Ao sair pela porta madeira maciça, via que o sol radiava entre as árvores fracamente, aquele aspecto de pequenos focos de luz se espalhando no húmus que eu amava tanto antigamente e agora não fazia mais sentido para mim, aliás, eu odiava a queimação solar. As folhas balançavam ao vento, fracos, com uma suave brisa, mas o pouco de sensação térmica que ele poderia tirar, já era o suficiente para as manchas de sangue em minha pele não aparecerem com a radiação forte .Meu maior motivo que dispensava o ‘lindo’ do sol entre as folhagens era a ardência que me dava ao passar entre eles, insuportável, mais do que uma cólica qualquer. Era como se eu entrasse em um forno em brases e me deitasse neles. A putrefação que ocorria em meu corpo simplesmente se ativava com o sol.


Mal a lente conseguia manter-me escondida da luz, ainda sentia a luz solar em minhas entranhas, putrefando meus órgãos internos, me deixando cada vez mais próxima de minha verdadeira aparência: morta. Coloquei meu óculos de sol. O que me fazia me sentir mal na luz, não era exatamente a ardência em si sozinha, mas a queimação que o sol dava ao meus olhos era insuportavel. Cada raio ultra-violeta atravessava minha retina queimando aos poucos me cegando. Houvia histórias de vários como eu estavam cegos e em coma, criado por algum servo inútil e burro, que doava seu sangue a ele. Não era essa vida que eu queria para mim, ao menos se eu pudesse morrer...


Dei um sorriso alongado quando entrei na primeira sombra de arvore da floresta escura, já não me tornava cega, e nem com a aparência de um defunto de anos. A mata selvagem o lugar mais temido pelas mães, pais, e professores, todos proibiam seus filhos de entrar nela, com medo de que não voltassem mais. Era como se eu estivesse na história da chapéuzinho onde, eu sou o lobo mal. Mas a verdade eram os boatos que corriam entre as pessoas. A Floresta de Raven era o local onde haviam boatos de estupradores e pedófilos na região. A Aparência não ajudava em nada. O grande número de árvores altas criavam grandes sombras, trazendo a escuridão logo de manhã As grandes copas se misturavam com as pequenas, e sua localidade disforme não continha trilhas. Não dava para entrar naquele lugar sem conhece-lo muito bem. Esse era mais um dos motivos de desespero das mães, os filhos se perderem no meio do mato.


Uma sensação diferente se tornou em mim, o arrepio rotineiro, a vontade aguçada que me dava o prazer externo, o gosto, o cheiro. Era em fração de segundos tudo o que podia sentir, mas eu sabia, ele estava se aproximando e eu sentia o prazer em minhas narinas quando se aproximou a velocidade da luz. Rapidamente a mão dele encostou em meu ombro e me virou com força brutal a um humano, e com a maior leveza de um cavalheiro a mim, sua força anormal era igualada a minha.


- Aonde pensas que vai Senhorita Scarlet? — Sussurrou quase em meu onvido, arrepiando minha nuca. Sua voz soava como um anjo, ele era um total galanteador, mas mesmo assim, eu me desequilibrava em seu poder sedutor, eu já o conhecia, e conhecia também seus truques de conquista.


Minha reação foi a de sempre, estupidamente olhei em seus olhos, demonstrando a raiva de anos, a vontade que tinha de mata-lo, e de quere-lo em meu subconciênte. Seu sorriso brotou de forma astuta, então me soltei de suas mãos que causavam impressões e sentimentos que eu não deveria ter, já que ele parecera perceber o mesmo que existe em mim, e muito menos gostaria de ter. Seu toque me dava choques de adrenalina, sensações de prazer múltiplas


- A sensação é boa né? — disse como se lesse minha mente, por mais que eu soubesse, ele não pode fazer isso. Ele continuou dizendo com o mesmo sorriso que estava estampado a pouco tempo atrás, — nossas peles, nossos contatos. Você sabe.


- Scott, não me enche, não estou de papo com você hoje — Era assim, ele me irritava, não gostava de ficar perto, mesmo com anos de insistência, e nem que se passasse a eternidade eu iria quere-lo perto de mim, repensei o que disse em instantes e terminei — nem nunca! — O nunca saiu como um grito desesperado. Eu nunca iria quere-lo, mesmo que esta sensação fosse a mais perto de uma humana que eu teria. Minha antiga vida.

Ele não foi embora. Não era tão fácil assim deixa-lo para trás. O garoto riu com desdém como se eu somente tivesse feito uma pirraça boba como uma criança que quer doce ou chocolate no mercado e sua mãe se recusou a dar.


— Aondes vai dama? — Insistiu. A verdade era que ele nunca desistia, nunca. Entrei no jogo dele e dei meu sorriso.


- Caçar — falei com uma voz claramente sedutora a ele e corri para a floresta, atrapalhar uma caça não era uma boa escolha, então ele me deixou partir sem dizer nada.


Corria entre a escuridão até que eu pudesse tirar meu óculos, as copas das árvores me deixavam o local como se não houvesse sol, como se já tardasse. A Luz não me atrapalhava, mas me sentia incomodada a cada segundo que passava com ele perto de meu rosto. Era como algo que não deveria estar ali. Parei-me encostando em um tronco de uma enorme arvore que se destacava entre as demais. Era grande, velha, era perfeita. O Cheiro de pinho velho me acalmava um pouco, não podia entrar como um monstro selvagem aonde eu fosse, mesmo que a melhor definição para mim fosse esta: monstro. A árvore Tinha todo um aspecto Gótico que me desejava a ver e admirar, suas estrias deixavam marcas que me lembrava magia negra antiga. Não era uma boa imaginação, mas minha vida estava ligada a isto. Escalei na velocidade de um tigre, com toda a leveza feminina e toda a ferocidade que eu podia sentir. Era novamente meu instinto alertando. Eu precisava caçar, precisava me alimentar. Criei uma boa sensação em minha mente quando senti aquele cheiro de sangue, o cheiro férrico era mais vivido em mim, coisa que eu não suportava quando humana. Gosto de sangue. Uma mistura harmônica de sangue e maldade, uma mistura saborosa. Fechei os olhos e localizei o cheiro. A vitima era um homem, alto, forte. Ninguém sabe, mas sangue humano para mim é como xixi de cachorro. Eu descobria sua identidade, quem você era e o que estava sentindo. Abri meus olhos para foca-lo. Estava a mais ou menos quinhentos metros de distancia de mim, e não era uma boa pessoa. a maldade estava em sua mente, seu sangue. Fui atrás dele. Ele estava parado, olhando. então corri em direção a arvore mais próxima. Seus olhos não podiam me ver, seus ouvidos não podiam me ouvir, mas a sensação de algo chegando entrava nele. Sorri astuciosamente. Era hora de brincar


Sai em meio as árvores com a expressão infantil de uma criança de doze anos, minha aparência era infantil quando eu queria. Meus olhos brilhavam com mais intencidade, meu olhar se baixava como se fosse me recusar a aprender mesmo que minha verdadeira idade eram somente os dezessete anos. Meu tamanho ajudara a convencer o homem da minha inocência. O Humano aparentava ser normal, tirando a pequena gota de sangue que ficava em seu tênis. Ao me ver, abriu um sorriso safado. Eu sabia o que ele queria, sabia o que ele era. Sabia quem ele era. Mas o homem não sabia o que eu queria, teria e faria. Não sabia que agora seria seus ultimos segundos de vida.


- Nossa, garotinha, você me parece perdida por aqui — começou o jogo rapidamente. Seus hormônios não podiam esperar

- sim, eu sai sem querer da floresta — minha voz soava inocente .

- Quer ajuda? — Acenei que sim com a cabeça como se fosse o tipo de epécie humana mais retardada. Ele sorriu maliciosamente e se aproximou de mim.


O homem era forte. E eu me passei por inocente. Não senti cheiro alcoólico nele, estava sóbrio. Era somente uma encenação de minha parte, mas se fosse qualquer outra criança, ela provavelmente estaria em apuros. Era o que eu esperava do homem, ele segurou minhas mãos violentamente colocando-as atrás de mim. Eu poderia tira-las ali da forma que quisesse, mas meu instinto estava se divertindo, brincando com a presa. Quanto mais sabor o sangue, melhor. Da mesma forma, a reação humana foi animalizada. O homem começou a arrancar minha camisa em rapidez, e eu somente fiz jogo de desesperada.

- Para uma criancinha, seu corpo é uma delícia — riu lambendo os lábios — tentava me debater enquanto ele dizia — vem aqui gostosa, vamos brincar na floresta, que tal?'


Logo, em seguida me jogou no chão. se colocando por cima de mim. Eu sentia seu corpo quente, roçando em meus seios nojentamente. Este cara era repugnante. Ele terminou de arrancar minha camisa, jogando-a para o alto, desabotoada e rasgada ao meu lado. Suas mãos desceram ao meu sutiã, eu já estava cheia de encenar e suspirei, dando um sorrisinho . Foi quando terminei de brincar. Sorri Maliciosamente e subi por cima dele. O Homem arregalou os olhos me temendo.


- Você me parece perdido por aqui — disse suavemente e mordi meus lábios inclinando a cabeça levemente.


Rapidamente meus caninos apareceram, juntamente com o sorriso. O homem estava em estado de choque e não conseguia falar. Era uma pena, adorava as perguntas clichês do que eu era. Humanos.. tão sem criatividade... o Homem se poupou de gritos e então mordi o pescoço dele.O sangue começou a subir.O prazer em minha boca, o sangue alimentado, o cheiro do medo que subia no homem. Aquilo me aprazerava mais do que qualquer sensação. O Sangue pesava forte em mim, me dava forças e vigor. Como uma clareira quente em inverno. A cada sangue que subia, o homem parava de se debater, se sentia vencido, mas relutava contra o medo, o medo que me deixava feliz, a sensação de vitória a caça. Ele já estava desacordado eternamente quando me saciei. Deixei que meu veneno cicatrizasse seu pescoço com uma leve lambida de forma que as marcas não fossem vistas. O Homem estava morto. Lambi meus lábios suavemente, saciando um pouco do sangue que sobrara. Sorri. Me levantei e comecei a andar. Deixei o corpo do Homem ali, quando o achassem, ele já teria sido atacado pelos lobos, ou por por leões se ele tiver sorte. Pequei minha camisa aberta no chão e comecei a abotoa-la novamente em meu corpo. Antes que eu estivesse no segundo botão, suspirei. Eu havia sentido a presença dele. sabia que estava ali. Tentei fingir que não sabia, mas ele desceu da arvore e parou atrás de mim.


— Para uma menininha, você conseguia seduzi-lo muito bem, Donzela.

Respirei fundo. Não era algo naturalmente bom para mim respirar fundo, principalmente com o perfume venenoso de Scott, mas como uma mania humana de tentar me acalmar eu o fiz. Mentalmente, contava o tempo em vento. Mentalmente, contava a respiração. Scott somente olhava para mim por trás. Eu não queria contato com ele. Não queria conversar, olhar ou trocar ideia. Scott era repugnante para mim. Mas ele somente queria se divertir. Se divertir comigo e eu sabia disso, mesmo que parecesse que não.


- É pura falta de educação não responder a alguém.

- Você não me perguntou nada — fale devagar, me controlando para não avançar — não preciso responder

- Desculpe-me dona da verdade.


Eu já estava sem paciência, mas havia me alimentado e isso me deixava um controle imenso sobre minha vontade carnal de matar, Somente olhei para ele agilmente. Fiquei encarando Scott. Era de se imaginar o amor de Helena por ele. Scott poderia ser o sonho de consumo de qualquer menina. Tinha seus cabelos ondulados levemente, seus fios finos davam movimentos leves e audaciosos. Seu olhar sua sobrancelha lhe dava uma forma audaz, o que revigorava sua fama misteriosa. Seus olhos verdes mar claro por baixo de seu Ray Ban aviator tinham a mesma pupila fina que destacava sua caça. A boca simétrica e os dentes brancos, davam a ele a sensualidade que precisava. Seus caninos fincados eram expostos e a sensação de maldade e avareza de sua pele mostravam-no sensualidade. Scott era perfeito. Para uma pessoa normal. Para mim, ele simplesmente me parecia Scott, aquele garoto da noite. Não queria saber de papo, Me virei suavemente e continuei andando de volta a Academy Student Flame, onde nós estudávamos, ou, equilibrando as mentes para uma nova caçada. Scott não veio atrás de mim. Sentia seu olhar em meu corpo, delineando-o suavemente, como um troféu desejado a anos, a eternidade. Ia me afastando do choque de seus olhos e a sensação de desejo ia passando. Eu estava sozinha na mata, e assim desejava ficar.

Notas finais
Preview do próximo capítulo:
"Mesmo sem Scott, sentia o odor dele por debaixo de mim, foi quando vi um papel branco envelhecido e uma rosa negra. O abri ' Scarlet. Você precisa ser mais educada donzela. Não sei o porque de tanta raiva. Eu vim dizer a você somente isso, já que foi convidada a festa de primavera, quem sabe eu não vá. O seu amigo Jesse ficará bem feliz com minha presença não? Bom sonhos madame. ass, Scott.' Olhei para a rosa negra. Grande galanteado o Scott. Só que eu não sou humana. Sentia a presença dele ali ainda então rasguei o papel"