Blind

14 "Momentos de Paz"


Notas iniciais
Ei pessoas, como vocês estão? Eu to na maior paz aqui no Rio, ta meio escroto a invasão de gringos e parece até q houve liberação da maconha pq os moleques da cidade só sabem fazer fumaça, mas tirando essas coisas tá tudo bem. Enfim, boa leitura :)

–Ela não queria deixar eu entrar, então eu comecei a chorar, falsamente claro, e disse que a minha vida é miserável demais e que as pessoas me discriminam até na hora de deixar eu visitar alguém no hospital. -Percy fez uma pausa dramática. E fingiu estar com a voz embargada. — Então eu consegui entrar aqui uma hora antes de horário de visitas. -Ele tirou um papel do bolso. -E ainda consegui o telefone da enfermeira, pena que ela não se ligou que eu sou cego e não posso enxergar os números.

Annabeth não teve outra reação a não ser rir de tudo aquilo. Ela e Percy estavam conversando a bastante tempo, graças aos benefícios da cegueira dele. Desde o dia que ela havia acordado, Percy sempre ia visita-la. Há três dias que ela estava acordada e ouvindo ele dizer que já tinha conseguido o telefone de quatro enfermeiras.

Annabeth sabia que mesmo que ele não fosse cego ele poderia conseguir o telefone de quem quisesse. Ele era o cara mais bonito que ela já tinha visto e, na opinião dela, o fato dele ser cego era só mais um charme que aperfeiçoava a beleza dele. Eles ainda não tinham tocado no assunto de ele ter dito aquelas coisas pra ela antes dela acordar, mas tudo estava indo bem, então ela resolveu esperar ele dizer as palavras "Eu te amo" novamente.

Mas isso não significava que ela não tinha nenhuma dúvida, depois que Percy terminou de fazer a sua última piada sarcástica, ela perguntou:

–Você sabe se descobriram alguma coisa de Billy?

–Por enquanto não. -Ele suspirou antes de continuar. -Pelo o que eu sei ele ainda está tentando matar a gente, mas Walter disse que ele não vai tentar nada por algum tempo, ele seria burro demais se tentasse. A polícia especial ta na cola, apenas esperando ele dar um passo em falso.

–A polícia especial quer dizer FBI?

–Não sei, Annie. Vindo de Walter, pode significar qualquer coisa.

–Eu não acredito que ele estava tentando me matar. -Ela disse com os olhos se enchendo de lágrimas. -Eu o amava, Percy. Ele me criou como se fosse meu pai, ele era o ser humano mais cruel que eu conheci, mas ele sempre foi gentil comigo. E agora ele tenta me matar por causa de 500 mil dólares. Eu pensei que tinha valor para ele, mas pelo visto eu só tenho preço.

–Algumas pessoas são assim, Annie. Elas te trocam por aquilo que sempre quiseram ter, Billy acha que tudo o que ele precisa é do dinheiro. Por isso ele é capaz de pisar em todos a sua frente pra conseguir isso. -Percy apoiou a sua cabeça no ferro que circulava a cama de Annabeth, segurou a mão dela e lhe dirigiu um sorriso de lado. -Olhe pelo lado bom, você tem a mim e eu sei que tudo o que eu preciso é você. Por isso você pode ter certeza que vai precisar de muito para se livrar de mim.

–Eu não quero me livrar de você, seu idiota. -Ela ergueu a mão dele e lhe um beijo estalado ali. -Você sabe quando eu vou poder ir embora?

–Eu espero que logo, o médico que você diz ser bonitão disse que vai vir aqui no final da visita falar conosco. -Ele disse o "bonitão" com uma clara pitada de ciumes.

–Tudo bem então, vamos esperar.

Eles continuaram conversando mais um pouco. Percy disse que Leo estava ficando apaixonado por Calipso, a filha de Walter. Ele também disse que tinha ficado bêbado todos os dias que ela esteve no hospital, Annabeth lhe deu um tapa no braço por isso. Eles comentaram o quanto Walter é um cara cheios de segredos e que era curioso o fato dele ter uma filha, Percy disse que o cara era tão imprevisível que tinha medo de um dia ele se revelar um homem bomba e matar todo mundo. Annabeth riu copiosamente por isso e deu outro tapa do braça dele, afinal ela ainda estava com a ferida da bala e até rir descontroladamente lhe causava dor.

Depois de um tempo, Apolo, o médico de Annabeth, entrou na sala:

–Desculpe interrompe-los, mas eu tenho boas noticias. -Ele deu um sorriso meio constrangido pela cara carrancuda de Percy, ele ainda estava com ciumes, é claro. -Você vai poder ir pra casa amanhã, senhorita Chase.

Annabeth não pode se conter de felicidade, estava sorrindo de orelha a orelha.

–E eu vou ter que tomar alguma precaução doutor? -Ela perguntou.

–Sim, vai ter que tomar os remédios para amenizar a dor da ferida, nada de esforço físico. Depois de uma semana provavelmente sua ferida já vai ter sarado e você vai poder voltar a suas atividades regularmente. -Ele olhou para Percy que continuava com uma cara emburrada olhando para nenhum ponto especifico da sala. -Cuide dela, rapaz.

–Doutor, eu vou tentar, mas eu estou a 25 anos tentando aprender a como cuidar de mim mesmo, então talvez seja um pouco difícil ter que cuidar dela também.

Apolo riu e se despediu deles enquanto saia da sala.

–Mas que droga, vou ter que ficar mais uma semana sem sexo. -Disse Percy levando mais um tapa no braço , só que dessa vez mais forte, de Annabeth.

–Percy, a vida não se resume a sexo, ok? -Ela queria parecer brava, mas estava rindo também. Era algo próximo do paraíso fazer amor com ele e ela também tinha ficado um pouco triste por ter que se privar de algo tão bom.

[...]

No dia seguinte, eles estava saindo do hospital. Chad tinha vindo de Nova Iorque somente para dirigir o carro de Percy, que não confiava em mais ninguém para ser seu motorista. Eles estava ouvindo rock e Annabeth teve que sorrir ao reconhecer a música que estava tocando. Era "The Fixer" da banda Pearl Jam, ela começou a canta baixinho alguns versos da música. Percy continuava calado do seu lado, ele estava jogando Flappy Birds e tentava a qualquer custo passar de dez pontos.

–Esquece Percy, nem eu que enxergo consigo jogar esse jogo, imagina você. -Ela estava ansiosa para parar de ouvir aquilo barulho irritante do jogo.

–Mulher, não tente diminuir a garra e força de vontade de um homem ao tentar ultrapassar seu limites. -Ele respondeu.

–Cara, desliga isso, esse barulho irrita. -Ela respondeu visivelmente sem paciência.

–Cala a boca, porra. Eu estou tentando ouvir o jogo. -Ele respondeu finalizando o dialogo.

Eles estavam indo para o aeroporto de Charleston, pelo o que parecia, Walter ainda estava com a ideia deles irem pra Miami. E era pra lá que eles estava indo. Percy não tinha escolha já que lá era um grande centro comercial, onde seria muito mais fácil administrar suas empresas do que em Charleston. No dia anterior Piper tinha ligado para ele perguntando onde ele estava, ele precisava gerenciar carregamentos de novos computadores vindo de Tokyo e alguns documentos precisavam da assinatura dele. Depois de algumas complicações ele tinha conseguido transferir seu escritório para Miami, o que significa que Piper também estava indo para lá e consequentemente Jason a estava acompanhando.

Percy finalmente desistiu de jogar Flappy Birds, definitivamente o próprio diabo tinha inventado aquele jogo.

–Aonde Leo está? -Perguntou Annabeth.

–Ele estava no carro de Walter, conversando com Calipso. -Percy disse com um sorriso malicioso brotando nos lábios.

–Você acha que eles já estão namorando?

–Não sei, mas me parece que o tom de voz deles mudou um pouco, como se tivesse acontecido algo e eles não quisessem falar. Você percebeu alguma troca de olhares suspeita?

–Sim, quando eles foram me visitar ontem, pareciam dois adolescentes apaixonados. -Annabeth suspirou sorrindo. -Fico feliz por eles, Calipso é uma ótima garota e Leo merece alguém depois de flertar com meio mundo e não conseguir namorar com ninguém.

–É, eles merecem um final feliz sim. -Concordou Percy.

Depois de terem feito o checking, eles foram direito para o avião. Geralmente Percy gostava de se sentar na janela quando ia viajar, mas deixou Annabeth se sentar lá dessa vez. Ele tinha decidido pagar passagens de primeira classe para todos, de modo que Walter estava numa cadeira sozinho e ele sentado em par com Annabeth e Leo com Calipso.

Ele passou o braço esquerdo em volta do corpo de Annabeth e ela descansou a cabeça no ombro dele. Eles não haviam se beijado desde o dia que ela levou o tiro. Percy virou o rosto para ficar rente ao dela e ela entendeu o recado.

Logo eles se envolveram em um beijo calmo e cheio de paixão.

–Percy, você realmente me perdoou? -Perguntou Annabeth interrompendo o beijo.

–Se eu não tivesse te perdoado, você ainda estaria em Nova Iorque, em um hospital de quinta e correndo perigo. Annabeth, mas é claro que eu te perdoei.

–Eu nunca iria imaginar que poderia acabar sentindo isso por você.

–Sentindo o quê?

–Você sabe o que é, não me obrigue a dizer agora. -Disse ela fazendo bico.

Ele riu e lhe deu um beijo na ponta do nariz. Sabia que era difícil pra ela expor seus sentimentos, mas ele poderia ser paciente, pelo menos por ela.

Percy sentiu ela adormecer, mas ele continuou acordado. Talvez aquele fosse um novo começo para eles dois. Ele sabia que Billy não ia desistir tão fácil de mata-los, ainda mais agora que ele provavelmente estaria se corroendo de raiva.

Porém, pelo menos por aquele instante eles estavam bem.

Poderiam, enfim, aproveitar alguns momentos de paz.

Notas finais
Como dizia o Chapolin Colorado: Não criemos pânico! Amanhã, mesmo tendo jogo, tem capítulo novo pra vocês. Beijos!