Blind
21 "Segredos"
Notas iniciais
Percy sentia a água fria cair no rosto e escorrer para o resto do corpo. Ele não tinha tido nenhuma contusão séria, apenas um corte na bochecha e um corte feio no lábio inferior. Os italianos gostavam de usar anéis pontudos, e aquilo combinado com a força de um soco, rendia um resultado doloroso.
Havia apenas alguns minutos que ele e Annabeth tinham chegado em casa. Walter, como sempre, tinha ido resolver "alguns assuntos importantes"; e Leo tinha voltado para a casa de praia e iria passar mais três dias por lá.
Ele não falara nada com Annabeth desde que chegaram. Não estava com raiva dela, só estava surpreso por ela ter agido daquela forma. Será que ela era mesmo tão cruel? Isso ele não sabia. Mas decidiu ter qualquer tipo de conversa de cabeça fria. Por isso, a primeira coisa que fez quando chegou em casa foi se enfiar no banheiro do quarto e tomar um banho frio.
Seu corpo ainda doía um pouco, provavelmente deveria estar marcado por hematomas, mas ele não se importava. Enrolou uma toalha em volta da cintura e saiu do banheiro. Ouviu o barulho de alguém rolando em cima da cama , ele sabia que ela estava lá. Foi até a sua gaveta de roupas, pegou suas roupas de dormir e começou se trocar.
–Sabe, Percy, se você quer brincar de ficar me ignorando, não está fazendo um belo trabalho trocando de roupa na minha frente. Só mostra o quanto você quer me provocar e não o quanto você quer me ignorar. -Annabeth disse em um tom brincalhão.
Percy ouviu os passos dela vindo em direção a ele. Terminou de colocar a sua blusa, a última peça de roupa que faltava, e abriu os braços para envolver ela em um abraço. Por um breve instante ele apenas escondeu o rosto na curvatura do pescoço de Annabeth, mas então levantou o rosto de modo que podia sentir que se chegasse muito perto a ponta do seu nariz tocava o dela.
– Não estou ignorando você. Apenas estou ... -ele tentou encontrar a palavra -Estou pensativo, só isso.
Ela segurou o rosto dele nas mãos. Ele não podia vê-la mas ainda assim sabia que ela o estava fitando, tentando formular algo para dizer.
–Ah, tudo bem. -Ela virou o rosto dele com delicadeza. -Caramba, Percy! Esse corte está feio. Me espere voltar do banho que eu vou fazer um curativo nele.
–Não precisa, Annabeth.
–Claro que precisa, não discute. Espere um instante que eu já volto. -disse ela mandona como sempre.
Ela entrou dentro do banheiro. E a cabeça de Percy ainda estava a mil com o que tinha acontecido naquela noite. Decidiu fazer a única coisa que sempre faz quando estava de cabeça quente: beber.
Ele queria conversar com ela, contar porque se comoveu com a história de Benito. Queria ser capaz de enxergar (claro que não no sentido literal da palavra) algum tipo de bondade dentro dela. E queria também esclarecer algumas dúvidas sérias que tinha em relação ao passado dela. E, é claro, ele não poderia formular perguntas como aquelas sem um estimulo de coragem. E para isso iria tomar um gole de uísque.
Percy foi tateando com as mãos na parede para se guiar pelo corredor e descer as escadas até a cozinha. Quando chegou lá ele ouviu o barulho de uma colher retinindo numa xícara.
E pelo cheiro ele soube que alguém tinha descido para tomar um café.
–Fala aí baixinho. -Aquela era com toda a certeza a voz de Jason o provocando.
Quando se conheceram ele e Percy se deram bem de cara, mas sempre rolou uma competição boba entre eles. Sempre queriam mostrar que era superior ao outro e o curioso era que aquilo sempre foi apenas uma brincadeira entre eles. Como Jason era alguns poucos centímetros mais alto que Percy, chama-lo de baixinho era a forma de se mostrar superior.
–Como vai Superman loiro, voando muito? -Percy perguntou no mesmo tom de sarcasmo.
–Voando muito e muito alto. -Jason deu uma risadinha para mostrar que a exibição entre eles tinha terminado. -O que houve com o seu rosto cara?
–Ah isso -Percy tocou o corte na sua bochecha e depois desceu a ponta dos dedos aos lábios, que estavam inchados e doíam um pouco. -Me meti em confusão numa boate que fui com Annabeth hoje. Mas não querendo ser ignorante nem nada, eu prefiro não falar sobre isso.
–Tudo bem, claro. -respondeu Jason. Era aquilo que Percy mais admirava na amizade dos dois: Jason não era intrometido, confiava o suficiente no amigo pra saber que ele não faria nada por motivos bobos. -Mas você ta com uma cara estranha, está rolando algo de errado entre você e Annabeth?
Percy suspirou. Ele queria desabafar com alguém e Jason era a pessoa certa, do tipo que não fazia perguntas sobre coisas que não eram da sua conta. Percy decidiu contar o que podia e pedir alguns conselhos. Foi até o armário de mantimentos em cima da pia da cozinha, era ali que ele escondia o seu uísque para tomar em caso de emergências.
–Tudo bem, Jason, você tem que me prometer que não vai fazer perguntas sobre aquilo que eu não puder contar. E que tudo o que falarmos aqui, morrerá aqui. -disse ele com uma expressão séria enquanto enchia o seu copo de uísque.
–Você me conhece, cara. Não sou nenhum curioso. Agora desembucha.
Percy tomou um gole bem logo do seu uísque.
–Eu amo Annabeth, amo mesmo. Mas de vez em quando eu acho que ela vai simplesmente jogar toda a nossa relação pro alto. Ela é instavél, sabe? E o passado dele me assusta. E eu ... -Percy não conseguiu terminar a frase.
–E você? -perguntou Jason tentando incentiva-lo.
–E eu quero me casar com ela.
Aquele pensamento estava martelando na mente dele nas últimas semanas. Era estranho ele se ouvir dizer uma coisa dessas.
–Eu quero passar o resto dessa minha vida de cego ao lado dela. -Percy deu um sorriso de lado ao imaginar acordar ao lado da "Senhora Jackson" todas as manhãs e toca-la sempre que quisesse por debaixo dos lenções. -Mas eu tenho tantas dúvidas sobre ela. Não sei o que fazer.
Por alguns breves minutos, fez se um silêncio total entre eles. Jason mexia com a colher no seu café e Percy tinha desistido de beber o uísque no copo e começara a beber direto da garrafa.
–Sabe, cara, você precisa tirar as suas dúvidas com ela. -disse Jason. -Vocês precisam trocar segredos um com o outro, confiar mais e serem mais íntimos. Eu vejo no seu rosto o quanto a loira te trás felicidade e se você a ama, vai saber vencer todas essas diferenças que existe entre vocês.
Percy ficou pensando no que acabara de ouvir. Seu amigo estava certo, saber as histórias de vida um do outro não é saber os segredos um do outro. E foi naquele momento que ele descobriu que ele e Annabeth se amavam, porém não confiavam totalmente um no outro.
–Cara, você está certo. -Percy olhou para uma direção qualquer torcendo para que conseguisse olhar diretamente para Jason e não fazer papel de bobo. -Você manja das coisas. Como aprendeu tudo isso?
–Bem, eu e Piper estamos juntos a muitos anos. Quando você convive tanto tempo assim com uma mulher, você acaba aprendendo algumas coisas. Mas lembre-se: Você vai sempre aprender com uma mulher, mas nunca vai de fato entende-la. Porque mulheres são uma especie incompriensivél para nós homens.
Jason soltou uma gargalhada e Percy o acompanhou. Ele estava certo mais uma vez, era impossível entender as mulheres.
–Vou ir pro quarto e conversar com ela. -falou Percy.
–Ah, cara, não beba mais nada ok? Não é legal conversar com a namorada bêbado.
–Ah sim, claro. -Percy se sentiu aliviado por não ter bebido tanto. -Aliás, Jason, porque você veio tomar café de madrugada? Quer dizer, a essa hora da noite as pessoas querem é dormir.
Jason soltou uma risadinha um pouco maliciosa.
–Meu patrão precisa fazer um voo de emergência, então eu tenho que estar lá pra pilotar o jato particular dele. E como a minha noite foi muito agitada antes de você chegar -ele fez uma pausa para rir mais um pouco. -Eu estou me embebedando de café pra me manter acordado.
–Cachorrão. -Percy riu com gosto da primeira colocação correta que ele tinha achado para aquela palavra.
Depois que os dois se recomporam e pararam de rir e trocar as suas piadinhas masculinas, Percy disse:
–Então é isso, superman loiro. Eu vou subir e conversar com ela. Tenha um bom trabalho e até amanhã.
–Até amanhã, parceiro. Boa sorte com a sua namorada.
Jason pegou suas chaves e saiu. Mas depois voltou abrir a porta da sala e andou até a cozinha, como se precisasse contar algo urgente a Percy. Quando chegou lá, disse:
–Ah cara, eu me esqueci. -Jason andou até o Percy e lhe entregou um envelope. -Walter me pediu pra te entregar isso, estava em cima do balcão e do jeito que Piper é curiosa teria lido. Ele disse que é importante e que você e Annabeth iriam gostar do que tem aqui dentro. Fique tranquilo, eu não li.
–Sei que não leio. Obrigado. -Percy lhe dirigiu um sorriso agradecido.
–De nada, parceiro.
Dessa vez, Jason tinha ido mesmo embora. Percy segurou o envelope e voltou para o quarto um pouco mais tranquilo, as coisas entre ele e Annabeth iriam ficar bem, ele acreditava nisso.
Quando ele abriu a porta do quarto, deixou o envelope em cima da comoda do lado da cama. Ouviu o barulho de um secador de cabelo sendo desligado e a porta do banheiro sendo aberta.
–Percy, você demorou. Eu aproveitei e comecei a secar o cabelo. -disse Annabeth.
–Já terminou? -perguntou Percy.
–Ah, já. -ela respondeu. Percy percebeu um oitavo de preocupação na voz dela.
–Que bom, amor. -Ele se sentou na cama e encostou as costas na cabeceira. -Sente-se aqui, precisamos conversar.
Annabeth suspirou, um suspiro irritado de quem não queria voltar a um assunto chato. Mas mesmo assim ela foi até a cama e se sentou do lado de Percy, também escorando as costas na cabeceira da cama.
–Por que você foi tão egoísta hoje a noite e ignorou o fato de Benito quase ter morrido? -perguntou Percy, de uma vez.
–Sério que você fez todo esse drama apenas pra me perguntar isso? -O tom de voz dela mostrava o quanto ela estava irritada.
–Annabeth, não precisa ficar brava. Eu só quero saber por que você não deu a mínima pro que ia acontecer com Benito. Só isso. Você não se importava mesmo com o fato de que ele poderia morrer?
Annabeth refletiu um pouco, como se estive pensando em dizer a verdade ou mentir para agrada-lo. Depois de alguns segundos ela disse:
–Não, eu não me importava. -Ela fez uma pausa para ele processar o que ela estava dizendo. -Não preciso te dizer nada sobre como cresci, porque você sabe que isso muitas das vezes não influencia em nada. Mas na minha cabeça eu estava certa, apenas fui lá para aquela boate com a intensão de fazer o que estavam me pedindo. Eu só queria terminar logo com aquilo e vir pra casa. Eu não me importei com o que iria acontecer com aquela cara, de verdade. Eu sempre fui assim, uma pessoa que só se importa com si mesma e com as pessoas que ama. Não me importo com desconhecidos.
–Mas Annie, eu fico me perguntando se essa sua frieza não pode se voltar contra mim. Você nem ao menos consegue dizer que me ama. -Percy começou a se alterar, a apatia lhe incomodava.
–Eu não vou deixar você, se é isso que você acha que vou fazer. -A respiração dela estava ofegante e seu tom de voz mais alto, com toda certeza estava se segurando para não gritar. -Mas que droga, eu estou arriscando a minha vida pra ficar do seu lado. E agora você quer vir discutir comigo por causa de uma idiota que vai pedir dinheiro para um Agiota que ele sabia que iria mata-lo se não pagasse.
–Ele estava desesperado, a filha precisava fazer uma operação muito cara e um tratamento mais caro ainda. -Percy percebeu tarde demais que já estava fora de controle e de repente cuspiu as palavras em cima dela: -A garota estava com o mesmo tipo de câncer que o seu pai teve. Precisava tirar um tumor do estômago, e a coitada só tem um ano de idade. Eu estou fazendo por ele a mesma coisa que o cara, que agora quer te matar, fez por você. Não queria que Benito morresse, ele tem outros filhos. E eu não queria que os outros filhos dele entrassem pro crime pra se sustentar. E que se tornasse pessoas frias e egoístas, igual a você.
Quando ele terminou de falar, se arrependeu na mesma hora do que tinha dito. Percebeu que tinha escolhido as palavras erradas para dizer o que pensava.
–Já vi que não dá mesmo pra conversar com você. -disse Annabeth com a embargada.
Ela se levantou fungando e correu até o banheiro. Percy a ouviu trancar a porta e chorar lá dentro. Ele também se levantou e correu até o banheiro, bateu no que achou ser a porta, mas quando se tocou ele estava a seis passos a esquerda da porta. Ele deu um sorriso de lado, Annabeth sempre ria daquilo.
–Annie, abre a porta. Me desculpe. — ele ainda a ouvia chorar, mas agora o choro estava perdendo a força. -Eu sou meio rude na hora de me expressar. Por favor, abre essa porta e me deixe me desculpar. Se você não abrir, eu juro que arrombo.
Ele ouviu ela soltar uma risada sem humor, provavelmente não acreditava que estava sendo convencida por um argumento daquele. Ela destrancou a porta e ele entrou. Ela tinha parado de chorar e quando o viu o abraçou. Ele a segurou mais forte nos seus braços e sentiu o cheiro do shampoo de morango que ela usava. Ele gostava de cada detalhe dela e estava até reparando nas mínimas coisas que ela fazia.
Ele teve um pensamento totalmente tosco: Estar apaixonado deixa um homem meio boiola.
–Me desculpe, Percy. Eu simplesmente não consigo ter um coração bom assim igual ao seu. -ela falou perto do ouvido dele, o que o fez se arrepiar.
–Tudo bem, eu não quero mudar nada em você. Você tem que se sentir a vontade pra mudar com o tempo. Me desculpe também, eu não deveria ter falado com você daquela forma. -ele respondeu também falando perto do ouvido dela.
–Eu te disse que não era uma pessoa boa.
–Eu eu te disse que eu era um idiota.
Ela riu e ele se sentiu feliz por ter terminado aquela discussão. Ele a abraçou mais forte um pouco, de moda que sentia o coração dela batendo. Ela se afastou dele e disse:
–Meu Deus, eu quase me esqueci. Ainda precisamos dar um jeito nesse corte. -ela tocou o ferimento na bochecha dele e sentiu o sangue ainda fresco. -Senta lá na cama que eu vou pegar algumas cosias pra dar um jeito nisso.
Percy se sentou, com as costas escoradas na cabeceira da cama. Tocou o corte e sentiu um pouco de dor. Não era muito grande, mas era uma linha muito funda riscada na sua bochecha esquerda, por pouco ele teria que tomar um pontos no local. O corte no seu lábio inferior não estava muito melhor, inchado e ardendo, o ferimento o incomodava muito. Annabeth chegou até ele, se sentou no seu colo com as pernas uma de cada lado em volta do corpo dele. Seus rostos estavam próximos, mas ele não viu nem um sinal de luxúria naquilo, ao contrário, pela primeira vez estava sentindo que era um momento intimo entre os dois. Um momento que não precisava de sexo para se tornar especial.
–Ok, isso vai arder um pouco. Eu vou ter que limpar esse corte porque senão pode infeccionar. Vou usar só um pouquinho de àlcool em gel. -ela disse.
Mal ela pressionou o algodão com álcool na ferida, Percy já reclamou. Aquilo ardia e muito, mas Annabeth foi rápida e loga já estava limpando o corto nos lábios dele. Quando ela terminou, colou um band aid no corte na bochecha dele, foi até o banheiro e jogou o algodão fora.
Quando voltou, se sentou no colo dele da mesma forma que antes e começou a lhe acariciar os cabelos.
–Sabe Annie, acho que deveríamos ser mais íntimos um do outro. -Percy relaxou com o cafuné no seu cabelo. -Sei sua história de vida, mas quero saber muito mais que isso. Quero saber seus segredos.
–Só se você me contar os seus. -Ela disse sorrindo para ele. -Você começa, o que quer saber?
Percy demorou um pouco para formular uma pergunta. Então disse:
–Você já matou alguém?
–Ah caramba, você tinha que começar logo com isso? — ela suspirou — Tudo bem, eu não sei. Você deve estar achando estranho eu não saber. Mas a única vez que eu acho que matei alguém foi quando Billy me pediu pra colocar um liquido estranho na bebida de um cara, no dia seguinte ele apareceu morto. Na autópsia chegaram a conclusão de que ele tinha sido envenenado. Como eu não sabia se estava dando veneno pra ele, até hoje fico em dúvida se o matei ou não. -ela riu ao ver Percy, surpreso, com a boca formada em um "O". -Não me olhe assim, não sou uma assassina. Mas agora é a minha vez de perguntar alguma coisa.
–Ah tudo bem, pode perguntar.
–Como, quando e com quem foi a sua primeira vez? -ela sussurrou, travessa.
–Meu Deus, foi um completo desastre. -Percy riu ao se lembrar. -Foi com Sarah Parker, no baile de formatura. Eu estava apaixonado como um bobão por ela e ela só aceitou ir comigo ao baile porque eu sou cego. Mas aconteceu algo estranho naquela noite: ela começou a gostar de mim e me achar o cara mais atraente do mundo. Nós alugamos um quarto num motel. E eu, como era virgem, não sabia colocar a camisinha e isso deu um problema danado. Mas como ela era mais experiente me ajudou bastante e depois tudo correu bem. Namoramos por uns três meses mais então acabamos desgostando um do outro e terminamos numa boa. E como foi a sua primeira vez?
–Foi com Luke, o cara que me deu um tiro a alguns meses atrás. Eu simplesmente dei pra ele num banheiro de boate depois de ter cheiro gramas de cocaína. Graças a Deus não engravidei. Mas não gosto muito dessa lembrança. -Ela encostou a testa dela na dele. Ele sentia uma sensação boa no peito: se sentia amado -Qual é o seu maior medo?
–Hã, meu maior medo? Bem, é fácil responder essa pergunta: meu maior medo é te perder.
Annabeth soltou um arquejo, provavelmente não esperava aquela resposta. Mas logo se recompôs.
–Também tenho um medo enorme de te perder. Mas se depender de mim, nenhuma dessas duas coisas vai acontecer. -ela respondeu e encostou os lábios de leve nos dele.
–Droga de corte na boca, agora vou ter que ficar um tempo sem te beijar.
–Podemos dar um jeito nisso depois.
Eles se deitaram na cama de frente um para o outro, Percy tinha Annabeth envolvida em seus braços. Eles trocaram experiencias, compartilharam sonhos e descobriram coisas um sobre o outro. Não fizeram amor naquela noite, não foi preciso.
Percy se lembrou do envelope na comoda do lado da cama e o pegou. Entregou a Annabeth.
–Walter deixou pra gente ler. -ele disse. -Mas como eu não consigo ler ...
–Tudo bem, eu leio. -ela abriu o envelope e deu uma risada feliz. -Meu Deus, Percy, é a minha ficha criminal. E está totalmente limpa, eu fui absolvida. Não vou precisar mais ser presa.
–Ainda bem, odiaria ter uma namorada presidiaria. -Eles sorriam com a afirmação dele.
Percy tentou beija-la, mas constatou que com aquela sua boca inchada era praticamente impossível. Eles continuaram conversando e trocando carícias.
Quando se aproximava das quatro da manhã, Annabeth já estava ficando sonolenta.
–Percy, enjoei de conversar com você. -ela disse brincando.
–Eu sei, sou muito chato e irritante as vezes. -falou Percy sorrindo para ela.
–Não querido, você é chato e irritante sempre. E além do mais já está tarde e temos que dormir.
–Mas amanhã é sábado, podemos acordar tarde.
–Não discute, Percy. Dorme logo.
–Sim, senhora. -Percy bateu continência pra zoar um pouco com a cara dela.
Ela lhe deu língua e fechou os olhos, que já estavam vermelhos de sono. Deitou a cabeça no peito dele e ele lhe acariciou os cabelos.
Quando Percy estava quase pegando no sono, ele ouviu Annabeth o chamar.
–Percy? -ela o chamou.
–O que foi?
–Eu te amo. -ela disse e lhe deu um selinho.
–Eu também te amo.
O coração de Percy de repente ficou pesado de tanta felicidade. Ele coloucou um sorriso bobo no rosto.
Depois disso, não demorou muito para que os dois caíssem em profundo sono.
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