[...]
Botei uma blusa roxa de um ombro só e uma calça jeans normal, calcei meu tênis todo sujo e velho que eu chamo de all-star e penteei meus cabelos azuis que eram quase da cor do céu.
Hannah apareceu e nós saímos do nosso apartamento e descemos as escadas, a chave do nosso apartamento estava no bolso da minha calça. Enquanto nós desciamos as escadas, Hannah me perguntou:
— Hey, não vamos conhecer os gatinhos? — Hannah disse, se referindo a os garotos que seriam nossos vizinhos.
— Se você quer ver gatinhos que vá na pet shop. — Falei e a porta de entrada do condomínio se abriu e eu saí junto com Hannah.
— Vaca. — Hannah riu.
Enquanto eu e Hannah andávamos juntas e conversando, acidentalmente esbarrei em um garoto alto — mais alto que eu — com olhos verdes claros e cabelos loiro fraco.
— M-me desculpe.. — Fiquei com vergonha e corei.
— Não tem problema. — Ele disse com um tom calmo e riu.
— Você é de qual lugar de Parksville? — Perguntei.
— Sou vizinho de vocês. — Ele respondeu e os olhinhos de Hannah brilharam.
— Ah, legal. Vocês estão indo ao Parque Central de Parksville? — Ele perguntou e coçou a nuca.
— Não sabemos muito sobre Parksville, chegamos hoje. — Hannah disse enquanto mexia em seus cabelos longos e loiros.
— Se quiserem eu mostro para vocês Parksvi.. — Ele começou a falar mas foi interrompido por Hannah.
— Ah, meu amigo Rafael!! — Hannah disse e foi correndo abraçar seu amigo, deixando eu e o moço que eu não sabia o nome sozinhos.
— Tudo bem. — Respondi. — Começamos por onde?
— Bem, eu sou Joey, mas pode me chamar de Jey. — Ele sorriu e eu corei.
— Eu sou Amber Julie Bennet, mas pode me chamar de Amb. — Falei e tentei sorrir mas minha vergonha é tanta..
— Bem "Amb".. — Ele riu. — Parksville é uma cidade grande e tem mais de duzentos mil habitantes, e então.. você não se importa se eu gastar quatro horas de seu dia? — Ele perguntou.
— Claro que não. — Falei e sorri.
Joey parecia um bom rapaz e a hospitalidade dele era grande, ele era encantador — quase perfeito. Enquanto nós andavamos pelo Centro de Parksville, olhei para a camisa dele — que era toda branca — e vi uns pingos de sangue ali.
— J-Jey, por que tem uns pingos de sangue em sua camisa? — Perguntei, gaguejando e com medo.
— Ah, é que eu fui arrumar o chuveiro de uma amiga minha e quando eu fui pegar a faca para cortar um fio, me cortei sem querer e pingou na minha blusa. — Não acreditei na desculpa esfarrapada mas como ele estava sendo gentil comigo, eu fui gentil com ele.
— Ahnn.. legal.. — Comentei.
Passaram-se as quatro horas e eram 16:00. Voltei para o condomínio com Jey e ele foi para o seu apartamento e eu fui para o meu, Hannah ainda não havia chegado e eu havia me preocupado.
Deixei a porta encostada para Hannah entrar quando chegasse, fui para o meu quarto, deitei-me na cama e fechei meus olhos e adormeci.
Acordei e eu estava no meu apartamento e estava tudo escuro, haviam gritos de dor e pessoas desesperadas pedindo por ajuda, fui ver o que estava acontecendo e vi paredes sujas de sangue e corpos destripados e órgãos pelo corredor, cabeças decepadas e voltei correndo para a sala, acendi a luz e achei Hannah com o braço sangrando pedindo por ajuda, Joey apareceu com uma faca na mão toda ensanguentada junto com sua blusa e saiu correndo atrás de nós, Hannah tentou fugir e levou uma facada nas costas.
— HANN! NÃO! — Gritei e Joey olhou para mim com um olhar psicopata.
Saí correndo pela casa com Joey com seu facão correndo atrás de mim e bati em todas paredes possiveis, chegando na sala novamente caí para trás e fui me arrastando para trás e Joey se agachou na minha frente e falou lentamente:
— Pesadelos não são reais, querida Amber.. Mas eu sou real e sou seu pior pesadelo. Foi bom conhecer você. — Ele disse, levantou sua faca e cravou em meu peito e jorrou sangue para tudo que era lado.
Acordei assustada em minha cama e eram 01:00 — Era apenas um pesadelo e dei um suspiro de alívio. Fui procurar Hannah e não achei, me desesperei e achei ela sentada na sala vendo televisão.
— Onde você estava? — Gritei.
— Passeando com meu amigo. — Ela respondeu.
— Você sabe como eu me preocupei, Hann? — Gritei novamente.
— C-calma Amb. — Ela disse, com a voz tremula.
— Nunca mais faça isso de novo! — Gritei. — Me desculpa Hann, é que depois que perdi o papai me preocupo com todos.. — Abaixei o tom da minha voz e me sentei ao lado de Hannah e ficamos assistindo filme no escuro,
Escutamos um grito de pavor e outro de ajuda, pensamos que era no filme mas não era. — Quando a pessoa parou de falar, metade do condomínio saiu de seu apartamento e foi ver. Eu e Hannah saímos do nosso e no corredor — que estava com as paredes e o chão sujos de sangue — havia uma pessoa com a barriga aberta com os órgãos para fora, me aproximei do corpo e em seus braços estava escrito uma frase, mas dividida em duas partes: No esquerdo estava escrito "I am your" e no direito "Worst Nightmare".
Nós duas voltamos para o nosso condomínio e cinco pessoas da polícia chegaram para examinar o corpo e ver se o autor do crime havia deixado pistas ali.
— Você viu que cruel foi aquilo, Amb? — Hannah perguntou, com lágrimas nos olhos.
— Você acha que alguém desse condomínio é suspeito de ser o autor do crime? — Perguntei, pensando na mancha de sangue da camisa de Joey.
— O que? — Hannah. — Eu não conheço ninguém de aqui então não posso dar palpites sobre quem é o autor.
— Eu acho que Joey é o autor.. — Falei sem pensar duas vezes.
— Amb, você mal conhece ele então você não pode falar dele sem pensar, se você acha que tem algo de suspeito nele pode ser só coincidência. Você gostaria que alguém te acusasse de um crime que você nunca faria? — Hannah me encarou, com seus olhos marejados.
— Não.. — Respondi pensando em duas coisas.
— Então não pense isso sobre ele. — Ela disse, por fim.
— Você tem razão. — Hannah realmente tinha razão, era só coincidência.
Eu só conheço Joey há 1 dia, então não posso suspeitar dele.
— Vou dormir. — Hannah disse. — Boa noite, Amb. — Ela se dirigiu ao seu quarto e foi dormir. Me deitei no sofá e esqueci da televisão lugada.
"I am your worst nightmare"? Que estranho isso.. Mas Hann tinha razão, eu não podia suspeitar de Joey já.
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