Blind
22 "Casamento"
Notas iniciais
Annabeth se olhava no espelho. Não era nenhuma tipo de pessoa narcisista, mas naquele dia ela tinha que admitir que estava linda. Vestia um vestido azul marinho que ia até a metade das coxas, usava uma maquiagem leve que ressaltava os seus belos olhos cinza e seus cabelos estavam presos em um coque alto. Ela estava elegante.
Era uma pena que Percy não pudesse vê-la assim.
E quando ela estava pensando justamente nele, eis que ele aparece entrando no quarto.
–Está pronta? -perguntou ele.
–Sim, estou sim. — ela respondeu.
Annabeth deu uma olhada no seu namorado e reparou que ele estava muito bonito. O cabelo bem cortado e curto estava, como sempre, bagunçado, mas estava penteado para o lado. A barba recentemente feita e uma blusa social de mangas longas branca com um blazer por cima, sua calça preta também era social. Ele estava bonito como ela nunca tinha visto antes.
–Você está lindo, Percy. -Annabeth disse sorrindo para ele.
–Obrigado. Mas eu queria poder te ver, apesar de ter certeza de que você também está linda. -ele respondeu. Percy segurou o rosto de Annabeth com as duas mãos e a ponta dos seus dedos percorria todo o contorno do rosto dela, ela sabia que ele a estava admirando. -Nunca toquei um rosto tão bonito como o seu.
–E como eu sou uma pessoa convencida, tenho certeza disso. -Eles dois riram com a piada egocêntrica dela. -Agora vamos, não podemos chegar atrasados no cartório, ou senão Hazel e Frank vão nos matar.
–Ah meu Deus, eu odeio cerimonias de casamentos ... -Disse Percy reclamando.
–Deixa de ser chato e vamos logo. -Ela já estava o puxando para saírem do quarto.
–Não, espera.
Percy a puxou e ela bateu de cara no peito dele. Annabeth colocou a mão no nariz e torceu para que ele não sangrasse, não na hora de sair de casa.
–Ah meu Deus, Annabeth, me perdoa. -Ele a abraçou colando seus corpos de modo que seus rostos ficaram muito próximos, ela pode ver uma onda de preocupação no rosto dele. -Eu sou muito desastrado mesmo. Diz que eu não quebrei o seu nariz, por favor.
–Ah não, não está quebrado, deixa de drama. -Annabeth suspirou sentindo a ardência no seu nariz passar. -Mas é melhor você ter uma boa razão pra quase tê-lo quebrado.
–Tenho, tenho sim. -Ele pegou algo no seu bolso e colocou na mão dela. -É um presente.
Annabeth analisou a caixa preta de veludo na sua mão, quando a abriu viu um colar de diamantes dentro dela. Era prata e parecia ser muito caro.
–Percy, é lindo!
–Eu sei, era da minha mãe. O casamento dela e do meu pai era arranjado, sabe? Coisa de burguês pra arranjar dinheiro. Ela não amava meu pai quando estavam noivos, mas ele sempre teve uma adoração imensa por ela. Então, no dia do noivado deles, ele deu a ela esse colar. Acabou que depois eles viraram as pessoas mais apaixonas que já conheci.
Annabeth estava perplexa, não podia acreditar que ele a estava lhe dando um presente tão pessoal.
–Percy, eu não posso aceitar. -Ela disse com os olhos um pouco marejados de emoção.
–Claro que pode e vai. -Ele a virou de costas, pegou o colar de dentro da caixa e colocou no pescoço dela. Tateando um pouco descoordenado para achar o feixe do colar -Não posso te ver, mas tenho certeza que isso só realçou a sua beleza.
–Amor, eu não posso ficar com isso...
–Cala a boca, mulher. E vamos logo se não vamos chegar atrasados. -Percy piscou um olho e lhe lançou o seu melhor sorriso sexy. Pena que olhou para todos os lugares do quarto, menos para ela.
Annabeth sorriu, aquele era o desastrado homem que ela amava.
[...]
A pequena cerimonia de formalidades civis foi um pouco chata, mas ainda assim era muito fofo ver Hazel e Frank, apaixonados e com os olhos grudados um no outro, se casando. Annabeth a todo momento olhava por cima do ombro e observava Percy, que estava atrás dela. Será que a relação deles tinha tanto futuro que poderia resultar em um casamento? Ela não sabia, mas torcia pra que sim.
Quando a cerimonia terminou, Percy fez questão de que todos fossem para um casa de show ao vivo. Nada parecido com uma balada, mas sim com aqueles lugares cheios de gente culta bebendo e se divertindo ao som de um músico cantando e tocando violão. Todos concordaram de imediato, é claro.
Chegando ao local, eles ficaram numa mesa perto do palco. Era um local divertido onde eles podiam ver de meia em meia hora um show bem curto de Stand -up comedy. No meio de um dos shows, Jason disse para o comediante do palco que Hazel e Frank tinham acabado de se casar. Não deu outra, casamento de repente virou o tema das piadas.
–Quando estamos recém casados -dizia o comediante. -Tudo é lindo. Isso, meus amigos, até ela pedir o seu cartão de crédito. Aí acaba o amor. -Todos riram, até mesmo Hazel e Frank que levavam as piadas na esportiva. — Depois de algum tempo de casados as mulheres descobrem que os homens só querem sexo e ainda ficam chateadas, rapazes. Elas reclamam que nós não nos importamos com os sentimentos delas, mas sabemos que isso não é verdade, apesar de gostarmos mesmo de sexo. E ah, é importante lembrar que toda a beleza de quando vocês eram jovens, some. Os homens ficam barrigudos e as mulheres pelancudas, aí meu amigo, ferrou de vez.
Todos no local riam, mas para a infelicidade de todos o show de comédia tinha acabado. E um músico começou a tocar canções animadas. Eles bebiam alguns matinês e Annabeth percebeu que Percy estava começando a ficar bêbado.
–Você tem que para de beber, querido. -Annabeth disse lhe dando um beliscão no braço.
–Ai, caramba. Eu não bebi muito e mesmo que eu fique bêbado, eu sei que você me ama assim. -Ele disse e lhe deu um beijo de esvaziar todo o ar dos pulmões, ela admitiu que ele ficava sexy assim.
Todos conversavam animadamente na mesa. Leo falava besteiras enquanto Calipso ria de suas piadas, Jason e Pier se pegavam, Walter tinha trocado alguns olhares com uma mulher bonita da sua idade e logo fora até ela para flertar um pouco. Frank e Hazel sorriam afetuosamente um para o outro, Annabeth achava que eles mereciam a cerimônia de casamento mais linda do mundo, mas eles eram pessoas simples demais, bastava estar perto um do outro para serem felizes.
Percy levantou com um sorriso alegre no rosto.
–Um brinde ao esplêndido presente de casamento dos noivos!
–Percy, não recebemos nenhum presente esplêndido. -disse Hazel para o amigo.
–Ah, eu me esqueci mesmo de falar? -ele fez um expressão de confusão, mas mesmo assim continuou: -Bem, eu sou realmente um pouco esquecido as vezes, sabe? Então, eu comprei um pacotes de viagens com tudo pago para as principais cidades da Europa: Londres, Roma, Madrid, Lisboa e, é claro, a cidade mais romântica de todas, Paris. O voo para Londres, que é a primeira cidade na escala, está programado para amanhã de manhã. Se vocês quiserem ir, é claro.
–Ah, meu Deus, Percy. Você está falando sério? — perguntou um Frank muito surpreso. — Obrigado, amigo, vamos ser gratos a você pelo resto da vida.
Eles se levantaram e abraçaram o amigo, com sorrisos e mais alguns agradecimentos, Frank e Hazel agora estavam com a alegria mais que completa. Eles fizeram o brinde com direito a todas as taças ressonarem e bateram levemente uma nas outras. Percy se sentou ao lado de Annabeth e lhe disse num sussurro que era o melhor padrinho de casamento do mundo, Annabeth lhe olhou incrédula por tanta presunção, mas mesmo assim ele roubou um beijo dela que ela correspondeu com prazer.
A noite correu bem, isso até ela ver, algo ou melhor, alguém. O ser loiro e de olhos gélidos estava em pé em um canto escuro e praticamente imperceptível do local. Annabeth sentia seu sexto sentido lhe alertar a todo o momento que algo estava errado, quando o viu, teve certeza de que estava sim tudo errado. Ela balançou a cabeça com os olhos fechados, torcendo para que tudo aquilo fosse a droga de um delírio, mas infelizmente não era. Luke Castellan, estava a poucos metro dela, camuflado no escuro, quase passando despercebido.
Annabeth não foi a única a vê-lo, logo ela sentiu uma mão pousada educadamente no seu ombro. Ela olhou por cima do ombro e viu um Walter preocupado, sem nenhum traço de simpatia que sempre tinha no seu rosto.
–Percy, será que você me permitiria dançar com a senhorita Chase por um instante?
–Você quer dançar uma música lenta com a minha garota? -Percy tinha aquela expressão de BadBoy encrenqueiro que de vez em quando estava presente no seu rosto. Mas logo sua expressão se suavizou, era só mais uma brincadeira dele. -Pode sim, meu velho, claro. Mas se eu souber que a sua mão passou da cintura, você vai ser decapitado e eu não estou brincando.
O músico agora tocava uma música lenta que falava sobre um homem que ia pra guerra e sentia falta da sua amada. Walter colocou uma de suas mãos na cintura de Annabeth e com outra ele segurou a mão livre dela, a que não estava no ombro dele.
–Tenho certeza de que eu não foi o único a vê-lo aqui, não é, senhorita Chase? -ele afirmou olhando para Luke.
–Não, não foi. Eu o tinha visto a alguns minutos atrás. -Annabeth olhou no fundo dos olhos castanhos do homem. -O que ele quer?
–Eu estava conversando com ele através de coisas escritas em guardanapos, que os garçons do local levaram para ele. A única coisa que ele disse é que quer apenas conversar com você.
Annabeth olhou para Luke. Ao perceber que ela estava o olhando, ele levantou a blusa cinza escura que estava vestindo, mostrando assim um abdomen liso. Annabeth entendeu o que ele estava querendo dizer: Não estava armado.
–Você acha que eu deveria ir até lá conversar com ele? -perguntou ela.
–Só se você quiser. Eu estou muito bem armado, se ele tentar qualquer coisa, eu o mato. -Walter estava com os olhos faiscando de raiva e ela percebeu que a última frase que ele tinha dito, não era nenhuma brincadeira.
–Então eu vou lá. Alguma hora eu e Percy temos que deixar de fugir dele e de Billy. Isso tem que acabar de uma vez por todas.
–Tudo bem, boa sorte.
Ela percebeu algo no olhar de Walter. Seria admiração? Ela preferiu achar que sim. Ele lhe deu um beijo na testa e ela soltou a mão dele. Annabeth caminhou até onde Luke estava, antes de chegar lá olhou uma última vez para Walter. Ele fez o mesmo gesto que Luke, levantando a barra de sua blusa social, mas ao contrário do rapaz, Walter estava muito bem armado.
Quando ela chegou lá, foi recebido pelo sorriso mais assustador que ela já viu. Luke era presunçoso. E apesar de eles sempre terem sido amigos, ela sabia que se ele pudesse mata-la agora, ele não exitaria.
–Pensei que não fosse vir falar comigo. -Ele disse ainda com o sorriso perturbador no rosto.
–Minha intenção não é bater papo com você, imbecil. Diga logo o que quer. -Ananbeth disse fria, tentando esconder o pânico contido dentro dela.
–Eu quero dinheiro, não é obvio? Billy e eu temos uma proposta a fazer. 500 mil na nossa mão e nós deixamos você e seu namoradinho deficiente em paz.
Annabeth quase lhe deu um soco ao ouvi-lo chamar Percy de deficiente, mas procurou se controlar. Pensou na proposta dele, era tudo fácil demais, algo estava errado.
–Tudo bem, quando você quer o dinheiro? -Ela perguntou.
–Me dê seu numero de telefone, eu te ligo e combino tudo.
–Nem que um vulcão cuspisse fogo em cima de mim eu te daria.
Luke sorriu o mesmo sorriso assustador de antes.
–Tudo bem, eu posso descobrir o número por si mesmo. Você sabe que não é difícil, afinal, você já fez isso várias vezes antes.
–Olha aqui seu desgraçado, se eu souber que você esta tentando fazer algum mal a nós, eu juro que arranco esse treco ridículo que você tem no meu das pernas.
–Treco ridículo esse, que você já usou e abusou.
Annabeth não se conteve se desferiu um soco com toda a sua força nele. Ele a agarrou e a jogou contra a parede, segurando os braços dela com força.
–Olha aqui, sua vadia, se fizer isso de novo eu agarro esses seus cabelos loiros e bato com a sua cabeça na merda dessa parede até você parar de respirar. -Ele tinha tanta raiva no olhar, que ela se sentiu consumida pelo o ódio. -Vou te dar só mais uma chance pra pensar. Eu vou ligar pra você e você irá pensar no assunto, e brevemente no futuro, eu e Billy deixaremos você e seu namorado cego em paz. Me ouviu bem?
Luke a soltou e foi embora com a cabeça erguida e ignorando o inchaço roxo no seu maxilar. Annabeth sentiu uma dor nas juntas dos dedos e constatou que estavam levemente cortadas pelo soco que ela deu em Luke. Fez um sinal de positivo pra Walter e ele entendeu que estava tudo bem. Ela torceu para que nenhum dos seus amigos tivessem visto a cena.
Ela andou até a mesa, colocou um das mãos no ombro de Percy e disse:
–Percy, eu não estou me sentindo bem, podemos ir pra casa? -Ela olhou em volta, mas a expressão de todos estava normal, eles não tinham visto nada.
–Ah, tudo bem. -disse Percy um pouco decepcionado. -Se você que ir então vamos.
Percy se levantou cambaleando, já estava bêbado. Annabeth segurou a mão dele e o conduziu até a saída do local. Antes de saírem Walter se aproximou deles.
–Senhorita Chase, percebi que você parece um pouco cansada, está tudo bem? -perguntou Walter olhando para a mão dela que estava machucada.
–Sim, Walter, está tudo bem, não se preocupe. -Ela disse e ele assentiu. -Agora nós temos que ir, me desculpe, tenho um bêbado pra tomar conta.
Ela conduziu Percy até a saída e dirigiu o carro na volta pra casa.
[...]
Annabeth esta prestes a socar o seu namorado. Ela nunca viu pessoa mais irritante que ele. Quando chegaram em casa ela tentou dar um banho nele, quase sem sucesso, porque o individuo não parava quieto.
–Percy, será que dá pra você entrar logo de uma vez no box? -Ela gritava sem paciência com ele.
–Só entro se você entrar comigo. -ele respondeu com o habitual sorriso zombeteiro no rosto.
Ela empurrou Percy só de cueca box pra debaixo do chuveiro. Ele reclamou da água fria e jogou um pouco de água nela. Ela quase o matou por isso.
Quando achou que o castigo dele de ficar debaixo da água já estava bom, desligou o chuveiro e o tirou de lá de dentro.
–Toma essa toalha. Sua roupa está ali, só coloca-la. E Percy, pelo amor de Deus, tire essa cueca molhada.
Agora era a vez dela entrar debaixo do chuveiro. E foi isso o que ela fez. Sentiu a sensação relaxante da água fria escorrendo pelo o seu corpo. Pensou no que Luke tinha lhe dito e ficou com medo por ela, Percy e por todos os seus amigos. Ela não soube dizer por quanto tempo ficou debaixo do chuveiro, mas ficou bem relaxada quando terminou o banho.
Quando saiu do box do banheiro, viu Percy, vestido com uma blusa e um short, sentado em cima da tampa do vaso. Ele tinha uma expressão que dava pena no rosto.
–Querido, por que você ainda não foi se deitar?
–É que ... Annie ... eu não consigo enxergar. -Ele fez o bico mais fofo que Annabeth já viu na vida. — E eu não consigo achar a maçaneta da porta. Essa é a parte ruim de ser cego e ficar bêbado.
Ela pensou em dizer um "eu te avisei" bem alto no ouvido dele. Mas apenas revirou os olhos e segurou a mão do namorado enquanto abria a porta do banheiro e os conduzia até a cama.
Ela se deitou e ele se deitou por cima dela, com a cabeça apoiada nos seus seios, ouvindo o seu coração bater. Ela acariciava os cabelos dele e pensava no futuro.
–Annabeth? -Percy chamou.
–Humm? — respondeu ela.
–Quer casar comigo?
Ela levantou o rosto dele e olhou no fundo daquelas órbitas verdes. Ela percebeu que ele ainda estava embriagado, mas viu uma sinceridade incomum nos olhos dele.
–Percy, você está bêbado. Me peça em casamento de novo amanhã, aí sim nós conversamos. -Ela sorriu para ele e tocou de leve seus lábios nos dele.
–Eu estou falando sério, quando eu tiver sóbrio vou voltar nesse assunto. -ele escondeu o rosto nos braços dela de novo. -Você vai ver, eu vou...
Ele nem terminou a sua frase e já estava dormindo. Annabeth sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo o seu rosto, não era tristeza, mas ela também não sabia o que era. Sentiu que Percy estava realmente falando sério e permitiu a seu coração atribulado se alegrar com aquilo.
Ela teria que fazer de tudo para que nada de mal acontecesse a ele.
Ela fechou os olhos e tentou esquecer a conversa que teve com Castellan naquela noite.
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