Blind

24 "Leo: o stripper!"


Notas iniciais
Sim, eu demorei. E demorei muito. Mas eu tive um surto de falta de criatividade. Meu cérebro bulgou geral, galera! Me perdoem por favor. Enfim, acabou saindo essa capítulo aí. Que nas notas finais vocês saberão o porquê.

Annabeth não sabia nem o que pensar naquele momento. Sim, Billy estava mesmo na cola dela, e isso já fazia um tempo.

–Explique-se melhor, Billy. Até agora a única coisa que você fez foi repetir as mesmas palavras de Castellan. -Annabeth estava com medo, sim, mas não queria deixar aquilo transpassar na sua voz. Então simplesmente estava agindo com o máximo de frieza possível.

–Ah, sim, claro. Eu tinha me esquecido que aquele idiota não conseguiu te dizer o que realmente era necessário. -Billy suspirou fazendo uma pausa. -Já ouviu falar do porto de Westerly?

Annabeth iria dizer que não, mas Percy tocou de leve o seu braço e assentiu. Ele provavelmente sabia onde era.

–Sim, Billy, conheço. O que tem esse lugar? -ela indagou.

–Simples, eu adoraria te dar um tiro por ter me feito de bobo, mas como eu consigo até ser um pouco misericordioso, não vou fazer isso. Eu ainda tenho algumas dividas pra pagar e estava contando com os 500 mil dólares que iria ganhar de você, mas como dá muito trabalho matar uma pessoa e esperar mais alguns meses para a liberação do dinheiro, decidi que é melhor eu pega-lo agora. -Billy suspirava pesadamente do outro lado da linha, Annabeth presumiu que era porque ele estava alternando entre falar e fumar ao mesmo tempo.

–Ainda não entendi o que o porto de Westerly tem haver com isso. -Ela poderia estar assustada mas, caramba, Billy a deixava impaciente com todo aquele papo furado.

–Se você fosse uma pessoa calma e paciente esperaria eu acabar de falar pra descobrir. -Billy soltou uma risadinha. -Sabe isso me lembra os velhos tempos, se você não tivesse se apaixonado pelo o rapaz ainda poderíamos ser uma família.

Wow, aquilo doeu dentro dela. Aquele era o homem que por muito tempo ela considerou como pai, e a sinceridade na voz dele a fez perceber que ele ainda a amava como filha. Percy a abraçou de lado quando percebeu que ela tinha se encolhido. Ele beijou o topo da cabeça dela. Ele havia entendido. Era um assunto complicado e um sentimento pior ainda.

–Tenho outra família agora Billy e acho que já descobri o que você quer. Quer que eu leve o dinheiro para o porto, não é? Sem policiais, sem testemunhas. Só a mala do dinheiro e pronto. -Ele tentou controlar a sua voz para que não parecesse trêmula.

–Sim, é isso garota. Daqui a três dias, acho que é tempo suficiente pra você conseguir a grana. Às 08:00 da manhã, sem atraso. Depois você, seu namorado e o bebê, poderão viver em paz.

Billy desligou o telefone. Ela estava tão abalada que simplesmente deixou o celular cair no chão depois que a ligação foi finalizada.

–Então -Percy começou a dizer-, é só entregar o dinheiro pra ele que está tudo acabado? Se era só isso que ele queria porque não pediu logo?

Annabeth olhou para ele, que tinha uma expressão confusa no rosto. Os belos olhos verdes fitavam a luz vinda da janela da sala, onde tinha uma linda vista do centro comercial de Miami. O cabelo, que antes estavam cuidadosamente penteado, agora estava completamente bagunçado. A blusa social branca estava desabotoada e ele tinha uma marca roxa no pescoço, o que não era nada bom para um homem de negócios.

Ela suspirou, segurou nas mãos dele e o guiou até a sua mesa. Fez com que ele se sentasse lá e começou a abotoar a sua blusa.

–Não é só isso que ele quer. Tem algo por trás disso tudo. Ele quer se vingar de alguma forma. -disse ela enquanto tentava dar um jeito no cabelo dele, não tendo muito sucesso. -Temos que avisar a Walter sobre isso.

–Ainda temos três dias pra decidir o que fazer, talvez eles consigam o pegar a tempo. Agora que sabemos que ele está na cidade, vai ficar mais fácil pro FBI encontra-lo e prende-lo. -Percy deu um sorriso singelo.

Annabeth pensou naquela afirmação ingênua e inocente. O FBI estava na cola dele todos esses anos, com certeza não iriam conseguir prende-lo em três dias. Ainda mais porque Billy sempre fora muito cuidadoso em cada passo que dava.

Percy a puxou para perto lhe dando um abraço confortante. Ela respirou fundo o cheiro dele. Maresia, cheiro de praia. Ela tinha uma curiosidade tremenda de saber qual perfume ele usava, mas tinha medo de perguntar e estragar a magia. Ela beijou o pescoço dele e sorriu.

–Percy, acho que você vai ter que usar camisas de gola alta por uns tempos. -ela sorriu e ele fez o mesmo.

–Outro marca roxa, Annabeth? Por Deus, você precisa aprender a ser menos agressiva. -ele fingiu uma cara de bravo.

–Como se você não gostasse, senhor Jackson.

–Se eu não gostasse você não seria a futura senhora Jackson, mamãe. -ele sussurrou rente ao ouvido dela.

Annabeth se arrepiou com aquele comentário. Ela iria se casar e ser mãe, era responsabilidade demais.

Ela tinha uma nova família, com certeza não poderia se permitir e nem pensar em algo que estragasse tudo aquilo.

[...]

–Cara, vocês vão se casar? -Leo perguntou totalmente surpreso.

–Sim, vamos. Ainda não sabemos quando, mas estamos noivos. -Percy respondeu com um sorriso de orelha a orelha.

–Espera, você está mesmo grávida ou é só uma brincadeira, Annabeth? -Perguntou Hazel.

–E eu lá tenho vocação pra brincadeiras, Hazel? -Foi só ela terminar essa frase que as meninas foram a seu encontro para lhe dar um abraço.

Aquela era uma despedida, daquelas de cortar o coração. Todos iriam voltar para as suas respectivas cidades. Percy e Annabeth decidiram que não havia mais motivos para prender Jason e Piper ali, já que, se tudo desse certo, eles iriam resolver a situação de fugitivos dali a três dias. Leo e Calipso alugaram um apartamento no Uppe East Side, NY. Hazel e Frank, agora casados, viveriam em São Francisco.

O grupo poderia se ver com frequência se quisessem, mas ainda assim o fato de não estarem todos juntos como estavam naquele momento, ocasionou em uma despedida simples em um bar. A noite estava sendo tranquila e calma.

Percy segurou a mão de Annabeth por debaixo da mesa de onde eles estavam sentados. Ele entrelaçou seus dedos e sentiu ela segurando sua mão um pouco mais forte. Ele sorriu com aquela demostração de carinho.

–Pessoal, eu preciso contar algo a vocês. -disse Jason. -Algo muito sério, mas ao mesmo tempo muito bom.

–Jason Grace, você anda escondendo segredos de mim? -Piper disse enquanto dava um tapa estalado no braço dele.

Os outros sorriram. Piper e Jason eram assim mesmo, um casal completamente de desajustados.

–Não, amor. Eu só queria esperar essa oportunidade pra falar pra todo mundo. -Jason respondeu sorrindo.

–Bem, então vamos lá Jason, fale logo. -disse Frank, cheio de expectativa.

–Então lá vai. -Jason suspirou. -Depois de anos tentando, finalmente eu consegui entrar pra aeronáutica americana. Eu to falando de dirigir pilotos de caça, meu irmão!

Os homens na mesa lhe parabenizaram com as mãos espalmadas, Piper lhe deu um beijo de tirar o fôlego e as meninas lhe disseram um "parabéns" atrás do outro.

–Mas sabe, pessoal, isso me faz lembrar outra coisa também. -Jason dizia enquanto seu olhar recaia sobre Leo. — Uma antiga aposta, não é, senhor Valdez?

–Ah cara, não acredito! Você está falando da aposta do aviador? -Perguntou Percy com uma cara de descrente.

–Sim, a aposta do aviador. -Jason respondeu.

–Vocês são loucos. -Piper completou.

–Leo, o que é essa tal de aposta do aviador? -falou Calipso fazendo a pergunta que todos na mesa que ainda não sabia da aposta queriam saber.

Percy tomou um gole do seu refrigerante -ele tinha decidido fielmente que não queria mais pagar de alcoólatra-, pigarreou e disse:

–Por favor, deixe-me fazer as honras. A mais ou menos uns cinco anos atrás, quando estavam na faculdade, Jason e Leo fizeram uma aposta. Se Leo conseguisse montar o seu projeto e ainda tirar a maior nota da turma de engenharia mecânica, Jason teria que correr de cueca no inverno no campus da universidade. Essa foi intitulada a aposta do mecânico.

–Então, logo depois de cumprir a sua promessa, Jason decidiu fazer uma para confrontar Leo também. -Piper emendou na explicação. -Se Jason conseguisse entrar pra aeronáutica, Leo teria que fazer uma strippe tease em local público. E eu presumo que como Jason demorou tanto tempo para conseguir, Leo ainda tinha esperanças de que ele não fosse se lembrar da aposta.

–E tinha mesmo! -disse Leo. -Olha gente, eu não posso fazer isso, sou uma cara comprometido e todos nós agora somos pessoas de família. Nós eramos muito jovens e imaturos quando fizemos essa aposta ...

–Ah, não, Valdez. -Hazel começou a dizer. -Você não vai dar pra trás agora, não é?

Todos na mesa começaram a falar ao mesmo tempo. Todos pareciam estar ansiosos para ver Leo cumprir a sua promessa. Ele, por sua vez, balançava a cabeça negativamente, com as bochechas vermelhas e completamente constrangido. A única que ainda não tinha se pronunciado tinha sido Calipso. Vendo isso, Annabeth declarou:

–Muito gente, vamos ser diplomáticos, ok? A única pessoa que pode decidir se Leo vai fazer a aposta ou não, é Calipso. Afinal, já que a desculpa dele é que ele está comprometido, vamos deixar que a namorada decida. E então, Calipso, o que você nos diz?

Calipso tinha um sorriso descontraído no rosto e Leo continuou balançando a cabeça pra que ela dissesse não.

–Me desculpa, amor, mas promessa é promessa. -Ela gargalhou fazendo Leo ficar ainda mais vermelho, se possível. -Vai ter que cumprir a aposta.

Todos na mesa vibraram enquanto gargalhavam da cara de contrariado de Leo.

–Ah, tudo bem. Quando você quer que eu cumpra a aposta, Jason? -Leo perguntou se dando por derrotado.

–Ah, irmãozinho, você sabe que eu não pego leve com essa tipo de coisa, não é? -Jason abriu um sorriso completamente maldoso. -Pode ir até a mesa de som falar com os músicos, peça pra tocarem uma música bem sensual. Porque eu quero que você faça agora!

Quando todos pensaram que Leo fosse desmaiar, ele se levantou da cadeira, bebeu todas as bebidas dos copos de todos da mesa e andou, sumindo em meio ao emaranhado de pessoas no bar.

–O que vocês acham que ele vai fazer? -indagou Calipso.

Mas antes que alguém pudesse responder, Leo tinha aparecido no centro do palco onde ficavam os músicos do bar. Ele tinha no rosto a sua melhor expressão "eu sou sexy". E, de repente, a música I sexy and I know it tinha começado a tocar.
As mulheres de meia idade no local gritaram. Alguns homens gargalhavam e outros pareciam prestes a xinga-lo. Mas a única coisa que ele fez foi levar as mãos em ato de rendição, pegou o microfone do local e disse:

–Senhoras e senhores, hoje, aqui e agora vocês iram contemplar a maior maravilha da humanidade. Aconselho a todos que tenham menos de 18 anos saírem do local. Mas acho que esse é um pedido meio idiota, já que esse é um local para adultos. -Leo suspirou e jogou os cachos pra trás. -Enfim, vou ficar pelado. Então, Dj, por favor, aumente a música.

A música começou a tocar mais alta e em um ritmo mais alucinante. Leo tirou a sua jaqueta de couro preta, enquanto dançava muito estranhamente no palco. Ele jogou a jaqueta em cima de uma mulher que parecia ter seus cinquenta e poucos anos, a mulher gritou e pediu que ele tirasse o resto da roupa. Ele apenas deu o seu sorriso safado e arruaceiro de sempre e tirou a blusa.

–Argh, nossa ...-Annabeth se inclinou e sussurrou no ouvido de Percy: -Amor, ainda bem que você não pode ver.

Percy apenas gargalhou com a brincadeira da namorada.

A verdade é que Leo tinha o corpo bonito, não era musculoso, nem um pouco, mas era definido. Na parte dos ombros e os braços tinham algumas cicatrizes adquiridas com o tempo de trabalho. Mas ele era charmoso, mesmo com o seu estilo meio magricela.

Leo tirou a calça, mas obviamente seu show seria interrompido. Os seguranças do local o seguraram pelo braço antes que ele tirasse a cueca. Ato esse que fez alguns mulheres protestarem insatisfeitas e alguns homens agradecerem aos céus.

Mas ele não fora a única vitima dos seguranças do local. Todos que estavam na mesa foram convidados cordialmente a saírem do bar e não voltarem nunca mais.

Quando já estavam do lado de fora, eles simplesmente não conseguiam parar de rir. Leo tentava colocar as suas roupas enquanto xingava todos ali.

–Vocês são uns idiotas -ele disse. -Mas que droga, podiam ter esquecido a porcaria da aposta na faculdade!

–Mas é claro que não, a vida seria muito sem graça sem o seu showzinho de hoje. -Jason declarou.

–Ah que saber? Dane-se. Calipso, eu tô indo, você vem comigo? -Leo perguntou bufando de raiva.

–Claro que vou, meu stripper favorito. -Ela sorriu para ele enquanto mexia nos seus cabelos para tentar acalma-lo. -Bem, vejo vocês depois, pessoal. Parece que vou ter que acalmar a fera aqui. Beijos.

Ele acenaram e se despediram dos dois, enquanto Leo abotoava a calça entrando dentro do táxi. Hazel e Frank também se despediram e chamaram um táxi. Jason e Piper foram juntos no carro com Percy e Annabeth para casa.

Jason dirigia e Piper dormia tranquilamente do seu lado no banco ao lado dele. Percy e Annabeth estavam abraçados no banco de trás. Percy podia jurar que ele estava dormindo, afinal ela não falava nada e nem se mexia, mas logo ela provou que ele estava errado.

–Sabe, vou sentir falta de noites assim com o pessoal. -Ela disse enquanto brincava com os dedos da mãos dele. -Você me deu amigos de verdade.

–Você merecia, ainda mais depois de tudo o que passou . -Ele disse em um tom tão baixo como o dela. -Vai acabar, amor. Vamos resolver tudo depois de amanhã e finalmente vamos poder viver em paz.

Annabeth suspirou.

–Assim eu espero. -ela se arrepiou quando sentiu a mão dele sobre a sua barriga. -Eu não quero viver com medo ou sob ameaças. Quero ser feliz com as duas pessoas que mais amo. Você e ele ... ou ela.

Percy sorriu e deu um beijo na testa dela. Depois disso, seguiram em silêncio durante a pequena viagem para casa.

Notas finais
Então, galera, essa capítulo é mais uma ponte para o outro. A história fiaria super estranha se eu simplesmente cortasse esses acontecimentos. Curtiram? Eu achei super divertido escrever rs Beijos, amores. Até o próximo! PS: Desculpem como sempre os erros de português. Essa foi mais uma edição feita as pressas.