Blind
16 "Um pouco de diversão"
Notas iniciais
Percy estava cansado, com raiva e confuso. Walter finalmente tinha falado que era do FBI e que ele e Annabeth teriam que ajudar os tiras a prender o tal do Billy Adams. Tinha também lhe apresentado um cara que o irritava só pelo fato de ter nascido. Ares era uma cara arrogante que se sentia no direito de ser intolerante com todos que achasse que fosse mais fracos que ele, só que a sua arrogância extrapolava os limites pelo simples fato de ele se achar melhor que todo o mundo.
Ele disse que não tinha nada pra ensinar a Annabeth, afinal ela já estava acostuma com as táticas que Billy usava e como a inteligência dela era a maior arma que ela tinha, ela não precisaria focar tanto nos treinamentos físicos.
Mas Percy sim e Ares sabia disso. Ele estava a três horas e meia treinando naquele maldito ringue, estava cansado e ao que parecia, Ares estava sentado confortavelmente no sofá num canto da sala, comendo um pacote de doritos e acabando com todos os refrigerantes que estavam no minibar da sala. Enquanto isso Percy tinha que fazer flexões, abdominais, socava e dava chutes no saco de pancadas no centro do ringue.
–Aonde estão Walter e Annabeth? -Perguntou Percy.
–Foram fazer uma daquelas coisas de nerds no computador. Provavelmente foram ver a onde estão as linhas de trafico de Adams. -Respondeu Ares com a boca cheia de biscoitos.
–Quando essa merda de treinamento vai acabar?
–Quando eu quiser, cegueta. Continue, anda!
Percy pode ouvir ele dando mais um gole generoso no refrigerante na sua mão. Ele estava doido pra que Ares subisse no ringue. Uma coisa que somente ele e Leo sabiam é que durante a adolescência de Percy ele frequentou uma academia de boxe no Brooklyn. Ele apanhava muito na escola porque alguns valentões gostava de tirar sarro do moleque que tinha um físico de guerreiro de Esparta, mas que não sabia brigar porque era cego. Então quando fez 15 anos um cara na rua perguntou se ele estava afim de entrar pro boxe e quebrar a cara de uns malandros.
Ele aceitou na hora. As vezes quando chegava com um olho roxo em casa, Walter começa a lhe dar sermões, mas de certa forma nunca lhe perguntava o motivo dos machucados, provavelmente achava que ele teria que aprender a se virar sozinho.
Foi por isso que no dia que ele conheceu Leo ele estava brigando, tinha tropeçado sem querer na lata de cerveja de uns caras, eles quiseram brigar e Percy tinha acabado com 5 deles, o problema era que eles estavam em um grupo de 30 e Percy acabou levando a pior com Leo tentando o ajudar. Depois de um tempo ele contou a Leo que já tinha feito boxe, por isso enfrentou os caras. Leo o chamou de maluco mesmo assim.
No entanto agora era apenas ele e Ares. Fazia muito tempo mesmo que ele não se envolvia em uma boa briga, mas ainda conseguia de lembrar de alguns jabs e seu famoso gancho de direito nocauteador.
–Ei parceiro, que tal a gente brincar um pouco? -Percy já não aguentava mais aquele cara presunçoso, por isso o chamou pro ringue.
–Ah qual é, cegueta? Me faça o favor e fique quieto na sua. Não vai querer levar umas boas porradas do carinha aqui. -Ares parecia impressionado por ter sido desafiado por um cara cego.
–Qual é, irmão? Você está com medo de uma cara cego? -Percy deu uma gargalhada quando terminou de fazer a pergunta. -Vire homem, garotinha.
Ares se levantou de um pulo da cadeira e tirou rapidamente o saco de pancadas do centro do ringue. De repente Percy pode sentir a respiração dele e o bafo na sua cara.
–Cuidado, moleque. Quem brinca com o fogo acaba se queimando. -Falou Ares.
–Então vamos rolar um pouco na fogueira, parceiro. -E foi com essa frase que Percy iniciou a briga.
Ares lhe deu um soco no maxilar, Percy sentiu todo o seu rosto se contrair um reação a dor. Porém, ele estava possuído de raiva e quando Ares levantou o punho para desferir o próximo golpe, ele conseguiu se desviar. Ele tomou distancia e eles ficaram, cada um, numa das extremidades do ringue. Como Percy não enxergava ele dependia apenas da sua audição e o extinto animal que seu antigo treinador disse que ele tinha.
Para isso ele precisava atacar e se distanciar depois do golpe, para que pudesse ouvir o que ele iria fazer em seguida.
Ares atacou com dois jabs, Percy desviou de um deles, mas o segundo foi direito na sua barriga. A pancada fez seu estomago doer. Ele revidou, deu três socos de uma vez só no rosto de Ares, ele sentiu que tinha acertado o olho esquerdo do grandalhão. Ares se distanciou, ao ouvir os passos desordenador e fora de compasso, Percy deduziu que ele estava na verdade cambaleando pra atrás.
Depois, ele sentiu uma dor aguda na coxa esquerda, um chute poderoso de Ares havia pegado bem ali. Agora foi a vez dele cambalear pra trás. Ele sabia que tinha que terminar logo com aquilo ou poderia ser ele a levar a pior.
Tomou forças e atacou. Foi na direção de onde vinha a respiração acelerada de Ares, desferiu vários socos sem parar no rosto dele. Ele podia sentir a pele na junta dos seus dedos se rasgando enquanto o sangue de Ares molhava a sua mão. Ele parou por um estante, se levantou e virou de costas pra ele. Ares pareceu se recuperar e levantou dando um grito ridículo de raiva, Percy ouviu os passos dele vindo em sua direção. Ele se virou de uma vez só e desferiu o seu gancho de direita com uma força sobrenatural.
Ele ouviu o barulho do corpo pesado de Ares se estatelando no chão. Percy lhe deu um nocaute completo, provavelmente ele estava desacordado. Percy se aproximou do corpo do grandalhão jogado no chão, confirmou que ele estava mesmo desmaiado. Colocou o corpo pesado do homem sobre os ombros e o carregou para deita -lo no sofá.
Depois de jogar o corpo pesado de Ares de qualquer jeito no sofá, com um sorriso de lado ele disse:
–É parceiro, de deus da guerra você só tem o nome mesmo.
[...]
–O lugar onde ele mais tem uma boa clientela é no estado de Illinois. O pessoal de Chicago adora um bom pó e em Springfield a venda de heroína chega a render 50 mil por semana. — dizia Walter. — Se conseguirmos quebrar com todo esse sistema montado por Billy lá, com certeza os negócios dele vão ruir.
Annabeth ouviu com atenção tudo o que aquele homem de cabelos grisalhos e expressão preocupada dizia. Walter era esperto e no tempo que trabalhou no FBI tinha descoberto coisas realmente reveladoras sobre todo o trafico de Adams. Por causa dos cinco anos que Annabeth ficou fora da vida de Billy, ela não sabia que ele vendia drogas em vários lugares do país. Segundo Walter o único lugar que ele ainda tinha uma boa venda era em Illinois, mas isso estava prestes a terminar, o FBI estava indo até lá e fechando todos os locais de comercio de Billy.
Ele também contou a Annabeth que o motivo pelo qual o traficante estava falindo foi o fato dele ter matado um Colombiano era filho do cara que lhe fornecia as drogas, Billy tinha ficado com raiva do garoto por motivos que só Deus sabe, então ele o matou e no final a única coisa que restou foi toda essa confusão.
–Mas ainda assim vocês precisam de nós. -disse Annabeth. -Mesmo acabando com o último polo de vendas de Billy, o FBI parece incapaz de prende-lo e necessita de uma ex criminosa e de um cara cego.
Walter pareceu ofendido, mas se recompois e com um tom gentil disse a Annabeth:
–Sim, nós precisamos de vocês. Queremos prende-lo sem ter que trazer esse caso a publico, se vocês nos ajudarem as coisas ficaram apenas entre nós, mas senão podermos contar com a ajuda de vocês, vamos ter que envolver toda a policia investigativa de Nova Iorque e Miami.
Annabeth pensou um pouco, ela não queria ter que fazer tudo aquilo e correr risco de vida. No entanto ela pensou em Percy e em o quanto o amava, pensou em Leo e Calipso que estavam ali e correndo perigo de vida justamente porque Billy ainda não tinha sido preso, pensou ainda na sua nova amiga, Piper Mclean e o namorado Jason Grace que acabaram mesmo que indiretamente envolvidos no caso também. Ela tinha que fazer alguma coisa.
Olhou para o tablet em sua mão que exibia um mapa detalhado das rotas de trafico de Billy, ou melhor, antigas rotas de tráfico. Tomou coragem e perguntou a Walter:
–E o que nós temos que fazer?
–Eu não posso dizer nada ainda, mas posso lhe assegurar que tudo vai terminar bem depois que vocês conseguirem cumprir com o plano. -respondeu ele.
–Creio eu que isso tem haver com atrair Billy pra cá, prometer lhe dar o dinheiro que ele quer e fingir que estamos vulneráveis a ele.
Ela levantou o olhar e visualizou o rosto do homem a sua frente. Walter estava com as sombra-celhas arqueadas e um sorriso de lado no rosto.
–Muito inteligente da sua parte, senhorita Chase. -Aquela frase dita por ele apenas confirmou que Annabeth estava certa ao deduzir aquelas coisas. — Porém não vamos fazer nada disso agora. Você e Percy precisam se preparar e ter uns momentos de paz.
–Não era pro treinamento dele já ter terminado? -Perguntou Annabeth se lembrando apenas naquele momento do treino do namorado.
–Você tem razão, acho melhor vermos o que está acontecendo.
Quando chegaram a sala espaçosa do terceiro piso do casarão, Annabeth não sabia se ria ou dava uma surra em Percy por causa daquela cena.
Ele estava sentado numa poltrona ao lado do sofá bege, ele bebia coca cola e levantava a garrafa de vidro do refrigerante em uma pose completamente ridícula. Estava com as pernas abertas também, uma no chão e a outra no braço da poltrona. Seu rosto estava com uma marca roxa no lado direito. Ao fundo podia se ouvir uma música de rap que Annabeth não pode identificar porque a música estava sendo tocada em um volume muito baixo, provavelmente porque Percy ouvia bem demais e barulhos altos o irritava.
Mas o interessante de toda aquela cena foi ver Ares com a cara ensopada de sangue deitado no sofá. Ele estava com um saco de gelo pressionado no olho esquerdo, olhava com uma cara assustada para Percy que estava com toda certeza se fazendo de Bad Boy para assustar Ares.
–O que aconteceu aqui? -Perguntou Walter tirando as palavras da boca de Annabeth.
–Eu explico ou você, meu camarada? -perguntou Percy rindo e dando um tapinha na perna de Ares, que mesmo com esse mínimo contato se encolheu no sofá. — Bem, acho que meu amigo aqui não quer falar. Eu estava treinando e Ares descansando, sabe? Então eu perguntei que ele poderia me ensinar a brigar um pouco, ele deu uma de maluco e veio pra cima de mim com uma porrada. -Ele massageou o maxilar. -Então eu dei uma lição nele.
–Você nocauteou o seu treinador? Você é idiota ou o quê, moleque? Não posso trazer outro agente para treina-lo. -Walter estava vermelho de raiva.
–Walter, meu amigo, fique calmo. Eu bati no fodão do FBI, não preciso de treinamento nenhum. Quando o tal do Adams vinher, eu vou estar preparado.
–As vezes eu acho que você não aprende, sabia?
–Ah está bem, Walter. Tanto faz.
Percy andou na direção de Annabeth, segurou no braço dela e a tirou de dentro da sala.
Annabeth olhou bem para ele, que agora tinha cortado o cabelo que estava curto, bagunçado e jogado para o lado, ele tinha feio a barba também e na opinião dela ele estava mais charmoso do que nunca. Tirando o dia que ele tinha descoberto toda a verdade sobre Annabeth, ela nunca tinha tido medo dele, mas de vez em quando ele era um pouco explosivo mesmo que de um jeito divertido e quando ela viu Ares encolhido no sofá com medo dele não pode deixar de pensar que de vez em quando ele era um pouco intimidador.
Ele tinha um ar de desordeiro e ela amava isso.
–No que você está pensando? -Perguntou ele a ela olhando fixamente para frente.
–No quanto você é sexy. -Annabeth o empurrou na parede e começou a beija-lo.
Os beijos estava ficando quentes, até que ele ouviram passos no corredor e a voz de Piper dizendo:
–Terminem essa situação pornográfica de vocês depois, vamos fazer uma pequena reunião na sala de estar do primeiro piso. -Ela disse a frase enquanto andava, de modo que quando terminou de pronuncia-la já estava descendo as escadas.
Percy olhou para Annabeth com uma cara de decepcionado.
–Porquê alguém sempre que nos interromper? -disse Percy fazendo Annabeth rir e recebendo um selinho da mesma.
[...]
–Tudo bem, agora é a vez de Leo responder. -disse Percy.
A pequena reunião na verdade tinha se transformado em uma oportunidade deles beberem e brincarem do famoso jogo da garrafa. Percy, Annabeth, Leo, Calipso, Piper e Jason estava todos sentados em circulo, bebendo algumas bebidas alcoólicas e comendo pizza.
No momento anterior Percy tinha feito uma pergunta um pouco cabulosa a Leo e ele tinha que responder.
–Sim, eu sinto alguma coisa por ela sim, não sei ainda o que é, mas é algo bom. -disse Leo sorrindo enquanto se referia a Calipso.
Todos falaram o famoso "uhhh" e depois riram da situação. Calipso estava com o rosto vermelho por causa da resposta de Leo.
–Gente, vamos deixar as coisas mais divertidas, ok? -disse Piper com um sorriso malicioso no rosto. -Cada casal vai ficar um lugar da casa e vai ter que escolher um outro casal pra dizer que lugar vai ser esse. Leo, Calipso vocês começam.
–Mas nós nem somos um casal! -disse Calipso envergonhada.
–Quem vocês escolhem para dizer qual o local da casa que vocês devem ficar? -Perguntou Piper ignorando o que Calipso dissera.
–Percy e Annabeth. -disse Leo sabendo que não tinha saída.
Annabeth lhe dirigiu um sorriso amigável sabendo que Piper só estava na verdade complicando as coisas pra ele.
–Tudo bem. Leo, Calipso, vocês pode ficar aqui mesmo, na sala de estar.
–Ta ok, ta ok. -disse Piper — Agora que a situação de vocês já foi resolvida, Annabeth e Percy quem vocês escolhem?
–Pode ser vocês mesmo. -disse Percy dando de ombros.
Annabeth teve medo do sorriso malicioso de Piper e logo depois ela anunciou qual era o lugar que eles tinham que ficar.
–Bem, como eu sei que Percy gosta de nadar, acho que vocês deverim ficar na piscina.
Percy abriu a boca em um "O", surpreso pelo o que Piper dissera.
–Já que restou apenas vocês. -começou Jason a disser. -Leo e Calipso, digam logo onde eu e Piper vamos ter de ficar!
Leo olhou para Calipso e ela pensou a mesma coisa que ele. Eles disseram em uníssono:
–A garagem!
Piper bufou e Jason riu. Ela era um pouco patricinha e não gostava nem um pouco de locais sujos de graxa e carros, mas sabia que Leo e Calipso gostavam de lá porque era o local que eles conversavam e ele terminava de consertar o carro de Calipso que estranhamente sempre quebrava depois de Leo ter consertado.
Quando eles viram que as ordens já tinham sido dadas cada um foi pro seu canto. Annabeth foi de mão dadas com Percy até o espaço do lado de fora da casa onde tinha uma grande piscina que era o lugar preferido de Percy.
Ela achou que, finalmente, eles dois poderiam para com aquela brincadeira de provocar um ao outro e "fazerem de verdade as coisas".
Fale com o autor