Blind

20 "Negociando com Gângsters -Parte II"


Notas iniciais
Eu não tenho nada a dizer '-' Curtam o capítulo aí, então! rs

Era difícil saber porque um Gângster americano não podia ser como todos ao redor do mundo. Não se contentavam apenas em viver no luxo, eles tinham que ostentar o luxo. E ainda por cima de uma forma completamente tosca.

Phill era um desses contrabandistas que adoravam se exibir. Depois que descobriu que era mesmo Annabeth que estava diante dele, ele tinha parado de espancar o homem no chão, que agora estava ensanguentado jogado em um canto, e sua ocupação era tentar seduzir Annabeth.

Phill ainda continuava bonito, alto, negro e com um bigode e cavanhaque que o fazia parecer um rapper. Estava usando também uma blusa regata que deixava a mostra seus braços tatuados. Tinha cordões de ouro e segurava em uma das mãos uma taça -que Annabeth achou exageradamente ostensiva- com pequenas pedras de diamantes moldadas ao redor dela.

Agora eles estavam sentados em um local afastado de toda a barulheira da boate, em arquibancadas na sessão vip da boate que dava pra ver tudo lá em baixo, em poltronas completamente confortáveis e prostituas dançando em um daqueles canos de Pole Dance. Phill tinha três capangas parados atrás dele e apenas uma mesa feita de cristais separava Annabeth de Phill, que a olhava vidrado. Percy estava em pé atrás da cadeira de onde ela estava sentada.

–Você continua a mulher mais linda deste planeta, Annie. -disse Phill ainda com os olhos vidrados nela.

–Muita obrigada, Phill. -Annabeth se esforçou para a voz parecer sedutora. Afinal, se o seu poder de persuasão falhasse, a solução seria recorrer ao charme.

–Você foi a única mulher que realmente soube como me deixar louco na cama. -Phill deu um sorriso digno de um estuprador.

–E provavelmente vou continuar sendo a única com esse talento. Tenho certeza que nenhuma outra mulher se compara a mim. -Respondeu ela com o mesmo sorriso obsceno.

Quem não estava gostando de toda aquela conversa era Percy. Ele agarrava a parte de trás da poltrona de Annabeth e ela temia que a qualquer momento ele rasgasse o tecido de tanta raiva. Ela olhou para trás por um instante e viu uma expressão de fúria no rosto avermelhado de raiva dele. Seus olhos deveria estar como orbitas de fogo por de trás dos óculos escuros.

Ela sorriu de lado, ele estava com ciumes.

–Bem, Phill, sinto muito lhe informar mas eu não vim aqui pra isso. -disse ela.

–Eu imaginei que sim. -respondeu Phill. Deu um gole na vodka que estava na sua taça e disse: -Veio a serviço de Billy então?

–Não, eu não trabalho mais para ele. -Ela se inclinou para frente a fim de ficar mais próxima dele. Phill fez o mesmo, de modo que seus rostos ficaram a poucos milímetros um do outro. -Trabalho para a policia.

Ao ouvir isso, Phill cuspiu toda a vodka que estava na sua boca. Annabeth teve apenas alguns segundos para afastar o rosto antes que todo aquele cuspe a atingisse. Phill estalou os dedos e de repente todos os seus capangas sacaram as armas e apontaram para Percy e Annabeth.

–E você veio aqui me prender? -perguntou ele assustado.

–Se eu quisesse te prender você não acha que já teria feito isso enquanto você estava lá fora e exposto? -indagou Annabeth. -Phill, eu vim aqui para fazer o que eu sempre faço: vim negociar.

–Ahh, certo, pode falar.

Annabeth se comunicou com Leo e pediu que ele trouxesse a mala com o dinheiro que seria dada a Phill. Depois que entregou a mala com o dinheiro, Leo voltou a roubar as músicas do DJ completamente drogado dançando com vítima de derrame lá em baixo.

O Gângster ouviu tudo com atenção e com os olhos brilhando enquanto olhava para o dinheiro na sua frente. Enquanto Annabeth falava, ela viu Percy andar até o homem que tinha sido espancado pelos bandidos. Ela sentiu um pouco de pena ou olhar para o homem, ele estava com um olho roxo, o nariz quebrado e, enquanto ele falava, Annabeth percebeu que ele tinha perdido um dente da frente. Percy conversava com ele, provavelmente estava curioso para saber a história daquele cara.

Ela percebeu que já estava tempo demais ali e como não queria prolongar sua estadia, disse:

–Então Phill, foi por isso que eu vim aqui. Você tem cortar o seu contrabando com Billy. Nós da policia investigativa estamos prestes a prende -lo. Você pode escolher continuar trabalhando com ele e depois perder tudo com a prisão dele; ou pode aceitar nossa proposta e sair no lucro. Então, você aceita?

–Mas é claro que sim! -Phill exclamou e agarrou a mala de dinheiro. -Eu já estava preste a ir atrás daquele filho da puta. O desgraçado está me devendo 100 mil.

Annabeth estava satisfeita, não pensou que seria tão fácil. Mas toda a sua felicidade e satisfação foram ameaçadas quando Percy disse:

–Tem um porém, Phill. Você só vai ficar com o dinheiro se soltar este homem.

–Percy, do que é que você está falando? -perguntou Annabeth indignada.

–Você ouviu, Annabeth. E acho que todos aqui também. Você, Phill, só fica com o dinheiro se soltar este homem.

Phill soltou uma gargalhada que fez o rosto de Percy se contorcer um expressão assustadoramente raivosa. O homem que tinha sido espancado continuava gemendo de dor com uma das mãos nas costelas, que deveriam estar quebradas também.

–Eu não vou soltar esse cara. -disse Phill ainda rindo.

–Mas você deve. Ele precisava do dinheiro e é um homem inocente. -Percy gritou.

–É claro que precisava, mas não deveria vir pedir emprestado para um Gângster.

–Percy, mas de que merda você está falando? -perguntou Annabeth impaciente com toda aquela situação.

–Eu estou falando, Annabeth, de salvar um homem bom. -a voz de Percy estava tremula de raiva. — O nome desse cara é Benito Bertrando, ele é da colônia italiana aqui na Florida. Pediu 10 mil dólares emprestado para Phill porque precisava pagar uma cirurgia para a filhinha de um ano. A cirurgia deu certo, mas Benito só conseguiu pagar 5 mil para esse babaca aí. E é por isso que ele estava sendo espancado antes de entrarmos aqui, Phill pretendia mata-lo de porrada por não ter pagado a dívida.

–Eu só queria salvar a vida a minha piccola ... — Benito disse com lágrimas escorrendo pelos olhos. -Só queria salvar a vida da minha figlia. -disse ele misturando o inglês com o italiano.

–Olha aqui seu metidinho, nunca mais me chame de babaca outra vez, ouviu?-Phill gritou espumando de raiva.

Annabeth olhava a cena completamente irritada. Ela sabia que Percy tinha um coração bom, mas não imaginou que ele seria tão imbecil a ponto de se meter em algo que não é da sua conta.

–Percy, vamos embora, mas que droga. Não é nosso problema o que vai acontecer com esse homem. O plano deu certo, agora, VAMOS. -Annabeth rosnou as palavras para ele.

–Você não pode estar falando sério ... -Percy tinha uma expressão de decepção no rosto. -Esse homem não pode ser morto a toa. Por favor, Annabeth, você com toda certeza não pode estar falando sério!

Mas ela estava. Ela tinha crescido em um mundo cruel o suficiente para deixa-la egoísta e egocêntrica. Ela não ligava mesmo para aquele homem chorando e gemendo de dor jogado no chão. Ele não deveria ter pegado dinheiro emprestado de um criminoso. E seu namorado cego era mais idiota ainda por estar se preocupando com aquele tipo de coisa.

Annabeth se levantou e gritou o mais alto que pode:

–Seu idiota, vamos embora dessa merda agora. ISSO NÃO É DA SUA CONTA, VAMOS!

No mesmo instante em que ela terminou a frase, a música da festa parou. Todos agora dentro da boate reclamavam por alguém ter desligado a música. De repente ela ouviu barulhos de tiros e as pessoas gritaram enquanto se jogavam no chão.

–Mas que porra é essa? -Phill gritou para ninguém em especifico.

Annabeth olhou para o palco onde o DJ tocava lá em baixo. Leo e o DJ estavam amarrados. Homens vestidos igual aos personagens do filme poderoso chefão estavam em pé.

E um deles pegou o microfone e disse:

–Sta 'zitto, fiquem quietos! -o homem deu mais um tiro pra cima com a pistola na mão. — Digam onde está Benito Bertrando e ninguém se machuca.

–Aqui, mio cugino! -gritou Benito enquanto tentava se levantar com dificuldade do chão e balançava os braços. — Estou aqui.

O homem com cara de mafioso italiano subiu as escada para ir até onde eles estavam. Ele tinha um rosto muito feio, pele cor de oliva e os cabelos negros batiam no queixo. Vestia um terno preto com uma grava também preta e tinham mais uns 50 homens vestidos do mesmo modo e armados até os dentes espalhados pelo local.

–Giovanni, meu primo. Ainda bem que você veio, eles iam me matar. -disse Benito ainda chorando.

–Quem é você? -perguntou Phill.

–Meu nome é Giovanni Bertrando, sou líder da mafia italiana de Pensacola aqui na Florida. E este é mio cugino, Benito. E eu vou matar todos vocês por terem feito isso com ele. -o mafioso apontava indignado para o primo banhado no próprio sangue.

"Annabeth, está tudo bem?" perguntou Walter pelo comunicador. Ela não respondeu, estavam todos quietos dentro da boate e ela não queria ser a primeira a romper com o silencio.

–Porra, Benito. Se você tinha um primo criminoso, por que não pediu o dinheiro pra ele então? -indagou Phill,nervoso com a situação.

–Porque nós da mafia italiana não temos dinheiro, apenas armas e determinação. -respondeu Giovanni no lugar do primo. -E agora temos muita raiva de você também por te-lo espancado. E agora vamos matar todos aqui por isso!

Annabeth sentiu a ponta fria de uma pistola sendo pressionada na sua nuca. Seu corpo todo congelou. Ela viu que outro homem tinha feito o mesmo com Percy e agora todos os bandidos de Phill estavam cercados pelos mafiosos, incluindo o próprio Phill que tinha sido obrigado por Giovanni a ficar de joelhos com as mãos atrás da cabeça. Annabeth ganhou um tapa estalado no rosto de Giovanni e foi obrigada a ficar de joelhos também. Em NY também tinha uma colônia italiana e ela sabia que a maioria dos italianos -claro, que não todos- gostavam de maltratar as mulheres, especialmente se fossem americanas ou latinas.

–Puttana. -sussurrou Giovanni para ela.

Aquilo foi a gota d'água para a raiva de Percy se desencadear. Annabeth não se lembra de todos os detalhes, porque tudo aconteceu muito rápido, mas em menos de dois minutos aquela missão tinha se tornado algo completamente suicida. Percy deu uma banda no cara que estava com a arma na sua cabeça. Os três italianos foram pra cima dele, ele se desviou da maioria dos golpes que disferiam sobre ele. Conseguiu nocautear o primeiro homem, mas não teve tanta sorte com os outros. Ganhou um soco no estômago e outro na maxilar, seu rosto tinha um corte causa pelo anel do homem que lhe deu o soco e o local estava começando a inchar. Mas como estava com muita raiva ele pouco se importou, deu um chute no meio das pernas do cara e ficou cara a cara com o único italiano restante.

Ele conseguiu chegar até o homem e lhe dar um soco no olho esquerdo, o homem cambaleou para trás. Mas então a sorte de Percy começou a dissipar. O homem se levantou e lhe um chute na cabeça, bem na direção do seu ouvido. Ele gritou de dor, e o pior era que ele teria dificuldades para reagir, já que sua audição fora prejudicada.

Outros italianos surgiram do nada e começaram a chuta-lo. Annabeth gritava pra pararem, mas eles continuaram. O espantoso é que ele se levantou e ainda trocou alguns socos com os caras. Mas um deles conseguiu imobiliza-lo e o levou, também de joelhos, até Giovanni.

Os óculos de Percy jaziam no chão. O lado direito do seu rosto estava inchado e ele tinha um corte feio no lábio inferior. Seu olhar desfoque procurava um culpado para olhar de cara feia pra ele, mas ele não conseguia encontrar nenhum rosto. Já que o seu único sendo de orientação e espaço, sua audição, estava danificada.

–Seu tolo, blind. Achou mesmo que um idiota cego como você, seriam capaz de acabar com os meus homens? -Giovanni deu uma gargalhada.

–Talvez eu não tenha acabado com todos, mas consegui nocautear alguns, não é, mio amico?

Percy também ganhou um tapa do mafioso.

–Você será o primeiro a morrer, riposare in pace ... -disse Giovanni.

O mafioso destravou a arma e no momento que ele ia atirar, como um anjo salvador, o seu primo completamente debilitado no chão, disse:

–Non Giovanni, não matem eles -gritou Benito desesperado. -O homem que você está prestes a matar, mostrou respeito por mim e estava negociando a minha liberdade. Você sabe que o nosso povo admira a compaixão, por isso não os mate. Apenas vamos embora.

Benito tinha uma expressão de suplica no rosto. Percy deu um sorriso agradecido pra ele e Benito tentou fazer o mesmo com o rosto desfigurado pelas pancadas e com um dente da frente faltando.

–Tem certeza, mio cugino? -perguntou Giovanni. -Eles iam matar você.

–Tenho certeza sim. Esse homem me enxergou quando ninguém mais fez isso. Vamos embora, mio cugino. Acabou. -respondeu Bernito.

Giovanni relutou um pouco antes de mandar os italianos abaixarem as armas. Deu um chute no estomago de Phill e mandou todos descerem para ir embora. Antes de descer, Annabeth perguntou a Phill se o acordo deles ainda estava de pé e ele respondeu que sim e depois grunhiu de dor.

Eles seguiram atrás de Giovanni, Annabeth andando com uma arma ainda na sua nuca sendo pressionada por um italiano e Percy carregando Benito, que parecia finalmente ter entendido que ele era cego, e assim ia ditando em tom bem baixo para ele por onde andar.

Encontraram Leo na porta da boate tentando abri-la para fugir.

–Eu ia atrás de vocês depois, eu juro. -disse ele tentando se desculpar. -Consegui me soltar agora e a rapaziada lá fora ...

–Cale a boca, Valdez e apenas siga os caras. -Percy cortou a frase dele no meio, antes que ele revelasse que o FBI estava lá fora.

Ananbeth pressionou um botão no seu relógio de pulso que acionava o comunicar. "Está tudo bem, Walter", ela disse bem baixinho com o os lábios próximos ao relógio.

Giovanni os deixou lá fora, com um olhar altamente furioso. Ao olhar ao redor, Annabeth viu porque Walter tinha perguntado se estava tudo bem. Tinha mais ou menos um 10 carros parados lá fora.

E quando Percy deixou Benito sentado no banco traseiro de um deles, ele disse:

–Benito, você ainda precisa de dinheiro para pagar o tratamento da sua filha?

–Sí, signore. Os remédios são muito caros. -respondeu ele com novas lágrimas brotando nos olhos.

–Você consegue gravar um número se ouvi-lo apenas uma vez?

–Sí signore.

Percy ditou o que Annabeth reconheceu ser o número do seu celular.

–Eu tenho dinheiro, Benito. Posso pagar o tratamento dela, apenas ligue para esse número.

–Mio Dio, grazie mille signore. Muito obrigado mesmo. -Benito agora tinha lágrimas de gratidão escorrendo compulsivamente pelo o seu rosto inchado e ensanguentado.

Depois que Percy se despediu do homem desesperado, os italianos deram partida e foram embora. A van do FBI parou em frente a boate. Eles entraram na van e se sentaram, Percy estava do lado de Annabeth. Ela pegou um cigarro que tinha roubado da mesa de Phill, pediu emprestado o esqueiro que Leo sempre levava no bolso, e acendeu o cigarro. Não fumava fazia alguns anos, mas estava tinha se estressado demais naquela noite e nada melhor pra acalmar os ânimos do que fumar.

–Percy. -Ela chamou ele enquanto soltava a fumaça.

–Fale e por favor apague esse cigarro. -respondeu ele.

–Desculpe, mas não vai dar pra apagar o cigarro. -ela disse. -Por que você está de cara feia?

–Porque você não fez nada quando soube que aquele homem poderia ter sido morto.

–Ah Percy, é por causa disso?

–Sim, é por causa disso sim. -ele suspirou. -Em casa nós conversamos.

Ele finalizou a conversa e não falou mais com ela desde então. Os agentes ficaram ouvindo o relato animado de Leo sobre o que tinha acontecido. Walter parecia estar pela primeira vez orgulhoso do genro e estava até rindo das suas piadas idiotas. Walter os fez prometer que não contariam nada pra ninguém, nem mesmo para sua filha, Calipso, que não sabia que ele era do FBI.

Annabeth encostou a cabeça na janela da van. Soltou uma última vez a fumaça do cigarro e o apagou.

Torceu internamente que o "conversamos em casa" de Percy não fosse o inicio de uma discussão entre eles.