Blind
23 "Telefonema"
Notas iniciais
Ela fitava os pacotes de absorventes no armário do banheiro. Estava sentada no chão com aquele maldito treco na sua mão. Respirou mais um vez e olhou novamente para o teste de gravidez que comprou na farmácia, continuava com a carinha sorridente, o que significava que ela estava gravida. Olhou de novo pros pacotes de absorventes, como ela pôde ser tão burra e não percebeu que não menstruava a dois meses?
Annabeth teve vontade de dar um tiro na própria cabeça. O que Percy pensaria daquilo tudo? Com toda certeza, na melhor das hipóteses, que ela tinha engravidado de proposito pra dar o famoso golpe da barriga. Ela começou a chorar. Se levantou e saiu do banheiro a procura do celular e o achou na cômoda do lado da cama.
Eram apenas 10 da manhã e ela não fora trabalhar naquele dia, seu chefe lhe deu uma semana inteira de folga por ter feito os melhores e mais lucrativos desenhos do ano na empresa. Então ela estava sozinha em casa.
Pensou em ligar para Percy, mas achou melhor dar a noticia a ele depois que fizesse o teste em um hospital de verdade, afinal, quem sabe por algum milagre o teste de farmácia não estava errado e a sua menstruação não estivesse apenas descontrolada?
Ela discou o número de Piper e esperou ela atender.
–Escrava de Perseu Jackson nos horários de trabalho, quem deseja? — disse Piper do outro lado da linha.
–Você sabe que sou eu, sua chata. E você não é escrava dele, ele não te faz trabalhar tanto assim. -Annabeth disse rindo enquanto Piper bufava.
–Haha, isso é o que você pensa, querida. Pra sua informação, eu estou organizando uma pilha de papeis porque o seu lindo namorado estava com preguiça. E pode perguntar a ele, foi com essas mesmas palavras que ele disse. -Piper bufou mais uma vez, mas logo parou de reclamar feito louca ao perceber o silêncio do outro lado da linha. -Annie, está tudo bem? Geralmente você costuma rir quando eu falo da minha escravidão ...
Annabeth deu uma risada sem humor e sentiu um nó na garganta.
–Piper, eu preciso te contar uma coisa muito séria. -Annabeth sentiu sua voz falhar. -Você está sentada?
–Agora estou. -Piper arquejou como se esperasse a noticia de uma declaração da terceira guerra mundial. -Pelo amor de Deus, Annabeth, fale logo antes que eu morra do coração.
–Piper, eu estou gravida.
Por um momento Annabeth pensou que a ligação tinha ficado muda, porque ela não ouviu nenhuma reação do outro lado da linha. Mas logo depois ela ouviu Piper gritar.
–Annabeth, querida, VOCÊ ESTÁ O QUÊ?
–Piper, não grita, Percy pode estar aí perto e eu não quero que ele saiba de nada por enquanto. -Annabeth teve que gritar também para que ela prestasse atenção.
–Ah me desculpe, mas agora me diga o que está acontecendo. Vamos, eu quero os detalhes.
–Tudo bem. -Annabeth tomou fôlego e começou a contar a história: -Hoje de manhã eu acordei com um enjoo que eu já tenho tendo a uma semana, então como estava muito forte eu fui pro banheiro pra vomitar. Quando me recuperei, fui escovar os dentes e enquanto escova recordei que fazia dois meses que minha menstruação não vinha. Fiquei desesperada e liguei pra farmácia pra eles trazerem uma daqueles teste de gravidez. Eles trouxeram, eu fiz o teste, deu positivo e agora eu estou mais desesperada ainda sem saber o que fazer.
–Calma, Annie, não precisa ficar assim. -Piper tentou tranquiliza-la quando ouviu a amiga começar a chorar. -Vamos fazer o seguinte: Eu vou pedir a Percy pra sair por algumas horas e vou te encontrar no consultório do meu médico particular aqui em Miami.
Piper falou o endereço do local.
–Você só precisa me encontrar lá daqui a uma hora, ok?
–Ok. -Annabeth respondeu. -Te encontro lá daqui a pouco então.
Annabeth desligou o telefone sem nem ao menos se despedir da amiga. Ela andou novamente até o banheiro e tomou um banho. Logo depois que saiu do banho, colocou uma roupa bem simples. Apenas uma calça jeans e uma blusa preta de mangas longas. Deixou os cabelos loiros soltos e decidiu não passar nenhuma maquiagem.
Pegou a sua bolsa e saiu de casa.
[...]
–Então, senhorita Chase, você tem sentido dores, cansaço ou enjoo? -Perguntou o médico.
–Dores não, doutor. Mas o cansaço e o enjoo tem me perturbado muito essa semana -Ela respondeu enquanto o observava escrever mais algumas coisas numa folha.
Annabeth estava no consultório de Will Solace, o médico particular de Piper. A amiga estava do seu lado com uma expressão neutra, como se esperasse o resultado do exame para manisfestar qualquer reação. Annabeth tinha feito o exame a meia outra atrás e agora estava na frente do doutor para saber o resultado.
–Me diga, senhorita Chase, você não usaram nenhum método anticoncepcional? -Perguntou ele.
–Sim, doutor, usamos. E é isso que me deixa sem entender nada, eu estava tomando o remédio regularmente, mas mesmo assim engravidei. Como isso aconteceu? -ela sentiu seus olhos ficarem marejados ao dizer aquilo.
–Se acalme, senhorita Chase, ainda não sabemos se você está gravida, não abrimos o envelope com o resultado do exame, ainda. Agora me responda, durante alguma pausa dos medicamentos, você tiveram relações sexuais?
Ela revirou a sua memória, mas não se lembrou de nada. Até que então a lembrança de algo lhe veio em mente. A exatos um mês atrás, Percy a levou numa casa de praia num canto afastado de Miami Beach, e eles se divertiram (fizeram bastante sexo) no final de semana que ficaram ali. E no meio de toda aquele clima, ela tinha esquecido de tomar as pílulas e a mancada maior ainda foi ter esquecido delas em outros dias da semana.
–Hã, acho que sim, doutor. Mas foi só por três ou quatro dias, não tem como se engravidar num pequeno espaço de tempo como esse, ou tem?
–Infelizmente sim, senhorita Chase. Ainda mais se a senhorita estivesse no período fértil. Mas vamos para de enrolação. Quer que eu leia os resultados?
Annabeth assentiu e esperou a resposta.
–Bem, deu positivo. A senhorita está mesmo grávida. -respondeu o médico com tranquilidade.
Piper, que até aquele momento não tinha tido nenhuma reação, se virou com um sorriso feliz para amiga. Annabeth sentiu o abraço apertado dela, mas ela não conseguiu retribuir. Simplesmente, se levantou da cadeira, se despediu rapidamente do doutor e saio do consultório.
Piper a seguiu apressada enquanto ela saia quase que correndo de dentro do hospital. Annabeth andou até o estacionamento do local e parou em frente ao seu Audi azul marinho, o carro que Percy tinha lhe dado. Tentou achar as chaves dentro da bolsa, mas a sua visão embaçada por causa das lágrimas não deixava. Ela desistiu de procurar e ficou simplesmente parada em frente ao carro sentindo as lágrimas escorrerem pelo o seu rosto.
Piper parou na frente dela e a abraçou.
–Annie, qual é, por que você está chorando?
–Ele não vai querer esse filho, Piper. -Annabeth secou as lágrimas do rosto com rapidamente, se recompondo. -Ele vai achar que eu estou dando um golpe nele.
Piper sorriu como se aquela ideia fosse idiota.
–Pelo amor de Deus, Annabeth, mas é claro que não. Percy pode ser cego, mas uma coisa que ele sempre fez e muito bem foi enxergar a verdade quando ela estava diante dele. -Annabeth sentiu as palavras da amiga a acalmarem, como se elas tivessem algum poder de persuasão. -Ele te ama. Eu nunca o vi sorrindo daquele jeito, nem mesmo quando estava com a vadia da Rachel. Acredite no que eu estou dizendo: o modo como ele te olha é único, o que ele sente por você com certeza jamais sentiu por ninguém. Eu conheço aquele cara desde quando era criança, sei do que estou falando.
–Piper, não é tão simples assim. Eu tenho um ... passado. Um passo sujo demais, que talvez o faça não querer assumir essa filho ou filha.
Annabeth olhou para ela. Piper a estudava, com certeza estava travando uma batalha mental para decidir se perguntava ou não pelo o passado dela. Depois de um tempo ela bufou e disse:
–Olha, Annie, eu não sei o que tem de tão terrível nesse seu passado, mas se Percy não quiser assumir essa criança o problema é dele. -Piper parecia impaciente, o que deixou Annabeth completamente surpresa. -Qualquer criança no mundo pode até viver sem um pai, mas não pode viver sem a mãe. Apesar de eu ter certeza de que Percy vai ficar super feliz com a ideia de ser pai, mesmo que ele não fique você tem que ficar. Ame esse bebê lindo que está na sua barriga e pronto.
Annabeth refletiu nas palavras dela e logo depois sorriu, sua amiga estava certa. Ela abraçou Piper e juntas elas entraram dentro do carro.
Enquanto dirigia para a CEO Jackson, Annabeth conversava animada com Piper sobre o bebê. Depois de todo o pânico da noticia de estar grávida ter ido embora, ela se sentiu invadia por um amor imenso por aquela criança.
–Uma vez a piranha da Rachel inventou de disser que estava grávida. -disse Piper.
–E o que Percy fez? -perguntou Ananbeth.
–Mandou ela pro quinto dos infernos, é claro. Ele confiava nela, mas não confiava tanto, então sempre usava camisinha quando transavam. Foi aí que ele descobriu que ela o estava traindo com aquele cara de Boston. -Piper abriu um sorriso. -Tinha que ver a cara da vadia quando viu que o golpe não funcionou.
Elas gargalharam, afinal Annabeth não estava mais com medo da reação de Percy e ouvir que aquela idiota tinha levado um pé na bunda dele tinha sido no minimo divertido.
–Percy comprou um presente pra você. -Piper a olhou com aquela cara de menina travessa.
–É mesmo é? E o que seria esse presente, senhorita Mclean?
–Ah, senhorita Chase, eu não posso te dizer, mas tenho certeza que você vai vomitar arco íris quando descobrir.
–Argh, Piper, nem me fale em vomitar. Já fiz bastante isso essa semana. -Piper soltou uma risada quando a ouviu dizer aquilo.
–Annie, quer saber de uma coisa?
–Quero, pode falar.
–Percy vai amar saber que vai ser pai.
Annabeth sorriu para Piper. Talvez aquilo fosse mesmo verdade.
[...]
Percy estava resolvendo mais problemas naquele dia, as vezes parecia que problemas era tudo o que ele tinha que resolver na empresa. Ele passou as mãos no cabelo e ajeitou os óculos escuros enquanto Malcolm, seu administrador mais fiel, ditava as estáticas da empresa. Percy era a pessoa mais centrada e séria do mundo no trabalho, mas aquele dia já estava o deixando de saco cheio.
Até que enfim Malcolm tocou em um assunto que de fato o interessava.
–Senhor Jackson, o seu cheque para pagar os medicamentos da filha de Benito Bertrando foi depositado na conta dele com sucesso. Ele mandou um carta para o senhor, agradecendo. -disse Malcolm.
–Muito obrigado por me avisar, Malcolm. Você poderia ler a carta para mim, por favor?
–Claro, senhor.
Malcolm leu a carta e Percy sentiu a primeira pontada de felicidade do dia. Benito foi bastante simples em escolher as suas palavras, mas soube expressar perfeitamente sua gratidão.
Assim que Malcolm terminou de ler a carta, Piper, que tinha acabado de voltar de algum lugar que Percy não sabia, o chamou no interfone. Percy procurou o aparelho, apertou o botão e escutou a voz de Piper dizendo:
–Como vai, patrão opressor do sistema capitalista?
Percy riu, sua amiga adorava o chamar de explorador. Apesar dele nunca entender o real motivo.
–Vou bem. E você, como vai falsa vitima injustiçada? -Percy disse e ouviu Piper bufando do outro lado da linha.
–Estou estressada, preciso de férias.
–Talvez no dia de são nunca, quem sabe.
–Depois diz que não é um patrão opressor ...
–Percy, não quero ser grosso, mas estou com alguns problemas aqui. Então, por favor, me diga qual é o problema. -ele falou no tom mais gentil possível, gostava de brincar com ela, mas estava tendo um dia realmente cheio. — Aconteceu alguma coisa?
–Não, nada. É apenas uma visita. Tem alguém aqui querendo te ver. -ela disse.
–Piper, peça desculpas a essa pessoa, mas eu estou ocupado e não posso atende-lo.
Percy ouviu um silêncio do outro lado da linha. Silêncio esse que não era do feitio de Piper.
–Percy. -ela começou a dizer. -É Annabeth que está aqui, o que ela tem pra falar é importante.
–Aconteceu alguma coisa com ela? -perguntou ele, sentindo o seu coração falhar algumas batidas.
–É melhor vocês conversarem. Ela pode entrar?
–Claro, claro que sim. Diga pra ela entrar por favor.
Depois de alguns minutos, Percy ouviu a maçaneta da porta girar. Estava preocupado, Annabeth nunca interromperia Percy no trabalho se não fosse um assunto importante.
–Bom dia, senhor Jackson. -Ela disse fazendo Percy sorrir de lado pela formalidade desnecessária.
–Pode me chamar de Percy, Annabeth. -Ele se levantou, pegou sua bengala e andou cuidadosamente contando os passos até ela. -Como não sou uma pessoa mal educada, vou fazer as apresentações. Malcolm, essa é a minha namorada, Annabeth Chase. Annabeth, esse é o meu melhor funcionária e amigo de longa data, Malcolm Yalo.
Annabeth apertou a mão de Malcolm, que estava sorrindo abertamente para ela. Ela não viu malícia no sorriso dele, deduziu que era por seu caráter que Percy confiava nele.
–Então você é a mulher que enlaçou o garanhão? -disse Malcolm se referindo a Percy. -Fico feliz que ele tenha encontrado alguém. Muito prazer, senhorita Chase.
–O prazer é todo meu.
Percy se colocou ao lado dela e lhe deu um beijo no rosto.
–Malcolm, vamos dar uma pausa? Já está na hora do almoço e eu to morrendo de fome. -Percy colocou a mão na barriga e soltou uma risadinha.
–Claro, senhor Jackson. Depois eu volto com os últimos relátorios.
Eles ficaram parados em frente um do outro, Annabeth observando Malcom sair da sala e Percy apenas ouvindo. Quando Malcolm saiu da sala, Annabeth olhou para o namorado. Enquanto estava no trabalho, ele não era nada parecido com o Percy com que ela costumava conviver. Ele usava terno de risca giz, e pela primeira vez desde que ela o conheceu, os seus cabelos estavam perfeitamente penteados, jogados para trás. Estava com os seus óculos escuros e a barba, que constantemente andava por fazer quando ele estava em casa, estava muito bem feita. Ele ficava com cara de empresário sério assim.
–Percy, precisamos conversar, é algo muito serio. -Ela disse com a voz tremula.
Ele suspirou, depois de passar a manhã inteira resolvendo os problemas da empresa, agora tinha que resolver a sua vida pessoal também. Ele sorriu, não importava qual fosse o problema, por Annabeth sempre valia a pena.
–Vamos sair para almoçar. Conheço um restaurante perfeito e você pode me contar seja, qual for o problema, lá. -Percy deu um beijo na testa dela e estendeu o braço para ela segurar.
–Tudo bem, acho melhor você se preparar para a noticia. -Ela deu a sua habitual risada sem humor.
Quando chegaram no restaurante, Annabeth não pôde deixar de admirar o lugar. Era no estilo dos restaurantes de Roma, ou seja, era um restaurante italiano. Eles se sentaram numas das mesas ao ar livre, mas que ainda assim tinha uma tapagem para proteção do sol ou chuva.
Ela olhou o cardápio e tentou escolher o melhor possível para que nenhuma comida irritasse seu estomago fazendo com que ela vomitasse, tinha acontecido bastante isso naquela semana. Ela pediu uma comida light: Salmão, salada e suco.
Percy pediu lasanha e coca cola.
–Você vem para um restaurante caro e sofisticado e pede lasanha e coca cola? -Ela perguntou.
–Claro, porque eu sou um bárbaro. -Ele sorriu brincalhão para ela.
–Vai morrer com o colesterol alto aos quarenta.
–Ah fala sério, você não conseguiria viver sem mim. -Ele roubou um beijo dela, desfazendo o seu bico.
A comida chegou rápido e eles comeram em silêncio. Annabeth se permitiu relaxar um pouco, precisava de calma para explicar a situação. E aliás, Percy tinha voltado a agir como o cara despreocupado que ela conhecia, não estava em sua pose de empresário que tinha a intimidado a alguns minutos atrás.
Depois que terminaram, ele perguntou:
–Então, o quê você queria falar de tão sério comigo?
Ela suspirou e sentiu as lágrimas inundarem seus olhos. Droga de hormônios de gravidez, pensou Annabeth, estou chorando igual criança.
–Percy, e-eu ... -Ela tirou delicadamente os óculos dele para que pudesse olhar pros olhos dele. Ele piscou algumas vezes se acostumando com a claridade. Ela segurou as mãos dele e disse: -Eu estou grávida.
A expressão de Percy era neutra, como se ele ainda estivesse absorvendo a informação. Ele piscou mais algumas vezes e olhou pra ela com a boca formada em um "O".
–Percy, eu sei que talvez você pense que eu estou tentando te dar um golpe ou algo do gênero, mas eu já amo essa criança. Eu não poderia ...
–Annabeth, cale a boca. -ele falou a interrompendo. Ainda com a cara de surpresa.
–Percy ...
–Só instante, eu preciso processar isso.
Ele olhava para baixo, os olhos desfocados estavam agitados. Ele soltou a mão de Annabeth.
–Eu vou ser pai? -indagou ele.
–Vai, você vai ser pai. -respondeu ela apreensiva.
–Eu vou ser pai. -Percy assentiu continuamente enquanto sorria para ela.
Annabeth sentiu uma onda de alivio tomar conta dela. Ela se jogou em cima de Percy o abraçando e ele correspondeu com ternura ainda sussurrando que iria ser pai. Annabeth se desvencilhou do abraço dele e limpou as lágrimas de felicidade que escorriam pelo o seu rosto.
–Eu te amo. -ele disse.
–Eu te amo. -ela respondeu.
Ficaram um tempo encarando um ao outro, os olhos verdes de Percy, ainda agitados, estavam olhando diretamente para os de Annabeth, o que era algo raro. Ele levou a mão até a barriga dela e fungou, tentando conter as lágrimas.
–Eu vou ser pai. -Ele repetiu uma última vez. -Precisamos comemorar.
–Comemorar? Como? -perguntou Annabeth.
Percy não respondeu apenas deu um sorriso malicioso enquanto se levantava e deixava o dinheiro da conta na mesa. Annabeth foi atrás dele e ele pediu que ela chamasse um táxi, ela assim fez.
E em menos de cinco minutos eles estavam na CEO Jackson de novo. Antes de ir para a sua sala, Percy foi até a mesa de Piper e disse:
–Cancele tudo o que eu tenho para hoje, mande Malcolm ir pra casa. Dispense os funcionários. E se alguém perguntar o motivo, responda: Perseu Jackson var ser pai.
Piper sorriu e se dirigiu a Annabeth.
–Eu não falei que ele seria louco o suficiente pra amar a noticia.
Os três riram do comentário.
Percy entrou na sala e jogou a sua bengala no chão. Segurou o rosto de Annabeth com as mãos e disse:
–Minha ideia de comemoração é: Te amar, aqui, agora, intensamente. -ele disse com os olhos brilhando.
Annabeth sorriu, um sorriso de orelha a orelha.
–Seja feita a sua vontade, senhor Jackson.
[...]
Percy ouvia a respiração de Annabeth se estabilizando. Provavelmente aquela tinha sido a ideia mais louca que ele teve em anos: fazer sexo no seu local de trabalho. Eles estavam deitados no sofá que tinha na sala dele, tinham acabado de colocar as roupas, mas a sensação alucinante ainda tomava conta de seus corpos. Annabeth, que estava deitada por cima de Percy e com a cabeça no seu peito, de vez em quando soltava uma risada.
–Por que está rindo? -ele perguntou.
–Você é louco, fazer sexo na sua sala é insanidade. -ela gargalhou depois que terminou a frase.
–Eu sempre quis fazer isso. E nada melhor que fazer isso com a mãe do meu filho ou filha. -ele deu um beijo na testa dela, enquanto sentia suas respirações se unirem.
–Eu pensei que você fosse surtar. -ela disse com a voz vaga.
–Você não tem mais nenhum segredo que eu não saiba. Não tem como estar mentindo pra mim ou me dando um golpe. E aliás, eu sei quando alguém fala a verdade.
Annabeth ficou sem reação ao ouvir aquelas palavras. Ele acreditava nela, ninguém nunca tinha feito isso. Ela observou enquanto ele se levantava e contava os passos até a sua mesa no centro da sala. Ele foi até a gaveta e tirou algo de lá.
–Talvez Piper já tenha te contado, aquela garota precisa aprender a ser menos fofoqueira. -Ele riu e continuou: -É um presente, um presente para nós dois. Você poderia vir aqui e ficar em pé na minha frente? É que sabe como é né, sou cego.
Annabeth arqueou uma sombracelha e foi até onde ele estava. Ele se ajoelhou na frente dela, não sem antes se desequilibrar e quase cair. Annabeth não aguentou e começou a rir. Percy fez uma cara emburrada esperando ela terminar de tirar uma com a cara dele.
–Já acabou? — perguntou ele.
–Acho que sim. -ela respondeu. -Vai fala.
Ele se endireitou e abriu a caixinha preta na sua mão, deixando a mostra uma aliança prata e com uma linha feita de diamantes traçada a contornando. Annabeth perdeu o folego e levou as mãos a boca.
–Bem, eu sou um cara muito idiota, impulsivo e cego. Você é linda, inteligente e incrível. Não sei porque você iria querer fazer isso, mas eu não posso passar mas um dia sem te perguntar. Eu estava esperando um momento mais brilhante pra te perguntar isso, mas quando soube que iria ser pai teve a certeza que o momento era agora. Então, quer casar comigo?
Annabeth não respondeu nada. Apenas se ajoelhou também ficando de frente pra ele. Ela o beijou e ele se levantou a pegando no colo e os girando no ar, fazendo com que ela sorrisse. Aquele som, na opinião de Percy, era melhor do que qualquer melodia musical já inventada. Depois ele a colocou no chão e perguntou de novo:
–Aceita?
–Mas é claro que sim. -Ela respondeu sorrindo. -Sim, sim, sim.
Eles ficaram ali, se beijando e trocando caricias. O momento estava perfeito, até o celular de Annabeth tocar.
–Ah não vai, deixa tocar. -Percy disse.
–Não posso, pode ser do trabalho, tenho que atender.
Annabeth atendeu o celular e teve vontade de joga-lo pela janela quando ouviu a voz do outro lado da linha.
–Oi filhinha. -Era Billy.
–O-o que você quer? -a voz dela estava trêmula.
–Dinheiro. E talvez eu não mate você. -A risada fria de Billy se fez auditivél.
Percy se postou do lado dela. Sua expressão se tornando sombria ao ouvir a ligação. Annabeth colocou no auto-falante para que ele pudesse ouvir melhor.
–Meus parabéns, mamãe. eu pedi que você se casasse e você fez melhor, engravidou.–Billy falou.
–Como você sabe? -Annabeth estava com o coração acelerado.
–Você e o deficiente tem que aprender a falar mais baixo quando estiverem em público.
–Você estava no restaurante?
Eles ouviram a risada estridente de Billy, como se ele estivesse se divertindo com toda aquela situação.
–Ah Annabeth, você me conhece, querida. Eu sempre estou perto de alguém que quero matar.–Ele fez uma pausa e continuou:–E de você, eu estou mais perto do que imagina.
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