Blind

12 "Milagre"


Notas iniciais
Não me matem, por favor. Foi necessário acontecer aquilo no último capítulo. Vou escrever muitas coisas bonitinhas nos próximos, prometo. Voltem a me amar, por favor rs Um pouco de Leo pra nós.

Percy achou que tivesse ganhado o que muito chamariam de sexto sentido, mas já que ele não tinha um, ele provavelmente recebeu um quinto. Na hora que ouviu os tiros a única coisa em que pensou foi na segurança de Annabeth. Porém quando ele tinha chegado até a ela, já era tarde demais. Ele passou um braço em volta do corpo dela e ouviu ela gritar de dor, seu corpo estava molhado e espantado ele percebeu que aquilo era sangue.

Ele ouviu Walter gritar para que entrassem no avião depressa e graças a esse grito que ele soube em qual direção ir. Ele arranjou forças e a carregou no colo tentando ignorar os gemidos de dor que ela emitia.

Agora ele estava deitado com ela, ainda no seu colo, no chão do avião. O sangue tinha parado de jorrar compulsivamente. Walter tinha dito a ele para tirar a blusa e segurar o tecido em cima da ferida dela, aquilo estancou o sangue. Ela tinha desmaiado, a dor dela parecia ser insuportável, já que Percy não conseguia parar de ouvir gemidos de dor. Com uma mão ele segurava o blusa em cima da ferida e com a outra segurava uma das mãos dela.

De repente, ele ouviu ela sussurar:

–Percy, me desculpe ... me perdoe ... desculpe ... por favor. — Ela falava em pausas de 30 segundos. Ainda estava desmaiada e a dor não conseguia deixar ela raciocinar.

Percy sentiu ela encostar a cabeça no seu ombro e passar os braços pelo o seu pescoço, como se fosse uma criança querendo proteção. De repente todo o ódio que ele tinha sentido por ela alguns minutos atrás, tinha ido embora de vez. Ele estava desesperado com medo de perde-la.

–Tudo bem, querida, já passou, já passou. — Ele teve de se segurar pra não deixar as lagrimas escorrerem, mas ainda assim seus olhos estavam marejados. — Não tem com o que se preocupar, descanse agora.

Ele a deitou em uma das poltronas inclináveis próximo a janela. Deixou a sua blusa em cima do local aonde tinha pegado o tiro. Se sentou em frente a ela e continuou segurando uma de suas mãos.

–Walter, o que vamos fazer agora? — Ele perguntou aflito e com os olhos ainda marejados.

–Antes de vir pra cá eu estava morando em Charleston, Carolina do sul. Tenho uma casa lá e é pra lá que estamos indo, afinal uma viajem pra Miami demoraria muito e poderia custar a vida dela. Conheço um ótimo hospital e Annabeth pode ficar lá e ser atendida.

–Você acha que ela vai morrer?

–Não, fique tranquilo, ela não vai morrer. O tiro atingiu o lado direito da barriga dela, não acho que pegou nenhum órgão. Mas não é bom deixa-la assim sentindo dor e sangrando.

–Em quanto tempo vamos chegar lá?

–Já que estamos a 10 minutos no ar, provavelmente daqui a 20 minutos estaremos entrando com ela em uma ala hospitalar.

Ele saiu e foi para a cabine de comando conversar com o piloto. Percy continuou ali, sentado e calado.

–Ei parceiro. -Era Leo, que até uns minutos atrás todos tinham esquecido que ele estava ali. — Vai ficar tudo bem, você ouviu o coroa.

–Desculpa ter te metido nessa, cara.

–Ta tranquilo, eu vim do gueto latino de Nova Iorque. Já passei por coisa pior. — Ele fez uma pausa e continuou. — Parece que você se apaixonou mesmo pela loira.

–Quem dera fosse apenas paixão.

–Desculpa fazer esse comentário, mas toda vez que você gosta de uma garota as coisas não acabam muito bem. — Percy soltou uma risada e Leo o acompanhou. — Você já percebeu?

–Já e você tem razão. Mas com ela é diferente, então espero que as coisas terminem de um forma boa.

–Também espero. — Leo se deu conta da garrafa de rum jogada no chão.- Percy, você não estava bêbado?

–É verdade, eu estava bêbado.

Eles dois riram e beberam juntos a garrafa de rum. Percy sabia que não deveria ficar bêbado, mas era a sua única fuga para não entrar em desespero.

[...]

Percy estava na sala de espera do grande hospital de Charleston. Era um hospital muito bonito e luxuoso e ele julgou que as despesas do local deveriam ser extravagantes do mesmo jeito, mas pagaria o que for necessário para manter a saúde de Annabeth.

Eles haviam chegado lá por volta das três da tarde, agora já eram onze da noite. Leo já tinha ido para a casa de Walter, que segundo ele a sua filha Calipso já estava esperando (Percy achou estranho o fato de ele nunca ter mencionado ter uma filha, mas preferiu ficar quieto e não comentar nada). Walter e ele estavam esperando para saber as noticias da cirurgia que os médicos estavam fazendo para retirar a bala de Annabeth. Percy estava morrendo de medo de perde-la.

Ele estava com tanta dor de cabeça que parecia que Thor tinha deixado seu martelo cair na cabeça dele, com certeza aquilo era a ressaca por ter bebido uma garrafa de uísque e ter dividido uma garrafa de rum com Leo. Estava sentado em uma das cadeiras confortáveis da sala de espera, ele ouvia quase tudo o que acontecia ali. Ouviu uma mulher chorando a alguns metros a sua direita, ela tinha descoberto que seu filho tinha morrido e ele se deu conta do quanto é doloroso a dor da perda. Assim que Annabeth ficasse boa, ele iria dizer o quanto a amava e quem sabe até pedi-la em casamento.

–São vocês que estão esperando as noticias sobre a senhorita Chase?- Essa voz deve ser a do médico, pensou Percy.- Meu nome é Apolo e eu sou o médico responsável por ela.

–Sim, somos nós. — Walter respondeu, já que a ressaca de Percy não o permitia nem falar por que se não a dor de cabeça aumentava. — Está tudo bem com ela, doutor?

–Está sim, mas ela vai ter que ficar aqui por tempo. A bala não atingiu nenhum órgão, mas passou de raspão no estomago. Por isso ela vai precisar ficar aqui por pelo menos uma semana, a alimentação será feita por um tubo, já que ela ainda está desacordada.

Percy decidiu ignorar a ressaca e fazer uma pergunta:

–Com desacordada você quer dizer em coma?

–Sim, ela está em coma, julgamos que seja por causa da dor. Mas não vai ficar por muito tempo, talvez 3 dias, mas ainda vai precisar ficar aqui durante uma semana. Bem, tenham uma boa noite senhores, o horário de visita é amanhã das duas às três da tarde. Até mais.

O médico saiu e deixou Percy mais preocupado ainda. Por quê tudo na vida dele tinha que ser tão difícil?

–Vamos filho, você tem que descansar. Amanhã você volta para fazer uma visita a ela.

Percy percebeu que, pelo menos naquele dia, ele não poderia fazer mais nada. Então decidiu ir embora dali e voltar no dia seguinte.

[...]

Leo e Percy estavam hospedados na casa de Walter em Charleston. Leo estava completamente confuso e sem saber o que fazer, teria que ir pra onde eles forem até que o tal Billy fosse preso. Ele achou aquilo um completo exagero, ele poderia muito bem se virar sozinho e se proteger em Nova Iorque, sem falar que tinha que voltar a trabalhar na sua oficina e terminar o projeto do seu novo motor. Ele tentava a todo instante levantar a moral do amigo, mas Percy apenas se limitava a abrir um sorriso sem graça e a ficar bêbado toda vez que se lembrava de Annabeth.

Na opinião de Leo, a única coisa boa que aconteceu até agora foi ele ter conhecido Calipso, a filha de Walter. Walter tinha contado a eles que descobriu que tinha uma filha na mesma época que deixou Percy, desde então ele vivia com ela ali naquela cidadezinha calma. Ele também revelou que era policial, Leo e Percy desconfiaram que ele era na verdade do FBI, mas sabiam que se ele fosse não poderia sair anunciando isso aos quatro ventos, então deixaram o assunto em off.

Numa tarde Walter havia saído para resolver os problemas em relação a perseguição a Billy. Leo estava sentado na varanda, conversando com seu amigo cego e vendo Calipso cuidar das plantas no jardim. Ele percebeu que ela não falava muito com eles quando o pai não estava, não era tímida, apenas não queria dar uma de oferecida. Mas na semana em que eles passaram lá, Calipso passava horas conversando com Leo e ele achou que estava começando a ficar apaixonado pela garota com nome de música caribenha.

Ele decidiu tirar ela da cabeça um pouco e ser mais solidário com o amigo que estava sentado do seu lado.

–Vamos Percy, você não pode ficar bêbado 24 horas por dia. Não é enchendo a cara que você vai ter ela de volta, não fuja do problema assim.

Fazia duas semana que Annabeth estava no hospital e ainda não acordara, no início os médicos disseram que aquela era apenas uma reação do corpo dela a dor que ela estava sentindo. Mas agora já se passará duas semanas e nada dela acordar, então Percy estava com medo do caso dela ser aqueles comas que duram anos e a pessoa perde vários momentos da vida. Por isso Percy vivia bebendo para amenizar o fato dele pensar nisso, mas Leo sabia que aquilo não iria fazer bem ao amigo.

–Sei que isso não vai melhorar nada, mas cá entre nos Leo, o que é que vai? -

Percy respondeu e voltou a ficar calado.

–Calipso é uma garota legal, não é? -disse Leo mudando de assunto.

–É sim, e pelo o que eu estou percebendo você está apaixona por ela. -disse Percy rindo dele.

–Mas é claro que não. Você com certeza fica retardado quando bebe, Jackson.

Percy riu mais um pouco dele e disse:

–Vai lá falar com ela, cara. Tenta puxar assunto, sei lá. Eu acho que vocês daria um casal perfeito.

–Ah cale a boca, seu cego alcoólatra. — Leo teria que arranjar outro assunto para desviar a atenção daquele. — Você quer ir ao hospital? Eu posso te levar lá.

Percy pensou um pouco, não sabia porque ia lá todos os dias. Todas as vezes que pisava lá se decepcionava por não vê-la acordada.

–Quero sim. — Ele abriu um sorriso ao lembrar de algo. — Mas Walter não está aqui, o que significa que vamos ter que pedir carona a Calipso, o que também significa que enquanto eu estou no quarto com Annabeth você vai ter que conversar com ela. E isso vai fazer com que você diga a ela o que tem a dizer.

–Cara, será que dá pra você parar de ser tão idiota? E para de beber. -Ele tirou a garrafa de cerveja das mãos de Percy. — Eu vou lá falar com ela.

Leo se levantou e deixou Percy ali sentado na varanda. Ele já tinha falado com Calipso várias vezes nas semanas que estavam ali, já tinham até mesmo conversado por horas sozinhos. Mas mesmo assim toda a vez que ia falar com ela ficava um pouco nervoso.

– Oi, Calipso. Desculpa te interromper, mas o meu amigo cego ali precisa de um favor seu.

–Oi Leo, claro, eu ajudo sim. O quê é que ele precisa? — Ela respondeu com um sorriso que Leo achou encantador.

Ele explicou a ela que eles precisavam ir até o hospital mas não tinham carro, então precisavam do dela emprestado. Ela concordou e foi buscar as chaves do seu carro enquanto Leo tentava levantar Percy que estava com os sentidos prejudicados pelo álcool.

Eles entraram dentro do carro e foram para o hospital. Chegando lá eles foram direto para a sala de espera. Quando deu a hora de visitas Percy entrou na sala deixando Leo e Calipso sozinhos e a vontade para conversarem.

–Então Leo, a gente se conhece faz duas semanas mais nunca te perguntei. -Disse Calipso puxando assunto.- O que é que você faz?

–Hã? Ah sim. -Leo demorou um pouco pra processar que ela estava perguntando em quê ele trabalhava.- Bem, eu trabalho com engenharia mecânica. Tenho uma oficina no Harlem, mas eu e alguns rapazes que trabalham comigo não concertamos só carros, criamos alguns equipamentos para computadores e eletrodomésticos. Mas na maioria das vezes eu concerto os equipamentos da CEO Jackson.

–Então você é tipo o garoto dos reparos. -Ela disse sorrindo para ele.

–É, eu acho que sou sim. -Ele não sabia porque não consegui flertar com ela, tinha facilidade pra fazer isso com qualquer garota, mas com ela era diferente.- Pelo o que vi você também gosta de concertar as coisas, eu vi o jeito como você cuida do seu jardim.

–É, eu amo cuidar daquilo que as pessoas não dão muito valor. -Ela olhou nos olhos de Leo e ele percebeu que aquilo era uma indireta pra ele. -Em quesito de concertar coisas, nós daríamos uma bela dupla.

–Concordo plenamente com você. -Ele tomou coragem e prosseguiu. -Uma bela dupla ou um belo casal.

Ela sorriu e ele sorriu de volta.

Se envolveram em uma conversa calma, delicada e terna. Leo se deu conta de que finalmente encontrou a garota pela qual ele procurava. Foi a primeira vez que ele viu algo em uma garota que não era completamente carnal, na verdade era algo bom de se sentir. Talvez fosse paixão, talvez fosse amor, mas isso não importava porque aquilo entre eles era pra ser sentido e não questionado.

Tudo teria ocorrido bem e ele teria dado um beijo nela, se não fosse alguns médicos e enfermeiros correndo para sala onde Annabeth estava. Ele viu Percy sair da sala, ele não sabia pra onde ir. Teve que se segurar para não soltar um palavrão, afinal ninguém gosta de ser interrompido. Mas decidiu ser educado e paciente diante da situação.

–Percy, aqui. -Leo o chamou e Percy foi até a onde a voz o chamava.- Ei parceiro, está tudo bem? O que houve?

–Um milagre, Valdez. Um milagre ...

Notas finais
Galera, pra quem gosta de filosofia, eu e um amigo criamos uma página no Face que fala justamente sobre coisas que nos fazem pensar. Tá aí o link para que quiser dar uma olhada: https://www.facebook.com/pararefletir08?ref_type=bookmark Fiquem de boa que o próximo capítulo vai redimir minha maldade nos anteriores.