Blind

8 Capítulo 8 - Pain


Notas iniciais
Hoje eu to com a macaca hein! Sim, aqui está mais um capítulo, para comemorar que eu estou inspirado, afinal preciso aproveitar antes que a inspiração acabe e não volte por uma semana! Have fun. P.S.: Essa fic é postada principalmente no spirit e pouco atualizada aqui por motivos de: não tenho visualizações como tenho lá. Por isso aqui vai o link para que você possa ler na íntegra: https://www.spiritfanfiction.com/historia/blind-11971823

— Eu não acho que preciso dizer o quanto sou contra isso. – Hashirama estava encostado na porta da sala com os braços cruzados sobre o peito.

— Não mais do que você já disse... – Madara revirou os olhos de costas para ele, reunindo o material do qual precisava.

— Ele tentou matar você! – Vociferou. – Não vou deixar vocês sozinhos em uma sala.

— Eu não vou te deixar em paz enquanto não conseguir tirar ele daqui. – Madara virou-se, encostando-se à mesa e também cruzando os braços. Tinha o olhar sério. – Eu sei o que ele tentou fazer, mas ele não precisa estar preso. Sua consciência o está punindo por tudo isso.

— Ele não atentou apenas contra a sua vida. – Hashirama também não dava o braço a torcer. -- Para começo de conversa, eu não sei nem o que você está fazendo aqui. Deveria estar em casa, não está apto ao trabalho.

— O que está machucado é o meu corpo, minha mente funciona perfeitamente e é ela que eu uso no trabalho.

— Você é insuportável... – Hashirama se irritou.

— Obrigado. – Embora sério Madara não estava irritado, inclusive conseguia compreender a fúria dele. Não tinha respostas para o que buscava, tinha um assassino em mãos e ele se recusava a dizer qualquer palavra que piorasse a situação de seu ex paciente.

— Não vai ficar sozinho na sala com ele.

— Ele não vai dizer nada se não estivermos sozinhos. – Madara se aproximou, olhando nos olhos castanhos de Hashirama. – Não confia em mim?

— Não confio nele.

— Eu consigo segurá-lo se ele tentar qualquer coisa.

— Não conseguiu naquela noite.

— Por que eu não estava esperando que ele fizesse algo contra mim.

Hashirama não sairia vitorioso daquela discussão. Ele seria obrigado a engolir a necessidade que tinha de proteger Madara, caso contrário tudo o que teriam dali para frente seriam argumentações infinitas que acabariam com tudo. O detetive respirou fundo, esfregando as mãos no rosto e pelos cabelos longos.

— Estarei do outro lado do vidro. – Ele finalmente deu passagem para o psicólogo. – Não se esqueça de que o seu interrogatório é comigo depois que terminar com aquele cara.

Madara revirou os olhos ao passar por Hashirama e ouvir aquilo. Ele se perguntou quais seriam as milhões de perguntas que o detetive o faria e quão invasivo ele seria. Era estranho pensar em alguém o invadindo daquela forma além de Konan.

Enquanto percorria os corredores do distrito policial, ele era incomodado por olhares que antes não estavam ali. Olhares de pena, de questionamento. Olhos que ele gostaria de arrancar para que não o invadissem mais com suas perguntas.

As celas especiais ficavam do outro lado do distrito, longe do prédio administrativo e das celas comuns. Naquele dia, Madara teve o cuidado de se vestir exatamente como estava na última vez em que havia tido uma consulta com Yahiko. Toda aquela situação já seria extremamente incômoda, ele não queria que seu paciente se sentisse ainda mais desconfortável.

Antes de entrar na sala do interrogatório onde ele já o aguardava, Madara parou e respirou fundo. Yahiko era seu amigo, assim como a personalidade feminina de uma criança dentro dele, mas os outros cinco não eram e um deles estava tentando matá-lo. Precisava salvar seu amigo de si mesmo e ainda conseguir as respostas que Hashirama precisava, sem se comprometer.

Ele abriu a pesada porta de ferro da sala e adentrou o local. Próximo ao teto havia uma janela grande que cobria quase toda a parede, porém não era possível ver o outro lado. A sala era fria e sem cor, revestida por azulejos azuis escuros. Uma mesa de ferro estava disposta no centro, onde Yahiko estava algemado, do outro lado havia uma cadeira onde o psicólogo deveria se sentar. Porém Madara permaneceu de pé. Colocou seu bloco de anotações em cima da mesa e enfiou as mãos nos bolsos, analisando a expressão do homem a sua frente.

O que antes parecia uma expressão vazia, logo foi tomada por lágrimas. Ele abriu a boca para dizer algo, mas só conseguiu soluçar. Madara permaneceu inexpressivo, apenas observando.

— Ele tentou matar você, não foi? – A voz que saiu pelos lábios do homem não era a esperada por ninguém que assistia àquele interrogatório. Apesar de ainda ser uma voz masculina, era mais aguda e a expressão da fala podia facilmente ser atribuída a uma criança.

Ele não tentou se soltar, parecia aceitar aquela condição. Seus olhos ardiam com as lágrimas e ele sentia dificuldade para respirar, soluçando incansavelmente.

— E-eu tentei impedir que ele fizesse alguma coisa. – Mais soluços. – M-mas ele não me escuta mais!

Madara se sentou após reconhecer com qual das personalidades estava falando.

— E-ele queria fazer coisas muito ruins...

— Chikushōdō. – Madara chamou-lhe a atenção. A criança imediatamente se calou, segurando os soluços. – Sabe por que está aqui?

Ele acenou com a cabeça, cabisbaixo.

— Não é sua culpa. – Aquele comentário fez Hashirama esfregar o rosto irritado do outro lado o vidro. – Quem fez aquilo? – Seu tom de voz era calmo, mas não pacífico demais. Ele tinha total controle sobre a situação.

— Ningendō. – Ele engoliu em seco.

— Por que Ningendō está tentando me matar? – Ele foi firme ao perguntar.

— E-ele diz que você não é bom para nós.

— E o que os outros acham disso?

— Shuradō e Gakidō concordam com ele, mas Jigokudō, Tendō e eu não achamos isso.

— Eu gostaria de ter uma palavra com o Tendō. Você se importa? – Madara foi cortês.

A mudança no ar era perceptível. O controle que Madara exercia sobre Yahiko era impressionante, ele tinha uma postura cada situação e talvez aquilo fosse o que o tornava o psicólogo perfeito para o caso. Hashirama acompanhava impressionado a mudança repentina que Madara conseguiu causar.

Ao erguer o rosto novamente, o ruivo tinha a expressão completamente diferente. Ele secou o rosto e suspirou, encostando-se na cadeira, ainda encarando Madara que agora tinha uma expressão mais dura.

— Olá Tendō.

A postura desleixada na cadeira era completamente diferente da criança comportada que ocupava aquele lugar segundos atrás. Ele observou o local onde estava e respirou fundo.

— O que fizemos dessa vez?

Madara inspirou o ar lentamente, seu olhar sempre focado nos olhos castanhos de Yahiko. De costas para a janela, ele sentia-se mais livre e menos observado, sabendo que não havia câmeras ali dentro, apenas microfones.

— Ningendō quase obteve sucesso em me matar e conseguiu atingir seu objetivo com outras oito pessoas. – Seu tom era severo.

Tendō ergueu as sobrancelhas, como se aquilo fosse uma notícia havia muito estava sendo adiada.

— Ele vivia dizendo que ia te matar uma hora dessas.

— E você deixou isso acontecer?

— Eu não tenho controle sobre eles. Chikushōdō é quem manda, não tenho culpa se ela abaixou a cabeça. – Apenas um olhar de Madara foi capaz de silenciar o rapaz a sua frente.

Madara passou os dedos sobre os lábios, encarando Tendō severamente. Ele respirou fundo e se ergueu.

— Não vai acontecer novamente. – Tendō abaixou a cabeça com a aproximação ameaçadora e perigosa de Madara que se apoiou na mesa para encará-lo de perto. – Chikushōdō está na pior, mas ela vai manter o controle.

— Não. Não vai acontecer de novo. Porque eu não sei nem se você vai sair daqui depois disso tudo. – Os olhos pretos encontraram os castanhos e foi como se Madara tentasse atear fogo em Yahiko. – Quando eu disse para limpar a bagunça, não estava dizendo para soltar os cachorros. – Ele sussurrou de forma que os microfones não captassem as vibrações de sua voz. Para os espectadores, eles estavam apenas se encarando. – Você não tem ideia do que fez.

Madara se afastou da mesa, pegando seu bloco de notas e se dirigiu para a porta, aberta pelo lado de fora. Estava pronto para o questionário de Hashirama, tinha tudo de que precisava.

x

Hashirama resolveu raptar Madara durante o almoço naquele dia. Estavam apenas os dois em um restaurante distante do distrito policial, onde certamente não seriam encontrados por nenhum dos colegas.

— Eu poderia dizer que entendi o que aconteceu, mas eu estaria mentindo. – Hashirama começou assim que se sentaram à mesa, arrancando um suspiro de Madara.

— Eu vou te explicar com uma visão geral e você tira suas dúvidas depois. Certo? – Ele parecia cansado. Tirou os óculos e apertou a ponte do nariz, esfregando os olhos em seguida. – Yahiko é o rapaz que você conheceu aquela noite no bar, de quem eu estava fugindo. Ele é meu amigo tem alguns anos. – Madara ergueu a mão fechada, mostrando o punho para Hashirama. – Imagine que Yahiko é o sol. – Sua mão era o exemplo. -- Quando está de dia, é tudo o que você vê, mas não quer dizer que os outros planetas não estejam no céu, você apenas não os enxerga. Agora imagine que existem outros seis planetas circundando esse sol, esperando a noite para que um deles possa tomar seu lugar no céu. Como quando em raras ocasiões conseguimos ver Vênus.

Hashirama assentiu, prestando atenção dos dizeres do amigo.

— Yahiko é o sol, mas qualquer outro dos planetas que entrar na frente do sol irá apagar sua luz e tomar conta do céu e você só será capaz de enxergar ele. Ele foi meu primeiro paciente quando comecei a residência em psiquiatria no hospital central e acabamos nos tornando amigos fora daquele ambiente, eu consegui até mesmo o incentivar a ir para a faculdade. Porém suas outras personalidades podem ser igualmente dominantes e têm a capacidade de tirá-lo de foco por meses, até mesmo anos. – Madara esfregou os olhos novamente.

— E com quem estava falando na sala?

— Conversei com os dois com quem já tive mais contato. – Ele suspirou. – Chikushōdō é uma criança de mais ou menos doze anos, ela é que tem controle sobre as personalidades e decide quem ficará “no céu”. Ao menos foi isso que pude concluir do longo estudo que fiz junto a ela. Ela é realmente muito apegada a mim. – Passou a mão pelo rosto, como se aquilo fosse um problema. E Tendō é a principal personalidade de Yahiko fora ele mesmo. Apesar de Chikushōdō geralmente ter o controle, eles se dão muito bem e ela prefere que ele resolva as situações mais difíceis.

Hashirama parecia incrédulo com a situação. Uma coisa era ouvir sobre TDI enquanto Madara discorria sobre o tema em uma palestra, outra coisa era estar diante de um caso em que um homem era culpado, mas também era inocente.

— Além deles, também há outros quatro, com os quais eu já tive contato, mas não são personalidades que têm muito espaço “no céu”, especialmente por sempre discordarem as opiniões de Chikushōdō e Tendō. Dentre eles o mais importante nesse momento é Ningendō. Ele é bastante agressivo e não gosta de mim, ele acha que eu os limito e não é a primeira vez que eu ouço sobre “me matar”. Mas ele nunca fez nada, afinal as outras personalidades costumavam me ver como alguém importante para eles.

— Qual motivo ele tem para matar todas aquelas pessoas?

Madara apenas negou com a cabeça.

— Ele sempre foi muito agressivo e extremista. Talvez estivesse fazendo por dinheiro. Você mesmo disse que havia um livro bingo.

Hashirama assentiu.

— A perícia constatou que os nomes foram escritos em datas diferentes. E não foi a mesma pessoa que escreveu o seu nome no caderno.

— Posso chutar que Chikushōdō tentou fazer alguma anotação sobre mim enquanto tentava fazer algo sobre Ningendō. Foi ela quem me enviou as mensagens pedindo ajuda. Eu costumo atender Yahiko aos finais de semana, achei bastante estranho que ele me contatasse em plena semana, por isso saí durante o almoço, só podia ser algo urgente.

Hashirama respirou fundo e fechou os olhos por um momento, processando tudo aquilo que para ele era uma loucura.

— Não posso pedir que ele seja internado na ala psiquiátrica.

— Eu sei... – Madara assentiu rapidamente. – Não imaginei que ele estaria tão instável dessa forma. Pensei que havia sido apenas uma recaída e que Chikushōdō pudesse facilmente reassumir o controle. Mas ele é perigoso agora, eu não ousaria pedir sua transferência e colocar em risco a vida de meus colegas psiquiatras. – Ele recostou-se na cadeira. Sua comida já estava fria, mas ele não sentia fome. Jamais imaginou que a situação chegaria àquele patamar e ele deixava isso muito nítido em sua expressão.

— Irei pedir que ele continue em uma das celas especiai. Sei que não é o lugar mais adequado, mas ao menos você poderá vê-lo com frequência.

Madara sorriu sem muito ânimo. Havia chegado a um beco sem saída e teria que tomar uma decisão.

— Obrigado.

x

— Espero que saiba em qual tipo de situação o seu namorado me meteu. – A voz dele chegava a ser ameaçadora.

A mulher de cabelos roxos permanecia de cabeça baixa. As mãos cruzadas na frente do corpo indicavam sua total submissão.

— Quero que se preparem para partir. Avise Tobi que estamos voltando.

Ela assentiu. – Iremos juntos?

— Não. Pegue Nagato e vá na frente. Yahiko vai no voo seguinte e eu encontrarei vocês em três dias.

A tensão no ar era palpável. Ele era extremamente ameaçador e não precisava mover um dedo para provar isso. Seu tom de voz era severo e sua postura indicava que a situação era controlada somente por ele.

— Vou ter que me livrar do meu novo brinquedo favorito, graças à Ningendō.

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— Você não está bem. – Hashirama se aproximou de Madara, escorado no parapeito da varanda.

Ele virou-se, apoiando os cotovelos na sacada e olhou para o detetive.

— Eu não fui o primeiro psicólogo a ser atacado por um paciente e não serei o último. – Ele desviou o olhar para os pés.

— Não é só isso. Tem algo a mais te incomodando. – Hashirama segurou seu queixo, erguendo o rosto e encarando seus olhos pretos.

Madara engoliu qualquer emoção que ousou cruzar sua expressão. Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e respirou fundo.

— É só... – Suspirou, como se algo o impedisse de falar. – Eu sonhei com algo que não gostaria de ter sonhado enquanto estava no hospital. Só isso...

— É bem mais que “só isso” para te derrubar desse jeito. – Hashirama insistiu.

— Eu não quero tocar nesse assunto. Por favor, não me obrigue. – Seu olhar decaiu ainda mais, obrigando Hashirama a se afastar.

— Não se esqueça de que pode conversar qualquer coisa. Estou aqui por você.

Madara sorriu de canto e assentiu num agradecimento silencioso.

— Como está seu irmão? – Ele mudou repentinamente de assunto, como se quisesse expulsar o clima ruim entre eles. Sentou-se no sofá ao lado do detetive, brincando com um fio de seu cabelo.

— Viajando para alguma reunião em outra cidade. Ele estava bem irritado da última vez que falei com ele, não queria sair da cidade, mas acho que não teve muita escolha. – Hashirama sorriu, lembrando-se da cara emburrada de Tobirama.

Madara respirou fundo, como se preparasse para dar uma notícia tensa. Sentou-se de frente para o detetive, arrancando-lhe um olhar suspeito.

— Quero ajudá-lo a encontrar os rastros do que Ningendō fez. Quero que as famílias tenham uma resposta para tudo. – Falou com certeza inegável na voz. – Poderíamos começar pelo depósito onde me encontrou.

— Tem certeza que está pronto para voltar lá? – Hashirama o encarou.

— Não. Mas eu não vou saber se não tentar. E eu sempre trabalhei com a filosofia de que vale muito mais a pena encarar seus medos, que correr deles.

Hashirama assentiu. – Vou ficar feliz que me ajude.

Notas finais
Vou confessar que eu prendi a respiração muitas vezes enquanto escrevia esse capítulo. A coisa está ficando realmente muito séria e perigosa... Gostaria que me dissessem uma coisa: vocês gostariam de uma "segunda temporada" ou uma continuação para isso, ou paramos nesse arco?