Blood
1 Sedenta
Sentia o cheiro do medo ali. Não era o melhor, mas era muito bom. O medo preocupante se espalhava suavemente, mas, provavelmente ninguém o sentia e eu gostava disso. O suave e empoeirado cheiro de cada madeira da sala de aula, do orvalho que ainda restava da madrugada lá fora, de cada perfume diferenciado (ou não, o que me enojava de pelo menos três dos alunos ali) também não eram sentidos por outros de forma tão específica, mas não eram meus preferidos. O ‘cheiro dos sentimentos’ era algo que poderia dizer enlouquecedor e o que me excitava de forma extraordinária era o medo, sim, o medo.
O terror sentido antes de suas ultimas gotas de sangue me dá prazer. Não dá para explicar o quão forte ele desce pela minha garganta e o quanto aquelas borboletas do estomago (no meu caso poderia dizer morcegos no estomago) pulam de alegria quando um sangue vem assim, na verdade, nunca tinha experimentado nada igual e de maior satisfação até hoje. Estava começando a salivar e meu veneno começara a pulsar mais forte. Logo mudei meu foco contra os meus instintos.
Estava em uma sala de aula de fato, normal. Carteiras de plástico amarelas separadas como as conhecidas de toda escola, o que tirava sempre aquele meu sonho de mesas americanas, com carteiras duplas e de madeira. Também não havia grandes mapas de geografia espalhados pela sala, a não ser desenhos feitos pelos ‘garotos-idiotas-do-time-de-futebol’. Grandes cortinas fechavam a entrada de luz na janela, o que sempre me aliviava, mesmo que não precisasse me incomodar, pois sentava em um canto escuro. Eu não gostava da luz, ela me dava uma falsa idéia de muita.. alegria? É, alegria, amor, paz. Isso não existe.
As únicas comparações (boas ou ruins, eu não sei) com toda essa ilusão de filmes e colégios americanos eram o enorme ginásio onde, além dos times de futebol e suas lideres vacas de torcida se localizavam a maior parte do tempo, havia bailes e mais bailes bem parecidos com os que se vêem em filmes mesmo, mas não se engane, nunca houve até hoje alguém que entrasse cantando e se apaixonando por uma Nerd. E se acontecer, não vai ser comigo. Isso aqui não é o High School Musical, isto é o inferno onde eu estudo.
Enquanto me perdia em pensamentos, os olhos azuis oceanos de MarryaneOkla se voltaram para mim, e eu pude perceber mesmo de estando cabeça baixa. Marry tinha, como qualquer humano, aquele toque agradável e saboroso chamado sangue, mesmo assim, o liquido vermelho que fluía devagar como os batimentos cardíacos não era tão atraente. A calma e a inocência da pequena garota a transformavam o que devia ser delicioso em algo assustadoramente sem gosto. Mas eu gostava de Marry, e essa paz interior era o que me fazia aproximar dela sem ter uma segunda intenção o que justificava quase nenhum medo em cima de mim, o que era bom, muito bom.
Assim como Marry, Helena Pomba(mesmo que esta gostasse que a chamasse pelo segundo sobrenome incrivelmente estranho e estrangeiro Wingth) fixava seus olhos ardentes em mim também. O cheiro da vagabunda era incrivelmente saboroso, mesmo sendo um sangue feminino (o que explicava também não gostar tanto do sangue de Marry e o ‘incrivelmente saboroso’). Existia uma ótima explicação para isso, e eu sabia muito bem qual era, o ódio que se passava em suas veias se direcionando para mim, sempre. Os dois olhos fixos expressavam o mesmo pensamento de sempre e mostravam o quão vácuo era o cérebro daquela garota 'porque ela só dorme em aula?' e também mostrava a obsessão por um outro garoto em sala de aula, me comparando e pensando em seus planos para conquistá-lo, mesmo que, qualquer plano escondido dentro de sete chaves em sua mente opaca ele conseguiria saber, e fugir, escapar e as vezes, humilhar com os próprios pensamentos que Helena mesmo já começava a fluir. Este garoto estava ‘escondido’ em outro lado da sala de aula, na sombra, assim como eu, de cabeça baixa fingindo dormir.
O cabelo ondulado negro entre os braços escondiam Scott. Eu podia sentir sua presença quase como a de qualquer um ali, mas uma presença bem mais forte e mais marcante (se não dizer, mais atraente). Mas não existia pensamento algum, como uma mente fria. Era como se ele só um corpo morto estivesse ali e de alguma forma, fingisse respirar e levantar a cabeça as vezes. Eu já havia o comparado com um Zumbie, mas o pouco que vi em filmes, estes mortos-vivos pensavam de alguma forma, nem que em sua mente estivesse somente algumas poucas palavras e o que eu conseguiria rastrear fosse ‘cérebro, cérebro’ o que seria imensamente estranho. Zumbies não existem. Se bem que eu não poderia mais ficar duvidando do que existe ou não, já tenho grandes provas disto.
Helena continuava me julgando por dormir e não ter presença em sala de aula e ainda assim levar sempre umas das maiores notas, o que me deixava muito puta da vida. Em vez de ficar me julgando, deveria agradecer por este meu déficit de atenção na aula de história que se passava (assim como em qualquer outra, mas não é o caso) o que me tirava a atenção querer matá-la. Quem sabe ela poderia estar implorando pela vida aos meus pés? quem sabe, não é má idéia.. Pensei muito bem na cena de como seria engraçado ela implorando pelas ultimas gotas de sangue em seu corpo, pela sua vida medíocre e sua bondade externa(que bondade ela tinha, afinal?). Esta mentalização de sangue fez novamente os morcegos pularem em meu estomago e então minha busca ofuscante pelo desejo continuava pela sala.
Tentei me focar longe de todo o medo e meu desejo sádico pelo sangue de cada aluno que estava ali, além do professor. Não era só este terror que existia, algumas pessoas, as mais fortes, não sentiam o ‘medo’ e aquela sensação de que algo ruim está para acontecer e mesmo assim se sentiam atraídos a ficar ali, outra sensação bem provocante era aquela aquietação, uma atenção deixando que as pupilas aumentem seu tamanho, seu coração bata mais rápido e seu coração salte com mais freqüência. Adultos se sentiam incomodados e esta era uma brisa que eu podia sentir agora, e mesmo assim, este pensamento se focava mais e mais em mim .Eu não podia controlar, era minha presença que fazia isso. Não importava o tempo que me conhecessem o tanto que soubessem a mais ou até a menos de mim, eu sempre me tornava uma sombra nas mentes. Sempre foi e sempre vai ser assim. Sou a pessoa que menos quer conhecer, mas a que mais deseja tocar. Meus olhos convidam a chegar perto, minha voz atrai como perfume, minha mente chama sem querer a olhar e a desejar mais e mais mas mesmo assim, somente minha presença incomoda. Quando estou próximo a uma pessoa, o coração acelera rapidamente fazendo o sangue fluir com a adrenalina, a respiração fica em alerta com grandes pulmões cheios, sua mente fica aberta, em atenção, gato esperando atacar. ‘Scarlet, pare!’ me alertei mentalmente ates que não conseguisse mais me controlar.
Assim como os alunos, o professor se sentia incomodado. Não era somente minha presença que o fazia se inquietar, mesmo que isso ajudasse e muito para toda a aquietação em sua mente e a adrenalina do seu sangue, mas a idéia de que eu sempre estava adormecida em sua aula. Eu não podia culpá-lo, já era de grande pavor para ele sempre entrar em sala de aula e ter que ser o ‘centro da atenção’ e não conseguir isso. Em sua mente, se passava idéias audaciosas de me fazer uma pergunta ou me mandar explicar a matéria, tentando se impor como professor.
Meu censor ficou em alerta, talvez porque eu não pudesse responder sua pergunta. O caso não era de não saber a resposta, a verdade era que eu sabia e muito mais do que a maioria dos alunos ali e poderia dar uma aula no lugar dele sim, mas meus instintos estavam chamando e clamando por alimento, não podia abrir a boca ali. Normalmente eu podia controlar a sede de sangue, mas hoje não era um bom dia para tentar (leia bem, quando digo tentar, não significa que vou conseguir) e acabar atacando alguém (Le-se Helena) e me satisfazer com muita alegria.
O professor ainda estava com aquele idéia de chamar minha atenção e antes que ele pudesse me chamar com sua suposta idéia de me perguntar sobre Revolução francesa, fixei meus pensamentos no dele, não só li, quero dizer, mas fixei, juntei minha mente a dele, isso iria acabar com o resto de energia que eu tinha, mas era a única coisa que podia fazer aquela hora.
A mente de um professor era mais, bem mais complexa de qualquer outro aluno que eu tenha mexido com a cabeça. Não digo a mente de adultos, cada uma tinha a sua, se bem que os de professores eram tão cheios de informação que eu precisaria de um armário para Nárnia para guardar tantos pensamentos ali. Os pensamentos sobre revolução, sobre história. Sobre a morte de sua esposa. Era tão bagunçado o lado adulto (não professor) de sua mente. Logo que achei seus pensamentos sobre mim, não era muito diferente, do que eu imaginava e já sabia. Focos de palavras como inteligente, dormir, garota, atraente e medo se misturavam em palavras de forma que frases como ‘esta menina é inteligente e só dorme em sala de aula, como é possível?’ eram criadas de forma rápida e guardadas no tumulo do cérebro. Sabe aquela sensação de que algo já se passou pela sua mente, alguém que você já viu, alguma frase que já ouviu? Então, é este tumulo.
Comecei a entrar na mente mais fundo do professor, se juntando aos seus pensamentos. Coloquei várias imagens irreais, formas abstratas tirando o foco de mim em uma confusão na mente, as palavras que deveriam ser referidas a mim foram. Sumindo e aos poucos pude focar-lo em algo que aparentemente estava acima de mim na janela, mesmo que a mosca que eu havia colocado ali não existisse, ele podia jurar que tinha visto por um momento e ela tivesse sumido. A confusão mental dele era obvia. Ele olhava para os alunos sem expressão nenhuma e depois se virou a apresentação de slides que fazia e continuou a aula. O sentimento geral de confusão, o gasto de energia que tive que fazer despertou ainda mais minha fome sedenta.
Continuava a procurar sentimentos no piloto automático, mas, o que me chamou atenção não foi sentimento algum. Talvez uma leve curiosidade brotando de um coração. Um coração que não bate e não tem curiosidade. Scott se virou para mim, aquela sensação sem sentimentos, sem emoções se tornaram ao meu redor. Senti meu veneno pulsar rápido e se esquecer por algum momento a falta de sangue em meu corpo e o quanto eu precisava se alimentar. Eu sentia isso, somente não via. Eu precisava ver. Levantei minha cabeça e olhei para os olhos vidrados e ameaçadores de Scott pra mim. Aqueles olhos negros escondiam sua verdadeira face, sua verdadeira aparência. Era como se uma lente pudesse mudar tudo.
Rosnei para ele de forma sutil, sem que ninguém percebesse. Meus dentes pontudos não apareciam, mas ele sabia muito bem o que eu queria dizer, eu não o queria por perto. Os olhos do garoto se voltaram ao lápis que estava em seus dedos como se não ligasse, mas o sorriso que brotou em seu rosto mostrava o quanto ele se divertia com isso, eu revirei os olhos. Assim como eu, ele deitou novamente a cabeça na carteira.
Os cheiros na sala cresciam como melodias loucas e perdidas em minhas narinas. Eu não podia falar sem que esse meu instinto não se mostrasse e me fizesse pensar cada vez mais atacar alguém principalmente se esse alguém fosse a garota a duas carteiras a minha frente, Helena, e neste momento preferi não respirar, ou preferi que não existisse ninguém ali dentro para matá-la. Entendo que não deveria dar importância a uma qualquer, mas aqueles pensamentos sobre mim estavam começando a me irritar profundamente.
Minha garganta gritava silenciosamente em minha mente, dando vida a dor que meus venenos sentiam e o desejo insano de misturá-los a algo incrivelmente terrível. Tentei despistar os sentimentos da sala junto ao cheiro sangue de minha mente mas era algo que estava se tornando meramente impossível. Então tentei desfocar minha mente para a sedenta fome e sede de sangue para algo que me deixasse um pouco mais calma, ou um pouco só longe da vontade de atacar alguém. Me foquei em Scott.
Não havia nenhuma sensação nele, nenhum pensamento, nenhuma idéia do que ele queria ou deixaria de querer ali. Não havia cheiro de sangue com medo, amor, decepção ou raiva. Não havia nada. Mas a mistura venenosa e melódica em seu sangue, mesmo um sangue morto, me fazer querer-lo, deixá-lo fluir em mim. Eu conseguia sentir a presença dele ali na sala, era algo que me atraia e muito. E era esta atração que mais me fazia odia-lo. Assim como eu pensava nele, ele pensava em mim, isto, eu tinha certeza absoluta . E ele sabia que estava sentindo seu fluir, seus pensamentos focados em mim, mesmo que eu não soubesse o que se passava em sua mente, eu sabia que o tema principal se chamava Scarlett. E como eu, ele sentia minha presença nele. Ele sentia o cheiro e ouvia todos os pensamentos, mas eu não sabia se , assim como eu, ele estava tão sedento de sangue hoje, isso mesmo, somente hoje.
Da mesma forma que eu sentia esse cheiro, ouvia os pensamentos, todos quero dizer, com exceção de Scott, claro, meus ouvidos trabalhavam de forma aguçada. Meu enfoque não estava mais nas folhas de figueira que balançavam ao vendo, soando como sinos. E também não ligavam mais para os ratos que passavam em cima do porão no quinto andar do colégio, e muito menos no ranger de portas que vinham da sala vazia ao lado. Meus ouvidos se voltaram para a conversa de Helena com sua tropa de garotas cor de rosa. Enquanto me focava no que a cachorra Pink falava, os sons que eram tão altos quanto estivessem a menos de meio metro de distancia de mim se tornaram como se estivessem a pelo menos quinhentos metros, mas mesmo assim, eles podiam ser ouvidos.
Pelo tom de sua voz, Helena mexia em seu cabelo loiro e lisos criando sempre sua sensação de Diva, coisa que definitivamente ela não era. Se bem que todos naquele ao redor, com a minoria (e quem me diga, minoria mesmo) que a odiavam tanto quanto eu. Da sua tropa de garotas de pompom, Estava a Eliza Müer , uma mestiça de índia, mesmo que não parecesse. Seus olhos eram castanhos claros e se destacavam com seu cabelo ruivos, a única característica indígena nela, era aquele conhecido olho meio puxado. Mas a criatura se achava sempre com uma brinco de penas. A outra garota era uma mulata muito bonita, na verdade, as três garotas eram;Mas Samanta Fernandes, mais conhecida como Sam, era a mais bonita delas, mesmo que Helena a rebaixasse demais.
- Ele é perfeito, só misterioso — Helena sorriu apontando diretamente para Scott, eu não precisava saber que ela estava fazendo aquela sua cara de vagabunda em balada.
- e é todo seu — Sam falou, mas sorriu pouco, eu sabia que estava mentindo, não era bem este pensamento o dela -todos sabem como ele olha para você- .
- é como ele quisesse te comer! — falou com a voz meio arrepiada, supus que seu corpo também deveria estar assim “como se fosse você a escolhida dele” Eu pensei rindo ‘escolhida para sobremesa Né?’ Mas não quis me intrometer.
- eu sei — e eu já podia pressentir o bico metido na cara estragada de Helena — eu que mando aqui — e esta fala, eu não precisava ter ouvido.
As vezes, eu sentia dó destas duas garotas. Sam era quase uma escrava de Helena, não que a Eliza fosse menos, mas Sam não gostava, e sinceramente, eu não conseguia saber o porquê, o que quer que fosse, a mulata bonita evitava até pensar. Eliza já era fácil pensar o porquê de seguir tanto a garota vaca-de-pompom, era simplesmente para ter tanta fama quanto a qual, e isso me enojava tanto uma quanto a outra, na verdade, a falsidade de uma e a estupidez de outra se mereciam. E as vezes, achava que Scott também merecia esse amor que Helena tem por ele, um amor quase doentil.
Não, amar não é uma doença, mas neste caso, ele tem explicação. E essa paixão louca e irritante de Helena por Scott se fazia da mesma explicação da raiva de Helena por mim. Os sentimentos podiam ser totalmente diferentes, ódio e amor, mas se fazia da mesma bruxaria(não, eu não sou uma bruxa, por favor Né!). Era isso que eu e ele éramos, era isso que eles não são, e é isso que vai continuar sendo, para sempre, e sempre mesmo.
Scott olhava Helena pelo mesmo motivo que eu, podia sentir a fome dele aumentando também, eu não era a única ameaça ali e me senti um pouco aliviada de saber que todo aquele caos mental não acontecer só comigo. Mas, Helena era um caso a parte. O sangue dela deveria ser bem mais atrativo para Scott, por ela ser uma garota, só que neste momento, ele era bem mais atrativo para mim.
O sangue de Helena fluía da mesma forma, e do mesmo jeito, tanto para mim, quanto para Scott, mas o cheiro do liquido era bem diferente para nós. Para Scott, o sangue teria um cheiro mais suave, porque o que Helena sente por ele é uma paixão, amor, mas para mim, era como milhares e milhares de taças de vinho, eu sentia o ódio fluir ali, e mesmo que fosse um sangue feminino, ele me atraia mais e mais. Esta é uma das razões por atacar pessoas que não conhecemos. Ou nossos piores inimigos. Mas, acho que não atacaria um amigo.
Sentia os músculos de a minha ires descontraírem, dilatando minha pupila em baixo de minhas lentes negras que me protegiam do sol, além de não mostrar meu olhar verdadeiro. Uma pupila fina risca em vertical, criando um aspecto caçador, e com razão. Minha visão se tornava periférica, não havia detalhes que escapassem de minha vista, desde um movimento em falso até a cor de um detalhe de uma minúscula mancha de sangue na borda da camisa.
Assim que senti meu olho aumentou, senti um arrepio na Nuca, não poderia permanecer ali mais nenhum minuto. A fome estava ficando mais e mais sedenta e cada vez pior, eu poderia atacar a qualquer momento, na melhor das hipóteses, eu só estaria com meus caninos a mostra, o que me fez passar a língua entre os dentes para perceber que ainda estava com um Sorriso humano. Scott que ainda estava olhando para mim (o que me faz perguntar o que tanto ele olha) riu e se voltou novamente a desenhar na carteira.
Enquanto respirava fundo, tentando me concentrar até no cheiro de estrume que vinha da fazenda ao lado, o que era por sinal uma coisa totalmente fedorenta e que enjoava um pouco, o sino do intervalo tocou. Não estava totalmente animada pelo fato de ser o sino do intervalo e não da saída, mas alivio em meu canino foi tão grande que poderia sorrir sem ao menos pensar em sangue.
Um sorriso mais que maligno brotou em meu rosto. Coloquei-me de pé lentamente saindo da cadeira para mim, ou rapidamente a qualquer um que olhasse, sorri mais ainda atrevida quando lembrei que podia ter sumido dali rápido, sorriso que se desfez em meu rosto lembrando que eu nunca poderia fazer isso sem que perdesse o mísero numero de amigos que tenho, amigo ou colegas, não sei.
Marry olhou para mim e riu 'Simplesmente essa é a menina mais estranha que conheci' ela pensou sozinha. Eu entendia, sério, não a culpava por me xingar em pensamento, alias, seu tom não foi em deboche, e sim uma nota, da mesma forma que você deve falar que sua melhor amiga é totalmente maluca, e além disso, eu não agia como uma pessoa normal, principalmente sedenta por sangue.
Coraline Stevan também me encarou, mas curiosamente. Eu há conhecia a quase um ano, e ela havia se acostumado com minhas ações, mas me ver arrumando as malas despertou um sentimento curioso, muito curioso. ‘nota: parar de agir feito um monstro, é’ ri com meus próprios pensamentos.
- Scar — Cora me chamou com sua voz fofa. E que por sinal, não era nada parecida com ela, Coraline era uma garota totalmente pirada, dizendo isso em elogio, claro “é Sinal de lanche, comida, rango” e imitou alguém comendo hambúrguer “E não o sinal de cai fora, fui. acabou amém” falou rindo.
- Eu sei — minha voz saiu como se soassem sinos, meu instintos estavam voltando, tentando atrair minha melhor amiga para a emboscada, eu sorri quase que instintivamente. Eu precisava ir.
- Você vai aonde -Coraline falou rapidamente depois de minha resposta e percebi que seu tom de voz mudou. Cora começava a se incomodar com o meu mistério, e o seu sangue se tornava cada vez mais atraente para mim. Estava despertando minha fome. “ Em senhorita Scarlet?” e seu tom se transformou ao de mesmo novamente. Ela era incrivelmente uma garota forte.
- Já volto - olhei ameaçadoramente para ela tentando disfarçar a vontade e sede que poderia atrai-la e sai pela porta com minha mala e sem olhar para trás.
Notas finais
' Uma sensação diferente se tornou em mim, era em fração de segundos, mas eu sabia, ele estava se aproximando e eu sentia o prazer em minhas narinas. Rapidamente a mão dele encostou em meu ombro e me virou com força brutal a um humano, e com a maior leveza de um cavalheiro a mim.
Aonde pensas que vai Senhorita Scarlet? '
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