Blood
3 I don't care.
Notas iniciais
Onze de Abril de dois mil e seis.
Fui acordada pelo volume da televisão. Nem me dei o trabalho de ver o que estava passando e desliguei a televisão. Oh fuck, perdi o sono. Me levantei e fui ao banheiro e fiz meu higiene matinal, me despi e fui tomar banho. Logo depois, quando fui desligar o chuveiro acidentalmente cortei o pulso em um pedaço pontudo da parede.
— Droga. — Falei enquanto pegava a toalha para secar o sangue.
Coisas estranhas estão acontecendo desde quando eu me mudei para Parksville com Hannah. Após me secar inteira, fui até o meu quarto e troquei de roupa. Eram 06:00 — Droga, não dormi nada.
Fui para a cozinha e senti alguém batendo na porta, abri a porta e não tinha ninguém. Me virei e encontrei Joey ali, quase morri com o susto.
— O que você está.. você me assustou. — Suspirei.
— Desculpe. — Ele riu.
— Qual é a graça? — Arqueei a sobrancelha.
— Nada não. — Ele sorriu. — Bem, você está ciente de que há um assassino há solta pela cidade, correto?
— Sim. — Não.
— E está ciente de que eu sei que você acha que eu sou este assassino? — Como ele sabe disso?
— Incrível. — Muito.
— O que foi?
— Como você sabe disso? — Perguntei sériamente.
— Eu sei de muitas coisas sobre você. — Ele disse como se me conhecesse há anos.
— Prove.
— Noite passada você sonhou que eu havia matado Hannah e depois, você.
— Ok, isso já é o bastante.
— Acredita em mim?
— Sim. — Admiti.
— Era só isso. — Ele disse. — See you soon.
— Ok. — Gelei, não sei por quê.
Liguei o rádio e estava tocando Dust in The Wind.
— Ah e Amber, seu pulso está sangrando. — Joey disse antes de sair.
Olhei para o meu pulso e ele estava sangrando novamente. Mas como isso é possível se ele havia de sangrar antes?. Olhei para o rádio e estava tocando If You Want Blood.
— Isso é um sinal. — Hannah apareceu no corredor, com uma cara de sono.
— Sério? — Perguntei.
— Uhum. Sangue, assassinos... Tudo a ver. — Hannah riu.
Liguei meu notebook e decidi procurar a tradução da música If You Want Blood.
Ele é um criminoso
Ele é obrigado a ter uma lei
Criminosa
É obrigado a ter mais um monte
Você não consegue as coisas de graça
Diga-me em quem você pode confiar
Nós temos o que você quer
E você tem o desejo
Se você quer sangue, você terá
Se você quer sangue, você terá
Sangue nas ruas
Sangue nas pedras
Sangue na sarjeta
Até a última gota
Você quer sangue, você terá
Achei tudo isso meio estranho mas o que Hannah disse fazia sentido. — Ridículo, Hannah. — Encarei Hannah. — Quando mais pessoas morrerem você vai ver que vai fazer sentido. — Você não sabe o que fala. — Muito que você sabe, Bennet. — Hannah, a música não fez sentido. — Espera outra pessoa ser morta pra você ver o que não faz sentido. — Hannah mostrou a língua.— Hannah para de ser infantil. — Ah, qual é? Eu tenho vinte e dois an.. — Hannah começou a falar mas logo nós duas escutamos gritos de dor vindos do corredor. Eu e Hannah estávamos com medo, fomos lentamente até a porta e abrimos. Vimos uma mulher toda esquartejada — Recém morta — Toda ensganguentada. Decidi encostar nela e o braço dela se mexeu. — AAAAAAAAH! — Hannah gritou, fazendo metade dos nossos vizinhos saírem para verem o que estava acontecendo. — Parabéns Hannah. — Falei com sarcasmo. — Ai, mas o que você queria? A pessoa aí, recém morta e você decide encostar nela e ela se mexe. — Hannah começou a tremer de medo. — Espera.. — Comecei a raciocinar. — You want blood, you got it.. Blood.. — Faz sentido. — Hannah, volta pra casa. — Por que? — Hannah perguntou. — Vai comigo no centro então. — Sugeri. — Tá, eu vou. Mas você me conta por quê você está assim. — Hannah disse. — Vamos logo. — Falei, puxando Hannah. [...] — Então você está dizendo que está sugerindo que a gente mude de condomínio? — Sim. — Falei enquanto sentia o vento bagunçar meus cabelos. — Você está com medo, é isso. — Hannah, duas pessoas aparecerem mortas de um dia pra outro é o que pra você? — Perguntei. — Muita coincidência. — Hannah, francamente. — Revirei os olhos. — E se as próximas forem nós? — Como assim? — Hannah perguntou. — O assassino mata uma pessoa por dia. Hoje foi uma, amanhã pode ser você, depois eu, — Amber, você está paranóica. Estamos aqui há dois dias e esses assassinatos são pura coincidência. Não sei por quê. Mas enfim a polícia vai cuidar disso e logo depois, viveremos normalmente até a mamãe vir nos buscar. — Você tem razão. — Pensei pelo lado de Hannah. — Você precisa relaxar. — Nesse mesmo momento, Joey apareceu atrás de mim. — Oi Joey. — Falei sem olhar para trás. — Como você sabia que era eu? — Joey perguntou. — Senti. — Mordi o lábio. — Haha, tudo bem. — Ele riu. — Poxa, depois desse assassinato brutal vocês ainda tem coragem de sair na rua? — Sim. Por que? — Respondi. — Não tem medo de ser morta? — Não. — Eu ri. — O assassino não teria coragem de matar de dia. — Você se importaria se fosse morta? — Eu não me importaria. — Mordi o lábio. — Desculpa, eu.. só quero saber se você quer sair comigo hoje á noite. — Tudo bem. Eu quero.
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